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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182

Psicol. Soc. vol.23 no.2 Florianópolis May/Aug. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822011000200019 

Os grupos na produção de conhecimento na psicologia: uma revisão da literatura*

 

The groups on the knowledge production of psychology: a literature review

 

 

Viviane Velozo Borges e Heidi de Oliveira BatistaI; Marcelo Dalla VecchiaII

IUniversidade Federal do Mato Grosso do Sul, Paranaíba, Brasil
II Universidade Federal de São João del-Rei, Divinópolis, Brasil

 

 


RESUMO

Apresentamos uma revisão da literatura publicada em língua portuguesa relativa a grupos referente a trabalhos desenvolvidos na área da Psicologia (pesquisas empíricas, conceituais ou relatos de experiência). Trata-se de estudo exploratório-descritivo que recorreu à literatura indexada em bases de dados bibliográficos, operacionalizado a partir dos seguintes eixos de análise: tipo de publicação e fonte; distribuição da produção segundo ano de publicação; população-alvo dos relatos de experiência; modalidade grupal; autores e filiação institucional, e delineamento metodológico dos estudos empíricos. Observamos: dispersão com relação às fontes de publicação; tendência histórica de crescimento da publicação na área; maior frequência de atividades grupais com adultos e obedecendo a critérios de homogeneidade nos relatos de experiência; não existência de concentração da produção em pesquisadores, profissionais ou centros específicos, e privilégio de análises qualitativas nas pesquisas empíricas, que consagram o uso de diário de campo, observação participante e entrevistas como instrumentos.

Palavras-chave: processo grupal; dinâmica de grupo; psicologia social; revisão da literatura.


ABSTRACT

We report a literature review about groups-related works published in Portuguese and developed by Brazilian psychologists, either empirical, conceptual research or case studies. It consists of a descriptive-exploratory study that appealed to the indexed database literature accomplished through the following analysis issues: type and source of the publication; distribution of the publications according to the year; target population of case studies; group type; authors and institutional affiliation, and methodological design of empirical studies. We observed that: the publication sources are scattered; the publication on the field follows a growth tendency; group activities are more frequent with adults and pursue homogeneity criteria in case studies; the publications are not concentrated in researchers, professionals or specific research centers, and qualitative analysis is privileged in the empirical researches, which acclaim field diary, participant observation and interview as techniques. 

Keywords: group process; group dynamics; social psychology; literature review.


 

 

Introdução

Os primeiros estudos que tratam sobre questões relacionadas aos grupos humanos aconteceram no final do século XIX em uma área denominada psicologia das massas ou psicologia das multidões. Nesse período, em que a Psicologia Social ainda não tinha se firmado como disciplina e especialidade, a polêmica se centrava no debate entre o sociologismo de Emile Durkheim (afirmando que fatos sociais são irredutíveis à análise psicológica) e o psicologismo de Gabriel Tarde e Gustave Le Bon (afirmando que a imitação e o contágio são a base da vida social) bem como de seguidores mais ou menos aproximados de cada uma dessas tradições (Mello Neto, 2000).

Os estudos sobre pequenos grupos, mais propriamente, começaram por volta de 1935 com Jacob Levy Moreno, fundador da Sociometria, e Kurt Lewin, criador da Dinâmica de Grupos, dentro de uma Teoria Geral da Dinâmica de Grupo. Lewin, refugiado nos Estados Unidos da perseguição nazista, inicia suas pesquisas no Massachusetts Institute of Technology recorrendo aos princípios da pesquisa experimental; até então, os trabalhos a respeito de grupos humanos eram vistos como fundamentalmente especulações filosóficas e/ou sociológicas. Lewin e colaboradores criaram em laboratório situações experimentais que simulavam diversos fenômenos da dinâmica grupal: liderança grupal, pressão grupal, coesão grupal etc. (Cartwright & Zander, 1967). Esses experimentos foram fundamentais para demarcar uma estratégia de pesquisa dos fenômenos e processos grupais que se valia de ensaios empíricos com grupos artificiais procurando extrair daí leis formalmente válidas e universalizáveis.

Devido à euforia pela aplicabilidade imediata e pragmática dos achados da pesquisa em dinâmica de grupo na área organizacional, as forças armadas e as indústrias investiram fortemente nessas pesquisas visando a aumentar a motivação das tropas e a melhor adequar o trabalhador à sua ocupação.

Ainda na década de 1930, Elton Mayo desenvolveu estudos experimentais em uma fábrica estadunidense (Western Electric Company) enfocando hipóteses de associações entre a fadiga dos operários e variações experimentais tais como: pausa para descanso, pagamento por tarefa em grupo, jornada aumentada, sábado livre etc. Como uma das consequências dessa pesquisa delimitou-se a denominada Escola de Relações Humanas no âmbito organizacional, que sugere o investimento nas relações interpessoais e na dinâmica de grupo para a motivação da equipe de trabalho (Zanelli, Borges-Andrade, & Bastos, 2004).

No campo dos cuidados à saúde Wilfred Bion desenvolveu experiências de terapia em grupo durante a 2ª Guerra Mundial e também subsequentemente, junto de veteranos de guerra em sofrimento psíquico pós-traumático. Assim como para toda uma geração de psicanalistas que abordavam a questão dos grupos, foram inspiradoras para Bion as formulações de Sigmund Freud (1921/1974).

Bion notou que os grupos facilitavam a emergência de emoções primitivas, recorrendo a estes tendo em vista tanto a auto-organização do hospital psiquiátrico quanto um setting analítico para o tratamento dos internos. No contexto em que desenvolve suas experiências com grupos há baixa disponibilidade de profissionais de saúde mental, de modo que o estímulo a essa estratégia pretendia tornar possível por meio do grupo atender a mais pessoas ao mesmo tempo. Bion formula um extenso corpo teórico e conceitual com fundamentação psicanalítica para a psicoterapia grupal e é apontado como um dos pioneiros no campo (Zimmerman, 2000).

Não obstante suas inegáveis contribuições em dar visibilidade ao grupo enquanto questão epistemológica, teórica, científica e técnica, os autores mencionados nesse arrazoado bem como seus referenciais de base vêm sendo objetos de análise crítica desde meados da década de 1960. Essa crítica ocorre em um contexto caracterizado segundo Barros (2007) por dois processos, descritos sumariamente a seguir.

O primeiro consiste nos acontecimentos nucleados em torno do que veio a ser conhecido como o Maio de 68 francês: um conjunto de manifestações sociais (greves, fechamento de fábricas, escolas etc.) que visavam refletir a respeito da burocratização do socialismo real e à sua consequente incapacidade de enfrentamento sistêmico das investidas do capital.

O movimento institucionalista defendia a importância de recorrer a grupos e coletivos nas intervenções, porém que esse deve estar a serviço: da análise institucional (para além da análise organizacional), ou seja, da análise das práticas sociais instituídas e naturalizadas; da superação de uma prática psicossociológica voltada ao grupo como objeto de experimentação (acadêmica), e do questionamento do psicanalismo, ou seja, da redução à epistemologia psicanalítica de fenômenos da ordem da cultura, economia, política etc. (Rodrigues, 2007).  Especificamente com relação ao psicanalismo vale notar que o movimento institucionalista denunciava a formulação do aparelho psíquico e a teoria psicossexual do desenvolvimento tradicionalmente adotadas pela psicanálise, mas mantinha um elo com a psicanálise por meio das noções de inconsciente, pulsão, libido, repressão etc. em seu arsenal conceitual (Baremblitt, 1996).

O segundo processo, de certo modo relacionado ao primeiro, é deflagrado a partir da década de 1970 quando um conjunto de psicanalistas e psicólogos argentinos emigra em direção ao Rio de Janeiro como exilados políticos e advindos de processos de rompimento com a Associação Psicanalítica Internacional (IPA): "questionavam os limites tradicionais da psicanálise 'ortodoxa' praticada na clínica privada, propondo formas de intervenção que fugiam a esses limites: com famílias, comunidades, instituições etc." (Russo, 2007, pp. 420-421). Ainda que dentre os psicanalistas uma diversidade de correntes já tivesse formulado abordagens analíticas recorrendo a grupos, ou voltadas para a análise de indivíduos neles inseridos, pelo menos desde que as experiências de Bion começam a ser divulgadas no início da década de 1950, o reconhecimento da capacidade terapêutica da intervenção analítica junto de grupos não era consensual.

A epistemologia convergente de Enrique Pichón-Rivière é trazida pelos argentinos apontando uma perspectiva que afirma o grupo operativo como espaço de tomada de consciência, de desalienação e de transformações. A denominação grupo operativo decorre da concepção de que o grupo sempre se organiza em torno de uma tarefa, implícita ou explícita. Pichón-Rivière vê o sujeito como o emergente de uma complexa trama de vínculos e relações sociais: um sujeito de necessidades (sociais) e de vínculos (desejo). O vínculo é tomado como uma unidade básica de interação, e o grupo como uma trama vincular, sendo ambos (grupo e vínculo) o cenário e o instrumento de resolução das necessidades, que, por sua vez, têm historicidade individual e social (Pichón-Rivière, 2005).

Acrescentaríamos um terceiro processo, além dos dois acima, no qual também se apontava uma formulação fundamentada no materialismo histórico e dialético de análise e intervenção grupal. Essa formulação irrompe em um contexto de mobilização social (popular, estudantil e sindical) de resistência aos governos ditatoriais, cujo cenário é a América Latina do final da década de 1970 (Brasil, El Salvador, Colômbia, Venezuela etc.). Dois de seus expoentes foram Silvia Lane (2001) e Ignácio Martín-Baró (1989), que privilegiaram uma perspectiva em que o grupo é visto como condição para conhecer o ser social, para apreender esse ser social enquanto ser histórico, e para toda ação transformadora na sociedade.

Em suas formulações ambos afirmavam a necessidade de análise das mediações ideológicas, políticas e socioeconômicas intervenientes nos grupos tendo como base a atividade grupal e as relações de identidade e poder grupais. Nesse sentido, seria mais próprio denominar o grupo como processo grupal de modo a captá-lo em sua especificidade histórico-social (Martins, 2003, 2007).

Notamos nesse breve histórico, portanto, a complexidade constitutiva do campo e a diversidade de abordagens grupais. Diante dos diversos autores, suas escolas e instituições, momentos e movimentos, referenciais epistemológicos e teórico-metodológicos de base e conceitos subsequentemente formulados, colocamos uma questão: essa diversidade manifesta-se na produção de conhecimentos científicos da Psicologia e acerca da prática profissional do psicólogo de que forma? Como se caracteriza essa produção?

É importante ressaltar que na história mais recente as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Psicologia indicam claramente que a formação para lidar com processos grupais deve fazer parte do núcleo de competências desejáveis para a formação do psicólogo (Resolução n. 8, 2004).

Tendo em vista a pertinência e a atualidade do tema, relatamos no presente artigo uma pesquisa que visou a uma revisão de literatura dos trabalhos publicados em língua portuguesa e desenvolvidos na área da Psicologia que adotam como objeto de preocupação a questão dos grupos, seus processos e fenômenos constitutivos, sejam estes pesquisas empíricas, conceituais ou relatos de experiência.

 

Metodologia

Realizamos uma pesquisa bibliográfica na modalidade de revisão integrativa da literatura (Mendes, Silveira, & Galvão, 2008) visando ao estudo exploratório-descritivo. Estudos exploratório-descritivos têm como principal virtude caracterizar aspectos de determinado objeto de pesquisa diante da produção de conhecimento acumulada. Mostram-se especialmente apropriados quando o objeto é pouco recorrente na literatura (Gil, 2002).

Efetuamos consultas nas bases de dados bibliográficos componentes da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS/Psi). Essa base de dados é coordenada pelo Serviço de Biblioteca e Documentação do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) e consiste em uma parceria entre: a Rede Nacional de Bibliotecas da Área de Psicologia, o Conselho Federal de Psicologia e a representação Brasil da Organização Pan-Americana da Saúde, através de seu Centro Latino-Americano de Informação em Ciências da Saúde (www.bvs-psi.org.br).

Com a utilização das palavras-chave "grupo" e "psicologia" (vinculadas pelo operador booleano AND) localizamos 1.838 registros de resumos na base Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) no mês de setembro de 2007.

Procedemos à leitura exploratória e, após a leitura seletiva visando aos critérios de exclusão, mantivemos 55 resumos para constituir o corpus da pesquisa. A consulta à base Index Psi Periódicos Técnico-Científicos (Índex Psi Periódicos) feita em março de 2008, por sua vez, retornou um total de 141 registros e, destes, foram mantidos 41 resumos. Finalmente, da base Index Psi Teses, dos 52 registros, ficaram 23 para o corpus.

Dessa forma, obtivemos um total de 116 resumos para serem analisados enquanto corpus da pesquisa para o procedimento da leitura crítico-analítica.

Os critérios de exclusão utilizados foram os seguintes: (a) resumos de trabalhos em que o objeto de estudo é a discussão ontológica acerca dos grupos; (b) resumos de trabalhos que adotam o grupo como procedimento de pesquisa (e.g., estudos com desenho caso-controle, grupos focais etc.), não salientando fenômenos e processos grupais no tratamento das informações de pesquisa e na discussão; (c) resumos de trabalhos em que os grupos são extratos populacionais, e não objeto de pesquisa ou foco dos relatos de experiência; (d) resumos de trabalhos em língua estrangeira (inglês ou espanhol); (e) resumos de trabalhos realizados com infra-humanos; (f) resumos de trabalhos cujo registro do campo "resumo" se encontrava em branco, e (g) resumos de trabalhos em que, restando dúvidas acerca da categorização em uma ou mais dimensões da análise, também não foi operacionalmente possível obter o texto completo do trabalho para esclarecimentos adicionais (tanto online quanto por meio de contato postal ou via correio eletrônico com autor ou autores).

Excluímos os resumos cujo objeto de estudo é a discussão ontológica acerca dos grupos porque a inclusão desses trabalhos demandaria abordar a questão da existência ou não do grupo diante de problemáticas mais abrangentes na literatura da Psicologia Social tais quais comunicação humana, relacionamentos sociais, interação, interatividade etc., em que se interpela ontologicamente o grupo como realidade social. Essa questão, de fundamental importância, extrapola o escopo do presente trabalho.

Tomando como referência outros trabalhos que também realizaram revisões bibliográficas recorrendo a resumos de trabalhos indexados em bases de dados eletrônicas (Bornstein & Stotz, 2008; João, Sampaio, Santiago, Cardoso, & Dias, 2005; Yoshida, Santeiro, Santeiro, & Rocha, 2005) e adequando à especificidade de nosso objeto de preocupação, delimitamos as seguintes dimensões enquanto eixos de análise: (a) tipo de publicação e fonte, (b) distribuição da produção segundo ano de publicação, (c) população-alvo (número de participantes, faixa etária, critério de homogeneidade), (d) modalidade grupal, (e) autores e filiação institucional, e (f) delineamento metodológico dos estudos empíricos. 

Nossa técnica consistiu na disposição sequencial dos resumos selecionados para o corpus em conformidade com os critérios de inclusão e exclusão, mantendo as informações de autoria, corpo do resumo e tipo, fonte e ano de publicação para que, a partir dessa organização, fossem analisados segundo os critérios pré-determinados acima (eixos de análise).

 

Resultados e discussão

Tipo de publicação e fonte

Para fins da presente revisão, são entendidos como relatos de experiência os trabalhos que enfatizam estudos de caso de experiências profissionais em contextos diversos nos quais, de algum modo, recorreu-se aos grupos; relato de pesquisa empírica os trabalhos focalizados na análise, sistematização e discussão de achados de campo de pesquisas que têm grupos como objeto de estudo a partir do uso de metodologia científica, e relatos de pesquisa conceitual os trabalhos centrados na discussão de noções e conceitos oriundos de abordagens teórico-epistemológicas presentes em áreas do conhecimento relacionadas com a questão dos grupos.

A maior fonte de trabalhos sobre grupos são relatos de experiência (n = 52), conforme as informações resumidas na Tabela 1. Esses trabalhos estão relacionados a uma diversidade de preocupações: entrevista motivacional em grupos como uma proposta terapêutica (Jaeger & Oliveira, 2003); aspectos de vivência grupal em sala de espera (Teixeira & Veloso, 2006); estudo comparativo de grupo de ludoterapia versus grupo de espera recreativo infantil (Guerrelhas, Bueno & Silvares, 2000); grupo de idosos no resgate da história pessoal (Olmos, 2004); análise de sessão psicoterápica que tratou sobre sexualidade com grupo de pessoas idosas (Eizirik et al., 2001) etc.

Especificamente com relação ao Index Psi Periódicos, a maioria dos trabalhos publicados (n = 23) são relatos de experiência que retratam aspectos também bastante diversos da prática grupal, tais quais: implementação de um grupo de acompanhantes de pacientes com implantes cocleares (Ribeiro, Yamada, & Silva 2005); atividades em psicologia do esporte com uma equipe masculina de vôlei (Valle, 2006) etc. Já na base Index Psi Teses a maioria dos trabalhos é de relatos de pesquisa empírica (n = 14).

Finalmente, ao observarmos a Tabela 2 que apresenta as fontes de publicação cuja pesquisa retornou dois ou mais trabalhos, uma das origens importantes de produção no campo dos processos e fenômenos grupais foi a Biblioteca do IPUSP, com trabalhos apresentados para a obtenção do grau de mestre, em sua maioria, e de doutor (n = 14), seguida do Jornal Brasileiro de Psiquiatria e da Revista da SPAGESP (n = 6); Informe Psiquiátrico (n =  5); Psicologia: Reflexão & Crítica, e Estudos de Psicologia (Campinas) (n =  4).

As informações consolidadas nas Tabelas 1 e 2 apontam que a produção que trata do grupo na Psicologia apresenta-se bastante dispersa, tanto com relação ao tipo de publicação quanto com relação às fontes. Assim, até o período analisado, notamos que esta se encontra distribuída em uma diversidade de veículos editoriais, cada um com um número reduzido de trabalhos publicados na área revisada por esse trabalho. Em números absolutos há, no entanto, uma maioria relevante de relatos de experiência enquanto tipo de publicação.

Distribuição da produção segundo o ano de publicação

A análise da distribuição da produção brasileira dos estudos e experiências relatados na literatura indexada em bases de dados bibliográficos abrangidos pela pesquisa mostra que tem aumentado o número de itens de produção científica na área (Tabela 3).

Vale registrar que somente nos dois últimos anos tomados como referência (2005 e 2006) o número de itens de produção (n = 25) já se aproxima de todo o quinquênio anterior (n = 30). Pode-se afirmar, portanto, que a produção na área, seja na forma de relatos de experiência ou de pesquisas empíricas ou conceituais aumentou numericamente no período em exame, independentemente dos fatores associados com esse aumento.

Enquanto as publicações registradas no LILACS ocorrem com frequência mais contínua desde 1982 (foram identificados quatro trabalhos, datados de 1957, 1966, 1967 e 1976, que foram incluídos na primeira categoria temporal) as outras duas bases componentes da BVS Psi retornaram resumos mais recentes.

O número crescente de trabalhos desenvolvidos na área teve uma ligeira redução no início da década de 1990, recuperando-se no quinquênio seguinte e atingindo, atualmente, patamares inéditos. Porém, há que se considerar se o crescimento observado não seria mais bem explicado por questões técnico-operacionais das bases de dados bibliográficos utilizadas (e.g., aprimoramento recente dos instrumentos para a captação dos dados para alimentação dos bancos) do que propriamente pelo aumento da produção científica no campo, sugerindo a importância de um acompanhamento longitudinal.

População-alvo dos relatos de experiência

Para fins de análise, foram selecionados 51 relatos de experiência dentre os 52 identificados, dado que dentre eles encontra-se um registrado em duplicidade.

Evidenciam-se, dentre os relatos de experiência, vários trabalhos com grupos que desenvolveram atividades de promoção à saúde e prevenção de doenças, tais como grupos de sala de espera de serviços de saúde (Teixeira & Veloso, 2006) e oficinas terapêuticas para cuidadores (Sá et al., 2006). Um número menor de relatos de experiência levantados na pesquisa está relacionado a grupos de orientação profissional como, por exemplo, o trabalho de Lehman, Uvaldo e Silva (2006) com jovens de baixa renda; um dos grupos de reflexão mencionado é efetuado com estudantes de pós-graduação (Terzis, 1995); Rejinaldo e Bernadino (2005) registram um relato sobre as dimensões institucionais em equipes de trabalho, e Valle (2006) menciona um trabalho com uma equipe desportiva de adolescentes jogadores de vôlei.

Encontramos apenas dois relatos de experiência que identificam a faixa etária dos participantes dos trabalhos em grupo. Os relatos de experiência que analisamos, em sua maioria, não evidenciam o número de participantes: em um deles indica-se que foram seis os participantes de uma atividade de psicoterapia grupal com pacientes de hanseníase (Oliveira, Abulafia, & Mello Filho, 1988); no outro relato, de Duran (1997), participaram 27 pessoas em uma intervenção em saúde mental com usuários de uma Unidade Básica de Saúde divididos em três grupos abertos com sete participantes cada.

Em relação à faixa etária percebemos maior frequência de grupos com adultos, seja por menção direta ou por elementos que o sugerem. Dos relatos de experiência que envolvem adultos (n = 41) três destes foram desenvolvidos exclusivamente com mulheres (Barros & Werutsky, 1985; Gallbabh, 1997; Rezende & Botega, 1998).

Dentre as faixas etárias presentes com menor frequência de trabalhos, observamos que somente três relatos de experiência abordaram crianças como público-alvo (Anaf & Paiva, 2000; Guerrelhas, Bueno & Silvares, 2000; Weiss & Correa, 1989); no entanto, vale registrar que o trabalho de Anaf e Paiva (2000) relata atividades tanto com crianças quanto com adolescentes em uma instituição de abrigo para crianças vítimas de violência. Também são somente dois os trabalhos que discorrem sobre atividades grupais com idosos (Elzirik et al., 2001; Olmos, 2004) e a mesma frequência (n = 2) foi encontrada de experiências grupais desenvolvidas especificamente com adolescentes (Padilha & Gomide, 2004; Valle, 2006). Valle (2006), mais precisamente, efetuou seu trabalho com dois subgrupos: um de pessoas do sexo feminino e outro do sexo masculino.

Localizamos apenas um trabalho que mencionava jovens como faixa etária, referente a processo grupal de orientação profissional com jovens de baixa renda (Lehman, Uvaldo, & Silva, 2006). Dois dos resumos analisados não especificaram a faixa etária (Bó & Barbosa, 1999; Gomes & Scrochio, 2001). 

Pudemos observar, ainda, que os grupos são compostos por uma diversidade de critérios de homogeneidade: com relação ao sexo, em atividade com grupo de mulheres (Gallbach, 1997); quanto à faixa etária, com adolescentes vítimas de abuso sexual no já mencionado trabalho de Padilha e Gomide (2004); a partir de determinados problemas de saúde em grupos de promoção e prevenção: grupo com pessoas com DST/AIDS no trabalho de Colósio (2005), com pessoas obesas (Barros & Werutsky, 1985), e com mulheres com câncer de mama (Rezende & Botega, 1998). Mais especificamente no campo da saúde mental observam-se grupos terapêuticos de pessoas que vivem problemas com o uso do álcool (Barros & Rispoli, 1990), de pessoas com esquizofrenia (Gordon, 1991) etc.

Notamos, portanto, que a população-alvo dos relatos de experiência foi variada em relação aos objetivos e temas trabalhados (promoção e prevenção da saúde, orientação profissional, equipes desportivas e de trabalho etc.); porém, é notória a presença de poucos trabalhos publicados envolvendo relatos de experiências grupais com idosos, crianças, jovens e adolescentes. Verificamos também que o número de participantes das experiências é descrito em um número ínfimo dos trabalhos analisados. Sexo, faixa etária e problemas de saúde são os critérios de homogeneidade mais frequentemente utilizados nos trabalhos analisados.

Modalidade grupal dos relatos de experiência

Zimmerman (2000) classifica as modalidades grupais em duas categorias amplas: grupos operativos e grupos terapêuticos. Os grupos operativos são subdividos em: grupos operativos de ensino-aprendizagem, grupos operativos institucionais, grupos operativos de reflexão e outros; já os grupos terapêuticos são subdivididos em: grupos terapêuticos de auto-ajuda e grupos terapêuticos propriamente ditos.

Ainda que a revisão realizada permita-nos sugerir que a prática grupal se dá com uma maior multiplicidade de variações dentre estas modalidades desde que obedecidos determinados critérios de aglutinação e certas finalidades, recorreremos à tipologia de modalidades adotada pelo autor acima mencionado para a classificação que se segue.

Nos relatos de experiência analisados, encontramos um total de 21 trabalhos com grupos operativos em suas diversas submodalidades, 20 publicações referentes a grupos terapêuticos de autoajuda e 12 grupos terapêuticos propriamente psicoterápicos (e.g., grupos de base analítica, de orientação analítica, de terapia cognitivo-comportamental etc.).

Os grupos operativos estão divididos em: (a) de reflexão (n = 7) como o grupo com professores realizado no contexto da psicologia escolar desenvolvido por Castanho (1990); (b) de ensino-aprendizagem (n = 6) como o de Aragon (2005), que propôs uma intervenção relacionada com a formação profissional; (c) comunitários com n = 4 (Colosio, 2005; Duran, 1997; Olmos, 2004; Teixeira & Veloso, 2006), e (d) grupos operativos institucionais (n = 4) (Anaf & Paiva, 2000; Carvalho & Salum, 1987; Contel et al., 1993; Rejinaldo & Bernadino, 2005).

Grupos terapêuticos de autoajuda foram desenvolvidos voltados para as seguintes populações: (a) para pessoas com problemas com drogas, (b) para suporte mútuo e (c) para pessoas com condições médicas gerais, e nos seguintes contextos: (a) na atenção primária à saúde, (b) na área de saúde mental e (c) de reabilitação física. Apresentam-se em maior número grupos com pessoas com problemas com drogas (n = 7) como no trabalho de Jaeger e Oliveira (2003) que realizaram intervenção em terapia comportamental-cognitiva. Do mesmo modo, também se destacam sete trabalhos com grupos de suporte mútuo, como no relato de Kelner, Filgueira, Boxwell e Bouwman (2003) sobre pacientes que apresentam comprometimento corporal.

Os referenciais teóricos dos relatos de experiência analisados na modalidade de grupos terapêuticos propriamente ditos são referidos pelos autores com uma pluralidade de termos: (a) intervenções de base analítica, (b) psicoterapia breve dinâmica, (c) orientação analítica, (d) base psicanalítica, (e) base comportamental, (f) referencial existencial-humanista etc. Trabalhos que referem intervenções de base analítica consistem no maior número de relatos (n = 5) como, por exemplo, o trabalho de Farias (1986) discutindo a primeira sessão de grupo psicanalítico. São apresentados dois trabalhos referentes a diferentes aspectos da intervenção grupal de orientação analítica (Gallbach, 1997; Oliveira Junior, 1994) e o mesmo número (n = 2) de relatos de psicoterapias grupais com fundamentação comportamental (Del Prette, 1985; Guerrelhas, Bueno & Silvares, 2000). A Tabela 4 sumariza os principais dados obtidos nesta etapa da análise.

 

 

Autores e filiação institucional

Os 116 artigos do corpus têm a autoria de um total de 190 pessoas.

Andréa Vieira Zanella da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Nédio Seminotti da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) são autores ou co-autores em um maior número de trabalhos totalizando, cada um, quatro publicações indexadas nas bases de dados eletrônicos pesquisadas.

A primeira recorre ao referencial da psicologia sócio-histórica apresentando relatos de pesquisas empíricas e um relato de experiência sobre relações sociais e poder em contexto grupal em um programa de formação em serviço (Zanella & Abella, 2001; Zanella, Lessa & Da Rós, 2002; Zanella, Prado Filho & Abella, 2003a, 2003b). A autora, atualmente, faz parte do corpo editorial da revista Psicologia & Sociedade e está vinculada à UFSC desde 1994 sendo professora associada desde 2006. Na instituição é orientadora no Programa de Pós-Graduação em Psicologia na área de Práticas sociais e constituição do sujeito e na linha de pesquisa Constituição do sujeito, relações estéticas e processos de criação

O segundo apresenta em sua produção relatos de pesquisas empíricas e um artigo conceitual sobre o pequeno grupo e o paradigma da complexidade de Edgar Morin (Alves & Seminotti, 2006; Cardoso & Seminotti, 2006; Corrêa & Seminotti, 2005; Seminotti, Borges, & Cruz, 2004). O autor tem como referenciais teóricos a psicanálise e o paradigma da complexidade estando filiado à PUC/RS desde 1978, onde realiza atividades de ensino em nível de graduação e pós-graduação. Na instituição lidera um grupo de pesquisa em Processos e Organizações em Pequenos Grupos. Pesquisa nas linhas de: pequenos grupos e saúde coletiva, processos grupais e relações de trabalho, sociometria nos grupos esportivos, intersubjetividade a partir da psicanálise etc.

Outros autores como Maria Inês Assumpção Fernandes (Colósio, Fernandes, Bermagaschi, Scarceli, Lopes, & Hearst, 2007; Fernandes, 1984, 1994) (vinculada à Universidade de São Paulo – USP – desde 1977 e coordenadora do Laboratório de Estudos em Psicanálise e Psicologia Social – LAPSO), Carlos Alberto Sampaio Martins (Barros, 1990; Barros & Rispoli, 1990; Barros & Werutsky, 1985) (psiquiatra, professor-adjunto e diretor geral de ensino da Universidade Luterana do Brasil), e Sandra Iris Sobrera Abella (Zanella & Abella, 2001; Zanella, Prado Filho, & Abella, 2003a, 2003b;) (doutoranda da UFSC e apoiadora técnica de uma pesquisa coordenada por Andréa Zanella) publicaram cada um três trabalhos no período revisado.

Delineamento metodológico dos estudos empíricos

Para a análise do delineamento metodológico dos estudos empíricos, entendemos que é necessário realizar uma diferenciação entre o desenho do estudo, ou seja, o delineamento mais geral do percurso metodológico da investigação do pesquisador; a forma de análise das informações de pesquisa, que consiste em determinados modos de tratar, organizar e sistematizar os dados obtidos, e as técnicas e instrumentos de pesquisa propriamente ditos aos quais os pesquisadores recorreram em suas investigações.

Esses três elementos componentes da metodologia dos estudos empíricos analisados foram categorizados na Tabela 5. Vale ressaltar que a tabela sumariza apenas as informações dos trabalhos nos quais foi possível identificar os aspectos elencados.

 

 

No que se refere ao percurso metodológico das pesquisas empíricas analisadas que visam investigar fenômenos e processos grupais, é interessante notar que estas são tão interventivas quanto os relatos de experiência. A diferenciação dentre as pesquisas empíricas e os relatos de experiência ocorre fundamentalmente pelo fato de que naquelas são suscitadas hipóteses e perguntas de pesquisa.

São frequentes nos estudos empíricos atividades de pesquisa que recorrem aos grupos nos mais diversos campos, temas e áreas de interesse (e.g., melhoria da qualidade de vida e saúde mental, promoção da saúde da pessoa com hipertensão, apoio a adotantes, orientação de pais, apoio a mulheres vítimas de violência doméstica etc.) a partir de uma também ampla gama de referenciais teóricos (e.g., epistemologia convergente, psicanálise, cognitivo-comportamental, existencial-fenomenológico etc.).

Não obstante, se considerarmos que o que é referido nos resumos como tratamento em grupo também consistiria uma forma de intervenção que visa a responder determinadas perguntas de pesquisa, teríamos incluído na categoria intervenção em grupo praticamente a totalidade dos estudos empíricos, com exceção de apenas um trabalho identificado como pesquisa-ação.

Com efeito, inclusive em decorrência deste caráter geral do percurso metodológico, ao se referirem à análise das informações de pesquisa os trabalhos empíricos investigados recorrem em sua totalidade a análises de tipo qualitativo, sendo que alguns integram análises quantitativas na metodologia (n = 6).

As técnicas e instrumentos de pesquisa utilizados pelos autores também admitem uma ampla variedade, consagrando-se a observação participante, o diário de campo e as entrevistas como técnicas e instrumentos privilegiados para a coleta de informações nas pesquisas empíricas. Destaque para o uso das gravações em vídeo como recurso de pesquisa, presente em um número importante de estudos (n = 4) e tão frequente quanto entrevistas. Além disso, observamos que as pesquisas empíricas não necessariamente restringem-se às atividades grupais como fonte de informações primárias do estudo sendo também utilizados, por exemplo, escalas (n = 3) e questionários (n=3).

 

Conclusões

A revisão da literatura que realizamos explorou as produções referentes ao grupo na Psicologia de modo a subsidiar por meio das informações obtidas através deste método de investigação pesquisadores e profissionais que recorrem aos grupos, seja indicando algumas tendências presentes no campo, seja identificando lacunas de pesquisa visando a programas e projetos de investigação.

Com relação às tendências da publicação observamos: a grande frequência de relatos de experiência; a não-concentração em autores ou veículos de publicação (destacando-se, particularmente, a importância das bibliotecas como fonte das publicações); os adultos como faixa etária preferencial dos relatos de experiência; a grande frequência de trabalhos fundamentados no referencial da psicanálise; as modalidades de grupo operativo e de grupo de suporte mútuo como as mais frequentes; a ênfase em análises qualitativas nas pesquisas empíricas, e o recurso à observação participante, ao diário de campo e à entrevista como técnicas e instrumentos de pesquisa privilegiados.

Notamos também determinadas lacunas da produção indexada: a necessidade de um maior número de estudos empíricos acerca dos grupos (trabalhos suscitados por hipóteses e/ou perguntas de pesquisa); a integração de recursos tradicionalmente utilizados em pesquisas qualitativas e quantitativas, sem que isso reduza o desenho de pesquisa a um ou outro enfoque; a necessidade de desenvolver estudos com não-adultos, e de fortalecer grupos de pesquisa específicos na área.

Dentre outros determinantes que podem ser investigados, o número relativamente baixo de pesquisas empíricas parece estar relacionado com o fato da maior parte da produção revisada ter como referencial a psicanálise: a fundamentação dos relatos de experiência nas modalidades de grupos propriamente terapêuticos e de grupos de suporte mútuo é concentrada neste referencial teórico.

Considerando-se o movimento institucionalista, os grupos operativos e o processo grupal como referenciais grupais críticos, não podemos afirmar a respeito da presença significativa de trabalhos que os incorporem, ao menos na temática abrangida por esta revisão. Não fizeram parte do corpus trabalhos inspirados pelo movimento institucionalista. Há menções ao referencial da epistemologia convergente, quase sempre subsumida ao referencial psicanalítico, com o confundimento de que aquela eventualmente recorre a construtos conceituais aproximados a este. O processo grupal aparece como objeto das pesquisas nos trabalhos de Zanella e Abella (2001), de Zanella, Lessa e Da Rós (2002) e de Zanella, Prado Filho e Abella (2003a, 2003b), ainda que tenhamos utilizado "grupo" como palavra-chave da pesquisa.

Não obstante, vale ressaltar limitações da investigação em relato e dificuldades observadas no decorrer do desenvolvimento da presente revisão.

A principal dificuldade consistiu na garantia da qualidade dos resumos das publicações, que são o primeiro contato da comunidade científica aos trabalhos indexados em bases eletrônicas. Trata-se de uma necessidade para a qual concorrem várias instâncias envolvidas no processo editorial (editores, pesquisadores, pessoal que desenvolve e realiza manutenção em bases de dados eletrônicos) e que asseguraria maior precisão nas informações de pesquisa requeridas em trabalhos de revisão tal qual este ora apresentado.

Uma primeira limitação refere-se ao fato de que as informações de pesquisa poderiam ter sido evidentemente ampliadas caso tivéssemos incluído as publicações impressas (livros e periódicos não indexados), a análise de artigos em língua espanhola e inglesa e de trabalhos indexados em bases cujo acesso é operacionalmente simples como por exemplo PsychINFOMedLine e Portal de Periódicos da CAPES. Entendemos, porém, que para fins de um mapeamento da produção nacional indexada em bases de dados bibliográficos, sem a pretensão de um estudo do tipo estado da arte (até mesmo porque abordamos a literatura clássica apenas a título de resgate histórico do problema de pesquisa), nosso trabalho atingiu seus objetivos.

Uma segunda limitação consiste em que revisões narrativas da literatura (qualitativas) são mais adequadas na abordagem de problemas de pesquisa mais escassos na literatura. A opção metodológica de nos restringirmos aos resumos, recorrendo aos textos completos somente quando esclarecimentos e elucidações foram necessários consistiu em uma maneira de adequação a esta recomendação visando contemplar, simultaneamente, o (grande) volume de material consolidado no corpus.

Uma terceira limitação consiste em termos nos restringido à palavra "grupo" sendo recomendável que, em pesquisas futuras, investigue-se a presença isolada ou simultânea de outras denominações tais quais "processo grupal", "práticas grupais", "dispositivos grupais", "grupanálise" etc. Não obstante, entendemos que o mapeamento da produção nacional que realizamos a respeito da temática atingiu os fins propostos considerando-se inclusive a originalidade da contribuição face à ausência desse tipo de trabalho da literatura nacional.

Finalmente, investigar a questão dos grupos em outras áreas correlatas da produção de conhecimento científico e da prática profissional da Psicologia, como a Administração, Educação e Ciências Sociais também seria outra maneira de obter uma revisão mais abrangente. Apontamos esta como outra recomendação para investigações futuras que contemplem revisões referentes ao campo abrangido neste trabalho.

 

Nota

* Apoio financeiro: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPP/UFMS)

 

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Recebido em: 12/11/2009
1ª. Revisão em: 08/01/2010
2ª. Revisão em: 25/3/2010
Aceite final em: 26/03/2010

 

 

Viviane Velozo Borges é Psicóloga, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Heidi de Oliveira Batista é Psicóloga, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Marcelo Dalla Vecchia é Psicólogo, mestre e doutor em Saúde Coletiva pela Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu/SP. Professor da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Centro Oeste "Dona Lindu". Endereço: Rua Sebastião Gonçalves Coelho, 400. Campus Chanadour.  Divinópolis/MG, Brasil. CEP 35.501-296. Email: mdvecchia@ufsj.edu.br

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