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ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo)

versión impresa ISSN 0102-6720

ABCD, arq. bras. cir. dig. vol.27 no.1 São Paulo enero/mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-67202014000100004 

Artigo Original

Músculo adutor do polegar como preditor de desnutrição em pacientes cirúrgicos

Camila Yandara Sousa Vieira de MELO

Silvia Alves da SILVA

2Serviço de Nutrição do Hospital Universitário Oswaldo Cruz da Universidade de Pernambuco, Recife, PE, Brasil

RESUMO

Racional:

No estado nutricional comprometido, há excessiva perda muscular esquelética e diminuição da resposta inflamatória, contribuindo para o aumento da morbimortalidade e do tempo de internamento.

Objetivo

: Estimar a prevalência de desnutrição pela medida do músculo adutor do polegar utilizando pontos de corte para pacientes cirúrgicos sugeridos na literatura.

Métodos

: Estudo de corte transversal com 151 pacientes candidatos a procedimento cirúrgico de caráter eletivo. Realizou-se avaliação nutricional através das medidas antropométricas clássicas: circunferência do braço, dobra cutânea tricipital, circunferência muscular do braço, área muscular do braço corrigida, IMC e percentual de perda ponderal e pela medida do músculo adutor do polegar em ambas as mãos.

Resultados

: A prevalência da desnutrição nos pacientes avaliados foi elevada. Houve associação significativa entre o diagnóstico nutricional, segundo o músculo adutor do polegar, e as medidas da circunferência do braço, prega cutânea tricipital e IMC. No entanto, não se associou à circunferência muscular do braço, área muscular do braço corrigida ou ao percentual de perda de peso.

Conclusão

: O músculo adutor do polegar mostrou ser bom método para diagnosticar a depleção muscular e a desnutrição nos pacientes cirúrgicos.

Palavras-Chave: Estado nutricional; Adultos; Cirurgia

INTRODUÇÃO

Pacientes hospitalizados frequentemente apresentam quadro de desnutrição que pode estar associado tanto ao comprometimento nutricional prévio quanto à doença de base ou mesmo ao seu tratamento10. Segundo Celano7, a desnutrição tem papel de destaque por ser fator prognóstico nas infecções e no risco de complicações no pós-operatório uma vez que, com o estado nutricional comprometido, há excessiva perda muscular esquelética e diminuição da resposta inflamatória, contribuindo para o aumento da morbimortalidade e do tempo de internamento.

A resposta metabólica ao estresse cirúrgico está associada frequentemente ao aumento na concentração de hormônios catabólicos causando degradação proteica e, aumento da proteólise muscular. Estas alterações são proporcionais à gravidade da lesão, e podem per si, comprometer a evolução clínica do paciente25. Quando associada a um déficit nutricional de base, essa situação torna-se ainda mais grave24 , 26.

A massa magra tem sido avaliada através da medida da circunferência do braço, da dobra cutânea tricipital para então estimar a circunferência muscular do braço e da área muscular do braço corrigida. Porém, essas estimativas são resultado de cálculos derivados das circunferências musculares e pregas cutâneas, o que pode dificultar a interpretação dos resultados. O músculo adutor do polegar é o único músculo no corpo humano que permite a medida direta da sua espessura18. Esse parâmetro tem sido utilizado como compartimento de reserva muscular, por ser um método simples, rápido, não invasivo e de baixo custo1. No paciente, a medida do músculo adutor do polegar pode estar refletindo a perda da capacidade laborativa devido à limitação na prática de atividade física ou de trabalho por conta de doença de base, interferindo assim na troficidade muscular e consequentemente na espessura do músculo2.

Este estudo tem como objetivo estimar a prevalência de desnutrição pela medida do músculo adutor do polegar utilizando pontos de corte para pacientes cirúrgicos sugeridos na literatura.

MÉTODOS

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Hospital Universitário Oswaldo Cruz da Universidade de Pernambuco sob o número 012/201e os pacientes inclusos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

O estudo foi desenvolvido na clínica cirúrgica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Recife PE, Brasil onde as operações são de caráter eletivo. Tratou-se de um estudo transversal, do qual participaram pacientes adultos e idosos que se encontravam em condições físicas adequadas para realização dos procedimentos de avaliação em até 72 horas após a admissão hospitalar.

Os critérios de exclusão adotados foram: pacientes encaminhados de outras enfermarias com história de internamento prévio superior às 72 h; pacientes que apresentavam edema de membros superiores; portadores de síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) ou portadores de doenças renais em tratamento dialítico e pacientes candidatos à cirurgia bariátrica.

Foram utilizadas as informações contidas em prontuário bem como as informações colhidas em entrevista individual com o paciente ou acompanhante e anotadas em formulário específico para a pesquisa bem como a aplicação de um questionário contendo informações como: sexo, idade, diagnóstico clínico e avaliação nutricional antropométrica.

Foram avaliados: peso, altura, cálculo do IMC, circunferência do braço, dobra cutânea tricipital, calculado a circunferência muscular do braço e área muscular do braço corrigida, espessura do músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante e percentual de perda ponderal.

O peso corporal daqueles pacientes capazes de deambular foi aferido utilizando-se uma balança do tipo plataforma da marca Filizola(r) com capacidade máxima para 140 kg e variação de 100 g. Para os pacientes acamados, foi utilizada a equação de Chumlea et al.9 para a estimativa do peso. A estatura foi aferida utilizando estadiômetro metálico vertical de 2 m nos pacientes que deambulavam enquanto que naqueles acamados foi utilizada a altura estimada a partir da altura do joelho e aplicada na equação de Chumleaet al.9. A partir dos dados de peso e altura, calculou-se o IMC. O diagnóstico do estado nutricional para adultos foi realizado de acordo com os critérios estabelecidos pela World Health Organization27, enquanto que para idosos foi utilizado os critérios diagnósticos propostos por Lipschitz19.

A circunferência do braço foi obtida utilizando-se uma fita métrica inelástica. A dobra cutânea tricipital foi aferida com um adipômetro da marca Cescorf(r) (Porto Alegre, Brasil). A circunferência muscular do braço foi obtida a partir da fórmula descrita por Frisancho14 utilizando-se a circunferência do braço e a dobra cutânea tricipital. Para a área muscular do braço corrigida foram utilizados os valores de referência estabelecidos por Frisancho15. Para diagnóstico nutricional a partir desses parâmetros foram utilizadas suas adequações como proposto por Blackburn e Thorton4.

A medida do músculo adutor do polegar foi obtida com o paciente sentado, o braço flexionado a aproximadamente 90º com o antebraço e a mão apoiada sobre o joelho. Foi utilizado adipômetro exercendo uma pressão contínua de 10 g/mm² para pinçar o músculo adutor no vértice de um triângulo imaginário formado pela extensão do polegar e indicador18. O procedimento foi realizado na mão dominante e não dominante em triplicata, sendo considerada a média dos valores como medida. Era utilizado o ponto de corte de 13,4 mm para a mão dominante e 13,1 mm para mão não dominante para diagnóstico de desnutrição, valores definidos no estudo de Bragagnolo5.

O peso usual foi informado pelo paciente e o percentual de perda ponderal permitiu a classificação do estado nutricional segundo Blackburn e Bistrian3.

Análise estatística

O banco de dados foi criado no Excel for Windows, versão 2010. A análise estatística foi realizada no programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 13.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, USA). As variáveis contínuas foram testadas quanto à normalidade com auxílio do teste Kolmogorovi-Smirnov. Todas as variáveis apresentaram distribuição normal e foram descritas na forma de média e seus respectivos desvios-padrão. As médias do músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante foram comparadas pelo teste t de student para duas variáveis independentes. O teste Qui-quadrado foi empregado para a comparação das frequências, sendo considerado p<0,05 para rejeição da hipótese de nulidade.

RESULTADOS

Foram avaliados 151 pacientes, com idade média de 51,91±15,78 anos, dos quais a maioria era do sexo feminino e adulto. Os diagnósticos mais frequentes foram neoplasias digestivas, seguidas pelas doenças de vias biliares e doenças hepáticas, no entanto sem diferença significativa nas prevalências (Tabela 1).

TABELA 1 Caracterização da amostra segundo o sexo, estágio de vida e diagnóstico 

VARIÁVEIS N % IC95%
Gênero Masculino Feminino 61 90 40,4 59,6 32,6 – 48,7 51,3 – 67,4
Estágio de vida Adultos Idosos 96 55 63,6 36,4 55,3 – 71,1 28,8 – 44,7
Diagnóstico Neoplasias digestivas Doenças das vias biliares Doenças hepáticas 60 41 34 39,7 27,2 22,5 31,9 – 48,0 20,3 – 35,0 16,3 – 30,1

IC95% = Intervalo de confiança de 95%

Na Tabela 2 são apresentados os valores médios do músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante segundo a classificação do estado nutricional pelos parâmetros circunferência do braço, dobra cutânea tricipital, circunferência muscular do braço, área muscular do braço corrigida e IMC, sendo observado que os valores do músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante são significativamente menores nos pacientes desnutridos apenas em relação a circunferência do braço, dobra cutânea tricipital e IMC.

TABELA 2 Distribuição em média e desvio-padrão do músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante segundo a classificação do estado nutricional pela circunferência do braço, dobra cutânea tricipital, circunferência muscular do braço, área muscular do braço corrigida e IMC 

ESTADO NUTRICIONAL MAPD MAPND
(n) M ± DP p* (n) M ± DP p*
CB Eutróficos 65 14,15 ± 3,66 0,007 60 13,48 ± 3,25 0,003
Desnutridos 71 12,51 ± 3,30 69 11,77 ± 3,17
DCT Eutróficos 66 14,72 ± 3,20 0,000 64 13,76 ± 2,98 0,000
Desnutridos 80 12,14 ± 3,48 75 11,43 ± 3,33
CMB Eutróficos 72 13,03 ± 3,30 0,979 67 12,42 ± 2,83 0,806
Desnutridos 74 13,32 ± 3,84 73 12,56 ± 3,79
AMBc Eutróficos 91 13,84 ± 3,45 0,470 89 12,91 ± 3,43 0,770
Desnutridos 46 12,62 ± 3,28 42 11,84 ± 2,60
IMC Eutróficos 117 13,97 ± 3,42 0,000 111 13,11 ± 3,7 0,000
Desnutridos 31 10,83 ± 2,96 30 10,30 ± 3,10

*Teste t student para duas variáveis independentes

CB: circunferência do braço

DCT: dobra cutânea tricipital

CMB: circunferência muscular do braço

AMBc: área muscular do braço corrigida

MAPD: músculo adutor do polegar das mãos dominante

MAPND: músculo adutor do polegar das mãos não dominante

A Tabela 3 apresenta a distribuição do estado nutricional segundo o músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante em relação ao sexo, estágio de vida, diagnóstico e perda ponderal. Pode-se observar que a eutrofia é mais frequente nos homens e a desnutrição em mulheres. Os adultos apresentaram frequência significativa de eutrofia em comparação aos idosos; o diagnóstico clínico e a perda ponderal não foram associados com o estado nutricional pelas medidas do músculo adutor do polegar.

TABELA 3 Frequência do estado nutricional pelo músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante segundo o sexo, estágio de vida, diagnóstico e % perda ponderal 

MAPD MAPND
Desnutrição N (%) Eutrofia N (%) Total N (%) p* Desnutrição N (%) Eutrofia N (%) Total N (%) p*
Gênero Masculino Feminino 25 (30,5) 57 (69,5) 36 (54,5) 30 (45,5) 61 (41,2) 87 (58,8) 0,003 28 (31,8) 60 (68,2) 30 (56,6) 23 (43,4) 58 (41,1) 83 (58,9) 0,004
Estágio de vida Adultos Idosos 46 (56,1) 36 (43,9) 47 (71,2) 19 (28,8) 93 (62,8) 55 (37,2) 0,059 53 (60,2) 35 (39,8) 38 (71,7) 15 (28,3) 91 (64,5) 50 (35,5) 0,168
Diagnóstico Neoplasias digestivas Doenças das vias biliares Doenças hepáticas Outros 21 (25,6) 18 (22) 32 (39) 11 (13,4) 20 (30,3) 15 (22,7) 26 (39,4) 5 (7,6) 41 (27,7) 33 (22,3) 58 (39,2) 16 (10,8) 0,693 24 (27,3) 19 (21,6) 36 (40,9) 9 (10,2) 15 (28,3) 12 (22,6) 21 (39,6) 5 (9,4) 39 (27,7) 31 (22) 57 (40,4) 14 (9,9) 0,996
% Perda ponderal Grave Não Grave 43 (52,4) 39 (47,6) 26 (39,4) 40 (60,6) 69 (46,6) 79 (53,4) 0,114 47 (53,4) 41 (46,6) 21 (39,6) 32 (60,4) 68 (48,2) 73 (51,8) 0,113

*teste qui-quadrado de Pearson

MAPD: músculo adutor do polegar das mãos dominante

MAPND: músculo adutor do polegar das mãos não dominante

A Figura 1 apresenta a prevalência de desnutrição considerando-se os valores de ponto de corte segundo Bragagnolo para a espessura do músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante, respectivamente.

FIGURA 1 Frequência de desnutrição segundo o músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante 

DISCUSSÃO

A avaliação nutricional realizada logo na admissão do paciente, permite a instituição de um plano dietoterápico precoce, com o objetivo de melhorar o estado nutricional e minimizar os riscos de complicações pós-operatórias. Os resultados desse trabalho apontam as mulheres como maioria no estudo, fato este que pode ser justificado pela maior procura desse grupo aos serviços de saúde. Os idosos, pelas limitações aos procedimentos cirúrgicos devido à idade, mostraram-se como minoria, embora os diagnósticos citados como mais frequentes acometam de forma semelhante tanto os adultos quanto os idosos.

O perfil dos pacientes avaliados foi muito semelhante aos pacientes estudados por Bragagnolo et al.5 onde a média de idade foi em torno dos 50 anos e em sua maioria mulheres, além de prevalência diagnóstica das neoplasias digestivas.

Poucos estudos tem utilizado a medida do músculo adutor do polegar como parâmetro de avaliação nutricional, e por consequência foram sugeridos pontos de corte para algumas condições clínicas específicas2 , 5 , 13 , 22. A medida do músculo adutor do polegar das mãos dominante mostra-se sempre superior em relação ao não dominante, justificado pelo fato do músculo ser mais trabalhado na mão dominante do que na mão não dominante. Há inclusive preferência em medir a mão dominante uma vez que, a musculatura mais exercitada tende a atrofiar mais rapidamente em situação de apatia por consequência da desnutrição2.

No atual estudo, observou-se que os valores médios do músculo adutor do polegar das mãos dominante e não dominante foram menores naqueles pacientes que se apresentavam desnutridos segundo os indicadores circunferência do braço, periferia muscular do braço e IMC. Gonzalez16,que avaliou indivíduos saudáveis observou associação significante da medida do músculo adutor do polegar apenas com o IMC. Já no trabalho de De Oliveira22 que envolveu 143 pacientes renais, foi possível observar que houve associação significativa do músculo adutor do polegar com IMC, circunferência do braço, circunferência muscular do braço e área muscular do braço.

No entanto, Rezende et al.23 , avaliando 168 pacientes com indicação cirúrgica de médio e grande porte utilizando Avaliação Muscular Subjetiva que engloba o músculo adutor do polegar em seus parâmetros observou que não houve boa concordância entre essa avaliação e os métodos objetivos de avaliação nutricional em pacientes pré-operatórios.

Tanto a circunferência muscular do braço como a área muscular do braço corrigida, comumente apontadas como bons parâmetros de reserva muscular, não mostraram boa associação com o músculo adutor do polegar. Sabe-se que a avaliação antropométrica clássica reflete o grau de desnutrição3, embora essas modificações corporais só surjam depois de um período de desnutrição instalada. Alterações funcionais mostram-se mais precocemente enquanto que as anatômicas, de forma mais tardia, não sendo os parâmetros convencionais capazes de avaliar a condição de desnutrição na fase aguda6.

Acredita-se que a perda laborativa leva a redução da espessura do músculo adutor do polegar independente da doença de base e do seu consequente catabolismo20, justificando a perda muscular observada pelo músculo adutor do polegar sem, no entanto, obter perda muscular significativa pela circunferência muscular do braço e área muscular do braço corrigida, resultado este que corrobora com os achados de Freitas et al.13, que avaliou 82 pacientes oncológicos, os quais foram submetidos à avaliação nutricional pela antropometria clássica e a medida do músculo adutor do polegar. Os valores de circunferência muscular do braço e área muscular do braço corrigida foram indicativos de preservação de massa muscular enquanto que a dobra cutânea tricipital, apontou depleção grave de massa gorda, fato este também constatado no atual estudo, onde a dobra cutânea tricipital mostrou-se significativamente menor nos pacientes classificados como desnutridos pelo músculo adutor do polegar em ambas as mãos.

No presente estudo, houve predominância de pacientes desnutridos utilizando-se a medida do músculo adutor do polegar como indicador do estado nutricional. Devido à escassez na literatura de trabalhos semelhantes, não se pôde comparar a incidência de desnutrição através da sua espessura encontrada com a de outros estudos, embora a desnutrição seja um achado frequente a partir de outros parâmetros de avaliação nutricional em pacientes cirúrgicos11.

Foi observada maior frequência de desnutrição no sexo feminino e eutrofia no sexo masculino quando comparados o sexo em relação ao estado nutricional pelas medidas do músculo adutor do polegar, o que pode ser justificado pela diferença de composição corporal entre os sexos, além dos homens executarem atividades que exigem maior esforço e consequente desenvolvimento da musculatura em questão. Vale ressaltar que os pontos de corte utilizados no dado estudo não diferem para homens e mulheres, podendo o sexo masculino ter a reserva muscular superestimada.

Freitas et al.13 encontrou em seu estudo médias diferentes para a medida do músculo adutor do polegar quanto ao sexo, sendo superior nos homens. Rezende et al.23 utilizou como parâmetro de avaliação da medida do músculo adutor do polegar os pontos de corte de acordo com o sexo propostos por Lameu et al.18, encontrando maior frequência de desnutrição na população masculina.

Quanto ao estágio de vida, Rezende et al.23 também observou que a medida do músculo adutor do polegar é superior em adultos com menos de 58 anos, com preservação deste músculo por volta dos 65 anos e redução na oitava década de vida, o que pode apontar para a necessidade de pontos de corte específicos para diferentes fases da vida18. Já no presente estudo, os adultos foram classificados em sua maioria como eutróficos enquanto que nos idosos a desnutrição foi mais frequente, fato este que pode ser justificado pela uniformização do ponto de corte utilizado, subestimando a real reserva muscular nesse grupo. No entanto, outro estudo11 mostra que a desnutrição foi mais prevalente em idosos, visto que eles eram maioria na sua casuística.

No atual estudo, foi observada predominância de neoplasias como principal diagnóstico nos pacientes avaliados. Na amostra estratificada, quando associado o músculo adutor do polegar com estado nutricional, observou-se mais frequência de desnutrição nas doenças hepáticas segundo o músculo adutor do polegar. A literatura não traz estudos que especifiquem a doença de base em relação ao ele de forma mais ampla, impossibilitando comparar os dados do presente estudo.

O percentual de perda ponderal é parâmetro de referência para detectar alterações de peso e sua evolução ao longo do tempo8. A perda involuntária em curto periodo é indicativa de comprometimento nutricional, tendo sido considerado como indicador de mau prognóstico cirúrgico12. De Oliveira22 observou boa correlação do músculo adutor do polegar com o percentual de perda ponderal, corroborando com o achado do presente estudo.

CONCLUSÃO

O músculo adutor do polegar mostrou ser bom método para diagnosticar depleção muscular e desnutrição em pacientes cirúrgicos.

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Recebido: 10 de Setembro de 2013; Aceito: 17 de Dezembro de 2013

Correspondência: Camila Yandara Sousa Vieira de Melo. E-mail: yandara.nutri@yahoo.com.br

Fonte de financiamento: não há

Conflito de interesses: não há