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Lua Nova: Revista de Cultura e Política

Print version ISSN 0102-6445

Lua Nova vol.3 no.1 São Paulo June 1986

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-64451986000200010 

POLÊMICA

 

Verdade ou mentira?

 

 

Faz parte da história mundial do rádio a experiência empreendida por Orson Welles, em 1938. Através de uma emissora da cidade de Nova Iorque, Welles transmitiu a dramatização do livro de H. S. Wells A Guerra dos Mundos, que narrava a invasão da Terra pelos marcianos. O programa foi tão emocionado, a dramatização tão envolvente, que muitos ouvintes acreditaram que fosse o noticiário de um fato verídico. Houve pânico em Nova Iorque.

Certamente Orson Welles é o herói de Geraldo Anhaia Mello, o produtor independente que idealizou o programa Verdades e Mentiras (nome tirado também de um filme de Welles) para a Rádio USP-FM, emissora experimental da Universidade de São Paulo.

O programa transmitia boa música e procurava mostrar a frágil linha divisória entre a verdade e a mentira, transmitindo notícias falsas, que poderiam ser verdadeiras, e notícias absurdas, mas verdadeiras.

O que Geraldo jamais poderia ter sonhado é que a semelhança de sua experiência com a de Orson Welles iria tão longe. Na noite de 4 de dezembro de 1985, o programa transmitiu a notícia de que houvera um deslizamento de terras na serra do Mar, causando um grave acidente ecológico no complexo petroquímico de Cubatão. Muitas pessoas, que ligaram o rádio com o programa já iniciado, acreditaram na notícia. Houve um início de pânico na cidade de São Paulo.

 

 

O radialista foi demitido em seguida e o fato criou uma longa controvérsia sobre ética de imprensa e liberdade de informação. O que pensam os organismos oficiais a respeito, nós já sabemos. Edison Nunes e Marília Garcia, de LUA NOVA, foram ouvir Geraldo Anhaia Mello.

 

MARÍLIA — O que era o programa Verdades e Mentiras? Qual a idéia inicial que norteou a sua criação?

GERALDO O nome do programa eu tirei de um filme do Orson Welles, como uma homenagem explícita. Nesse filme ele mostrava como a verdade e a mentira são divididas por uma linha muito tênue, que balança. Não tem nada a ver com a exatidão dos fatos. Existe a verdade que é a minha, a sua e a de uma terceira pessoa que observa. De qualquer jeito, eu não acredito muito em verdades e mentiras, principalmente em termos de comunicação de massas. Sempre se engana, sempre se dá uma versão parcial das coisas..É impossível uma visão jornalística isenta. Só através da televisão, ou vídeo, sem edição! Aí pode ser que chegue perto.

Então eu comecei a fazer um programa em que eu mentia em algumas partes dele e, em outras, eu falava verdades que eram absolutamente inacreditáveis, mas verdadeiras. E sempre procurava temas ecológicos. Por exemplo, dizer que a poeira de amianto que levanta com o breque do carro provoca câncer de pulmão em ciclistas parece uma mentira, mas é verdade verdadeiríssima. Eu contava isso no programa, em tom de blague, e muita gente achava que era mentira. E também dava o resultado errado da Loto, dizia que havia um maníaco inoculando sangue contaminado de AIDS nas pessoas em pontos de ônibus, dava a hora errada, falava absurdos, entrevistava pessoas que eu mesmo representava. E tocava boas músicas. Basicamente eu falava 1 % do programa e tocava música de boa qualidade, porque é o que dá audiência no rádio.

EDISON — Como surgiu a idéia de fazer o programa sobre a serra do Mar?

GERALDO — Há dois anos atrás eu comecei a ler sobre os problemas da serra do mar. Vi uma denúncia do Gabeira a respeito da devastação da serra e do perigo de deslizamento. Depois eu li sobre o relatório da CETESB, o relatório misterioso, escondido... Aí, um amigo me pediu para fazer um roteiro para um programa de vídeo, para o aniversário da cidade de São Paulo, que mostrasse a infra-estrutura da cidade. Ia se chamar "São Paulo pelos tubos". Comecei a trabalhar no roteiro e, a partir de um dado momento resolvi partir para um excesso: se viessem 500000 pessoas a mais para São Paulo, a cidade estouraria. Como é que essa infra-estrutura iria agüentar, se já não dá conta hoje? E como é que, de repente, poderiam vir 500000 pessoas a mais para São Paulo? Ora, se Santos fosse invadida por gás, 500000 fatalmente teriam que vir para cá!...

Aí eu fiz o roteiro em cima de uma dramatização. Começava com a serra invadida por névoa e a gente imaginava que Cubatão já tinha estourado. Isso é uma coisa perfeitamente possível. As indústrias estão até mesmo sendo processadas. Finalmente, o Ministério Público está do lado da ecologia. Agora são as grandes empresas e o Executivo contra o Judiciário.

Mas, ir contra essas forças não é simples. Há problemas que podem afetar o abastecimento do mercado. Estão querendo desativar certos dutos, que são muito perigosos mesmo, mas a sua desativação pode até fazer com que a gente fique sem balde de plástico no supermercado. Infelizmente, fizeram tudo depender de uma bomba atômica. A ilha do Barnabé, em Cubatão, é uma bomba atômica de sei lá quantos mil megatons. O outro dia eu li um relatório que dizia que, se um dia a ilha do Barnabé explodir, tudo o que existe num raio de 10 quilômetros vai volatilizar; o que existe num raio de 40 quilômetros vai ser carbonizado e, num raio de 80 quilômetros, vai ser queimado! Então, todo mundo que está em Santos vai ser só carbonizado... Se passar Sundown até que carboniza menos... Mas, não dá para brincar, é um negócio perigosíssimo! Logo no Brasil, que nunca teve catástrofes naturais, não tem vulcão, não tem terremoto... a gente construiu uma catástrofe humana. É uma bomba, prontinha para explodir. Mas parece que as pessoas não se preocupam muito com isso, a não ser que sintam na própria pele.

Algumas pessoas me ligaram durante o programa, dizendo que tinham parentes em Santos, e me xingaram porque eu tinha feito elas passarem um grande susto. E a elas eu dizia: "Toma esse susto como lição e vai brigar pelos seus parentes. Vai pedir pro teu congressista, vai batalhar, vai gritar mesmo". Se a gente fosse um país civilizado, já estaria todo mundo de mãos dadas no meio da rua pra protestar; a gente faria uma corrente humana daqui até Santos, pra mostrar o que a população pensa. Não é só no dia da eleição; tem que ter outras maneiras de se manifestar.

Eu não esperava fazer aquele programa, daquele jeito, sobre a serra do Mar. Eu já tinha dito que eu ia fazer um programa sobre Cubatão, mas não esperava que fosse daquele jeito. Comentava umas coisas, contava uma mentirinha qualquer... Mas acabei fazendo o programa inteiro sobre isso!

MARÍLIA — Você foi improvisando?

GERALDO — Fui, direto, sem escrever. Mas é que eu já tinha feito o roteiro do vídeo e estava com o assunto todinho na ponta da língua. Foi superdivertido. Mas, durante a emissão, eu comecei a ficar com medo da minha própria brincadeira. É de morrer de medo! É você se meter no meio da tragédia do Titanic, ou no Inferno na Torre! É uma loucura! E pode acontecer a qualquer momento. Não é uma bobagem.

O saldo positivo do programa foi as autoridades terem sido obrigadas a reconhecer a ameaça real. Na repreensão que me deram, disseram que eu brinquei com um fato real, enquanto o Orson Welles brincou com um fato fictício. Então eles reconhecem publicamente que é real! Têm que tomar providências muito mais enérgicas. Têm que evacuar o pessoal, têm que desativar os dutos, têm que fazer de uma outra forma, têm que jogar dinheiro lá. Aquilo funciona com dinheiro financiado pela Union Carbide, pela Petrofértil, pela Ultragás. Esse pessoal tem grana, trabalha no mercado de capitais com altos lucros...

MARÍLIA — E você mesmo? Você acha que brincou?

GERALDO — Não! Eu tinha consciência total da seriedade da coisa. Posso falar de consciência tranqüila. Mas isso não foi o que transpareceu. Principalmente para o pessoal da esquerda beautiful people.

MARÍLIA — Então a esquerda caiu na sua pele?

GERALDO — Já começou com o pessoal pseudoliberal da própria rádio. Publicaram um comunicado absolutamente mentiroso. Dizendo que eu havia combinado que desmentiria as notícias falsas que eu disse. Eu nunca tinha combinado nada!

MARÍLIA — Como é que são feitos os programas da rádio? Você apresenta um projeto para o diretor da rádio?

GERALDO — Não. Eu simplesmente falei o que eu queria fazer como programa.

MARÍLIA — Não existe nada escrito comprovando esse acerto?

GERALDO — Nada. Eu não assinei nada. Falei como queria fazer o programa e fiz o programa. Até com um certo sucesso... {risos).E a reação veio de uma forma meio cretina. A nota oficial da rádio para os jornais é muito violenta, me tacha como irresponsável, infantil, e não segura nem a própria onda da emissora, que é uma emissora alternativa e livre, aberta a novas propostas. Uma emissora que se permite colocar um locutor no ar, ao vivo, sem ter um vínculo qualquer por escrito ou qualquer tipo de compromisso.

 

Na noite anterior tinha chovido

Assim, eu apresentei a proposta verbalmente. Mas, dois meses antes de ir para o ar, saiu no jornal que o programa ia se chamar Verdades e Mentiras e que daria margem a muita confusão. As pessoas da rádio não podiam dizer que desconheciam! Quando foi ao ar o programa sobre Cubatão, eu já tinha feito dois outros programas nos quais eu não desmentia nada. Por exemplo, essa história da AIDS podia ter dado uma tragédia, por que não? Mas as pessoas levaram mesmo na brincadeira.

O que criou clima para essa história de Cubatão é que, naquela semana, tinha sido aniversário da morte de milhares de pessoas em Bhopal, na Índia. Os jornais todos tinham dado muito destaque para isso. A história do gás estava muito presente. E, depois de dois meses de estiagem, aquela noite tinha chovido e estava todo mundo preocupado com isso. "Como é que vai ser quando chegar a época das chuvas em Cubatão?"

O relatório da CETESB, de seis anos atrás, dizia que uma tragédia podia acontecer dali a cinco anos. Hoje, tá pra estourar! Aí vem geólogo dizer: "O maciço central da serra do Mar é primário, jamais cairá". O problema não é o maciçomas a cobertura, que desliza. Agora, vão fazer fossos em volta das indústrias. Vai ter que encher de jacarés, pois, depois que estourar a tragédia é capaz de as indústrias serem invadidas. A Union Carbide é a única que não tem nem fosso, desrespeita mesmo. E esse pessoal todo de controle das empresas é coronel reformado, é gente que ganha dinheiro com isso, que está com o rabo preso.

Então, achei que o único jeito de dar uma balançada na coisa era abordar o tema artisticamente. Tinha que jogar pra população, através da mídia. E, deu no que deu.

Eu acho interessante como o pessoal de direita sabe lidar bem com essas situações. Eles mostram logo a borduna: (com a voz empostada) "Vamos processar, vamos pôr na cadeia, vamos matar!". E tiram das páginas artísticas pra passar logo para as páginas policiais, obrigatoriamente. Apresentam a gente como irresponsável, como ameaça à sociedade. Eles não, imagine! Eles não são irresponsáveis... Na hora que fritarem 250 habitantes de Vila Parisi numa frigideirinha, eles vão fazer o possível... pra salvar a própria pele!

 

Uma verdade que pode acontecer

EDISON — E depois, como é que você recebeu as primeiras reações ao programa?

GERALDO — Quando começaram a telefonar durante o programa — gente apavorada — eu assumi.Tanto que, se você ouvir a gravação do programa, você vai ver que eu começo logo a dar o desmentido, mas depois do desmentido eu digo: "Mesmo assim não se esqueçam que isso é uma verdade que pode acontecer a qualquer momento. Isto é uma mentira. Então, quem ficou chateadíssimo, nervoso, preocupado com os seus parentes, procure tomar providências". Eu falava isso pelo rádio. No dia seguinte eu também fazia isso. Lá pelo meio-dia seguinte, o clima começou a pesar. Aí, eu precisei dos amigos, que foram todos lá pra rádio me ajudar. Sem essa ajuda é difícil você resistir à pressão autoritária.

EDISON — Como é que foram essas pressões? Quem fez, de onde vieram?

GERALDO — Primeiro, pelos jornais. Aí, de cara, eu fui demitido da rádio e perdi também o meu emprego na Secretaria de Cultura do Estado. No dia seguinte, eu fui ao DENTEL. Lá tinha centenas de funcionários pra me atender, eu era uma espécie de fenômeno. Foram todos lá na sala pra conversar comigo. Eles falaram que "não era bem assim" e que, de acordo com a legislação, o responsável era a rádio. Eu falei: "Pois é, mas a responsabilidade é meio minha. Os outros produtores lá da rádio não têm nada que sofrer com o que eu fiz". Eles disseram: "Mas isso não tem nenhum problema, porque a rádio não vai ser cassada. Vai ser multada ou ter no máximo uma suspensão de cinco dias. E, inclusive, como lá são todos funcionários públicos, não tem problema de anúncio. Se a rádio for suspensa ninguém vai perder dinheiro". (risos). É muito engraçado...

MARÍLIA — (rindo) É uma loucura! Não é engraçado.

GERALDO — Esses organismos todos são inúteis. Se o dinheiro que se usa pra mantê-los fosse aplicado em outras coisas... Mas aí não adianta. A Suíça do Brasil, o sustentáculo do sistema, é o sistema de comunicações. Então a Suíça do Brasil é o DENTEL, um lugar mais seguro, que eles controlam. E são supercaretas. Colocaram uma espadona em cima da USP e falaram: "Ou vocês se comportam...". Quiseram usar o meu caso como bode espiatório de uma situação que estava incomodando a todos eles, que era a da Rádio Xilik e da TV-Livre de Sorocaba.

MARÍLIA — O que aconteceu com você pode ter afetado o movimento das rádios livres?

GERALDO — Eu acho que atrapalhei um pouco o trabalho deles. Mas também ajudei. Atrapalhei porque a direita colocou a minha atitude como irresponsável aos olhos da população. "É perigoso deixar o rádio na mão desses meninos. Olha o que eles fazem, eles causam pânico".

Mas eu ajudei, na medida em que pôde ficar claro que o sistema de comunicações é absolutamente hermético. Ajuda até a pensar em termos de Constituinte. Agora, tem que mudar de qualquer jeito. Tem que modificar o sistema de controle dos órgãos de comunicação, que é o mais perfeito, que continua igualzinho. E disso eles não abriram mão porque são inteligentíssimos. O pessoal trabalha com estratégia militar. E é por aí mesmo. Quem manda no rádio declara a revolução que não existe.

EDISON — Qual, na sua opinião, é a possibilidade real de mudar esse quadro?

GERALDO — Eu não sou advogado, não sou jurista. Mas eu acho que só há possibilidade de se conseguir arregimentar pessoas e fazer pressão. Por exemplo, pressão pelo direito à informação. Isso é importantíssimo. Na medida em que passar uma pequena emenda dizendo que existe o direito à informação, que é obrigatório, isso se resolve. Eu não gosto de me preocupar muito com essas questões, porque eu escapei da faculdade de Direito, quando tinha 18 anos, e nunca mais quis pensar nessas coisas. Abaixo a norma! A única norma de que eu gosto é a Norma Benguel.

EDISON — Quando você foi demitido, e rádio explicou pra você os motivos oficiais?

GERALDO — Nada! Ninguém falou comigo. Sabe como aconteceu? Tem um cara ótimo na direção da Rádio USP, que é o Luiz Fernando Santoro. Mas, na época em que eu pus o programa no ar o Santoro estava viajando e assumiu o André Barbosa Filho, que é um puta dum picareta, desses jornalistas de 5? categoria, que usa com orgulho a sua carteirinha de exilado. Ele estava interinamente na direção da rádio e ele, praticamente, chamou o DENTEL. Ele, na verdade,criou o fato do pânico. Exagerou. Porque ele tem interesse em fazer uma rádio mais conservadora. A linha dele e do grupo dele é essa. Eles gostam de poncho e conga, eles acham que revolução é Chico Buarque de Hollanda e Gonzaguinha. Acham que não tem sentido tocar rock ou música minimalista. Que a Rádio USP tem que ser uma rádio com chulé, como se fosse uma mulher com pelo no sovaco... (risos).Eles não perceberam que já mudou isso. Hoje, nós voltamos pra chiqueza dos anos 50. Champanhe e ostras, graças a Deus! Viver bem é a grande vingança. Luxo pra todos, essa é a grande revolução!

EDISON — Você diria, então, que o centro do episódio é mais uma luta interna dentro da rádio?

GERALDO — Não. Eu acho que isso colaborou, mas não foi só. Mas sem dúvida teve um peso. Se o Santoro estivesse presente teria sido muito diferente. De qualquer forma, mesmo dentro da Universidade houve manifestações a meu favor.

No final do ano, houve uma reunião do pessoal da Rádio USP com o Guerra Vieira, que era o reitor naquela época. Quando o reitor começou a falar todo mundo já esperava que ele fosse tocar um cacete em mim, já que ele é tido como conservador, careta. E ele elogiou o programa! Disse que é por aí mesmo, que tinha muito orgulho de a rádio estar indo muito bem. Disse que o meu programa tinha sido um sucesso e que a rádio conseguiria absorver muito bem o problema com a estrutura de comunicações. E que tinha que ser assim mesmo, porque era uma rádio experimental.

O que aconteceu, que mudou a opinião dele, é que dois dias antes dessa reunião tinha sido feito, numa rádio da Escandinávia, um programa muito parecido sobre mísseis atômicos soviéticos que estavam pra cair. E o reitor soube que o Departamento de Teatralização Radiofônica da Universidade de Helsinque tinha dito que esse tipo de atuação era um barato e que tinha mencionado o Orson Welles e... o Brasil, que tinha feito um programa sobre a serra do Mar!

MARÍLIA — Quando o programa da serra do Mar repercutiu, se falou muito de ética. Algumas pessoas criticavam, outras defendiam calorosamente... Afinal, qual é, para você, a ética que deve existir no rádio?

GERALDO — Vou contar uma historinha que, de certa forma, responde à tua pergunta. No dia seguinte à minha demissão, o Serginho Leite, que se sentiu lesado como representante dos radialistas, me telefonou ao vivo do programa dele. E disse: "Quer dizer que é proibido contar mentira no rádio? Então como é que eu faço com o índice da inflação que eu vou ter que anunciar daqui a pouco?". Foi uma gargalhada geral.