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Psicologia & Sociedade

On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.26 no.3 Belo Horizonte Sept./Dec. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822014000300019 

ARTIGOS

 

A devastação ecológica em cinzas do norte de Milton Hatoum

 

La devastación ecológica en cenizas del norte de Milton Hatoum

 

Ecological devastation in Milton Hatoum's ashes of the Amazon

 

 

Marcos Reigota

Universidade de Sorocaba, Sorocaba/SP, Brasil

 

 


RESUMO

Este artigo procura relacionar Cinzas do Norte, de Milton Hatoum, com o pensamento ecologista de Félix Guattari e Ana Godoy. Cinzas do Norte é uma narrativa sobre dois amigos de Manaus, cuja amizade se inicia em 1964, numa escola pública, e que segue até o final da ditadura civil-militar. Procuramos situar a obra de Milton Hatoum em relação à ecocrítica, em textos de autoria de Félix Guattari e Ana Godoy, e observar como a obra de Milton Hatoum colabora com a proposta de educação ambiental como produtora de sentidos. Afirmamos que a literatura, e particularmente Cinzas do Norte, contribui para a ampliação do repertório das práticas sociais e pedagógicas ecologistas no cotidiano. Trata-se de artigo resultante de pesquisa apoiada pelo CNPq sobre a obra de Milton Hatoum e suas relações com a educação ambiental pós-moderna e com os estudos culturais (ecocrítica).

Palavras-chave: Milton Hatoum; Félix Guattari; Ana Godoy; educação ambiental; ecocrítica.


RESUMEN

En este artículo se busca relacionar Cenizas del Norte, de Milton Hatoum, con el pensamiento ecologico de Félix Guattari y Ana Godoy. "Cinzas do Norte" es una historia sobre dos amigos de Manaus, cuya amistad comienza en 1964, en una escuela pública, y que continuará hasta el final de la dictadura cívico-militar. Buscamos situar la obra de Milton Hatoum en respecto a la ecocrítica, en textos escritos por Félix Guattari y Ana Godoy, y observar cómo el trabajo de Milton Hatoum colabora con la propuesta de educación ambiental como productora de significados. Afirmamos que la literatura, y en particular "Cinzas do Norte", nos ayuda a ampliar el repertorio de las prácticas sociales y pedagógicas ecologistas en la vida cotidiana. Este artículo resulta de investigación apoyada por el CNPq sobre la obra de Milton Hatoum y sus relaciones con la educación ambiental posmoderna y con los estudios culturales (ecocrítica).

Palabras clave: Milton Hatoum; Félix Guattari; Ana Godoy; educación ambiental; ecocrítica.


ABSTRACT

This article is aimed at investigating the connections of Milton Hatoum's Cinzas do Norte ("Ashes of the Amazon") with ecological trends. The ecological basis are Félix Guattari and Ana Godoy. Cinzas do Norte is a narrative about two friends from Manaus whose friendship begins at a public school in 1964 and lasts until the end of Brazilian civil- military dictatorship. I tried to situate the work of Milton Hatoum in the field of Ecocritics, then relate it to texts by Félix Guattari and Ana Godoy and observe how Hatoum's work contributes with the Environmental Education as a producer of meanings. I claim that literature, particularly Cinzas do Norte , is one way of amplifying repertoires of ecological social and pedagogical practices in every day life. This article is resulted of a research with grants of CNPq about the relationship of Milton Hatoum's texts and postmodern Environmental Education and Cultural Studies.

Keywords: Milton Hatoum; Félix Guattari; Ana Godoy; environmental education; ecocritics.


 

 

A devastação ecológica em Cinzas do Norte de Milton Hatoum

O pensamento ambiental brasileiro, na sua vertente pedagógica (educação ambiental), tem uma significativa relação com os textos literários. Entre os precursores, encontram-se Ângelo Machado e Nilson Moulin. O primeiro é destacado pesquisador e professor aposentado de neurobiologia e entomologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Ao escrever livros infantis com temática científica e biológica, Ângelo Machado enfrentou o crivo dos críticos literários adversos conforme conta em entrevista concedida à Revista Pesquisa (Marcolim, 2007, pp.1-5). Entre os seus mais conhecidos livros, está "O menino e o rio", que narra a preocupação de um menino com a poluição e a vida das libélulas (Machado,1992a), sendo premiado com o Jabuti, um dos mais renomados e prestigiados prêmios literários do país. Outro dos seus livros recebeu o título "O velho da montanha: Uma aventura amazônica" e foi dedicado aos meninos índios que o ajudaram na coleta de insetos na Amazônia (Machado,1992b).

Quando indagado por que escreve livros infantis, Ângelo Machado respondeu: "Quando faço literatura infantil, meu principal objetivo é desenvolver na criança o hábito e o gosto pela leitura. Esse é o meu compromisso. Se, além disso, ela aprender alguma coisa de ciências, tanto melhor" (Marcolin, 2007, p. 5).

O segundo autor, além de educador ambiental, é destacado tradutor de autores do porte de Ítalo Calvino, Carlo Ginzburg e Cesare Pavese. Na apresentação do seu livro "Por dentro das Amazônias", é enfatizado seu trânsito entre conhecimentos, deslocamentos e textos diversos.

Capixaba desde 1947. No período sedentário, iniciado em 1986, em São Paulo, dedicou-se principalmente à literatura italiana. Acreditando ser co-autor de textos que traduz, já recriou em português: R. Calasso, C. Ginzburg, I. Calvino, G. Manganelli, B. Castiglioni, Primo Levi, Anna Maria Ortese, Michelangelo e Leonardo da Vinci. Na fase nômade, aprendeu muito como professor de português para estrangeiros de várias línguas. Viveu sua fase mais entusiástica e produtiva em Moçambique, após a derrota do colonialismo. Ex- consultor da Unesco em planejamento curricular, fez parte da direção do Sindicato Nacional de Tradutores. Num outro diapasão, tenta informar em textos para crianças algumas paixões de infância. O primeiro volume desta série foi considerado "altamente recomendável" pela FNLIJ na categoria " o melhor livro informativo" (1994). Em suas andanças pela África, Itália e Amazônia, conheceu várias maneiras de ver o mundo: por isso, mistura tradução de literatura com alguns textos quase pessoais. (Moulin, 2008, p. 96)

Tanto Ângelo Machado quanto Nilson Moulin têm reconhecido trabalho na difusão de textos literários e ambientais junto a professores e estudantes. Essa atividade deles apresenta claro compromisso político com a educação e com o meio ambiente e, sendo assim, ambos sobressaem entre os precursores da educação ambiental brasileira, que tem no acesso à leitura e à escrita um dos seus pontos mais marcantes. Com a autoria e difusão de textos literários, eles utilizam recursos básicos para a elaboração e difusão de repertórios amplos, pautados em conhecimentos biológicos, ecológicos, culturais, sociais e políticos acumulados ao longo de trajetórias de alto nível científico e literário.

Com o prestígio de tais precursores e as suas transgressões pessoais e acadêmicas, foi possível que um grupo de pesquisadores e educadores ambientais brasileiros explorasse as relações dos textos literários com a educação ambiental, principalmente na sua vertente próxima dos argumentos pós-modernos. Entre eles tem-se as pesquisas de Mônica Meyer (2008) acerca de Guimarães Rosa; a de Leandro Belinaso Guimarães (2007) acerca de Euclides da Cunha; e a de Valdo Barcelos (2001) acerca de Octávio Paz. Os trabalhos acima citados são os que deram a base teórica aos textos posteriores que os três têm publicado com regularidade.

Nesse mesmo contexto acadêmico se incluem os livros "Ecologistas" e "A floresta e a escola: por uma educação ambiental pós-moderna", de Marcos Reigota, ambos publicados em 1999.

Em "Ecologistas" (Reigota, 1999a), o autor enfatiza e elabora a possibilidade metodológica das narrativas ficcionais como recurso ético e etnográfico, tendo como apoio teórico Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Jorge Luis Borges. O livro foi prefaciado por Mary Jane Paris Spink, que observa

como se fosse um fazedor de quebra-cabeças, ele corta cada história em múltiplos fragmentos e, embaralhando-os, cria novas histórias; as narrativas ficcionais. Mas não é o protótipo que está em pauta nos Ecologistas. Muito pelo contrário, são as múltiplas possibilidades de sentido decorrentes de um ativismo que, por ser essencialmente sem fronteiras, coloca em xeque também as fronteiras identitárias. (Spink, 1999, p.11)

Em "A floresta e a escola: por uma educação ambiental pós-moderna" (Reigota, 1999b), o autor explicita seu enfoque político e pedagógico, cultural e ecológico. O título do livro é extraído do Manifesto Antropófago, que é apresentado como uma contribuição à ecologia global e às práticas sociais e pedagógicas cotidianas.

Conexões 1: ecocrítica e devastação ecológica

No contexto internacional, o surgimento da corrente de estudos conhecida como ecocrítica, resultante do impacto e das convergências dos estudos culturais e do pós-modernismo nas ciências humanas (Murphy, 1998; Woods, 2009), possibilitou a difusão e construção de um campo teórico e político, voltado para as obras literárias com temática ambiental, que tem alguns pontos de partida comuns relacionados com a Segunda Guerra Mundial.

A devastação causada pelo lançamento das bombas pelos EUA sobre a população civil de Hiroshima e Nagasaki originou o movimento ecopacifista que teve grande influência na difusão da temática antinuclear e bélica, mas que foi sendo deixado de lado sobretudo depois do final da Guerra Fria.

Com o apogeu e difusão de perspectivas economicistas, como a de desenvolvimento sustentado, que impregna e atravessa instâncias (nacionais e internacionais) políticas, culturais e acadêmicas, o discurso ecológico parece ter deixado de lado essa origem e os problemas humanos, sociais e políticos originados das devastações provocadas por regimes totalitários e belicistas. Nesse sentido, é na produção artística e literária e no espaço acadêmico "indisciplinado" que a temática da devastação ecológica provocada pelos autoritarismos, totalitarismos e guerras, e particularmente pela Segunda Guerra Mundial, ainda encontra eco.

A literatura japonesa é rica de exemplos com tal temática (Igarashi, 2011) e nela se destaca a obra de Kenzaburo Oe. A capa da edição brasileira do seu livro "Jovens de um mundo novo, despertai !" (Oe, 2006) foi elaborada por Raul Loreiro a partir de uma foto de Philip Jones Griffiths da Celebração pela Paz que acontece em Hiroshima todos os anos no aniversário de lançamento da bomba atômica pelos EUA. A foto mostra luminárias de papel com velas acesas colocadas às margens do rio por pessoas anônimas em homenagem às vítimas da bomba atômica.

Um dos trechos do livro que explicita a relação da devastação causada pela bomba atômica e os seus impactos na educação escolar japonesa pós-guerra é o seguinte:

Durante uma visita ao museu da bomba atômica em Hiroshima, as crianças tinham ficado abaladas ao se ver frente à frente com a trágica realidade da guerra. As professoras acharam que, desde então, algo começara a mudar nas crianças. As professoras queriam ir outra vez a Hiroshima naquele ano, mas os pais não concordavam e elas não conseguiam convencê-los a lhes dar permissão. (Oe, 2006, pp.171-172)

Após a Segunda Guerra, uma série de textos literários que se referem a Hiroshima e Nagasaki foi publicada em diversas línguas e alguns deles têm voltado ao espaço público recentemente, como podemos verificar em dois livros publicados no Brasil nos últimos anos. Em "O ponto de vista do outro: Figuras da ética na ficção de Graham Greene e Philip K. Dick", de Jurandir Freire Costa, encontramos, no primeiro parágrafo da introdução, a seguinte observação:

Raymond Chandler, em seu texto escrito sobre os anos 1930, dizia: A civilização ocidental, muito antes da bomba atômica, já criara as engrenagens para a sua própria destruição e estava aprendendo a usá-las com a alegria idiota de um gângster que experimenta sua nova metralhadora. (Costa, 2010, p.11)

Entre os artigos publicados no livro "Literatura e guerra" (Cornelsen & Burns, 2010), o de autoria de Carlos Gohn é o que aprofunda o tema da devastação nuclear e mais se aproxima dos argumentos ecológicos. O autor, de forma bastante original, analisa como que o livro Bhagavad-Gita foi lido, interpretado e serviu como código de conduta para Robert Oppenheimer, "cientista diretor do projeto de construção da primeira bomba atômica, nos Estados Unidos" (Gohn, 2010, p. 268).

A noção de devastação ecológica contemporânea tem em Frans Krajcberg um dos mais atuantes e contundentes adversários. A sua escultura é manifestação de seus sentimentos e posicionamento político e ético sobre o que se tem feito contra a natureza e, de forma mais ampla, contra a vida (Lima, 2007; Rodrigues, 2002). Ele afirmou em diversas ocasiões que as cinzas das queimadas na Amazônia lhe fazem refletir sobre as cinzas de toda a sua família que pereceu nos campos de concentração dos nazistas. É nesse contexto teórico e também ecológico, social, cultural e político que optamos por aprofundar a análise tendo Cinzas do Norte de Milton Hatoum como referência.

Conexões 2: "Cinzas do Norte", "As três ecologias" e "A menor das ecologias"

O conjunto da obra de Milton Hatoum pesquisada até o momento nos permite afirmar que o autor não faz de seus textos nenhum manifesto explicitamente ecologista no sentido militante. No entanto, não são poucas as passagens e trechos que ressoam ou que são próximas do repertório difundido por conhecidas lideranças ecologistas, especialmente quando Milton Hatoum aborda os modelos de desenvolvimento, a destruição das florestas ou o caos urbano brasileiro. Pretendemos abordar, neste artigo, uma leitura ecológica de Cinzas do Norte tendo como referências os argumentos que Félix Guattari (1991) esboçou em "As três ecologias" e Ana Godoy (2008) em "A menor das ecologias".

"As três ecologias" é um dos últimos textos publicados em vida por Félix Guattari, tendo sido publicado no Brasil alguns anos depois de seu lançamento na França. De acordo com o autor:

Não haverá verdadeira resposta à crise ecológica a não ser em escala planetária e com condição de que se opere uma autêntica revolução política, social e cultural reorientando os objetivos da produção de bens materiais e imateriais. Essa revolução deverá concernir, portanto, não só às relações de forças visíveis em grande escala, mas também aos domínios moleculares de sensibilidade, de inteligência e de desejo. (Guattari, 1991, p. 9)

O argumento de Félix Guattari está intimamente ligado à sua opção política das revoluções moleculares cotidianas e ao trabalho teórico realizado individualmente ou em parceria com Gilles Deleuze e que dá continuidade à provocação de ambos aos discursos estabelecidos, ressaltando a presença e importância política dos processos de subjetivação.

São bem conhecidos os trabalhos de Deleuze e Guattari em que utilizam as artes em geral e a recorrente utilização de textos literários. Para eles, os processos de subjetivação encontram e têm nas expressões artísticas e literárias elementos disparadores para a tentativa de compreensão e de intervenção política frente aos processos de destruição de sentidos, significados e de devires.

Sendo assim, não era, como não foi, surpreendente que os referidos autores possibilitassem uma base teórica importante ao pensamento ecologista radical, sintetizado em "As três ecologias", ainda como um esboço e um convite à sua ampliação e aprofundamento, que considere a ecologia em três instâncias, a social, a subjetiva e a natural.

Conforme Guattari:

É necessário fazer emergir outros mundos diferentes daquele da pura informação abstrata; engendrar Universos de referência e Territórios existenciais, onde a singularidade e a finitude sejam levadas em conta pela lógica multivalente das ecologias mentais e pelo princípio de Eros de grupo da ecologia social e afrontar o face-à-face vertiginoso com o Cosmos para submetê-lo a uma vida possível- tais são as vias embaralhadas da tripla visão ecológica. Uma ecosofia de um tipo novo, ao mesmo tempo prática e especulativa, ético-política e estética, deve, a meu ver, substituir as antigas formas de engajamento religioso, político, associativo. (Guattari, 1991, p. 54)

Em 2008, Ana Godoy publicou "A menor das ecologias", resultado de sua tese de doutoramento em ciência política na PUC-SP, oferecendo outras e radicais possibilidades pautadas no pensamento de Deleuze e Guattari em conversações com escritores como, entre outros, Guimarães Rosa, Julio Cortazar e Willian Faulkner. Uma das passagens que explicita seu argumento e que dá título ao livro é a seguinte:

Os textos tratados aqui compõem-se de diferentes formas com os elementos destacados- o roubo, a traição e o desvio- acentuando que o jogo ensejado na e pela linguagem não é um exemplo a ser transposto para a vida, mas sua expressão ou desdobramento: a própria vida dobrando-se sobre si mesma, na criação artística, e inventando, neste movimento, ecologias. A menor das ecologias é uma máquina de guerra composta de partes/pedaços e opera por ligações não localizáveis, fazendo intervir formações em fragmentos e peças destacadas: tanto o seu princípio pressupõe a fragmentação e a impossibilidade de totalização, como o que produz é fragmentário e não-totalizável. Trata-se, pois, de um arquipélago, em várias dimensões. (Godoy, 2008, pp.183-184)

Félix Guattari, Ana Godoy e os autores e autoras citados até o momento neste artigo nos provocam a entender/ler/praticar a ecologia para longe dos clichês economicistas e/ou higienistas. Convidam-nos a ampliar repertórios e a se aproximar da ecologia como devires no cotidiano, não necessariamente tranquilos e organizados e muito menos como dispositivos controladores das turbulências, mas sim como anteparos às máquinas de guerra, subjetivas e tecnocientíficas dos grupos totalitários que querem aniquilar, devastar, reduzir a vida a nada, a pó, a cinzas. Com tais argumentos teóricos, é possível, então, considerar que a literatura, e particularmente "Cinzas do Norte", quando presente nas práticas pedagógicas ecologistas cotidianas, disparam possibilidades de ampliação do repertório e da diversidade de intervenções sociais e políticas produtoras de sentidos .

Em uma de suas entrevistas, Milton Hatoum se diz um escritor do século XIX, um narrador, o "penúltimo dos afrancesados" (Jorge & Cristo, 2007, p.164). Se na crítica artística contemporânea são inúmeras as afirmativas que declaram a morte da narrativa, situando-a como recurso anacrônico, nas ciências humanas, ao contrário, após o impacto do pós-modernismo (Woods, 2009) e dos estudos culturais (Baetens & Lambert, 2000), são justamente as narrativas ( dos anônimos, dos marginalizados, dos "subalternos") que ganham atenção e legitimidade como expressão política, histórica e cultural.

Se considerarmos que as narrativas nas ciências humanas, assim como a literatura, são, "ao mesmo tempo, artifício e verossimilhança, e que não há nenhuma dificuldade em unir esses dois aspectos" (Wood, 2011, p.12), fica evidenciada a possibilidade de elas dispararem processos desconstrutores de clichês e de ampliar o repertório de práticas pedagógicas, sociais e discursivas (ecologistas) no cotidiano (Spink, 2010).

Em "Cinzas do Norte", através da narrativa envolvendo dois amigos, Lavo e Mundo, na Manaus dos anos 1960 até o final da ditadura militar no Brasil, e na Europa dos anos 1970, temos "a história de toda uma geração, a geração do próprio escritor" (Von Brunn, 2010, p. 257).

A amizade entre Lavo e Mundo nasceu de uma série de gestos de solidariedade, apesar das diferentes personalidades e contextos sociais e econômicos em que cada um nasceu e vivia. O encontro e o início da amizade se dão "em meados de abril de 1964 quando as aulas no ginásio Pedro II iam recomeçar depois do golpe militar" (Hatoum, 2005, p.12).

Mundo era o artista, o rebelde que ousava encarar (protegido pela mãe casada com um influente comerciante aliado dos militares e dos civis que apoiavam a ditadura militar) o padrasto (imaginando ser ele o seu pai), as autoridades escolares, a provinciana sociedade e elite econômica, militar e política da cidade.

Lavo se aproximava desse universo dos poderosos pelos serviços de costureira prestados por sua tia, com quem vivia depois da morte de seus pais, à família de Mundo e ao romance nunca bem terminado ou resolvido entre a mãe de Mundo (Alicia) e o tio (de Lavo) Ran.

A condição social e econômica de Lavo impunha a ele maior recato frente às injustiças e desmandos que presenciava. Não podia se atrever a enfrentar os militares e seus aliados, mas pacientemente espera para, através dos estudos, ter condições de enfrentamento.

O início da amizade entre os dois é semelhante à de muitas outras entre pessoas da mesma geração e de diferentes classes sociais, no mesmo período de escolaridade de Mundo e Lavo, possibilitada pela convivência comum em escolas públicas, quando essas não eram ainda direcionadas apenas às camadas mais pobres da população.

Nas escolas públicas dos anos 1960 até meados dos anos 1970, pessoas de diferentes classes sociais se encontravam e estabeleciam relações de, entre outras, profunda amizade. O ambiente escolar foi uma possibilidade de encontros e de conexões de diferentes e diferenças, aproximados pelas relações afetivas cotidianas. Esse é um aspecto marcante na literatura de Milton Hatoum.

Conexões 3: "À deriva"

Em "Cinzas do Norte", Lavo e Mundo são, no início dos anos 1960, dois jovens à deriva, equilibrando-se para sobreviver e enfrentar o autoritarismo conservador, buscando estratégias de sobrevivência (psicológica) frente à iminente devastação que a ditadura militar provocava aos que tentassem desafiá-la. Sem se inclinarem aos mandos e desmandos de poderosos eventuais ou de longa história, a trajetória de resistência e de sobrevivência de Lavo e Mundo ficará marcada pelas fragilidades e tentativas de fuga da vida besta, provinciana, autoritária e conservadora em que se encontram. A trajetória de resistência e sobrevivência ficará também marcada pelos apoios e reforços que a amizade entre eles possibilita.

O impulso de um ou a lentidão de outro são alternativas não excludentes de resistência e o autor não parece privilegiar uma em detrimento da outra, ou torná-las dicotômicas. Um dos resultados de nossa leitura de "Cinzas do Norte" é observar como que tais características individuais aparecem como manifestações políticas e ecológicas (segundo Félix Guattari e Ana Godoy) de enfrentamento aos micros e aos macros poderes que se manifestam na vida cotidiana, na família, nas relações sociais e afetivas. Félix Guattari observa que "convém não esquecer as dimensões institucionais e de classe social que presidem a formação e a "teleguiagem" dos indivíduos e grupos humanos" (Guattari, 1991, p. 21). Já Ana Godoy toma a ecologia " como material de invenção, fazendo-a bifurcar e variar continuamente, destituindo o sentido da/na ecologia, isto é, do originário e do derivado-pressupostos do modelo- sobre o qual se pauta a conservação, em proveito de uma deriva generalizada" (Godoy, 2008, p.75).

Voltemos à "Cinzas do Norte". Para conter a rebeldia e ousadia de Mundo, Jano (o poderoso marido da mãe dele) sonhava com os métodos militares: "Treinamento militar", disse Jano, saudando um oficial, "falta isso ao meu filho... correr e saltar com coragem, que nem esses rapazes armados" (Hatoum, 2005, p. 34).

As conversas de Jano sobre Mundo, com seus amigos militares e civis aliados da ditadura militar, são entrecortadas por assuntos ligados ao grande projeto de desenvolvimento da Amazônia.

Jano não se conformava com a queda brusca demais do preço da juta e da malva. Palha havia sugerido ao amigo que mudasse de ramo: devia construir casas e edifícios, exportar minérios ou madeira nobre, ou então participar de uma sociedade com alguma indústria eletrônica da Ásia, muita gente estava fazendo isso em Manaus. (Hatoum, 2005, p. 187)

Apesar da repressão feroz que encontrava em casa e no colégio militar para onde tinha sido enviado, Mundo reagia. Suas ações atingiam não só seu padrasto e seus aliados. Uma delas, de maior impacto, foi quando decidiu protestar pela morte de seu amigo e colega do colégio militar, o pobre Cará, que não suportou a intensidade dos exercícios físicos que os militares impunham aos internos em plena Floresta Amazônica. Mundo protesta com uma instalação que denominou "Campo de Cruzes", elaborada na periferia de Manaus onde a família de Cará vivia.

Mundo contou que no internato tinha pesadelos com a paisagem calcinada: a floresta devastada ao norte de Manaus. Visitara as casinhas inacabadas do Novo Eldorado, andara pelas ruas enlameadas. Casinhas sem fossa, um fedor medonho. Os moradores reclamavam: tinham que pagar para morar mal, longe do centro, longe de tudo... Queriam voltar para perto do rio. Alguns haviam trazido canoas, remos, malhadeiras, arpões; a cozinha, um cubículo quente; por isso, levavam o fogareiro para a rua de terra batida e preparavam a comida ali mesmo. Ele dormira na casa da família do Cará. O sol da tarde esquentava as paredes, o quarto era um forno, pior que o dormitório do internato. Os moradores do Novo Eldorado eram prisioneiros em sua própria cidade. Isso não justificava a escolha? "Sei que esse bairro é um crime urbano", disse Arana, " mas é a primeira grande obra do Zanda, o ídolo do teu pai. Foi nomeado prefeito e quer mostrar serviço. Acho que deves usar a revolta para outras coisas, Mundo. Um tronco queimado com um monte de cruzes...Isso não é arte, não é nada." Mundo tomou um gole de uísque, se virou lentamente para mim e imitou a voz de Arana: " Não é arte, não é nada. Ouviste essa, Lavo?" (Hatoum, 2005, p. 148)

Lavo ouviu essa e muitas outras histórias de seu amigo e talvez por isso se encontra na posição privilegiada, e também política, de narrar, de escrever o que ouviu. Entre tais histórias se encontra a conflituosa relação de Mundo com o artista Arana. Em determinados momentos, a personagem de Arana parece inspirada em Frans Krajcberg. Numa delas, quando recebe a visita no seu ateliê de Lavo e Mundo e lhes mostra um dos seus trabalhos, Arana diz aos dois:

Vocês querem saber quais são os temas secretos deste trabalho? Devastação e morte. A floresta queimada é a humanidade morta". Passara o último mês trabalhando dia e noite: a obra ia ser exposta na Bienal de Artes, e depois em galerias do Rio e de São Paulo. Orgulhava-se disso, vivia pensando nos eventos. Mundo perguntou qual era o título. "A dor das tribos...A dor de todas as tribos. Não é sugestivo?" (Hatoum, 2005, p.108)

A personalidade ambígua de Arana, a sua posterior adesão à arte comercial (de agrado dos turistas) e a constante bajulação aos poderosos do regime militar fazem com que ele seja completamente o oposto de Krajcberg. Após o final da ditadura militar, Arana continua ligado aos poderosos e é convidado oficial para decorar o palácio do Planalto, com "animais e móveis de mogno" (Hatoum, 2005, p.302).

Mundo foi gerado por esse homem num encontro casual de Alicia com ele, e se vê confrontado com, por um lado, a prepotência de Jano (o padrasto) e, por outro, com a sedução de Arana.

Lavo ouve e lê os lamentos de Mundo e, ao narrar a história do amigo, narra também a sua, não como protagonista ou coadjuvante, mas sim como se a existência dele, Lavo, não pudesse existir ou se constituir sem a do outro, sem a de Mundo. O segundo resultado que podemos perceber da leitura de "Cinzas do Norte" com os referencias teóricos adotados é que a intersubjetividade e interdependência, do outro e com o outro, são um princípio ecológico que perpassa as esferas do biológico, do social e do psicológico e que ganha dimensões ética, estética e política, como podemos constatar nos argumentos de Félix Guattari e Ana Godoy.

Para Félix Guattari:

A subjetividade, através de chaves transversais, se instaura ao mesmo tempo no mundo do meio ambiente, dos grandes agenciamentos sociais e institucionais e, simetricamente, no seio das paisagens e dos fantasmas que habitam as mais íntimas esferas do indivíduo. (Guattari, 1991, p.56)

Para Ana Godoy:

Não importa para onde se dirijam os projetos de uma ecologia maior; serão inventadas ecologias menores. Seu modo de habitar é nômade, não está vinculado a um território, mas aos percursos traçados e aos percursos por traçar. Habitar como um nômade é habitar as intensidades que nos atravessam, as variações experimentadas nos encontros, é habitar paisagens. (Godoy, 2008, p. 307)

A relação de Lavo com a família de Mundo era também de dependência e submissão, que ele, com aguda percepção, tenta se livrar e se distanciar. Lavo vivia num contexto cultural e familiar de dificuldades econômicas e no qual se manifestava extrema crueldade, como na seguinte passagem:

Ranulfo encheu a metade do tanque com a água fervente e deixou a tartaruga deslizar para o fundo. Mordia o beiço, dava uns risinhos sufocados e olhava com prazer estranho as patas agitadas no casco emborcado. Só parou de despejar água quente quando o bicho se aquietou. "É melhor que furar o pescoço ou matar a pauladas", disse ele, ao notar meu espanto. "São métodos bárbaros, o sofrimento deve ser maior." Pôs a tartaruga no piso da cozinha, pegou um terçado e um martelo e pediu que eu me afastasse: ia marretar. Decepou a cabeça e as patas, arrancou o casco, retirou as vísceras e cortou o peito para fazer picadinho. Na saleta, as mãos meladas de sangue segurando uma cuia cheia de ovos. "Se a cozinheira permitir, vou levar os ovos para comer com açúcar". Tia Ramira virou o rosto enojado, e eu, fui limpar a cozinha, que parecia um matadouro. (Hatoum, 2005, p. 30)

Graças ao empenho da tia costureira e à submissão dela aos interesses de Jano (marido da mãe de Mundo), Lavo conseguiu estudar e se tornar advogado. Tia Raimunda não perdia as oportunidades de mostrar ao sobrinho o sacrifício que fazia e como era menosprezada por aqueles que se consideravam em escala social superior.

Na tarde em que Minotauro e Delmo passaram pela Vila da Ópera, como para selar o desfecho da amizade do Pedro II, tia Ramira os examinou com olhos de costureira, e, enquanto folheava uma revista de moda, fazia perguntinhas inocentes: "Onde moram? Já escolheram a profissão? Onde os pais de vocês trabalham?". Depois nos serviu uma torta de cupuaçu com biscoito champanhe e castanha, e se afastou da mesa para observá-los de soslaio. Quando foram embora, ela notou que Delmo carregava o rei e sua coroa na barriga. "Como esse Delmo é ignorantão, Lavo. Viste como riu dos teus livros? Me matei de trabalhar para comprar dicionários, códigos e esse tal de direito romano, e o idiota faz pouco. Não é o pai dele que vende arame farpado e martelo?" (Hatoum, 2005, p. 95)

É como estudante de Direito e advogado que Lavo vai experimentar enfrentar os desmandos dos aliados da ditadura militar. Interessava-lhe os "processos julgados sumariamente, à revelia da Lei e sem qualquer direito de defesa" (Hatoum, 2005, p.121).

Cada vez mais reprimido em Manaus, Mundo vai para o Rio de Janeiro e, após ter sido preso e internado num hospício (onde foi amarrado e sedado) depois de ter participado de uma manifestação contra a ditadura, ele parte para a Europa. Lá vive intensamente as experiências de liberdade, e de contestação da juventude europeia da época. Lavo, ao contrário, não saiu de Manaus. Dizia que a cidade era a sina dele, "tinha medo de ir embora, e mais forte que o medo era o desejo de ficar, ilhado, enredado na rotina de um trabalho sem ambição" (Hatoum, 2005, p. 269).

Os amigos trocam cartas e cartões postais e esses textos adquirem papel importante na elaboração da narrativa e na explicitação da relação e da distância, não só espacial, que o tempo foi marcando entre eles e entre as outras personagens. Os silêncios, as entrelinhas, os assuntos não comentados por um ou por outro, concretizam as distâncias, as prioridades, as experiências e os momentos de cada um embalados pela constatação melancólica e inexorável do que se esvai: a vida, a floresta, a cidade, a arte, os amigos, a família, as utopias. A solitude se apresenta, mas é perturbada na sua rotina com um gesto de amabilidade ou de uma ou outra notícia vinda de longe. Um desses momentos é quando Lavo recebe um cartão postal de um dos museus de Londres em que Mundo comenta o encontro que teve com o pintor Francis Bacon num pub da cidade (Hatoum, 2005, p. 238).

Lavo percebe seu amigo cada vez mais devastado, pela angústia, pelo deslocamento, pelo desconforto cotidiano provocado pela sua rebeldia e insubmissão e pelo sentimento de "não lugar" e de não pertencimento. Adoentado, "com febres esquisitas, com manchas no corpo" (Hatoum, 2005, p. 257), Mundo ensaiava voltar a Manaus, para expor o seu trabalho. Mas o que ele encontraria ali? - perguntava-se Lavo.

Em poucos anos, Manaus crescera tanto que Mundo não reconheceria certos bairros. Ele só presenciara o começo da destruição; não chegara a ver a "reforma urbana" do coronel Zanda, as praças do centro, como a Nove de Novembro, serem rasgadas por avenidas e terem todos os seus monumentos saqueados. Não viu sua casa ser demolida, nem o hotel gigantesco erguido no mesmo lugar. (Hatoum, 2005, pp. 258-259)

Conexões 4: Práticas pedagógicas, sociais e ecologistas cotidianas

Mundo não viveu para ver o fim da ditadura militar e as "poucas castanheiras que tinham sobrevivido à devastação" (Hatoum, 2005, pp. 300-301) do bairro onde a família do seu amigo vivia. Lavo agora "advogava em defesa de detentos miseráveis esquecidos nos cárceres. O lento retorno ao Estado de direito não acabara com muitos privilégios..." (Hatoum, 2005, p. 285).

O que podemos concluir com a leitura de "Cinzas do Norte "com os objetivos e marcos teóricos que nos propomos pesquisar é que, através das relações afetivas entre pessoas de classes sociais diferentes que se encontram e as desenvolvem por meio das práticas sociais cotidianas, Milton Hatoum desvela uma série de conflitos de interesses e de poderes nos micros e macros contextos sociais e políticos. Tendo Manaus como referência básica, o autor coloca as personagens principais em outros espaços e lugares, confrontando tempos e culturas. A Amazônia na e durante a ditadura militar é mostrada nas suas diversas facetas, sendo que a problemática ecológica adquire especial significado, pois foi durante e após o regime ditatorial que a devastação se deu com maior intensidade. Os modelos e intenções de "desenvolvimento" foram sendo impostos à risca, afetando não só a floresta, suas espécies animais e vegetais, mas também as pessoas que nela vivem, os índios, os caboclos e as pessoas que, na cidade, se viam confrontadas diretamente e cotidianamente com alguns dos principais responsáveis por essa devastação.

Não são poucos os estudos relativos à ecologia da Amazônia sob os mais diversos ângulos da ciência contemporânea. A literatura produzida por autores de lá também é rica e foge dos estereótipos de "literatura regional", e Milton Hatoum é provavelmente o mais conhecido deles e um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos. Tendo como base a perspectiva ética, estética e política desenvolvida por Félix Guattari e Ana Godoy, é possível ler "Cinzas do Norte" como um texto ecologista. Para Félix Guattari, "os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva deterioração" (Guattari, 1991, p. 7) e, para Ana Godoy, "não há sossego, nem mesmo na ecologia" (Godoy, 2008, p.151).

"Cinzas do Norte" é uma narrativa que aborda as relações e os devires, que questiona o tempo e o espaço em que vivemos, que nos indaga e nos faz pensar sobre as nossas próprias relações, presenças e intervenções. Tal conclusão nos possibilita considerar que:

A inclusão de textos ficcionais como "Cinzas do Norte" em processos pedagógicos ecologistas(educação ambiental) que tentam discutir, ampliar e intervir na sociedade contemporânea, contribui para a observação de que estamos mergulhados em dúvidas e incertezas.

Por outro lado, nos leva a indagar se os textos literários colaboram para que a educação ambiental definida como educação política (Reigota, 1999b) e próxima das práticas sociais que Mary Jane Paris Spink define como práticas discursivas e produtora de sentidos (Spink, 2010, p.27) provocam questionamentos sobre os processos normativos de controle da vida cotidiana e também sobre a concepção de educação (ambiental) que afirma:

A educação em geral e a educação ambiental em particular, nesses tempos pós-modernos, não têm a pretensão de dar respostas prontas, acabadas e definitivas, mas sim instigar questionamento sobre as nossas relações com a alteridade, com a natureza, com a sociedade em que vivemos, com o nosso presente e com o nosso eventual porvir. (Reigota, 1999b,p. 140)

Leva-nos também a indagar se "Cinzas do Norte" permite que interpretações singulares da história contemporânea pessoal, privada e coletiva, ganhem o espaço público através das práticas pedagógicas e sociais ecologistas cotidianas.

 

Referências

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Agradecimento

Ao CNPq pelo apoio - Bolsa Produtividade.

 

 

Submissão em: 16/05/2012
Revisão em: 25/02/2013
Aceite em: 08/04/2013

 

 

Marcos Reigota é doutor pela Universidade Católica de Louvain. Com pós-doutorado pela Universidade de Genebra. Docente do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Sorocaba e Pesquisador do Cnpq-Nível 2. Endereço: Universidade de Sorocaba. Rodovia Raposo Tavares, Km 92,5.CEP18023-000-Sorocaba/SP, Brasil. E-mail: marcos.reigota@prof.uniso.br

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