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Revista Brasileira de Farmacognosia

Print version ISSN 0102-695X

Rev. bras. farmacogn. vol.20 no.4 Curitiba Aug./Sept. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X2010000400025 

ARTIGO

 

Mikania glomerata Spreng. e M. laevigata Sch. Bip. ex Baker, Asteraceae: estudos agronômicos, genéticos, morfoanatômicos, químicos, farmacológicos, toxicológicos e uso nos programas de fitoterapia do Brasil

 

Mikania glomerata Spreng. e M. laevigata Sch. Bip. ex Baker, Asteraceae: agronomic, genetic, anatomical, chemical, pharmacological, toxicological studies and its use in herbal therapy programs in Brazil

 

 

João C. GasparettoI; Francinete R. CamposI; Jane M. BudelII; Roberto PontaroloI,*

IDepartamento de Farmácia, Universidade Federal do Paraná, Av. Pref. Lothário Meissner, 632, Jardim Botânico, 80210-170 Curitiba-PR, Brasil
IILaboratório de Farmacognosia, Unibrasil, Rua Konrad Adenauer, 442, Tarumã, 82820-540 Curitiba-PR, Brasil

 

 


RESUMO

No Brasil as espécies de Mikania glomerata Spreng. e M. laevigata Sch. Bip. ex Baker, Asteraceae, popularmente conhecidas como guaco, são amplamente utilizadas com evidências pré-clínicas para o tratamento de doenças onde estejam envolvidas suas ações broncodilatadoras, antialérgicas, antiasmáticas, anti-inflamatórias, antiulcerogênicas e relaxantes da musculatura lisa. Em virtude das propriedades terapêuticas atribuídas as essas espécies, ambas foram oficializadas na farmacopéia brasileira, e por serem bastante semelhantes, dificilmente são diferenciadas. Com o objetivo de contribuir com novas pesquisas, a presente revisão descreve, de forma sistematizada, sobre os aspectos farmacológicos, toxicológicos, químicos, agronômicos, morfoanatômicos, genéticos e o uso nos programas de fitoterapia do Brasil destas espécies. As principais diferenças e semelhanças entre as duas espécies são evidenciadas através da comparação das informações baseadas na literatura específica.

Unitermos: Asteraceae, Mikania glomerata, Mikania laevigata, guaco, plantas medicinais.


ABSTRACT

In Brazil the species of Mikania glomerata Spreng. and M. laevigata Sch. Bip. ex Baker, Asteraceae popularly known as guaco, are widely used with preclinical evidence for the treatment of diseases whose actions involve bronchodilators, antiallergic, anti-asthmatic, anti-inflammatory, antiulcerogenic and smooth muscles relaxant. Due to the therapeutic properties attributed to these species, both were included in the official Brazilian Pharmacopoeia, and because of their similarity, they are hardly differentiated. In order to contribute to the new research, this review describes their several aspects: pharmacology, toxicology, chemical, agricultural, anatomical, genetics and the use in herbal medicine programs in Brazil, in a systematic way. The main differences and similarities between the two species are evidenced by comparing the information based on literature.

Keywords: Asteraceae, Mikania glomerata, Mikania laevigata, guaco, medicinal plants.


 

 

INTRODUÇÃO

A família Asteraceae compreende, aproximadamente, 1500 gêneros e 23000 espécies (Judd et al., 1999), no qual está inserido o gênero Mikania que abrange cerca de 430 espécies distribuídas principalmente em regiões neotropicais. Nos países andinos foram constatadas cerca de 150 espécies. No Brasil, o gênero, com 171 espécies, tem sua principal área de dispersão nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Angely, 1965; Oliveira, 1972; Holmes, 1995; Ritter & Miotto, 2005).

Dentre as principais espécies medicinais pertencentes ao gênero Mikania, encontram-se a Mikania glomerata Spreng. e M. laevigata Sch. Bip. ex Baker, Asteraceae. Ambas ocorrem principalmente na Floresta Atlântica do Brasil, crescendo desde o estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul, podendo, também, serem encontradas na Bahia, Paraguai e noroeste da Argentina (Moraes, 1997; Lima et al., 2003b; Freire et al., 2006). Em virtude de essas espécies compartilharem o mesmo habitat, estas dificilmente são distinguidas, pois apresentam características químicas, morfológicas e organolépticas semelhantes (Oliveira et al., 1986a).

Mikania glomerata está oficializada desde 1929 na Farmacopéia Brasileira 1a edição (Farmacopéia Brasileira, 1929; Brandão et al., 2006), enquanto que M. laevigata teve sua monografia incluída em 2005 (Farmacopéia Brasileira, 2005). Apesar da oficialização das folhas dessas espécies, grande parte dos produtos comercializados contém também outras partes aéreas, como caules e até mesmo inflorescências (Oliveira et al., 1985a; 1987). Em virtude das propriedades terapêuticas atribuídas a essas espécies, o xarope e a solução oral de M. glomerata foram incluídos no elenco de referência de medicamentos e insumos complementares para a assistência farmacêutica na atenção básica em saúde, conforme anexo II da Portaria No. 3.237 de 24 de dezembro de 2007 (Ministério da Saúde, 2007). Dessa forma, os medicamentos fitoterápicos a base de guaco vem sendo utilizados em larga escala na rede de saúde pública, através da implantação de programas de fitoterapia em vários municípios nos estados brasileiro, tais como, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Alagoas, Amapá, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Ministério da Saúde, 2006; Anvisa, 2008).

O uso amplamente difundido, as diferenças morfológicas pouco expressivas e o grande número de informações não sistematizadas disponíveis na literatura, justificam a importância de uma revisão dos estudos realizados sobre estas espécies. As principais diferenças e semelhanças entre elas poderão ser evidenciadas na comparação das informações obtidas dos estudos científicos realizados sobre aspectos farmacológicos, toxicológicos, químicos, agronômicos, morfoanatômicos e genéticos.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Coleta de dados

Os dados levantados para a composição desta revisão foi realizado através de uma extensiva pesquisa realizada no Chemical Abstract, PubMed, Web of Science, Google acadêmico e Science Direct. As palavras chaves utilizadas na pesquisa (em várias combinações) foram: Mikania, M. glomerata, M. laevigata, estudos agronômicos, estudos anatômicos, estudos toxicológicos, estudos químicos, análise fitoquímica, atividades biológicas e atividades farmacológicas. As referências encontradas foram então consultadas e utilizadas para comporem as tabelas deste trabalho. Foram considerados somente dados obtidos de livros, teses, dissertações e artigos publicados em revistas indexadas, não sendo consideradas comunicações em congressos e simpósios.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Mikania glomerata Spreng. e Mikania laevigata Sch. Bip. Ex Baker

Mikania glomerata é conhecida vulgarmente como coração-de-jesus, guaco-cheiroso, cipó-caatinga e erva-de-cobra e Mikania laevigata como guaco-de-casa e guaco-do-mato (Alice et al., 1995; Oliveira et al., 1986a). Estas espécies são utilizadas popularmente por suas propriedades antiespasmódica, excitantes, sudoríferas, antisifilíticas, antiasmáticas, anti-inflamatórias, tônica, depurativa,antipirética,antiofídicas,picadasdeescorpião, artrite, reumatismo e nevralgias, expectorante, balsâmico, eczema pruriginoso, estimulante do apetite, no tratamento da gripe e doenças respiratórias em geral, além de ser indicado para inflamações da garganta, utilizando-se as folhas cozidas para gargarejo (Coimbra 1942, Lucas, 1942, Neves & Sá, 1991; Ruppelt et al., 1991; Galvani & Barreneche, 1994; Alice et al., 1995; Cortez et al., 1999; Matos, 2000; Pereira et al., 2004; Maiorano et al., 2005; Vendruscolo & Mentz, 2006; Souza & Felfili, 2006). Ainda como uso etnofarmacológico, estudos clínicos observacionais demonstraram que M. glomerata possui atividade antimalárica (Botsaris, 2007).

Estudos agronômicos, genéticos e morfoanatômicos

Mikania laevigata e M. glomerata têm sido empregadas com regularidade uma em substituição a outra. Este fato está relacionado principalmente com a distribuição geográfica destas espécies, pois ambas ocorrem com frequência no mesmo local e possuem grande similaridade morfológica, sendo, portanto, bastante confundidas. Desta forma, um estudo comparativo com extratos fluidos elaborados com estas duas espécies, revelou composição química semelhante, sendo, portanto, a M. laevigata considerada como sucedânea da M. glomerata (Oliveira et al., 1986a; Lima & Biasi, 2002). Estudos agronômicos, genéticos e morfoanatômicos para ambas as espécies estão apresentados na Tabela 1.

Processos de extração, separação e isolamento de constituintes químicos

A cumarina simples (1,2-benzopirona) ocorre em maior concentração na região superior de folhas jovens de Mikania glomerata e M. laevigata, sendo considerada o principal marcador químico (Castro, 2002; Anvisa, 2008). Sua presença na planta caracteriza o odor aromático agradável lembrando baunilha (Oliveira et al., 1984). Neste sentido, inúmeros processos de extração e separação têm sido relatados na literatura. Alguns exemplos podem ser citados, tais como, a obtenção de extratos aquosos, hidroalcoólicos, etanólicos, hexânicos, clorofórmicos, diclorometânicos, tinturas, e óleos essenciais (Oliveira & Saito; Garcia, 1993; Aboy, 1999; Fierro et al., 1999; Santos et al., 1999; Schenkel et al., 2002; Maiorano et al., 2005; Peregrino & Leitão, 2005; Contini et al., 2006; Rehder et al., 2006; Muceneeki et al., 2009). Apesar do amplo emprego desses extratos, existem poucos relatos na literatura sobre o controle dos parâmetros físicos-químicos dos extratos, sendo avaliados apenas a densidade, pH e o resíduo seco (Oliveira et al., 1993; Aboy et al., 2000). Neste contexto a Farmacopéia Brasileira (2005) relata apenas o controle de qualidade da droga vegetal sendo avaliadas as características organolépticas, descrições macroscópicas e microscópicas, identificação através de cromatografia em camada delgada, materiais estranhos, teor de água, cinzas totais e doseamento da 1,2-benzopirona por CLAE.

Desses extratos alguns métodos de análise visando separação, purificação e consequentemente o isolamento do marcador químico 1,2-benzopirona tem sido relatados, dentre eles podemos citar, cromatografia em camada delgada, cromatografia em coluna, cromatografia líquida de alta eficiência preparativa, cromatografia líquida de alta eficiência e cromatografia gasosa (Bighetti et al., 2005; Maiorano et al., 2005; Muceneeki et al., 2009; Yatsuda et al., 2005).

Estudos fitoquímicos dessas duas espécies têm sido amplamente realizados e tem resultado no isolamento de diversos compostos, entre eles: cumarinas, ácidos, álcoois, ésteres diterpênicos, aldeídos e ésteres orgânicos, terpenos, entre outros. Dessa forma, vários extratos e frações de M. laevigata e M. glomerata têm sido avaliados quanto à sua composição química, sendo estes dados apresentados na Tabela 2.

Atividades farmacológicas

No Brasil, M. laevigata e M. glomerata são amplamente utilizadas com evidências pré-clínicas para o tratamento de diversos tipos de doenças em que sejam benéficas as ações broncodilatadora, anti-inflamatória, antiespasmódica, no tratamento das úlceras gástricas, entre outros.

Diversos autores atribuem o efeito farmacológico do guaco à cumarina (Pedroso et al., 2008), sendo estas descritas com diversas atividades terapêuticas importantes, tais como, anti-inflamatória, imunossupressora, hipolipidêmico, relaxante vascular, anticoagulante, hipotensora, espasmolítica, antioxidante, antiofídica, inibição da replicação do vírus HIV-1, entre outros (Pereira et al., 1994; Hoult & Payá, 1996; Vlientinck et al., 1998). Além disso, a agência regulamentadora de medicamentos do Brasil (Anvisa) considera a cumarina como marcador químico da M. glomerata, e de acordo com a resolução RE 89, de 16 de março de 2004, que determina a lista de registro simplificado de fitoterápicos no Brasil, a dose diária recomendada para este marcador pode variar entre 0,525 e 4,890 mg.

Estudos realizados com M. glomerata e M. laevigata em diferentes condições de extração e líquido extrator apresentaram diferentes teores de cumarina, e que independente do teor encontrado em extratos de M. glomerata a atividade antiespasmódica não era afetada (Aboy et al., 2002). Nessa mesma espécie, em ensaios com extratos aquoso e hidroalcoólico utilizando modelos de traquéia de cobaia e brônquio humano isolados verificou-se que o efeito relaxante sobre a musculatura lisa do trato respiratório pode estar relacionado ao bloqueio dos canais de cálcio, sendo que a presença de cumarina nos extratos não interferiu nos resultados (Moura et al., 2002). Em ensaios farmacológicos in vivo e in vitro realizados com o extrato hidroalcoólico e uma solução padrão de cumarina, ambos demonstraram efeitos espasmolítico, antiedematogênico e broncodilatador. Além disso, diferentes intensidades nos efeitos farmacológicos foram observadas no extrato indicando que, além da cumarina, outros compostos biologicamente ativos estão presentes (Leite et al., 1993). Os dados com as atividades farmacológicas em diferentes tipos de extratos dessas espécies estão apresentados na Tabela 3.

Os diterpenos também tem despertado bastante interesse, no que se refere à ação farmacológica, principalmente os que constituem a classe dos cauranos, como por exemplo o ácido caurenóico isolado de M. glomerata e M. laevigata (Tabela 2). Este tem apresentado várias atividades, dentre elas ação antibacteriana, anti-parasitária, anti-câncer, efeito hemolítico contra eritrócitos de ratos e humanos e também atividade antifúngica (Barbosa et al., 1994; Guisalberti, 1997; Lobitz et al., 1997; Silva et al., 2002; Vieira et al., 2002; Costa-Lotufo et al., 2002; Mongelle et al., 2002; Wilkens et al., 2002; Cotoras et al., 2004). Importante mencionar foi sua atividade antinociceptiva induzida por ácido acético em camundongos, sendo também um potente relaxante da contração uterina através de mecanismos independentes de receptores β2 adrenérgicos e, ao que tudo indica antagonista aos canais de cálcio (Block et al., 1998; Cunha et al., 2003).

Estudos toxicológicos

Vários ensaios avaliando a toxicidade de extratos, solução, xaropes e infusão de M. glomerata e M. laevigata foram relatados. Extratos fluidos dessas duas espécies apresentaram baixa toxicidade em ratos (Oliveira et al., 1985b). Estudos utilizando extrato hidroalcoólico de M. glomerata e xarope de M. laevigata, administrados em ratos no ciclo espermatogênico foram realizados, não sendo observadas alterações na ingestão alimentar, corpo e peso do órgão reprodutor, produção de gametas e níveis de testosterona sérica (Sá et al., 2003; Graça et al., 2007a). A ausência de efeitos mutagênicos e de problemas de fertilidade também foi observada quando avaliado número de embriões implantados, reabsorção e corpo lúteo, acasalamento, gestação, perda de pré-implantação, índices de reabsorção, desmame e número de descendentes (Sá et al., 2006).

Em estudo com o extrato hidroalcoólico de M. laevigata, ensaios pré-clínicos avaliando dose única, sub-crônica e crônica, demonstraram ausência de toxicidade para o xarope e solução de M. laevigata quando administrada via intraperitoneal. Adicionalmente, não houve alterações nas funções hepática, renal, pancreática e hematológicas em ratos machos e fêmeas (Graça et al., 2007b).

A infusão de M. laevigata foi avaliada na verificação de atividade mutagênica em Salmonella typhimurium através de doseamento microssômico. Os resultados indicaram alta porcentagem na inibição de atividade mutagênica (Fernandes & Vargas, 2003). Estudos in vitro de genotoxicidade e atividade mutagênica foram realizados através dos ensaios de cometa e micronúcleos, utilizando infusão e extrato macerado com etanol 80% de M. glomerata. Os resultados demonstraram dano ao DNA dose dependente para a infusão em 100 e 200% da dose diária recomendada (DDR) e em 200 e 400% de DDR para o extrato macerado. Os estudos também relataram que existe uma diferença significativa na concentração e na composição química no extrato e na infusão, onde se verificou um teor de cumarina 55 vezes maior no extrato que na infusão. No entanto, não foi evidenciada nenhuma relação direta desse marcador com a proteção ou os danos causados ao DNA em hepatócitos (Costa et al., 2008). Com relação a estudos clínicos toxicológicos de associações de plantas contendo Mikania glomerata, existem apenas dois relatos na literatura para a avaliação da segurança clínica (Soares et al., 2006; Tavares et al., 2006).

Emprego do guaco nos programas de fitoterapia no Brasil

Os medicamentos fitoterápicos a base de guaco vem sendo utilizados em larga escala na rede de saúde pública, através da implantação de programas de fitoterapia em vários municípios nos estados brasileiro, tais como, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Alagoas, Amapá, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, tendo em vista o seu baixo custo, eficácia e toxicidade aceitável (Ministério da Saúde, 2006; 2008).

O guaco é um fitoterápico tradicional, bem aceito pela população e que tem se mostrado muito eficaz como broncodilatador e expectorante. Nesse sentido, o produto veio em momento oportuno em termos de atendimento às necessidades dos pacientes do Programa de Fitoterapia "Verde Vida" implantado na Secretaria Municipal de Saúde de Maringá-PR, uma vez que não existia opção medicamentosa nessa indicação. Devido aos efeitos broncodilatadores do guaco promoverem a tosse, e dessa forma auxiliarem a expectoração, tal perfil de atividade não agradou alguns pacientes que buscam antitussígenos, principalmente as crianças (Ogava et al., 2003). No estado de São Paulo, uma das plantas mais utilizadas na rede pública de saúde é o guaco. Entretanto, poucos municípios do Estado utilizam a fitoterapia como terapêutica e a falta de incentivo por parte dos governos municipais, em alguns municípios onde a fitoterapia estava implantada, levou a desativação de alguns projetos. Mesmo sem o incentivo do governo municipal, alguns médicos da Rede Pública de Saúde continuam prescrevendo fitoterápicos, devido a esta terapêutica fazer parte de sua prática médica, ser bem aceita e acessível à população (Oliveira et al., 2006). No município de Maracanaú-CE, o xarope a base de guaco é de grande relevância no tratamento de afecções do trato respiratório, com predominância de 63,8% das prescrições de fitoterápicos. Além disso, demonstrou uma alta aceitação e adesão por parte dos profissionais de saúde, demonstrando mais de 90% de êxito terapêutico dos usuários (Silva et al., 2006). Outros programas de fitoterapia tais como, Farmácia Viva de Betim-MG (Guimarães et al., 2006), Programa de Fitoterapia e Homeopatia de Ribeirão Preto-SP (Pires & Borella, 2004), Programa de plantas medicinais/fitoterapia do Estado do Rio de Janeiro (SESRJ, 1996), Programa de Terapia Alternativa Fitoterápica de Santa Tereza-ES e Marilândia-ES (Taufner et al., 2006), Botica da família de Campinas-SP (SMS, 2001), Fitoviva de Cuiabá/MT (SMS, 2004), dentre outros, utilizam o guaco para tratamento de afecções respiratórias. Portanto, confirma-se o valor do guaco no apoio às atividades básicas de saúde.

 

CONCLUSÃO

Mikania glomerata e M. laevigata tem sido amplamente utilizadas pela população para o tratamento de afecções respiratórias. Em virtude das propriedades terapêuticas atribuídas a essas espécies, os fitoterápicos a base de guaco tem sido utilizados com sucesso nos programas de fitoterapia na rede de atenção básica à saúde em diversos municípios dos estados brasileiro. Apesar do amplo uso desses fitoterápicos, a maioria dos artigos publicados não traz descrições dos parâmetros físicos e químicos detalhadas dos fitopreparados, sendo que grande parte desses trabalhos não seguem as atuais diretrizes internacionais para pesquisa da avaliação da segurança de plantas medicinais. Além disso, estudos pré-clínicos e clínicos devem ser realizados nessas espécies de forma a contribuir com os benefícios do guaco. Diversos autores atribuem o efeito farmacológico do guaco à cumarina. Entretanto, outros metabólitos descritos como majoritários nas respectivas plantas, provavelmente contribuem com o efeito farmacológico dos extratos medicinais e, portanto, maiores investigações são necessárias. Neste sentido, essa revisão vem auxiliar e estimular novas investigações com essas espécies a fim de corroborar para a qualidade, segurança e eficácia dos produtos para fins farmacêuticos.

 

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Received 12 March 2009; Accepted 28 October 2009

 

 

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