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Psicologia & Sociedade

On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.26 no.3 Belo Horizonte Sept./Dec. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822014000300021 

ARTIGOS

 

Homens vítimas na intimidade: análise metodológica dos estudos de prevalência

 

Hombres victimas en la intimidad: análisis metodológico de la prevalencia

 

Male victims of partner violence: methodological analysis of prevalence studies

 

 

Andreia Machado; Marlene Matos

Universidade do Minho, Braga, Portugal

 

 


RESUMO

A violência contra os homens na intimidade é um tema controverso e negligenciado. No entanto, são já vários os estudos que avançam que os homens podem ser vítimas na intimidade. Este artigo contempla uma análise metodológica dos estudos de prevalência acerca da violência contra os homens em relações heterossexuais. A violência contra o sexo masculino perpetrada pelo sexo feminino varia de 0.6% a 100%, dependendo do tipo de violência que abrange, do período temporal de referência, bem como do método e da amostra. Os estudos revelam que os homens são, em sua grande maioria, vítimas de violência moderada, sobretudo psicológica. Porém, as insuficiências metodológicas e o conhecimento diminuto em domínios específicos da vitimação íntima contra os homens restringem as conclusões que podem ser extraídas. Importa que as investigações futuras adotem uma abordagem mais inclusiva de ambos os sexos.

Palavras-chave: homens; violência na intimidade; prevalência.


RESUMEN

La violencia contra los hombres en la intimidad es un tema polémico y omiso. Sin embargo, ya hay varios estudios que avanzan que los hombres pueden ser víctimas en la intimidad. Este artículo incluye un análisis metodológico de los estudios de prevalencia sobre la violencia contra los hombres en relaciones heterosexuales. La violencia perpetrada contra los hombres por las mujeres varía de 0.6% a 100%, dependiendo del tipo de violencia abarcada y del período de tiempo, así como del método y de la muestra. Los estudios revelan que los hombres son en su mayoría víctimas de violencia moderada, sobre todo psicológica. No obstante, las deficiencias metodológicas y el poco conocimiento en áreas específicas de la victimización íntima contra los hombres limitan las conclusiones que pueden extraerse. Es importante que la investigación futura adopte un enfoque más inclusivo para ambos los sexos.

Palabras clave: hombres; violencia íntima; prevalencia.


ABSTRACT

Intimate partner violence against men is controversial and somewhat neglected. However, there are now several studies that show that men are victims in intimacy. This article includes a methodological analysis of studies on the prevalence of violence against men in heterosexual intimate relationships. The prevalence of violence against men perpetrated by women ranges from 0.6% to 100%, depending on the type of violence, the time period of reference, as well as the method and sample used. Studies show that men are mostly victims of moderate violence, mainly psychological. However, methodological shortcomings and insufficient knowledge in specific areas of victimization against men restrict the conclusions that can be drawn. Is critical that the investigations in this area adopt a more inclusive approach and, specifically, methodologies that address both sexes.

Keywords: men; intimate partner violence; prevalence.


 

 

Até há pouco tempo, a violência na intimidade foi considerada um problema exclusivo das mulheres (e.g., Dobash & Dobash, 2004). Porém, atualmente os estudos demonstram que os homens não são apenas autores, mas também vítimas de violência na intimidade (e.g., Archer, 2000). Este fenômeno passa muitas vezes desapercebido, na medida em que os homens são menos propensos a denunciar tais incidentes por vergonha e medo do ridículo, bem como pela falta de serviços de apoio (Barber, 2008; Shuler, 2010). Consequentemente, os homens, enquanto vítimas de violência na intimidade, não são tão estudados como as mulheres na mesma situação e o conhecimento sobre este objeto de estudo não se encontra tão disseminado (e.g., Reid et al., 2008; Shuler, 2010). Além disso, a maioria dos países presta maior atenção e disponibiliza mais serviços para a violência cometida pelos homens contra as mulheres em detrimento de outras formas de violência (e.g., Beiras, Moraes, Alencar-Rodrigues, & Cantera, 2012; Granja & Medrado, 2009; Oliveira & Gomes, 2011; Shuler, 2010).

A um olhar menos atento, o interesse por este objeto de estudo pode parecer recente. No entanto, a atenção científica concedida a esta temática remonta à década de 70, através de Gelles (1974, citado por Hines & Douglas, 2010) e Steinmetz (1977, citado por Tutty, 1999). O termo "homem batido" foi introduzido pela socióloga americana Suzanne Steinmetz (1977, citado por Tutty, 1999), quando revia alguns estudos e se deparou com dados de que os homens também revelavam ser vítimas por parte das suas parceiras.

Passadas mais de três décadas, já são vários os estudos que documentam que tanto os homens como as mulheres podem ser abusivos na intimidade (e.g., Archer, 2000; Hines & Douglas, 2010). Não obstante, a violência contra os homens continua a ser um tópico controverso (Hines & Douglas, 2010; Migliaccio, 2002).

 

Homens vítimas de violência na intimidade: A mesma realidade, diferentes olhares

A falta de definições e metodologias sólidas tem dificultado os esforços para monitorar a violência na intimidade (e.g., Breiding, Black, & Ryan, 2008). Tal como noutros fenômenos, o conhecimento varia consoante a metodologia, a amostra e as técnicas de coleta utilizadas (e.g., Archer, 2000; Cook, 2009; Esquivel-Santoveña & Dixon, 2012). Dessa forma, atendendo ao método utilizado, torna-se mais fácil compreender os resultados obtidos (e.g., Archer, 2000; Robertson & Murachver, 2007). Como Brogden e Nijhar (2004) sistematizam, os estudos realizados na comunidade revelam, tendencialmente, simetria entre homens e mulheres no que se refere ao uso da violência menos grave. Por sua vez, as estatísticas criminais indicam que as mulheres são mais vitimadas (rácio de aproximadamente 9 para 1 denúncias apresentadas por mulheres e homens). Já os estudos realizados com casais revelam mais violência dos homens contra as mulheres, embora essas diferenças surjam mais atenuadas do que nas estatísticas criminais. Estudos mais recentes, com recurso a metodologias qualitativas, revelam que as experiências de vitimação dos homens são semelhantes às das mulheres. Nesse sentido, as discrepâncias no que se refere aos diferentes tipos de estudos e às ideologias subjacentes aos mesmos sublinham a necessidade de se conhecer os métodos de recolha de dados utilizados antes de se aceitar a validade dos resultados alcançados (Esquivel-Santoveña & Dixon, 2012).

 

Das metodologias às teorias

A metodologia utilizada nos inquéritos decorre das abordagens teóricas para se compreender a natureza do problema (Esquivel-Santoveña & Dixon, 2012). No que se refere às teorias sobre este fenômeno, tradicionalmente a violência na intimidade é concetualizada como consequência do patriarcalismo e do uso deliberado da violência por parte dos homens para exercer poder e controle sobre as mulheres (e.g., Hines & Douglas, 2010; Migliaccio, 2002; Oliveira & Gomes, 2011). Este paradigma foi amplamente moldado pelas ativistas feministas que catapultaram a violência na intimidade para a atenção pública internacional em 1960, e cujos pontos de vista continuam, atualmente, a ser influentes na formação de atitudes e respostas a este fenômeno (e.g., Granja & Medrado, 2009; Narvaz & Koller, 2006). A ideia de que os homens são os principais responsáveis da violência na intimidade foi sendo apoiada por investigações que analisaram os registros da polícia ou amostras de casas-abrigo para vítimas do sexo feminino (e.g., Robertson & Murachver, 2007). A perspectiva conceitual das feministas gerou uma massiva aposta nas principais políticas sociais pró-mulheres, relegando o fenômeno dos homens vítimas para um plano sem destaque (Machado & Matos, 2012).

No entanto, a investigação da violência na intimidade não se confina à perspectiva feminista. Outros estudos revelaram que homens e mulheres podem ser igualmente abusivos nas suas relações íntimas (e.g., Archer, 2000). Este ponto de vista é defendido pelos sociólogos da família, os quais argumentam que a desigualdade de gênero, por si só, não é suficiente para produzir um relacionamento violento (e.g., Migliaccio, 2002; Suarez & Bandeira, 1999, citado por Oliveira & Gomes, 2011). Esses autores afirmam que há outros fatores que influenciam e contribuem fortemente para a violência na intimidade, incluindo, por exemplo, fatores de socialização (e.g., Gelles, 1976, citado por Migliaccio, 2002; Straus et al., 1980, citado por Migliaccio, 2002) e fatores socioeconômicos (Ferraro & Johnson, 1993, citado por Migliaccio, 2002). Consideram, igualmente, que, isolado, o fator do patriarcalismo falha ao explicar a violência que ocorre, por exemplo, entre casais homossexuais (Lockart, White, Causby, & Issac, 1994, citado por Migliaccio, 2002) ou a violência no namoro (e.g., Straus, 2009). No entender destes, a violência não é um problema de gênero, é um problema humano (Kimbrell, 1995, citado por Migliaccio, 2002) e a violência exercida pelas mulheres não pode ser ignorada, na medida em que as mulheres não a cometem apenas em legítima defesa (e.g., Hines & Malley-Morrison, 2001).

De forma a integrar essas diferentes teorias, importa recordar que o estudo da violência na intimidade não ultrapassa os 40 anos de história e é caracterizado por mudanças consideravelmente rápidas (Whitaker & Lutzker, 2009, citado por Eisikovits & Bailey, 2011). Quando se delineiam as maiores tendências no estudo deste fenômeno, percebe-se que há um movimento inicial que concede uma análise dicotômica entre os sexos, em que os homens são os agressores e as mulheres as vítimas, em papéis mutuamente exclusivos (e.g., Dobash & Dobash, 1979, citado por Eisikovits & Bailey, 2011), até um movimento mais interativo e diverso, em que homens e mulheres podem ser agressores ou vítimas ou em que a violência pode ser mútua (e.g., Archer, 2000; Beiras et al., 2012; Granja & Medrado, 2009; Johnson, 2006; Oliveira & Gomes, 2011).

Ainda assim, não se podem negar as diferenças perentórias que são conhecidas entre as experiências de homens e de mulheres vítimas na intimidade, demonstrando que por mais comparáveis que ambas as experiências possam ser, não serão exatamente iguais (Migliaccio, 2002). Por exemplo, as mulheres têm que lidar, não só com o companheiro violento, mas também com uma sociedade que lhes retira poder (Migliaccio, 2002; Narvaz & Koller, 2006). Em contraste, os homens debatem-se, interna e externamente, com a manutenção de um ideal masculino (Migliaccio, 2001, citado por Migliaccio, 2002; Shuler, 2010). Aliás, a(s) masculinidade(s) não pode(m) ser ignorada(s) num olhar aprofundado sobre este fenômeno (e.g., Connell, 1993). O conceito de masculinidade hegemônica assume justamente um papel preponderante na leitura deste fenômeno, na medida em que, de acordo com George (1994, citado por Cheung, Leung, & Tsui, 2009), os homens são vistos como vítimas inaceitáveis de violência na intimidade e o conceito de ser homem e vítima permanece um grande tabu.

Posto isto, e independentemente das dissemelhanças entre os sexos, um crescente corpo de pesquisa tem vindo a documentar a expressão da violência contra os homens na intimidade, considerando-a como um problema social relevante (e.g., Nowinski & Bowen, 2012; Randle & Graham, 2011). Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo identificar a investigação científica desenvolvida acerca da prevalência da vitimação na intimidade contra homens heterossexuais. A partir desses trabalhos, sistematizam-se os dados aí obtidos e reflete-se sobre a forma como as metodologias e as teorias subjacentes moldam e/ou informam esses mesmos dados. Em última análise, pretendemos que este trabalho confira maior visibilidade e reconhecimento ao fenômeno e contribua para um maior esclarecimento sobre a violência na intimidade contra os homens. Isso pode acarretar implicações para a investigação e, consequentemente, para as políticas públicas e campanhas de intervenção dirigidas aos homens vítimas na intimidade.

 

Metodologia

Diversas bases de dados foram pesquisadas (Sage, Springer, PsycArticles, PsycInfo, Web of Science, Science Direct, Google Scholar, Scielo) com as seguintes palavras-chave (Men victims; battered men; abused men; male victims; and domestic violence; intimate partner violence; and prevalence; homens, violência conjugal, violência doméstica, prevalência, violência na intimidade contra os homens). A pesquisa foi realizada tendo em conta os artigos publicados entre os anos de 2000 e 2013. Foram apenas incluídos artigos que relatassem estudos empíricos de prevalência que se referissem a vitimação contra os homens, com 18 ou mais anos, em relacionamentos íntimos heterossexuais. Os estudos cujas amostras fossem constituídas apenas por adolescentes e/ou estudantes universitários foram excluídos, já que a violência no namoro e na população juvenil, em concreto, contêm as suas próprias especificidades. Foram ainda excluídos estudos realizados unicamente com mulheres e em línguas que não o inglês, português e espanhol. Teses de doutorado e de mestrado não foram incluídas. A partir dos resultados da pesquisa das bases de dados, e após terem sido aplicados os critérios de inclusão e exclusão, foram obtidos 27 artigos.

Devido às diferentes metodologias utilizadas para captar a prevalência da vitimação contra os homens na intimidade e ao potencial efeito que essas podem ter nos dados obtidos, os estudos analisados foram organizados de acordo com: o tipo de amostra (representativas - tabelas 1 e 3 - ou de conveniência – tabelas 2 e 4); o instrumento usado para avaliar a violência na intimidade (i.e., com recurso ao Conflict Tactics Scale (CTS) - tabelas 1 e 2; ou sem recurso ao CTS – tabelas 3 e 4). Apresentamos, de seguida, os resultados dessa sistematização, baseada nos dados mais relevantes, tendo em consideração a prevalência da vitimação sofrida ao longo do último ano e/ou ao longo da vida e os tipos de violência.

 

Resultados

Caracterização das amostras

No que concerne ao dimensionamento da amostra, os estudos integram sobretudo amostras locais (17), seguidas por aquelas cuja representatividade é nacional (10 – em sua maioria nos EUA). Em termos de sexo, a maioria dos estudos era de natureza mista (19), tendo sido possível encontrar oito estudos realizados apenas com população masculina. Note-se que, em todos os estudos cujas amostras eram mistas e não representativas, o número de mulheres era sempre superior ao de homens. Três estudos contemplavam amostras étnicas (Caetano, Vaeth, & Ramisetty-Mikler, 2008; Chang et al., 2011; Harwell, Moore, & Spence, 2003) e dois faziam a distinção entre amostras pelo contexto social (rural vs. urbano) (Breiding, Ziembrosk, & Black, 2009; Murty et al., 2003).

Relativamente ao contexto de coleta da amostra também se verificou uma grande diversidade. A maioria dos estudos (10) foi coletada junto à população geral (Breiding et al., 2008; Breiding et al., 2009; Caetano et al., 2008; Coker et al., 2002; Gómez, Biezma, & Fernández, 2009; Harwell et al., 2003; Rubla & López, 2012; Tjaden & Thoennes, 2000; Watson & Parsons, 2005) ou em unidades de cuidados primários/hospitais (8) (Mills, Mills, Taliaferro, Zimbler, & Smith, 2003; Paul, Smith, & Long, 2006; Porcerelli et al., 2003; Reid et al., 2008; Rhodes et al., 2009; Schluter, Paterson, & Feehan, 2007; Schraiber, Barros, Couto, Figueiredo, & Albuquerque, 2012; Swahnberg, Hearn, & Wijma, 2009). Quatro estudos foram recolhidos em instituições, junto de amostras clínicas (Carmo, Grams, & Magalhães, 2011; Chang et al., 2011; Drijbern, Reijinders, & Ceelen, 2012; Hines, Brown, & Dunning, 2007) e três foram desenvolvidos a partir de subamostras retiradas de inquéritos nacionais (3) (Chang, Shen, & Takeuchi, 2009; Murty et al., 2003; Parish, Wang, Laumann, Luo, & Pan, 2004). Por fim, algumas amostras foram coletadas em contextos mistos (2) (Hines & Douglas, 2010; Robertson & Murachver, 2007), como por exemplo, junto da comunidade e junto de uma amostra clínica (Hines & Douglas, 2010).

Metodologia de recolha de dados

A metodologia de recolha de dados mais utilizada foi a entrevista telefônica (10) (Breiding et al., 2008; Breiding et al., 2009; Coker et al., 2002; Harwell et al., 2003; Hines et al., 2007; Hines & Douglas, 2010; Parish et al., 2004; Reid et al., 2008; Tjaden & Thoennes, 2000; Watson & Parsons, 2005) e os questionários de auto-relato (10) (Carmo et al., 2011; Chang et al., 2011; Drijbern et al., 2012; Gómez et al., 2009; Mills et al., 2003; Paul et al., 2006; Porcerelli et al., 2003; Rhodes et al., 2009; Robertson & Murachver, 2007; Rubla & López, 2012), seguida pelas entrevistas face-a-face (7) (Caetano et al., 2008; Chang et al., 2009; Murty et al., 2003; Schluter et al., 2007; Schraiber et al., 2012 ; Swahnberg et al., 2009).

Taxas de prevalência da violência na intimidade

A análise das tabelas 1, 2, 3, e 4 permitiu-nos concluir que a violência na intimidade contra os homens é um fenômeno que se encontra disseminado geograficamente e que se constitui uma realidade a ter em consideração per si. Não obstante, os indicadores de prevalência da violência na intimidade revelaram uma grande disparidade. De fato, considerando o tipo de amostra, o instrumento de medida utilizado para medir a vitimação, o valor total e/ou valor obtido por tipo de violência, e o período temporal contemplado, verificou-se uma considerável heterogeneidade que oscilava entre os 0,6% e os 100%.

Em termos genéricos, nas amostras representativas da população (cf. tabela 1 e 3), nos estudos com índices totais de prevalência da violência na intimidade ao longo da vida, as taxas de prevalência situavam-se entre os 3% (Parish et al., 2004) e os 22,9% (Coker et al., 2002); nas amostras não representativas (tabela 2 e 4), as taxas de prevalência variavam entre os 10,2% (Schraiber et al., 2012) e os 54% (Paul et al., 2006). Esta heterogeneidade estava igualmente presente quando a análise das taxas de prevalência se efetuava em função do instrumento de medida. Assim, quando se considerava a utilização do CTS (tabela 1 e 2), os valores obtidos variavam entre os 7% (Tjaden & Thoennes, 2000) e os 22,9% (Coker et al., 2002). Por sua vez, nos estudos que não recorrem ao CTS como instrumento de medida (tabela 3 e 4), os valores obtidos variavam entre os 6% (Watson & Parsons, 2005) e os 54% (Paul et al., 2006).

Uma mesma realidade dissemelhante foi encontrada quando se consideraram os índices totais de prevalência da violência na intimidade, mas se atendeu apenas ao último ano. Nas amostras representativas da população (Tabela 1 e 3), as taxas de prevalência globais, situavam-se entre os 0,6% (Breiding et al., 2009) e os 2% (Caetano et al., 2002). Relativamente às amostras não representativas (Tabela 2 e 4), as taxas de prevalência variavam entre os 4,6% (Reid et al., 2008) e os 46% (Drijbern et al., 2012).

Uma vez considerada a utilização do CTS (tabela 1 e 2), os valores obtidos variavam entre os 0,8% (Tjaden & Thoennes, 2000) e os 20% (Robertson & Murachver, 2007). Por sua vez, nos estudos que não recorreram ao CTS (tabela 3 e 4), os valores obtidos variavam entre os 0,6% (Breiding et al., 2009) e os 46% (Drijbern et al., 2012). Em suma, estes dados revelaram que, nos estudos com amostras representativas que recorreram ao CTS, foram encontradas taxas de prevalência inferiores aos estudos com amostras de conveniência sem recurso ao CTS.

Uma análise dos diferentes tipos de violência remete, de igual modo, para uma grande dispersão ao nível das taxas de prevalência. Não obstante, é possível encontrar alguns consensos. A vitimação psicológica foi aquela que registou índices de prevalência mais elevados. Mais concretamente, a vitimação psicológica variou entre os 7,7% (Swahnberg et al., 2009) e os 100% (Hines & Douglas, 2010). No que respeita aos indicadores de vitimação da violência física foram encontradas, igualmente, taxas de prevalência díspares, ainda que relativamente inferiores às observadas na violência psicológica. Assim, a percentagem mais reduzida de população vitimada por alguma forma de violência física (1,4%) foi encontrada no estudo de Swahnberg et al. (2009), e a máxima (98,7%), no estudo de Hines e Douglas (2010). Por fim, os padrões de vitimação que envolvem violência sexual, de uma forma geral, registaram índices de prevalência inferiores às outras formas de abuso, ainda que variassem entre os 0,1% (Swahnberg et al., 2009) e os 41,1% (Hines & Douglas, 2010). Neste sentido, no que concerne aos tipos de violência, independentemente da amostra e do instrumento de medida utilizado, e sem ter em conta o período temporal, deparámo-nos com uma considerável homogeneidade no sentido da predominância da violência psicológica, seguida da violência física e, em menor prevalência, da violência sexual.

Finalmente, é relevante mencionar que quatro estudos revelaram violência bidirecional (Caetano et al., 2009; Chang et al., 2009; Parish et al., 2004; Robertson & Murachver, 2007), cujos valores obtidos oscilavam entre os 8% (Caetano et al., 2009) e os 35% (Chang et al., 2009). Outros estudos concluíram pela simetria entre os sexos (e.g., Gómez et al., 2009; Schluter et al., 2007) e outros pela defesa de que os homens são mais vitimados nas relações íntimas, comparativamente às mulheres (e.g., Hines & Douglas, 2010).

 

Discussão

A análise dos estudos de prevalência evidencia que os homens também são vítimas de violência na intimidade. Esta revisão destaca diferenças substanciais nas metodologias eleitas, no tamanho e proveniência das amostras, nos períodos temporais contemplados e nos tipos de violência analisados. Além disso, nem todos os estudos disponibilizam os mesmos resultados, o que torna difícil realizar comparações: a título de exemplo, há estudos que apenas reportam dados relativos à violência menor e grave ou que apenas fornecem valores totais. Não obstante, os resultados obtidos permitem-nos tecer algumas considerações importantes.

De uma forma geral, torna-se evidente que a violência ao longo da vida é superior à violência ocorrida no último ano e que é nas amostras não representativas e sem recurso ao CTS que são obtidos os valores percentuais mais elevados de prevalência. No que se refere à vitimação ao longo da vida, este dado encontra-se de acordo com a literatura da especialidade. Porém, o mesmo não se aplica no que diz respeito à amostra ou ao instrumento de medida. Relativamente à amostra, a literatura parece consensual ao relatar que, nas amostras da comunidade, as taxas de prevalência da vitimação masculina e feminina são frequentemente equivalentes (e.g., Archer, 2000). Contudo, nesta revisão, esse mesmo dado não foi encontrado nos estudos com amostras representativas da população (Breiding et al., 2008; Breiding et al., 2009; Parish et al., 2004; Tjaden & Thones, 2000; Watson & Parsons, 2005). Na origem desta divergência parecem estar as diferenças na coleta destas amostras. Algumas dessas sondagens, muitas vezes, são recolhidas em estudos apresentados à população de diferentes formas – estudos sobre segurança pessoal, sobre saúde/bem-estar, crime, etc., tal como acontece nos estudos anteriormente referidos que são apresentados, respectivamente, como sondagens de segurança pessoal, de saúde e de crime (e.g., Esquivel-Santoveña & Dixon, 2012; Hines & Malley-Morrison, 2001). A revisão da literatura de Esquivel-Santoveña e Dixon (2012) revela que nas sondagens que são apresentadas aos participantes no contexto da avaliação de perturbações mentais, abuso de álcool ou assuntos relacionados com a saúde, são menos propensas a produzir relatos precisos, na medida em que o contexto não conduz os participantes a pensarem, especificamente, acerca das suas relações íntimas. Ainda a respeito das amostras, é necessário fazer a mesma reflexão no que se refere às amostras não representativas. Os resultados variam, consideravelmente, consoante a amostra seja recolhida na comunidade ou seja uma amostra clínica; e/ou o contexto da sua coleta seja a sala de espera de um centro de saúde/hospital ou em contextos diversos. Por exemplo, amostras recolhidas em centros de saúde ou emergências de hospitais, como é o caso do estudo de Schraiber et al. (2012) e Swahnberg et al. (2009), revelam taxas de vitimação inferiores a amostras recolhidas na comunidade ou amostras recolhidas a partir de linhas telefônicas ou instituições de apoio à vítima, como é o caso de Hines et al. (2007) e Drijbern et al. (2012). No entanto, este não é um dado consensual, uma vez que o estudo de Paul et al. (2006), recolhido igualmente em contexto de saúde, revelou taxas de prevalência mais elevadas. Uma das potenciais explicações para este dado pode ser o método de coleta de dados – entrevistas face-a-face, entrevistas telefônicas, preenchimento de instrumentos pelo participante, preenchimento de instrumentos administrados por um investigador. A atual revisão evidencia que o preenchimento de instrumentos pelo participante parece facilitar a revelação da vitimação (e.g., Paul et al., 2006). Um outro aspecto a considerar é que as sondagens podem não medir o real número de vítimas, mas antes o número de participantes que é capaz de relatar a vitimação (Alhabib, Nur, & Jones, 2010). A este respeito, parece-nos evidente que o recurso a diferentes estratégias de inquérito (e.g., auto-relatos de ofensas, auto-relatos de vitimação, relatos retrospetivos) tem conduzido a uma situação algo paradoxal, em que a proliferação dos estudos existentes é acompanhada por alguma dificuldade em delimitar a real amplitude do fenômeno. Outra variável que pode ainda contribuir para este panorama já tão complexo é a diferença encontrada entre os relatos proferidos por homens e por mulheres (e.g., Chan, 2011). Efetivamente, as diferenças no relato, consoante o sexo, podem ser uma explicação para os resultados ambíguos e inconclusivos em estudos anteriores. Consequentemente, as taxas de prevalência captadas variam consoante a amostra e a metodologia utilizada. É também de considerar a este respeito a noção algo consensual de que os homens procuram menos ajuda do que as mulheres (e.g., Barber, 2008), fator que pode, igualmente, influenciar os resultados e as conclusões obtidas. O comprometimento com os valores culturais vigentes, a noção de que o homem deve resolver os seus problemas per si, e a história pública da violência – ou seja, as mulheres como vítimas e os homens como agressores -, são algumas das razões pelas quais os homens vítimas poderão surgir em menor número nos dados referentes à prevalência do fenômeno em assunto (Cheung et al., 2009; Dempsey, 2013). Por fim, no que concerne ao CTS, há um certo consenso acerca deste redundar em valores similares de perpetração entre homens e mulheres (e.g., Archer, 2000; Nowinski & Bowen, 2012). Todavia, este dado não foi confirmado por esta análise, na medida em que a não utilização do CTS resultou em taxas superiores de prevalência de vitimação. Ainda a respeito do CTS, apesar de ser um instrumento amplamente utilizado, o mesmo não está isento a críticas (e.g., não avalia as motivações, intenções e consequências dos comportamentos violentos, e.g., Archer, 2000).

Em suma, é evidente a heterogeneidade encontrada entre os estudos. Ao captar-se estas diferenças metodológicas, esta revisão revelou que, quer a medição da violência na intimidade, quer a exatidão dos seus relatos, estão repletas de controvérsias e ambiguidades, sendo necessário mais trabalho nesta área. A escolha das medidas e metodologias utilizadas para estabelecer a prevalência da vitimação contra os homens na intimidade tem um impacto muito significativo sobre as taxas de prevalência relatadas (Waltermauren, 2005, citado por Alhabib et al., 2010; Cook, 2009). Por outro lado, os posicionamentos teóricos sobre a natureza da violência na intimidade informam a forma como os investigadores definem o problema e o respectivo desenho da investigação para captar o fenômeno (Esquivel-Santoveña & Dixon, 2012).

 

Limitações

Os resultados anteriormente discutidos necessitam de ser cuidadosamente interpretados, na medida em que esta revisão encontrou algumas limitações nos estudos considerados para se apurar a prevalência, algumas das quais parecem, inclusive, intrínsecas ao próprio campo de investigação. Assim, um dos primeiros entraves diz respeito ao conceito de violência na intimidade utilizado nos estudos revistos. A ausência de uma definição clara de violência e a variabilidade de termos utilizada – domestic violence, intimate partner violence, couple violence – contribuem para as diferenças encontradas ao nível das taxas de prevalência (e.g., Caridade, 2008). Outra condição capaz de produzir alguma disparidade ao nível dos indicadores de prevalência é a natureza da medida utilizada – o tipo de violência medido e a grande variabilidade de instrumentos utilizados na medição dos comportamentos violentos. De igual modo, alguns viés de amostragem – amostras de conveniência, números díspares de homens e mulheres, amostras que não contemplam o respectivo par do casal – contribuem, igualmente, para a inconstância encontrada nos níveis de prevalência. Ainda relativamente à amostra, alguns fatores contribuem para que possa ser menos rigorosa e não exaustiva. Esta revisão revelou que existem poucos estudos representativos e que apenas uma minoria é realizada com o recurso ao CTS. Por outro lado, na maioria dos estudos não é questionada a orientação sexual dos participantes, o que pode levar a que os dados estejam subcaracterizados. Uma outra limitação evidente é a ausência de dados no que concerne aos diferentes tipos de vitimação sofridos separadamente e aos valores totais de prevalência de vitimação, para que as comparações possam ser mais rigorosas. A par disso, os diversos períodos temporais contemplados nos estudos, contribuem, paralelamente, para a grande dispersão das taxas de prevalência registadas (Glass et al., 2003, citado por Caridade, 2008). Analogamente, esta revisão permitiu identificar outras insuficiências e lacunas nas investigações levadas a cabo, tais como a escassez de estudos longitudinais e de estudos desenvolvidos com casais. Estes últimos permitiriam cruzar alguns dados e aumentar a coerência dos inter-relatos. Por outro lado, a ausência de instrumentos construídos tendo em conta as idiossincrasias da população masculina é outra evidência, assistindo-se a uma genderização dos instrumentos com um viés feminino.

 

Conclusão

Examinar os estudos de prevalência que contemplassem homens vítimas nas suas relações íntimas, por parte das parceiras/ex-parceiras, era objetivo desta revisão. A análise da bibliografia disponível permitiu-nos (com)provar que os homens também são vítimas na intimidade. Em particular, vítimas de violência moderada e na sua maioria de violência psicológica. Não obstante, a investigação empírica tem, tal como foi evidenciado neste estudo, enfrentado alguns problemas concetuais e metodológicos (e.g., tipo de amostragem, tipo de violência medido, intervalo temporal considerado) (Glass et al., 2003, citado por Caridade, 2008), os quais têm produzido resultados extremamente variáveis e de difícil interpretação que, inevitavelmente, se repercutem nas taxas de prevalência registadas (e.g., Cook, 2009). Nesse sentido, é imperativo que as investigações nesta área adotem uma abordagem inclusiva de gênero (i.e., utilização de amostras mistas; estudos que meçam quer a vitimação quer a perpretação) e metodologias orientadas para ambos os sexos relatarem as suas experiências (i.e., coleta de amostras em contextos diversos; criação de instrumentos com uma linguagem neutra de gênero e/ou que contemplem as especificidades da violência contra os homens). Apenas dessa forma será possível compreender a natureza deste problema (Esquivel-Santoveña & Dixon, 2012). Ainda assim, estaremos provavelmente hoje a assistir a uma mudança cultural no sentido de uma aceitação progressiva de que homens e mulheres podem ser tanto perpetradores como vítimas de violência na intimidade (e.g., Randle & Graham, 2011).

 

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Agradecimento

À Fundação para a Ciência e Tecnologia pela Bolsa de doutoramento concedida - SFRH/BD/76309/2011.

 

 

Submissão em: 18/07/2013
Aceite em: 18/08/2014

 

 

Andreia Machado é Mestre em Psicologia da Justiça. Atualmente é bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, desenvolvendo o seu projeto na Escola de Psicologia da Universidade do Minho, com o tema: "Homens de que não se fala: as vítimas esquecidas da violência na intimidade". Endereço: Escola de Psicologia, Universidade do Minho-Campus de Gualtar. Braga, Portugal. CP 4710-053. Email: andreiamachado@psi.uminho.pt

Marlene Matos é Doutorada em Psicologia da Justiça; Professora Auxiliar na Escola de Psicologia da Universidade do Minho, Portugal. Endereço: Escola de Psicologia, Universidade do Minho; Campus de Gualtar. Braga, Portugal. CP 4710-053. Email: mmatos@psi.uminho.pt

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