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Sociedade e Estado

versão impressa ISSN 0102-6992

Soc. estado. vol.27 no.3 Brasília set./dez. 2012

https://doi.org/10.1590/S0102-69922012000300001 

Editorial

 

 

Lourdes Bandeira; Sergio B. F. Tavolaro; Tânia Mara C. Almeida

 

 

Neste último número de 2012, a Sociedade e Estado traz ao público um conjunto de trabalhos expressivos da qualidade acadêmica da revista, bem como do espírito plural que orienta sua linha editorial. Primeiramente, temos a grata satisfação de premiar a/o leitor/a com um dossiê que revisita o pensamento cosmopolita do renomado sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1900). Sob a organização de Andréa Borges Leitão (UFC) e Edson Farias (UnB), acompanhado de um trabalho inédito no Brasil do próprio autor de O processo civilizador, o dossiê "Reinventar Norbert Elias" inclui cinco instigantes artigos, reveladores da ousadia e alcance de suas reflexões. Mais que uma mera homenagem ao célebre autor de Sociedade de corte, A sociedade dos indivíduos, Os alemães, Os estabelecidos e os outsiders, dentre tantas obras de fôlego indiscutível, os artigos reunidos neste número constituem um verdadeiro testemunho à sua atualidade tanto quanto ao seu vigor analítico diante da realidade social contemporânea, em suas inúmeras facetas e dimensões.

A seção de artigos se inicia com uma singela e merecida homenagem póstuma a Fernando Correia Dias, que foi, por longos anos, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). De autoria de Mariza Veloso, o texto relembra a ousadia acadêmica do Professor Fernando Dias, seu espírito desbravador, sendo responsável por expressivo legado nas ciências sociais brasileiras. Notório intelectual, admirado e respeitado por seus colegas e estudantes, o Professor Fernando formou inúmeras gerações de cientistas sociais da UnB. A ele também devemos a abertura e consolidação de novas áreas de investigação na Sociologia brasileira. A revista Sociedade e Estado sente-se honrada pela oportunidade de homenagear uma figura tão ilustre que jamais deixará de ser associada a esta casa.

Outros cinco artigos fazem parte do presente número. A partir de perspectivas teórico-metodológicas bastante diversas, todos esses trabalhos contemplam temas que permeiam a agenda contemporânea das ciências sociais. No artigo "Estado, mercado e os índices de sustentabilidade", Marina de Souza Sartore propõe uma abordagem sociológica que, a despeito de não abrir mão da utilização de índices – compreendidos como instrumentos analíticos de pesquisa essenciais –, avance no sentido de refletir sobre como a sociedade é reorientada e reconfigurada a partir desses mesmos índices. A proposta da autora, construída a partir de diálogos com obras de Foucault, Hacking, Porter, Desrosières e Goede, chama atenção para "o surgimento dos índices de sustentabilidade na esfera pública e particularmente na esfera financeira, vistos como possíveis elementos centrais para a compreensão das atuais configurações de poder na sociedade brasileira".

Já o artigo de Lucimare Ferraz e Mara Gomes, intitulado "Uma existência precarizada: o cuidado da prole no trabalho de catação de material reciclável", investiga a precocidade com que crianças e jovens brasileiros/os de baixa renda são inseridos/as no mercado de trabalho informal pelos próprios pais. A partir de uma pesquisa qualitativa realizada entre mães e pais envolvidos em atividades de catação de lixo, na cidade de Chapecó (SC), as autoras revelam os principais motivos que os conduzem a assim proceder, bem como as complexas relações sociais que subjazem esse cenário.

Em outro registro temático e metodológico, Enrique Pastor Seller, no artigo "Sustentabilidad, impacto y eficácia de las políticas sociales municipales mediante la democratización e implicación social", propõe-se realizar uma avaliação crítica das oportunidades de participação social na implementação de serviços sociais. À luz de experiências que tiveram lugar na região de Murcia (Espanha), o autor revela-se interessado não só em considerar as efetivas contribuições dessas experiências com vistas ao aprofundamento da governança local e de processos democratizantes da dinâmica político-administrativa, como também apreciar algumas de suas mais notáveis limitações.

No artigo seguinte, "Ocupação de cargos e funções públicas e candidaturas eleitorais", Odaci Luiz Coradini aborda as implicações e os impactos que a ocupação prévia de cargos públicos demonstra ter nas possibilidades recentes de candidatura e eleições no Brasil. O autor busca demonstrar que essa ocupação exerce uma influência condicionante expressiva em parte importante das candidaturas. Conforme quer salientar o autor, "Na medida em que o exercício prévio de cargo público passa a ser um recurso eleitoral, entra em pauta mais diretamente o problema das relações entre legitimidade social, modalidades de engajamento e militantismo e legitimidade política".

Por fim, apoiado em dados empíricos elucidativos, o artigo de Reginaldo Guiraldelli, "Adeus à divisão sexual do trabalho? Desigualdade de gênero na cadeia produtiva da confecção", argumenta que a distribuição de ocupações naquele setor produtivo tende a reforçar a divisão sexual do trabalho. Isso ocorre na medida em que formas tradicionais de categorização de funções produtivas, concebidas em linhas de gênero, tornam a ser empregadas nos processos de distribuição e alocação das atividades entre mulheres e homens. Segundo o autor, essa prática "reforça os espaços ocupacionais de homens e mulheres no mundo do trabalho que são, muitas vezes, associados à força física e demais habilidades que servem como mecanismos para solidificar relações de gênero hierarquizadas".

O presente número inclui, ainda, uma resenha de Pedro Alves Borges, do livro O impasse da política urbana no Brasil, de Ermínia Maricato (Petrópolis: Vozes, 2011), além dos resumos das dissertações e teses defendidas no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de Brasília, no segundo semestre de 2012.

Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todas e todos que colaboraram sobremaneira com a revista Sociedade & Estado, ao longo de 2012. Pareceristas, leitoras/leitores, agências de fomento, o Departamento de Sociologia e o Programa de Pós-Graduação em Sociologia (ambos da Universidade de Brasília), bem como o Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, foram fundamentais para que este corpo editorial mantivesse a tradição de qualidade da revista neste seu primeiro ano de atuação e, por conseguinte, honrasse sua posição de prestígio nas ciências sociais brasileiras.

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