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ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo)

Print version ISSN 0102-6720On-line version ISSN 2317-6326

ABCD, arq. bras. cir. dig. vol.29 no.2 São Paulo Apr./June 2016

https://doi.org/10.1590/0102-6720201600020016 

Articles

TERATOMA RETROPERITONEAL GIGANTE DE 30 KG: RELATO DE CASO

James SKINOVSKY1 

Fernanda Keiko TSUMANUMA1 

Marcos Fabiano SIGWALT1 

Flávio PANEGALLI-FILHO1 

Adriana Mitie KAWAKUBO1 

Bruna Gimenes ROLIM1 

Luciana Andrade de GODOY1 

1Hospital da Cruz Vermelha e Universidade Positivo, Curitiba, PR, Brasil.


DESCRITORES: Teratoma; Tumor retroperitoneal

HEADINGS: Tumor, teratoma; Retroperitoneal neoplasms

INTRODUÇÃO

Teratomas são compostos de células somáticas de duas ou mais camadas germinativas (ectoderme, mesoderme e endoderme)8. Apesar da maior ocorrência ser em crianças, em adultos ocorre em diferentes localizações, como mediastino, sacrococcix, retroperitôneo e mais frequentemente nas gônadas7,13. Os retroperitoneais são raros em adultos, representando apenas 1-11% de todos os tumores primários desta região9, geralmente são benignos e assintomáticos nos estágios iniciais. Entretanto, quando os sintomas ocorrem, são relacionados tipicamente ao seu tamanho - distensão abdominal e massa palpável12. O diagnóstico pode ser realizado por ultrassonografia, que pode identificar componentes sólidos e císticos, tomografia computadorizada e ressonância magnética, sendo os últimos superiores na avaliação da extensão tumoral e relação com órgãos adjacentes 2,4,5,12,13. Angiografia pode ser utilizada para avaliar o suprimento sanguíneo. Nesse artigo, é apresentado um caso de teratoma retroperitoneal gigante tratado cirurgicamente.

RELATO DO CASO

Homem de 42 anos apresentava distensão abdominal insidiosa com evolução de 13 anos, sendo mais significativo nos três anos iniciais. Na evolução não ocorreu dor abdominal, febre ou qualquer alteração intestinal. Não era tabagista, nem etilista e não havia nenhuma doença pregressa relatada. Ele foi tratado clinicamente em outro serviço com espironolactona, sem realização de qualquer tipo de investigação complementar e tal medicação foi suspensa devido à ocorrência de ginecomastia. Na admissão ele estava em boas condições clínicas, apresentando distensão abdominal importante, sem irritação peritoneal e com ruídos presentes e normais, sem demais alterações ao exame físico. Exames laboratoriais eram normais. Foi realizada tomografia computadorizada que revelou tmassa ocupando toda a cavidade abdominal, sem origem aparente. O paciente foi submetido à laparotomia exploradora, que resultou na retirada de uma massa de aproximadamente 30 kg (Figura 1), cuja origem se localizava no retroperitôneo, deslocando completamente o rim esquerdo para a fossa ilíaca direita. Ele teve boa evolução pós-operatória e segue em acompanhamento ambulatorial no serviço. A análise anatomopatológica demonstrou componentes heterogêneos, com predomínio de formações císticas e também alguns componentes gordurosos, sendo diagnosticado histologicamente como teratoma maduro, como mostra a microscopia (Figura 2).

FIGURA 1 Tumor retroperitoneal gigante de 30 kg após ressecção 

FIGURA 2  A) Elementos da parede do cisto: epiderme, derme e glândulas sebáceas, apócrinas e tecido adiposo; B) fragmento ósseo mineralizado. (Cortesia: Dra Lisiane Cristine, Citolab, Curitiba, PR, Brasil)  

DISCUSSÃO

Histologicamente, teratomas são classificados como imaturos ou maduros, como o descrito neste caso e de mais comum ocorrência3,7,8. Os maduros são usualmente císticos, benignos e possuem elementos bem diferenciados semelhantes a tecidos adultos, como o observado neste caso.

A propriedade de migração das células germinativas explica a ocorrência de teratomas extragonadais. O sítio retroperitoneal contempla 5% dos teratomas e menos de 10% das neoplasias retroperitoneais. Neste espaço, ocorre predileção do tumor pelo polo superior do rim e geralmente são localizados do lado direito12,13. Nesse caso, o tumor estava localizado no retroperitôneo, deslocando completamente o rim esquerdo para a fossa ilíaca direita devido ao seu grande volume.

Este tipo de tumor pode acometer tanto crianças quanto adultos, exibindo diferentes comportamentos nos dois grupos. Com maior incidência retroperitoneal nas crianças, menos de 20% desenvolve a doença a partir dos 30 anos de idade. Neste caso, o paciente tinha 42 anos. Considerando o gênero, a localização retroperitoneal acomete duas vezes mais mulheres do que homens1,8,13.

A maioria dos pacientes é assintomática e quando há compressão de estruturas adjacentes, em decorrência de seu crescimento, pode ocorrer dor, edema, náuseas e vômitos. Teratomas malignos tendem a progredir mais rapidamente e são mais comuns nos adultos do que em crianças, com incidência de 26% e 10%, respectivamente8,13. Neste caso, a única queixa era de insidiosa distensão abdominal, sem demais queixas como seria esperado pela grande compressão de órgãos adjacentes. A tomografia computadorizada foi o método utilizado para diagnostico e planejamento cirúrgico e, de acordo com a literatura2,4,5,12,13, é um dos melhores métodos somado à ressonância magnética, em comparação com a ultrassonografia. O diagnóstico foi confirmado histopatologicamente após a operação.

Pinson et al11, mostrou que a ressecção completa está associada à melhora da sobreavida para os tumores retroperitoneais em geral. A sobrevida livre de doença é relacionada com a ressecção completa pelo risco de teratoma maligno, carcinoma ou sarcoma. O paciente foi submetido à retirada completa do tumor e atualmente está assintomático, sendo acompanhado ambulatorialmente. Ultrassonografia testicular é necessária para excluir tumores de células germinativas associadas nos homens, pois mais de 50% dos que apresentam tumores retroperitoneais possuem carcinoma testicular in situ, precursor do tumor testicular de células germinativas6.

REFERÊNCIAS

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8. Mathur P, Lopez-Viego M a, Howell M. Giant primary retroperitoneal teratoma in an adult: a case report. Case reports in medicine [Internet]. 2010 Jan [cited 2012 Sep 30];2010:3-5. Available from: http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=2938464&tool=pmcentrez&rendertype=abstractLinks ]

9. Mathur P, Lopez-Viego M, Howell M. Giant primary retroperitoneal in an adult: a case report. Hindawi Publishing Corporation. Case Reports in Medicine.2010. Available from: http://www.hindawi.com/crim/medicine/2010/650424/Links ]

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11. Pinson C, ReMine SG, Fletcher WS, Braasch JW. Long-term Results With Primary Retroperitoneal Tumors. Arch Surg.1989;124(10):1168-1173. doi:10.1001/archsurg.1989.01410100070012 [ Links ]

12. Sarin YK. Peritonitis caused by rupture of infected retroperitoneal teratoma. APSP journal of case reports [Internet]. 2012 Jan;3(1):2. Available from: http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=3418036&tool=pmcentrez&rendertype=abstractLinks ]

13. Taori K, Rathod J, Deshmukh a, Sheorain VS, Jawale R, Sanyal R, et al. Primary extragonadal retroperitoneal teratoma in an adult. The British journal of radiology [Internet]. 2006 Oct [cited 2012 Sep 30];79(946):e120-2. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16980665Links ]

Fonte de financiamento: não há

Recebido: 12 de Fevereiro de 2015; Aceito: 18 de Fevereiro de 2016

Correspondência: James Skinovsky E-mail: skinovsky@gmail.com

Conflito de interesses: não há

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