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Sociedade e Estado

versão impressa ISSN 0102-6992

Soc. estado. vol.28 no.3 Brasília set./dez. 2013

https://doi.org/10.1590/S0102-69922013000300001 

Editorial

 

 

Lourdes Bandeira; Sergio B. F. Tavolaro; Tânia Mara C. Almeida

 

 

O presente número de Sociedade e Estado segue o padrão das edições anteriores ao apresentar um dossiê temático, artigos do fluxo contínuo, resenha e resumos de dissertações e teses defendidas no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UnB (PPGSOL/UnB) no segundo semestre de 2013. A manutenção desse padrão, impresso ao conjunto de reflexões científicas, tem possibilitado alcançar um público com interesse variado e contemplar renomados/as autores/as, cuja divulgação de seus pensamentos originais e inquietos por meio da revista, confere-lhe grande honra. A publicação de artigos estrangeiros também é por ora encontrada em três textos inéditos e no idioma nativo da autoria – francês e espanhol. Por meio desse padrão, cada vez mais, consolidam-se o atual perfil editorial e o movimento de internacionalização da revista.

O dossiê "Trabalho: questões teóricas e práticas", organizado por Sadi Dal Rosso (SOL/ UnB) e Ana Cláudia Moreira Cardoso (Dieese), contribui para a discussão e o delineamento de aspectos extremamente relevantes do trabalho contemporâneo. Composto por uma apresentação esclarecedora e cinco artigos, o dossiê inicia, por intermédio de Henrique Amorim (Unifesp) em "O tempo de trabalho: uma chave analítica". No contexto da pós-grande indústria, o estudo utiliza o conceito de tempo de trabalho da economia clássica para auxiliar na interpretação de questões suscitadas pela automação industrial atual. Em outro momento, o problema do trabalho produtivo e improdutivo emerge, assim como a questão do tempo de trabalho livre, ponta de lança da dita emancipação humana. Por fim, trata do "processo de subalternização da classe trabalhadora", exemplificado pela precarização e intensificação do trabalho, recriação do trabalho escravo e semiescravo, trabalhos temporários e perda de direitos.

O segundo artigo do dossiê, "Idéologies et pratiques managériales – du taylorisme à la précarisation subjective des salariés", assinado por Danièle Linhart (CNRS, GTM-CRESPPA Université Paris 10/Nanterre), refere-se às estratégias gestionárias como elementos ideológicos e controladores da subjetividade dos/as assalariados/ as. Ao recuperar o percurso histórico do tema, os modelos taylorista e fordista, juntamente com seus sistemas de justificação, são abordados. Elementos significativos da prática gestionária francesa são apresentados ao se destacar a participação, a ética de empresa e a valorização da vida íntima. Conclui-se pela existência de um "vale tudo": precarização da subjetividade dos/as assalariados/as, uma vez que a precarização objetiva dos empregos e dos trabalhos já é parte da rotina cotidiana.

Na sequencia, José de Lima Soares (UFG), com o artigo "As centrais sindicais e o fenômeno do transformismo no governo Lula", estuda os processos de fragmentação e transformismo no sindicalismo brasileiro a partir da ascensão ao governo de partidos políticos e organizações sindicais de esquerda. O autor argumenta que tais atores acabaram mantendo políticas favoráveis a poderosos grupos capitalistas no poder contra ações dirigidas à massa da população e da classe trabalhadora. A hipótese do autor para

o fato de que, a despeito desses dois processos em curso, o sindicalismo permanecer com sua capacidade de ação nesta última década deve-se à separação entre movimento sindical e classe, de modo que as injunções do sindicato não se refletem sobre a classe.

"Da precarização do trabalhador portuário avulso e uma teoria da precariedade do trabalho", de Silvia Maria de Araújo (UFPR e Abet), é o quarto artigo do dossiê e, como

o título anuncia, dedica-se à ideia de que a frágil situação de trabalho dos portuários avulsos no país antecede às reformulações políticas neoliberais e estimula a elaboração de uma teoria da precariedade do trabalho. Afinal, a reestruturação organizacional dos portos, a dinâmica tecnológica e um quadro de privatização crescente, com atividade laboral intermitente e condições contratuais instáveis desde os anos 1990, geraram novo referencial para o trabalho, modificando relações técnicas e sociais de categorias históricas nesse universo.

Encerra o dossiê um artigo que se debruça sobre os direitos no trabalho doméstico. "Entre o prescrito e o real: o papel da subjetividade na efetivação dos direitos das empregadas domésticas no Brasil", coautoria de Christiane Girard Nunes (SOL/UnB) e Pedro Henrique Silva (SOL/UnB), volta-se às conquistas jurídicas das empregadas domésticas em solo brasileiro. Mostra, em particular, que a relação entre as trabalhadoras e seus/suas empregadores/as nem sempre é mediada por relações legais, deixando espaços para mecanismos de desigualdades, embates e explorações. Contudo, a aprovação recente pelo Congresso Nacional de legislação, que prevê a equiparação do emprego doméstico às regras do trabalho assalariado, possibilita sanar dívidas históricas.

A sessão de artigos do fluxo contínuo é aberta pelo trabalho de Renato Ortiz (Unicamp), "Imagens do Brasil". Em meio a uma revisão dos autores que constituem a tradição inscrita no pensamento social brasileiro, "nação" e "cultura" são apontadas como duas das mais importantes categorias de análise sobre identidade nacional. Em paralelo, o autor busca pelo sentido desse debate no mundo contemporâneo, uma vez que este tem sido cenário de relevantes transformações ocorridas nas representações simbólicas a respeito de nós mesmos/as.

Os dois próximos artigos, "Entre identidad y diferencia – apuntes para una economía del cuerpo y la ciudad" e "Sacrificio y ciudad. Notas sobre la formación humana en las urbes", respectivamente de Marco A. Jiménez (Unam e UACM) e Ana Maria Valle Vázquez (Unam), discutem a cidade enquanto questão sociológica. Quer seja sobre as imbricações do corpo com a cidade, quer seja sobre os espaços de ritualização sacrificial na cidade, as relações sociais, o dom e as metáforas urbanas são trazidas à tona em ambos os textos.

O par seguinte de artigos também apresenta afinidades ao problematizarem o campo político no país. "Parlamentares × Jornalistas: a dinâmica política das mídias legislativas da Câmara dos Deputados", por Cristiane Brum Bernardes (Cefor/Câmara dos Deputados), e "Duas formas de fazer justiça: a atuação de uma CPI como mediadora em um acordo de paz no sertão pernambucano", por Sheila Maria Doula (UFV) e Leonardo Vilaça Dupin (UFV), tratam de lógicas distintas em negociação e conflito político, mesmo que a partir de distintos objetos de estudo.

Destaca-se a única resenha deste número de Sociedade e Estado, realizada por Luiz Cláudio Moreira Melo Júnior (CDS/UnB): Niklas Luhmann: a sociedade como sistema. De autoria de Leo Peixoto Rodrigues e Fabrício Monteiro Neves e publicada em 2012, tal obra traz contribuição expressiva para o debate da teoria dos sistemas no Brasil e, portanto, seus comentários são bem-vindos.

Nas últimas páginas, o/a leitor/a encontrará os resumos de dissertações e teses mencionados, os quais disponibilizam uma breve síntese do panorama da produção acadêmica dos/as estudantes do PPGSOL/UnB e seus/suas orientadores/as.

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