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Sociedade e Estado

versão impressa ISSN 0102-6992

Soc. estado. vol.27 no.2 Brasília maio/ago. 2012

https://doi.org/10.1590/S0102-69922012000200001 

Editorial

 

 

Lourdes Bandeira; Sergio B. F. Tavolaro; Tânia Mara C. Almeida

 

 

O segundo número do presente ano de Sociedade & Estado trouxe-nos uma grata satisfação em sua organização. Deparamo-nos, ao início de sua preparação, com um conjunto de oito artigos de excelente qualidade, praticamente pronto para a publicação. Embora, em uma primeira leitura, possa se esboçar um fio de aproximação entre a maior parte deles, pela Sociologia Política, não se trata de um dossiê temático, tradição de nossa revista. Na verdade, reunimos trabalhos com diferentes focos, abordagens e perspectivas conceituais, argumentativas e investigativas. Essa variedade atende a diferentes interesses por objetos de estudos no campo das ciências sociais, dando-nos a certeza de que atingiremos um variado e exigente público com essa seleção.

A ordem em que os artigos se encontram dispostos é aleatória, não havendo classificação entre eles. O primeiro, de autoria de João Carlos Soares Zuin, intitula-se Paulo Emílio Salles Gomes: a compreensão da realidade brasileira através da crítica de cinema. Em linhas gerais, seu objetivo é compreender o papel intelectual desempenhado pelo crítico de cinema do jornal O Estado de São Paulo, Paulo Emilio Salles Gomes, nos anos 50 do século passado. Para tanto, o autor se ateve ao processo político e cultural voltado para a construção de um país democrático, que se desdobrava nas análises sobre o cinema e a sociedade, nas décadas de 1960 e 1970.

O segundo artigo refere-se às articulações da cultura política tradicional, "Cultura Cívica", e da "Nova Cultura Política" (NCP) no espaço metropolitano. De autoria de Léa Guimarães Souki, A Convivência de Diferentes Culturas Políticas no Espaço Metropolitano tenta responder à seguinte questão de fundo: faz sentido, em um país com pouco tempo de existência da democracia e com as características do Brasil, elaborar um conceito para apreender a NCP, suficientemente adaptado às nossas idiossincrasias? Para tanto, empreendeu uma discussão teórica e metodológica sobre o conceito de cultura política, assim como acerca de uma nova concepção de NCP adequada a uma cultura metropolitana democrática recente.

O artigo seguinte, Participação Política: uma revisão dos modelos de classificação, de Julian Borba, realiza um mapeamento da bibliografia internacional sobre as tipologias classificatórias das modalidades de participação política. Os desdobramentos de tal debate contribuem para o aperfeiçoamento da capacidade analítica em perceber as transformações no universo da participação. Em particular, o artigo faz um conjunto de proposições teórico-metodológicas para o avanço das pesquisas na área.

Luiz Mello, Bruno Rezende de Avelar e Daniela Maroja, em Por onde andam as Políticas Públicas para a População LGBT no Brasil, analisam a efetividade dos planos, programas e conferências produzidos e realizados pelo governo federal, no processo de elaboração de políticas públicas para os/as LGBTs no país. O artigo critica quatro documentos voltados à promoção dos direitos humanos e cidadania desse grupo - "Programa Brasil Sem Homofobia", "Anais da I Conferência Nacional LGBT", "Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT" e "Programa Nacional de Direitos Humanos 3" -, levando em conta entrevistas com gestoras/es e representantes da sociedade civil.

Por um Olhar Inverso: prismas e questões de pesquisa sobre a Economia Solidária, de Luiz Inácio Germany Gaiger, discute frentes de trabalho no campo da Economia Solidária, identificadas a partir de disciplinas vizinhas à Sociologia e a partir do "Mapeamento Nacional da Economia Solidária no Brasil". Apresenta aspectos do padrão de pesquisa vigente nesse campo e propõe bases para um delineamento investigativo com maior amplitude cognitiva, em especial no sentido de reconhecer os fatores essenciais da Economia Solidária e a sua irredutibilidade à dimensão econômica.

O sexto artigo, O Pensamento Social e Político Latino-Americano: etapas de seu desenvolvimento, traça um panorama histórico desse pensamento, tendo como referência cronológica a independência dos países, a esquerda nascente e os nacionalismos, a emergência do desenvolvimentismo e do dependentismo e, por fim, o pós-colonialismo. Conforme esclarece a autora, Simone Rodrigues Pinto, não se trata de descrever exaustivamente suas principais correntes e teorias, mas difundir escritos e escritores de maior destaque, a partir do conhecimento das etapas de seu desenvolvimento.

Marcelo C. Rosa também se lança à defesa de uma linha de pensamento, com o artigo A Terra e seus Vários Sentidos: por uma Sociologia e Etnologia dos moradores de fazenda na África do Sul contemporânea.

Resultado de pesquisas com o Landless People's Movement (África do Sul), o artigo traz à tona a complexa e antiga relação entre os trabalhadores rurais de fazendas de brancos e as terras em que vivem. A partir de dados bibliográficos, fontes documentais e trabalho de campo, observa-se que tais pessoas compõem uma categoria fluida, do ponto de vista das políticas de restituição, reforma e direito à terra. Trata-se de uma problemática que atinge a ONGs, cientistas e movimentos sociais, uma vez que esse grupo não se enquadra exatamente entre os camponeses, os trabalhadores rurais ou aqueles pertencentes às categorias da etnologia africana clássica.

No encerramento do bloco de artigos, a revista traz o artigo de Celi Scalon e André Salata, Uma Nova Classe Média? O Debate a partir da perspectiva sociológica. A pergunta sobre o surgimento de uma nova classe média, de acordo com apontamentos de economistas brasileiros, é respondida sob a perspectiva sociológica dos estudos de classe e em comparação aos estudos econômicos fundamentados na renda. Dados das PNADs 2002 e 2009 são utilizados para fundamentar a afirmação de que alterações na estrutura de classes no país não foram suficientes para ratificar a ideia de uma nova classe ou de um crescimento na classe média tradicional.

Nas sessões finais, são apresentadas duas resenhas: uma da obra de Elder Patrick Maia Alves, A Economia Simbólica da Cultura Popular Sertanejo-Nordestina, escrita por Bruno Gontyio do Couto, e outra sobre a obra André Gorz, um pensador para o século XXI, escrita por Valéria A. Gentil-Nugent. Resumos de teses de doutorado e dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de Brasília (PPGSOL/UnB), defendidas no primeiro semestre de 2012, são encontrados nas últimas páginas deste número.

Salientamos, ainda, a valiosa contribuição que os/as pareceristas têm fornecido à Sociedade & Estado, emitindo suas apreciações dos textos que nos chegam. A leitura minuciosa e respeitosa com que realizam seus pareceres vem colaborando para o reconhecimento e o prestígio alcançados hoje pela revista, bem como vem colaborando com a ampliação do diálogo em meio à comunidade acadêmica, o qual se estabelece desde os bastidores da preparação de cada número.

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