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Psicologia & Sociedade

versión impresa ISSN 0102-7182

Psicol. Soc. vol.24 no.1 Belo Horizonte enero/abr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822012000100016 

Papéis, comportamentos, atividades e relações entre membros da família baiana

 

Roles, behaviors, activities and relashionships from members of Bahia's families

 

 

Elaine Pedreira Rabinovich; Lúcia Vaz de Campos Moreira; Anamélia Franco

Universidade Católica do Salvador, Salvador, Brasil

 

 


RESUMO

Este estudo objetivou comparar os dados sobre papéis, comportamentos, atividades e relações entre os membros da família obtidos por Georgas, Berry, Vijver, Kagitçibasi e Poortinga (2006), com dados da família baiana. Para tanto, 170 universitários baianos responderam questionário com questões fechadas enfocando papéis, comportamentos, atividades e relações entre os seguintes membros da família: pai, mãe, avô, avó, tio/tia, menino e menina de 10 anos, moça e rapaz de 20 anos. Os dados foram analisados utilizando o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Em conformidade com o estudo de referência, a mãe é a figura central nas famílias baianas e o pai compartilha o poder financeiro com ela, porém, as atividades domésticas de limpar, cozinhar e lavar ficam mais a cargo dos membros femininos. As avós sucedem aos pais na importância nos papéis familiares e há mais uma interdependência emocional do que econômica/funcional com relação à criança.

Palavras-chave: família; papéis; Bahia.


ABSTRACT

This study aimed to compare data about family roles, behaviors, activities and relationships obtained by Georgas, Berry, Vijver, Kagitçibasi and Poortinga (2006) with data from Bahia, Brazil. 170 university students living in Bahia answered a closed questionnaire focusing family roles, behaviors, activities and relationships between the following family members: mother, father, grandfather, grandmother, uncle/aunt, 10-year-old boy and girl, 20-year-old female and male. Data were analyzed using the program Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Similarly to the referred study, the mother is the main character and the father shares the financial power with her, but female family members are more in charge of the housework activities of cleaning, cooking and washing. Grandmothers succeeded the parents as to their importance in family roles and there is more emotional interdependence than economical/ financial interdependence related to the child.

Keywords: family; roles; Bahia.


 

 

Introdução

Esta pesquisa se baseou em outra realizada por James Georgas, John Berry, Fons Vijver, Çigdem Kagitçibasi e Ype Poortinga, psicólogos de renome ligados à International Association for Cross-Cultural Psychology (IACCP), publicada em 2006 em uma obra intitulada Families across cultures. A 30-nation psychological study.

O estudo de referência comparou os dados oriundos de 30 países, inclusive o Brasil, sobre o modo de vida familiar a partir de uma questão básica: estaria havendo uma mudança do padrão de vida familiar do que denominam Mundo Majoritário para um padrão único Ocidental?

Segundo Kagitçibasi (2006), o termo ocidental está sendo usado por faltar outro melhor para se referir a populações preponderantemente de classe média em contextos ecoculturais da América do Norte e da Europa Ocidental, com um pleno reconhecimento de que há uma ampla diversidade no "Ocidente". Similarmente, "não-ocidental" ou "Mundo Majoritário" é utilizado para se referir ao restante da população mundial, que também apresenta ampla variação.

O presente estudo teve por objetivo comparar os dados sobre papéis, comportamentos, atividades e relações entre os membros da família obtidos na obra referida, com a realidade da família na Bahia.

 

Revisão da literatura

As transformações tecnológicas, sociais e econômicas favorecem as mudanças na estrutura, organização e padrões familiares e, também, nas expectativas e papéis de seus membros (Dessen & Polônia, 2007).

Arriagada (2000) cita entre as modificações mais importantes nas famílias latino-americanas nas últimas décadas o declínio do modelo patriarcal de família, caracterizado pela autoridade exercida pelo homem sobre a mulher e os filhos. Essa autoridade estava associada à incorporação massiva das mulheres no mercado de trabalho. No entanto, estudos qualitativos demonstram que não tem havido mudanças importantes no sentido de compartilhar o cuidado dos filhos e as atividades domésticas, o que tende a sobrecarregar bastante a jornada de trabalho feminina. A debilidade do sistema patriarcal se associa também ao fim do sistema de contribuição única à manutenção da casa, pois mulheres, jovens e, por vezes, até crianças foram inseridos no mercado de trabalho. Além disso, também aumentou o número de lares chefiados por mulheres que, em sua maioria, são monoparentais.

Arriagada (2000) constata, ainda, importantes mudanças demográficas, particularmente o decréscimo das taxas de natalidade durante os anos 70. Além disso, assinala que as funções de cuidado e de socialização inicial dos filhos são compartilhadas cada vez mais com outros agentes sociais como a escola, a instituição de educação infantil, outras pessoas da família e não familiares, o que ocorre segundo as possibilidades econômicas e a presença ou não de famílias extensas. Ainda são apreciadas novas relações entre pais e filhos, havendo aumento dos direitos dos filhos e perda da relevância das relações de hierarquia e de submissão. Começa também a aparecer o direito individual e a ênfase na relação pessoal acima dos interesses familiares e são observadas lentas mudanças de gênero tanto na distribuição do poder e nas políticas públicas como no interior da família.

As famílias vêm sofrendo, também nas últimas décadas, com a violência urbana, o que afeta seu modo de morar, protegendo-se atrás de barras. O crime cometido nas ruas, particularmente o violento, segundo Zaluar (1998), é atualmente uma das preocupações centrais das populações metropolitanas do Brasil. As atuais imagens da cidade não são mais de liberdade e de segurança e, sim, tomadas pela deterioração da qualidade de vida urbana, estando presentes tanto o temor da vitimização quanto a experiência direta dela.

Segundo Georgas (2006), inúmeros estudos de antropólogos e sociólogos, nos últimos 200 anos, apontam para mudanças na estrutura familiar no mundo todo. Seu maior determinante é a crescente afluência1 nas sociedades, primariamente como resultado da industrialização e da urbanização. Para esse autor, do século XIX até hoje a industrialização foi identificada como o principal fator influenciador da mudança familiar. Um curioso dilema existe quando se diz que a família ocidental está em declínio e, ao mesmo tempo, há a suposição tácita de que a família no mundo não-ocidental (Majoritário) está mudando em direção ao modelo ocidental. Essa é a principal tese da teoria da modernização que permeia o pensamento social científico, mesmo que tenha sido questionado desde o seu início, em 1960. A teoria da modernização (Inkeles, 1998, citado por Georgas, 2006) identifica quatro forças que induzem a mudança social: 1. mudanças tecnológicas, particularmente modos de produção e distribuição característicos da economia industrial e mercadológica; 2. mudanças ecológicas, tais como a urbanização em que as pessoas vivem em pequenas residências em áreas de alta concentração populacional; 3. mudanças no governo e instituições, tais como leis, como direitos de mães e crianças; e 4. mudanças nas normas e valores, como maior individualismo. Essa suposta mudança em direção da família nuclear ocidental pela urbanização e industrialização está baseada na teoria clássica parsoniana sobre a família nuclear, central à sociologia da família, e no trabalho de outros teóricos sobre família e mudança na família (por ex., Goode, 1963, citado por Georgas, 2006).

Mesmo atualmente, não haveria um questionamento verdadeiro dessa suposta mudança em direção a um ideal "fracassado", embora alguns cientistas sociais tenham criticado a ideologia dominante da família nuclear separada e independente como protótipo da família ocidental (Bronfenbrenner & Weiss, 1983; Segalen, 1986, citados por Georgas, 2006).

No entanto, para Georgas (2006), estudos demográficos indicam que, com a crescente afluência e com a possibilidade de viver em moradias separadas, a estrutura tradicional extensa de famílias de três gerações mudou para estruturas de duas gerações ou nucleares e, mesmo, no Ocidente, monoparentais. Contudo, Georgas (2006) argumenta que estudos demográficos medem primariamente dimensões estruturais da família, isto é, mãe, pai, crianças, parentes, vivendo na moradia. Raramente investigam relações de parentesco. O autor enfatiza que se o aumento de famílias nucleares na sociedade for apenas o aumento de moradias separadas por causa da afluência aumentada, mas com contato e vínculos com parentes, ou seja, havendo a presença de redes familiares, então essas alterações não indicam necessariamente uma mudança nos sistemas familiares.

A teoria da modernização, e mais recentemente, a da globalização, previu a convergência de sistemas familiares da família extensa à nuclear, como na Europa e Estados Unidos. Ambos conceitos estão baseados em teorias econômicas, com pouca compreensão de como os fatores culturais, como meios de subsistência, religião, valores, tradições e assim por diante estão relacionados aos tipos de família. Igualmente, a maior parte dos estudos não considera como variáveis psicológicas, tais como personalidade, valores, interação, comunicação, vínculos emocionais com parentes, estão relacionadas a redes familiares (Georgas, 2006).

Apoiados nos pensamentos de Berry e Poortinga (2006), os autores da obra de referência ao presente estudo (Georgas, Berry, Vijner, Kagitçibasi, & Poortinga, 2006) adotam o conceito de modelo ecocultural. Berry e Poortinga (2006) afirmam que tal modelo leva em conta a diversidade psicológica humana, considerando as diferenças e similaridades entre pessoas e entre grupos. Para tanto, utiliza de duas fontes fundamentais de influências - ecológica e sociopolítica -, e dois aspectos de populações humanas adaptados a elas: características culturais e biológicas. Essas variáveis da população são transmitidas aos indivíduos por diversas "variáveis de transmissão" tais como enculturação, socialização, genética e aculturação.

Estudos atuais levaram a observar uma fundamental similaridade entre todos os seres humanos (em níveis profundos), combinada a uma variação na expressão desses atributos partilhados (em nível superficial). Assim, a abordagem ecocultural considera a diversidade humana (tanto cultural quanto biológica) como um conjunto de adaptações coletivas e individuais ao contexto. Considera a cultura como adaptações evolutivas a influências ecológicas e sociopolíticas e percebe as características psicológicas individuais em uma população como adaptativas a seu contexto cultural (Berry & Poortinga, 2006).

Para os autores, enquanto uma instituição cultural, a família pode ser vista como adaptativa ao contexto ecocultural e como um veículo para a transmissão cultural. A família, assim, ocupa um lugar central na abordagem ecocultural, servindo para ligar contextos básicos ao desenvolvimetno comportamental do indivíduo.

Kagitçibasi (2006) propõe o modelo de interdependência psicológica, que integra a necessidade de autonomia, predominante no mundo ocidental, e a de relacionamento, predominante no Mundo Majoritário. Para ela, sociedades mantendo valores individualistas, e refletindo-os em seus padrões familiares e de criação de crianças, reconheceram e reforçaram a necessidade básica humana por autonomia, ignorando em alguma medida a necessidade humana básica por intimidade/conexão. Sociedades que reforçaram valores coletivistas fizeram o contrário. Segundo a autora, reconhecer ambas as necessidades humanas promete contribuir para um melhor bem-estar humano. Para ela, o modelo de interdependência psicológica envolve tal síntese e, devido aos seus benefícios, pode ser o futuro da família. Contudo, a visão individualista estabelecida pelo Ocidente pode ainda prevalecer, em conjunto com a previsão da modernização. Uma síntese integrativa da necessidade para autonomia e relação seria esta condição ótima humana.

Portanto, Kagitçibasi (2006) questiona a globalização como resultando inevitavelmente na convergência de tipos familiares, perguntando-se se os fatores culturais e necessidades psicológicas relacionadas a vínculos emocionais com parentes seriam suficientemente fortes para manter a diversidade nos tipos de família, a despeito da convergência nos sistemas econômicos e sociais dos países.

Para responder a tais questões, Georgas, Berry, Vijver, Kagitçibasi e Poortinga (2006) propuseram estudar as relações entre variáveis culturais, papéis familiares e variáveis psicológicas. Para isto, utilizaram uma série de instrumentos de pesquisa: (a) um questionário estruturado: investigando papéis, comportamentos, atividades e relações entre os membros da família, enfocando pai, mãe, avós, tio/tia, menino e menina de 10 anos, moça e rapaz de 20 anos; (b) Cinco Fatores de Traços de Personalidade: roteiro que aborda extroversão, agradabilidade, consciência, estabilidade emocional e abertura à experiência; (c) Valores: roteiro que investiga a inserção, o conservadorismo, a harmonia, o compromisso igualitário, a autonomia intelectual, a autonomia afetiva e o domínio; (d) Escala de autoconstrução: aborda o self independente e interdependente; (e) Valores familiares: instrumento que investiga os papéis hierárquicos de pai e mãe, além das relações com família e parentes; (f) Um último instrumento investiga a distância emocional do participante com seus familiares.

Portanto, o objetivo da referida pesquisa foi investigar como as famílias em áreas geográficas diferentes no mundo são similares e como são diferentes em suas redes familiares, papéis familiares e variáveis psicológicas. Concluem por uma combinação de diferenças e similaridades entre as famílias, as diferenças sendo atribuídas principalmente ao nível socioeconômico e as semelhanças aos vínculos emocionais presentes em todas as famílias, embora com variações.

Devido às mudanças na família no Brasil, entendemos como pertinente comparar e discutir os achados do estudo maior e aprofundá-los por meio de questões abertas qualitativas. Ao mesmo tempo, estaríamos realizando uma interlocução com as ideias dos autores da referida pesquisa (Georgas, Berry, Vijner, Kagitçibasi, & Poortinga, 2006), conforme expressas no compêndio citado, quer no referente à sua leitura teórica da questão mudança na família, quer em sua interpretação dos resultados. Deste modo, replicamos, em certa medida, o estudo, objetivando compreender melhor a organização teórico-metodológica dos autores comparativamente aos nossos próprios resultados, além de usarmos a sua teorização para iluminarmos a nossa própria leitura dos mesmos.

Assim, o objetivo do presente estudo é o de comparar e discutir os achados do estudo de Georgas, Berry, Vijner, Kagiçibasi e Poortinga (2006) sobre mudanças nas famílias em 30 países, com dados obtidos no estado da Bahia, Brasil. No presente artigo serão apresentados apenas os resultados sobre papéis, comportamentos, atividades e relações entre os membros da família.

 

Método

Local e participantes

Foram participantes desta pesquisa 170 universitários do Estado da Bahia (Brasil), sendo: 91 da capital e 79 do interior do Estado; 122 oriundos de Instituições de Ensino Superior (IES) particulares e 48 de públicas; 127 do sexo feminino e 43 do masculino e as idades variaram de 17 a 62 anos, sendo a média de 25,9 anos. Pertencem, em sua maioria, ao nível socioeconômico médio e médio superior.

Os estudantes estavam fazendo cursos de diferentes áreas: Pedagogia (37 participantes), Enfermagem (30), Engenharia de Produção (27), Serviço Social (18), Licenciatura em Matemática (17), Psicologia (14), Direito (11), Administração (quatro), Medicina (quatro), Letras (dois), Análise de Sistemas (um) e cinco universitários não informaram o seu curso.

Em Salvador foram coletados dados em cinco IES, todas particulares e, no interior, a coleta se deu em uma IES particular, localizada no município de Alagoinhas, e em duas públicas, uma em Feira de Santana e outra em Ilhéus. Salvador é uma grande metrópole, tendo 2.998.056 habitantes, Feira de Santana tem 591.707, Ilhéus tem 219.266 e, finalmente, Alagoinhas tem 137.810 habitantes. Em todas as cidades a economia está mais voltada para a área de serviços.

Instrumentos

Do estudo de Georgas, Berry, Vijver, Kagitçibasi e Poortinga (2006), foram utilizados dois instrumentos, por nós traduzidos: (a) o questionário com questões fechadas enfocando papéis, comportamentos, atividades e relações entre os seguintes membros da família: pai, mãe, avô, avó, tio/tia, menino e menina de 10 anos, moça e rapaz de 20 anos. No caso da inexistência desses membros familiares, foi pedido que respondessem como se eles existissem, conforme na pesquisa original. Tal instrumento contempla, ainda, dados sociodemográficos referentes à moradia, sexo e escolaridade dos pais.

Como dito anteriormente, o presente artigo focalizará os dados obtidos através desse instrumento. Os outros dados serão apresentados em publicações futuras; (b) a Escala de autoconstrução, visando observar a tendência a um self independente e interdependente, avaliada como importante dentro do contexto baiano de modo de vida familiar. Em uma escala de sete pontos, os estudantes se posicionaram ante questões que pretendiam avaliar a tendência a assumirem uma posição no mundo mais independente ou mais dependente dos outros.

Questões abertas foram criadas e acrescentadas a estes instrumentos, objetivando completar, complementar, dialogar e questionar os instrumentos replicados. Foram elas: o que é uma família para você?; Quem faz parte de sua família?; O que é uma família ideal para você?

Procedimentos

A coleta de dados foi realizada por alunos regulares e especiais do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea (Universidade Católica do Salvdor) que cursaram a disciplina Contextos Familiares: vínculos de identidade e de pertencimento, no segundo semestre de 2009, ministrada pelas autoras do presente artigo. Esses alunos, por sua vez, eram professores, e foram eles a estabelecer os contatos com os participantes da pesquisa.

Os participantes foram contatados nas Instituições de Ensino Superior em que estudavam. Após ser explicado o objetivo da pesquisa, os questionários foram respondidos em sala de aula, na presença de um dos pesquisadores.

Os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, sendo resguardado o anonimato dos respondentes e preservada a dignidade humana deles. O projeto de pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Católica do Salvador.

Análise de dados

Posteriormente à coleta, os dados das questões fechadas foram analisados utilizando o programa Satatistical Package for the Social Sciences (13ª versão do SPSS). O tratamento das questões abertas, por sua vez, foi realizado através da análise de conteúdo, elaborando-se categorias.

 

Resultados e discussões

A seguir serão apresentados os resultados obtidos a partir das respostas dos 170 participantes, estudantes universitários, distribuídos entre a capital (53,5%) e cidades do interior (46,5%) da Bahia, comparando-os aos resultados obtidos pelo estudo original. De modo equivalente, tomaram-se como base de análise as discussões propostas por ele, estendendo-as na medida em que havia acordo ou desacordo em relação a ela.

O estudo referência (Georgas, Berry, & Kagitçibasi, 2006) focalizou as posições, papéis e funções familiares. As posições da família foram: pai, mãe, avô, avó, tias/tios, filha de 20 anos, filho de 20 anos, menino de 10 anos e menina de 10 anos. Diversos papéis foram examinados para cada uma dessas posições, eles constam na Tabela 1 mais adiante. Em tal pesquisa obteve-se que os papéis expressivos (relativos à manutenção da moral e cooperação) foram mais altos do que os instrumentais (relacionados à sobrevivência) para todas as posições familiares através dos países, qualquer que fosse o nível socioeconômico do país. As mães tiveram resultados mais altos do que os pais em papéis expressivos e de cuidados de crianças, novamente em qualquer nível socioeconômico do país, e os pais similarmente tiveram resultados mais altos do que as mães no papel financeiro, exceto em países de alta afluência. Além disso, o papel financeiro das mães não esteve relacionado ao nível socioeconômico do país, nem o papel de cuidador de criança dos pais. Mães em todos os países realizavam mais tarefas domésticas (limpar, cozinhar, lavar) do que pais. Filhos mais velhos tinham um papel mais importante do que os mais jovens com relação à manutenção das funções familiares.

A Tabela 1, a seguir, apresenta dados sobre os diversos papéis assumidos pelos membros da família segundo o olhar dos participantes baianos.

 


Tabela 1 - Clique para ampliar

 

Os participantes concordam que o suporte emocional aos filhos é mais fornecido pela mãe (91,7%). O pai (71,4%) e a avó (69,9%) apresentam porcentagens de concordância bem próximas um ao outro, indicando a importância das avós na vida familiar. O suporte emocional aos avós é fornecido especialmente pela mãe (74,0%), mas os demais membros também colaboram, inclusive as crianças. Embora tanto a mulher (79,5%) quanto o homem (68,9%) forneçam suporte emocional ao cônjuge, o fornecido pela mulher apresenta concordância maior.

Com relação ao suporte emocional que os pais e mães recebem, este vem mais da avó (69,0%) e do avô (64,9%) do que do tio/tia (47,3%), o que significa dizer que suporte emocional para adultos é fornecido por membros da família de gerações anteriores, caracterizando relações hierárquicas e não relações equivalentes, complementares. Já o suporte emocional para irmãos menores vem mais da moça (84,6%) e do rapaz (79,2%) do que da menina de 10 anos (64,1%) e do menino de 10 anos (61,4%), em concordância com os dados da pesquisa maior, o que faz pensar na ideia comum de associar apoio com maturidade emocional quando dados observacionais oriundos da etologia demonstram que somos solidários desde a primeira infância e esta não é uma condição constatada somente entre humanos. Observa-se, ainda, que considerando essa diferença etária, as porcentagens são ligeiramente maiores em irmãs, o que remete à concepção de que as mulheres são mais emocionais, atenciosas, cuidadosas, afirmando diferenças históricas entre gêneros.

A mãe (90,5%) é, segundo os participantes, quem assume mais o papel de manter a família unida. Em seguida, são apontados o pai (74,4%) e a avó (73,4%) como assumindo tal função. A mãe (92,9%) também é apontada como aquela que mantém o ambiente agradável. Em seguida, são referidas outras mulheres como a avó (77,1%) e a moça (75,3%) e, em porcentagens próximas, o rapaz (73,5%), o pai (73,2%) e o avô (72,8%).

Oferecem tradições, maneiras e costumes às crianças (como, por exemplo, lendo e contando histórias) principalmente a mãe (76,5%) e a avó (66,3%). O mesmo ocorre com a transmissão da religião às crianças - avó (72,9%) e mãe (71,8%) - e com a preservação das relações familiares (ex.: promover encontros de família) - mãe (82,1%) e avó (69,6%).

O apoio aos avós quando têm necessidades (como doença, dificuldades financeiras, etc.) é fornecido tanto pelo pai (82,0%) quanto pela mãe (81,1%). O apoio aos netos, embora seja encontrado em ambos os avós, é mais frequente na avó (82,1%) do que no avô (72,5%). Além disso, 72,0% dos participantes concordam que tio/tia dão apoio aos sobrinhos.

No que diz respeito aos cuidados diários (cozinhar, fazer compras), os avós recebem bem mais cuidados da mãe (73,8%) do que do pai (34,1%). Os netos recebem mais cuidados das avós (61,9%) do que dos avôs (34,7%), e 42,5% dos participantes concordam que os tios/tias cuidam dos sobrinhos.

A geração de pai e mãe é vista como aquela que mais protege a família, sendo esta função mais destacada na mãe (93,5%) do que no pai (78,7%). Na sequência, a avó é apontada por 69,4% dos participantes como tendo tal papel.

Resolver disputas (discussões ou brigas) fica mais a cargo da mãe (84,1%) e do pai (63,9%), sendo mais frequentemente função daquela.

Contudo, com relação a realizar os afazeres domésticos de limpar, cozinhar e lavar, tais atividades ficam concentradas nos membros femininos da família, com exceção da menina de 10 anos: mãe (87,6%), avó (62,4%), moça (52,4%) e tio/tia (44,7%). Este último, embora inclua tanto o tio quanto a tia, a hipótese é a de que a tia é que esteja sendo mais considerada no papel de realizar os afazeres domésticos em questão. O estudo mais amplo igualmente encontrou a mulher cuidando dos afazeres domésticos. Indagando quanto a haver mudanças na família ou serem estas apenas devidas a diferenças entre culturas, apontam Georgas, Berry e Kagitçibasi (2006) haver certos universais através das culturas, qualquer que seja o nível socioeconômico do país.

Mães têm papéis expressivos e de cuidados dos filhos mais altos do que os pais através das culturas. Também, o papel de cuidador dos filhos de pais está no mesmo nível através das culturas, as mães realizam mais tarefas domésticas do que os pais (p. 235) e os pais fazem aproximadamente o mesmo nível de trabalho doméstico através dos países. E filhos mais velhos têm resultados mais altos em ambos papéis, expressivo e instrumental, do que filhos mais jovens. (Georgas, Berry, & Kagitçibasi, 2006, p. 234)

A geração de pai (87,4%) e mãe (84,7%) é a que mais contribui financeiramente para a família. O mesmo ocorre com o tomar conta das finanças familiares: mãe (87,1%) e pai (79,9%). Atividades como fazer compras e pagar as contas também estão mais centradas na geração de mãe (82,8%) e pai (78,6%). No entanto, nesse quesito, as famílias baianas estudadas estão se aproximando das famílias de alta afluência socioeconômica do estudo de Georgas, Berry e Kagitçibasi (2006), em que pai e mãe contribuem equitativamente na parte financeira.

Brincar com as crianças fica mais a cargo do menino com 10 anos (76,8%) e da menina com 10 anos (76,3%). Em seguida, a geração de mãe (72,9%) e pai (60,9%) também realiza tal atividade lúdica. A importância dos irmãos já foi apontada por Rabinovich e Moreira (2008) e por Moreira, Rabinovich e Silva (2009), sendo eles, aparentemente, os elementos mais estáveis na vida familiar infantil.

Em geral os adultos da família se envolvem no papel de ensinar bons modos à criança, havendo ênfase na mãe (94,1%), no pai (83,4%) e na avó (81,8%). No entanto, ajudar nas lições de casa fica mais a cargo da mãe (72,4%). Ambos os pais assumem a responsabilidade de levar as crianças à escola, embora tal atividade seja realizada mais pela mãe (68,2%) do que pelo pai (43,8%). Dar mesada às crianças não é tão frequente: 43,5% dos participantes concordam que o pai faz isso e 43,2% que a mãe o faz.

Sobre quem cuida das crianças na ausência dos pais, os participantes concordam que tal função fica mais a cargo das mulheres da família (com exceção da menina com 10 anos): moça (71,0%), avó (65,9%) e tio/tia (51,2%), considerando aqui também ser possível que esse papel de cuidado das crianças seja mais desempenhado pelas tias do que pelos tios.

O suporte no início da carreira fica mais a cargo da mãe (84,7%) e do pai (68,5%). Por outro lado, a ajuda aos pais no trabalho (lavoura, loja ou ocupação familiar) não é muito frequente. A porcentagem maior foi obtida em moça (41,8%).

Resumindo, observa-se que a mãe é a figura central nas famílias dos participantes. É ela que desempenha grande parte dos papéis aqui estudados, mesmo que compartilhe vários deles principalmente com o pai e com a avó.

Desse modo, um indicador de mudança na família em nossa pesquisa, semelhante à de Georgas, Berry e Kagitçibasi (2006), pode ser observado no poder auferido pela mãe na família.

As muitas mudanças nos papéis tradicionais familiares relatados nos retratos dos países, em conjunto com os achados do estudo baseado em amostra de estudantes, sugere que a entrada da mãe na força de trabalho, seu nível mais alto de educação e sua contribuição econômica à família nuclear resultaram em uma diminuição da autoridade paterna. A mãe se tornou tanto ou mais poderosa do que o pai nas sociedades afluentes. Muito do poder familiar mudou nos países afluentes e está agora partilhado entre pais e filhos, que desfrutam de mais autonomia do que em contextos tradicionais familiares. (Georgas, Berry, & Kagitçibasi, 2006, p. 238)

Concomitantemente, observa-se uma perda do poder do pai, refletido inclusive no seu poder financeiro: "O papel do pai como uma figura de autoridade e de provedor mudou mais do que o da mãe como cuidador primário" (Georgas, Berry, & Kagitçibasi, 2006, p. 238). Outro elemento de concordância com o estudo de referência é o fato de as avós sucedem aos pais na importância nos papéis familiares.

Alguns papéis são mais atribuídos à geração do meio, aquela que envolve o pai e a mãe, como é o caso de: apoio aos avós quando têm necessidades (como doença, problema financeiro, etc.); proteção à família; resolver disputas (discussões ou brigas); fazer compras e pagar as contas; levar as crianças à escola; contribuir financeiramente para a família; tomar conta das finanças da família e dar suporte no início da carreira.

Georgas, Berry e Kagitçibasi (2006) encontraram três papéis principais para pai e mãe no estudo de referência: expressivo/emocional (por exemplo, fornecer apoio emocional aos filhos, avós e esposa/marido; manter a família unida; manter um ambiente agradável), financeiro (por exemplo, contribuir financeiramente para a família; gestão das finanças; dar mesada aos filhos; dar apoio à carreira dos filhos) e cuidar de crianças (por exemplo, levar os filhos à escola; brincar com os filhos; ajudar as crianças nas tarefas escolares). Esses dados confirmam os fortes vínculos emocionais com a família, vistos como universais pelos autores. Além disso, eles afirmam que um universal encontrado na pesquisa foi o padrão de proximidade de vínculos emocionais com membros da família, no qual os vínculos emocionais mais próximos eram com a mãe, seguido dos irmãos, e por último, com o pai.

Outros papéis estão mais voltados para o gênero feminino (mãe, avó, filha mais velha, excluindo a menina com 10 anos): oferecer tradições, maneiras e costumes às crianças; transmissão de religião às crianças; preservação das relações familiares; cuidados diários a diversos membros (como cozinhar e fazer compras); realizar afazeres domésticos de limpar, cozinhar e lavar, assim como cuidar das crianças na ausência dos pais. Os resultados mais altos para as posições femininas, também encontrados no estudo de referência, revelam que as mulheres assumem um papel mais ativo nos papéis da família em todos os países estudados.

As crianças (menina e menino com 10 anos) têm papel importante na brincadeira com os irmãos mais novos. Têm, ainda, alguma relevância no suporte emocional tanto dos avós quanto dos irmãos mais novos e também na manutenção da família unida, do ambiente agradável e na preservação das relações familiares. Entretanto, são poupadas dos demais papéis que requerem um trabalho doméstico, questões financeiras e maiores responsabilidades. Georgas, Berry e Kagitçibasi (2006) também verificaram decréscimo do valor econômico/utilitário da criança para os pais que apresentavam um nível socioeconômico mais elevado. Para os autores, este é um fator chave subjacente à mudança do Modelo Familiar de (total) Interdependência, no qual um valor econômico/utilitário da criança é importante, para o Modelo Familiar de Interdependência Emocional, onde os valores econômicos/utilitários da criança para a família se tornam insignificantes.

 

Considerações finais

Ao estudar papéis, comportamentos, atividades e relações entre os membros da família baiana em comparação com os dados do estudo de referência realizado por Georgas, Berry, Vijver, Kagitçibasi e Poortinga (2006), pode-se ter as principais conclusões que se seguem.

Confirmando os dados mundiais do estudo maior, a mãe é a figura central nas famílias baianas. Observa-se uma perda do poder do pai, refletido inclusive no seu poder financeiro que agora é, em diversos casos, compartilhado com a mãe, o que vai ao encontro de Arriagada (2000) quanto às modificações mais importantes nas famílias latino-americanas nas últimas décadas como sendo o declínio do modelo patriarcal de família. No entanto, o pai vem assumindo alguns outros papéis, como o de brincar com os filhos menores e o de fornecer suporte emocional à família. Porém, as atividades domésticas de limpar, cozinhar e lavar ficam mais a cargo dos membros femininos da família (mãe, avó e moça com 20 anos). As avós sucedem aos pais na importância nos papéis familiares. Além disso, foi interessante observar que as crianças (menina e menino com 10 anos) têm papel importante na brincadeira com os irmãos mais novos, apresentam alguma relevância no suporte emocional tanto aos avós quanto aos irmãos mais novos e também na manutenção da família unida, do ambiente agradável e na preservação das relações familiares. Entretanto, são poupadas de papéis que envolvem trabalho doméstico e questões financeiras, revelando não haver, segundo os participantes baianos, um valor econômico/utilitário da criança.

Dentro do questionamento mais amplo do estudo original - o de que a denominada modernização não levaria inexoravelmente a um único modelo, o de uma família nuclear individualizada -, nossos dados confirmam haver uma rede familiar em ação, devido à forte presença dos avós e dos tios na vida familiar. No entanto, há que ressaltar no presente estudo a forte presença feminina, predominantemente a da mãe, mas também a da avó, da tia e da irmã mais velha.

Tais dados revelam que, embora os papéis, comportamentos, atividades e relações entre os membros da família baiana, assim como as dos diversos países estejam apresentando mudanças, vínculos familiares, verticais e horizontais, continuam em ação. Assim, revela-se a necessidade de outros estudos que aprofundem o significado dessas mudanças.

 

Notas

* As autoras agradecem seus alunos que colaboraram na coleta e discussão de dados: Ana Barreiros de Carvalho, Erica Santana, Helaine de Souza, Jamaica Santana, Joana Torres, Juracyara Santana, Kátia Almeida, Maria Constança Cajado, Maria Elisa Medeiros, Maria Goretti Cruz, Mariana Rosa, Marilaine Ferreira, Moacir Oliveira, Noemi Fontes, Teresa Leal e Vânia Almeida.

1 Afluência refere-se à combinação de várias medidas econômicas de cada nação estudada, tais como: o Produto Nacional Bruto per capita, o consumo de energia per capita, o consumo de eletricidade per capita, a taxa de desemprego, a percentagem da população empregada na indústria e serviços, importações e exportações. Os países foram subdivididos em três níveis: (a) alto nível de afluência: Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Japão, França, Holanda, Reino Unido, Hong Kong, Coréia do Sul e Espanha; (b) nível médio de afluência: Grécia, Arábia Saudita, Ucrânia, México, Bulgária, Chile, Chipre, Brasil, Turquia e Irã, e Geórgia; (c) baixo nível de afluência: Indonésia, Paquistão, Índia, Argélia, Gana e Nigéria, alistados em ordem do índice decrescente de riqueza. (Georgas, Berry & Kagitçibasi, 2006).

 

Referências

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Recebido em: 21/04/2010
Revisão em: 23/12/2010
Aceite em: 10/11/2011

 

 

Elaine Pedreira Rabinovich e Lúcia Vaz de Campos Moreira são Doutoras em Psicologia (USP) e Professoras do Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea da Universidade Católica do Salvador. Endereço: Universidade Católica do Salvador. Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea. Av. Cardeal da Silva, 205, Federação. Salvador/BA, Brasil. CEP 40220-140. Email: elainepr@brasmail.com.br e luciavcm@oi.com.br
Anamélia Franco é Doutora em Saúde Pública pelo Instituto de Saúde Coletiva (UFBa) e professora do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde,  IHAC- UFBa. Email: anameliafranco@uol.com.br