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Lua Nova: Revista de Cultura e Política

versão impressa ISSN 0102-6445versão On-line ISSN 1807-0175

Lua Nova  no.110 São Paulo maio/ago. 2020  Epub 18-Set-2020

https://doi.org/10.1590/0102-099131/110 

DOSSIÊ CIÊNCIAS SOCIAIS E EDUCAÇÃO

A DIVERSIDADE DE AGENTES E AGENDAS NA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

THE DIVERSITY OF AGENTS AND AGENDAS IN THE SOCIOLOGY OF EDUCATION IN BRAZIL

Amurabi Oliveiraa 
http://orcid.org/0000-0002-7856-1196

Camila Ferreira da Silvab 
http://orcid.org/0000-0002-2348-9350

aProfessor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: amurabi_cs@hotmail.com

bProfessora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Manaus, AM, Brasil. E-mail: ferreira.camilasilva@gmail.com


Resumo

O campo da sociologia da educação (SE) é marcado por uma profunda heterogeneidade, o que se vincula também à clivagem institucional existente entre os programas de pós-graduação em Sociologia e os programas de pós-graduação em Educação no Brasil. Neste artigo buscamos examinar de forma comparativa a SE desenvolvida nesses dois diferentes espaços institucionais, tomando como fio condutor os programas que possuem linhas de pesquisa nesta área, analisando a formação dos agentes que se situam nesse campo e as diferentes agendas de pesquisa existentes. Observamos uma expressiva presença da SE nos programas de Sociologia, marcada pelo predomínio de pesquisadores consolidados, com formação disciplinar no campo da Sociologia, e com uma agenda direcionada majoritariamente para o ensino superior. Nos programas de Educação, ainda que haja proporcionalmente menos linhas de pesquisa dedicadas à SE, o número de pesquisadores dedicados ao tema é maior, havendo uma renovação mais intensa do corpus e uma agenda de pesquisa mais voltada para a educação básica.

Palavras-chave: Sociologia da Educação; Campo Acadêmico; Pesquisa em Educação

Abstract

The field of Sociology of Education (SE) is marked by deep heterogeneity, related to the institutional cleavage between Graduate Programs in Sociology and the Graduate Programs in Education in Brazil. This study compared the SE developed in these two institutional spaces, taking as guideline programs with lines of research in this field, analyzing the academic formation of agents that are part of this field, as well as varying research agendas. We observed a significant presence of SE in sociology programs, marked by a predominance of consolidated researchers with disciplinary academic formation in the field of sociology and an agenda directed mainly towards higher education, while in education programs, although there is proportionately less research lines dedicated to SE, the number of researchers dedicated to the subject is higher, with more intense renovation of the corpus of researchers and a research agenda more focused on basic education.

Keywords: Sociology of Education; Academic Field; Research in Education

Introdução

A sociologia da educação (SE) pode ser considerada o primeiro subcampo da sociologia a se institucionalizar no Brasil, uma vez que já no final da década de 1920 surgiram as primeiras cátedras da disciplina nas escolas normais (Meucci, 2011; Miceli, 1989; Oliveira, 2013). A sociologia pode ser compreendida dentro do movimento mais amplo de modernização do sistema educacional brasileiro, que começava a se formar nacionalmente a partir da década de 1930, e tinha como um de seus focos principais a renovação do modelo de formação docente.

Nesta direção, a institucionalização da SE ocorreu a partir de um conjunto relativamente difuso de ações, como por meio da tradução de autores que poderiam ser considerados relevantes para a formação de professores, e da produção de sínteses originais de autores brasileiros voltados para esse campo. No primeiro caso destaca-se a tradução do livro Educação e sociologia de Émile Durkheim (1858-1917), obra publicada postumamente na França em 1922 e traduzida para o português por Lourenço Filho (1897-1970) em 1929.1 No segundo caso, são exemplos as publicações do livro Sociologia educacional (1940) de Fernando de Azevedo (1894-1974) e do livro com o mesmo título, Sociologia educacional, de Delgado de Carvalho (1884-1980).2

Apesar das tentativas mais incisivas de institucionalização da SE no Brasil, como por meio do advento do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) sob os auspícios de Anísio Teixeira (1900-1971), podemos afirmar que apenas com a formação de um sistema de pós-graduação no Brasil com a reforma universitária de 1968 podemos de fato vislumbrar um processo de sistematização de pesquisas nesse campo. Sem embargo, na leitura de Cunha (1992a), é a partir desta reforma, com a consequente criação das faculdades de educação, que o tema passa a se marginalizar na agenda de pesquisas da sociologia brasileira, com essa clivagem institucional criada entre a educação e as demais ciências humanas e sociais.

Longe de querer esgotar o debate, tampouco de realizar um arrazoado histórico da SE no Brasil - o que já fora objeto de reflexão de outros autores (Beisiegel, 2013; Silva, 2002) -, queremos chamar atenção para a forma como a SE se encontra institucionalizada e estruturada no Brasil hoje, partindo de uma análise de seus agentes. Considerando o percurso caudaloso que a institucionalização da SE teve no Brasil, com sua consolidação apenas a partir da década de 1970, os programas de pós-graduação, assumidos aqui como marcos mais significativos para este processo, são por excelência nosso lócus privilegiado de análise para este trabalho.

O reconhecimento de que há uma clivagem institucional na SE no Brasil, desenvolvendo-se tanto a partir das faculdades de educação como dos departamentos de sociologia/ciências sociais, tem se reafirmado em inúmeros balanços acerca da produção acadêmica na área (a exemplos de Almeida e Hey, 2018; Barbosa e Gandin, 2020; Cêa e Silva, 2015; Costa e Nogueira, 2009; Costa e Silva, 2003; Gouveia, 1989; Martins e Weber, 2010; Neves, 2002; Oliveira e Silva, 2020; Weber, 1992). Tais balanços, todavia, não se lançaram a examinar como os agentes têm construído suas trajetórias e agendas de pesquisa nesse campo, de modo a nos possibilitar um aprofundamento acerca dos pontos de proximidade e de distanciamento da SE em ambos os espaços institucionais a partir dos agentes que mobilizam o campo.

Neste artigo, buscaremos apresentar uma análise comparativa entre a SE desenvolvida nos programas de pós-graduação em sociologia e aquela realizada nos programas de pós-graduação em educação, o que será levado a cabo a partir de um exame das trajetórias e agendas de pesquisa de seus agentes. Para tanto, examinaremos principalmente os seguintes elementos: (1) a existência de linhas de pesquisa em educação nos programas de sociologia, e em sociologia nos programas de educação; (2) a trajetória formativa e de atuação dos agentes implicados em tais linhas de pesquisa; (3) os projetos em curso dos professores vinculados a linhas de pesquisa em SE. Os dados obtidos originam-se principalmente das plataformas Sucupira e Lattes.

Antes de adentrarmos na análise mais empírica dos dados que lastreiam este artigo, faremos uma breve síntese dos balanços empreendidos sobre SE no Brasil, destacando como são apontadas nessas análises as diferenças mais substantivas entre a SE produzida nas faculdades de educação e nos departamentos de sociologia/ciências sociais.

O que nos revelam os balanços sobre a SE no Brasil?

Retomando o que já foi brevemente apontado, é a partir dos anos de 1970, com o advento da pós-graduação, que a SE se institucionaliza de fato no Brasil, portanto não é de se surpreender que somente a partir da década de 1980 que passamos a ter balanços mais substanciais sobre a produção nessa área. Além do acúmulo mais substantivo de trabalhos nessa seara, deve ser considerada também a alteração que ocorre no cenário político com o fim da ditadura civil-militar no Brasil e um redimensionamento analítico do fenômeno educacional, que passou a ser percebido como elemento indispensável para a consolidação de um projeto societário democrático (Weber, 1996).

Interessante perceber que uma das tônicas mais recorrentes nos balanços realizados é a comparação contínua entre a produção desenvolvida nos programas de pós-graduação em educação e em ciências sociais. Neste momento, sabendo que a maior parte dos balanços foi realizada por cientistas sociais, tornou-se recorrente o apontamento das fragilidades teóricas e metodológicas existentes nos programas de educação, o que na análise de Cunha (1979) se deve, em grande medida, à subordinação da pesquisa ao ensino no contexto de tais programas.

Podemos apontar como um dos primeiros balanços desse período o trabalho de Gouveia (1989), que destaca o fato de que já na década de 1970 são os programas de educação que assumem a dianteira no debate, cenário que perduraria ainda na década seguinte, uma vez que na avaliação da autora as pesquisas sobre educação continuariam rarefeitas nos departamentos de ciências sociais. Gouveia (1989, p. 76) destaca ainda, em linhas gerais, quais tipos de estudos estariam ausentes na SE no Brasil naquele momento, e quais estariam mais plenamente consolidados:

Se, de um lado, verifica-se no Brasil a carência de estudos sociológicos sobre a dinâmica interna das instituições escolares, de outro, registram-se na bibliografia brasileira vários trabalhos que analisam a educação de ângulo mais amplo, situando a expansão do sistema escolar, os movimentos educacionais ou as transformações ocorridas em determinados níveis de ensino no contexto político em que ocorrem.

Weber (1992) também observa o crescimento contínuo da produção na área, compreendendo-o dentro do processo de expansão da pós-graduação de ciências sociais e de educação, bem como da inserção paulatina de programas de capacitação docente nas políticas educacionais. A autora também ratifica o parco interesse dos cientistas sociais pelo objeto educacional, ponderando da seguinte forma:

O relativo desinteresse pelos problemas educacionais têm de certo modo persistido entre os cientistas sociais, bastando assinalar que, na pós-graduação, na área de Sociologia, conforme estudo recente realizado por C. B. Neves (1991), apenas quatro programas (UFRGS, UNB, IUPERJ e UFPE), dentre os 13 existentes, desenvolvem linhas de pesquisa que envolvam questões ligadas explicitamente à educação. (Weber, 1992, p. 25)

Neste balanço são apontadas ainda fragilidades teóricas e metodológicas encontradas nas pesquisas desenvolvidas em programas de pós-graduação em educação, marcadas principalmente pelo caráter globalizante das explicações desenvolvidas, ainda que se possa ser observada uma mudança no horizonte. Por fim, indica-se alguns grandes temas que orientariam a pesquisa em SE até aquele momento: (1) Estado e educação; (2) universidade e sociedade; (3) o professor e sua prática pedagógica; e (4) educação popular.

Estas críticas às pesquisas desenvolvidas nas faculdades de educação também são retomadas por Cunha (1992a, 1992b), que as elabora dentro de uma análise mais ampla acerca do distanciamento dos cientistas sociais do objeto educacional, cuja gênese seria a reforma universitária, que teria levado a um isolamento do debate educacional nas faculdades de educação. Este isolamento institucional teria levado ainda à emersão de áreas de pesquisa e disciplinas de ciências humanas e sociais aplicadas à educação, o que teria desencadeado o seguinte cenário no campo da SE:

Sem a mediação dos sociólogos, essas teorias foram frequentemente empregadas de modo leviano, onde valia a interpretação de seus intérpretes que as dos autores. Depois de usos e abusos, foram descartadas como trastes inúteis, como se tenta fazer, agora, com a difusão equivocada da categoria teorias reprodutivistas, na qual se junta a produção de autores tão distintos quanto Althusser, Bourdieu, Bowels e Baudelot. Com isso, o campo educacional tornou-se fértil para a germinação e o crescimento de representações equivocadas que se expressão em linguagem parasociológica, e que têm sido empregadas eficazmente nas disputas que configuram esse campo. (Cunha, 1992b, p. 175-176, grifo do autor)

Apesar das duras críticas, Cunha (1992b) reconhece a relevância de tais programas ao manterem pesquisas acerca de temáticas pouco exploradas pela sociologia, de modo que haveria uma dupla face na agenda de pesquisa em SE nos programas de educação.

Uma década mais tarde, Neves (2002) realiza um novo balanço que retoma algumas das questões anunciadas por Cunha e por Weber. Todavia, Neves aponta para um expressivo crescimento no número de pesquisadores voltados para o debate educacional no campo da sociologia, bem como para uma ampliação temática da agenda de pesquisas. Destaca os seguintes temas como emergentes neste contexto: (1) escolaridade e desigualdades sociais; (2) escola e violência; (3) escola e professor: trabalho e profissão;, (4) políticas educacionais; (5) ensino superior em transformação; (6) educação e trabalho; (7) movimentos sociais e educação; e (8) educação e gênero.

Dentro de um período relativamente curto foram realizados levantamentos bibliográficos acerca da produção em grupos de trabalhos (GT) específicos, que passaram a se consolidar nas associações de pesquisa em ciências sociais e em educação - movimento que expressa uma diversificação de espaços de socialização das pesquisas científicas no país. Ganham destaque nesse contexto os balanços do GT “Educação e Sociedade”, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais (Anpocs) e do GT “Sociologia da Educação”, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação (Anped).

O GT “Educação e Sociedade” iniciou suas atividades em 1982, marcado por uma orientação predominantemente sociológica. Oliven (1998) aponta a recorrência dos seguintes temas no GT: (1) universidade e ensino superior; (2) reflexões teórico-metodológicas; (3) educação e trabalho; (4) educação, Estado e sociedade; e (5) raça, gênero e educação. O autor também elenca as instituições mais presentes no GT: Universidade de Brasília (UnB), Universidade de São Paulo, (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Por outro lado, o GT “Sociologia da Educação” da Anped foi criado em 1990, o que reflete as diferentes temporalidades de delimitação disciplinar nos campos das ciências sociais e da educação. Isso não implica dizer que não houvesse em período anterior trabalhos circunscritos à SE na Anped, entretanto não havia ainda um espaço institucional para tanto. Em balanço realizado por Costa e Silva (2003) acerca da produção deste GT, entre 1994 e 2002, são apontadas as seguintes temáticas como predominantes: (1) família/meio social; (2) teoria; (3) professorado - formação/representações; (4) outros; (5) minorias; (6) história/biografias; (7) política educacional - crítica/denúncias; (8) avaliação de políticas/experiências; (9) violência e indisciplina; e (10) cotidiano escolar. Atualizando a avaliação da produção deste GT, Cêa e Silva (2015) indicam a hegemonia das seguintes temáticas entre 2001 e 2010: (1) docência: formação, profissão, representações e identidades; (2) trajetórias escolares/acadêmicas: sucesso e insucesso; (3) política;, (4) multiculturalismo, diferença e minorias; (5) cotidiano escolar; (6) juventude; (7) violência e indisciplina na escola; (8) teoria sociológica; (9) família/meio social e escolarização; (10) relações escola-família; (11) desigualdades/mudança social; (12) ensino superior; (13) infância; e (14) tecnologias na escola.

Em que pesem as diferenças em termos de agenda dos dois GT, é importante visibilizar o fato de que há um trânsito de pesquisadores entre esses diversos espaços institucionais, como bem apontam Costa e Nogueira (2009, p. 228), ao analisarem o caso do GT “Educação e Sociedade” existente no Congresso Brasileiro de Sociologia.

Paradoxalmente, a temática educacional ainda ocupa espaço restrito entre os programas de pós-graduação em ciências sociais. Nas três edições sob nossa organização quase todos os trabalhos submetidos e aprovados são provenientes de faculdades e programas de pós-graduação em educação. O mesmo pode ser observado nas reuniões anuais da ANPOCS - Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, no GT homônimo ao da SBS. Parece haver alguma tendência recente à mudança nesse quadro, com número crescente de trabalhos institucionalmente vinculados à área de ciências sociais, em termos mais estritos, mas é algo discreto.

Acerca das diferenças de agenda existentes entre esses dois espaços, Martins e Weber (2010) as sintetizam entre a SE produzida nos departamentos de sociologia/ciências sociais e a SE desenvolvida nas faculdades de educação, indicando que enquanto esta se volta prioritariamente para a análise da educação básica, aquela tem focado na investigação acerca do ensino superior. Os autores apontam ainda que o processo de apropriação da sociologia pelo campo da educação sem que o contrário também ocorresse pode refletir tanto o parco interesse dos sociólogos pela educação, como a compreensão dos pesquisadores do campo educacional acerca da complexidade do objeto de pesquisa em questão, e da necessidade de incorporar outras perspectivas teóricas e metodológicas à sua análise.

Oliveira e Silva (2014), ao analisarem os grupos de pesquisa cadastrados no Diretório de Pesquisas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), apontam, por sua vez, para o crescimento exponencial de grupos com linhas de pesquisa vinculados à SE nos últimos anos, que foi acelerado a partir dos anos 2000 e mais ainda a partir de 2010 - o que pode ser compreendido como reflexo da própria expansão do ensino superior, que tenderia a impulsionar as pesquisas em SE (Isambert-Jamati e Maucorps, 1972). Nesta análise já podemos observar um cenário no qual há uma distribuição relativamente homogênea dos grupos de pesquisa relacionados a SE nos programas de pós-graduação em educação e em ciências sociais, o que indica certa tendência à superação de algumas questões colocadas nos balanços de décadas anteriores, que percebiam a educação como uma temática apenas secundariamente explorada pela sociologia. Estas conclusões convergem com o que aponta Sobral (2013), ao indicar a persistência da educação como temática no campo da sociologia, ainda que articulada a outras temáticas mais gerais, como ciência, cultura etc.

Em trabalho posterior, Oliveira e Silva (2016), ocupando-se dos programas de pós-graduação em sociologia, observam o fato de que parte significativa dos programas na área possuem linhas de pesquisa com algum vínculo com a educação, e que tem ocorrido uma ampliação da agenda de pesquisa nesta seara, passando a incorporar também o debate acerca da realidade na educação básica. E em novo trabalho, analisando a produção recente de artigos publicados em periódicos de programas de sociologia com linhas de pesquisa em educação, os autores apontam para uma maior diversidade de temas, mesmo num contexto no qual o debate sobre o ensino superior continua sendo o principal tópico de pesquisa em educação nestes programas (Oliveira e Silva, 2020).

Se por um lado Oliveira e Silva (2016) percebem um crescente interesse das pesquisas desenvolvidas nos programas de sociologia pela educação básica, por outro, Almeida e Hey (2018) também apontam para um crescente interesse das pesquisas nos programas de pós-graduação em educação pelo ensino superior. Esta guinada observada na agenda de pesquisa de ambos os campos de pesquisa pode indicar a existência de uma convergência mais ampla de interesses nesses espaços institucionais, marcada por mudanças significativas que ocorreram na última década no campo das políticas educacionais, como a expressiva expansão do ensino superior, o advento das ações afirmativas e a reintrodução da sociologia como disciplina obrigatória no currículo do ensino médio.

Barbosa e Gandin (2020), por outro lado, destacam a existência de três principais vertentes de análise neste campo: (1) abordagens sistêmicas ou estruturais: classe social, o papel das famílias, o ambiente social; (2) abordagens individualistas: desigualdades sociais, desigualdades de oportunidades educacionais, trajetórias escolares; (3) abordagens de médio alcance: organização e processos educativos formais. Dentro de cada uma dessas vertentes haveriam temas que se destacam. Na primeira teríamos: (a) famílias e a educação fundamental; (b) juventudes e o ensino médio; (c) relação do sistema educacional com o ambiente (social); e (d) Estado e políticas educacionais. Na segunda: ensino superior e estratificação horizontal. E, por fim, na terceira destacam-se os temas: a) conflito ou cooperação: os papéis no sistema escolar; e (b) currículo explícito e oculto.

A linha de pesquisa em sociologia da educação

Para melhor compreensão acerca da institucionalização da pesquisa em SE no Brasil, examinaremos nesta seção as linhas de pesquisa nos programas de pós-graduação em sociologia e em educação no Brasil. O levantamento das linhas de pesquisa aqui analisadas se deu a partir dos dados referentes ao ano de 2019 disponibilizados na plataforma Sucupira, e das informações disponibilizadas nas próprias páginas eletrônicas dos programas. Nos interessa, aqui, analisar com mais cuidado as linhas de pesquisa nos programas de sociologia que explicitamente indicam vínculo com a educação e vice-versa.

Nesta direção, cabe aqui uma nota metodológica acerca do recorte que estabelecemos. A área de avaliação de sociologia da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) é composta por programas de pós-graduação em sociologia, mas também em ciências sociais, sociologia política e sociologia e antropologia. Totaliza doze programas apenas com mestrado, um apenas com doutorado, dois mestrados profissionais e 37 programas com mestrado e doutorado. Ainda que possamos reconhecer que a interdisciplinaridade é uma das marcas constitutivas da formação em sociologia no Brasil - especialmente a partir do arranjo das ciências sociais (Lima e Cortes, 2013) -, de tal modo que a produção sociológica não se restringe aos programas stricto sensu em sociologia, nos interessa aqui analisar com maior profundidade justamente a produção disciplinar neste campo; devido a tanto, nossa análise recai unicamente sobre os 21 programas de pós-graduação em sociologia.

Na mesma direção, também é perceptível que há programas de pós-graduação em sociologia que não indicam explicitamente as pesquisas em educação, mas que possuem pesquisadores dedicados à temática; ou ainda programas de educação que não possuem linhas de pesquisa explicitamente orientadas a partir da sociologia, mas que possuem pesquisadores que desenvolvem investigações no campo da SE. Entretanto, nossa opção por centralizar a análise nos programas que explicitam o diálogo entre as duas disciplinas ocorre, justamente, por compreendermos que nesses programas a SE estaria mais consolidada em suas respectivas agendas de pesquisa, possibilitando uma melhor percepção acerca da sua institucionalização no meio acadêmico brasileiro.

Nesta direção observamos que, entre os 21 programas de pós-graduação em sociologia, seis apresentam linhas de pesquisas vinculadas à educação, que são apresentadas no Quadro 1 com suas respectivas ementas.

Quadro 1 Linhas de pesquisa em programas de pós-graduação em sociologia 

Instituição Linha Ementa
UFPI Estado e Sociedade: trabalho, educação, atores políticos e desigualdades sociais Um aspecto fundamental das sociedades contemporâneas é a articulação entre os mundos do trabalho, a educação e o modo como os diversos atores políticos lidam com estas instituições sociais. Neste sentido, conceitos como desigualdade social, desenvolvimento, empreendedorismo e suas relações com os movimentos sociais têm implicação sobre a compreensão das mudanças sociais que fundamentam nossa existência social contemporânea. As pesquisas desta linha terão como horizonte o estudo desses conceitos e suas significações sociais, especialmente no Nordeste brasileiro e no Piauí, onde as questões da educação, mobilização política e do desenvolvimento econômico podem ter profunda influência sobre a compreensão dos processos que caracterizam a desigualdade social.
UnB Educação, Ciência e Tecnologia Acompanha e avalia políticas e programas sociais e suas relações com o processo de desenvolvimento nacional. Investiga as condições e as novas práticas de produção do conhecimento científico e tecnológico, a partir do contexto da globalização, da democratização e seus impactos na sociedade brasileira. Discute a participação de diferentes atores sociais na elaboração das políticas: o Estado, o setor produtivo e a comunidade científica. Aborda questões educacionais emergentes, como a diversificação do ensino superior, a evolução do sistema de pós-graduação, a avaliação institucional e a formação de quadros profissionais e científicos.
USP Sociologia da Educação A área de concentração abarca o estudo das relações entre a reprodução cultural e a reprodução social, investigando as instituições e as práticas educacionais em suas articulações com outras esferas da experiência social, tanto nas sociedades contemporâneas, em geral, como, especificamente, na sociedade brasileira. Nesse sentido, engloba pesquisas sobre a história dos sistemas institucionais de ensino, a constituição do sistema educacional no Brasil, a experiência acadêmica no Brasil moderno e contemporâneo, a educação na teoria sociológica, as relações entre a escola e as classes sociais, as políticas educacionais, as representações acerca da escola e da educação, os espaços e sujeitos de práticas educacionais externas à escola nas sociedades modernas. Explorando as dimensões sociais, políticas e culturais da educação, os estudos desenvolvidos no âmbito desta área dialogam com outros temas de pesquisa sociológica, como o trabalho, a juventude, a ciência, a cultura e a democracia.
UFG Práticas Educacionais na Sociedade Contemporânea Esta linha de pesquisa privilegia estudos sobre a sociologia da educação, articulando os referenciais teórico-metodológicos das ciências sociais à educação. Estuda política educacional, abordando as relações entre estado e sociedade; as práticas educacionais e os sujeitos contemporâneos; os sistemas escolares; da educação e cultura escolar; desigualdades educacionais e sociais; teoria crítica e educação; ensino e os processos de formação docente; o papel social das licenciaturas e do ensino médio; assim como também estudos de experiências em educação não formal.
UFPE Educação, Trabalho, Ciência e Tecnologia Busca estudar o impacto de tecnologias recentes na configuração de campos profissionais, bem como sobre o mundo do trabalho. Busca, ainda, compreender as práticas educacionais a partir deste impacto.
UFRGS Sociedade e Conhecimento Análise da relação entre conhecimento e sociedade e de sua especificidade no contexto contemporâneo. O foco é a compreensão do caráter social da produção do conhecimento e a investigação das implicações da produção e reprodução do conhecimento para a sociedade. A linha contempla os seguintes campos de pesquisa: sociologia da educação (pesquisas sobre educação, políticas educacionais, educação superior); sociologia da ciência e da tecnologia (ciência, reflexividade, papel da tecnologia e da inovação); teoria sociológica (epistemologia, teoria clássica e contemporânea); Sociologia da moral e da religião (análises teóricas e empíricas dos fenômenos morais, dos fenômenos religiosos e da relação entre ambos); sociologia da cultura (pesquisas sobre cultura e conhecimento).

UFPI: Universidade Federal do Piauí; UFG: Universidade Federal de Goiás.

Fonte: Elaboração própria (2020).

Por outro lado, a educação apresenta-se como a maior área de avaliação do grande campo das ciências humanas, agregando em seus programas um vasto número de professores credenciados, ultrapassando cem docentes entre permanentes e colaboradores nos programas da USP e da Unicamp, por exemplo. Atualmente a área é formada por 47 programas apenas com mestrado, um apenas com doutorado, 49 mestrados profissionais e 88 programas com mestrado e doutorado. Em nossa análise, estamos considerando apenas os programas acadêmicos, excluindo os mestrados profissionais, por compreendermos que eles possuem uma natureza sensivelmente diferente em termos de formação de quadros para a pesquisa. Neste cenário encontramos também, curiosamente, seis programas com linhas de pesquisa que indicavam um diálogo explícito entre a sociologia e a educação, conforme o Quadro 2.

Quadro 2 Linhas de pesquisa em sociologia em programas de pós-graduação em educação 

Instituição Linha de Pesquisa Ementa
USP Sociologia da Educação Abrange estudos socioculturais da escola, dos sistemas escolares, dos processos educativos e de seus agentes e experiências em educação não formal ou escolar. Examina as relações entre a educação e a sociedade, compreendendo os processos culturais, as ideologias, as instituições políticas, os sistemas de dominação e a construção de práticas de resistência e emancipação, quer sob o ponto de vista dos indivíduos, dos grupos ou dos movimentos sociais.
Unicamp Educação e Ciências Sociais Esta linha de pesquisa trata a educação a partir de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas das ciências sociais. A formação do pesquisador e do educador nessa linha se dá por meio de diálogos interdisciplinares em diferentes campos e temas de pesquisa.
UFSCar História, Filosofia e Sociologia da Educação - História da educação: da antiguidade aos dias atuais;
- História da educação brasileira: da pedagogia brasílica aos dias atuais;
- Filosofia da educação: da Paidéia homérica à concepção omnilateral de formação humana contemporânea;
- As correntes filosóficas na educação brasileira: da colônia aos nossos dias;
- Aplicação das correntes clássicas da sociologia da educação para a compreensão dos fenômenos relacionados à escolaridade da juventude;
- O aporte teórico da sociologia para a compreensão dos movimentos sociais ligados à educação;
- Estudos das instituições escolares, das políticas educacionais e da relação entre educação e trabalho nas perspectivas históricas, filosóficas e sociológicas;
- Análise bibliométrica e epistemológica da produção científica em educação.
UFMG Sociologia da Educação: escolarização e desigualdades sociais Relações entre desigualdades sociais e desigualdades escolares na educação básica e na educação superior. Análise sociológica de estratégias, processos e práticas de escolarização em diferentes meios sociais. Estudos sobre trajetórias escolares. Estudos sobre a relação família-escola. Estudo do efeito-estabelecimento e do efeito sala de aula.
UFSC Sociologia e História da Educação Estudos e pesquisas em torno dos pressupostos epistemológicos da sociologia e/ou da história em articulação com o campo educacional em suas múltiplas abordagens, objetos e fontes, a partir de eixos temáticos passíveis de diálogo:
1) sociologia da educação: estudos sociológicos da escola. Sistemas institucionais de ensino. Socialização, formação e cultura escolar. Classes, identidades sociais e profissionais. Sociedade, literatura e educação.
2) História e historiografia em processos educativos: teorias da História. O ensino de História e suas metodologias. História das disciplinas escolares.
A educação como objeto da pesquisa histórica nos diversos temas: aprendizagem, saberes docentes, memória, etnia, gênero, geração, currículo, livros didáticos.
UFC Filosofia e Sociologia da Educação Esta linha tem por objetivo discutir temas relacionados à educação, sobretudo à educação brasileira, a partir de uma variada gama de perspectivas teóricas no âmbito da filosofia e da sociologia. Nesse sentido, a linha se subdivide nos seguintes eixos temáticos: economia política, sociabilidade e educação - este eixo tem o materialismo histórico como enfoque fundamental, a dialética como referencial epistemológico e metodológico, e a economia política crítica como conteúdo analítico unificador dos diversos aspectos da realidade social plural e complexa com a qual se articula o subcomplexo educativo. Conta com o Laboratório de Estudos do Trabalho e Qualificação Profissional, o Labor. O Labor mantém uma revista eletrônica (www.revistalabor.ufc.br), e coordena uma coleção editorial de livros e coletâneas nas Edições UFC. O eixo filosofias da diferença, antropologia e educação promove estudos e pesquisas acerca das implicações da educação tanto com as novas formas de governabilidade e regulamentação biopolítica dos indivíduos e coletividades como com as novas expressões de resistência a essas formas, a partir do pensamento da diferença e do aporte socioantropológico. O eixo de pesquisas de filosofia, política e educação traz temáticas que se relacionam ao marxismo, às correntes neomarxistas, à filosofia política e à educação. O grupo mantém um encontro anual aberto que já se tornou referência regional na área de filosofia da educação.

UFSCar: Universidade Federal de São Carlos; UFMG: Universidade Federal de Minas Gerais; UFSC: Universidade Federal de Santa Catarina; UFC: Universidade Federal do Ceará.

Fonte: Elaboração própria (2020).

Interessante perceber que dentre os programas dos dois campos, apenas alguns poucos indicam a existência de linhas de pesquisa em SE, havendo normalmente uma combinação com outras temáticas e orientações teóricas. No caso dos programas de sociologia predomina a combinação da educação com outras “temáticas” de pesquisa, principalmente com “ciência e tecnologia”; ao passo que na educação a sociologia figura recorrentemente combinada com outras ciências humanas, como a filosofia e a história, compondo normalmente o que se denomina nesta área de “fundamentos da educação”. Silva (2017), ao analisar os programas de pós-graduação stricto sensu em educação no Brasil, indica que o conjunto de tais programas forma um total de 126 linhas de pesquisa, dentre as quais os fundamentos da educação ocupam a terceira posição em expressividade numérica, com 12,4% do total de linhas, atrás somente de política e gestão educacional (16%) e formação e trabalho docente (14%). Desse modo, o fato de a sociologia figurar aqui ao lado de outros campos das ciências humanas para se pensar a educação é coerente com a própria história e desenvolvimento do espaço acadêmico específico da educação no universo acadêmico mundial e brasileiro (Furlong e Lawn, 2009).

Na USP, tanto os programas de sociologia quanto os de educação possuem linhas de pesquisa específicas em SE, o que pode indicar a existência de certa tradição em investigações nesta área. Beisiegel (2013), ao analisar a trajetória da USP com pesquisas em SE, aponta para a relevância que teve a ampliação de recursos para pesquisas nesse campo a partir dos anos de 1950, com o Centro Regional de Pesquisas Educacionais em São Paulo, o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) e a Fundação Carlos Chagas (FCC).

Outro dado interessante de se observar é que, no caso das linhas em educação em programas de sociologia, há uma maior dispersão geográfica, com dois programas no Nordeste (UFPE, UFPI), dois no Centro-Oeste (UFG, UnB), um no Sul (UFRGS) e um no Sudeste (USP), ao passo que no caso dos programas da educação há uma clara concentração no Sudeste (UFSCar, UFMG, Unicamp e USP) e apenas dois programas fora desta região, um no Sul (UFSC) e um no Nordeste (UFC). Fugiria do foco e do escopo deste artigo examinar em profundidade as razões dessa dispersão espacial, uma vez que isso se relaciona ao próprio desenvolvimento da educação, da pesquisa, da ciência e da tecnologia, de modo geral, e das ciências sociais e da educação, de modo mais específico, além da região e da agenda de cada linha de pesquisa.3

Os agentes: trajetórias e agendas de pesquisa

Ao analisarmos os agentes envolvidos no campo da SE no Brasil, é preciso ter em vista que nos referimos a um grupo profundamente heterogêneo, uma vez que estão inseridos em programas de pós-graduação com distintas temporalidades, e que ocupam posições distintas na hierarquia acadêmica.

No caso dos programas de pós-graduação em sociologia, encontramos uma distribuição de pesquisadores que tende a indicar a presença mais isolada daqueles dedicados ao campo da SE, o que não significa dizer que outros pesquisadores vinculados a outras linhas de pesquisa não desenvolvam diálogos com a área da educação. Considerando tal questão, encontramos a seguinte distribuição: uma pesquisadora na UFPE, uma na UFRGS, uma na USP, dois na UFPI, três na UFG e cinco na UnB.

Chama atenção o fato de que, apesar de a USP indicar a existência de uma linha de pesquisa específica em SE, nela encontramos apenas duas professoras vinculadas, sendo que uma delas desenvolve pesquisas mais diretamente relacionadas aos estudos de juventude. Do mesmo modo, a UFPE e a UFRGS, que figuram desde os primeiros balanços sobre SE no Brasil como instituições de referência na área, possuem somente uma pesquisadora vinculada a esta linha.

Tomando o grupo de treze pesquisadores à análise, observa-se que nove (69%) realizaram estudos doutorais em sociologia, e majoritariamente no Brasil, concentrados em termos de formação doutoral principalmente na UnB e na USP, havendo casos pontuais de doutoramentos na Unicamp, Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), UFG e Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Somando-se aqueles que realizam seus doutorados também em ciências sociais (um caso) e ciência política (um caso), considerando assim a área das ciências sociais, temos que onze (84%) pesquisadores deste grupo doutoraram-se nesta área, e em meio a este universo sete (53%) realizaram toda a formação exclusivamente em ciências sociais. Todavia, todos aqueles que realizaram os estudos doutorais antes dos anos 1990 o fizeram no exterior, o que pode refletir a ainda incipiente estrutura de pós-graduação que havia naquele momento, com um número mais limitado de cursos de doutorado na área, confirmando ainda o que Lima (2019) apontou como uma tendência geral no campo formativo das ciências sociais brasileiras.

Oito (61%) deles realizaram estudos pós-doutorais, majoritariamente no exterior, concentrando-se em Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra e Portugal. Esta concentração, principalmente nos três primeiros países, pode indicar a existência de uma circulação privilegiada de autores e teorias no campo da SE que se desenvolve no Brasil. Por outro lado, esses dados também indicam que tais pesquisadores possuem uma intensa circulação internacional, que eventualmente pode se refletir em uma mais intensa internacionalização das discussões desenvolvidas nesse campo, o que ainda se coloca como um desafio para a sociologia brasileira como um todo (Scalon e Miskolci, 2018). Considerando-se doutorado e pós-doutorado, oito (61%) destes pesquisadores tiveram alguma formação no exterior, o que em alguns casos também se deu por meio da participação em programas como professores visitantes.

Também é interessante perceber que oito (61%) é o número daqueles que realizaram pesquisas relacionadas à educação em seus mestrados e/ou doutorados, ou seja, majoritariamente encontramos pesquisadores cuja vinculação a linhas de pesquisa no campo da educação reflete suas trajetórias acadêmicas. E ainda que predomine um perfil de pesquisador formado estritamente no campo das ciências sociais, seis deles (46%) realizam parte de sua formação fora desse campo, o que conflui para as considerações de Dwyer, Barbosa e Braga (2013), que indicaram que os pesquisadores brasileiros confluem mais fortemente na formação doutoral, em que predominam as ciências sociais. Apesar de bastante recorrente o trânsito entre as ciências sociais e a educação, apenas duas pesquisadoras (15%) apresentam tal diálogo em suas formações, o que aponta para o fato de que pesquisadores com esse tipo de percursos não lineares possuem menos espaço nos programas de pós-graduação em sociologia.

Em termos de experiência, apenas três (23%) possuem menos de dez anos de doutorado completo, cinco (38%) têm entre dez e vinte anos e outros cinco (38%) possuem mais de 20 anos de doutorado completo. Se, por um lado, esses dados podem indicar um perfil bastante consolidado de pesquisadores, por outro apontam para certa dificuldade de renovação de quadros que desenvolvam pesquisas no âmbito da SE.

Estes pesquisadores formaram um conjunto de, até este momento, 134 mestres e 72 doutores, ainda que nem todas as dissertações e teses estivessem relacionadas diretamente ao tema da educação. Todavia, a efetividade na formação de quadros pode indicar certa capilaridade da discussão, uma vez que mesmo pesquisadores que não desenvolveram suas pesquisas em SE podem ter entrado n em contato com a atividade de núcleos de pesquisa, grupos de estudos etc. que são liderados por estes pesquisadores.

Podemos ainda apontar que três deles (23,7%) são bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq, o que denota uma posição privilegiada no campo, especialmente ao considerarmos que há entre esses uma bolsista “1A” (da UFRGS) e um bolsista “1B” (da UnB), o que os situa no topo na hierarquia acadêmica, segundo a classificação estabelecida pelo CNPq, que é amplamente reconhecida pelos pares no país.

Por fim, cabe examinar os projetos atuais de tais pesquisadores, com a ressalva que em dois casos não havia a indicação de projetos em curso. Foram encontrados no total dezesseis projetos em curso, dos quais três (18,75%) se relacionam com pesquisas no âmbito da educação básica e quatro (25%) com o ensino superior, e ainda temos oito projetos (50%) vinculados com outras temáticas que não a educação. Isso implica afirmar que, apesar de encontrarmos ainda uma predominância de pesquisas de SE nos programas de pós-graduação em sociologia que se vinculam ao ensino superior, como aponta o balanço de Martins e Weber (2010), essa tendência já não está posta de forma hegemônica na agenda de pesquisa de tais programas. Nos últimos anos, ganharam visibilidade aquelas pesquisas que se relacionam com a educação básica, com destaque para aquelas vinculadas ao ensino de sociologia, o que redimensiona tais programas, que passam também a serem percebidos como espaços de formação continuada para os professores da educação básica (Silva e Lima, 2017).4

Também é importante considerar que os elementos de legitimação no campo acadêmico da educação são outros, o que possui implicações sobre essa proximidade com uma agenda de pesquisa que prioriza a educação básica. Como indicam Caregnato, Miorando e Leite (2018, p. 228-229):

[…] esse subcampo acadêmico-científico é atravessado por uma racionalidade prática, uma diferença, ligada a um efeito imediato nas redes escolares, e essa relação com as escolas, instâncias governamentais e instâncias administrativas das instituições escolares compõem uma forma de capital simbólico própria com um valor/uma utilidade que pode ser equivalente ao que, nos outros campos, é representado pelo capital científico tradicional. Esse envolvimento também impacta uma estruturação menos rígida do campo científico, de suas linguagens disciplinares e de seus códigos sociais, tornando-o mais permeável e menos delimitado em termos epistemológicos. Essas características, por sua vez, traduzem-se em desafios para o reconhecimento social da educação como ciência.

Por outro lado, nos programas de pós-graduação em educação os dados relativos à configuração dos pesquisadores apontam para um espaço com um número bastante superior de agentes. São, ao todo, 62 docentes/pesquisadores nestes programas de pós-graduação,5 distribuídos da seguinte maneira: 17 na USP, 18 na Unicamp, 6 na UFSCar, 8 na UFMG, 6 na UFSC e 7 na UFC. Chamam atenção naturalmente os casos da USP e da Unicamp e, se pensarmos nas fronteiras das linhas de pesquisa das quais tratamos anteriormente, os programas de pós-graduação em educação que possuem uma linha específica em SE - e não são baseada nos fundamentos da educação - (que são a USP e a UFMG, e ainda Unicamp, no âmbito das ciências sociais) somam mais de 69% do total destes pesquisadores.

Acerca da formação destes 62 pesquisadores, e tomando seus currículos à análise, destacam-se duas questões: 33 deles (53%) tiveram uma trajetória formativa linear, ou seja, seguiram na mesma área/curso entre a graduação e o doutorado, sendo 19 na área da educação (graduação em pedagogia e mestrado e doutorado em educação) e 14 na área das ciências sociais/sociologia; 29 pesquisadores (aproximadamente 47%), por outro lado, tiveram uma formação híbrida, marcada pelo trânsito em diferentes áreas do saber, dentre os quais 19 sujeitos transitaram em áreas bastante diversas6 e 10 circularam entre as ciências sociais e a educação na sua formação. Nesse sentido, podemos afirmar que a maior parte dos pesquisadores ligados à SE nos programas de pós-graduação em educação possui uma trajetória linear na educação ou nas ciências sociais ou, ainda, uma trajetória híbrida que mescla estas duas áreas do conhecimento - somam-se, assim, 43 pesquisadores, o que equivale a 69% do total.

Interessante perceber que 30,64% dos pesquisadores que se dedicam à SE nestes programas se formaram exclusivamente em educação; isso pode indicar o desenvolvimento de um campo autorreferido em SE, que se distancia de uma formação disciplinar no âmbito das ciências sociais/sociologia. Porém devemos nos atentar ao fato de que algumas formações acadêmicas, como as titulações em “ciências da educação” obtidas no exterior, apontam para uma configuração particular da SE, dado o grau de autonomia disciplinar que essa área do conhecimento atingiu em determinados contextos. Por outro lado, o contingente de pesquisadores que transitaram entre as ciências sociais e a educação pode apontar para a dificuldade de se inserir uma agenda de pesquisa em educação junto a programas de ciências sociais/sociologia, seja para aqueles cuja formação inicial é no campo das ciências sociais; ou ainda para quem busca por legitimação científica, no caso daqueles cuja formação inicial é em educação, ainda que não possamos, aqui, generalizar essas trajetórias.

Até o momento, 33 destes pesquisadores (53%) realizaram pós-doutorado. Chama atenção o fato de a maioria se concentrar no exterior: são 24, neste caso (73%) - em ordem de percentual, temos França, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Portugal, Inglaterra, Itália, Cabo Verde e Argentina -, contra 9 (27%), que fizeram pós-doutorado no Brasil. No âmbito do processo de internacionalização, o número corresponde quase que exatamente ao percentual de pós-doutorados no exterior, isso porque 34 pesquisadores (55%) fizeram alguma etapa de sua formação fora do Brasil; este dado tem seu pico justamente no pós-doutorado, uma vez que é a primeira internacionalização na formação de 22 sujeitos.

Ao observarmos os períodos em que estes pesquisadores realizaram seus doutorados, é possível perceber de modo tangencial o tempo de experiência que possuem. O dado interessante, neste caso, é a diferença para o cenário dos pesquisadores dos programas de sociologia. Enquanto a maior parte dos sujeitos credenciados nos programas de sociologia está nas categorias temporais “entre dez e vinte anos” e “mais de vinte anos” de doutorado completo, os pesquisadores credenciados nos programas de educação estão dispostos da seguinte maneira: 34 (55%) possuem menos de dez anos de doutorado completo - destaca-se aqui um pesquisador que finalizou seu doutorado em 2017; 26 (42%) possuem entre dez e vinte anos; e, por fim, apenas 2 pesquisadores (3%) completaram seu doutorado há mais de vinte anos. Este quadro nos permite afirmar o perfil relativamente jovem dos pesquisadores que desenvolvem a SE no interior dos programas de pós-graduação em educação no Brasil, o que indica um intenso processo de renovação de quadros.

Para complementar esta informação, os números gerados pelo conjunto destes 62 pesquisadores ligados à SE no interior dos programas de pós-graduação em educação indicam, em contrapartida, a sua consolidação enquanto orientadores, o que pode estar relacionado diretamente à capacidade de formação de grupos de pesquisa, bem como de atração de estudantes para parcerias. Estes pesquisadores formaram, até o momento, 841 mestres e 450 doutores e, a exemplo dos programas de sociologia, mesmo que nem todas as dissertações e teses oriundas destas orientações dialoguem diretamente com a SE, estes números expressam o papel destes sujeitos na formação de novos quadros em nível de pós-graduação.7 A contraposição deste dado com o dado anterior, relativo ao tempo decorrido do doutorado até o momento, pode levar o leitor a incorrer em uma leitura apressada e, talvez, errônea da possível correlação entre eles. No sentido de complexificar a relação entre estes dados, apresentamos um caso que exemplifica o movimento que alguns pesquisadores, com um número elevado de orientandos ao longo de sua carreira, provocam, puxando a média para cima: um pesquisador da Unicamp orientou 96 mestres e 57 doutores, doutorou-se em 1984 e exerce a docência no ensino superior desde 1974 no México, quando ainda era mestre.

Ainda no que tange à experiência e à carreira destes pesquisadores, ressalta-se que dezessete deles são bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq, o que representa 27% e indica necessariamente uma posição de poder e privilégio acadêmico que, somada ao mesmo índice revelado anteriormente pelos programas de pós-graduação em sociologia, oferece um panorama da importância destes sujeitos nos seus respectivos campos de atuação, dentre os quais a SE figura. No caso dos pesquisadores situados nos programas de pós-graduação em educação, vale a pena destacar ainda que neste grupo há uma bolsista “1A” (USP) e dois bolsistas “1B” (Unicamp e UFMG).

A categoria mais complexa de promover uma comparação entre os casos dos programas dos dois campos de pesquisa é, notadamente, composta pelos projetos de pesquisa. Isso se deve ao fato de que, ao objetivarmos os dados relativos aos programas de pós-graduação em educação, é natural que a maior parte das pesquisas trate exatamente de objetos próprios da educação. Esta diferença fica evidente diante dos dados: 3 professores não indicaram projetos em andamento em seus currículos; foram mapeados 112 projetos em andamento, dentre os quais apenas 10 (9%) não se vinculam à educação; 56 projetos tratam da educação básica (50%), enquanto 32 projetos tratam do ensino superior (28,5%) - dado que corrobora a ideia de uma divisão do trabalho na SE entre as áreas da sociologia e da educação (Martins e Weber, 2010). Temos ainda 14 projetos (12,5%) que objetivam espaços não-escolares.

Conclusões

Do ponto de vista da autorreflexão realizada pelos pesquisadores com relação aos seus próprios campos de investigação, a sociologia e, mais especificamente, a SE contam com uma crescente atenção no cenário nacional. Os balanços que vêm sendo publicados mais sistematicamente desde a década de 1970 demarcam questões históricas e desafios que têm se colocado como imperativo para se pensar os contornos que esta área do conhecimento tem ganhado, seja no âmbito da sociologia ou da educação. As suas bases epistemológicas, seus objetos, sua pluralidade, sua identidade enquanto disciplina e seu pertencimento institucional são exemplos de panos de fundo sobre os quais a produção acadêmica, os pesquisadores e os espaços de desenvolvimento da SE no Brasil vêm se apoiando no cenário recente.

Nesse sentido, o presente artigo conferiu continuidade a esta tradição, ao passo que se preocupou em tratar de um espaço significativo para o processo de consolidação da SE no país: os programas de pós-graduação. Ao tomar a mútua presença da SE nos programas de pós-graduação em sociologia e em educação, nos ocupamos da caracterização das linhas de pesquisa ligadas diretamente à SE e dos agentes que compõem ambos os programas em questão. As aproximações e distâncias que emergiram da análise comparativa entre a SE desenvolvida nos programas de sociologia e aquela desenvolvida nos programas de educação constituíram, pois, expressões das dinâmicas históricas que se colocam como fundamentos para se compreender os desenhos atuais próprios desta disciplina.

Destaca-se, no exercício analítico aqui empreendido, o fato de existirem exatamente seis programas de pós-graduação em cada área com linhas relacionadas à SE. Neste aspecto, merece atenção a USP, que figura como a única instituição, no recorte operado por este estudo, que apresenta linhas em SE nos seus respectivos programas de sociologia e de educação. A dispersão geográfica a que chegamos analisando estes dois tipos de programas aponta uma maior diversificação no âmbito da sociologia, que engloba quatro das cinco regiões do país, com igual destaque numérico para o Nordeste e o Centro-Oeste; já a educação traz uma notória concentração no Sudeste brasileiro. Ainda sobre as linhas de pesquisa, tem-se que em ambos programas a SE manifesta-se raramente como “sociologia da educação”, posto que há combinações com outras temáticas, áreas e orientações teóricas - predomina nos programas de sociologia o arranjo da SE com outros temas, em especial com ciência e tecnologia, enquanto nos programas de educação há uma forte presença daquilo que se denomina de “fundamentos da educação” e que costuma combinar a SE com outras ciências humanas, especialmente com a filosofia e a história.

Curioso perceber que, se considerarmos o número total de programas de pós-graduação e de linhas de pesquisa, poderíamos afirmar que seria uma falsa evidência apontar para uma presença periférica da educação na agenda de pesquisa dos programas de educação, uma vez que proporcionalmente essas linhas de pesquisa em SE seriam mesmo mais expressivas nos programas de sociologia do que nos de educação. Todavia isso não implica dizer que não haja pesquisadores em SE em outras linhas de pesquisa, ou ainda que no caso dos programas pós-graduação em educação não haja linhas de pesquisa que, apesar de não apontarem um caráter disciplinar em SE, possuem uma forte influência da sociologia no desenvolvimento de suas pesquisas.

A nossa segunda frente de análise diz respeito aos sujeitos que ocupam a posição de docentes/pesquisadores nestes programas de pós-graduação. No empreendimento comparativo, algumas conclusões merecem realce. Primeiramente evidencia-se que, apesar de as linhas de pesquisa demonstrarem que a interdisciplinaridade atravessa os programas de ambos os campos, as trajetórias formativas dos agentes são indicativas de caráter interdisciplinar mais acentuado na educação, o que pode ser exemplificado pelas formações do tipo híbrida e ainda pela existência de pesquisadores que não possuem nenhuma formação em ciências sociais ou em sociologia, mas que se inserem no campo da SE - a trajetória linear em educação, que diz respeito ao percurso do tipo: graduação em pedagogia e mestrado e doutorado em educação, constitui principal exemplo desta questão.

Chama atenção também o fato de que trajetórias estritamente lineares na sociologia ocupam espaços na pós-graduação em educação, o que pode se dar por razões ligadas aos movimentos de migração interna de mestres e doutores no país (Avellar, 2014; Lima, 2019), pela própria forma de arregimentação de pesquisadores nos programas de educação brasileiros, que é marcada pela interdisciplinaridade e por uma maior renovação de quadros na SE; ao passo que esta renovação ocorre de forma mais lenta nos programas de sociologia.

Ainda sobre os pesquisadores com trajetórias lineares na sociologia e que estão credenciados nos programas de educação, outro dado interessante é o fato de que a maioria destes sujeitos não pesquisou educação anteriormente nos seus mestrados ou doutorados, por exemplo. Isso que pode indicar que a inserção na SE é uma elaboração a posteriori, construída a partir da inserção profissional nas faculdades de educação, ao passo que é recorrente o caso de pessoas com formação estrita na sociologia mas que pesquisaram educação ainda em suas trajetórias formativas.

Percebeu-se ainda uma presença mais marcante de pesquisadores consolidados nos programas de sociologia dedicados à SE, o que pode indicar também uma maior dificuldade de renovação de quadros nesses contextos, ainda que possamos observar um cenário recente de renovação geral das ciências sociais brasileiras (Lima, 2019). Este dado pode indicar ainda que as pesquisas em SE se institucionalizaram antes no programas de sociologia que nos de educação, ao menos em termos de demarcação da SE como um campo próprio de investigação. Isto contrasta com a rápida expansão no número de pesquisadores vinculados a programas de educação. Em todo o caso, em ambos os cenários, os pesquisadores dedicados à SE ocupam amiúde posições relevantes no campo acadêmico, na composição de comitês avaliadores, agências de fomento, corpo editorial de periódicos especializados, coordenação de grupos de trabalho etc.

Por fim, sublinhamos duas questões que afloram da análise das pesquisas em andamento registradas nos currículos dos agentes pesquisados: por um lado, há uma diferença marcante entre os dois domínios aqui estudados. Trata-se da predominância de investigações que não lidam com a educação nos programas de sociologia, as quais representam 50% do total; em contrapartida, nos programas de educação, como era de se esperar, esta taxa chega a 9% somente. Por outro lado, a discussão sobre a divisão do trabalho científico na SE entre as áreas ganha aqui uma atualização importante, pois, apesar de ainda predominarem nos programas de sociologia as pesquisas sobre o ensino superior e nos de educação as pesquisas sobre a educação básica, há uma ampliação da preocupação com a educação básica por parte dos pesquisadores que compõem os programas de sociologia e, inversamente, uma ampliação da ocupação com o ensino superior nos programas de educação.

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1Interessante perceber que essa obra teve uma segunda edição na França apenas em 1966, ao passo que no Brasil ela foi continuamente reeditada (Nogueira, 2011). Também vale a pena destacar o fato de que Lourenço Filho estava fortemente ligado ao movimento da Escola Nova, de modo que se torna evidente sua preocupação com uma renovação científica do sistema educativo.

2Ambos os autores estiveram envolvidos no processo de institucionalização da sociologia no Brasil, uma vez que Carvalho fora o primeiro professor de sociologia do Colégio Pedro II em 1925, e Azevedo o primeiro catedrático de sociologia na Universidade de São Paulo em 1933.

3Uma correlação entre o que se denomina de “questão regional” (Fialho, 2006) e o desenvolvimento do aparato ligado ao ensino superior, aos programas de pós-graduação e à ciência pode configurar um caminho interessante para aprofundar esta discussão em torno das diferenças regionais quando da análise de uma área específica do conhecimento

4Esse processo se consolida com a criação do mestrado profissional em ensino de sociologia em rede (ProfSocio), que iniciou suas atividades em 2018 e cuja gênese encontra-se na criação do mestrado profissional em ciências sociais para o ensino médio da Fundação Joaquim Nabuco.

5O número elevado de sujeitos no interior do recorte que este artigo opera, no caso da área da educação, se deve ao volume de Programas de pós-graduação em educação no Brasil e, consequentemente, de professores nestes programas - Silva (2017) registrou em sua pesquisa um total de 2.946 docentes/pesquisadores nestes programas.

6Em ordem percentual, estas áreas são: psicologia, história, filosofia, serviço social, linguística, educação física, terapia ocupacional, arquitetura e urbanismo e engenharia de materiais.

7No âmbito da formação continuada após a conclusão do doutorado, estes pesquisadores orientaram ainda 62 estudantes/professores em nível de pós-doutorado.

Recebido: 17 de Setembro de 2019; Aceito: 30 de Julho de 2020

Amurabi Oliveira é doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com estágio pós-doutoral na Universidade Autônoma de Barcelona. Professor dos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política, em Educação e em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Camila Ferreira da Silva é doutora em Ciências da Educação (Sociologia da Educação) pela Universidade Nova de Lisboa, com estágio pós-doutoral em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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