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Revista Brasileira de Farmacognosia

Print version ISSN 0102-695X

Rev. bras. farmacogn. vol.2-3-4  São Paulo  1989

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X1989000100013 

VARIEDADES

 

Alguns vegetais brasileiros empregados no tratamento da diabetes

 

Some Brazilian plants employed in diabetes treatment

 

 

Fernando de OliveiraI; Maria Lucia SaitoII

IProfessor Associado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo
IIPesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias

 

 


RESUMO

Os autores mencionam 17 plantas medicinais brasileiras frequentemente empregadas no tratamento de diabetes fornecendo dados sobre a composição química, elabora­ção das formas farmacêuticas  empregadas e a posologia utilizada.

Palavras chaves: plantas medicinais, plantas me­dicinais brasileiras, plantas-hipoglicemiantes, plantas antidiabeticas.


SUMMARY

The outhors present 17 Brazilian medicinal plants frequently employed as hypoglycaemiant in diabetes treatment The chemical composition, preparation of pharmaceutical forms and posology of these plants are presented.

Key-words: medicinal plants, medicinal brazilian plants hypoglycaemiante plants, antidiabetic plants.


 

 

1 - INTRODUÇÃO

O problema da diabete é muito antigo. Decorrente do desequilíbrio de balanço hormonal que propícia o estabeleciniento de deficiência primitiva ou secundária de insulina, a diabete se pronuncia pelo aparecimento de hiperglicemia e de glicosúria. A diabete é decorrência de insuficiência das células beta das ilhotas de Langerhans, podendo ser devido entre outras causas a hiperfunção da adenohipóifise, ao hipercorticoidismo e a abosidade.

O tratamento da diabete costuma ser dividido em duas épocas antes de 1921 ou época anterior a insulina e após 1921, época da insulina.

A partir do começo da década de quarenta teve inicio o uso de drogas hipoglicemiantes empregadas por via oral. Estas drogas tem como objetivo a substituição pelo menos parcial da insulina. Dois grupos de drogas passaram a ser empregadas: drogas do grupo das sulfonamidas e drogas do grupo das biguanidinas.

O uso de plantas medicinais como coadjuvante no tratamento da diabete é também muito antigo. Inúmeros vegetais têm sido utilizados para es­te fim. Assim, plantas como o agrião, alcaçus do Brasil, café, cajueiro, carqueja amarga, cebola, erva pombinha ou quebra pedras, estevia, hera terrestre, jambolão, pata-de-vaca, pau-ferro, pedra-hume-cai, ricinus, sálvia e sucupira são empregadas para este mister.

 

AGRIÃO

Nrsturtium officinale R. Br.Cruciferae

O agrião é planta herbácea perene, originária da Europa, muito cultivada no Brasil especialmente nos Estados do Suldeste e Sul do país. Muito utilizado na forma de saladas e também empregado como medicinal, contando da primeira edição da Farmacopeia Brasileira.

Além de ser considerado como antianêmico, antiascorbútico e diurético goza também de fama por baixar o índice de glicemia dos diabéticos.

O agrião é rico em vitaminas, especialmente em vitamina C. Contem carts quantidade de taninos, flavonióides (rutina) e óleo essential contendo glicosideos tioci3nicos: isosulfocianato de fenil etila, isosulfociana to de alila, isotiocianato de fenilalanina.

CH2= CH-CH2-N=C=S

isossulfocianato de alila

- Modo de emprego

Macerar a frio durante uma noite 25g de planta fresca em um copo de água. Tomar de três a quatro colheres por dia.

Consumir a planta em forma de salada.

 

Bibliografia

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ALCAÇUZ-DO-BRASIL

Periandra mediterranea (Vell) Taubert Leguminosae

O alcaçuz-do-Brasil é planta de pequeno porte atingindo 60 cm de altura. Suas partes subterrâneas são bem desenvolvidas e representam a parte usada da planta.

Nas raízes deste vegetal foram isoladas quatro saponinas denominadas respectivamente de periandrina I, II, III e IV alem de triterpenos e flavonóides. Foi tambem verificada a presenca de guanidina, substância a qual se atribui a propriedade hipoglicemiante do alcaçuz-do-Brasil.

                                                                      NH

NH2 - C – NH               guanidina

O alcaçuz-do-Brasil é bastante utilizado como béquico, peitoraI, emoliente nas afecções das vias respiratórias sendo o seu xarope recomdável no tratamento de tosses de diabéticos.

- Modo de Emprego

O alcaçuz-do-Brasil é utilizado com frequência na forma de infuso, decocto, extrato fluido, tintura e xarope.

A infusao ou decocto é preparada a 5% e a posologia deste tipo de extrato é de 100 a 300 mL por dia.

O extrato fluido é preparado pelo processo D da Farmacoi Brasileira II edição.

Alcaçuz-do-Brasil em pó .............................................. 1000g
Álcool ....................................................................  250mL
Água ........................................................................... qsp
Obter ......................................... 1000mL

O extrato aquoso deve ser evaporado rapidamente até 750mL juntando-se a seguir o álcool e, se necessário, a'gua para completar os 1000mL. A posologia e de 5 a 15mL por dia.

O xarope de alcacuz-do-Brasil e obtido por dissolucio a 10% do extrato-fluido em xarope simples. A posologia é de 40 a 120mL por dia.

 

Bibliográfia

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CAJUEIRO

Anacardium occidentale L Anacardiaceae

O cajueiro é planta nativa do nordeste brasileiro sendo muito encontradiça nos tabuleiros sedimentares litorâneos. Ocorre com muita frequência nos Estados do Piauí, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Bahia. A espécie é muito cultivada no Ceará e Pernambuco.

As cascas e as folhas do cajú são adstringentes, tônicas e antidiabéticas.

A composição química da casca e das folhas de cajú ainda são mal conhecidas. Existe nestas partes uma goma-resina denominada de acajucina e taninos.

Na casca do cajueiro são encontrados o cardol e o icido anacádico.

 

 

O princípio hipoglicemiante do cajú ainda não é conhecido

 

- Modo de Emprego

Emprega-se com frequência o decocto a 2,5% das folhas em de chá, empregando-se de 50 a 200mL por dia.

Utiliza-se ainda a tintura e o extrato fluido especialmen cascas.

 

- Tintura

Cascas de cajueiro em pó .............................................. 200g
Glicerina ........................................................................... 75mL
Álcool ............................................................................. 675mL
Água ............................................................................... 250mL

Prepara-se a tintura pelo processo de percolação da Farmcopeia Brasileira II edição, empregando-se primeiro mistura de 75mL de glicerina com 675mL de ácool e 250mL de água. Completa-se a seguir os 1000ml percolado com o auxílio de mistura de 2 partes de álcool e uma água

 

- Extrato Fluido de Cajueiro

Casca de cajueiro em pó .............................................. 1000g
Glicerina ......................................................................... 100mL
Álcool ............................................................................  500mL
Água ............................................................................... 400mL

Emprega-se o processo B da Farmacopeia Brasileira II edição, em­pregando-se como líquido extrator I a mistura acima indicada. Continua-se a extração empregando como líquido extrator II álcool diluído.

A tintura pode ser obtida a partir di extrato fluido diluindo-se este a 20% em álcool diluido.

 

Bibliografia

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CARQUEJA AMARGA

Baccharis trimera. (Less) AP de Candolle Compositae

A carqueja amarga é especie vegetal de porte subarbustivo e que mede até 80 cm de comprimento. Apresenta caule caracteristicamente triangulado e de superfície glabra. É uma espécie dióica, que ocorre em todo Brasil, sendo frequente no sul a sudeste.

A carqueja amarga é bastante utilizada como orexígena, tonica, digestiva, estomáquica, colagoga e antidiabética.

Xavier e colaboradores verificaram experimentalmente que o extrato de Baccharis Pers=(Baccharis trimera (less ), A. P. dolle, diminuia o teor de glicose do sangue comprovando de certa forma o uso popular empírico desta planta no tratamento da diabete.

A carqueja amarga apresenta diversos grupos de princípios Assim, possui em sua composiçã'o óleo essencial, resinas, flavonóide terpenoides, principios amargos e saponinas.

Naves em 1950, 1959 e 1960 estudando o óoleo essencial verificou a presença de acetato de carquejil, carquejol e nopineno. Dolejus et al estudando a fração sesquiterpênica do óleo demonstraram a presença do cadineno, calameno, elemol, eudesmol e palustrol. Herz et al isolaram e determinaram a estrutura estereoquímica de três lactonas sesquiteros denominadas de A, B e C.

Dayle et al evidenciaram a presença de quatro flavonóides: torina, quenferol, hispidolina e quercetina e de um esteróide o estigmasta-7-22-dien-3-ol.

 

- Modo de emprego

O infuso ou o decocção devem ser preparados a 2,5%, sendo recomendao 50 a 200 mL por dia.

O extrato fluido consta da Farmacopeia Brasileira primeira edição

Carqueja amarga pó ..................................................... 1000g
Álcool .................................................................................... qs
Água ....................................................................................... qs
Para obter .............................1000mL

O preparo segue o processo A de obtenção de extrato fluido empregando como líquido extrator mistura de 1 volume de álcool e 4 volumes de água.

A posologia é de 1 a 5 mL do extrato por dia.

A tintura de carqueja amarga consta igualmente da primeira edi­ção da Farmacopeia Brasileira.

Carqueja amarga pó ..................................... 200 g
Álcool diluído ............................................. qs
Para obter 1000 mL

Esta tintura é preparada por percolação, Segundo processo P da referida farmacopeia.

A posologia para a tintura e de 5 a 25 mL por dia.

Ao nosso ver o aumento do teor alcóolico, tanto do extrato flui­do como da tintura redundária na melhor extrações dos princípios amargos.

 

Bibliografia

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CEBOLA

Allium cepa L. Liliaceae

A cebola Allium cepa L. é uma planta vivaz bulbosa, que atinge até 1 m de altura. A parte utilizada é o seu bul­bo que é do tipo tunicado, possui forma ovóide e possui catáfilos suculentos brancos ou arroxeados. A cebola é cultivada no mundo inteiro para uso na alimentação.

Na medicina popular a cebola goza de grande prestígio no tratamento de diversas enfermidades. Tem sido utiliza da no tratamento da asma, reumatismo, hipertensão, enxaqueca, anasarca como diurética e bacteriostática.

A ação hipoglicemiante da cebola foi constatada por Collip. em cães pancreosectomizados, sendo posteriormente confirmada por Hutchinson et al, Winter e Mills.

Van dn Berg verificou que a hipoglicemia ocasiona­da pela cebola é precedida de hiperglicemia inicial transitória. Janot e Laurin constataram a ação hipoglicemiante do extrato do bulbo de cebola estabilizado com álcool 95º ferven­te.

Os componentes mais importantes da cebola parecem estar relacionados com a fração óleo essencial rica em componentes sulfurados tais como dissulfeto de di-n-propila, dis­sulfeto de metil-n-propila, dissulfeto de dimetila e trissulfeto de dialila. No suco fresco verificou-se a presença de ácido sulfocianico e sulfocianato de alila.

Para os diabéticos se recomenda mais o uso de cebola na forma de salada. Para outros fins emprega-se o vinho.

Vinho de Cebola
Cebola crua ralada ......................................................... 300 g
Mel claro .......................................................................... 100 g
Vinho branco ................................................................ 600 mL

A cebola ralada é amassada e misturada com o mel até formar massa pastosa, a qual pouco a pouco se vai adicionando o vinho. Coa-se o vinho atraves de gaze.

Posologia deste vinho 6 de 2 a 3 colheres de sopa por dia

Lactato Fluido de Cebola
Cebola crua ................................................................... 1000 g
Alcool 96ºGL qsp ....................................................... 1000 mL

Triturar em liquidificador, a cebola crua com cerca de 700 mL de álcool durante certo tempo. Deixar a mistura em maceração durante 3 a 4 dias. Retirar o extrato por expressäo coando através de pano. Juntar ao marco mais álcool, agitar novamente, repetindo a operação de retirada do extrato e juntando mais álcool até completar os 1000 mL.

A posologia e de 2 a 3 colheres de café ao dia.

 

Bibliografia

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ERVA-POMBINHA

Phyllanthus ninuri L. Euphorbiaceae.

Com o nome de quebra-pedra ou de erva-pombianha são conhecidas no Brasil inúmeras espécies vegetais pertencentes ao gênero Phyllanthus.

Atribui-se a todas estas espécies atividade litolítica, diurética e hipoglicemiante.

A ação hipoglicemiante de Phiillanthus ninuri L., espécie mais estudada carece ainda de confirmação científica.

Desta espécie vegetal inúmeras substâncias foram isoladas. Assim a presença de diferentes lignanas, entre as quais a filantina, hipofilantina, nirantina, nirtetralina, filtetralina e lintetralina, foi evidenciada.

Nesta especie foi verificado também a presença de alcaIóides entre os quais a norsecurinina.

Foram também isoladas os seguintes flavonóides: quercetina, astragalina, quercitrina, isoquercitrina e rutina.

Modo de Emprego

Emprega-se com frequência o infuso ou decocto a 2%. A posologia neste caso 6 de 50 a 200 mL por dia.

Extrato Fluido
Quebra-pedra pó ................................................. 1000 g
Líquido extrator (ácool-aqua 2:1) qsp ................... 1000 mL

O extrato fluido é obtido pelo processo A da Farmacopeia Brasileira. A posologia do extrato fluido 6 de 1 a 4 mL por dia.

A tintura de erva-pombinha pode ser obtida diretamente do extrato fluido diluindo-se este a 20% em alcool 70ºGL. A posologia neste caso 6 de 5 a 20 mL por dia.

 

Bibliografia

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ESTÉVIA

Stevia rebaudiana Bert Compositae

A estévia é originária do Sul do Brasil e Paraguai. A planta era conhecida pelos indígenas desde tempos remotos os quais a utilizavam para diversos fins especialmente para adoçar bebidas.

A estévia é uma planta herbácea cujo caule erectos atinge 40cm, ramificando e dando à planta característica de um arbusto. Suas folhas são opostas e de forma que varia entre ovaladas a oblongas ou mesmo lanceo ladas.

A estévia além do sabor adocicado que possui, cerca de 300 vezes mais doce que o açúcar, passa por ter propriedades hipoglicemiantes. Estudos mais detalhados precisam ser elaborados sobre o assunto.

Do ponto de vista de sua constituição química o vegetal é rico em glicosídeos diterpênicos, entre os quais o esteviosídeo, esteviobiosileos, rebaudisideo A, B, C, D e E e o dulcosideo A. Alem destes constituintes a estévia contem janol e austroinulina.

Modo de emprego

A estévia á utilizada na forma de infuso, decocto, tintura e extrato fluido.

O extrato fluido é obtido empregando-se água fervente como líquido extrator. Mil (1000) gramas do vegetal é extraido com água fervente concentra-se até obtenção de 800 mL de extrato, juntando a seguir 200 mL de álcool.

A tintura pode ser obtida a partir do extrato fluido.

Extrato fluido de estévia ........................................ 20 mL
Água .................................................................. 64 mL
Álcool ................................................................ 16 mL

Bibliografia

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Eugenia jambolana Lam. Myrtaceae

 

O jambolão é uma árvore grande de folhas opostas de limbo quase inteiro, glabro possuidora de frutos do tipo baga unilocular e de coloração arroxeada. O jambolao é originário da Índia, achando-se aclimatado no Brasil, especialmente no Estado da Bahia.

A partir de 1928, com o trabalho de Renaivo, muitas pesquisas foram feitas sobre a ação antidiabética do extrato de jambolao.

Emprega-se principalmente as sementes,sendo utilizadas com menor frequência as cascas, os frutos e as folhas.

As primeiras experiências em cores em laboratório da tam de 1940. A importância do extrato do vegetal como hipoglicemiante comecou a aumentar a partir de 1966 com as trabalhcs de RoKolo-Ratsi-Mamanga.

O extrato de jambolão necessita de um intervalo de tempo para reproduzir o efeito da  insulina,sugerindo mediação nervosa. O extrato do jambolão estimularia as células do pâncreas por intermédio do SNC, ou seja, o efeito do extrato favoreceria a secreção de insulina por parte do pancreas que não se encontra lesado, necessitando porém de um intermediário para mediação colinérgica do tipo muscarínico.

As substâncias responsáveis pelo efeito hipoglicemiante ainda não são conhecidas.

As folhas parecem ser dotadas de propriedades estrogênicas.

O extrato alcoóloco das sementes possuem ácido gálico, ácido elágico, corilagina, 3,6 hexahidroxdifenil glicose, 3 galoil glicose, 4,6-hexahidroxidifenil glicose, 1-galoil glicose e quercetina. Cita-se ainda a presença de óleo essencial, óleo fixo, tanino e um glicosídeo-a antimelina.

Os extratos acetônicos da casca e das sementes contém derivados metilados de ácido elágico (3-3-di-o-metil elágico e 3,3,4 tri-o-metil elágico).

Contém o vegetal ainda: sitosterol, ácido betulíni­co, ácido crotoelágico, alcanos e álcoois alifáticos, octacosanol, triacosanol e dotriacosanol nas folhas.

Modo de Emprego

As sementes parecem ser a melhor parte do vegetal no tratamento da hiperglicemia.

O extrato fluido é obtido pelo processo B da Farmacopéia Brasileira.

Jambolão sementes pó .......................................... 1000g
Glicerina ............................................................ 100 mL
Álcool ..................................................................... qs
Água ....................................................................... qs

O líquido extrator I corresponde a 100 mL de glicerina, 300 mL de álcool e 600 mL de água. O liquido extrator II é mistura de álcool-água na proporção de 1:2.

A posologia é de 10 gotas por dia.

O extrato fluido do fruto é feito de maneira semelhante. Emprega-se na dosagem de 2 a 8 mL por dia.

Emprega-se tambem a poção que quando obtida a partir da semente pode ter a seguinte formulação.

Extrato fluido de sementes de jambolão .................... 15 mL
glicerina .............................................................. 50 mL
Água .................................................................. 85 mL

 

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HERA TERRESTRE

Gledioma hederacea Labiatae

A hera terrestre é planta vivaz estolonífera provida de caule herbáceo quadrangular e de folhas opostas. Todo o vegetal apresenta odor aromático característico, o qual dimuinui com a secagem. De origem europeia hoje é subespontanea no Brasil.

As folhas e os ramos floridos são segundo Planchou, Bretin e Manceau possuidoras de propriedades hipoglicemiantes.

Fazendo parte da composição do vegetal temos um óleo essencial cujos constituintes principais são os seguintes: 1-pino canfona, 1-mentona, 1-pulegona,cc-pineno, p-pineno, cimeno, isomentona, isopinocanfona, linalol, mentol e limoneno . 0 ácido ursólico, sitosterol e glecomina sao substâncias químicas também encontradas no vegetal. 0 vegetal contém também de 6 a 7,5% de taninos.

Modo de Emprego

Emprega-se o infuso ou o decocto a 5% na quantidade de 50 a 200 mL por dia. Deve-se dar preferência ao infuso ao decocto.

O extrato fluido é empregado na dose de 2 a 10 mL por dia, assim como o xarope de 50 a 150 mL diários.

O extrato fluido é preparado segundo o processo B da Farmacopeia Brasileira.

Hera terrestre pó ................................................. 1000g
Glicerina ............................................................. 100mL
Álcool ..................................................................... qs
Água ...................................................................... qs

O líquido extrator I ou inicial corresponde a mistu­ra de 100 mL de glicerina com 300 mL de álcool e 600 mL de água. O líquido extrator II é a mistura de álcool-água na pro­porção de 1:2.

O xarope de hera terrestre é preparado diluindo-se '200 mL do extrato fluido em 800 mL de xarope simples.

 

Bibliografia

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PATA-DE VACA

Bauhinia forficata Link Leguminosae

Entre as pata-de-vaca a Bauhinia forficata Link destaca-se como a mais utilizada como hipoglicemiante. Tão difundido é o emprego desta espécie que seu nome aparece na grande maioria de livros sobre plantas medicinais brasileiras no rol das plantas antidiabéticas. O próprio Holanda em seu novo dicionário da lingua Portuguesa inclui Bauhinia forficata Link atribuindo-lhe propriedade hipoglicemiante.

Na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina inúmeras espécies de Bauhinia são empregadas com a mesma finalidade que a espécie mencionada anteriormente. Bauhinia purpurea L., Bauhinia holophylla (Bongard) Steude, Bauhinia rufa, Bauhinia reticulata DC, Bauhinia candicans Bentham e Bauhinia variegata L. são exemplos de espécies vegetais deste gênero empregadas como hipoglicemiante.

Até o presente momento não se tem idéia de qual substância seria a responsável pela ação farmacológica das espécies de Bauhinia.

Inúmeras tentativas foram feitas por vários pesquisadores no sentido de verificar a existência ou não de fundamento do uso popular das Bauhinia como hipoglicemiante.

Juliane em 1929 pos em evidência a ação hipoglicemiante de Bauhinia forficata Link. Trabalhou inicialmente com cachorros, passando a seguir a experiências clínicas com humanos obtendo bons resultados.

Com referência a composição química de Bauhinia forficata Link. pouco tem sido feito. Atribui-se a presença genérica de alcalóides, flavonóides, mucilagem, óleo essencial e taninos.

A substância responsável pela atividade desta planta ainda não é conhecida.

Modo de emprego

Recomenda-se o uso do vegetal na forma de infuso ou de decocto. No comércio o vegetal encontra-se também na forma de extrato fluido, tintura e pó, sendo vendido em preparações onde aparece isolado ou associado com outras plantas.

O decocto é preparado na porporção de 5 g da droga para 250 mL de água. Toma-se as xícaras de chá na quantidade de 4 a 5 por dia.

 

Bibliografia

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4 - SALATINO, A. - Morfologia, Anatomia e fitoquímica da folha de Bauhinia holophylla (Bongard) Steudel. São Paulo. Dis­sertação de mestrado - Instituto de Biociências da USP - Dep. de Botânica. 1976.         [ Links ]

 

PAU FERRO

Caesalpinia ferrea  Martis  Leguminosae

As cascas do pau-ferro também conhecido como "jucá" são empregadas com frequência no tratamento de glicosúria. Com menor frequência emprega-se as sementes.

O pau-ferro é uma arvore de porte avantajado, tronco liso caracteristicamente manchetado de tonalidades claras qua se brancacentas.

A composição química do pau ferro é mal conhecida. A presença generica de tanino, saponina e óleo essencial foi constatada por alguns pesquisadores.

Modo de Emprego

As formas farmaceuticas habituais são o infuso, decocto, o extrato fluido e a tintura.

Tanto o infuso como o decocto são empregados a 2% numa quantidade que varia de 50 a 250 mL por dia.

O extrato fluido é utilizado na dose de 0.5 mL a 2 mL por dia e a tintura de 2 a 10 mL por dia.

A tintura pode ser obtida atraves de extrato fluido na proporção de 20 mL de extrato fluido para 100 mL da tintu­ra. 0 extrato fluido prepara-se pelo processo B da Farmacopeia Brasileira.

 

Bibliografia

1 - BACCHI, E. M. - Estudo Farmacológico da ação antiúlcera dos extratos de Styrax camporum Pohl e Caesalpinia ferrea Ma­tius. São Paulo. Tese apresentada ao Departamento de Farmaco­loqia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. 1988.         [ Links ]

 

PEDRA-HUME-CAÁ

Myrcia sphaerocarpa DC Myttaceae

As foihas de pedra-hume-caá säo empregadas com bastante frequência no tratamento de diabetes. O uso popular desta folhas parece ter se iniciado na amazônia tendo se difundido pelo Brasil inteiro.

O vegetal tipicamente brasileiro se desenvolve desde o Estado do Pará ate o Rio Grande do Sul. As folhas no vegetal apresentam disposição oposta, são pecioladas, elipticas, ou lanceoladas de ápice algumas vezes obtuso e de base cuneado. Apresentam coloracão verde-amarelado, algumas vezes com nuancias avermelhadas.

A composição química desta espécie vegetal ainda é mal conhecida. Apresenta taninos e óleo essencial.

Modo de Emprego

O infuso, o decocto, o extrato fluido e a tintura são as formas farmacêuticas mais empregadas.

O extrato fluido prepara-se pelo processo B da Farmacopeia Brasileira.

O infuso e o decocto são elaboradas a 2% e empregadas na dose de 100 a 500 mL por dia. O extrato fluido é empregado na dose de 2 a 10 mL por dia e a tintura de 10 a 50 mL por dia.

A tintura pode ser abtida a partir do extrato fluido na proporção de 20 mL por cento.

 

Bibliografia

1 - CAMPOS, E. - O tratamento da diabete pela planta brasileira pedra-hume-caá - apresentada sob forma de extrato fluido. Bol. Farm. Silva Araújo 23(90): 3-7;1924, reimpresso na mesma revista 25(104-105): 68-72. 1926.         [ Links ]

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4 - MANGINELLI, L. - Pesquisa e estudos dos principios ativos de pedra-hume-caá. Rev. de Quimica e Indústria. 1938.         [ Links ]

5 - MATTA, A. - Pedra-hume-caá a insulina vegetal. Rev. agronômica, 1938.         [ Links ]

6 - PEREIRA, J. & MORAES, A. - Ação farmacodinâmica da Pe­dra-hume-caá. An. Fac. de Med. São Paulo. 1930.         [ Links ]

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RÍCINO

Ricinus communis L.   Euphortbiaceae

As folhas de Ricinus communis L. conhecido vulgarmente como palma cristi, carrapateira e mamona, costumam ser empregada no tratamento de diabete.

Com a referência a composição química já foi constatada na folha a presença de -amirina, estigmasterol, -sitosterol quercetina, rutina, hiperósido e ricinina. Acredita-se ainda na ocorrência da ricina nas folhas do vegetal.

Os principios ativos do ricino parece interferir na absorção da glicose ao nível intestinal.

Modo de Emprego

Deve-se ter cuidado no emprego deste vegetal pois doses elevadas podem acarretar problemas de intoxicação.

É utilizado infuso e decocto.

 

Bibliografia

1 - CORREA, M. P. - Dicionário das plantas úteis do Brasil . Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura, V. 5 p. 63. 1974.         [ Links ]

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SÁLVIA

Salvia offcinalis L. Labiatae

As folhas de sálvia constituem verdadeira panaceia. Costumam ser utilizadas como diurética, vulnerária, estomáquica, emenagoga, afrodisíaca, antigalactogênica e hipoglicemiante.

A ação hipoglicemiante foi posta em evidência por Delia e Ferrariniem 1938.

Durante a investigação sobre a atividade hipoglicemiante da Sálvia verificou que o extrato desta planta nao modifica de maneira apreciável a diurese, porém beneficia a função hepatica.

A atividade hipoglicemiante dos extratos de sálvia são observados sobre o diabetico não o sendo sobre a pessoa sadia.

O princípio hipoglicemiante estaria contido na fração hidrossolúvel da droga.

A composição química da salvia mereceu atenção de diversos pesquisadores. Apresenta um óleo essencial cujo teor varia na droga entre 0,7 a 1,4%. Os seguintes componentes fo­ram encontrados no óleo essencial de salvia: tuiona (51%-com­ponente principal), salveno, pineno, cineol, borneol, cânfora, acetato de linalila e de bornila. Além do óleo essencial foi verificado a presença de ácido ursólico, ácido oleanólico, germanicol, sitosterol, ácido fumárico e tanino (8,1%), saponina, e um princípio amargo,a picrossalvina.

Modo de Emprego

Emprega-se o infuso e o decocto a 2,5% do qual se toma de 50 a 250 mL por dia. 0 extrato fluido de salvia é empre­gado na proporção de 1 a 5 mL por dia e a tintura de 5 a 25 mL por dia.

O extrato fluido de salvia pode ser obtido através do processo B da Farmacopeia Brasileira. A tintura pode ser obti­da atraves do extrato fluido da seguinte forma:

Extrato fluido de Salvia .......................................... 20 mL
Álcool 70°GL ........................................................ 80 mL

Emprega-se também o vinho de sálvia:

Folhas de Sálvia ..................................................... 80 g
Vinho Branco ................................................... 1000 mL

Deixa-se macerar durante 8 dias.

Posologia 1 a 3 colheres de sopa por dia após as refeições.

 

Bibliografia

1 - COIMBRA, R. - Notas de Fitoterapia. Laboratório Clínico Silva Araujo. 24 ed. Rio de Janeiro, p. 330-1. 1958.         [ Links ]

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3 - FERRARINI, L. - Ricerca Scient. 1: 317. 1936.         [ Links ]

 

SUCUPIRA

Bowdichia vingiloides HBK Leguminosae

As cascas de sucupira apresentam-se no comércio em grandes pedaços planos ou levemente encurvados de comprimento e largura variáveis de 8 a 10 mm de espessura. Sua su­perfície externa a de cor pardo escura e apresenta numerosas saliências de cor amarelada além de fendas longitudinais e transversais profundas e bem espaçosas.

A casca de sucupira há muito tempo é empregada para elaboração de infusão, decocto, extrato fluido e tintura, preparações estas utilizadas para diversos fins. Empregam-se estes extratos vegetais no tratamento do artritismo e de debilidade geral. É utilizado ainda como antifebril e externamente no tratamento de impingem, úilceras, eczema, afecções da pele e dartro. Seu uso mais frequente é no tratamento da diabete.

Segundo Peckolt estão presentes na casca tanino matérias mucilaginosas e um principio acre. Posteriormente foi identificado na casca um alcalóide a homo ormosanina e substâncias integrantes de resina tais como a sucupirona e sucupirol. Isolou-se das cascas também um sesquiterpeno, o lupeol.

Modo de Emprego

O infuso ou decocto é preparado a 1% empregando-se de 50 a 250 mL por dia.

O extrato fluido é preparado através do processo B da Farmacopeia Brasileira e é utilizado na dosagem de 0,5 a 2 mL por dia. A tintura pode ser obtida atraves do extrato fluido por diluição a 20% com álcool diluído.

 

Bibliografia

1 - CALLE, J. A. et al. - Aislamento de lupeol de la corte­za de Bowdichia virgiloides HBK.; Revista Colombiana de Cign cias Quimico-Farmaceuticas. Bogota. 4(1): p. 93-4. 1983.         [ Links ]

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