SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.28 número1Quando há artificação? índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Sociedade e Estado

versão impressa ISSN 0102-6992

Soc. estado. vol.28 no.1 Brasília jan./abr. 2013

https://doi.org/10.1590/S0102-69922013000100001 

Editorial

 

 

Lourdes Bandeira; Sergio B. F. Tavolaro; Tânia Mara C. Almeida

 

 

Neste vigésimo oitavo ano de publicação ininterrupta de Sociedade & Estado, iniciamos seu volume com mais um conjunto relevante de artigos para o campo das Ciências Sociais e áreas afins. Variadas temáticas e perspectivas teórico-metodológicas encontram-se ora reunidas, sob a autoria de já consagrados/as pensadores/as juntamente com outros/as que vêm se revelando notáveis pesquisadores/as brasileiros/as e estrangeiros/as.

À frente de uma série de traduções de artigos recentes e de valor reconhecido internacionalmente, o que pretendemos tornar constante em nossa coleção, temos a grata satisfação de apresentar Quando há artificação?, de Roberta Shapiro (Institut Interdisciplinaire d'Anthropologie du Contemporain, da École des Hautes Etudes en Sciences Sociales/Paris, França) e Nathalie Heinich (Centre National de la Recherche Scientifique, Centre de Recherches sur les Arts et le Langage e École des Hautes Etudes en Sciences Sociales/Paris, França). Publicado originalmente em abril de 2012, no volume especial 4 de Contemporary Aesthetics, esse artigo de Sociologia da Arte oferece o quadro teórico de referência ao conceito de "artificação", buscando responder à questão sobre como são criadas obras de arte e como ocorre o processo de transformação da não arte em arte. Trata-se de uma interessante abordagem pragmática e empírica, que possibilita a elaboração de uma tipologia das formas de "ratificação", "desertificação" e impedimentos à "ratificação". Em linhas gerais, as autoras empenham-se em descortinar a gênese do que é tido como arte e suas condições de existência.

Em seguida, contamos com um conjunto de seis artigos, recebidos por fluxo contínuo e submetidos a rigorosos critérios de avaliação por pares. Vale dizer, tal processo tem recebido tratamento meticuloso, muitas vezes repleto de idas e vindas de observações e exigências, até que seja alcançada a versão final dos textos. Ressaltamos que a colaboração de todos/as os/as envolvidos/as nesse processo tem sido de valiosa contribuição para diminuirmos o tempo entre o recebimento dos artigos e sua publicação. Esse cuidado especial vem possibilitando-nos oferecer ao público um periódico com perfil bastante atualizado da produção científica contemporânea.

Celene Tonela (UEM), em Políticas Urbanas no Brasil: marcos legais, sujeitos e instituições, enfoca as alterações sofridas pelo "direito à moradia digna na cidade" nestes 30 anos, tanto em seus marcos regulatórios como na dinâmica conflitiva das instituições e sujeitos situados na sociedade civil e no Estado. A autora analisa processos democráticos participativos, como conselhos e conferências, bem como os impactos da consolidação de uma legislação específica e as restrições da política urbana em vigor. Nessa mesma temática da democracia participativa e dos movimentos sociais contemporâneos, o artigo seguinte intitula-se Democracia Participativa e Processo Decisório de Políticas Públicas: A influência da campanha Contra a AlCA. A autora, Suylan de Almeida Midlej e Silva (UnB), traz à discussão a influência da Campanha Nacional contra a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), realizada de 2002 a 2006, enfocando a inédita participação social no âmbito da política externa brasileira.

O kuduro como expressão da juventude em Portugal: estilos de vida e processos de identificação, de Frank Marcon (UFS), debruça-se sobre um estilo angolano de dança e música que chegou a Portugal nos anos 1990. Por intermédio de trabalho etnográfico, desvenda-se como tal estilo passa a fazer parte do consumo e da produção cultural juvenil da periferia da capital portuguesa, em meio a fluxos transnacionais de pessoas, dinâmicas de identidades sociais e tensões de diversas ordens.

Em autoria conjunta, Mariana Bonomo (UFES), Lídio de Souza (UFES) (In Memoriam), Giannino Melotti (Universidade de Bolonha/Itália) e Augusto Palmonari (Universidade de Bolonha/Itália) elaboraram o artigo Princípios Organizadores das Representações Sociais de Rural e Cidade. Trata-se de uma reflexão interdisciplinar no campo da Psicossociologia, em busca de se apreender os princípios organizadores da identidade social de um grupo rural, os quais são capazes de produzir equilíbrio interno e delimitar seu espaço simbólico de pertencimento.

Armamento é Direitos Humanos: nossos fins, os meios e seus modos foi escrito por Jacqueline de Oliveira Muniz (IUPERJ/ UCAM) e Domício Proença Júnior (CUFRJ e UFRJ). Grosso modo, esse artigo parte da ideia de que a capacidade coercitiva da polícia é a condição de possibilidade de sua instrumentalidade política para a defesa dos direitos humanos e de sua governança. Nesse sentido, os principais objetos de reflexões são, de um lado, a tensão entre universalidade e localismo no instrumento policial e, de outro, a integralidade de fins e meios na defesa e segurança pública – duas instâncias em que o uso de força tem lugar.

O último artigo deste conjunto, intitulado Ecologia Política e Processos de Territorialização, de Roberto de Sousa Miranda (UFCG), volta-se a uma ecologia política, associada à noção de projetos territoriais vistos em cenários conflitivos de estratégias políticas, orientadas por atividades econômicas que articulam atores sociais e ambientes. O trabalho enfoca complexos e históricos processos de territorialização, concebidos enquanto transformações nas diversas formas de apropriação do território e de seus recursos naturais.

Este número de Sociedade & Estado traz um relato de pesquisa, Novos Projetos de Cidadania Biológica: a (re)construção racial dos selves neuroquímicos, desenvolvido por Tatiana Gomes Rotondaro (UFF), além de uma resenha elaborada por Cynthia Sims (UnB). Esta refere-se ao livro do renomado intelectual Zygmunt Bauman, A Ética é possível num mundo de consumidores?, publicado no Brasil em 2011. Na seção final, como de praxe, expomos os resumos das dissertações de mestrado e das teses de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGSOL) da UnB. Tais resumos são relativos a defesas ocorridas em 2012 e 2013.

O presente editorial externa a articulação constante que Sociedade & Estado, nestas quase três décadas de existência, tem buscado realizar entre a tradição e a inovação a cada número. Ambicionamos não só aperfeiçoar nossa conhecida qualidade e relevante expressão dentre os periódicos das Ciências Sociais e áreas afins nacionais e internacionais, como também agregar à revista modernidade visual, gráfica e, recentemente, divulgação nas atuais redes sociais. Parte significativa de sua coleção já se encontra disponível no site do Scielo (www.scielo.br), o qual agora poderá ser acessado diretamente pelo Facebook (http://www.facebook.com/pages/Revista-Sociedade-e-Estado/547927178580898?fref=ts) e pelo link da nova página eletrônica do Departamento de Sociologia da UnB (www.sol.unb.br). Esperamos, portanto, atingir em curto tempo um público cada vez maior e interessado na nossa produção.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons