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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182

Psicol. Soc. vol.24 no.1 Belo Horizonte Jan./Apr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822012000100014 

Projetos para os filhos e estratégias de socialização: a perspectiva de pais e mães*

 

Family projects for their children and socialization strategies: a parent's perspective

 

 

Adriana WagnerI; Cristina Benites TroncoI; Jaqueline da Silva GonçalvesI; Karina Adriani DemarchiI; Daniela Centenaro LevandowskiII;

IUniversidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil
IIUniversidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Porto Alegre, Brasil

 

 


RESUMO

O presente estudo teve por objetivo identificar quais os projetos que pais e mães manifestam ter para seus filhos, assim como as estratégias que utilizam no processo educativo a fim de concretizá-los. Foram entrevistados, em suas residências, oito casais que coabitavam, de nível socioeconômico-cultural médio, com pelo menos um filho em idade escolar, residentes em Porto Alegre. A partir da análise de conteúdo das entrevistas, foi possível constatar projetos tais como: formação profissional, formação pessoal e constituir família. Também se encontrou uma categoria de respostas a qual denominamos de liberdade para que os filhos construam seus próprios projetos. Quanto às estratégias para concretizar tais projetos, identificou-se: investimento na formação profissional, em conforto, diálogo, cuidado, tratamento igualitário entre os filhos, respeito pelos interesses dos filhos e instrumentalização pedagógica. Os entrevistados evidenciaram a valorização da formação profissional de seus filhos. Todos os pais e mães entrevistados prospectam seus filhos numa vida adulta.

Palavras-chave: processo educativo familiar; projetos vitais; estratégias de socialização; parentalidade.


ABSTRACT

This study aimed to identify fathers and mothers' desired projects related to their children, and strategies used to achieve them in the educative process. Eight couples, with an average social-economic-cultural level, were home interviewed. They had at least one school age child and lived at Porto Alegre. Interview content analysis made possible to identify projects such as: professional training, personal development, family constitution. It was also possible to identify a category of answers that was called freedom for the children to build their own projects. Professional training investment, comfort investment, dialogue, care, egalitarian treatment between children, respect by children's interests and pedagogical instrumentalization were perceived as strategies used by these parents to achieve their projects. Professional training was seen by the participants as highly worth it. All parents interviewed prospect their children in an adult life.

Keywords: family educative process, life projects; socialization strategies; parenthood


 

 

Introdução

Apesar das mudanças sociais ocorridas nos últimos tempos, a família se mantém como uma importante fonte de apoio, afeto e proteção no processo de desenvolvimento humano. Sem desconsiderar a diversidade social, cultural e histórica existente, pode-se afirmar que a maioria das sociedades ainda confere à família um papel central na preparação dos indivíduos para a integração social (Boeckel, Sarriera, & Wagner, 2005). De modo geral, são três os objetivos fundamentais dessa instituição: (a) ensinar os filhos a viver em sociedade, (b) prepará-los para desempenhar determinados papéis sociais (familiares, ocupacionais, de gênero e nas instituições) e (c) possibilitar o aprendizado do que é importante e valorizado social e culturalmente (Musitu & Cavas, 2001).

Diante disso, nos parece fundamental questionar a forma como os pais estão exercendo e fomentando a educação de seus filhos. Que práticas e estratégias eles identificam como importantes na preparação de seus filhos para a vida social? Será que a família está acompanhando as mudanças da sociedade contemporânea e preparando realmente os filhos para as vivências do mundo? Estariam os pais de hoje em dia percebendo essas mudanças e educando seus filhos para o mundo atual ou para o mundo em que eles mesmos cresceram, a partir de seus próprios valores, conhecimentos, crenças e percepções?

Sendo assim, é importante analisar os elementos sociais e culturais que são aprendidos na família, os valores que são transmitidos pelos pais aos filhos e as estratégias utilizadas pelos progenitores para inculcar nos filhos tais normas e valores e para controlar o seu comportamento. Tais estratégias são denominadas estratégias de socialização e referem-se a um conjunto de condutas cujo objetivo é moldar, através da intervenção educativa, o tipo de comportamento e atitude que os pais valorizam como apropriado e desejável para o desenvolvimento pessoal e a integração social de seus filhos (Rodrigo & Palacios, 2003).

A literatura existente sobre o tema identifica, de modo geral, duas dimensões distintas relacionadas a essa tarefa educativa da família: as práticas educativas e os estilos parentais. As práticas educativas referem-se às estratégias utilizadas pelos pais para atingir objetivos específicos junto aos filhos, em diferentes domínios (social, acadêmico, afetivo etc.). Já os estilos parentais referem-se ao padrão global de características da interação dos pais com os filhos em diversas situações (Cecconello, De Antoni, & Koller, 2003; De Bem & Wagner, 2006). Assim, o clima emocional presente nas atitudes dos pais tem seu efeito condicionado à eficácia das estratégias educativas específicas utilizadas por eles (Darling & Steinberg, 1993; Mosmann, Wagner, & Féres-Carneiro, 2006).

A eleição de um estilo educativo pelos pais está relacionada às suas características individuais (incluindo seus valores, atitudes e crenças sobre o desenvolvimento e a educação de seus filhos e a complexidade de seu entendimento acerca dessas crenças), às peculiaridades de suas vidas (contexto histórico, social, cultural, econômico) e aos indicadores de funcionamento de sua família de origem, dentre outros fatores (Ceballos & Rodrigo, 2003; Wagner, 2007). As experiências e vivências no âmbito profissional e o nível de escolaridade também têm se mostrado elementos de grande influência na construção e modificação da ideologia parental sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos. Outras variáveis que também repercutem sobre essa ideologia são: o local de residência (zona rural ou urbana), as características específicas de determinadas situações (Palacios, Hidalgo, & Moreno, 2003) e os conflitos surgidos na interação com cada filho (Hernández, Rodríguez, & Zamora, 2003). Nesse sentido, tais estilos só podem ser adequadamente compreendidos quando se considera a realidade de cada família, as características de cada um de seus membros, as especificidades das circunstâncias/situações, o momento evolutivo de cada filho que está sendo educado/socializado (Ceballos & Rodrigo, 2003) e as expectativas evolutivas dos pais a esse respeito (Rodrigo & Palacios, 2003).

Em suma, existe um corpus de conhecimentos e práticas sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos que forma parte de cada cultura e de cada uma das sociedades que a integram. Tal conjunto de crenças, teorias, ideias e comportamentos é tido como natural, muitas vezes assumido sem reflexão pelos pais, pois já faz parte de sua própria criação, estando embutido nos produtos e nas instituições sociais e culturais. Isso não impede, contudo, que experiências pessoais possam transformar essa forma de pensar e agir dos pais. De qualquer forma, a mudança nos valores e crenças parentais nunca se dá de um extremo a outro, e sim entre posições intermediárias (Palacios et al., 2003).

Nas últimas décadas, uma grande quantidade de estudos acerca das interações familiares investigou as ideias dos pais sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos, muito provavelmente pela repercussão de tais ideias sobre o desenvolvimento infantil (Ceballos & Rodrigo, 2003; Palacios et al., 2003). Tais estudos em geral focalizaram as estratégias educativas da família (Boeckel et al., 2005; De Bem, Wagner, & Sarriera, 2006; Kunrath, Wagner, & Jou, 2006), tomando por base as ideias de Baumrind (1971, 1978) e de Maccobby e Martin (1983) acerca dos estilos parentais e das práticas educativas.

Entretanto, pouco tem se discutido sobre o que os pais efetivamente estão transmitindo para seus filhos, em termos de projetos que possuem para cada filho e as estratégias de socialização utilizadas para concretizá-los. Não se pode desconsiderar que talvez as famílias, atualmente, estejam se deparando com um choque de ideais, direcionando uma dupla exigência aos filhos: ao passo que precisam proporcionar a esses capacitações educacionais máximas, também desejam sua felicidade, prazer e bem-estar (Carreteiro, 2007).

Dessa forma, deve-se levar em conta que as formas concretas que os pais utilizam para influenciar as crenças, valores e condutas de seus filhos são muito variáveis, de tal maneira que reunir todas elas torna-se inviável (Musitu & Cavas, 2001). Portanto, como um estímulo para aprofundar as discussões e reflexões acerca da tarefa educativa da família, o presente estudo qualitativo, de caráter exploratório (Creswell, 2010), teve por objetivo identificar os projetos que pais e mães idealizam para seus filhos, assim como as estratégias que elegem conscientemente e utilizam para a concretização destes projetos no processo educativo.

 

Método

Participantes

Participaram desse estudo oito casais que coabitavam, de nível socioeconômico-cultural médio, com pelo menos um filho em idade escolar, residentes na cidade de Porto Alegre, com idades variando entre 36 e 44 anos. Em quase todos os casais entrevistados, os dois membros possuíam escolaridade superior e exerciam alguma atividade ocupacional.

Dos oito casais entrevistados, cinco formavam uma família de configuração original e três, reconstituída. Seis dessas famílias tinham dois filhos (um de cada sexo) e duas famílias possuíam filhos únicos. A idade dos filhos variou entre 6 e 17 anos. Em duas famílias havia filhos de casamentos anteriores. Nesse caso, foram consideradas somente as informações relatadas pelos pais a respeito dos filhos do casamento atual, em idade escolar.

Instrumento e procedimentos

O acesso aos casais do presente estudo foi realizado através de um contato telefônico, a partir dos dados de identificação fornecidos voluntariamente pelos sujeitos que responderam a um questionário da pesquisa "A Família e a Tarefa de Educar: Condutas Educativas e Transgeracionalidade" (CNPq nº 523724/ 95-0).

Com os casais que aceitaram participar desta pesquisa foi utilizada uma entrevista semiestruturada, que abordava os seguintes eixos temáticos, os quais deveriam ser respondidos enfocando os filhos que estivessem em idade escolar, ainda que na família houvesse mais filhos em outras idades: projetos dos pais para os filhos e estratégias utilizadas para o alcance de tais projetos. A fim de explorar tais temas, durante a entrevista foram feitas perguntas tais como: "O que vocês pretendem para os seus filhos?", "Como gostariam que seus filhos estivessem daqui a 20 anos?", "O que estão fazendo hoje para que isso se concretize?".

As entrevistas foram realizadas com o casal em sua residência, mediante o aceite através da apresentação e assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido, o qual explicitava a relevância e os objetivos da pesquisa, além de garantir o anonimato e a confidencialidade dos dados. O conteúdo da entrevista foi gravado em áudio e vídeo e transcrito literalmente para fins de análise.

Análise dos dados

As informações coletadas nas entrevistas foram analisadas conforme os preceitos de Olabuénaga (1999) para a análise de conteúdo. Esta análise desenvolveu-se através das seguintes etapas: (a) leituras iniciais dos textos e apropriação do conteúdo, buscando identificar as diferentes amostras de informações que se apresentavam conforme os objetivos do estudo. Assim, todo o texto foi desmembrado em unidades de registro, que podiam ser palavras, temas, frases ou conjunto de palavras; (b) determinação do sistema de categorias, a partir de critérios de categorização, respeitando-se a amplitude, a exclusividade e o sentido das categorias e (c) codificação dos textos propriamente dita. Cabe salientar que, durante o processo de criação e identificação das categorias nos textos, foram realizadas discussões e revisões entre as autoras, a fim de se estabelecer uma estrutura de categorias temáticas precisa e aceitável, conforme recomendação de Olabuénaga (1999).

 

Resultados

A partir da análise das entrevistas, foram elaboradas categorias e subcategorias temáticas, reunindo conteúdos afins das falas dos participantes, que ficaram assim distribuídas:

Eixo Temático I

 

 

Eixo Temático II

 

 

Apresentam-se agora as categorias temáticas derivadas da análise das entrevistas e suas respectivas subcategorias, exemplificadas por alguns trechos das falas dos participantes, que são identificados conforme o papel (pai ou mãe) e o número de identificação do casal neste estudo.

Eixo I: Projetos dos pais para os filhos

Essa categoria incluiu as falas dos participantes a respeito dos projetos que possuíam para seus filhos. Diante da diversidade de projetos que emergiram a partir da análise das entrevistas, essa categoria foi subdividida em três subcategorias: (a) Formação Profissional, (b) Formação Pessoal e (c) Constituir Família. Outra categoria de análise foi aquela que indicou a liberdade dada pelos pais para que os filhos construíssem seus próprios projetos

Quanto à Formação Profissional, os pais e mães expressaram a importância do estudo para que os filhos obtivessem um bom emprego e o desejo de que esses escolhessem uma profissão que lhes trouxesse realização pessoal e na qual fossem bem-sucedidos, construindo uma boa estrutura financeira, como nestes exemplos:

É, a gente pensa assim... que ele tenha uma boa formação e que consiga um emprego né? Que trabalhe na área do que ele escolher e que consiga um bom emprego, que sejam felizes ... O final lá a gente quer que os dois se realizem, que tenham uma boa formação, que na profissão eles se realizem com aquilo1 (mãe, família 09).

mas gostaria que tivessem uma boa estrutura, e tivessem... não dependessem de aluguel né? Que tivessem uma casa própria ... tu forma teu filho né pra ele ter um bom emprego, ter uma boa estabilidade e ter a vida dele própria, né... (pai, família 09).

Em algumas falas emergiram a preparação para o vestibular, a realização de uma faculdade e a continuação dos estudos:

A outra filha agora ela tá estudando... Tá estudando, fazendo cursinho pra prestar um vestibular... O ano passado também ela fez o cursinho só que não conseguiu [risos]... passar na UFRGS daí , e a gente tá investindo nela pra ver se conseguimos que ela passe, né? (pai, família 09)

"Quero que eles se interessem a estudar, tanto um como o outro..." (mãe, família 06).

"De repente, a gente tem que conduzir: Quem sabe tu faz uma faculdade..." (mãe, família 04).

Os pais e mães também ressaltaram a importância da aprendizagem de línguas estrangeiras e oportunidades de intercâmbio no exterior, a fim de garantir um bom emprego:

Eu também quero assim, que como ele tá fazendo inglês, eu quero que ele vá para o exterior, quero que ele passe um ano, seis meses lá no exterior, aprenda a falar bem inglês, porque eu acho que vai dar mais chance. (pai, família10)

Chamou a atenção também a forma como os progenitores manifestaram seus desejos quanto à realização profissional dos filhos. Em certas ocasiões, os casais divergiram de opinião, como, por exemplo, neste trecho da entrevista com a família 01:

Pai: "Eu não sou chegado é no tal de inglês, é muito compromisso pra criança..."

Mãe: "Ah, eu quero que eles façam inglês. Na quinta série ela vai tá no inglês..."

Pai: "Oito anos, eu acho... bom, mais pra frente faz..."

Mãe: "É, é que eu quero que faça inglês, porque eu acho assim que é super importante ter outra língua, eu acho assim... tem que ter! [Pai balança a cabeça, negando]. E esse aqui já acha que não 'ah, deixa eles nessa idade curtir'"

Pai: "Criança tem que brincar [...] todo mundo aprende esses inglês aí... é bobagem...".

Outros ainda associaram claramente o seu desejo ao sexo do filho: "Espero que o Francisco, que é homem, faça engenharia e que a Janice, que é mulher, faça psicologia..." (pai, família 01). Em outros casos, os pais relataram adequar seus projetos de acordo com as diferentes características de cada filho: "O mesmo plano pros dois não, porque eles são completamente diferentes" (mãe, família 09).

Na segunda subcategoria, Formação Pessoal, foram agrupadas as falas dos participantes que se referiram a valores e características considerados importantes para a formação moral dos filhos. Foi possível perceber que esses pais e mães almejavam que seus filhos se tornassem cidadãos dignos, responsáveis e capazes de saber o que é certo e errado, para poderem fazer suas próprias escolhas, como foi expresso na seguinte fala:

Uma coisa que a gente quer é que ela tenha condições de saber o que é certo e errado, o que é ser uma pessoa, um cidadão, o que é viver em sociedade, e que ela possa escolher e ser feliz, independente. (mãe, família 11)

Também consideraram importante que os filhos tivessem independência para tomar as suas próprias decisões, sem que dependessem dos pais: "Eu acho assim que os filhos não podem viver colados no pai. Eu acho que eles têm que ter sua independência, eles têm que fazer a vida deles" (mãe, família 04).

Os pais e mães também mencionaram, em seus relatos, a expectativa de que os filhos soubessem se relacionar com outras pessoas, conseguindo estabelecer vínculos e relações maduras. Expressaram ainda um desejo de que eles não almejassem somente bens materiais e dinheiro. Mostraram-se muito preocupados com questões relativas ao uso de drogas, referindo que não gostariam que seus filhos se envolvessem com isso. Tais aspectos ressaltados pelos participantes podem ser evidenciados a partir das seguintes falas:

Não adianta também ter só aquela formação assim escolar, né? A gente se preocupa também assim com aquela coisa assim de família, de se relacionar de saber se relacionar ... então a gente sempre pensou nisso [formação profissional] juntamente com a formação pessoal né? (mãe, família 09)

"A gente espera é que ela tenha um caminho legal ... hoje em dia a gente vê assim as pessoas sempre buscando tudo em função do material, dinheiro, de querer ter mais, de querer adquirir coisas..." (mãe, família 11).

"Ah, com ele é que ele aprenda, que ele dê valor pras coisas que ele tem, pras pequenas coisas da vida e coisa, pra ele chegar e conseguir saber o que é bom e o que é ruim né?" (pai, família 10). "Que ele não se envolva com drogas nunca" (mãe, família 10).

Nesses relatos, pode-se observar o desejo de que seus filhos fossem felizes, o que apareceu como um fator indispensável para a plena realização pessoal: "Eu vou ser bem sincera, eu quero que ele seja feliz, o que ele quiser e que ele seja feliz ... mas que ele seja feliz" (mãe, família 10). "Então, o meu projeto em relação aos meus filhos, eu só quero que eles sejam felizes. Esse é o meu projeto com eles" (pai, família 04). Para alguns participantes, inclusive, a formação pessoal foi considerada tão relevante quanto a formação profissional: "Não adianta só dar uma boa escola também se não tem uma boa, aquela coisa de casa assim, de princípios" (mãe, família 09).

Na terceira subcategoria, Constituir Família, verificou-se,a partir das falas dos casais, o desejo de que os filhos conseguissem formar uma família harmoniosa e unida. Além disso, esperavam que os filhos encontrassem um(a) bom(a) parceiro(a): "Que consigam, tanto ela como ele, um bom esposo, uma boa mulher" (pai, família 06). "Em harmonia, com uma família ... Estar bem, ter união, bastante união na família, que é o principal" (mãe, família 06). Em uma das famílias, esse desejo foi mais destacado para a menina: "Tudo certinho, que a Jane arrume um noivinho, que case, faça tudo o que os outros fizeram" (pai, família 01).

Em contrapartida, também ficou evidente em algumas falas uma atitude de liberdade dos pais frente aos projetos dos filhos: "Projeto assim a gente não tem uma coisa clara, porque ela é que vai definir. Hoje a gente tá dando condições pra que ela possa escolher mais tarde um caminho" (mãe, família 11). No caso, percebe-se a abertura dos pais frente às possibilidades de escolha dos filhos, ao invés de um projeto pré-determinado para o seu futuro. Obviamente isso não significa que os pais não tenham as suas expectativas e preferências, que, de outra forma, não revelaram no transcorrer da entrevista.

Eixo II: Estratégias utilizadas conscientemente pelos pais para a concretização de tais projetos

A fim de concretizar os projetos que possuem para seus filhos, pais e mães referiram a utilização de diversas estratégias, que foram aqui consideradas e agrupadas em sete subcategorias: (a) Investimento na Formação Profissional, (b) Investimento em Conforto, (c) Diálogo, (d) Cuidado, (e) Tratamento Igualitário, (f) Respeito pelos Interesses dos Filhos e (g) Instrumentalização Pedagógica.

Dentro da subcategoria Investimento na Formação Profissional, foram identificadas diversas estratégias direcionadas à formação profissional dos filhos, tais como: escolher uma boa escola, levando em consideração as atividades proporcionadas pela instituição, os objetivos e os trabalhos realizados; pagar um colégio particular, a fim de proporcionar aos filhos uma educação de melhor qualidade: "Então hoje a gente procura proporcionar pra eles um estudo melhor, uma escola particular, porque não tem greves, a qualidade do ensino é muito melhor..."; pagar previdência privada, a fim de garantir a continuidade dos estudos, caso não tenham condições financeiras futuramente, como neste exemplo: "Então o objetivo é que tenham uma boa educação... tanto é que a gente já fez até uma previdência privada para cada um para poder, se nós ficarmos desempregados, eles têm aquele dinheiro reservado para a faculdade" (mãe, família 01); e participar nas tarefas escolares, que incluiu a presença nas reuniões e atividades propostas pela escola, o auxílio às tarefas escolares dos filhos e a disponibilização dos materiais necessários para o cumprimento dessas tarefas e atividades, como exemplifica a mãe da família 09: "To sempre proporcionando assim bastante material pra eles, sempre buscando, sempre ajudando, fazendo o trabalho junto, pesquisando tudo...".

O Investimento em Conforto também foi um tipo de estratégia referida pelos participantes na educação/criação dos filhos, no sentido de proporcionar um ambiente agradável dentro de casa:

Ano passado a gente comprou uma cama de casal pra Carolina, que eu acho que é melhor, dorme melhor, mais confortável e tal. Então é assim: tem computador no quarto, tem televisão. O Marcelo tem um quarto bem legal também, então a gente pensa assim 'Puxa, quanto mais tempo eles ficam, eles gostam, tem um ambiente bem legal. (mãe, família 09)

Já a terceira subcategoria se referiu ao uso do Diálogocomo estratégia educativa. As falas dos participantes indicaram o diálogo como um aspecto importante da relação com os filhos, servindo como uma forma de educar, mostrar o que é certo e errado, informar, esclarecer e conscientizar sobre diversos aspectos da vida:

A gente se criou numa geração que às vezes a gente fazia as coisas e apanhava e não sabia por que estava apanhando. ... Eu acho importante às vezes com eles a gente explicar as coisas, mesmo aquelas coisas erradas que eles fazem ... Então eu procuro sempre, através das explicações, mostrar pra eles o caminho. (mãe, família 08)

Na subcategoria Cuidado foram incluídas as falas dos participantes que indicaram comportamentos de cuidado para com os filhos, no caso, atitudes protetoras, tais como procurar saber sempre onde os filhos estavam, conversar com a família do amigo antes do filho visitá-lo, evitar deixar os filhos sozinhos e estipular certos limites e regras. A seguinte fala exemplifica algumas temáticas consideradas nessa subcategoria:

Que nem a Maria, às vezes ela sai do colégio e ainda tem alguma coisinha lá e eu digo, 'Minha filha, se tu não vem almoçar, tu liga pra mãe!', então ela sempre faz isso. 'Qualquer coisa que tu for fazer fora do horário, tu avisa! (mãe, família 06)

Interessante observar que alguns participantes citaram como estratégia um Tratamento Igualitário, no sentido de não privilegiar um filho em detrimento do outro, tanto no investimento material e afetivo quanto nas exigências, como nos exemplos a seguir: "Tudo que foi pra um, o outro também ganha, vai ganhar. Não pode privilegiar um e deixar o outro, não, tem que ser os dois, né? Até porque a gente fez os dois" (pai, família 09);

Não precisa, mas a gente pergunta. Tudo o que a gente cobra do irmão dela, a gente cobra dela. A gente vai olhar caderno, tudo bonitinho. Quer dizer, a gente podia nem olhar, porque ela não é problema. Mas ela vai curtir isso aí. (mãe, família 02)

Na análise das entrevistas também foi possível identificar como estratégia educativa o Respeito pelos Interesses do Filho. Os pais e mães relataram empregar essa estratégia dentro daquilo que os filhos tinham condições de atender e levando em consideração as suas características de personalidade, como exemplificado a seguir:

Nós temos que aprender a respeitar o limite de cada filho. Não adianta tu quereres empurrar goela abaixo de uma criança uma leitura, sendo que ele não tem condições de acompanhar. Mas os livros estão aí, a hora que ele quiser, ele vai ler. (pai, família 02)

"Eu me informei de várias coisas assim, mas eu procurei ver assim o que seria, o que ela gostaria de fazer mesmo" (mãe, família 03).

A gente conversa muito pra ver o que é que ele tem prazer. Agora vamos ver um esporte. Nós já conversamos de ver alguma coisa que ele goste ou futuramente, sei lá, um inglês, ou procurar sempre estimulá-lo dentro daquilo que a gente tem condições. (pai, família 03)

Por fim, a última subcategoria de estratégias mencionada pelos participantes foi a Instrumentalização Pedagógica, ou seja, a busca de recursos em livros para saber como agir e educar os filhos:

A gente sempre se preocupou, desde que eu engravidei, em ler coisas. Agora, por exemplo, eu to entrando numa fase difícil dela assim, que ela teve a fase dos medos há um tempinho atrás ... aí até tava... comecei a ler algumas coisas. Eu li "Criando Adolescentes" e agora tô lendo "Crianças Felizes" e quero comprar o "Criando Meninos". (mãe, família 08)

 

Discussão dos resultados

Dentre os projetos e estratégias de socialização que os pais e mães entrevistados referiram ter e exercer com seus filhos, ficou explícita a escolarização como um valor familiar. Os participantes demonstraram preocupação em proporcionar aos seus descendentes uma escola de qualidade, cursos de línguas estrangeiras, intercâmbios no exterior, entre outros recursos, como forma de garantir aquilo que chamamos de realização profissional. Nesse caso, a importância dada ao estudo reverbera nas estratégias empregadas para possibilitar a concretização de tal projeto, conforme apontou Musito e Cavas (2001).

Observa-se que o valor dado à educação formal, expresso pelos entrevistados, tem se mantido desde gerações anteriores, as quais puderam garantir um diferencial profissional a partir da sua qualificação. Entretanto, haja vista a complexidade das demandas contemporâneas naquilo que se refere aos ideais de qualificação profissional e ascensão social, pode-se identificar certo descompasso entre os projetos construídos pelos pais e as estratégias que têm utilizado na execução desses junto a seus filhos. Não desconsiderando o valor da educação formal e sua importância para a inserção social, constata-se atualmente que ter ensino superior, por exemplo, não é mais garantia de inserção no mercado de trabalho e tampouco de uma remuneração satisfatória. Nesse caso, percebe-se que a geração parental dos progenitores entrevistados tem lidado com instrumentos próprios de gerações anteriores, sem agregar elementos que contemplem a complexidade implicada na preparação profissional da geração em formação.

Nessa mesma perspectiva, observa-se que o projeto de constituição de família aparece desvinculado do cenário atual, sendo expresso o desejo de que os filhos venham a formar famílias unidas e felizes, sem considerar as características que têm definido as relações de conjugalidade em nossos tempos. Esse aspecto apareceu mesmo nas famílias em que os progenitores vinham de casamentos anteriores desfeitos. Mesmo assim, pode-se perguntar: existiriam estratégias específicas e apropriadas de preparação dos filhos para a vivência de relações pouco duradouras, as consecutivas rupturas conjugais e a convivência com a pluralidade da configuração da família atual, onde coabitam filhos de diferentes relacionamentos, por exemplo? Frente a tais resultados, observa-se que o investimento na relação afetiva-conjugal e a crença nessa relação como promotora de felicidade, foi o que, provavelmente, impulsionou os indivíduos recasados entrevistados a apostarem em uma nova relação, constituindo uma nova família.

Observamos, entretanto, que os conteúdos explicitados nos projetos parentais quanto à realização pessoal dos filhos, que inclui aspectos relativos à autonomia, capacidade de estabelecer relações maduras e ter discernimento, estão apoiados em estratégias não só de cunho formal, mas também no próprio exercício de tais habilidades. Nesse caso, os pais referem que, para alcançar tais objetivos, fazem investimentos na escolarização e no conforto dos filhos, buscando instrumentalização pedagógica para tal. Porém, o diálogo, o cuidado, o tratamento igualitário entre irmãos e o respeito pelo interesse dos filhos têm perpassado a relação pais e filhos de forma marcada e intencional na busca do desenvolvimento de habilidades psicossociais diferenciadas, que auxiliem em tais processos futuros.

Ilustrando o contexto da geração atual dos progenitores entrevistados, que expressa a coexistência de padrões transgeracionais e elementos que correspondem às demandas atuais, podemos observar em certa medida, na construção dos projetos vitais para seus filhos, a repetição de modelos das famílias de origem dos entrevistados, tais como aqueles relativos aos papéis de gênero, por exemplo. Entretanto, o exercício do diálogo como uma estratégia de socialização pode ser entendido como uma mudança de atitude no processo educativo exercido nessa geração. Nesse caso, sabe-se que, na tentativa de construir relações mais seguras e íntimas entre pais e filhos, a comunicação tem uma importância central (Wagner, 2007).

Sendo assim, neste trabalho, podemos concluir que as famílias entrevistadas apresentaram projetos bem definidos com relação ao futuro de seus filhos e estratégias bem planejadas para concretizá-los, principalmente no que tange aos estudos como uma das formas de preparação para a vida profissional. No entanto, chama a atenção o descompasso em relação à adequação desses projetos e estratégias às demandas atuais. Considerando as mudanças do mercado laboral que tem ampliado e transformado a categoria "emprego" para o que se chama "trabalho", sabe-se que mais do que uma qualificação profissional, os jovens atualmente necessitam mais do que instrumentalização formal para ingressar no mercado e, principalmente manter-se produtivos e em crescimento. A perspectiva que gerações anteriores possuíam a respeito da estabilidade no trabalho já não faz parte de um mercado cada vez mais instável e plural em termos de demandas e qualificação laboral, o qual os jovens dessa geração terão que enfrentar. Nesse sentido, podemos observar nos casos estudados que o modelo de referência da geração parental, no que se refere a manter-se no mesmo emprego por muitos anos e ali ascender, tem forte influência na construção das expectativas para a vida dos filhos. Sendo assim, os pais entrevistados parecem ainda não ter agregado elementos que atendam de maneira mais específica às demandas do mercado laboral atual, repetindo um modelo já desatualizado em termos de preparação educativa para o ingresso na vida adulta e no mercado de trabalho.

Embora tais achados permitam avançar nossa compreensão acerca da tarefa educativa e socializadora da família, devemos ressaltar a homogeneidade de nossos participantes quanto às características sócio-bio-demográficas, o que, por um lado, favoreceu a validação de nossos achados para a população de nível socioeconômico médio investigada, mas, por outro, pode ter limitado nossa compreensão do fenômeno em famílias com diferentes características. Seria interessante, portanto, replicar essa pesquisa abrangendo uma pluralidade maior de famílias, para verificar as semelhanças e diferenças nos projetos e estratégias utilizadas.

De qualquer forma, chama a atenção a ausência de diferenças marcantes em relação aos projetos dos pais para seus filhos, tendo em vista a idade dos mesmos. Ainda que o foco das entrevistas fosse sobre os filhos em idade escolar que o casal possuía, de fato, não foram percebidas diferenças nos projetos parentais naquelas famílias que tinham filhos em outras idades. Esse aspecto sinaliza para uma certa homogeneidade nesses ideais, que não parecem estar vinculados necessariamente à idade, e sim ao futuro dos filhos, de modo geral.

Também se sugere que estudos futuros investiguem conjuntamente a percepção de pais e filhos em relação às estratégias educativas utilizadas pelos pais, uma vez que aqui contamos apenas com a perspectiva dos progenitores. Pensa-se que esse seja um aspecto importante a se considerar, pois estudos anteriores (Wagner, 2005) encontraram discrepâncias nessas percepções.

 

Nota

* Esta pesquisa contou com o apoio do CNPq.

1 As falas foram transcritas literalmente para análise, sem correção gramatical.

 

Referências

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Recebido em: 07/04/2009
Revisão em: 07/07/2010
Aceite em: 27/11/2011

 

 

Adriana Wagner é Doutora em Psicologia pela Universidad Autónoma de Madrid e Pós-Doutora pelo Instituto de Qualidade de Vida (IRQV) da Universitat de Girona/Espanha. Professora Adjunta do Instituto de Psicologia da UFRGS e Pesquisadora do CNPq. Endereço: Rua Ramiro Barcelos, 2600. Instituto de Psicologia, sala 126. Bairro Santana. Porto Alegre/RS, Brasil. CEP 90035-003. Email: adrianawagner.ufrgs@hotmail.com
Cristina Benites Tronco é Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia (UFRGS), bolsista CNPq. Email: cristina_tronco@hotmail.com
Jaqueline da Silva Gonçalves é Graduada em Psicologia (PUCRS), Bolsista de Aperfeiçoamento do CNPq pelo Núcleo de Pesquisa Dinâmica das Relações Familiares (UFRGS).
Karina Adriani Demarchi é Graduada em Psicologia (PUCRS), colaboradora do Núcleo de Pesquisa Dinâmica das Relações Familiares (UFRGS).
Daniela Centenaro Levandowski é Doutora em Psicologia do Desenvolvimento (UFRGS) e Pós-Doutora em Psicologia pela PUCRS. Professora do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFCSPA. Pesquisadora do CNPq e da FAPERGS. Email: d.cl@terra.com.br