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Sociedade e Estado

versão impressa ISSN 0102-6992versão On-line ISSN 1980-5462

Soc. estado. vol.35 no.2 Brasília maio/ago. 2020  Epub 04-Set-2020

https://doi.org/10.1590/s0102-6992-202035020005 

Artigos

Fatores preponderantes para a internacionalização docente na pós-graduação em ciências sociais no Brasil

The dominant factors for the internationalization of scholars in social sciences graduate programs in Brazil

João Marcelo Ehlert Maia* 
http://orcid.org/0000-0002-3330-871X

Jimmy Medeiros** 
http://orcid.org/0000-0002-8280-3338

* João Marcelo Ehlert Maia é professor associado da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC da Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro, Brasil. <joao.maia@fgv.br>.

** Jimmy Medeiros é doutor em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador da Escola de Ciências Sociais FGV CPDOC da Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro, Brasil. <jimmy.medeiros@fgv.br>.


Resumo

Nas últimas duas décadas ocorreu uma expansão dos programas de pós-graduação em ciências sociais e, ao mesmo tempo, uma crescente pressão, por parte das agências financiadoras, para a “internacionalização”. Tal processo não é isento de contradições, muitos já apontados na literatura, como a dificuldade de “internacionalizar” programas relacionados às humanidades. Neste sentido, o presente estudo discute os principais fatores explicativos da internacionalização de docentes das ciências sociais. Para tanto, desenvolve uma descrição dos aspectos relacionados à internacionalização da carreira dos professores e, ao final, identifica os fatores preponderantes para este processo, a partir de um survey on-line nacional. Os principais resultados são: realização de pós-doutorado no exterior é mais significativo para internacionalização do que doutorado sanduíche; antropologia tem indicadores de internacionalização maiores do que sociologia e ciência política, embora não seja possível inferir as causas; docentes de programas considerados como periféricos compensam a dificuldade de internacionalização com “estratégias de baixo custo”.

Palavra-chave: Internacionalização acadêmica; Pós-graduação no Brasil; Ciências sociais

Abstract

In the last two decades, graduate programs in social science grew in number, while funding agencies began to push for its ‘internationalization’. This process is highly contradictious, and scholarship demonstrates how difficult it is to internationalize programs in the Humanities’ area. The present study discuss the main explaining factors behind the internationalization of scholars in social sciences. It analyzes a national on-line survey to describe the main aspects related to the internationalization of scholars careers and identify its dominant causes. The main results are the following: doing a post-doc abroad is more important to internationalization than studying for a short-time period during PhD period; The area of anthropology is more internationalized than sociology and political science, though it is not clear which are the causes for this result; professors in peripheral programs employ a low-cost approach to compensate for the lack of internationalization

Key-words: Academic internationalization; Graduate studies in Brazil; Social science

Introdução

A expansão dos programas de pós-graduação em ciências sociais, fenômeno originado na década de 1990 e acentuado nos últimos anos, impulsionou a agenda de pesquisa reflexiva sobre a área. Em coletânea dedicada exclusivamente aos programas da área de sociologia, Maria Stela Porto (2005) apontou para a fragmentação de temas e agendas de investigação, num cenário de pluralismo metodológico constante, enquanto Silke Weber (2005) analisou o cenário geral dos programas, apontando para o viés fortemente acadêmico dos mesmos. Mais recentemente, a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) tem procurado lançar coleções que trazem verdadeiros mapeamentos das grandes áreas de produção das ciências sociais brasileiras, enfatizando as dinâmicas temáticas e cognitivas nas áreas de especialização (Martins, 2010).

Não são muitos, porém, os estudos que analisam especificamente as práticas de trabalho e a composição sociológica do coletivo formado pelos docentes-pesquisadores que atuam na área. Referimo-nos a textos que investiguem as formas de pesquisa, de escrita e de docência, os modos de praticar ciência social num contexto marcado por forte processo de aceleração temporal, disputa incessante por recursos finitos e condições laborais desiguais. Tais pesquisas têm proliferado no Hemisfério Norte, em especial no mundo anglo-saxão, em que a metrificação da produção intelectual (Strathern, 2000) e a intensificação dos ritmos de trabalho produziram impactos significativos na forma de os cientistas sociais trabalharem (Vostal, 2015). No caso brasileiro, a tese de doutorado de Marina Cordeiro (2013) sobre as formas de organização temporal do trabalho de docentes em programas de pós-graduação na área destaca-se pelo ineditismo e pela originalidade da abordagem.

A pesquisa que deu origem a este artigo partiu exatamente dessa lacuna bibliográfica. Intitulada “Ciência social em tempos difíceis: novas configurações do trabalho intelectual no Brasil” e financiada pelo projeto Jovem Cientista da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) para o período entre 2015 e 2018. A investigação tinha por objetivo desvendar o impacto das novas tecnologias digitais e dos mecanismos de avaliação e controle implantados por agências e instituições de ensino superior sobre as formas de trabalho dos cientistas sociais em diferentes áreas. Como parte dessa pesquisa, foi realizado, em 2018, um survey com profissionais atuantes em programas de pós-graduação de todo o país. Neste artigo, interessa-nos especificamente discutir aspectos relacionados à internacionalização de carreiras docentes, tema que vem provocando grandes controvérsias na comunidade de cientistas sociais e gerado angústia entre coordenadores e profissionais. Afinal, do que se trata efetivamente a “internacionalização”? Como os próprios docentes veem esse processo? Quais os fatores que explicam carreiras mais internacionalizadas do que outras, e que características da trajetória formativa dos profissionais pode afetar de modo significativo esse processo?

O debate sobre os padrões de internacionalização científica se mostrou cada vez mais atual à luz da globalização e seus efeitos sobre os sistemas científicos nacionais, as carreiras individuais e as estratégias de publicação e colaboração. Para países periféricos como o Brasil, tal debate mostra-se particularmente relevante, já que trabalhos clássicos na área demonstravam a persistência das assimetrias entre centros e periferias na construção de redes de colaboração internacional (Gaillard, 1994). Mais recentemente, autores como Sujin Choi (2012) argumentam que, a despeito da dinâmica centro-periferia ter se mantido estável, a colaboração entre países periféricos aumentou rapidamente nos últimos 15 anos. Além disso, países periféricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como a Coreia e a Turquia, tornaram-se estrelas ascendentes nesse processo, o que indica um quadro um pouco mais matizado e complexo.

No caso das ciências sociais, a discussão tem contornos específicos, em especial por efeito da centralidade da linguagem na epistemologia das ciências humanas e sociais e dos efeitos hegemônicos produzidos pela dominância do inglês (Ortiz, 2004). Nesse cenário, vale notar que parece haver uma convergência entre diferentes estudiosos sobre a existência de dualidades nos sistemas de produção científica, com a coexistência entre redes internacionais mediadas pela língua inglesa e por padrões tipicamente hegemônicos de publicação e redes regionais ou locais com mais aderência ao debate público, mas, possivelmente, com menor impacto nos debates científicos centrais da disciplina. Fernanda Beigel verificou essa dualidade no caso argentino (Beigel, 2014), enquanto Sari Hanafi e Rigas Arvanitis (2014) chamaram atenção para a marginalização da língua árabe nas ciências sociais globais e a consequente dualidade entre cientistas que publicam e lecionam em inglês, mas que não tomam parte nos debates públicos veiculados por jornais e revistas em árabe.

Ao analisar a (pouca) presença de autores latino-americanos na revista Current Sociology, Eloísa Martín (2013) constatou um regime de desigualdade acadêmica estruturado em torno de uma divisão internacional do trabalho que reproduz a tensão entre inserção internacional “imitativa” e adesão a padrões intelectuais localistas considerados como “periféricos”. Tal diagnóstico foi confirmado mais recentemente pelas dissertações de mestrado de Matheus Ribeiro (2018), que analisou a geopolítica das autorias em quatro periódicos prestigiosos no campo da teoria sociológica, e de Rodolfo Nóbrega (2018), que estudou dez revistas internacionais de sociologia em geral. Ambos verificaram a pouca presença de autores do Sul Global e a reprodução de hierarquias temáticas bem conhecidas, que reservam o estatuto de “teoria” ao que é publicado por cientistas sociais europeus e norte-americanos.

Mas, a literatura não se esgota no diagnóstico dessa internacionalização fortemente estratificada, ao inquirir também os tipos de respostas e alternativas que vêm sendo construídas nas comunidades científicas periféricas. Estudo recente de Leandro Medina (2019) mostrou que, no caso do México, é possível detectar a formação de dois tipos distintos de redes internacionais - uma pautada pelas práticas e agendas julgadas como hegemônicas na disciplina, e outra impulsionada por afinidades políticas e sensibilidades contra-hegemônicas. No caso chileno, Tomás Koch e Raf Vanderstraeten (2019) evidenciaram que a adoção de bases de dados internacionais - como Web of Science e Scopus - como critério para verificação do “impacto” e da visibilidade do conhecimento produzido impulsionou uma internacionalização de tipo “hegemônica” em determinadas áreas, mas também salientou a emergência de redes latino-americanas de citação e colaboração.

Na esteira desse debate internacional, a literatura brasileira sobre internacionalização nas ciências sociais também vem crescendo. Destacamos os artigos de Tom Dwyer (2013) e Celi Scalon e Richard Miskolci (2018), que são referências para o debate no campo das ciências sociais. Dwyer faz uma avaliação crítica a respeito dos processos de internacionalização dos docentes, mas sua amostra é composta exclusivamente por filiados à Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS). Scalon e Miskolci, por sua vez, foram coordenadores de área de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e têm visão mais positiva sobre o período recente, apontando para a crescente internacionalização de programas, mas não trazem dados mais circunstanciados sobre os profissionais, suas estratégias e perspectivas. Nesse sentido, acreditamos que nosso artigo pode avançar significativamente no debate ao trazer dados mais completos sobre o universo dos profissionais em atuação na pós-graduação no Brasil, além de verificar variáveis capazes de explicar os padrões de internacionalização encontrados.

O artigo está dividido em cinco seções: na primeira, apresentamos de forma breve o desenho e a metodologia da pesquisa, em especial o survey. Na segunda seção, a análise é dedicada às características da internacionalização da carreira dos professores, segundo o processo formativo, por meio de duas abordagens distintas - doutorado sanduíche e pós-doutoramento. Em seguida, a terceira seção é dedicada à análise da atuação dos docentes em eventos internacionais, enquanto na quarta seção o objetivo é identificar os fatores preponderantes para a publicação de artigos em inglês. Por fim, tecemos algumas considerações finais, apresentando não apenas os principais achados, mas as possíveis implicações para gestores e formuladores de políticas públicas.

Delineamento metodológico da pesquisa

A pesquisa com os professores vinculados aos programas de pós-graduação (PPG) de todo o Brasil da área das ciências sociais foi realizada por meio da aplicação de um questionário on-line e o uso de uma amostra probabilística. Como não existe um cadastro atualizado e disponível ao público de todos os docentes de PPG da área das ciências sociais, optamos por conduzir a pesquisa através da seleção dos programas de pós-graduação para, em seguida, identificar os seus professores vinculados.

Assim, para viabilizar a realização desta pesquisa, em um primeiro momento, foram mapeados todos os PPG das três áreas de avaliação da Capes (ciência política e relações internacionais; antropologia e arqueologia e, por fim, sociologia) de interesse do estudo1. Adicionalmente, foi decidido realizar a pesquisa somente com PPG cuja nota de avaliação atribuída pela Capes fosse superior à dois, uma vez que programas classificados abaixo desta “nota de corte” são passíveis de descredenciamento junto à Capes, o que poderia distorcer o perfil do entrevistado selecionado2.

Apesar deste recorte, pesquisar docentes de 101 PPG foi considerado um esforço elevado, se considerado o tempo e o volume de recursos disponíveis para a condução de uma pesquisa censitária, ou seja, em que todos os elementos da população são entrevistados. Por conta da elevada quantidade de programas elegíveis à pesquisa - e, consequentemente, uma extensa população de docentes que tende a dificultar a realização de uma pesquisa censitária -, optamos por selecionar uma amostra de professores vinculados aos PPG.

Dentre os 101 PPG’s das três áreas de avaliação interessadas, distribuídas por todo o Brasil, foram selecionados 40 PPG’s aleatoriamente. O sorteio dos programas foi realizado de forma estratificada, com a finalidade de garantir representatividade proporcional dos distintos perfis de PPG’s, a partir de três características principais. São elas:

  1. PPG em instituições de ensino superior localizadas nas cinco regiões do país;

  2. a nota atribuída ao PPG, considerando as seguintes faixas: “nota 3”, “nota 4 ou 5” e “nota 6 ou 7”;

  3. PPG vinculados às três áreas de avaliação na Capes e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): “ciência política e relações internacionais”; “antropologia ou arqueologia”; “sociologia”.

Desta forma, a estratificação da amostra selecionada apresentava proporcionalmente as características do total de programas mapeado, sendo este um fator importante para controlar a reprodução do perfil geral dos programas pesquisados nos dados produzidos pelo survey.

A partir destes procedimentos, foram mapeados 683 professores vinculados aos 40 PPG selecionados aleatoriamente. Eles foram contatados para a pesquisa on-line, entre o dia 11 de abril e 11 de junho de 20183. Ao todo, foram obtidos 396 questionários respondidos, perfazendo, 58% da população pesquisada. Esta proporção é considerada como um dado extremamente positivo, se tomarmos como referência a estimativa de taxa de resposta “na melhor das hipóteses, entre 15% e 30%” (Pinheiro et alii, 2006)4, conforme apontada pela literatura para esta técnica de pesquisa.

Os dados iniciais evidenciam um elevado equilíbrio entre as características da amostra e do universo, como apresentado no Gráfico 1, ao comparar a proporção de docentes, segundo a região do país na população e na amostra. A diferença - quando ela existe - é próxima a um ponto percentual, ou seja, muito reduzida.

Gráfico 1 Dos docentes mapeados e dos docentes entrevistados por região do país (%) 

Em seguida, o Gráfico 2 estabelece a comparação entre a proporção dos docentes mapeados nos 40 PPG’s e a proporção dos docentes entrevistados, segundo a área de avaliação do PPG na Capes. Neste aspecto encontramos uma participação maior de docentes vinculados ao PPG da área de sociologia, em detrimento da antropologia/arqueologia. Apesar disso, a distância entre o perfil do universo e o da amostra diferem em cinco pontos percentuais, o que não evidencia uma alta discrepância.

Gráfico 2 Distribuição dos docentes mapeados e dos docentes entrevistados por área de avaliação do PPG (%) 

A terceira característica verificada na comparação entre o perfil da amostra e o do universo é a proporção dos docentes mapeados nos 40 PPG’s e a proporção dos docentes entrevistados, segundo a nota de avaliação do PPG. Conforme dados do Gráfico 3 há uma participação maior na amostra do que na população pesquisada de docentes vinculados ao PPG com nota 6 e 7 e uma menor participação de docentes de PPG com nota avaliativa igual a 4, sendo este o perfil mais representativo. Mais uma vez, e apesar disso, há equilíbrio entre as características da amostra e da população.

Gráfico 3 Distribuição dos docentes mapeados e dos docentes entrevistados por nota de avaliação do PPG (%) 

Internacionalização da carreira dos docentes na área das ciências sociais - evidências do survey on-line

A internacionalização da carreira tem sido uma variável cada vez mais valorizada e almejada na academia brasileira, e isso tem impactado no interesse científico pelo tema. Scalon e Miskolci (2018) estudaram o processo de internacionalização da sociologia brasileira por meio de seus programas de pós-graduação. No trabalho apresentado, apontam o expressivo crescimento de bolsas de pós-doutorado e estágio sênior nos últimos dez anos como indicador forte da velocidade da internacionalização, e destacam também a posição da sociologia e da ciência política brasileiras em rankings de citações pela métrica ASJC, da Plataforma Scopus, em que o Brasil figura em décimo primeiro lugar. Ressalte-se que os autores utilizam dados da Plataforma Scival, que não diferencia sociologia de ciência política, mas permite inferir expansão e tipo de internacionalização.

A visão mais positiva de Scalon e Miskolci (2018) pode ser contrastada com os achados de Dwyer (2013), baseados em survey realizado com associados da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), em 2009. Dwyer afirma que os sociólogos brasileiros são essencialmente treinados na academia brasileira, com pouca formação no exterior, mesmo durante doutoramento. A despeito desse perfil, temos como tradição a importação de livros, e nossas bibliografias são fortemente internacionalizadas.

O survey realizado por Dwyer revelou também que 61% dos pesquisados nunca publicaram nada fora do Brasil em uma década, o que o leva a perguntar: Por que publicamos pouco em inglês? Na visão do autor, trata-se de profecia autocumprida, já que consideramos o custo e o esforço de publicar nessa língua desproporcionais para a efetividade, já que dificilmente os artigos serão aceitos, não apenas pela qualidade, mas por conta da temática, julgada por pareceristas não brasileiros como excessivamente “nacional”.

É importante notar que Dwyer separou os respondentes em dois grupos: os que se formaram exclusivamente no Brasil e os que tiveram algum título no exterior, e confirmou que há associação entre a formação no exterior e a internacionalização da produção científica. Porém, ao investigar as revistas internacionais nas quais houve publicação, verificou que maioria é de língua latina (português, francês), não constando artigos nas principais revistas em língua inglesa.

De forma geral, é possível afirmar que parece haver forte correlação entre internacionalização da produção científica e formação no exterior, embora isso não seja garantia efetiva de produção em inglês em periódicos de alto impacto. Além disso, nem toda formação no exterior configura uma associação positiva à internacionalização da produção acadêmica.

Ao se levar em conta que praticamente cinco anos separam o conjunto empírico de Scalon e Miskolci do de Dwyer, o presente estudo mensurou três variáveis a respeito da internacionalização da carreira dos docentes na área das ciências sociais:

  1. realização de doutorado sanduíche fora do Brasil;

  2. realização de pós-doutorado fora do Brasil; e

  3. frequência com que participa de congressos internacionais na área de ciências sociais.

As três variáveis mensuradas permitem tratar a internacionalização como a construção de redes internacionais de pesquisadores com participação de docentes brasileiros. Como as variáveis não esgotam o debate a respeito do tema, sendo possível ampliar a análise com outras informações, adicionalmente, utilizamos dados registrados na Plataforma Lattes, tais como publicação em periódico internacional nos idiomas inglês e espanhol, bem como a participação em eventos acadêmicos internacionais. Decerto, essa última variável também pode ser tratada como resultado da internacionalização, porém, para fins de análise prática deste trabalho, a utilizaremos como fator da internacionalização, uma vez que é considerado como oportunidade de ampliar ou estabelecer novas redes de contato em âmbito internacional. Assim, o objetivo desta seção é identificar a influência de algumas características dos docentes preponderantes para a internacionalização da carreira na área de ciências sociais.

Características da realização de doutorado sanduíche no exterior

De início, 24% dos entrevistados declararam ter realizado parte do seu doutorado no exterior, conforme a modalidade conhecida como “sanduíche”. Cerca de 7% dos participantes da pesquisa não responderam a esta pergunta, portanto, se considerarmos apenas os dados válidos, a proporção de docentes que cursaram doutorado sanduíche aumenta para 26%. Ao seguir a análise apenas com os dados válidos, enquanto 25,5% dos docentes do sexo masculino cursaram doutorado sanduíche, entre as mulheres o percentual é equivalente a 27,5%. Ou seja, homens e mulheres buscam realizar parte de seu doutoramento no exterior com a mesma frequência.

Assim como a variável sexo, o perfil de cor ou raça do entrevistado não apresentou influência nesta primeira característica de internacionalização da carreira docente. Afinal, brancos, pretos e pardos possuem percentuais similares de doutorado sanduíche cursado no exterior, respectivamente, iguais a 26%, 27% e 29%.

Em uma comparação da realização do doutorado na modalidade sanduíche, segundo a região do país da instituição de ensino superior em que o docente leciona, permite identificar pequenas diferenças. Por exemplo, os docentes vinculados ao PPG em instituições de ensino superior nas regiões Norte (20%) e Nordeste (22%) apresentam as menores proporções de o pós-graduando ter cursado parte do doutorado no exterior, ao passo que docentes de PPG de instituições de ensino superior do Sudeste (28%) apresentam os maiores percentuais, indicando uma certa valorização por este tipo de profissional em processos de seleção (Gráfico 4).

Gráfico 4 Realização do doutorado no modelo sanduíche, segundo a região no país da instituição de ensino superior que leciona (% de sim) 

Ainda nesta variável, o dado mais interessante é a relação entre a nota de avaliação do PPG atribuída pela Capes da instituição de ensino superior que o entrevistado leciona e a realização de doutorado na modalidade sanduíche. Afinal, quanto maior a nota atribuída pela Capes ao PPG, maior é a presença de docentes com a realização de parte do doutoramento fora do Brasil. A título de ilustração, programas classificados com nota 3 têm 13% dos seus professores com realização de doutorado sanduíche e esta proporção cresce para 23% em programas avaliados com nota 4, ao passo que aumenta para mais de 30 pontos percentuais em programas com notas entre 6 e 7. A associação entre as variáveis fica evidenciada pelo teste do qui-quadrado, estatisticamente significante ao nível de 0,025 (Gráfico 5).

Gráfico 5 Realização do doutorado sanduíche, segundo nota de avaliação Capes da instituição de ensino superior que leciona (% de sim) 

A respeito desta característica, há diferenças sutis entre as áreas de concentração no âmbito das ciências sociais. Assim, 22% dos docentes vinculados ao PPG da área de ciência política cursaram doutorado sanduíche, uma vez que na sociologia a proporção foi de 26%, portanto, acima de 1/4 dos docentes. Na antropologia a proporção foi equivalente a 29%, a maior entre as três áreas de avaliação.

Por fim, a pesquisa permitiu identificar uma característica marcante da realização do doutorado sanduíche fora do Brasil. Afinal, 1/3 dos docentes que realizaram parte do seu doutorado no exterior publicaram artigos em inglês em revistas internacionais nos últimos cinco anos. Por outro lado, apenas 1/5 daqueles que não tiveram esta experiência internacional em sua formação acadêmica conseguiram publicar artigos em inglês em revistas internacionais, considerando o mesmo período. Tal dado corrobora percepção de que a realização de parte da formação no exterior é crucial para a internacionalização científica do pesquisador, o que se torna evidência importante para os formuladores de políticas públicas na área.

Características da realização de pós-doutoramento no exterior

No que concerne à segunda característica a respeito da internacionalização dos docentes na área das ciências sociais - realização de pós-doutorado em instituição de ensino superior do exterior -, verificamos que 38% dos docentes tiveram esta experiência em sua formação acadêmica. A proporção entre homens (39%) e mulheres (37%) foi muito parecida, discrepância inferior a dois pontos percentuais.

Assim como no caso da realização do doutorado sanduíche, não encontramos distinções, segundo as categorias de cor ou raça, quanto ao pós-doutoramento no exterior. Por exemplo, 44% dos docentes autodeclarados como pretos e pardos cursaram pós-doutoramento fora do Brasil, enquanto os brancos alcançam 41% de realização de pós-doutoramento fora do território brasileiro.

Uma nova clivagem analítica a respeito da internacionalização é a comparação da proporção de docentes que realizaram um pós-doutoramento fora do território brasileiro, segundo a localização da instituição de ensino superior em que o PPG está vinculado. Novamente, os docentes dos PPG’s das instituições de ensino superior localizadas nas regiões Norte (24%) e Nordeste (29%) apresentam as menores proporções de experiência internacional na formação acadêmica. Os valores diferem em relação ao Centro-Oeste brasileiro (33%) e são menores do que os verificados no Sudeste (39%) e no Sul (48%) do país (Gráfico 6).

Gráfico 6 Realização do pós-doutorado no exterior, segundo região no país da instituição de ensino superior que leciona (% de sim) 

Na sequência, no Gráfico 7, a comparação é feita de acordo com a nota de avaliação do PPG atribuída pela Capes. A relação é igual àquela verificada na realização de doutorado na modalidade sanduíche, uma vez que, quão maior é a nota do PPG atribuída pela Capes, maior a presença de docentes com a realização de pós-doutoramento no exterior. Ademais, existem dois patamares bem distintos: programas classificados com nota 3 e 4 têm entre 20% e 25% de professores com realização deste tipo de característica de internacionalização, ao passo que os programas classificados com nota 5 a 7 têm proporções entre 57% e 67%, portanto, valores bem superiores ao do primeiro grupo. Cabe mencionar a associação entre as variáveis evidenciadas pelo teste do qui-quadrado com significância estatística ao nível de 0,00.

Nota: sig. do qui-quadrado = 0,000.

Gráfico 7 Realização do pós-doutorado no exterior, segundo nota de avaliação Capes da instituição de ensino superior que leciona (% de sim) 

Por fim, 36% dos docentes vinculados ao PPG da área de ciência política cursaram pós-doutorado no exterior, ao passo que na sociologia a proporção foi de 37%. Na antropologia a proporção foi equivalente a 44%, a maior entre as três áreas de avaliação, assim como na dimensão do doutorado sanduíche, reforçando esta área como a de maior experiência internacional na formação de quadros para o ensino superior. Esse dado é inédito e não parece ser muito discutido na literatura sobre o tema. Sugerimos que seja explorado por pesquisadores interessados em aferir as diferentes estratégias de internacionalização em função da área.

Adicionalmente, a pesquisa produziu dados para verificar se a realização de pós-doutorado em instituições de ensino superior do exterior impacta na produção acadêmica no idioma inglês. Desta forma, 40,5% dos docentes que realizaram pós-doutorado no exterior publicaram artigos em inglês em revistas internacionais nos últimos cinco anos. Este valor é bastante diferente daquele obtido pelos docentes sem este tipo de experiência em sua formação acadêmica, uma vez que somente 16,5% conseguiram publicar artigos em inglês em revistas internacionais, considerando o mesmo período.

Ao considerar essas duas primeiras variáveis a respeito da internacionalização da carreira docente dos professores pesquisados, é possível identificar quatro grupos5 principais, representados no Gráfico 8. O primeiro é composto pelos docentes que cursaram tanto o doutorado sanduíche no exterior como realizaram um pós-doutoramento em outro país, configurando os docentes com elevado potencial de internacionalização. Este perfil totaliza 15% das respostas válidas para as duas questões. O segundo grupo é composto pelos docentes que cursaram o doutorado sanduíche no exterior, somando 12% do total, ao passo que o terceiro grupo, representando 31% da população pesquisada, é composto pelos docentes que realizaram um pós-doutoramento em outro país. Esses dois grupos apresentam potencial intermediário de internacionalização.

Gráfico 8 Perfil do docente, considerando tanto a realização do doutorado no modelo sanduíche no exterior, quanto o pós-doutorado no exterior (%) 

Se, por um lado, 59% dos docentes tiveram alguma experiência internacional em sua formação, fator considerado preponderante para a internacionalização da academia brasileira, de outro modo o último grupo é composto pelos docentes que não desempenharam nenhuma destas duas atividades, representando docentes com baixo potencial de internacionalização. É o grupo mais numeroso (41%), indicando um potencial de expansão desta prática entre os docentes da pós-graduação da área de ciências sociais.

Utilizamos esta caracterização dos docentes pesquisados para verificar seu impacto na produção acadêmica no idioma inglês nos últimos cinco anos e, considerando uma inferência descritiva, identificar qual das duas variáveis tende a influenciar na publicação de artigos em inglês. Se tomarmos os dados apresentados na Tabela 1, quase metade dos docentes de maior intensidade de internacionalização na formação acadêmica publicou artigos em inglês nos últimos cinco anos em revistas internacionais. Essa proporção reduz-se para 32,5% entre professores com somente o pós-doc realizado no exterior.

Tabela 1 Proporção de docentes que publicaram em inglês nos últimos cinco anos em periódicos internacionais, segundo o perfil da experiência internacional na formação docente (% de sim) 

Docentes com publicação em inglês em cinco anos (% de “Sim”)
Doutorado sanduíche e pós-doc no exterior 49,0
Pós-doc no exterior 32,5
Doutorado sanduíche no exterior 11,0
Sem experiência internacional na formação 18,0
Média amostral 26,6

Este perfil da experiência internacional na formação docente está associado ao perfil do vínculo do docente com bolsa de produtividade do CNPq6. Mais da metade dos docentes que realizaram pós-doutoramento no exterior possui bolsa de produtividade do CNPq, ao passo que menos de 15% do conjunto de entrevistado sem experiência no exterior ou que somente cursaram o doutorado sanduíche têm este tipo de bolsa.

Características da participação em congressos internacionais

De forma adicional, a internacionalização da carreira docente pode ser analisada, de um lado, pela perspectiva da formação acadêmica e, de outro lado, pela atuação e produção acadêmica. Para viabilizar esta análise, em primeiro lugar consideramos dados obtidos por meio de um questionário. O questionário on-line versa sobre diversos temas e somente alguns são utilizados neste trabalho. No instrumento de coleta dos dados, não houve espaço para todas as perguntas desejadas, pois implicaria ampliar o tempo de preenchimento do questionário e, desta forma, buscamos minimizar recusas e/ou abandono de questionário de maneira a garantir uma boa taxa de resposta, conforme salienta Babbie (1999). Apesar disso, o survey on-line possibilitou mensurar uma série de dados a respeito da formação acadêmica, preferências profissionais, vida pública e vida institucional, perfil sociodemográfico, práticas de escritas, saúde mental e física, por exemplo.

De forma complementar, neste segundo momento, a análise será conduzida através da sistematização de informações registradas na Plataforma Lattes do CNPq. Nossa estratégia de pesquisa permitiu coletar informações complementares e mais bem detalhadas de cada participante do estudo em seus respectivos currículos Lattes. Os dados coletados foram:

  1. participação em eventos internacionais no Brasil;

  2. participação em eventos internacionais fora do Brasil;

  3. publicação de artigo científico em revista internacional; e

  4. publicação de artigo científico em outro idioma.

Todas as quatro variáveis foram coletadas para três temporalidades distintas:

  1. se ocorreu em 2018;

  2. se ocorreu em 2017; ou

  3. se ocorreu nos últimos cinco anos.

Essas informações objetivas foram alinhadas no mesmo banco de dados produzido com as respostas do survey on-line, permitindo a sua utilização em uma única análise.

Assim, no âmbito da pesquisa, foi possível combinar informação declarada por meio de questionário on-line com dados objetivos registrados na Plataforma Lattes difíceis de serem informados em um questionário autopreenchido. Neste sentido, a proporção de docentes participantes de eventos, segundo informações registradas na Plataforma Lattes, é maior em seminários, colóquios e congressos internacionais fora do Brasil do que dentro do território brasileiro, se considerarmos dados relativos aos anos de 2017 e 2018. Afinal, em 2018, 12% dos docentes pesquisados registraram em seu currículo Lattes a participação em evento internacional “no Brasil”, ao passo que 21% deles declararam ter participado de eventos fora do país. Para o ano de 2017, a participação, respectivamente, foi de 17% e 21%7. Todavia, se considerarmos dados dos últimos cinco anos, verificamos a mesma proporção de docentes participantes de eventos internacionais ocorridos no Brasil (40%) e no exterior (41%) (Gráfico 9).

Gráfico 9 Participação em congressos internacionais no Brasil e fora do Brasil, em três momentos (% de sim) 

Adicionalmente, uma comparação entre docentes do sexo feminino e masculino permitiu verificar proporções parecidas quanto à participação em eventos internacionais, isso considerando tanto dentro como fora do país. Portanto, como esperado, não há diferença de gênero na atuação internacional dos docentes da área das ciências sociais.

No entanto, uma comparação da participação em eventos acadêmicos internacionais, considerando o perfil de cor ou raça dos entrevistados, de acordo com as categorias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidencia resultados discrepantes. Afinal, 54,5% dos docentes brancos tiveram presença em eventos internacionais fora do Brasil nos últimos cinco anos, ao passo que docentes pardos (34%) e pretos (20%) tiveram uma atuação em menor escala. De modo diferente, se considerarmos eventos internacionais ocorridos no território brasileiro, no mesmo período, os docentes pretos (73%) apresentam uma participação superior aos brancos (46%) e pardos (46%). Seria interessante refletir se essa disparidade reflete desigualdades no domínio da língua inglesa, que é fator fundamental para participação em congressos na área, além de capital distribuído de forma injusta na sociedade brasileira em função da origem de classe.

Docentes vinculados aos PPG’s das regiões Norte (50%), Sudeste (55%) e Sul (58%) têm maior participação em congressos e seminários internacionais ocorridos no exterior. Se considerada a participação em eventos acadêmicos no Brasil, os docentes de PPG’s do Sudeste (52%), Nordeste (49%) e Norte (46%) têm maior destaque (Gráfico 10).

Nota: sig. do qui-quadrado = 0,000 para fora do Brasil.

Gráfico 10 Participação em congressos internacionais no Brasil e fora do Brasil, em cinco anos, segundo a região do país da instituição de ensino superior 

Outra análise descritiva para melhor compreender a participação em congressos é feita com base na nota de avaliação do PPG atribuída pela Capes. Neste aspecto, como é de se esperar, docentes de programas com notas entre 5 e 7 apresentam as maiores taxas de participação em eventos internacionais no exterior, enquanto os docentes de PPG’s com notas entre 3 e 4 têm as maiores taxas de participação em congressos e seminários internacionais ocorridos no Brasil (Gráfico 11).

Nota: sig. do qui-quadrado = 0,005 para fora do Brasil.

Gráfico 11 Participação em congressos internacionais no Brasil e fora do Brasil, em cinco anos, segundo nota de avaliação 

Embora a região do país e a nota da Capes indiquem diferenças significativas na atuação acadêmica em eventos, o mesmo não pode ser verificado na comparação entre as áreas de avaliação dos PPG’s pela Capes. Afinal, docentes da área de ciência política e sociologia apresentam proporções similares entre si e, ao mesmo tempo, se comparado eventos “no Brasil” e “fora do Brasil”. Os docentes da área da antropologia - que apresentam as maiores proporções de realização de doutorado sanduíche e de pós-doc fora do Brasil - denotam participação similar aos demais em eventos “fora do Brasil”, mas não quando considerado os eventos “no Brasil”. Neste caso, aparentemente, há um certo desinteresse por eventos considerados como internacionais, mas que ocorrem no país.

Apesar disso, a análise com base nos quatro perfis de internacionalização da formação do docente (Gráfico 12) possibilita identificar uma maior participação dos “docentes sem experiência no exterior” em eventos internacionais realizados no Brasil. Nos últimos cinco anos, 42% dos docentes com esse perfil participaram de eventos internacionais no Brasil, ao passo que apenas 30% deles frequentaram eventos dessa natureza fora do Brasil. Ademais, em relação aos outros três perfis, é o grupo com maior participação nos eventos dentro do Brasil, evidenciando que estes docentes podem buscar compensar uma certa baixa internacionalização em eventos no próprio país. Esses dados nos parecem muito importante para gestores e formuladores de políticas, pois indica uma estratégia de internacionalização de menor custo.

Gráfico 12 Participação em congressos internacionais no Brasil e fora do Brasil, em três momentos, segundo o perfil de internacionalização da formação do docente (% de sim) 

Por outro lado, os docentes que realizaram doutorado sanduíche e pós-doc no exterior (55%) - portanto, o perfil com maior experiência internacional em sua formação -, assim como os docentes que realizaram pós-doc no exterior (51%) participaram em maior medida que os outros dois perfis de docentes em eventos internacionais fora do Brasil. Assim, quanto maior a experiência internacional na formação docente maior tende a ser a participação em eventos internacionais no exterior. E, mais uma vez, a realização de pós-doutoramento no exterior tende a impactar mais positivamente em uma internacionalização da carreira do que a realização de doutorado sanduíche (Gráfico 12).

A terceira abordagem compara a participação em eventos internacionais pelo tempo de conclusão do doutoramento. Ao considerar as três faixas de tempo de conclusão do doutorado utilizadas nesta análise, não é possível encontrar diferenças significantes quanto a participações em eventos internacionais dentro do Brasil. Por outro lado, os docentes com mais de 15 anos de doutoramento - o grupo com maior experiência desde a defesa da tese - apresentam maior engajamento nestes eventos fora do Brasil. Isso denota que uma carreira mais consolidada pode ser importante para refletir positivamente na internacionalização da carreira (Gráfico 13).

Gráfico 13 Participação em congressos internacionais no Brasil e fora do Brasil, em três momentos, segundo o tempo de doutoramento (% de sim) 

Internacionalização da carreira dos docentes da área das ciências sociais pela perspectiva da publicação em inglês

Após avaliar o perfil da internacionalização dos docentes da área das ciências sociais no Brasil, considerando aspectos de sua formação e de sua atuação acadêmica, nesta seção o objetivo é aprofundar o debate e identificar os fatores preponderantes para a publicação de artigos em inglês em periódicos internacionais8.

Inicialmente, por meio dos dados obtidos na Plataforma Lattes, verificamos que menos de 1/3 dos docentes de PPG’s das ciências sociais publicaram artigos em revistas internacionais, pelo menos nos últimos cinco anos, considerando trabalhos em idiomas diferentes do português.

A proporção se reduz para 26%, se consideradas apenas publicações de artigos em inglês. Um dado interessante é que não há diferença relevante deste tipo de publicação entre homens (27%) e mulheres (25%). Todavia, verificamos uma discrepância deste tipo de publicação entre docentes brancos (28%) e pretos (18%) e pardos (18%) o que, mais uma vez, pode sugerir uma disparidade no domínio da língua inglesa. Mesmo se pensamos que boa parte dos cientistas sociais publica artigos traduzidos por terceiros para o inglês, ainda assim as oportunidades de publicação demandam conversas e formação de redes em língua inglesa.

Além destas clivagens, a publicação de artigos em inglês é mais frequente entre os docentes de PPG’s do Centro-Oeste (31%), Sudeste (28%) e Nordeste (26%), com proporções acima da média amostral (Gráfico 14). Adicionalmente, há destaque deste tipo de produção acadêmica entre os professores e as professoras vinculados aos PPG’s avaliados pela Capes com notas entre 6 e 7, uma vez que a proporção é próxima do dobro dos demais PPG’s (Gráfico 15).

Nota: sig. do qui-quadrado = 0,005.

Gráfico 14 Publicações de artigos em inglês, em 5 anos, segundo região do país da instituição de ensino superior na qual leciona (% de sim) 

Gráfico 15 Publicações de artigos em inglês, em 5 anos, segundo nota de avaliação Capes da instituição de ensino superior na qual leciona (% de sim) 

Ainda utilizando a inferência estatística para conhecer melhor as características deste tipo de atuação acadêmica, verificamos que os antropólogos apresentam as maiores proporções de publicação em inglês (30%), o que, mais uma vez, aponta para a alta internacionalização da área de antropologia. Importante reforçar que, entre estes docentes, há uma maior proporção de formação acadêmica no exterior, como cursos de pós-doutoramento e doutorado na modalidade sanduíche. Apesar disso, os valores são similares aos dos docentes da área de ciência política (28%) e dos sociólogos (24%).

Os docentes com maior experiência internacional em sua formação apresentam um maior número de artigos publicados em inglês (45%), em um intervalo de cinco anos. O mesmo ocorre se analisado apenas os anos de 2018 ou 2017. O perfil que mais se aproxima deste é o de docentes que cursaram apenas o pós-doc no exterior, enquanto aqueles sem experiência internacional em sua formação acadêmica, mais uma vez, se parecem com os que cursaram uma parte do doutorado no exterior (Gráfico 16). Desta forma, os dados verificados na Plataforma Lattes estão em acordo com os achados obtidos por Scalon e Miskolci (2018).

Gráfico 16 Publicações em inglês, segundo o perfil de internacionalização da formação do docente (% de sim) 

No Gráfico 17, a variável tempo de conclusão do doutorado é relacionada com a variável “publicação em inglês” e, novamente, ficou evidente que quanto maior o tempo de doutoramento, maior é a tendência de internacionalização da carreira. Para isso, podemos considerar o percentual de docentes com artigos publicados neste idioma nos últimos cinco anos, ou somente em 2017 ou 2018. Uma vez realizado o adensamento do comportamento da variável objeto do trabalho, segundo várias características dos docentes pesquisados, a Tabela 3 adiciona uma nova clivagem analítica. Ela reúne dados sobre o perfil de vínculo à bolsa de produtividade do CNPq desses docentes com as três variáveis sobre a internacionalização da carreira docentes, apresentadas anteriormente, para o período dos últimos cinco anos.

Tabela 2 Proporção de docentes que participaram de eventos internacionais “no Brasil” e “fora do Brasil”, nos últimos cinco anos, segundo a área de avaliação do PPG (% de sim) 

Local do evento internacional
No Brasil Fora do Brasil
Área de avaliação da Capes Antropologia 41% 52%
Ciência política 53% 50%
Sociologia 48% 48%

Tabela 3 Resumo dos dados do cruzamento entre o perfil de vínculo à bolsa de produtividade do CNPq e três variáveis sobre a internacionalização da carreira docentes nos últimos cinco anos 

Com bolsa de produtividade do CNPq Sem bolsa de produtividade do CNPq Significância estatística do qui-quadrado
Publicação em inglês nos últimos cinco anos 46,0% 17,0% 0,000
Participação em congressos internacionais fora do Brasil nos últimos cinco anos 58,5% 45,5% 0, 033
Participação em congressos internacionais no Brasil nos últimos cinco anos 44,0% 49,0% 0,390

Tabela 4 Estimativas e estatísticas dos coeficientes dos previsores incluídos no modelo 

B S.E. Wald df Sig. Exp(B)
Realização do pós-doutorado fora do Brasil ,958 ,324 8,771 1 ,003 2,607
Sul - região do país -,788 ,358 4,852 1 ,028 ,455
Vinculação à bolsa de produtividade CNPq 1,254 ,327 14,680 1 ,000 3,503
Participou de evento internacional fora do Brasil nos últimos cinco anos ,630 ,293 4,637 1 ,031 1,878
Idade do entrevistado -,028 ,014 4,334 1 ,037 ,972
Constante -,618 ,679 ,828 1 ,363 ,539

Gráfico 17 Publicações em inglês, segundo o tempo de conclusão do doutoramento (% de sim) 

Essa síntese possibilita identificar uma associação entre ter bolsa de produtividade do CNPq e publicação em outro idioma, por exemplo, afinal 46% dos bolsistas têm este tipo de produção acadêmica nos últimos cinco anos, ao passo que somente 17% dos não bolsistas o fizeram. Adicionalmente, há diferença na participação em eventos internacionais fora do Brasil entre bolsistas e não bolsistas de produtividade. Neste sentido, os bolsistas apresentam taxa de participação nestes eventos superior ao do outro grupo. Por outro lado, não há discrepâncias na participação em eventos internacionais ocorridos dentro do Brasil.

A partir dos resultados descritivos, bem como da discussão teórica do tema, realizamos uma modelagem para identificar os fatores preponderantes para a publicação de artigos em inglês. Conforme mencionado, consideramos esta produção como sendo o principal resultado da atuação internacional de um docente. Para desenvolver esta modelagem, utilizamos a regressão logística, uma vez que este tipo de análise estatística multivariada possibilita compreender a probabilidade de ocorrência de um determinado valor predito de uma variável categórica (Field, 2009). No caso deste estudo, busca-se saber a importância de algumas características dos docentes de PPG’s da área das ciências sociais em benefício da publicação ou da não publicação de artigos no idioma inglês. Com isso, será possível refletir e debater políticas e ações destinadas à ampliação da internacionalização da carreira docente, considerando a produção de artigos em outro idioma.

Durante a modelagem, um conjunto de variáveis foi testado para identificar o melhor ajuste dos dados da variável dependente: publicou ou não publicou artigos em inglês nos últimos cinco anos. No entanto, somente seis variáveis independentes puderam ser utilizadas no modelo final para compreender o comportamento da variável dependente. O melhor ajuste obtido compreende as seguintes variáveis: realização de pós-doutorado no exterior (binária); docente ou não de PPG em instituição de ensino superior na Região Sul do país (binária); possui bolsa de produtividade CNPq (binária); participou ou não de evento internacional fora do país em até cinco anos (binária); idade do entrevistado (em anos completos).

Todas as variáveis utilizadas no modelo são significativas para a explicação da publicação de artigo em inglês, nos últimos cinco anos, sendo a vinculação à bolsa de produtividade do CNPq a de maior peso no modelo (B = 1,25). Ela é seguida, em grau de importância, pela realização de pós-doc no exterior (B = 0,96), por estar vinculado a um PPG de uma instituição de ensino superior localizada na Região Sul do país (B = -0,79), assim como por participar de evento internacional fora do Brasil (B = 0,63) e, em menor medida, pela idade do docente (B = -0,03). Assim, a publicação de artigo em inglês é influenciada positivamente por ser bolsista de produtividade do CNPq, por ter cursado pós-doc no exterior e por ter participado de evento internacional no exterior nos últimos cinco anos. Em sentido inverso, quanto maior a idade do docente menor é a tendência a publicar em inglês e, por fim, docentes da área das ciências sociais na Região Sul tendem a publicar menos que os das demais regiões do Brasil. Embora a variável idade apresente aderência ao modelo elaborado, o poder explicativo é muito reduzido e não configura um fator relevante.

Considerações finais

Nossa pesquisa confirmou alguns achados já sugeridos na literatura, mas que careciam de maior evidenciação empírica. Por exemplo, ficou claro que a realização de pós-doutoramento no exterior é variável fundamental para se associar o processo de internacionalização da carreira. Importante ressaltar que a realização de doutorado sanduíche não tem a mesma força na explicação, como se poderia esperar. A etapa formativa de pós-doutoramento no exterior contribui mais significativamente para a internacionalização. Isso é indicativo significativo para os gestores da área e para os profissionais envolvidos na organização de marcos avaliativos.

A pesquisa também confirmou disparidades regionais e, em especial, disparidades interprogramas. Os programas de notas entre 6 e 7 abrigam as carreiras mais internacionalizadas, como seria de se esperar, o que indica um processo de retroalimentação que pode ter efeitos negativos sobre outros programas. Afinal, é preciso pensar em formas de estimular a internacionalização de carreiras em programas avaliados com notas entre 4 e 5, em especial aqueles situados fora dos eixos centrais, de forma a evitar a formação de circuitos “duais” estratificados, tal como descritos por Beigel (2014) para o caso argentino.

Ademais, a pesquisa reforçou dados sobre as desigualdades entre brancos e pardos e pretos. Encontramos, por exemplo, diferenças entre os grupos quanto à publicação de artigos em inglês e a participação em congressos no exterior, o que tende a indicar distribuição desigual de recursos culturais e simbólicos, tais como o manejo de língua estrangeira, mas isso deve ser confirmado por pesquisa específica.

Por outro lado, a pesquisa apontou dados inusitados, que sugerem a realização de novas investigações. Como exemplo podemos citar o percentual mais elevado de internacionalização das carreiras de professores vinculados aos PPG’s da área de antropologia, que sistematicamente discrepam das carreiras em sociologia e ciência política - esta, usualmente tida como área mais internacionalizada. Além disso, destacamos também a detecção de uma estratégia de internacionalização “barata”, que é a participação em eventos internacionais realizados dentro do país, o que pode indicar uma forma pragmática de internacionalização para docentes de programas com notas baixas e que têm dificuldades de acessar recursos de agências financiadoras.

Talvez a promoção de redes de colaboração latino-americanas - verificada por Koch e Vanderstraeten (2019) no caso chileno - possa ser uma resposta mais calibrada para lidar com possíveis efeitos negativos de uma internacionalização estratificada, que tenderia a reproduzir o status quo já existente nas ciências sociais brasileiras. Estratégias que permitam a colaboração Sul-Sul por meio de pesquisas com resultados publicados em coautoria podem também contribuir para diminuir os custos produzidos pela hegemonia da língua inglesa e evitar as assimetrias reiteradas por Jacques Gaillard (1994). Tais medidas parecem ser as mais eficazes para levar adiante a estratégia dialógica sugerida por Eloísa Martín (2013), que se baseia na articulação entre especificidades intelectuais locais e publicação internacional, sem que haja a necessidade de sucumbir ao dilema entre “imitação” e “resistência”.

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1Foram excluídos 11 programas cujos nomes mencionavam apenas a temática de “relações internacionais” ou “economia política internacional”, uma vez que se distanciavam do objetivo do estudo. Assim, o total de PPG mapeados, em todo o Brasil, passou de 115 para 104.

2Assim, mais três programas foram desconsiderados da análise, portanto, o estudo passou a abranger 101 programas de pós-graduação da área.

3Importante registrar que o trabalho de campo transcorreu sem dificuldades. O principal entrave encontrado foi a existência de sites desatualizado de alguns PPG’s, o que se traduzia em uma lista defasada dos docentes a serem contatados. Neste sentido, em nossa lista de possíveis participantes da pesquisa, constava um professor(a) falecido(a), outro(a) professor(a) afastado(a) por problemas de saúde, quatro docentes estavam em dois PPG’s ao mesmo tempo - sendo considerados para fins de análise apenas uma resposta de cada um deles para evitar duplicidade de respostas -, foram excluídos sete professores visitantes, além de adicionarmos outros sete docentes que não constavam no site, embora estivessem vinculados aos PPG’s sorteados para a pesquisa, durante o período de vigência do trabalho de campo. Cabe mencionar que quatro entrevistados relataram dificuldades em preencher o questionário, deixando o instrumento incompleto ou sem resposta alguma. Encaramos essa dificuldade mais como recusa em participar do estudo do que um problema do instrumento da pesquisa, uma vez que o mesmo foi pré-testado com três professoras que atendiam o perfil da pesquisa, com diferença de idade e de localidade de residência.

4A literatura sobre taxa de resposta é para survey on-line limitada, sobretudo se considerarmos a análise da conjuntura brasileira. Ademais, Earl Babbie (1999) anota taxa de resposta recomendada como a equivalente a 50% e muito boa como 70%, todavia, o autor está considerando o contexto estadunidense e em caso de pesquisa por correspondência.

5Do total de 396 respostas, 90 não têm dado válido para esta análise, pois não respondeu uma das duas perguntas do questionário. Assim, estes casos foram desconsiderados para a elaboração do Gráfico 8 e da análise a seguir.

6Para esta análise, considerando o teste do qui-quadrado, há uma significância estatística ao nível de 0,00.

7As proporções anuais tendem a ser menores, pois grande parte dos eventos internacionais são bianuais, como a Associação Latino-Americana de Sociologia (Alas) e a Associação Latino-Americana de Ciência Política (Alacip). Dados consolidados em um intervalo de cinco anos permitem cobrir com mais facilidade a participação em eventos internacionais, por conta do período maior de análise.

8Embora em menor quantidade, a análise também considerou publicações em revistas brasileiras de nível internacional.

Recebido: 04 de Julho de 2019; Aceito: 27 de Novembro de 2019

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