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Psicologia & Sociedade

On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.20 no.2 Porto Alegre May/Aug. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822008000200010 

Representação social do corpo na mídia impressa*

 

Social representation of the body in press media

 

 

Everley Rosane GoetzI; Brigido Vizeu CamargoI; Raquel Bohn BertoldoII; Ana Maria JustoI

IUniversidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil
IIUniversité Paris V (René Descartes), Paris, France

 

 


RESUMO

O presente estudo teve como objetivo investigar as representações sociais do corpo veiculadas pela mídia impressa em revistas de circulação nacional. Trata-se de uma pesquisa documental de caráter exploratório-descritiva, na qual foram contemplados todos os números das revistas Boa Forma, Estilo e Saúde entre 2005 e 2006, totalizando 88 artigos. As seções das revistas foram distribuídas em dois corpus que compunham temáticas sobre o corpo comuns entre as revistas: beleza e saúde. A análise dos dados foi realizada por meio de uma Classificação Hierárquica Descendente, com auxílio do programa ALCESTE. Os resultados indicam que as representações sociais do corpo nessas revistas contemplam dois principais aspectos: o primeiro, prático, contempla aspectos eminentemente físicos, relativos à estética e à saúde corporal; e o segundo, de caráter mais subjetivo, representa o corpo como uma unidade físico-psíquica, que prioriza o equilíbrio e o bem-estar para se alcançar uma vida mais saudável.

Palavras-Chave: Representações sociais; corpo; mídia.


ABSTRACT

This study aims at investigating the social representations of the body in three Brazilian magazines. It is a document-based research, comprising the magazines Boa Forma, Estilo and Saúde, published between 2005 and 2006, covering a total of 88 articles. The magazine sections were divided into two corpus, regarding the topics of beauty and health. The data analysis was carried out by means of a Descending Hierarchical Classification, using the ALCESTE program. The results show that the body, in these magazines, is either represented through aspects which are mainly physical, related to beauty and body health (more practical), or it is represented as a physical-psychical unit, which prioritizes well-being in order to promote a healthier life (more subjective).

Keywords: Social representations; body; press.


 

 

Além de um organismo natural, o corpo se constitui a partir de representações individuais e sociais, em uma unidade somato-psíquica, que pode ser desconstruída e reconstruída de maneira indefinida. Essa dinâmica se manifesta na forma como cada um usa, adoece, percebe, modifica, degrada e transforma o corpo. Em relação às mudanças do corpo causadas pela temporalidade biológica, observam-se tentativas de retardo do envelhecimento ou de completar as faltas do tempo pela renovação do aspecto físico corporal. Nesse sentido, os sujeitos buscam mudanças constantemente, seja para se reconstruir atendendo ao seu ideal estético, funcional ou, em casos extremos, numa busca incessante por mudanças (Andrieu, 2006).

Para fundamentar aspectos da construção do pensamento social a respeito do corpo, utilizou-se neste estudo a perspectiva teórica das representações sociais elaborada por S. Moscovici em 1961, cuja obra inspiradora foi La Psycanalyse: son image et son public (1976). A partir desse estudo inicial, Moscovici (2003) e vários autores tais como Abric (2001), Camargo (2005), Campos e Rouquette (2003), Doise (2001), Jodelet (2001), Nascimento-Schulze e Camargo (2000), Sá (1998) e Vala (2000), dentre outros, vêm contribuindo para a ampliação da perspectiva teórica da representação social.

Para Jodelet (1986) e Moscovici (1978), as representações sociais são formas de conhecimento do mundo, construídas a partir do agrupamento de conjuntos de significados que permitem dar sentido aos fatos novos ou desconhecidos, formando um saber compartilhado, geral e funcional para as pessoas, chamado de senso comum. Portanto, as representações sociais são um conjunto de conceitos, afirmações e explicações originadas no cotidiano, no decurso de comunicações interindividuais.

Jodelet (1984) enfatiza a importância do estudo do corpo a partir da perspectiva das representações sociais, pois estas assumem um papel importante na elaboração de maneiras coletivas de ver e viver o corpo, difundindo modelos de pensamento e de comportamento a ele relacionados. Nesse sentido, Jodelet (1994) afirma que a imagem externa do corpo aparece como um mediador do lugar social onde o indivíduo está inserido. Além disso, a autora descreve o corpo também como mediador do conhecimento de si e do outro, que se estabelece a partir das relações com o outro.

Jodelet, Ohana, Besis-Moñino e Dannenmüller (1982) num estudo considerado clássico sobre os sistemas de representação em grupos sociais, investigaram os efeitos das mudanças culturais em relação ao corpo. As autoras definiram a partir de seus estudos, três grandes categorias relacionadas às representações sociais do corpo. A primeira, referida pela maioria dos participantes, diz respeito à funcionalidade do corpo, na qual os indivíduos atribuem importância a preservar a saúde, a juventude, a forma; prevenir a deterioração e manter o equilíbrio psíquico, além de conservar a aparência estética. A segunda categoria refere-se a considerações propriamente morais, na qual os indivíduos enfatizam a necessidade de não ser desleixado, de ser disciplinado, de ter boa vontade e controle, de manter a dignidade, o respeito por si próprio e pelos outros, em conformidade com as normas sociais. A terceira categoria, definida como narcisista, foi composta por indivíduos que consideram importante o próprio prazer e o do outro, preocupam-se em ter uma apresentação favorável e manifestam intenção sedutora.

As representações sociais se referem a um fenômeno típico da sociedade moderna (Moscovici, 2003). O advento da comunicação em massa permitiu o acesso maciço a contextos sociais específicos, bem como a emergência de diversos novos núcleos sociopsicológicos de produção de conhecimento do senso comum e uma conseqüente diversificação das representações (Duveen, 2003). Nesse sentido, considerando-se a relação da mídia com o público – tanto consumidor quanto produtor do conhecimento – as representações sociais também são construídas e difundidas por meio da interação pública entre atores sociais, em práticas de comunicação do cotidiano (Moscovici, 1961/1976, 1982, 2003).

A interação de atores sociais através da mídia pode dar-se através de três sistemas distintos de comunicação (Moscovici, 1978):

1. Propaganda, sistema caracterizado por temas ordenados sistematicamente e bem definidos em antagonismos, com intenção persuasiva.

2. Propagação, estabelecido por membros de um grupo que possuem uma visão de mundo organizada em torno de uma crença a propagar.

3. Difusão, direcionado a um grupo social com identidade difusa, é moderada pela própria audiência tendo em vista que a informação aqui se constitui em produto, isto é, o objetivo é de simplesmente informar, o que contribui para a formação do saber comum.

Considerando-se o sistema de difusão (Moscovici, 1978) como produto de um diálogo social e, portanto, ambiente de circulação de representações sociais, a mídia, em especial as revistas, têm-se constituído em veículos de representações sociais (Camargo & Barbará, 2004; Serra & Santos, 2003; Swain, 2001). Em relação ao modo como ver e viver o corpo, a mídia estipula modelos de beleza, que são absorvidos pela sociedade como um padrão a ser imitado (Tavares & Brasileiro, 2003).

A partir dos estudos de Jodelet (1984, 1986, 1994), um número significativo de pesquisadores vêm se dedicando à investigação das representações sociais do corpo relacionados com imagem, idade, sexo, envelhecimento, saúde e estética, dentre outros temas (Camargo, Goetz, & Bárbara, 2005; Camargo, Goetz, Barbará, & Justo, 2007; Camargo, Goetz, & Justo 2007a, 2007b; Citeli, 2001; Ferreira & Mamede, 2003; Nascimento & Rodrigues, 2003; Novaes & Vilhena, 2003; Schpun, 2002; Secchi, 2006; Serra & Santos, 2003; Stenzel & Guareschi, 2002; Strazzacappa, 2001; Swain, 2001; Veloz, Nascimento-Schulze, & Camargo, 1999).

Swain (2001), num estudo sobre feminismo, pesquisou as principais representações sociais presentes em capas de revistas femininas brasileiras. Nas revistas Nova e Marie Claire, encontrou representações associadas ao corpo, à sexualidade heterossexual, à sedução, ao casamento e à maternidade. Quanto ao corpo, a autora ressalta que há ênfase no corpo tecnológico, refeito, remodelado para seguir o modelo de mulher cujas imagens estão presentes nessas revistas. Assim, na Marie Claire são sugeridos principalmente a plástica no abdome e os transplantes, enquanto na Nova a ênfase está no aumento dos seios com silicone. Concluiu que em ambas as revistas o corpo é central, pois é a partir de sua capacidade de sedução que os demais elementos da rede discursiva se integram. Os transplantes, as plásticas no abdome, os cosméticos rejuvenescedores e os implantes de silicone aparecem como recursos imprescindíveis na luta contra o tempo e as imperfeições. O modelo corporal estaria finalmente ao alcance de todas, e a beleza seria a condição essencial para o romance e a felicidade.

Em contrapartida, Novaes e Vilhena (2003) realizaram um estudo sobre a feiúra, buscando explicar como as atitudes em relação à feiúra, tanto no sentido de se sentir feio quanto no de atribuir feiúra ao outro, revelam maneiras na forma de lidar com o corpo, que por sua vez produzem vínculos sociais até então não evidenciados. Para as autoras, a feiúra é uma forma de exclusão social feminina, e a imagem da mulher continua associada a padrões estéticos socialmente estabelecidos, havendo cada vez menor tolerância a desvios de tais padrões. A gordura foi tomada como paradigma da feiúra e apontou para processos de exclusão vivenciados por aqueles que nela se enquadram, constatações semelhantes às apontadas por Serra e Santos (2003) e Stenzel e Guareschi (2002). Novaes e Vilhena (2003) também consideram que a beleza, a aparência física e o corpo têm grande importância no discurso da mulher de hoje, e o consumo de tecnologias de embelezamento podem de fato potencializar a maturidade da mulher, mas por outro lado, conduzir ao risco de um sutil deslizamento para a patologia, quando a beleza se torna um fim em si mesmo.

Outro estudo que enfatizou as representações sociais do corpo na mídia impressa foi realizado por Serra e Santos (2003), que pesquisaram a relação entre o adolescente e a obesidade, através da análise de 25 números da revista Capricho, no ano de 1999 (década na qual o consumo de alimentos dietéticos expandiu-se no Brasil). Segundo essas autoras, a adolescência é no aspecto biológico, uma das fases em que se dá maior velocidade do crescimento do indivíduo, o que implica uma necessidade e consumo considerável de alimentos calóricos; ou, ao contrário, leva o adolescente a estar muito preocupado com a imagem corporal, cedendo a um padrão que privilegia o corpo esguio e esbelto, podendo acarretar o desenvolvimento de transtornos alimentares tais como a anorexia e a bulimia nervosa. Nesse sentido, os meios de comunicação veiculam ou produzem notícias, representações e expectativas nos indivíduos com propagandas, informações e noticiários ambíguos. Na mesma medida que estimulam o uso de produtos dietéticos, práticas alimentares saudáveis e de exercícios, instigam o leitor ao consumo de lanches calóricos e gordurosos. As empresas midiáticas integram um contexto empresarial e um sistema de crenças no qual há uma estreita relação entre uma suposta verdade biomédica e um desejo social e individual: o corpo seria uma espécie de campo de luta que envolve diferentes saberes, práticas e o imaginário social.

De acordo com Serra e Santos (2003), o poder atual da mídia caracteriza-se por produzir sentidos, projetá-los, legitimá-los, dando visibilidade aos fenômenos que atraem primeiramente a atenção dos jornalistas. A função destes não se esgota entre o acontecido e o público. Os jornalistas selecionam, enfatizam e interferem por meio de palavras e imagens na construção simbólica dos acontecimentos. Tal construção é um processo que pode encontrar resistências e modificar-se ao longo da produção e veiculação do que é noticiado. A esse respeito, Citeli (2001) afirma que muitas vezes o conhecimento científico é disseminado em versões simplificadas, de acordo com as limitações do público ou distorcido e degradado da verdade original por quem o difunde. Nesse sentido, pretende-se identificar e analisar quais as principais representações sociais do corpo que vêm sendo difundidas pela mídia impressa em revistas de circulação nacional.

 

Método

Delineamento

Este estudo teve caráter exploratório-descritivo e foi realizado por meio de um levantamento de dados documental de três revistas de circulação nacional: Boa Forma, Estilo e Saúde. O corpus foi composto por seções de edições publicadas entre janeiro de 2005 e dezembro de 2006, totalizando 88 artigos.

O critério de escolha das revistas foi orientado pelo objeto de estudo corpo, considerado sob dois grandes aspectos: saúde e beleza corporal. Além disso, considerou-se a periodicidade, que nesse caso foi mensal. Selecionou-se uma revista cujos assuntos fossem predominantemente com ênfase em saúde (revista Saúde), outra em beleza (revista Estilo) e uma terceira que contemplasse ambos os temas (revista Boa Forma). As seções das diferentes revistas foram organizadas em duas temáticas sobre o corpo, comuns entre as revistas:

1. Beleza: essa temática foi composta por todos os artigos da seção beleza das revistas Boa Forma (36 artigos) e Estilo (23 artigos), sendo que desta última foi excluída a parte de entrevistas.

2. Saúde: neste contexto foram agrupados todos os artigos da seção saúde da revista Boa Forma (7 artigos) e todos os da seção corpo da revista Saúde (22 artigos).

Análise de Dados

Essas duas temáticas pesquisadas compuseram dois corpus distintos de análise, contextos de Beleza e de Saúde, os quais foram submetidos a uma Classificação Hierárquica Descendente (CHD) com auxílio do programa Alceste – Analyse Lexicale par Contexte d'un Ensemble de Segments de Texte (Reinert, 1998). A CHD fornece contextos textuais que são caracterizados pelo seu vocabulário, e também segmentos de texto que compartilham esse vocabulário (Camargo, 2005). O corpus de análise é formado por UCIs (Unidades de Contexto Inicial) – que correspondem a um artigo. Após o reconhecimento das UCIs, na análise standart o programa secciona as UCIs em UCEs (Unidades de Contexto Elementar), que constituem o ambiente de enunciação da palavra, dando origem à unidade sobre a qual são feitos os cálculos estatísticos. As linhas de comando, que precedem e codificam cada UCI, foram compostas pela variável tipo de revista: Boa Forma, Estilo ou Saúde. O vocabulário mais significativo de cada classe foi selecionado com base em dois critérios:

1. Freqüência, superior à média de ocorrências no corpus específico.

2. Associação à classe, determinada pelo valor do qui-quadrado.

 

Resultados

Corpus Beleza

A CHD do corpus referente à unidade temática beleza, obtida a partir da análise dos artigos encontrados nas revistas Boa Forma e Estilo, foi formado por 59 UCIs. O corpus foi dividido em 1.356 UCEs, das quais 91,2% foram consideradas na CHD, 5328 palavras foram analisadas e tiveram, em média, 9,1 ocorrências. Todas as palavras com freqüência inferior a seis foram excluídas da análise sendo que 56,2% delas foram utilizadas. O corpus se dividiu em quatro classes de segmentos de texto. Na análise do dendograma desse corpus, optou-se por um valor de qui-quadrado mais alto c2 > 15,36, quatro vezes maior que o valor mínimo) para trabalhar com menor margem de erro em cada associação da palavra com sua classe. Após o valor do qui-quadrado entre parênteses, a freqüência média de cada palavra foi descrita também, conforme se observa na Figura 1.

Numa primeira etapa, o corpus beleza foi dividido (1ª partição) em dois sub-corpus, ficando de um lado a classe 2 e do outro as classes 1, 3 e 4. Num segundo momento, o primeiro sub-corpus foi dividido em dois (2ª partição), originando de um lado as classes 1 e 3, e de outro, a 4. Em um terceiro momento, o segundo sub-corpus foi dividido em dois (3ª partição), de um lado a classe 1 e de outro, a classe 3.

Na classe 1, o corpo é tratado visualmente e associado à satisfação da mulher para o que é desejável em relação à aparência física e conseqüente obtenção de um corpo belo. Há ênfase no corpo remodelado pela prática de exercícios para perder alguns quilos e tonificar a musculatura, orientada por especialistas (professor, personal trainer), em clubes ou academias, com dicas quanto à periodicidade dos treinos. O trabalho de malhar o corpo, por meio de exercícios de musculação, abdominal, caminhada, é sugerido com ênfase em partes específicas, tais como barriga, coxa, braço, cintura, costas e pernas. Os artigos trazem depoimentos de atrizes que perderam peso por meio da prática regrada de exercícios físicos, conforme ilustra o excerto de um artigo da revista Boa Forma:

Quatro vezes por semana a atriz encara a musculação sob a supervisão da personal Valeria Santos, na academia Body Tech, no Rio de Janeiro. As curvas são ressaltadas com abdominais laterais feitas em aparelho, três séries de 15 repetições com carga de 20 quilos, e glúteos em quatro apoios, três séries de 12 repetições com caneleira de 8 quilos.

A classe 2 engloba truques, dicas, tendências e produtos de maquiagem. Essa classe surge em oposição às demais por priorizar o embelezamento do rosto, enquanto as outras enfatizam de alguma forma a saúde, seja pelo tratamento corporal e facial, cuidado capilar, ou pela prática de exercícios físicos. Na classe 2, maquiadores falam de combinações de cores e escolha de produtos com o auxílio de imagens que demonstram as instruções. As dicas e truques de beleza se referem a cores, tonalidades (preferencialmente tons de marrom, bege e laranja) e formas de aplicação dos produtos. Além disso, diversos tipos de produtos para maquiagem são mencionados, tais como base, batom, blush, pó facial, gloss, corretivo, lápis para contorno dos olhos, pincel, rímel, dentre outros. Os lábios (com brilho), o nariz e os olhos (em especial as sobrancelhas, cílios e pálpebras) são as partes do rosto mais evidenciadas no que diz respeito ao embelezamento facial. Os artigos agrupados neste contexto foram associados à revista Estilo, a exemplo do seguinte excerto de uma UCE componente da classe 2: "A combinação de beges resplandecentes e marrons discretos ressalta os traços sem pesar no visual. Os produtos, na pele: base. Nas maçãs: blush pêssego. Nos olhos: sombra bege, lápis bege 2, rímel alongador. Nos lábios: batom vermelho."

A classe 3 prioriza o cuidado e o embelezamento dos cabelos: (a) auto-cuidado, facilidades de cuidados de manutenção, tais como lavar, escolher o xampu, usar o secador, o pente, escovar, utilizar a chapinha, dentre outros; e, (b) no auxílio profissional (cabeleireiro) para cortar, com sugestões para cabelos curtos ou compridos, tratar a raiz, escolher produtos – tais como xampus sem sal, sprays para dar volume – dicas para alisar, cachear, desfiar, finalizar ou mudar o visual com mechas. Esse contexto foi associado à revista Boa Forma e pode ser ilustrado pelo seguinte recorte textual:

Quando o corte começa a perder a forma, apele para o liso. Escovas de cilindro fino, alisam até mesmo os curtíssimos. Cachos assumidos: o encaracolado é ótimo para fios não tão curtos. Aplique um spray de fixação suave em cada mecha e depois enrole com os dedos, fixando com grampos.

A classe 4, maior dentre o corpus, apresenta um contexto informativo sobre a gestão cotidiana dos tratamentos estéticos faciais e corporais. Há ênfase em cuidados médicos especializados para tratar a pele, principalmente pela aplicação de cosméticos – em clínicas e com dermatologistas. São sugeridas desde sessões para aplicação de produtos, com utilização de técnicas e de aparelhos que produzem embelezamento ou amenizam os efeitos do envelhecimento, até a submissão a procedimentos mais invasivos como é o caso das cirurgias plásticas: ácidos no combate às rugas, ação do colágeno, sustentação das fibras, aplicação de cosméticos, peeling, tratamentos dermatológicos para celulite, flacidez e gordura localizada, efeitos da ação hormonal e cirurgias plásticas estéticas – em especial a lipoaspiração do abdome e o aumento de mama pelos implantes de silicone. Cita-se um exemplo ilustrativo da classe 4, cujos artigos que compõem o contexto são oriundos da revista Boa Forma:

Muitas recém-operadas recorrem à drenagem linfática para reduzir o inchaço. Embora seja uma ótima opção, ela só deve ser feita mediante liberação do médico. Pergunta: a lipo tira a flacidez da pele que sobrou? Resposta: depende. Justamente por não eliminar a flacidez, esse procedimento deve ser realizado em pacientes que apresentem pele elástica e gordura localizada.

Corpus Saúde

A CHD do corpus referente à unidade temática saúde obtida a partir da análise dos artigos encontrados nas revistas Boa Forma e Saúde, foi formada por 29 UCIs. O corpus foi dividido em 195 UCEs, das quais 63,52% foram consideradas na CHD, 1923 palavras foram analisadas e tiveram, em média, 4,4 ocorrências. Todas as palavras com freqüência inferior a quatro foram excluídas, sendo que aproximadamente 47% delas foram utilizadas na análise. O corpus se dividiu em sete classes de segmentos de texto e foram descritas somente aquelas palavras com valores de qui-quadrado mais alto (c2 > 11,52 três vezes maior que o valor mínimo) para trabalhar com menor margem de erro em cada associação da palavra com sua classe. Após o valor do qui-quadrado entre parênteses, a freqüência média de cada palavra foi descrita também, conforme se observa na Figura 2

Numa primeira etapa, o corpus saúde foi dividido (1ª partição) em dois sub-corpus, de um lado, as classes 4, 5 e 6, e do outro, as classes 1, 2, 3 e 7. Num segundo momento, o primeiro sub-corpus foi dividido em três (2ª partição), originando de um lado as classes 5 e 6, e de outro, a 4. Em um terceiro momento, o segundo sub-corpus foi dividido em dois (3ª partição), de um lado surgiu a classe 7, e de outro, as classes 1, 2 e 3. Numa quarta etapa, o terceiro sub-corpus (4ª partição) foi novamente dividido em dois, dando origem, de um lado às classes 1 e 2, em oposição à 3. Numa quinta etapa, o quarto sub-corpus (5ª partição) deu origem de um lado à classe 1 e de outro, à classe 2. Numa sexta etapa, o quinto sub-corpus (6ª partição) originou a classe 5, em oposição à 6.

Na classe 1, cujo contexto está associado à revista Saúde, os artigos enfatizam cuidados com a saúde, que contemplam aspectos físicos e psicológicos. A ênfase está na prática da ioga, como um exercício para o corpo e para a "cabeça", para a busca do equilíbrio. Mas sair do trabalho e passar na casa de amigos para relaxar, também aparece como sugestão para alcançar bem-estar. Os textos são compostos por depoimentos de leitores que começaram a ter aulas de ioga, por no mínimo uma hora semanal, e conseguiram adotar uma nova postura em suas vidas: pelos benefícios dessa prática, passaram a controlar a respiração e meditar, obtendo benefícios em seu dia-a-dia que perpassam os da simples atividade física, tendo mais disposição para o trabalho, controle da irritabilidade e conseqüente benefício na interação social. Em síntese, a prática da ioga é apresentada como uma atividade que proporciona equilíbrio entre corpo e mente, conforme ilustra o recorte textual: "Conforme me aperfeiçoava na prática, ia enfraquecendo aquele furacão interior. A paciência que treinava na aula se transformava em tolerância no meu dia-a-dia e passei a me questionar sobre a minha falta de calma em diversas situações".

O contexto da classe 2 está associado à revista Boa Forma e diz respeito à descrição dos sintomas e orientação de especialistas em relação ao desconforto causado pelo mau funcionamento intestinal. Nas explicações sobre esses sintomas, os médicos sugerem que mesmo aquelas pessoas que evacuam todos os dias, podem ter prisão de ventre se as fezes são ressecadas ou se elas sentem desconforto para defecar. Também associam mudanças de hábitos, tais como sair de casa, viajar e usar banheiros diferentes, como agravantes para o mau funcionamento intestinal. Os especialistas dão dicas tais como movimentar-se mais durante uma longa viagem, fazer massagens ou utilizar compressas quentes para amenizar os sintomas desse quadro. O excerto retirado da revista Boa Forma ilustra essa classe:

Isso explica por que, às vezes, seu intestino pára de funcionar quando você viaja para a praia ou dorme na casa do namorado. É fácil entender como a timidez pode interferir em um processo tão delicado. Quando aparece aquela vontade de ir ao banheiro, que os médicos chamam de onda peristáltica, é porque as fezes estão prontas para sair.

O contexto da classe 3 enfatiza a importância de aprender hábitos que devem ser contínuos quando se pretende manter o peso ou emagrecer. Especialistas dão orientações sobre novos tipos de dietas, como a dos "pontos". Essa dieta restringe principalmente os chamados macronutrientes, cujos tipos de alimentos são encontrados nos grupos das proteínas, das gorduras e dos carboidratos, sendo estes últimos considerados os principais responsáveis pelo ganho de peso, e por isso são geralmente cortados quando o objetivo é de reduzir medidas corporais. O contexto da classe 3 está associado à revista Saúde, conforme ilustra o excerto textual: "É preciso aprender a manter o peso em um novo nível. Proteínas, carboidratos e gorduras, são os chamados macronutrientes, são indispensáveis, mas dietas para emagrecer restritivas em um deles continuam muito em voga, especialmente aquelas que cortam os carboidratos."

Na classe 4, cujo contexto está associado à revista Saúde, especialistas falam dos riscos para o organismo causados pelos distúrbios metabólicos, em especial associados ao acúmulo de gordura corporal. São médicos que fornecem explicações detalhadas sobre os possíveis distúrbios na produção da insulina, sobrecarga do pâncreas e a diabesidade – associação de diabete, glicemia elevada no sangue com obesidade, particularmente na região abdominal – alertando para os riscos de derrame cerebral e de infarto do miocárdio. O recorte textual ilustra essa classe:

Elevação da produção de insulina para compensar a resistência; sobrecarga para o pâncreas, que produz a insulina; produção insuficiente de insulina e aparecimento da diabete. Conseqüências: problemas nos olhos, nos rins, nos nervos e, principalmente, infarto do miocárdio e derrame cerebral.

O contexto da classe 5 foi formado por artigos de saúde comuns a todas as revistas. Os artigos tratam de esclarecimentos de pesquisadores sobre estudos que demonstram o uso abusivo de anfetaminas, apontando o Brasil como o maior público consumidor do mundo. Esses medicamentos contêm substâncias que reduzem o apetite e são utilizados para o controle ou perda de peso corporal, indicados em casos de sobrepeso ou obesidade. Nos artigos, esses especialistas alertam sobre os riscos para a saúde e para a estética causados pelo excesso ou mau uso das anfetaminas, nos casos em que não há indicação adequada: oscilações de peso podem causar estrias, flacidez na pele e problemas cardíacos, dentre outros problemas. Os dois excertos de texto ilustram essa classe:

Segundo um relatório das Nações Unidas, ONU, divulgado recentemente, o Brasil é o país que tem o maior consumo de anfetaminas, substâncias que tiram o apetite, do mundo! . . . O presidente da Abeso, Taki Cordás, psiquiatra do Ambulatório de Anorexia e Bulimia do Hospital das Clínicas, também em São Paulo, explica: quando você suspende a droga, o apetite aumenta. Sem falar que o 'emagrece' e 'engorda' não rende apenas estrias e flacidez na pele, mas pode provocar também problemas para o seu coração. As grandes oscilações no peso são mais nocivas à saúde do que um pequeno excesso de gordura, avisa Alfredo Halpern, do Ambulatório da Síndrome Metabólica e Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O contexto da classe 6, associado à revista Saúde, traz explicações científicas sobre a relação entre a depressão e o ganho de peso. São especialistas da área da saúde que falam da compulsão por comer associada freqüentemente à falta de serotonina – neurotransmissor ligado principalmente ao humor –, que produz sintomas de tristeza e desânimo, típicos dos casos de depressão. A depressão, portanto, pode estar associada ao ganho de peso e as dicas dos profissionais são nesse sentido: não ter vergonha de procurar ajuda para tratar a depressão e aprender a controlar a compulsão alimentar. O exemplo foi retirado da revista Saúde, cujo contexto se associa a essa classe:

O mais conhecido é a serotonina, cuja deficiência leva à necessidade de comer doces, principalmente chocolate. Como tratar o problema? Saber que ele não é falta de vergonha é essencial. Também é básico aprender a controlar a compulsão. Uma vez ou outra qualquer um pode ter esse comportamento, mas, quando ele se torna freqüente, estamos diante de uma doença que em geral leva a grande ganho de peso e sofrimento.

O contexto da classe 7 está associado à revista Boa Forma e enfatiza cuidados com a saúde relativos ao uso de métodos contraceptivos. Contém orientações de ginecologistas que dizem respeito principalmente ao uso adequado do método contraceptivo de emergência – a pílula do dia seguinte – que segundo eles, somente deve ser utilizado quando os demais métodos falharem e sob prescrição médica. Além disso, enfatizam os efeitos colaterais desse método, como distúrbios hormonais e ganho de peso (quilos indesejáveis). A respeito dos demais métodos, como é o caso do preservativo (camisinha) e do comprimido anticoncepcional de uso diário, não devem ser substituídos pela pílula do dia seguinte segundo esses especialistas. O preservativo, em especial, porque além de evitar a gravidez, previne a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O recorte textual retirado da revista Boa Forma ilustra essa classe:

Posso trocar a camisinha pela pílula: mito. Nem pense nisso! A pílula deve ser tomada apenas quando o método contraceptivo escolhido falha. Além de apresentar efeitos colaterais muito mais severos que a pílula comum, e ser bem mais cara, custa em média 16 reais, o contraceptivo de emergência não a protege das doenças sexualmente transmissíveis.

 

Discussão

A mídia possui um papel fundamental, pois ao popularizar conhecimentos produzidos pela ciência, atua na produção e veiculação das representações sociais (Camargo & Barbará, 2004). Ao analisar as notícias veiculadas pela mídia, não se estaria apenas apresentando as representações sociais acerca de um determinado fenômeno – nesse caso, o corpo feminino –, mas sim, acessando uma dimensão social relacionada à produção de representações sociais. Segundo Ordaz e Vala (1998), as informações veiculadas pela mídia caracterizam-se como um dos elementos que constituem o pensamento individual, grupal e coletivo. Sendo assim, a mídia, em especial as revistas, têm sido evidenciadas como um campo de estudo em que se pode buscar a construção das representações sociais.

As representações sociais sobre o corpo, identificadas pela análise desses artigos das revistas Boa Forma, Estilo e Saúde, contemplam duas temáticas fundamentais. A primeira refere-se a aspectos eminentemente físicos, e a segunda difunde representações sociais do corpo enquanto uma unidade físico-psíquica.

Na primeira temática, três aspectos constituem as representações sociais que contemplam estritamente as questões físicas relativas ao corpo:

1. O primeiro, de caráter prático, diz respeito à satisfação que se pode obter pelo embelezamento.

2. O segundo aspecto, de caráter biológico, contempla aspectos eminentemente relacionados à saúde do organismo.

3. O terceiro, contempla ambos os aspectos, o embelezamento e a saúde corporal.

O primeiro aspecto diz respeito ao embelezamento corporal e facial, por técnicas ou tratamentos estético-cirúrgicos, com ênfase em cosméticos, na lipoaspiração e no implante de silicone para corrigir imperfeições, evitar o envelhecimento ou recursos para potencializar a beleza – como é o caso da maquiagem tudo – para atingir o padrão de beleza sugerido pelos artigos veiculados que, sobretudo, enfatizam a beleza associada ao corpo magro, jovem e bem definido.

O segundo aspecto evidenciado nessas difusões, veicula representações sociais associadas ao corpo a partir do saber científico, representando-o conceitualmente através de explicações biomédicas, a partir de entrevistas e artigos elaborados por cientistas e especialistas, como uma possibilidade de ressignificar a vivência corporal diária com vistas à obtenção de saúde: fisiologia, metabolismo, cuidado, proteção e prevenção de doenças.

Quanto ao terceiro aspecto, envolve a prática de exercícios para melhorar a forma do corpo, mas também descreve benefícios para manter o organismo saudável; assim como o tratamento e cuidado com os cabelos, com vistas ao embelezamento, sem descuidar da saúde capilar, ambos contemplando tanto aspectos relacionados ao embelezamento quanto questões relativas à saúde.

Na segunda temática, o corpo é representado como uma unidade físico-psíquica. Um aspecto presente na representação social do corpo dos artigos que compõem essa temática, em oposição ao mero cuidado ou embelezamento corporal, enfatiza questões subjetivas, tais como o equilíbrio e o bem-estar como importantes para a manutenção da saúde. Distúrbios psicológicos tais como a depressão podem ter repercussões na forma física, especialmente no ganho de peso. A prática de exercícios que contemplem aspectos objetivos e subjetivos do corpo, como é o caso da ioga e a interação social – fazer amigos –, são formas para alcançar ou manter o equilíbrio entre corpo e mente.

Observa-se que, apesar de haver maior ênfase na estipulação de padrões de beleza, pela difusão de cuidados práticos e de conhecimentos relacionados à estética corporal, há aspectos subjetivos que são evidenciados como importantes para a manutenção da saúde corporal, do que se pode constatar que o corpo é representado também como uma unidade somato-psíquica, na qual o indivíduo deve buscar, aliadas aos cuidados com o embelezamento e às práticas de cuidado, atividades prazerosas, diversificadas e que o façam se sentir bem para alcançar a saúde como um todo.

Ambas as temáticas associadas às representações sociais do corpo difundidas nessas revistas são concordantes com o conceito elaborado por Andrieu (2006), que enfatiza aspectos físicos e psicológicos que vão sendo construídos e reconstruídos de forma dinâmica e indefinida em busca de renovação e transformação, sejam estas na funcionalidade ou na estética corporal.

Entretanto, se por um lado há ênfase em aspectos subjetivos como um tema comum em todas essas revistas analisadas, com artigos priorizando a importância do equilíbrio na busca de uma vida saudável, por outro lado fica bastante explícito o caráter normativo predominante das representações sociais relacionadas ao corpo na outra temática que enfatiza padrões de beleza, juventude e sedução, pelo corpo remodelado e refeito, presente na maioria dos artigos dessas publicações. Essa constatação também pode estar relacionada ao fato de que a Análise Hierárquica Descendente referente ao corpus beleza, contempla um conjunto maior de documentos considerados, aproximadamente 92% das UCEs, enquanto que para o corpus saúde, a proporção de UCEs utilizadas para análise foi menor, em torno de 63%.

Em relação à primazia da beleza, Camargo et al. (2007a) encontraram resultados semelhantes nas representações sociais da beleza corporal de estudantes catarinenses dos cursos de Moda e de Educação Física, no que se refere aos padrões de beleza determinados socialmente. Esses estudantes consideram a beleza corporal muito evidenciada na sociedade atual, vinculada a padrões estéticos, onde existe uma verdadeira fábrica cultural de embelezamento do corpo, adornos e demais elementos relacionados a ele.

Jodelet (1984) já havia identificado na década de 70 o surgimento entre as francesas de modelos imagéticos de juventude, vigor e beleza, relacionados ao corpo. A exacerbação dessa característica da mídia atual pode estar na gênese do fenômeno anteriormente observado e documentado quanto ao descontentamento generalizado das pessoas com a própria imagem corporal, uma vez que, para sentir-se bem com a própria imagem a aprovação do olhar alheio é indispensável (Camargo et al., 2005; Jodelet, 1994; Secchi, 2006).

Estar no padrão midiático difundido do belo, do magro e do jovem, adotar as técnicas sugeridas que são apresentadas como simples e acessíveis, produz um fenômeno crescente de culto a corpo, conduzindo a um paradoxo, que ocorre quando não há correspondência entre a imagem corporal difundida nas publicações e a imagem corporal real da maioria das pessoas, levando-as muitas vezes, a buscar tais padrões associados ao corpo por meio de sacrifícios que chegam à doença ou até à morte, tudo em busca de um padrão ou modelo dito ideal. Tal paradoxo foi constatado também por outros autores em estudos anteriores envolvendo o corpo feminino na mídia (Camargo et al., 2007b; Novaes & Vilhena, 2003; Serra & Santos, 2003; Stroebe & Stroebe, 1995; Swain, 2001).

A partir dos resultados encontrados pela análise desses artigos, nos quais há predomínio de artigos que evidenciam modelos e padrões de beleza – com ênfase no corpo remodelado, produzido, jovem e "tecnológico" –, questiona-se o papel da mídia impressa na difusão de representações sociais do corpo:

1. O corpo refeito pela cirurgia plástica – principalmente por próteses e lipoaspiração – seria um artigo acessível a todos, podendo ser "comprado" como qualquer outro artigo de consumo e "em suaves prestações"?

2. Todos necessitam, desejam ou se preocupam realmente em ter um corpo e um rosto perfeitos?

3. O processo de aceitar-se fora dos padrões corporais ideais estipulados pela mídia não seria também uma forma saudável de equilíbrio?

4. Se a mídia difundisse mais enfaticamente a importância de aspectos subjetivos relacionados à saúde, não poderia contribuir no sentido de evitar tantos transtornos relacionados à imagem corporal, na atualidade, como é o caso da anorexia, da bulimia e da vigorexia1? Para concluir, a mídia tem um importante papel social, na construção do pensamento do senso comum, que precisa ser revisto e questionado.

 

Notas

* Agradecemos ao CNPq pelo apoio e ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC / UFSC / CNPq.

1. A vigorexia ou dismorfia muscular é um subtipo do transtorno dismórfico corporal (TDC), foi descrito primeiramente como "Anorexia Nervosa Reversa", ocorre principalmente em homens que, apesar da grande hipertrofia muscular, consideram-se pequenos e fracos (Assunção, 2002).

 

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Recebido: 19/11/2007
1ª revisão: 25/02/2008
Aceite final: 19/04/2008

 

 

Everley Rosane Goetz possui graduação em Psicologia pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), formação em psicoterapia da gestação, parto e puerpério (UCPel), especialização em Psicopedagogia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia pela UFSC. Endereço para correspondência: Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Laboratório LACCOS, Trindade, Florianópolis, SC, 88040-600. Tel.: (48) 37219067. evegoetz@terra.com.br
Brigido Vizeu Camargo possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), mestrado em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), DEA em Psicologia Social pela Université Paris V/ École des Hautes Études en Sciences Sociales, e doutorado em Psicologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales. Atualmente é professor associado da UFSC. Endereço para correspondência: Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de Psicologia, Campus Universitário, Trindade, Florianópolis, SC, 88040-900. Tel.: (48) 3721 9067; Fax: (48) 3721 9984. brigido.camargo@yahoo.com.br
Raquel Bohn Bertoldo possui graduação em Psicologia pela UFSC. Atualmente faz mestrado em Psychologie: Individu, Social et Environement pela Université Paris V (René Descartes), França. raquelbohn@gmail.com
Ana Maria Justo é bacharel em Psicologia pela UFSC. Bolsista de Apoio Técnico / Nível superior, do Laboratório de Psicologia Social da Comunicação e da Cognição - LACCOS / UFSC." anamjusto@yahoo.com.br