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Psicologia & Sociedade

On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.14 no.1 Belo Horizonte Jan./June 2002

https://doi.org/10.1590/S0102-71822002000100001 

EDITORIAL

 

 

Cleci Maraschin

Editora de Psicologia & Sociedade

 

 

É com grande honra e senso de responsabilidade que assumo a editoria da Revista Psicologia & Sociedade. Tomo como um desafio dar continuidade a um trabalho consolidado e reconhecido não somente pelos membros da Associação Brasileira de Psicologia Social, mas também pela comunidade científica que faz da interface da psicologia e da sociedade seu campo de investigação e de reflexão teórico-metodológica. Assim como o menino que se empenha na construção de uma pipa, como ilustra a capa deste número, expresso meu desejo e o da Comissão Editorial de prosseguir os esforços para que a Revista seja cada vez mais reconhecida como um vigoroso fórum de interlocução no plano da Psicologia Social.

Esse número reflete o movimento de transição editorial da Revista. Alguns dos artigos aqui publicados já haviam sido aprovados no processo editorial anterior. De um modo geral podemos dizer que os artigos desse número demarcam alguns dos objetos de estudo ativos entre os pensadores desse domínio de conhecimento. O conjunto dos primeiros quatro artigos toma como foco a identidade a partir de temáticas e escolhas teóricas diferenciadas. Eles configuram uma espécie de dossiê que poderíamos denominar "Leituras da Identidade".

José Rogério Lopes em seu artigo pontua alguns movimentos significativos da produção da categoria identidade nas Ciências Sociais. Sua análise, entre outras coisas, convida a pensar a predominância dos usos aplicativos da categoria identidade em detrimento de reflexões de seus pressupostos epistemológicos.

Deslocando-se de um eixo histórico e epistemológico da reflexão da identidade para pensar como os grupos categoriais produzem modos identitários sociais, João Eduardo Coin de Carvalho propõe a definição dos grupos-nome cujas relações predominantemente virtuais se efetivam pelas bordas, ou pelo nome do grupo. Denuncia como o esvaziamento do imaginário social pode dar lugar a ações de controle e de violência.

Ainda do âmbito dos efeitos das tecnologias da comunicação na produção de identidades sociais, a análise de Neuza Guareschi e Inês Hennigen de um comercial de tv, a partir da perspectiva dos Estudos Culturais, demonstra a condensação de várias significações contemporâneas da paternidade.

A proposição de Ricardo Franklin Ferreira por uma identidade afrocentrada é feita após a análise do modo como alguns pressupostos do denominado projeto epistemológico da modernidade constituem um campo fértil para a sustentação do preconceito em relação às populações negras.

Além da identidade outros temas de relevância são tratados no presente número. Osvaldo Gradella Junior a partir da análise de indicadores de internas de um hospital psiquiátrico discute a necessidade de construção de perspectivas diversas da lógica prevalente nas internações como alternativas que fortaleçam a luta antimanicomial.

Álvaro Roberto Crespo Merlo e Neuzi Barbarini discutem como a reestruturação produtiva tensiona os modos de trabalhar causando uma mobilização psíquica dos sujeitos para fazer frente ao sofrimento.

O último artigo problematiza as questões da felicidade e da liberdade na perspectiva de Adorno. Ao fazer essa problematização Kety Valéria Simões Franciscatti afirma o potencial da Psicologia no combate às formas de ilusão.

A resenha crítica de Henrique Nardi apresenta e discute o último livro de Robert Castel que resulta de uma longa entrevista concedida a Claudine Haroche acerca da problemática do trabalho como elemento estruturante da sociedade capitalista, dando subsídios para entender a genealogia do indivíduo moderno.

Na expectativa que os artigos publicados neste número possam incrementar o debate das temáticas abordadas convido os leitores a enviarem suas contribuições à Revista para que possamos mantê-la como um fórum privilegiado de discussão e de trocas.

Antes de finalizar esse editorial não poderia deixar de agradecer o trabalho do Professor Antônio da Costa Ciampa e de sua equipe na condução da revista nos últimos anos.

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