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Revista Brasileira de Farmacognosia

Print version ISSN 0102-695X

Rev. bras. farmacogn. vol.20 no.6 Curitiba Dec. 2010  Epub July 16, 2010

https://doi.org/10.1590/S0102-695X2010005000008 

Perfil farmacológico e fitoquímico de plantas indicadas pelos caboclos do Parque Nacional do Jaú (AM) como potenciais analgésicas. Parte I

 

Phytochemical and pharmacological profile of plants indicated by caboclos of Jaú National Park (AM) as potential analgesic. Part I

 

 

Eliana Rodrigues*; Joaquim M. Duarte-Almeida; Júlia Movilla Pires

Departamento de Psicobiologia, Universidade Federal de São Paulo, Rua Botucatu, 862, 1º andar, Edifício Biomédicas, 04023-062 São Paulo-SP, Brasil

 

 


RESUMO

Muitos estudos de plantas medicinais baseiam-se em informações etnofarmacológicas, na intenção de encurtar o tempo e diminuir os recursos financeiros no desenvolvimento de novas drogas. O presente trabalho teve como objetivo realizar estudos de farmacologia pré-clínica e fitoquímica com três extratos vegetais, obtidos de duas das 42 plantas com potenciais efeitos analgésico e/ou antiinflamatório, indicadas pelos moradores do Parque Nacional do Jaú, AM. Os extratos hidroalcoólicos foram submetidos à caracterização fitoquímica por meio de cromatografia em camada delgada (CCD). Os testes de farmacologia pré-clínica empregados foram: screening inicial, rota rod, atividade motora, placa quente, tail flick e contorções abdominais, nas doses de 300 e 500 mg/kg. Os três extratos foram obtidos a partir das cascas da cumandá: Campsiandra comosa Benth., Fabaceae (EHCC) e das folhas (EHSF) e cascas (EHSC) da sucuuba: Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.) Woodson, Apocynaceae. As análises fitoquímicas revelaram a presença de flavonóides, taninos, iridóides e triterpenos nos diferentes extratos; enquanto os alcalóides e cumarinas não foram detectados. A investigação farmacológica demonstrou atividade analgésica discreta apenas no teste de contorções abdominais para os extratos EHSF e EHCC; nenhuma alteração foi observada no aparelho de rota rod e de modo geral, observou-se diminuição da atividade motora em todos os extratos nas diferentes doses testadas. Diferentes extratos destas plantas estão sendo testados em outros modelos, pelo mesmo grupo de trabalho, a fim de aprofundar os conhecimentos acerca do perfil farmacológico destas espécies.

Unitermos: Plantas medicinais, etnofarmacologia, floresta Amazônica, analgesia, inflamação, caboclos.


ABSTRACT

This work aimed to study the pre-clinical pharmacology and phytochemistry of three plant extracts, obtained from two of the 42 plants with potential analgesic and / or anti-inflammatory, indicated by the residents of the National Park of Jaú, AM. The hydroalcoholic extracts were subjected to phytochemical characterization by thin-layer chromatography (TLC). Tests for pre-clinical pharmacology employed were: initial screening, rota rod, motor activity, hot plate, tail flick and abdominal contortions at doses of 300 and 500 mg / kg. The three extracts were obtained from the bark of cumandá: Campsiandra comosa Benth., Fabaceae (EHCC) and leaves (EHSF) and bark (EHSC) of sucuuba: Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.) Woodson, Apocynaceae. The phytochemical analysis revealed the presence of flavonoids, tannins, triterpenes and iridoids in different extracts, while the alkaloids and coumarins were not detected. Research has shown pharmacological activity for EHSF and EHCC extracts, only in the mild analgesic test for abdominal contortions, while no change was observed in the rota rod; and in general, there was decrease in motor activity in all extracts at different doses tested. Different extracts of these plants are being tested in other models by the same working group, in order to deepen the knowledge about the pharmacological profile of these species.

Keywords: Medicinal plants, ethnopharmacology, Amazon forest, analgesic, inflammation, caboclo river-dwellers.


 

 

INTRODUÇÃO

O homem tem utilizado diferentes formas de terapia para o alívio da dor; entre elas, o uso de plantas. A planta denominada papoula (Papaver somniferum L.) é um exemplo disto; dela foi isolada em 1806 a morfina, utilizada até hoje nos tratamentos da dor, e tem papel importante para os pacientes terminais diagnosticados com vários tipos de câncer, por amenizar as dores intensas peculiares a estas enfermidades.

Num levantamento recente a respeito dos estudos realizados sobre plantas com efeitos analgésicos, entre 1999 e 2002, Carlini (2003) cita 66 estudos publicados nos periódicos Phytomedicine, Fitoterapia, Planta Medica, Journal of Ethnopharmacology e Phytotherapy Research. A despeito do progresso que tem ocorrido nos últimos anos no desenvolvimento de terapias, ainda são necessários potentes e eficazes analgésicos, especialmente para tratar dores crônicas (Calixto et al., 2000). Além disso, fazse necessário o desenvolvimento de drogas analgésicas potentes que produzam efeitos colaterais menores do que as já existentes.

Neste sentido, a investigação farmacológica e fitoquímica das plantas presentes nos biomas brasileiros pode ser uma alternativa, uma vez que este território possui cerca de 55000 angiospermas, sendo o primeiro no ranking dos países mais ricos em número de espécies dessas plantas (Cunningham, 1996). Além disso, sabese que as angiospermas são as mais promissoras quando se trata de desenvolvimento de novas drogas a partir do Reino vegetal (Soejarto, 2001).

A floresta amazônica apresenta altos índices de biodiversidade e endemismo, estima-se que possua entre 25000 a 30000 espécies vegetais endêmicas (Cunninghan, 1996), além disso, é habitada por diversas culturas: etnias indígenas, caboclos/ribeirinhos e afro-descendentes, sendo, portanto, ambiente propício para a realização de levantamentos etnobotânicos e etnofarmacológicos, a exemplo daqueles já realizados por Cavalcante & Frikel (1973); Amorozo & Gély (1988); Schultes (1990); Begossi & Braga (1992); Milliken (1992); Ming (1995); Milliken & Albert (1996); Di Stasi & Hiruma-Lima (2002).

No ano de 1995, foi realizado um levantamento etnofarmacológico a respeito do uso de recursos vegetais, animais e minerais com fins terapêuticos pelos moradores do Parque Nacional do Jaú (PNJ) (Figura 1) na floresta Amazônica. Foram selecionados 26 moradores a partir de visitas a 48 casas, localizadas nas 29 localidades ao longo do Rio Jaú (Rodrigues, 1997; 1998; 2006). Localizado na bacia do Rio Negro, entre os municípios de Novo Airão e Barcelos [1º90'S a 3º00'S -61º25'W a 63º50'W] (Figura 1), o PNJ é considerado o maior parque nacional do Brasil, com 2272000 hectares, está isolado de qualquer atendimento médico convencional, distando 200 km de Manaus e sendo o único acesso possível, o hidroviário. Tal isolamento favorece o fortalecimento de uma terapêutica própria de seus moradores, cuja ancestralidade inclui índios, africanos e europeus; ressalta-se que na ocasião do trabalho de campo, os moradores não dispunham de qualquer tipo de energia elétrica.

Neste estudo foram indicadas 134 plantas, 35 animais e seis minerais utilizados para 81 diferentes usos terapêuticos que foram agregados em dezenove categorias de uso pela similaridade entre seus possíveis efeitos. As categorias que concentram o maior número de receitas são: sistema gastrintestinal (127 receitas), processos inflamatórios (55), febre (43), acidentes com animais (40), sistema respiratório (30) e analgésicos (25), conforme pode-se observar na Figura 2.

O presente estudo visou selecionar duas entre as plantas indicadas no referido levantamento etnofarmacológico, a fim de traçar seu perfil fitoquímico e avaliar seu possível efeito analgésico.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de São Paulo, sob o processo número CEP 1487/05.

Seleção das plantas

A partir do universo total de 134 plantas foram focadas 42 (Tabela 1), cujos usos têm alguma relação com dor e/ou inflamação e pertencem às categorias destacadas em preto na Figura 2, são elas: processos inflamatórios (inflamações, reumatismo, infecção, inchaço, úlcera/dor no estômago, pancada e furúnculo), acidentes com animais (picadas de vespa, lacraia, mosquito, formiga e ataque de arraia), analgésicos (dores de ouvido, dente, cabeça e garganta), sistema osteomuscular (mau jeito/luxação, dor nas costas) e sistema genito-urinário (cólica menstrual, dor ao urinar). Vale ressaltar que uma mesma espécie pode ter sido citada simultaneamente em mais de uma categoria de uso.

Duas delas, ambas nativas da região Amazônica, foram selecionadas a serem submetidas aos testes fitoquímicos e farmacológicos no presente estudo: a sucuuba, Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.) Woodson, Apocynaceae, e a cumandá, Campsiandra comosa Benth., Fabaceae. Esta foi selecionada, uma vez que foi a única indicada pelos caboclos como sendo a mais eficaz nos casos de dor de dente, o que nos leva a crer no seu potencial efeito analgésico. A seleção da primeira baseou-se num dado etnofarmacológico interessante; observou-se que embora os caboclos utilizem a casca desta planta (muito mais pela dificuldade em obterem as folhas que estão quase sempre presentes em suas copas, muito altas), dizem que a folha "é um remédio mais forte" em relação à casca. Portanto, nesta perspectiva, pretendeu-se investigar a atividade farmacológica das duas partes, a fim de traçar uma comparação entre ambas.

Adicionalmente, realizou-se um levantamento bibliográfico, em fevereiro de 2009, sobre os estudos farmacológicos disponíveis para aquelas 42 espécies, utilizando-se o banco de dados on line Scifinder.

Material botânico

O material vegetal foi coletado e identificado por José Lima dos Santos, técnico e especialista em taxonomia do Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em outubro de 2005, em Roraima. Foram coletadas as folhas e cascas de Himatanthus sucuuba (voucher 215001) e cascas da Campsiandra comosa (voucher 252230), suas respectivas exsicatas foram depositadas no herbário desta Instituição.

Preparo dos extratos

Os extratos foram preparados a partir de 100 g de pó do material vegetal em 1000 mL de etanol 50% (v/v) por turbólise (Franco, 1990). Os extratos hidroalcoólicos assim obtidos foram filtrados e liofilizados dando origem aos: EHSC (H. sucuuba casca), EHSF (H. sucuuba folha) e EHCC (C. comosa casca).

Animais

Foram utilizados camundongos suíços e ratos Wistar, ambos machos de 2-4 meses. Os animais foram provenientes do biotério do Departamento de Psicobiologia, UNIFESP, mantidos em salas com controle de temperatura (23±2 ºC) e ciclo claro/escuro de 12 h com água e alimento ad libitum. Ao término dos experimentos os animais foram eutanasiados em câmara de CO2. Foram seguidas as normas recomendadas pelo International Guiding Principles for Biomedical Research Involving Animals de Geneva, 1985.

Drogas

Ácido acético (Labsynth®) e sulfato de morfina (Sigma®, doado pela polícia federal). A pureza da última droga foi certificada por cromatografia líquida de alta eficiência com detector de arranjo de diodos (CLAE-DAD). Com exceção do screening farmacológico inicial, em todos os demais testes farmacológicos foram utilizadas duas doses dos extratos das plantas: 300 e 500 mg/ kg. Essas doses foram selecionadas uma vez que foram as melhor toleradas pelos animais durante o screening farmacológico, não produziram sinais de toxicidade, nem provocaram a morte de animais, conforme veremos adiante nos resultados.

Testes farmacológicos gerais

Screening farmacológico inicial

Os camundongos foram divididos em grupos de três e tratados com as seguintes doses dos extratos das plantas selecionadas: 1, 10 e 100 mg/kg (i.p.), e 10, 100 e 1000 mg/kg (v.o.), além de dois grupos controles que receberam água (ambas as vias). Os animais foram observados em intervalos de tempo pré-estabelecidos quanto à presença ou ausência de diversos sinais (0, 30, 60, 90, 120, 180 e 240 min) (Carlini, 1972; Mendes, 2000).

Medida da coordenação motora (Rota-rod)

Grupos de dez camundongos cada foram tratados com os extratos das plantas e o grupo controle com água (ambos v.o.); foram colocados sobre o aparelho de rotarod, sendo que o tempo máximo de permanência do animal sobre a barra foi de sessenta segundos (Carlini & Burgos, 1979; Mendes et al., 2002).

Medida da atividade motora

Grupos de 10-11 camundongos cada foram tratados com os extratos das plantas e o grupo controle com água (ambos v.o.); foram colocados imediatamente na caixa de ambulação, sendo o tempo registrado cumulativamente após 15, 30, 60, 90 e 120 min (Carlini, 1972; Mendes et al., 2002).

Testes farmacológicos específicos

Placa quente

Grupos de dez camundongos cada foram tratados com os extratos (v.o.), além de dois grupos que foram tratados com água e morfina 20 mg/kg (ambos v.o.), e colocados sobre a placa quente (55±2 ºC). O tempo de permanência dos animais sobre a placa foi registrado aos 0, 15, 30, 60 e 90 min, sendo que o tempo máximo de permanência na placa foi de trinta segundos (Beirith et al., 1999; Pires et al., 2009).

Indução de contorções abdominais por ácido acético

Grupos de dez camundongos cada foram tratados com os extratos (v.o.), além de dois grupos que foram tratados com água e morfina 20 mg/kg (ambos v.o.). Após 60 min, ácido acético (0,8%) foi injetado por via intraperitoneal e o número de contorções abdominais (contração do abdômen com distensão das patas anteriores/posteriores) foi contado durante um período de 15 min após os 5 min iniciais (Contar & Carlini, 1987; Pires et al., 2009).

Teste do tail flick

Este teste foi empregado para confirmar ou não, através de outra espécie de roedor (rato) a existência de um possível efeito antinociceptivo central, segundo Mendes (2000) e Quintão et al. (2006). Grupos de 5-6 ratos foram tratados com os extratos (v.o.), além de dois grupos que foram tratados com água e morfina 10 mg/kg (ambos v.o.), e colocados sobre o aparelho de tail flick para mensuração das latências de retirada da cauda aos 30, 60 e 120 min.

Análise estatística

Os resultados foram analisados pelo programa Statistica®, levando-se em consideração o número de grupos experimentais e o tipo de medida (intervalar, nominal ou ordinal); tendo sido adotado um nível de significância de 5% (p<0,05).

 

RESULTADOS

Etnofarmacologia

Entre as 42 espécies indicadas pelos caboclos do PNJ para problemas analgésicos e/ou inflamatórios, 50% apresentou estudos farmacológicos na literatura científica, comprovando aqueles usos (Tabela 1). No levantamento etnofarmacológico em apreço, a sucuuba foi indicada para os casos de dor nas costas (extrato do látex), pancada (tintura da casca), dor de dente (decocto da casca) e inflamação (decocto das folhas). Enquanto a cumandá foi indicada para dor de dente e inflamação (decocto de folha ou casca). Dados etnofarmacológicos da literatura científica foram encontrados apenas para a primeira, conforme abaixo.

Himatanthus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.) Woodson , Apocynaceae

Planta conhecida popularmente como sucuuba, janaguba, janajuba, sucuuba-verdadeira, sucuúba, sucúba, sucuba, leite-branco, leite-de-janaguba, leite-de-sucuuba e bellaco-caspi. Suas cascas, galhos e látex são utilizados para casos de ferida, verme, artrite, dor, tumor, úlcera, gripe, herpes, leishmaniose, inflamação no útero e diarréia, por povos do Peru, Brasil e Bolívia. Segundo outros autores, as folhas também podem ser utilizadas, sendo indicadas como antitumoral, antifúngica, anti-anêmica, vermífuga e no tratamento de gastrites, artrites e contra constipação (Fernandes et al., 2000; Di Stasi & Hiruma-Lima, 2002; Larrosa & Duarte, 2005).

Campsiandra comosa Benth (Fabaceae)

Planta conhecida popularmente como cumandá, hua-capurana, acapurana, acapu-do-igapo, apikara, caacapoc, cumandá e gapo. Suas sementes são muito utilizadas como alimento e vários estudos já descreveram seu potencial nutricional (Barreiro et al., 1984a; 1984b; Sanchéz et al., 1987).

Fitoquímica

Os extratos hidroalcoólicos obtidos das cascas e folhas de H. sucuuba (EHSF) e das cascas de C. comosa (EHCC) foram analisados para se conhecer o perfil de seus metabólitos secundários por meio de técnicas cromatográficas de acordo com Markhan (1982), Wagner & Bladt, (1996) e Abreu (2000). As análises cromatográficas utilizadas não revelaram a presença de alcalóides e cumarinas nestes extratos. Entretanto, a presença de compostos fenólicos foi detectada na maioria dos extratos. Os flavonóides foram detectados em todos os extratos, com maior intensidade nas folhas de H. sucuuba. Taninos foram detectados em ambas as cascas de H. sucuuba e C. comosa, com maior intensidade em sucuuba. Os iridóides e triterpenóides foram detectados em ambas as partes de H. sucuuba, sendo que o primeiro foi detectado com maior intensidade nas cascas.

Farmacologia

Os animais que receberam o EHSF 100 e 1000 mg/kg (i.p. e v.o., respectivamente) apresentaram ataxia, piloereção, ptose palpebral, redução do número de bolos fecais, sedação e diminuição da atividade motora. Já os animais que receberam o EHSC, em todas as doses testadas apresentaram sedação e diminuição da atividade motora, sendo que na dose 100 mg/kg (i.p.) apresentaram redução do número de fezes e contorções abdominais. Os animais que receberam EHCC (ip) em todas as doses testadas apresentaram contorções abdominais, diminuição da atividade motora e sedação.

Nenhum dos extratos nas doses testadas alterou o tempo de permanência dos animais sobre a barra giratória no teste do rota-rod (dados não mostrados). Os animais que receberam o EHSF e EHCC 500 mg/kg, oral apresentaram uma diminuição estatisticamente significativa da atividade motora aos 60, 90 e 120 min (p<0,05). EHSF 300 mg/kg, produziu uma diminuição significativa dos 90 aos 120 min de observação (p<0,05), e o EHSC 300 mg/kg produziu uma diminuição significativa somente aos 90 min (p<0,05) (Figura 3). Não houve diferença entre o grupo controle (água) e os grupos testados quanto ao tempo de latência de camundongos sobre a placa quente, nem sobre o tempo de retirada da cauda dos animais no teste do tail flick (dados não mostrados). No teste de indução de contorções abdominais por ácido acético, conforme Figura 4, os EHSF 300 e 500 mg/kg, bem como os EHCC 300 e 500 mg/kg diminuíram o número de contorções abdominais.

 

 

 

 

DISCUSSÃO

No caso da sucuuba, os dados etnofarmacológicos encontrados para esta espécie na literatura já foram previamente descritos pela farmacologia nos seguintes usos: para tratar feridas (Villegas et al., 1997), tumor (Wood et al., 2001), gripe (Souza et al., 2006), leishmaniose (Castillo et al., 2007), dor, artrite, inflamação (Silva et al., 1998a; Miranda et al., 2000) e como antifúngica (Silva et al., 1998b). Entre os dados obtidos junto aos caboclos do PNJ, houve concordância apenas quanto ao uso do látex para "rasgadura" (dor nas costas), descrito por Miranda et al. (2000). A literatura relata também baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica dessa planta em ratas, indicando que seu consumo é seguro na espécie humana no tratamento de gastrites e hemorróidas (Guerra & Peters, 1991). Embora a cumandá tenha sido indicada para dor de dente (decocto de folha ou casca) pelos caboclos, nenhum dado etnofarmacológico foi encontrado na literatura para essa planta, tampouco estudo farmacológico comprovando aquele uso.

Os resultados fitoquímicos encontrados na partes das plantas investigadas neste estudo estão de acordo com os descritos na literatura. Assim, os triterpenos e iridóides detectados neste estudo nos extratos hidroalcoólicos de cascas (EHSC) e folhas (EHSF) de sucuuba são corroborados com os descritos nas frações hexânicas do látex por Miranda et al. (2000) e das cascas do caule por Silva et al. (1998a), respectivamente.

Compostos fenólicos são raramente descritos na literatura para ambas as espécies. No entanto, detectamos nos extratos de H. sucuuba (EHSC e EHSF) e C. comosa (EHCC) iridóides, flavonóides e taninos. Amaral et al. (2007) descrevem a presença de flavonol, ácidos cinâmicos e iridóides em H. sucuuba. Entretanto, inexistem relatos sobre os compostos fenólicos em C. comosa.

Apocynaceae é uma família caracterizada pela ocorrência freqüente de estruturas alcaloídicas. No entanto, na literatura não há relatos para a presença deste composto para H. sucuuba. Entretanto, são comprovadas as atividades gastroprotetivas para os alcalóides indólicos de H. lancifolius (Baggio et al., 2005). Neste estudo foi utilizado um extrato hidroalcoólico e possivelmente por esta razão não foram detectados estes compostos nesta espécie. Fabaceae também é uma família com ocorrência de alcalóides, entretanto talvez pelo mesmo motivo alegado anteriormente, não foram detectados alcalóides no extrato de C. comosa. A literatura não menciona muitos relatos sobre a química do gênero Campsiandra, não permitindo avaliar o potencial desta espécie.

Num artigo de revisão, Rodrigues et al. (2006) observaram o predomínio de alcalóides, triterpenóides, compostos fenólicos e cumarinas entre as plantas indicadas como analgésicas por 26 etnias indígenas do Brasil. Se considerarmos esse fato, os extratos testados no presente estudo estariam dentro das expectativas de plantas analgésicas, conforme observado para os EHSF e EHCC.

Os efeitos farmacológicos do EHSF demonstraram que para as maiores doses (1000 mg/kg, v.o. e 100 mg/ kg, i.p.) os animais apresentaram sinais que evidenciam uma atividade depressora sobre o sistema nervoso central (SNC), tais como: ptose palpebral, sedação e diminuição da atividade motora (dados qualitativos); e alguns sinais de toxicidade, tais como: ataxia, piloereção e redução de bolos fecais. O EHSC foi mais bem tolerado do que o EHSF, pois demonstrou redução do número de bolos fecais e contorções abdominais somente para a maior dose por via intraperitoneal. Todos os extratos testados não alteraram a coordenação motora dos animais no teste do rota-rod, sugerindo ausência de atividade miorrelaxante. No teste da atividade motora foi demonstrada uma redução da ambulação dos animais para todos os extratos testados, corroborando com a hipótese de ação depressora sobre o SNC.

Não houve diferença estatística significativa entre os grupos tratados e o grupo controle no teste da placa quente, nem no teste do tail flick, indicando que estas plantas não possuem efeito antinociceptivo central, uma vez que estes testes são sensíveis para detectar drogas analgésicas de ação central (Almeida & Oliveira, 2006).

Em relação ao teste de contorções abdominais houve diminuição deste parâmetro sugerindo ação antinociceptiva periférica para as folhas de sucuuba (EHSF) e casca de cumandá (EHCC). Miranda et al. (2000) estudando os triterpenos da fração hexano da sucuuba, também demonstraram as atividades antiinflamatória e analgésica do seu látex. Ainda, Silva et al. (1998a), evidenciaram as atividades antiinflamatória e analgésica dos iridóides presentes na casca e no látex desta planta; bem como o efeito cicatrizante do decocto de sua casca (Villegas et al., 1997). Nenhuma atividade farmacológica relacionada foi encontrada para a cumandá.

Com estes resultados pode-se concluir que os dois extratos testados (EHSF e EHCC) apresentam atividade antinociceptiva periférica, confirmando o uso popular, uma vez que os moradores do Parque Nacional do Jaú relatam que o decocto da casca do cumandá é muito útil contra a dor de dente. Também a indicação de que a folha da sucuuba seria "remédio mais forte em relação à casca", foi confirmada nos resultados obtidos no presente estudo; porém, nenhum efeito foi observado no extrato das suas cascas - o que de certa forma contradiz o uso popular e resultados farmacológicos prévios observados para esta parte da planta. Silva et al. (1998a) encontraram atividade analgésica nos iridóides das cascas da sucuuba, enquanto o extrato testado, EHSC também apresentava iridóides, porém nenhuma atividade analgésica.

Estudos adicionais através de outros modelos farmacológicos são necessários para caracterizar melhor os efeitos das plantas estudadas. Além disso, outros extratos destas plantas estão sendo testados pelo mesmo grupo de trabalho, a fim de aprofundar os conhecimentos acerca do perfil farmacológico destas espécies.

 

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq e à CAPES, pelas bolsas de pesquisa; à ONG Fundação Vitória Amazônica, pelo apoio logístico que possibilitou o trabalho de campo do levantamento etnofarmacológico em 1995, à AFIP pelo suporte para os estudos farmacológicos e fitoquímicos. Ao Dr. Fúlvio R. Mendes e à Lyvia Izaura G.P. Freire e ao técnico Cristiano Rezende, pelo auxílio nos estudos farmacológicos. Aos moradores do PNJ, por terem concedido seus conhecimentos através desse trabalho. Ao técnico do INPA, José Lima dos Santos pelas identificações taxonômicas e finalmente, ao Prof. Dr. João Batista Calixto pela colaboração neste trabalho.

 

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