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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182

Psicol. Soc. vol.24 no.1 Belo Horizonte Jan./Apr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822012000100013 

A difusão da violência contra idosos: um olhar psicossocial

 

Diffusion of violence against the elderly: a psychosocial look

 

 

Evelyn Rúbia de Albuquerque Saraiva; Maria da Penha de Lima Coutinho

Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Brasil

 

 


RESUMO

Este estudo investiga a violência contra os idosos, a partir das mudanças culturais e sociais divulgadas pela mídia impressa e analisadas sob a ótica da Teoria das Representações Sociais. Por meio da análise padrão do software ALCESTE, foram processadas 28 notícias veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo entre 2001 e 2008 e acessadas por busca na internet. Dos resultados emergiram quatro classes temáticas, relativas à subordinação dos idosos às ações governamentais, às normas legais e aos conhecimentos científicos, além de suas vivências domésticas e institucionais. Destacaram-se os indicadores demográficos sobre o envelhecimento populacional e os dados epidemiológicos sobre as mortes por causas violentas, que foram as unidades de contexto mais prevalentes no conteúdo das notícias.

Palavras-chave: violência; idosos; representações sociais; mídia impressa; alceste.


ABSTRACT

This study investigates the violence against the elderly from the cultural and social changes, promoted by the printed media, analyzed under the optics of the Theory of the Social Representations. By means of the software ALCESTE, twenty eight published news from the periodical Folha de São Paulo, Brazil, were analyzed and accessed by internet between 2001 and 2008. From the results emerged four thematic classes related to subordination of the elderly by governmental actions, legal norms and scientific rules, as well as domestic and institutional experiences. The highlights were the demographic indicators on population aging and the epidemiological data on violent deaths .These were the more prevalent elementary units of context in the content of the news.

Keywords: violence; elderly; social representation; press; alceste.


 

 

Todos os anos, um grande número de pessoas, entre crianças, mulheres e idosos, tanto na instituição familiar quanto em outras instituições sociais, tem sido vítima de abuso, violência, negligência, maus-tratos e discriminação, tendo seus direitos e sua cidadania cruelmente desrespeitados. Com grande frequência e gravidade, a violência é evidenciada nos diferentes espaços de convivência social, constituindo uma questão que afeta os direitos humanos e que compromete a qualidade de vida dos cidadãos vitimados, sob o ponto de vista da saúde global e preventiva (Faleiros, 2004; Gaioli & Rodrigues, 2008; Minayo, 2005; Oliveira, Pires, & Manuel, 2009; Silva & Lacerda, 2007).

Nos países desenvolvidos, a sociedade contemporânea tem sido caracterizada pela incorporação crescente de novos direitos de cidadania, dentre os quais a assistência à saúde e os cuidados com a preservação da vida aparecem como principais conquistas. Os serviços de saúde podem ser considerados como os principais setores para a observação e o tratamento dos danos decorrentes da violência, tanto familiar quanto institucional. No entanto, apesar de a violência poder ser caracterizada como um produto das políticas socioeconômicas, a sua identificação e a sua prevenção ainda se encontram distantes dos serviços de saúde, em boa parte dos países desenvolvidos (Gaioli & Rodrigues, 2008).

Por essa razão, urge compreender de forma aprofundada o fenômeno da violência, no que tange à sua conceituação, às suas formas de expressão e às suas implicações na vida dos cidadãos a ela submetidos. Na atualidade, reconhece-se o caráter complexo, polissêmico, subjetivo e controverso da violência, caracterizando-a como um problema multifacetado e multidimensional, assim como um fenômeno socialmente construído (Minayo & Souza, 2005; Organização Mundial da Saúde, 2002).

Segundo Santos (2001), a violência social contemporânea caracteriza-se pela força, pela coerção e pelo dano em relação ao outro, que são atos de excesso presentes nas relações de poder (seja no nível macro, do Estado, seja no nível micro, entre os grupos sociais). Nas palavras do próprio autor, a violência é

a relação social de excesso de poder que impede o reconhecimento do outro - pessoa, classe, gênero ou raça -, mediante o uso da força ou da coerção, provocando algum tipo de dano, configurando o oposto das possibilidades da sociedade democrática contemporânea. (pp. 107-108)

Tendo em vista o caráter polissêmico da sua conceituação, a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) define a violência como:

o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande probabilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação (p. 4).

Considerando, especialmente, a violência contra a pessoa idosa, associa-se ao termo "violência" a expressão "maus-tratos e negligência" na terminologia sugerida pela organização inglesa Action on Elder Abuse (AEA) e endossada pela Organização Mundial de Saúde. Nessa direção, "violência" significa "uma ação única ou repetida, ou ainda a ausência de uma ação devida, que causa sofrimento ou angústia, e que ocorre em uma relação em que haja expectativa de confiança" (AEA, 2007, p. 2).

De acordo com Siqueira, Botelho e Coelho (2002), o fenômeno da violência contra a pessoa idosa tem aumentado em todo o mundo, em virtude do constatado aumento do envelhecimento da população humana. Observado nitidamente nas últimas décadas, esse processo de crescimento do envelhecimento demográfico ou populacional é impulsionado pela queda da taxa de natalidade e pelos avanços da biotecnologia, em todo o mundo, incluindo o Brasil.

A Organização das Nações Unidas (ONU, 2002) considera o período entre 1975 e 2025 como a Era do Envelhecimento. Nos países em desenvolvimento, esse envelhecimento populacional tem sido mais significativo e acelerado: enquanto nas nações desenvolvidas, no período de 1970 a 2000, o crescimento observado foi de 54%, nos países em desenvolvimento esse crescimento atingiu 123%.

No caso do Brasil, no período de 1997 a 2007, a população em geral apresentou um crescimento relativo da ordem de 21,6%. No entanto, o crescimento da população idosa foi da ordem de 47,8% na faixa etária de 60 anos e da ordem de 65% entre os idosos com 80 anos ou mais (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2008). A região Sudeste concentrou quase a metade (9,4 milhões) dos idosos com 60 anos ou mais do país, seguida pela região Nordeste (5,1 milhões) e pela região Sul (3,2 milhões). As regiões Centro-Oeste e Norte reuniram grupos relativamente menores nesta faixa etária: 1,2 milhão e 1 milhão de idosos, respectivamente (IBGE, 2002, 2008).

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (2008), foram considerados em situação de pobreza mais de 2,5 milhões de idosos (12,2%) no país, que vivem em domicílios cujo rendimento médio mensal domiciliar per capita é de até ½ salário mínimo. Nas áreas rurais, o percentual de idosos que moram em domicílios, nessa faixa de rendimento, chega a 20,2% do total de idosos desses locais, enquanto que, nas áreas urbanas, esse percentual é de 11,1%. A região Nordeste alcança a maior proporção de idosos em situação de pobreza (24,2%), enquanto que a região Sul atinge a menor proporção (6,5%) (IBGE, 2008).

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD, 2010) revelou que o Brasil encontra-se entre os setenta países do mundo com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice é estabelecido por meio de três dimensões: (a) uma vida longa e saudável, medida pela esperança de vida desde o nascimento; (b) as metas relativas ao acesso à educação; e (c) as condições de vida condignas. Assim, a longevidade dos indivíduos revela-se como um importante indicador de desenvolvimento humano de uma nação. Ao mesmo tempo, o ritmo acelerado de crescimento da taxa de participação dos idosos levanta importantes debates quanto à capacidade da sociedade em se adaptar a essa realidade em mutação (IBGE, 2008).

Na opinião de Siqueira, Botelho e Coelho (2002), o processo de envelhecimento populacional repercutiu e ainda continua repercutindo nas diferentes esferas da estrutura social, econômica e política da sociedade, uma vez que os idosos possuem necessidades específicas para a obtenção de condições de vida adequadas. Diante desta conjuntura, de acordo com Veras (2003), para além do estudo do perfil demográfico sobre o envelhecimento populacional, faz-se necessário investigar o processo de envelhecimento a partir das mudanças culturais e sociais resultantes dessa ampliação do contingente de pessoas idosas. As repercussões das profundas transformações sociais subjacentes ao envelhecimento ainda são pouco contempladas nos estudos da área, significando, no atual momento, o início de um processo em curso.

Além do crescimento da população idosa, existem muitas outras dificuldades, que são enfrentadas pelos idosos no decorrer da velhice, sendo que várias delas são decorrentes da fragilidade e vulnerabilidade próprias do seu estado fisiológico. Além das condições de vida, o estado fisiológico dos idosos pode torná-los vítimas em potencial da crescente violência e dos maus-tratos observados em nossos dias. A violência e os maus-tratos comprometem as conquistas alcançadas com a longevidade, com importantes repercussões no bem-estar e na qualidade de vida das pessoas idosas (Machado & Queiroz, 2006).

Por se tratar de um fenômeno socialmente construído, a violência e os maus-tratos são representados de forma diferente entre as sociedades e entre os grupos de uma mesma sociedade. Essa afirmação conduz ao entendimento de que a abordagem social desta temática pode trazer importantes desdobramentos na produção do conhecimento e na intervenção em diversos segmentos da sociedade, se for estudada dentro de uma perspectiva psicossociológica, distanciando-se, portanto, das abordagens puramente epidemiológicas e demográficas.

Por essa razão, o presente estudo baseia-se no arcabouço teórico da Psicologia Social, sob o olhar psicossocial conduzido pela Teoria das Representações Sociais, de Moscovici (1978, 2009). Com base em tal fundamentação teórica, o objetivo principal é investigar as teorias do senso comum em que emergem os elementos ideológicos veiculados e divulgados nos textos jornalísticos sobre a matéria.

As representações sociais se referem a um fenômeno típico da sociedade moderna (Moscovici, 2009). Significam o conjunto de conceitos, afir-mações e explicações que se originam no dia-a-dia, durante a comunicação e a cooperação entre indivíduos e grupos. Essa teoria interessa-se por saber como um novo conhecimento científi-co se espalha e é apropriado por diferentes grupos sociais, pertencendo a uma tradição que estuda a popularização de fenômenos sociais que se tornaram um assunto de preocupação pública.

Por essa razão, ao se estudar a representação social, focaliza-se como o ser humano procura compreender o mundo e não como ele se comporta. Moscovici (2009) adverte que a compreensão é uma faculdade inerente ao ser humano. Se antes se acreditava que ela era advinda do mundo externo, agora tudo leva a crer que a comunicação social possui grande importância na construção dessa compreensão do mundo.

De acordo com Moscovici (2009), as representações sociais de um grupo constituem o resultado de um processo de transformação daquilo que é não-familiar e não conhecido em algo familiar e particular. Portanto, uma função básica das representações sociais é a integração da novidade, o que é conseguido através dos processos interligados envolvendo a ancoragem e a objetivação.

A transformação do que não é familiar em algo familiar não se processa de maneira automática na vida dos indivíduos, mas conta com a participação da memória e das conclusões pré-estabelecidas. O processo de ancoragem transfere o desconhecido para o esquema de referência, por meio da comparação e da interpretação; por sua vez, o processo de objetivação reproduz o desconhecido, entre o que é visível e tangível, trazendo-o, assim, sob controle. Nesse sentido, a objetivação é um processo interligado à ancoragem, que contribui para o surgimento de uma representação social frente a um novo objeto, por meio da materialização de uma entidade abstrata, que foi ancorada pela classificação e pela nomeação (Moscovici, 2009).

Cabe destacar que as representações sociais não são construídas num vácuo social. Na verdade, elas vão sendo compartilhadas, socializadas e representadas no cotidiano das pessoas. Isso ocorre através das práticas e falas que elas escutam dos demais integrantes da comunidade, do que leem, ouvem ou veem nos meios de comunicação e das experiências vivenciadas no transcorrer da sua história de vida e da sua convivência social. Segundo Moscovici (2009), as representações sociais devem ser vistas "como uma maneira específica de compreender e comunicar o que já sabemos ... tem como objetivo abstrair o sentido do mundo e introduzir nele ordem e percepções que reproduzam o mundo de forma significativa" (p.46).

De acordo com alguns autores (Alexandre, 2001; Silva & Camargo, 2004), a mídia possui um papel fundamental para o conhecimento do senso comum, pois, ao popularizar para o leigo os conhecimentos produzidos pela ciência, age na produção e veiculação das representações sociais. Moscovici (2009) busca explicitar como os saberes, em nível social, permitem à coletividade processar um dado conhecimento veiculado pela mídia, transformando-o numa propriedade impessoal, pública, que consente a cada indivíduo manuseá-lo e utilizá-lo de forma coerente com os valores e as motivações sociais da coletividade à qual pertence. Na segunda parte do seu livro A psicanálise, sua imagem e seu público, Moscovici (1978), com o objetivo de estudar a interação de atores sociais através da mídia, classifica e analisa os três sistemas distintos de comunicação: propaganda, propagação e difusão. Essas formas de comunicação estão entrelaçadas e relacionadas a cada conduta edificada: a propaganda correlaciona-se com os estereótipos, a propagação com as atitudes e a difusão com as opiniões.

Considerando-se o sistema de difusão como um produto do diálogo social e, portanto, como um ambiente de circulação de opiniões, a mídia (especialmente os jornais) tem-se constituído como um veículo das representações sociais (Moscovici, 1978). Segundo Ponte (2005), na medida em que constroem a história de todo dia, numa linguagem coloquial, os jornais tornam o texto acessível a todas as camadas letradas da sociedade, funcionando como fonte de formação e difusão de representações. Nesse sentido, numa sociedade em constante movimento, as mudanças de representação social são conduzidas com agilidade pelos meios de comunicação de massa. Por intermédio dos meios de comunicação, as representações hegemônicas da sociedade imprimem uma pressão sobre os sujeitos sociais, ao mesmo tempo em que variam de uma sociedade para outra, pois "diferem de acordo com a sociedade em que nascem e são moldadas" (Moscovici, 2001, p. 49).

Segundo Minayo e Souza (2005), quando se olha mais profundamente para o problema social da violência e maus-tratos contra os idosos, encontra-se uma dimensão fundamentada no imaginário popular ou no senso comum, uma vez que a sociedade reproduz a ideia de que a pessoa vale o quanto produz e o quanto ganha. Nesse sentido, os mais velhos, fora do mercado de trabalho e quase sempre ganhando uma pequena aposentadoria, podem ser descartados, sendo considerados, pela sociedade adulta e pelos próprios idosos, como inúteis ou como pesos mortos. Frequentemente, diversas expressões da violência e maus-tratos contra a pessoa idosa são tratadas como uma forma de agir "normal" e "naturalizada", ficando ocultas nos usos, nas ideias, nas crenças, nos costumes e nas relações entre as pessoas. De acordo com Jardim, Medeiros e Brito (2006), no imaginário social, o envelhecer está associado com o fim de uma etapa, sendo um sinônimo de sofrimento, solidão, doença e morte. Nesse imaginário, dificilmente se vê algum prazer de viver essa fase da vida.

Com base nessas considerações, esta pesquisa apresenta-se como um estudo a respeito do imaginário popular sobre a velhice e a violência a ela associada. Sob um olhar psicossociológico, objetiva apreender as representações sociais da violência, dos maus-tratos e da negligência contra os idosos, tal como são divulgadas pela mídia impressa.

 

Método

Tipo de estudo e amostra

Trata-se de uma pesquisa documental, de caráter descritivo, utilizando uma amostra de 28 artigos do jornal a Folha de São Paulo, publicados de janeiro de 2001 a novembro de 2008, contendo todos os gêneros textuais sobre "violência contra idosos". A escolha do referido jornal deveu-se ao fato de possuir uma linha editorial dirigida à classe média, com a proposta de um jornalismo mais politizado, intelectual e científico, usando uma linguagem elaborada e supostamente neutra. Embora produzido no estado de São Paulo, esse jornal tem penetração em todo o país.

Coleta e análise de dados

A leitura e a seleção dos artigos pertinentes foram realizadas pela internet, através do formato eletrônico do jornal. Para fazer a coleta, utilizamos a expressão violência contra idosos e cada artigo foi codificado em relação ao ano e ao gênero textual. A variável ano de publicação recebeu uma codificação entre 2001 e 2008, e os gêneros textuais compreenderam opinião/editorial, painel dos leitores, nota, reportagem e entrevista.

Os artigos selecionados e codificados foram processados pelo ALCESTE (Analyse Lexicale par Contexte d'un Ensemble de Segments de Texte), um software de análise de dados textuais desenvolvido por Reinert (1993), cujo objetivo é obter uma classificação estatística de enunciados simples do corpus estudado, em função da distribuição de palavras dentro do enunciado, a fim de apreender as palavras que lhes são mais características. Dessa maneira, o ALCESTE identifica classes de palavras que representam as diferentes formas de discurso a respeito do objeto de pesquisa (ALCESTE, 2007; Camargo, 2005; Saraiva, Coutinho, & Miranda, 2011).

Por meio da análise padrão do software ALCESTE, foram processadas 28 notícias veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo entre 2001 e 2008 e acessadas por busca na internet.

Foram realizadas: (a) a descrição da frequência e do percentual das palavras, seguida do cálculo do χ2 (medida da relação entre as palavras, dados os padrões de co-ocorrência entre as classes); (b) a Classificação Hierárquica Descendente (CHD) ou clusters das classes de palavras encontradas, com base na proximidade de conteúdos do total do corpus, em um gráfico com formato de dendrograma; e (c) a Análise Fatorial de Correspondência (AFC), que permite visualizar, sob a forma de um plano fatorial, as oposições resultantes da CHD (Jesus, 2007).

 

Resultados

O corpus foi constituído de 28 unidades de contexto iniciais (U.C.I), representando 28 notícias, totalizando 12.587 ocorrências, sendo 3.560 palavras diferentes, tendo, em média, 4 ocorrências por palavra. Para a análise que se seguiu, foram consideradas as palavras com frequência igual ou superior à média e χ2 >3,84. Após a redução do vocabulário às suas raízes, foram encontradas 414 palavras reduzidas e analisáveis e o corpus foi reduzido a 934 unidades de contexto elementares (U.C.E).

A análise hierárquica descendente reteve 96% do total das U.C.E do corpus, organizadas em quatro classes. Conforme o dendrograma da Figura 1, houve a primeira partição do corpus em dois subcorpus, um deles resultando na Classe 4, denominada de "envelhecimento populacional e mortes por causas violentas". Da segunda repartição, emergiu a temática "vivências e submissões dos idosos", composta pelas três classes restantes, agrupadas, por sua vez, em dois blocos: um com a Classe 3, designada "vivências domésticas e institucionais dos idosos", e outro com as Classes 1 e 2, bloco nomeado como "subordinação dos idosos às normatizações, ao Estado e aos ditames da Ciência".

A Classe 1, denominada "subordinação dos idosos às ações governamentais", envolveu 130 U.C.E, com 82 palavras, significando 14,43% do corpus. A Classe 2, categorizada como "subordinação dos idosos às normas legais e ditames científicos", foi formada por 307 U.C.E, contendo 82 palavras e expressando 30,07%. A Classe 3, que trata das "vivências domésticas e institucionais dos idosos", com 212 U.C.E e 113 palavras, contabilizou 23,53%. Por fim, a Classe 4, denominada "envelhecimento populacional e mortes por causas violentas", conteve 252 U.C.E. e 99 palavras, correspondentes a 27,97% das U.C.E.

Observe-se que a distribuição das U.C.E. entre as classes apresentou-se de maneira relativamente desequilibrada, com predomínio das Classes 1 e 2, totalizando 44,5%, as quais, somadas à Classe 3, acumularam 68,03% das UCE analisadas. Por outro lado, a Classe 4 apareceu com 27,97% das UCE.

Buscando uma melhor compreensão do processo de divisão do conteúdo textual e da constituição das classes, o dendrograma da distribuição das classes permite visualizar os sucessivos agrupamentos realizados a partir da análise hierárquica descendente ou análise dos clusters. Apesar de sua presença nas demais classes analíticas apresentadas pelo Alceste, a temática discutida neste trabalho encontra-se expressa e reunida na Classe 4. Em função disso, será apresentada, inicialmente, a referida classe e, posteriormente, será realizada uma análise transversal do tema no conjunto dos resultados.

De acordo com a Figura 1, a Classe 4, "envelhecimento populacional e mortes por causas violentas", foi composta por palavras e radicais no intervalo entre χ2 = 49,30 (Aumenta, aumentam, aumentando, aumentaram, aumentava, aumente, aumento, aumentou) e χ2 = 4,78 (constatação, constatada, constatado e constatou). As variáveis-atributos que mais contribuíram com esta classe foram os anos de 2006 e 2002, além de editoriais e entrevistas.

Algumas UCE representativas, que justificam a denominação da Classe 4, podem ser vistas a seguir:

população e indicadores sociais do IBGE / O total de mortes violentas em 21 anos constatado pelo registro de ocorrências / Hoje, a expectativa de vida no Brasil é de / melhoria, apesar do impacto negativo das mortes violentas, a expectativa de causas evitáveis / Para o demógrafo, a expectativa de vida no Brasil ainda é baixa por conta da violência / De 1980 a 2001 ocorreram no país 1.913.186 mortes por causas violentas. A constatação foi que as mortes por causas violentas estão na raiz do problema.

Segundo a Figura 1, a Classe 3, "vivências domésticas e institucionais dos idosos", foi composta por palavras e radicais no intervalo entre χ2 = 50,24 (casa) e χ2 = 13,06 (quadras; irmã e irmãos; pergunta, perguntando perguntavam e perguntou; região; viúva e viúvo). As variáveis-atributos que mais contribuíram com esta classe foram as reportagens registradas nos anos entre 2004 e 2006.

A seguir, estão listadas algumas UCE representativas, que justificam a denominação da Classe 3, que trata das vivências, domésticas e institucionais, de fatos relativos à violência contra idosos:

O pai / bateram nele e na mulher e levaram a poupança do mais velho / chorou, / Não aguentei, só ela está viva / asilo do bairro da zona sul, que foi assaltado por um grupo / Apresentaram-se na casa dele como amigos do filho mais velho / Foi espancado / martiriza-se F., de cerca de 80 anos / A mulher, surda-muda, tem problemas mentais.

Como pode ser observado na Figura 1, a Classe 2, "subordinação dos idosos às normas legais e aos ditames científicos", foi composta por palavras e radicais no intervalo entre χ2 = 37,37 (média, médica, médico, médicos, médio, medo) e χ2 = 9,50 (centro, centros). As variáveis-atributos que mais contribuíram para esta classe foram notas e reportagens, nos anos de 2003 e 2007.

A seguir, são listadas algumas UCE representativas, que justificam a denominação da Classe 2, que trata das evidências empíricas da força da normatização e da ciência na vida dos idosos:

um estudo realizado em 2000 pela organização norte americana / Outra pesquisa, realizada entre alunas da faculdade da terceira idade. O estudo revela que a população idosa urbana / O Estatuto do Idoso e um PAC da terceira (idade) define que / É o que aponta pesquisa da fundação em conjunto com pessoas / alerta o chefe da disciplina de geriatria da UNIFESP, as quedas são responsáveis por 12% dos óbitos na terceira idade.

De acordo com a Figura 1, a Classe 1, "subordinação dos idosos às ações governamentais", foi composta por palavras e radicais no intervalo entre χ2 = 53,12 (segurança) e χ2 = 11,94 (ônibus). As variáveis-atributos que mais contribuíram para esta classe foram: participação dos leitores e entrevistas publicadas em 2003.

As UCE ou pseudofrases que são mostradas a seguir são representativas da Classe 1, que se refere às ações do governo e das vivências familiares no contexto da violência contra os idosos:

de ver o presidente / empenhado na questão da segurança tanto quanto esteve empenhado no fome zero / Os meios necessários para uma sobrevivência digna, que ao menos o respeito lhes seja / os idosos deixaram de ir ao teatro, outros passaram a andar armados / A polícia federal gravou um vídeo em que transporte público é deficiente e, de quebra, o estresse e a violência seguem à espreita / Subordinada ao Ministério da Previdência e da Assistência Social, a maioria dos idosos.

Ao realizar a Análise Fatorial de Correspondência (AFC), o Alceste permitiu visualizar, sob a forma de um plano fatorial, as oposições resultantes da Classificação Hierárquica Descendente (CHD). Como mostra a Figura 2, isto foi realizado a partir das diferenciações dos gêneros textuais no plano fatorial, evidenciando as suas especificidades, uma vez que permite perceber a ação das variáveis-atributos e das quatro classes examinadas. O conteúdo das matérias jornalísticas se distribui em quatro zonas ou conglomerados, de modo não-aleatório e correspondente às formas específicas das classes.

A análise da Figura 2 foi feita a partir da leitura das palavras com maiores cargas fatoriais, dispostas nos campos semânticos e distribuídas de maneira oposta nos dois eixos ou fatores (Eixo 1 e Eixo 2). Juntos, os dois eixos explicam 64% da variância total das UCE. Na linha horizontal, o primeiro eixo revela as maiores cargas fatoriais identificadas no Alceste, explicando 42% da variância total das UCE.

No primeiro eixo, no lado negativo ou à esquerda da Figura 2, destacam-se as palavras aglutinadas na Classe 4 (envelhecimento populacional e mortes por causas violentas), apreendidas nos editoriais e entrevistas publicadas em 2006 e 2002. Por oposição, no mesmo eixo, no lado positivo, à direita, posicionam-se as palavras com maiores cargas fatoriais agrupadas na Classe 2 (subordinação dos idosos às normas legais e aos ditames científicos), que emergiram das notas e reportagens do jornal Folha de São Paulo, publicadas nos anos 2003 e 2007.

Com relação ao segundo eixo (Eixo 2), na linha vertical da Figura 2, destacam-se dois agrupamentos de palavras, que explicam 32% da variância total das UCE. No Eixo 2, emergiram dois campos semânticos: um, no plano superior, com as contribuições das reportagens publicadas entre 2004 e 2006, da Classe 3 (vivências domésticas e institucionais dos idosos); e, por contraste, no plano inferior, posicionam-se as palavras oriundas da seção painel do leitor e da entrevista, que foram editadas no ano de 2003 e categorizadas na Classe 1 (subordinação dos idosos às ações governamentais).

Nos resultados da AFC sobressaem os espaçamentos ou distâncias euclidianas entre as quatro classes, dispostas no plano fatorial. Assim, a Classe 4, que trata do processo de envelhecimento, aparece aglomerada de forma mais distante das demais classes. Quanto às Classes 1 e 2, embora dispostas em eixos fatoriais diferentes, guardam uma grande proximidade espacial, justificando o conteúdo das "subordinações a que são submetidos os idosos", entre as normas legais, relatórios de grupos de pesquisas e programas governamentais.

 

Discussão

Tomando-se como referência o dendograma das quatro classes (Figura 1) e o plano fatorial de correspondência (Figura 2), chama atenção o modo de difusão das representações sociais sobre a violência, os maus-tratos e a negligência contra os idosos, que foram veiculadas pela mídia (exemplificada pelo jornal Folha de São Paulo). De maneira geral, essa difusão se deu através de dois polos, um deles referente aos dados demográficos e epidemiológicos encontrados em editoriais e entrevistas. O outro polo diz respeito às vivências familiares e institucionais dos idosos, somadas à influência da ciência (médicos, geriatras, coordenadores de pesquisa), dos órgãos governamentais (presidente, IBGE, Ministério da Previdência Social) e do dispositivo legal (Estatuto do Idoso).

Quanto ao primeiro polo, identificado na Classe 4 da CHD, localizada na extremidade esquerda do dendograma, observa-se que a difusão das RS foi ancorada em um posicionamento atitudinal da mídia, que abordou os fenômenos da violência e do envelhecimento como decorrentes do aumento populacional e do crescimento da violência social. Isso significa uma decisão da mídia em dar cobertura ampla e imparcial, com falas reportadas, em detrimento de uma proposta de mudança comportamental do seu público-alvo. Os dados numéricos das palavras com cargas fatoriais indicadas na CHD e na AFC (aumento, IBGE, total, mínimo, milhões) confirmam esse argumento. Nesse caso, os verbos "causar" e "aumentar", com altas cargas fatoriais presentes na AFC, parecem indicar uma relação de causa e efeito: em um lado, estão o aumento populacional e o crescimento da violência social; e no outro lado, situa-se a própria violência contra os idosos. Esse posicionamento confirma os estudos sobre a expectativa de vida (PNUD, 2010), sobre o envelhecimento demográfico (IBGE, 2008; Organização das Nações Unidas, 2002; Siqueira, Botelho, & Coelho, 2002) e sobre a importância de se investigar a violência entrelaçada com o envelhecimento (Florêncio, Ferreira Filha, & Sá, 2007).

No segundo polo de difusão das representações sociais sobre a violência contra os idosos, aparecem diluídos os aspectos vivenciais no âmbito doméstico e no âmbito das instituições de longa permanência para os idosos. Esses aspectos vivenciais estão registrados na Classe 3 da CHD, com uma frequência de 23,53% para as palavras presentes em reportagens, onde os idosos têm a sua vida destacada, contra 44,5% dos conteúdos de forma reduzida, ilustrados nas Classes 1 e 2. Nessas duas classes, o jornal trata substancialmente dos discursos das autoridades socialmente constituídas, desde os representantes da ciência até os dirigentes de órgãos públicos, além de fazer menção ao documento destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, o Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741, 2003). É interessante perceber que as U.C.E. que emergiram do corpus estudado e que compõem as Classes 1 e 2 foram aglutinadas a partir de notícias veiculadas no ano de 2003, época em que estava em andamento a redação final do Estatuto do Idoso, publicado em outubro do referido ano.

As objetivações utilizadas nos discursos da mídia estudada, principalmente aglutinadas na Classe 4 (aumentar, total, mínimo, milhões, expectativa, vida, política, causas, mortes), confirmam o entendimento e o posicionamento dos organismos que propõem políticas públicas voltadas para a saúde. Tanto ao nível nacional quanto ao nível internacional, tais políticas públicas se referem, principalmente, às causas externas ou às mortes violentas, atreladas ao estudo sobre a violência (Ministério da Saúde, 2001; OMS, 2002, 2008; Portaria MS/GM n. 737, 2001).

A voz do idoso, o principal protagonista da norma protetora dos seus direitos, fica pouco evidente, levando a inferir a sua exclusão do foco da atenção da mídia impressa. Essa evidência corrobora o pensamento de Minayo e Souza (2005), no sentido de que o estudo da violência contra a pessoa idosa está fundamentado nos pontos de vista demográfico, epidemiológico e socioantropológico. No presente estudo, os recortes do jornal estudado situaram-se majoritariamente nos dois primeiros pontos de vista.

Em complemento a essa realidade, o poder da mídia valoriza a força das instâncias governamentais e científicas e torna visível a fraqueza da palavra dos próprios idosos. Esse argumento se confirma pelo uso, nas objetivações, de verbos como "lamentar, dizer e recomendar", com cargas fatoriais identificadas nas U.C.E. representativas da Classe 2. Esta classe se refere às falas reportadas atribuídas aos médicos geriatras e aos pesquisadores da comunidade científica, convidados pelo jornal para fundamentar a sua reportagem. De acordo com Gavazzi e Rodrigues (2003), a escolha de tais verbos avaliativos ancora os discursos do jornal na solidariedade (lamentar) e na valorização positiva (recomendar) dos informantes presentes no texto, como também no apelo à imparcialidade (dizer). Por outro lado, as cargas fatoriais presentes nos verbos "levar e morrer", identificados nas U.C.E. representativas da Classe 3, ancoram o posicionamento da mídia impressa na fragilidade e na vulnerabilidade dos idosos, confirmando os estudos de Machado e Queiroz (2006).

Portanto, pode-se concluir que o objetivo principal do presente estudo foi confirmado, na medida em que demonstrou que as representações sociais da violência contra o idoso podem ser apreendidas a partir dos gêneros textuais veiculados pela mídia investigada. Além disso, os resultados mostraram que na veiculação das representações sociais da violência contra o idoso transparece a deliberação de publicar notícias que privilegiam uma visão demográfica e epidemiológica do envelhecimento e da violência, aliada à valorização das personalidades científicas e políticas.

Esse conhecimento do senso comum difundido pelo jornal Folha de São Paulo desvela, de forma incompleta e inacabada, o fenômeno da violência e dos maus-tratos contra a pessoa idosa. Essa incompletude traz o risco da estereotipia, uma vez que não torna evidente, para o seu público, a importância de relacionar os indicadores numéricos e as falas das autoridades com a necessidade de reconfiguração, tanto do ciclo de vida dos idosos quanto dos seus novos papéis sociais.

Dessa forma, os achados deste estudo parecem confirmar o perfil do jornal escolhido, o qual, embora supostamente neutro, opta por um jornalismo intelectual, científico e com linguagem elaborada. Dessa maneira, o jornal Folha de São Paulo encontra-se inserido num sistema de difusão das representações hegemônicas da sociedade, que imprimem uma pressão sobre os sujeitos sociais.

Nessa constatação reside uma das limitações do presente estudo, na medida em que carece de uma complementação, em resposta a algumas questões ainda em aberto. Uma dessas questões se resume em saber como os indivíduos elaboram as explicações sobre as questões sociais. De maneira intrinsecamente relacionada, torna-se importante determinar, também, como essas elaborações dos indivíduos se relacionam com a difusão, pelos veículos de comunicação, das mensagens dos indivíduos a respeito dos seus comportamentos e da organização social.

Por fim, convém salientar, ainda, que outra limitação deste estudo foi a utilização de uma expressão restritiva para apreender as teorias do senso comum divulgadas pela mídia selecionada ("violência contra idosos"). Entende-se ser necessária a ampliação da busca de notícias por meio do uso de expressões tais como "maus-tratos contra idosos" e "negligência contra idosos". Pressupõe-se que tal medida poderá propiciar o registro de uma maior quantidade de documentos e, consequentemente, uma mais ampla apreensão das representações sociais da mídia impressa pesquisada.

 

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Recebido em: 22/05/2009
Revisão em: 30/10/2010
Aceite em: 02/01/2012

 

 

Evelyn Rúbia de Albuquerque Saraiva é Doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba e docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba. Endereço: Universidade Federal da Paraíba, Campus I. Departamento de Psicologia/CCHLA. Cidade Universitária. João Pessoa/PB, Brasil. CEP 58051-900. Email: evelynsaraiva@hotmail.com
Maria da Penha de Lima Coutinho é Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba. Email: mplcoutinho@gmail.com