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Sociedade e Estado

versão impressa ISSN 0102-6992

Soc. estado. vol.27 no.1 Brasília jan./abr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69922012000100001 

Editorial

 

 

Lourdes Bandeira; Sergio B. F. Tavolaro; Tânia Mara C. Almeida

 

 

Na reconhecida tradição da revista Sociedade e Estado, este número traz ao público leitor um conjunto variado de artigos, os quais contemplam temas caros às ciências sociais contemporâneas.

Sob a coordenação de Elizabeth Balbachevsky, o dossiê "Ciência, inovação e sociedade: novas abordagens temáticas" congrega seis trabalhos, originalmente apresentados no último encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), voltados às inúmeras facetas da relação ciência e sociedade no Brasil. Poderá se notar que atenção especial é devotada, justamente, ao papel da universidade nesse momento chave de redefinição da política científica nacional. As autoras e autores do dossiê refletem acerca da importância que a gestão organizacional de instituições de Ensino Superior no Brasil demonstra ter sobre a performance dos/as graduados/as em sua inserção no mercado de trabalho. No mesmo campo temático, as/os leitoras/es terão oportunidade de acompanhar interessantes análises a respeito das complexas relações existentes entre a construção de carreiras acadêmicas e os espaços institucionais em que estas se formam e se consolidam. Não menos importante, são também examinadas algumas das diferentes estratégias que instituições nacionais de pesquisa têm adotado para se adequar às recentes transformações e reconfigurações observadas nas políticas de ciência, tecnologia e inovação.

Ainda no dossiê "Ciência, inovação e sociedade", as/os leitoras/es são apresentadas/os a investigações relativas a alguns dos novos papéis que a universidade brasileira é chamada a protagonizar com vistas à sua maior participação nos sistemas de inovação científica e tecnológica do país. Através de estudos de caso que contemplam distintas instituições de Ensino Superior, localizadas em diferentes regiões do território nacional, poderá se perceber os desafios enfrentados nos processos de internalização de conceitos, lógicas e padrões de funcionamento que, há não muito tempo, lhes eram relativamente estranhos. Nesse sentido, discute-se o desenvolvimento de parcerias entre universidades e empresas públicas e privadas, os incentivos implementados com vistas ao sucesso desses intercâmbios em torno da produção de conhecimento, bem como os diversos aspectos implicados nos casos bem sucedidos de "sinergia" entre a academia e o setor produtivo. Por fim, o dossiê apresenta uma interessante consideração acerca dos efeitos dessa mesma redefinição da produção científica nacional sobre a política federal de apoio e financiamento à pesquisa.

Na seção de artigos desse número, a Sociedade e Estado traz dois trabalhos teóricos bastante estimulantes. Em El reverso de la ciudadania tradicional: la centralidade desentrañada, Maria Concepcion Delgado Parra propõe uma reflexão a um só tempo crítica e criativa a respeito de experiências de cidadania distintas de sua modalidade associativista. A autora desenvolve uma abordagem que almeja estabelecer um diálogo entre, de um lado, a tradição racionalista centrada no ser humano universal e, de outro, uma perspectiva preocupada com o reconhecimento da diferença. Sua intenção é reunir elementos que a capacitem desvelar um paradoxo embutido no princípio da igualdade perante a lei, qual seja, a contradição "inclusão-exclusão". O exame crítico dessa problemática conduz Maria Concepcion a empregar a categoria "nomadismo contemporâneo", originalmente construída no seio da teoria pós-colonial, permitindo-lhe, dessa maneira, jogar luz sobre as margens da ordem instituída.

No segundo artigo, intitulado Envelhecimento populacional, cuidado e cidadania: velhos dilemas e novos desafios, Berlindes Astrid Küchemann examina o acelerado processo de envelhecimento da população brasileira e as correlatas necessidades e demandas sociais. Sua finalidade é mostrar que, dentre os inúmeros desafios a serem enfrentados por meio de respostas políticas adequadas a esse fenômeno, encontra-se a questão do cuidado. Embora haja um tripé de corresponsabilidades pelo cuidado, definido pelas políticas públicas de proteção e apoio aos/às idosos/as, que se centra em três atores sociais ‒ família, Estado e sociedade ‒, a articulação entre eles não ocorre na prática. O cuidado tem recaído primordialmente sobre o âmbito privado e, neste, sobre as mulheres. Tal formulação do problema leva a autora a evidenciar a inadequação desse modelo e, por conseguinte, a apresentar as possibilidades de outro parâmetro, o qual permita um envelhecimento com cidadania dentro de um contexto em que o tripé atue de modo mais equilibrado.

O presente número da revista é, ainda, composto por três resenhas que se propõem a apresentar ao público leitor apreciações críticas acerca de livros publicados nos últimos anos, cujas temáticas variadas sãoigualmente pertinentes às ciências sociais contemporâneas: trabalho, meio ambiente e religião.

Nas últimas páginas desta edição da revista, encontram-se os resumos de duas teses de doutorado e uma dissertação de mestrado, defendidas no período de setembro de 2011 a abril de 2012, no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de Brasília (PPGSOL/UnB).

Devemos, finalmente, informar às/os leitoras/es que este número de Sociedade e Estado traz uma nova composição editorial, a partir de agora responsável pela condução dos trabalhos de organização e administração da revista no decorrer dos próximos dois anos. Queremos agradecer os colegas editores que, após cumprirem com notável seriedade e competência essas tarefas, deixam-nos a importante missão de honrar a tradição de qualidade científica e acadêmica desta revista.