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Lua Nova: Revista de Cultura e Política

versão impressa ISSN 0102-6445

Lua Nova  no.79 São Paulo  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-64452010000100001 

Apresentação

 

 

Faz parte das polêmicas no seio das ciências sociais a definição do conflito político. Mais do que isso, a indicação dos protagonistas que os constituem ou, ainda, a tentativa de hierarquizá-los. A discussão envolve a trajetória das noções de política e cidadania. Evidentemente, não se trata de assunto de fácil apreensão e de solução simples. A temática supõe visões que se contrapõem face às concepções de representação e participação.

Os embates sobre marginalidade, periferia, fronteiras há décadas povoam as reflexões das ciências sociais. Vale lembrar que a conotação desses termos varia segundo a abordagem no tempo e no espaço. O organizador deste dossiê de Lua Nova lembra que os "contingentes 'marginais' da população têm estado no centro da tradição e, mais do que isso, da renovação do pensamento político moderno." Uma gama ampla de autores Simmel, Foote-Whyte, Hannah Arendt, Foucault, Rancière, Mahmood Mandani, Veena Das  tematiza vários aspectos da questão.

Ouso dizer, embora reconheça que haja certo exagero na afirmação, que essas expressões são antes abordadas como fenômenos em busca de um conceito, e não como categorias plenamente constitutivas da teoria que as propõe. Prefiro considerar o emprego dessas noções periferia, margens, fronteiras como um método para dar conta do movimento da sociedade. Reconheço nelas importante capacidade heurística para a percepção do conjunto no qual um grupo considerado "à margem" representa o mundo, denuncia sua condição subalterna, expressa suas aspirações, atua. Gramsci, ao estudar a Questão Meridional, usa essa estratégia para compreender não apenas a região, reconhecidamente periférica na sociedade italiana, mas para dar conta da questão nacional.

Assim, os estudos que se dedicam ao tema ganham dimensões diferentes: podem reproduzir a dimensão empírica dos circuitos sociais, operar a comparação entre eles, compreender os nexos existentes, localizá-los no quadro social em que se inserem, perceber o sentido político que carregam, entre outras possibilidades. O caráter heurístico pode permitir a resposta à indagação sobre as possibilidades da política.

Os diferentes caminhos e as várias etnografias utilizadas explicam o caráter diferenciado das abordagens presentes nos artigos que compõem o dossiê. A diversidade que marca a sociedade e as várias interpretações permitem que Gabriel de Santis Feltran ofereça uma proposta plural. Isso não o impede de mostrar como a gestão e a violência se confundem nas fronteiras entre as periferias e o mundo público, constituindo-se uma política presente em quase todos os casos.

 

 

O EDITOR

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