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Sociedade e Estado

versão impressa ISSN 0102-6992

Soc. estado. v.21 n.3 Brasília set./dez. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69922006000300014 

RESUMOS DAS TESES E DISSERTAÇÕES APRESENTADAS NO PPG-SOL/UnB DE SETEMBRO A DEZEMBRO DE 2006
TESES

 

Somos todos brasileiros? Estudo sociológico sobre a moderna divisão do trabalho social brasileira: trajetórias ocupacionais de trabalhadores brasilienses da construção civil – 1992/2003

 

 

Marcelo Alvares de Sousa

Curso: Doutorado em Sociologia
Data da defesa: 26 de abril de 2006
Orientadora: Profª Dª Christiane Girard Ferreira Nunes

 

 

RESUMO

O tema da pesquisa é o moderno vínculo social brasileiro e suas tendências contemporâneas de evolução, do ponto de vista da divisão do trabalho social. O estudo da integração social e sistêmica em sociedades individualistas modernas possibilitou ressaltar especificidades da constituição da moderna sociedade brasileira. As sociedades européias tenderam a estruturar-se com base no individualismo moral, na divisão do trabalho social e em sistemas de cidadania social. Por sua vez, a modernidade brasileira caracterizou-se pelas instituições da cordialidade, subdesenvolvimento e cidadania regulada. Brasília simbolizou seu projeto de modernidade.
A perda contemporânea de centralidade do trabalho implicou para as sociedades modernas européias a ruptura do pleno emprego como padrão de divisão do trabalho social. Esse processo acentuou os limites da ideologia individualista e dos sistemas de cidadania social para garantir o vínculo social europeu contemporâneo. A existência de supranumerários sugere uma evolução do trabalho europeu em direção a uma estrutura análoga ao subdesenvolvimento do trabalho brasileiro.
Para a sociedade brasileira, a reestruturação contemporânea do trabalho implicou a renovação de sua estrutura hierárquica moderna. A análise da trajetória ocupacional de trabalhadores brasilienses da construção civil entre 1992-2003, por meio do indicador de capital ocupacional, identificou a precarização generalizada das ocupações não-regulamentadas como uma das características da reestruturação contemporânea do trabalho no Brasil. A manutenção e aprofundamento da estrutura de subdesenvolvimento e segmentação de sua divisão do trabalho ensejam indagações sobre as tendências da autoprodução contínua da sociedade brasileira contemporânea, em particular no que tange aos limites da ideologia da cordialidade e de sua estrutura de subdesenvolvimento e segmentação sistêmica.

Palavras-chave: Brasil, cidadania, trabalho, trajetórias ocupacionais, capital ocupacional, Brasília, construção civil, Émile Durkheim.