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Lua Nova: Revista de Cultura e Política

versão impressa ISSN 0102-6445versão On-line ISSN 1807-0175

Lua Nova  no.107 São Paulo maio/ago. 2019  Epub 12-Set-2019

http://dx.doi.org/10.1590/0102-007010/107 

Editorial

Da experiência política clássica à análise de conjuntura

Bruno Konder Comparato1 
http://orcid.org/0000-0001-9356-0362

1Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Guarulhos, SP, Brasil. E-mail <bruno.comparato@unifesp.br>


O número 107 da revista Lua Nova inicia com um dossiê organizado por Patrício Tierno e Eunice Ostrensky sobre a teoria política clássica e alguns aspectos das heranças grega e romana. No artigo inaugural, Patrício Tierno trata justamente das ramificações da Grécia e de Roma na teoria política e aborda as “mediações interpretativas em jogo na disputa pelo sentido de acontecimentos originados na democracia de Atenas do século V a.C. e na república de Roma no decorrer das últimas décadas do século II a.C.” (Tierno, 2019, p. 15) Em seguida, Antonio Hermosa Andújar propõe fazer uma antropologia da democracia a partir das qualidades e dos ideais dos cidadãos atenienses. No artigo seguinte, Eunice Ostrensky aborda o pensamento de Maquiavel a partir de um ângulo ainda pouco explorado: a ambição e o dilema das leis agrárias. Por estarem relacionadas com a propriedade privada, as leis agrárias explicitam os interesses contrários dos nobres e dos plebeus. No quarto artigo, que fecha este dossiê, Thaís Florêncio de Aguiar apresenta a amizade como conceito fundamental da democracia para os gregos antigos. A leitura continua no campo da teoria política com um texto de Jean Castro no qual ele explora a veia trágica de Maquiavel que se apresentava como um pensador trágico. No sexto artigo deste número, Ivo Coser aborda os conceitos de lei, liberdade e diversidade de fins no pluralismo de valores a partir da obra de Isaiah Berlin. A reflexão no campo da teoria política prossegue com um artigo de Antonio Claudio Engelke Menezes Teixeira sobre a fantasia utópica antipolítica e anarquista de Negri e Hardt, que o autor critica. Nos dois últimos artigos da revista, o olhar se volta para o Brasil. Primeiro com um texto de Fabio Mascaro Querido no qual a contribuição original de Roberto Schwarz, que propõe pensar o Brasil ao quadrado, é esquadrinhada. Por fim, este número se encerra com um artigo de Jorge Gomes de Souza Chaloub no qual são abordadas as contribuições do bacharelismo na tradição política brasileira para o surgimento de um discurso liberal udenista.

Todos os artigos foram enviados espontaneamente por seus autores e avaliados por pareceristas, a quem muito agradecemos.

Quando do fechamento deste número fomos surpreendidos pela partida inesperada de Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes, grande amigo do Cedec e da Lua Nova, na qual publicou dois artigos que constituem uma boa amostra da sua contribuição para a reflexão em ciências sociais. Em “Estado, mercado e outras instituições reguladoras”, publicado no número 58 de Lua Nova, Reginaldo questionava a globalização financeira com frequência apresentada como um fenômeno inevitável, irreversível e unívoco, pois, como afirmava, “existe algo mais entre Estado e mercado (ou entre Estado e sociedade civil) do que podem supor as nossas vãs dicotomias” (Moraes, 2003, p. 127).

Já em “Notas sobre o imbróglio do governo Lula, 2005”, publicado no número 65 de Lua Nova e redigido no calor da hora dos acontecimentos, Reginaldo se perguntava o que angustiava a todos os analistas naquele momento:

Aonde vamos parar? A crise política, detonada pelas denúncias de corrupção e financiamento ilegal, promete desdobramentos. Não é possível prever a sua extensão, porque, afinal, a política não é física aplicada e os indivíduos e grupos não são pedras, submetidas à lei da queda livre dos corpos e à gravitação universal. São objetos da análise, mas são, também, atores que agem, reagem, calculam e... contornam aquilo que preveem como indesejável. (Moraes, 2005, p. 201)

Bibliografia

MORAES, Reginaldo. 2003. Estado, mercado e outras instituições reguladoras. Lua Nova, n. 58, pp. 121-140. [ Links ]

MORAES, Reginaldo. 2005. Notas sobre o imbróglio do governo Lula, 2005. Lua Nova, n. 65, pp. 179-202. [ Links ]

TIERNO, Patrício. 2019. Teoria política clássica - ramificações de Grécia e Roma. Lua Nova, n. 107, 15-29. [ Links ]

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