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Lua Nova: Revista de Cultura e Política

Print version ISSN 0102-6445

Lua Nova  no.85 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-64452012000100001 

Apresentação

 

 

Este número da revista Lua Nova apresenta um dossiê sobre a questão racial no Brasil. Organizado por Antonio Sérgio Guimarães, é composto por seis artigos. Tema dos mais importantes na sociedade brasileira, hoje tem fundado novas pesquisas motivadas por suas implicações no debate da democracia. Embora a abolição da escravidão tenha formalmente estendido a toda a população do país os direitos civis, políticos e sociais, a noção de raça impediu durante muito tempo o desenvolvimento da cidadania. No entanto, contemporaneamente, em lugar de obstáculo, "raça" tornou-se um dos elementos a partir do qual se coloca na arena política nacional a questão da igualdade das oportunidades, ponto essencial para a constituição de uma sociedade democrática.

No artigo "Cidadania e retóricas negras de inclusão social", Guimarães reconstrói o percurso dos movimentos negros no Brasil, mostrando que, em cada momento de sua história, eles não aceitam os fundamentos "legitimadores" da discriminação e/ou da exclusão. Caracteriza ainda as mobilizações atuais como o primeiro período em que recusam os pressupostos autoritários da democracia racial. "Protesto negro no Brasil contemporâneo", de Flavia Rios, analisa uma das estratégias dos movimentos negros contemporâneos - o protesto de rua -, mostrando o papel que desempenharam nas lutas contra a ditadura e, no presente, na consolidação de lideranças políticas que formalizam institucionalmente as demandas desses movimentos. A trajetória social e familiar de Edison de Souza Carneiro é reconstituída no artigo "Uma família de cultura" de Gustavo Rossi ao enfocar, por um lado, como os Souza Carneiro vivenciam os efeitos de sua situação racial nos espaços das elites dirigentes de Salvador e, por outro, como essas coordenadas política e étnica rebatem nos primeiros trabalhos desse importante intelectual. Em "Tempo e melancolia", através da obra ficcional do escritor negro Raul Astolfo Marques, são analisados o período pós-Abolição e as primeiras décadas republicanas no quadro da crise do estado do Maranhão. Estudando contos, crônicas e o romance desse autor, Matheus Gato de Jesus não apenas mostra as dificuldades de inserção dos ex-escravos na sociedade local, como fornece uma visão do lugar das regiões que ficaram fora do jogo político oligárquico daquele período. Natália S. Bueno em "Raça e comportamento político" procura responder à pergunta: qual o papel da raça no comportamento político dos indivíduos? Estudando a atuação de grupos raciais e fatores socioeconômicos em Belo Horizonte, fornece sugestões de resposta a essa questão. O texto de Mário Augusto Medeiros da Silva, intitulado "Fazer história, fazer sentido", dedica-se a estudar a Associação Cultural do Negro, fundada em São Paulo em 1954, situando-a no quadro de várias instituições semelhantes fundadas em momentos anteriores a ela. A variedade dos enfoques nessa temática tão ampla fornece elementos importantes aos estudiosos do assunto.

Além do dossiê, completa este número de Lua Nova um artigo de Christian Edward Cyril Lynch, "O Império que era a República", no qual o autor indaga, procurando evitar explicações que considera de matiz psicologizante ou classista, quais as razões que levaram Joaquim Nabuco a permanecer monarquista frente ao advento da República.

Os textos aqui publicados foram propostos por seus autores ao comitê de redação da Lua Nova, examinados e aprovados por pareceristas externos, a quem agradecemos.

O EDITOR