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Psicologia & Sociedade

On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.19 no.3 Porto Alegre Sept./Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822007000300011 

Inventando a contra-mola que resiste: um estudo sobre a militância na contemporaneidade1

 

Inventing the opposing-spring that resists: a study on the spirit of militancy in contemporaneity

 

 

Thaiani Farias Vinadé; Pedrinho Arcides Guareschi2

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil

 

 


RESUMO

Este artigo procura problematizar a militância na contemporaneidade a partir de entrevistas realizadas com militantes de movimentos sociais. Discute as possibilidades de construções militantes na atualidade a partir do conceito de modernidade líquida, que nos auxilia na compreensão das possibilidades de ser e estar no mundo, e da idéia de invenção, que busca a desconstrução das evidências do senso comum, deixando de entender os objetos de estudo como naturais ou permanentes, compreendendo-os como transitórios e construídos. Buscamos, assim, produzir este estranhamento com a questão da militância para que os olhares e as perspectivas de sua compreensão da militância sejam ampliados para além de estereótipos e pré-conceitos.

Palavras-chave: Militância; movimentos sociais e subjetividade; modernidade líquida.


ABSTRACT

This paper aims at querying the spirit of militancy in contemporaneity, studying interviews performed with several social movement activists. It discusses the possibilities of militant activity development in present times, after the concept of liquid modernity, which will help us to comprehend the possibilities of being and belonging in the world; and the idea of invention, that seeks to deconstruct the evidences of common sense, abandoning the under-standing that the objects of research are natural or permanent, understanding them as ephemeral and in construction. Thus, we seek to produce this estrangement with the matter of militancy so that the views and perspectives of its comprehension may be enhanced far beyond the stereotypes and preconceptions.

Keywords: The spirit of militancy, social movements and subjectivity, liquid modernity.


 

 

"O jeito é criar um novo samba sem rasgar a velha fantasia"
(Rumo dos Ventos – Paulinho da Viola)

 

O surgimento das Organizações Não-Governamentais (ONGs), o incremento das ações do terceiro setor, a omissão cada vez mais extrema do Estado nas questões mais básicas do cotidiano dos cidadãos e, principalmente, o fato de ainda ouvirmos muito falar em militância, fez com que nos questionássemos sobre o que é ser militante hoje. Para potencializar essa discussão, não procuramos, neste artigo, definir um conceito de militância. Nosso objetivo é tomar distância de nosso objeto, qual seja, a militância, para que possamos estranhá-lo e trabalhá-lo como um operador que produz um deslocamento e uma desestabilização. Esperamos, com isso, contribuir para as reflexões sobre as atuais possibilidades de participações militantes, compreendidas a partir do olhar da psicologia social.

Procuramos traçar nessa discussão uma cartografia que não se propõe a buscar uma verdade sobre a questão estudada, mas problematizá-la, colocá-la em análise, tomá-la como uma questão em aberto, que está em constante mutação. Inventar a militância, como coloca Silva (2005) implica desconstruir a expectativa de descobrir algo pre-existente, criando a "necessidade de pensar outramente, de produzir um estranhamento naquilo que é tido como natural e evidente" (p. 9). Este texto procura aproximar-se de uma fotografia, como tal, momentânea, que precisa sempre ser contextualizada e reatualizada (como muitas coisas, aliás, em nossa modernidade líquida e fugaz), como diz Bauman (2001).

Vivemos num mundo com fronteiras extremamente tênues, difusas. Não temos mais metanarrativas que amparem nosso modo de ser e estar no mundo: nossas certezas escorregam pelo ralo. Os estereótipos já não nos servem para muita coisa. Se em outros tempos (ao menos achávamos que) sabíamos quem era gay, ladrão, prostituta ou qualquer outra dessas categorias pré-concebidas, hoje já não temos parâmetros tão óbvios: a prostituta pode ser a universitária simplória, o ladrão o rapaz de terno e gravata e o gay pode ser o empresário bem sucedido. Se antes sabíamos quais eram os bairros perigosos e violentos e quais eram aqueles em que podíamos transitar com tranqüilidade, hoje já não podemos identificar onde se localiza a violência. Se antes um trabalhador permanecia por 20 anos numa mesma fábrica, hoje precisa estar constantemente se atualizando e correndo atrás de possibilidades face à flexibilidade do emprego. A ordem e a disciplina, tão valorizadas pela modernidade, não dão mais conta de intermediar nosso relacionamento com o mundo contemporâneo. Não podemos mais contar com parâmetros rígidos, bem definidos, claros e constantes: nossos valores não têm sentidos fixos.

Nesse contexto, a militância também precisa ser revisitada. Quando falamos em militância, muito provavelmente o leitor formará a seguinte imagem em sua cabeça (ou algo que não fique muito longe disso): um homem, barbudo, jovem, sisudo, que só fala de política em todos os momentos da vida, que não relaxa, não tem vida social e familiar, de chinelo de dedos e sem muita preocupação com a estética (mesmo sem abrir mão de uma camiseta com a foto de Che Guevara).

Mas será que podemos considerar este o retrato dos militantes de hoje? Acreditamos que não. De certa forma, a queda das grandes narrativas abriu o leque de possibilidades de subjetivação, ampliando espaços de multiplicidade, bem como de provisoriedade. A militância não fica de fora dessas mudanças da contemporaneidade. Não podemos mais contar com a existência de uma identidade militante como uma unidade fixa. Não que ainda não vejamos os velhos protótipos circulando por aí, mas hoje, vemos senhoras de classes abastadas denominando-se militantes, bem como alguns militantes dos anos 70 trabalhando para governos de direita para proverem seu sustento. Precisamos, como psicólogos sociais, repensar a militância para que não corramos o risco de cristalizar nossas práticas com base em velhas e obsoletas categorias de análise. Guattari (1987) escreveu que é preciso desconfiar sempre de nossas categorias e é com esse desafio que enfrentamos a questão da militância neste trabalho.

Nossos tempos são de globalização, onde não há um lugar no qual não possamos acessar a internet e, com ela, nos plugarmos no mundo. As tecnologias mudaram nossa relação tempo/espaço e, assim, nossa conexão com o mundo e com os outros. Temos mais possibilidades de conhecer diferentes culturas, realidades, pessoas: a diversidade invadiu nossas vidas. Ao mesmo tempo, passamos muito mais tempo trabalhando – quando encontramos essa possibilidade - e nossos males têm a ver com o stress e a depressão, oriundos da solidão e do individualismo de nossos tempos. Esse jeito de nos relacionarmos com e no mundo de hoje serve de pano de fundo, de cenário para o palco dos movimentos sociais e da militância.

Este artigo apresenta a análise dos processos que atravessam a militância a partir de histórias militantes.3 A partir do trabalho de análise das entrevistas realizadas, chegamos a dez grandes temas, que sintetizamos em dois grandes vetores, com os quais trabalharemos neste texto. O caminho que propomos ao leitor para que possamos pensar e contextualizar a militância hoje se dá, então, a partir destes dois vetores de análise que atravessam a construção militante no contemporâneo. Num primeiro momento, apresentamos o vetor que chamamos de "já chega de gente acomodada!", no qual trabalhamos as questões que envolvem o engajamento na luta, a formação dos coletivos, as histórias de vida militantes e as paixões que estão imbricadas nesses processos. Em seguida, a partir do segundo vetor de análise chamado de "sobre a panela de pressão", procuramos esquadrinhar as questões paradoxais que se impõe à vivência militante na contemporaneidade. Por fim – sem a pretensão de concluir – nos propusemos a trilhar os possíveis caminhos militantes de hoje, propondo um mergulho na compreensão de nosso objeto de análise.

 

"Já Chega de Gente Acomodada!"

Apesar de não tratarmos da militância como um acontecimento individual, percebemos que esta tem uma importante ligação com as histórias de vida de cada um, sendo uma possibilidade de reação e uma alternativa em busca da autonomia e cidadania. Muitos sujeitos com história de militância falam sobre suas vidas, tomando a família como sua origem e criação, fazendo conexões disso com os motivos que os impulsionaram à militância: "Minha mãe sempre falava assim, ó, 'tu tem que ser o melhor, porque lá fora o mundo é dos brancos'".

A construção de uma nova sociedade passa pela realização e pela construção do homem particular, pela subjetividade, pela singularidade dos militantes. Militantes produzem e são produzidos pela militância continuamente, o que faz com que não possamos esmagar e dicotomizar a dimensão individual e subjetiva dos processos coletivos: "Dentro da redução de danos eu consegui encontrar uma maneira de consertar aquilo que eu fiz na minha própria vida e poder ajudar as pessoas também".

A militância surge na vida das pessoas como uma via possível de exercer-se como sujeito, de ser o que se é. Pessoas com histórias de militância mostram que não encontram espaço no mundo para serem quem são, buscando no movimento social e na militância um território onde isso seja possível. Talvez esse seja o elemento disparador, a mola propulsora de todo envolvimento, do engajamento que mobiliza à contestação do status quo. De alguma forma os sujeitos se percebem impedidos de serem quem são (sem-terra, marginalizado, homossexual, usuário de droga, negro, mulher), sentindo-se oprimidos por um sistema carregado de preconceitos, estigmas e exclusões. São essas afetações na carne, pungentes, que incitam a busca de transformações através da luta:

O que te satisfazia antes, fica completamente insuficiente. Esse caminho da passagem de um certo tipo de vida para outro é feito de se reconhecer e reconhecer sua posição no mundo e tentar agir de acordo com isso que você vai percebendo.

O movimento de perceber-se diferente e sem lugar, do qual falam as pessoas com histórias militantes – o que possibilita que as pessoas se envolvam e participem de grupos, coletivos e movimentos – tem muito a ver com a insuficiência do Estado frente à questões de necessidades básicas. O Estado mínimo não tem condições de prover uma qualidade de vida razoável aos cidadãos, que não mais apostam neste Estado para dar conta de suas demandas. Misture-se a isso uma sociedade capitalista pautada em valores competitivos, individualistas e preconceituosos e temos o que um militante chamou de "uma pulga atrás da orelha". Essa pulga age forçando os sujeitos a refletirem sobre suas condições de vida, produzindo questionamentos, inquietações, incomodações e revoltas, que, aliadas à paixão, abrem caminho para o engajamento em uma causa. A desacomodação aparece nos relatos de militantes como um pré-requisito implícito para a militância. A partir do momento em que determinadas dúvidas e reflexões começam a ganhar espaço em si, a vontade de transformar as relações aumenta e se torna praticamente impossível não engajar-se: "Eu tinha 15 anos quando comecei a participar das reuniões da pastoral da juventude... e comecei a me dar conta que eu era uma sem-terra"; "Eu não vou desistir de mudar as coisas do jeito que elas são... Eu não quero me acomodar. Já chega de gente acomodada"; "Essa é a pulga atrás da orelha, é reconhecer o sofrimento acumulado e recusar falsos consolos".

A concepção de uma subjetividade militante, aqui, é tomada a partir de uma multiplicidade que perderia muito de sua riqueza se fosse tipificada. Entretanto, existem elementos no processo de subjetivação que, mais ou menos, se mantém e mantém a possibilidade de coesão do grupo. O coletivo, o movimento social aparece como um lugar de acolhimento das angústias e revoltas partilhadas. Os militantes atribuem grande valor aos iguais, isto é, mostram que é importante estar entre pessoas que têm as mesmas aspirações e desejam lutar pelas mesmas causas:

Uma coisa que me atraía neles era uma certa harmonia, um certo companheirismo, uma coisa que contagiava... a gente se sentia acolhido... vi que eu podia viver num grupo onde a gente podia se ajudar.

Outra questão diz respeito ao título de militante. Em nenhuma das entrevistas realizadas nomeamos as pessoas ou as atividades realizadas dessa forma. Entretanto, todos os sujeitos se intitularam militantes. Tínhamos receio desta nomenclatura por ter uma forte referência de caráter militar a partir de sua etimologia; justamente por isso, optamos por não assumi-la de antemão. Entretanto, fica evidente que este é um termo amplamente utilizado, perdendo a conexão com a origem etimológica.

O termo "militância" parece desgastado, tendo sido ligado a uma infinidade de movimentos e lutas. A contemporaneidade apresenta múltiplas possibilidades de engajamento, das mais cotidianas às mais esporádicas, o que faz com que, de certa forma, todos se sintam e nomeiem-se militantes de alguma causa, tais como a ecológica, que reúne hoje todos aqueles que têm diferentes formas de preocupação ambiental. Identificar-se como militante tem forte ligação com a dimensão de "entrar de cabeça na briga", como se o termo ganhasse sentido no suor da luta. Para Baltazar (2004), a subjetividade militante acontece quando o fazer militante existe, quando a pessoa comparece diante do grupo que pressupõe essa identidade, reafirmando-a. A autora destaca a militância como parte dos processos psíquicos dos sujeitos, sendo uma participação política engajada, crítica, que busca novos valores para uma nova sociedade: "Militância é isso, você tem que ter conhecimento teórico daquilo que você tá militando, mas também tem que ter paixão, você tem que gostar, tem que dar suas horas"; "Eu sou redutor de danos 24 horas por dia... Por isso me considero um militante, porque eu tô vivendo isso o tempo todo, não só como profissional".

Existe um cuidado em manter o foco da luta na causa com a qual os sujeitos militantes estão envolvidos. Por fazerem parte de movimentos, organizações, precisam ficar constantemente atentos para que não se tornem militantes de uma determinada entidade, o que acabaria por deixar a causa em segundo plano. Essa percepção supera o reducionismo que muitas instituições estimulam: "A gente não pode ser militante de uma organização. Eu não sou militante de uma organização, eu sou militante de uma causa. A causa persiste e é superior à organização"; "Eu não tenho partido nenhum, mas eu tenho uma causa, que é ajudar essas pessoas excluídas a acessarem seus direitos de cidadãos".

A possibilidade de uma dicotomia entre teoria e prática é algo que mobiliza os militantes. Fica claro que há uma preocupação com a ação concreta, com que a luta não se perca no discurso, nas palavras. Militar é agir, sendo a militância um território onde mais do que as palavras, o que realmente importa são os atos (Guattari, 1987). Contudo, há, também, a idéia de que a construção da ação é um processo trabalhoso, pois as forças contrárias às causas pelas quais lutam, em nossa sociedade, são poderosas e, muitas vezes, podem acabar por minguar as ações ou até levar alguns militantes a desistirem: "Eu fico até incomodado de dizer essas coisas que eu acredito, que eu acho que são corretas, mas que eu vou sair daqui e não vou conseguir fazer essas coisas... Muita gente regride, desiste, abandona".

A heterogeneidade que permeia o mundo da modernidade líquida (Bauman, 2001), propicia uma pluralização da pessoa, onde os processos sociais pelos quais passamos fazem com que tenhamos múltiplas identificações, superando a lógica da identidade da modernidade (sexual, profissional, ideológica, etc.) (Mafesolli, 2005). Dessa forma, poderíamos entender a militância como uma possibilidade de identificação política que precisa estar em constante reconstrução para dar conta da multiplicidade de demandas do contemporâneo.

O encontro de fluxos heterogêneos não resulta na invenção de um si e de um mundo, em constante transformação (Deleuze, 1977). Ao encontro dessa idéia, Kastrup (1999, p. 187) nos auxilia quando retoma o conceito de agenciamento:

Não se trata de relação sujeito-objeto: o conceito de agenciamento vem justamente oferecer uma saída para as dificuldades de pensar por meio das categorias modernas, dentre as quais se colocam as de sujeito e de objeto. Pensar em termos de agenciamento é, nesse caso, um alternativa para superar a categoria de intencionalidade, pois não se trata de uma direção da consciência ou da cognição para algo fora dela, que teria a forma de um objeto.

A valorização é um fator importante para os militantes. Trata-se do reconhecimento de seu valor, de suas potencialidades, que pareciam não ter espaço e visibilidade fora do coletivo organizado. A inserção no movimento agrega aprendizagens, possibilitando contato com situações que, em outra condição, não teriam acesso. A militância é compreendida como território de aquisição, de crescimento pessoal e profissional. Neste, os militantes dizem aprender mais sobre relações interpessoais, sobre grupos, política, sobre o mundo em geral:

As pessoas me tratam com o maior respeito... Eu me sinto super importante quando, por exemplo, a Escola de Saúde Pública me chama para falar sobre redução de danos num curso... Minha auto-estima se eleva bastante.

 

Sobre a "Panela de Pressão"

Este item procura, como trouxemos anteriormente, abrir espaço para o paradoxo. Aqui, procuramos trabalhar aquelas questões que aparentemente são contraditórias na militância. Entretanto, como não estamos trabalhando com uma lógica "ou, ou" – mas "e, e" – acreditamos que as questões apresentadas a seguir carregam em si a riqueza do processo de construção da militância no contemporâneo, trazendo os elementos da provisoriedade da contemporaneidade que discutimos acima.

A relação dos cidadãos com o Estado é um dos principais pontos de tensão da militância hoje, ficando evidente a partir das críticas que os militantes fazem à postura deste frente às questões pelas quais lutam. O Estado é percebido como omisso e insuficiente, jogando para os movimentos sociais, ONGs e outras entidades a responsabilidade pelas ações de transformação da realidade. O Estado e suas políticas públicas de segurança, saúde, cultura e educação é incapaz de fornecer respostas às reivindicações da população e os movimentos sociais são procurados na tentativa de que possam dar algum ar aos que se sentem asfixiados: "Ninguém se reúne, como grupo social, se não tem uma necessidade".

Os militantes acreditam que os movimentos sociais têm mais condições de exercerem sua autonomia como grupo, tomando decisões, criando suas regras e estratégias próprias. É dessa forma que inicia-se um processo de agenciamento coletivo para a obtenção do que lhes é negado pelo Estado (Cruz, 1998). Entretanto, ao mesmo tempo em que os movimentos reagem à omissão do Estado, sendo seus principais críticos, vemos que hoje muitos movimentos necessitam desse mesmo Estado para se manterem economicamente. Depender economicamente de financiamentos públicos, o que, de alguma forma, requer certa sintonia com a gestão que está no poder municipal, estadual ou federal, é problemático. A militância depara-se, assim, com uma questão fundamental, qual seja, como manter seu papel crítico e autônomo na medida em que precisa, de certa forma, estar em sintonia com o Estado para viabilizar-se financeiramente?:

O movimento social, quando não tem uma discussão e autonomia, vai reivindicar um estado paternalista... Isso não quer dizer que não haja possibilidade de fazer parceria, de financiamento público, mas tem que saber muito bem até onde tu podes ir, não substituir o estado, que é o que muitas ONGs fazem e o que o estado exige.

Para que as condições ideais ao capitalismo atual sejam incentivadas, temos uma sociabilidade contemporânea baseada no individualismo (Oliveira, 2004). Os sujeitos encontram cada vez mais dificuldades de socialização, remetendo ao paradoxo de que "quanto mais amplo o universo de referências em tempos de globalização, mais sozinhas as pessoas se encontram" (Oliveira, 2004, p. 153). Vemos sujeitos ensimesmados, com laços enfraquecidos e, dessa forma, suscetíveis à captura da cultura narcísica, de consumo da mídia. A militância surge como uma força de resistência que busca potencializar as subjetividades em torno de objetivos coletivizados, procurando no grupo a superação da cultura capitalista baseada em valores individuais, permitindo a cooperação invés da competição.

O coletivo é almejado na medida em que os sujeitos percebem que na partilha poderão construir territórios de cooperação que efetivamente tenham força. Os espaços individuais parecem ser inócuos e são vistos como alimento para a situação de marginalidade. Fica claro que há uma opção (às vezes mais ou menos consciente) por determinados valores em detrimento de outros. Todos os sujeitos possuem determinadas cosmovisões, ou seja, possuem valores e condutas que refletem determinados tipos de relação e construção social (Guareschi, 2004). Nessa perspectiva, podemos dizer que a militância busca o "comunitarismo solidário", apostando na força da comunidade, na cooperação e na participação engajada (Guareschi, 2004). Coimbra (2004) aponta o exemplo do Movimento Zapatista, do México, onde o rosto coberto pelas toucas de lã, que chamam de 'pasamontañas', simboliza a luta coletiva, contra a individualização, procurando mostrar que a força não tem rosto, não é personalizada, mas permeia a coletividade: "se querem saber que rosto há por trás da máscara, é muito simples, peguem um espelho e se olhem" (sub-comandante Marcos, in Huerta, apud Coimbra, 2004, p. 138): "O que me faz permanecer no movimento é ver um brilho no olhar das pessoas quando se dão conta de que quando elas se juntam elas se sentem fortes".

Os militantes certamente assumem um desafio importante ao buscarem a organização coletiva, deixando claro os paradoxos envolvidos nesse processo. Ao mesmo tempo em que apostam no grupo como uma alternativa para "fazer acontecer", têm que conviver com as disputas e preconceitos internos ao movimento, além das divergências em relação à compreensão das lutas. Fica claro que a luta é pela autonomia, mas que as práticas paternalistas, tão presentes num sistema capitalista como o nosso, influenciam diretamente as estratégias dos movimentos sociais. Além disso, a existência de uma rivalidade entre diferentes movimentos que lutam pela mesma causa mostra a dificuldade de composição de rede, deixando de fortalecer a luta em nome de rixas grupais. Problematizando essa questão, a pesquisa de Baltazar (2004) mostra com clareza as disputas de poder e espaço na militância. Se antigamente os movimentos sociais disputavam com a direita, hoje disputam entre si, gerando um clima de desconfiança em valores como a ética e a democracia. A parceria e a cooperação não podem ser entendidas fora do contexto em que se constróem: o da competição e do individualismo. Mesmo lutando por outros valores, os militantes vêem seu cotidiano ser permeado por disputas e rivalidades: "Mas essa construção de ser humano não é algo, assim, romântico... Ao contrário, é uma panela de pressão permanente... Os conflitos indivíduo/coletivo estão latentes".

Em outros tempos, tempos de maior rigidez, tempos de solidez, os sujeitos encontravam-se presos a um sujeito/modelo definido: dentro da lógica binária do ou/ou, há a necessidade de uma definição que durasse o maior tempo possível. Trata-se, de certa forma, de um achatamento subjetivo. Hoje, em tempos de maior liquidez, não é assim. Existem mais espaços de maleabilidade das subjetividades, que permite que os sujeitos experenciem diferentes posições sem que isso seja sinônimo de contradição: é a possibilidade da lógica e/e.

A relação da militância com a mídia assume um papel importante na articulação das ações dos militantes. Os movimentos sociais com os quais tivemos contato trazem o conflito que vivem na relação visibilidade versus captura. Hoje, em nosso país, especialmente, convivemos com um monopólio da mídia, onde meios de comunicação eletrônicos (como rádio e televisão), embora tenham massiva difusão em todas as camadas sociais e, em tese, sejam de domínio público, estão nas mãos de algumas famílias e de políticos poderosos. Assim, o que é veiculado ou não (e mais, como é veiculado) fica a cargo de poucos, que obviamente procuram defender seus interesses, mesmo que para isso precisem deturpar algumas notícias. A informação é a moeda do milênio e que quem controla os meios de comunicação detém o poder (Guareschi & Biz, 2005). Na mesma esteira, Thompson (1995) afirma que os novos meios técnicos modificam as relações sociais. Para ele, estes criam novas formas de ação e interação, reestruturando as relações sociais existentes, bem como as instituições e organizações das quais fazem parte.

Na militância, a relação com os meios de comunicação é conturbada. Por um lado, os movimentos desejam e lutam por espaços na mídia, entendendo que sua causa precisa se tornar pública, ser socializada com a sociedade para que esta se sinta provocada a pensar sobre as questões que trazem. O sucesso dos movimentos depende, em parte, da sua visibilidade. Acreditam que é importante que a população discuta o que propõem, pois a mudança depende do conjunto da sociedade: a luta ganha legitimidade quando é reconhecida pela sociedade como um todo. Assim, por ser de grande alcance, a mídia se mostra como o instrumento mais eficiente de divulgação das causas defendidas pelos militantes: "Pra muita gente, se tá fora da mídia, não existe. Tem que dar essa projeção, sim."

Não vejo como elevar o nível de consciência das pessoas se não tivermos em mãos mecanismos como o da televisão, para fazer novelas com outros objetivos, por exemplo. Como é que 80 milhões de brasileiros sentam na frente da televisão pra ver uma novela?

Por outro lado, a mídia no Brasil é controlada, como já dissemos, por interesses específicos de pequenos grupos que defendem suas idéias, o que pode fazer com que idéias sejam ressaltadas ou ocultadas. Os movimentos temem o modo como a mídia possibilita a produção de realidades, pois acreditam que os interesses da grande mídia nem sempre estão em consonância aos dos movimentos sociais. É nessa relação paradoxal, entre a visibilidade e a captura, que os militantes cambaleiam, sem ainda saberem qual a estratégia mais interessante para conseguirem seus objetivos.

Outra problemática que a mídia carrega consigo é a maneira com que trata os movimentos sociais, minimizando, muitas vezes, o aspecto combatente da luta e colocando-a numa embalagem aceitável para transformá-la num produto vendável:

As bichas adoram a mídia e ao mesmo tempo questionam a mídia... Demos um grande salto de qualidade e visibilidade... Mas tem outro aspecto, que a gente não pode desconsiderar, que nós também somos um produto da mídia, nós também damos Ibope... A gente também é um produto que pode ser consumido, de alguma forma eles ganham alguma coisa nesse sentido.

Eu acho que o principal mecanismo que a burguesia tem hoje para nos fazer parar são os meios de comunicação, que vão criando um estigma contrário aos sem-terra, à luta pela reforma agrária. Hoje nós estamos numa asfixia... a gente tem muito pouco controle sobre isso.

As relações de gênero, quando aparecem nas histórias de militância, mostram-se limitadas às questões de papéis sociais. Conforme Strey (1998), o poder social ainda é identificado com atributos masculinos. Nos movimentos sociais, embora lutem pela igualdade de direitos, isso não é diferente. As mulheres ainda ocupam papéis de relevância diminuída nas discussões políticas. Em nossas entrevistas, a questão de gênero ganhou espaço, inclusive no movimento que tinha essa temática como foco de ação: "Tem muita hipocrisia por parte dos homossexuais. Há muito preconceito por parte dos homossexuais com as bichas afeminadas e as travestis... Eles não revelam isso, não assumem isso"; "A gente vive uma condição de opressão muito grande sobre as mulheres... As mulheres têm uma porção de idéias que são sufocadas, porque não são chamadas a dizer o que poderia ser diferente".

O "inimigo diluído" que a militância de hoje enfrenta é, ao nosso ver, o maior desafio que a militância encontra. A modernidade líquida (Bauman, 2001) tornou as fronteiras e as posições mais difusas, tornando o "inimigo" também escamoteado. Em outros tempos, era possível identificar os movimentos de esquerda e as forças de direita, reacionárias. Tudo parecia mais claro e delimitado. Atualmente, vemos estratégias de direita em grupos ditos de esquerda e vice-versa. Isso causa certa angústia nos militantes, que ainda não descobriram como atacar esse inimigo difuso, diluído. Cada época tem seu rei clandestino, ou seja, figuras emblemáticas, totens, reprodutoras de valores. Assim, a chamada pós-modernidade tem na heterogeneidade seu rei clandestino (Mafesolli, 2005). Vivemos sob a égide do plural, múltiplo, do nomadismo, da errância e da constante metamorfose. Nossas fronteiras se tornam difusas e os limites entre certo e errado, direita e esquerda, avanço e retrocesso, se tornam escamoteados. A militância, dessa forma, se vê obrigada a repensar suas armas, pois os alvos estão em constante movimento.

É muito mais difícil, assim, identificar o inimigo no nível molecular, pois não se trata, como no nível molar, de um inimigo de classe que vai se encarnar num ou noutro líder (Guattari & Rolnik, 1986). Nesse caso, o inimigo se encarna nos amigos, em nós mesmos: o que deve ser combatido também está dentro de nós! É evidente que essa incerteza traz angústias para o cotidiano da luta, pois quando pensam que estão escapando das garras do capital, percebem-se completamente reféns do mesmo: "Pra cada espaço alternativo que você encontrava, em pouco tempo, ele se mostrava como uma vertente do mesmo problema que você tava tentando escapar"; "A tendência é diminuir, simplificar e massificar. Simplifica, põe num pacotinho que pode ser vendido de qualquer maneira e vende 'as ganha'".

Hoje tá muito complicado, porque a esquerda também é perversa... às vezes pior que a direita, porque a esquerda ela te mata, mas te mata dizendo que tá te dando um suquinho, mas ela tá te matando. E a direita não, a gente já sabe qual é a posição ideológica. Ela chega e te guilhotina e pronto.

 

O Barco à Deriva...

"Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura, que estamos a construir" (Gramsci, 2006).

Militar, hoje, é agir, é lutar, é estar imbuído do espírito coletivo, é criticar, contestar, não conformar-se com um mundo onde valores individuais, competitivos, narcísicos e de consumo comandam as subjetividades e as ações políticas. A militância de hoje ainda traz consigo muitos valores de outrora, mas procura organizar-se de maneiras diferenciadas, lançando mão, por exemplo, do amparo de uma organização legalmente reconhecida que dê suporte à luta.

Apesar dos anseios de resistência, de luta contra qualquer tipo de opressão e omissão do Estado, cabe refletirmos sobre as limitações que a ação militante de hoje nos apresenta. Os principais entraves que os militantes apontam têm a ver com sua relação com órgãos do Estado e com a mídia. Entretanto, as contradições internas à mobilização assumem um papel importante na medida em que compõem um forte elemento da luta. A ação militante também está exposta a riscos de modelização, pois o que se apresenta como "alternativa" pode, embora assumindo outras formas, ser uma modelização igualmente opressora (Guattari & Rolnik, 1986).

Hoje, não é mais possível viver da luta. É preciso pensar a militância no contexto do neoliberalismo, que captura os sujeitos a todos instante e toma conta de nossos corpos de forma que em muitos momentos percebemos que o inimigo está em nós. Agora, o militante precisa ganhar seu sustento financeiro. Não existe mais um aparato de apoio que sustente a possibilidade de viver para a luta. Militar, em muitos casos, é sobreviver economicamente. Assim, a militância do contemporâneo tem novos e grandes desafios no que tange à construção de seus objetivos e, mais, à construção de suas ferramentas e estratégias para alcançá-los, sempre tentando esquivar-se das seduções e ditames do capital.

Que espécie de revolução a militância de hoje pode propor? Com que ferramentas? Que planos astutos são possíveis? E mais, parafraseando Foucault (1977, p. 2): "Como fazer para não se tornar fascista mesmo quando (sobretudo quando) se acredita ser um militante revolucionário?" Atualmente as possibilidades militantes são ampliadas, os cidadãos que militam o fazem nas horas que sobram de seus expedientes de trabalho. Os apelos do consumo e da massificação são cada vez mais sutis e, ao mesmo tempo, agressivos. Em tempos incertos, com a ruína das grandes instituições e com a crescente incerteza acerca das questões mais cotidianas da vida, é preciso abandonar antigos dogmas da militância, ressignificar as vivências de outrora e encarar de frente a fluidez e suas vicissitudes:

Hoje a gente precisa de outra revolução. Hoje a gente precisa continuar falando a mesma coisa, porque a coisa não mudou, mas infelizmente tem que achar uma outra maneira de falar as mesmas coisas, porque senão a gente vai virar um monte de robô.

Talvez a militância precise utilizar-se da fluidez para romper novas barreiras – por exemplo, aquelas impostas pelo neoliberalismo, como o Estado mínimo, competitividade, livre comércio, privatizações, etc. Talvez seja necessário agir como os líquidos, à espreita, de forma lenta e encharcada. Os bandos nômades ou semi-nômades podem ser um caminho contra-hegemônico. Enquanto a família nuclear é baseada na escassez (resultando em avareza), geneticamente fechada e hierárquica, o bando é gerado pela abundância (produzindo prodigalidade):

é aberto – não para todos, é claro, mas para um grupo que divide afinidades, os iniciados que juram sobre um laço de amor. O bando não pertence a uma hierarquia maior, ele é parte de um padrão horizontalizado de costumes, parentescos, contratos e alianças, afinidades espirituais etc. (Bey, 2004, p. 13).

É preciso suportar o tempo híbrido e à deriva em que se encontra a militância de hoje, para que se possa, então, explorar novos territórios de experimentação e estar aberto ao porvir.

Às vezes, o barco fica à deriva. Às vezes a deriva é um momento de silenciosa escuta do movimento dos mares. Talvez ela não signifique 'estar perdido, sem rumo', mas nos aponte um novo caminho, um novo território a ser acabado, a ser produzido (Barros & Brasil, 1992, p. 229).

Ser militante hoje, não significa ser, necessariamente, triste, sisudo, pesado e sério acima de tudo. Os militantes descobrem que a ação política pode – e precisa – ser mesclada com poesia, com desejo, com arte. A militância não se pretende mais a grande salvadora, messiânica, aquela que engendrará os encontros de forma que cheguemos ao grande dia da revolução, onde o final feliz salvará a todos exaustos pela luta. Não. Embora ainda estejamos explorando essas novas possibilidades de militância em meio à liquidez e incerteza que nos engolfa, sabemos, ao menos, que é preciso se deixar afetar, realizar manobras transbordantes e flexíveis para que sigamos colocando em xeque os ditames neoliberais que adestram os corpos e culpabilizam os sujeitos pelos males do mundo contemporâneo. Tempos de propagação e de gana. Tempos de encontros. Tempos de invenção.

 

Notas

1 Este artigo é parte da dissertação de mestrado defendida em março de 2006, sob o título de "Tempos de leveza e liquidez: As revoluções cotidianas da militância contemporânea".

2 Financiamento: CNPq.

3 Para a realização desta pesquisa, realizamos entrevistas narrativas com pessoas com histórias militantes que faziam parte de diferentes movimento sociais e ONGs, quais sejam: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Associação de Hip Hop do Vale dos Sinos (AHVS), Programa de Redução de Danos de Porto Alegre (PRD), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Nuances – Grupo Pela Livre Expressão Sexual e Grupo Tortura Nunca Mais. A análise das entrevistas realizadas foi fundamentada pelo nosso problema de pesquisa, qual seja, como se dá a militância na contemporaneidade e sustentada pelo aporte teórico com o qual escolhemos dialogar.

 

Referências

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Recebido: 24/10/2006
1ª revisão: 18/4/2007
Aceite final: 7/5/2007

 

 

Thaiani Farias Vinadé é Psicóloga, mestra em Psicologia Social e da Personalidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e residente em Saúde Coletiva pela Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul tativinade@yahoo.com.br
Pedrinho Arcides Guareschi é Professor pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS, coordenador do Grupo de Pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Endereço para correspondência: Av. Ipiranga, 6681, Partenon, Porto Alegre, RS, 90619-900. Tel.: (51) 3320.3633 – ramal 222 guareschi@pucrs.br