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Sociedade e Estado

Print version ISSN 0102-6992

Soc. estado. vol.19 no.1 Brasília Jan./June 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69922004000100001 

Editorial

 

 

Violências e conflitualidades é o título deste número, retomando uma temática que já foi objeto de reflexão da revista Sociedade e Estado há quase dez anos. Infelizmente, o tema continua atual, da mesma forma que a necessidade de se aprofundar o debate e a reflexão sobre ele. Não que essa seja uma questão pouco focada. Pelo contrário, não há um só dia em que manifestações de conflito e episódios de violência não ocupem os meios de comunicação de massa, não povoem as conversas e a imaginação de pessoas das mais diferentes inserções sociais, milhares de homens e mulheres que se vêem, de uma forma ou de outra, confrontados pela violência, real ou representada.

Voltando mais uma vez a esse assunto, a revista se propõe a contribuir para aprofundar e aperfeiçoar a discussão e para situar a especificidade do olhar sociológico ante os muitos outros olhares que se detêm sobre a questão. Isso porque, vale repetir o que dissemos na apresentação do primeiro número: hoje, como ontem, a realidade desafia e provoca a imaginação sociológica e a ciência precisa estar atenta para cumprir os requisitos demandados para garantir a legitimidade de seu discurso.

A dificuldade que a questão apresenta é a de que, não sendo conceito sociológico mas problema empírico, a violência ( muito mais do que o conflito) necessita ser construída como tal, mantendo sua especificidade e, apenas nessa condição, contribuindo, eventualmente, para esclarecer ou subsidiar a ação, aí compreendidas as políticas públicas para a área de segurança.

Os textos que os leitores têm em mãos e que vão de conteúdos de natureza mais teórica a análises mais voltadas à compreensão de tal ou qual contexto empírico, contemplam autores brasileiros e estrangeiros e contribuem para a consolidação de um campo específico do conhecimento ao qual hoje já se pode, certamente, nomear como o da sociologia da violência e da conflitualidade.

Aproveito este momento para agradecer a todos os que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste número, sobre tudo, e muito particularmente, aos autores e pareceristas, e à professora Maria Stela Grossi Porto, que foi a principal responsável pela organização deste número.

 

Lourdes Bandeira