SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.27 número3INTERVENÇÃO COM JOVENS EM SITUAÇÃO DE RUA: PROBLEMATIZANDO CUIDADO E CONTROLEDOCÊNCIA E CONCEPÇÕES DE SEXUALIDADE NA EDUCAÇÃO BÁSICA índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Psicologia & Sociedade

versão impressa ISSN 0102-7182versão On-line ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.27 no.3 Belo Horizonte set./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1807-03102015v27n3p548 

ARTIGOS

IMIGRANTES E SOCIEDADE DE ACOLHIMENTO: PERCEPÇÕES E REALIDADES NO CASO DE PORTUGAL

INMIGRANTES Y PAÍS DE ACOGIDA: PERCEPCIONES Y REALIDADES EN EL CASO DE PORTUGAL

IMMIGRANTS AND HOST SOCIETY : PERCEPTIONS AND REALITIES OF THE PORTUGAL CASE

Cátia Sousa1 

Gabriela Gonçalves2 

1Universidade do Algarve, Faro, Portugal

2Universidade do Algarve, Faro, Portugal

Resumo

A imigração e o seu impacto nas sociedades são um dos maiores desafios sociais do século XXI. Tanto a população imigrante como a população de acolhimento, optam por diferentes estratégias de aculturação. Com o objetivo de analisar as perceções de imigrantes e sociedade de acolhimento, face a questões como a aculturação, a discriminação, a ameaça, a integração ou as barreiras linguísticas em Portugal, desenvolvemos um estudo qualitativo. Foram realizadas 40 entrevistas (20 imigrantes de diferentes nacionalidades e 20 portugueses), cujos resultados indicam que tanto os imigrantes como a sociedade de acolhimento são favoráveis à integração. Os portugueses não se consideram discriminatórios e em geral, todos os imigrantes se sentem integrados em Portugal. Em síntese, Portugal, aparenta ser um país aberto à diversidade de culturas e um país hospitaleiro, tanto que os imigrantes se sentem bem e não pretendem abandonar o país.

Palavras-chave: imigração; sociedade de acolhimento; aculturação; discriminação

Resumen

La inmigración y su impacto en las sociedades es uno de los mayores desafíos del siglo XXI. Tanto la población inmigrante como la población de acogida optam por diferentes estrategias de aculturación. Con el objetivo de analizar las percepciones de inmigrantes y del país de acogida sobre questiones tales como la aculturación, la discriminación, la amenaza, la integración o las barreras lingüísticas, se llevó a cabo un estudio cualitativo. Se realizaron 40 entrevistas (20 inmigrantes de diferentes nacionalidades y 20 de nacionalidad Portuguesa). Los resultados mostraron que tanto los inmigrantes como el país de acogida son favorables a la integración. Los portugueses no percibieron que manifiesten conductas de discriminación y en general todos los inmigrantes se sintieron integrados en Portugal. Resumiendo, Portugal parece ser un país abierto a la diversidad de culturas y un país hospitalario, donde los inmigrantes se sienten bien y sin intenciones de abandonarlo.

Palabras clave: inmigración; país de acogida; aculturación; discriminación

Abstract

Immigration and its impact on societies is one of the main social challenges of the 21st century. Both immigrants and the host society choose different acculturation strategies. To analyze the perceptions that both immigrants and their host society have on questions regarding acculturation, discrimination, threat, integration, or linguistic barriers in Portugal, we carried out a qualitative study. We interviewed forty people (20 immigrants of different nationalities and 20 Portuguese) and results show that both immigrants and the host society choose integration. The Portuguese don't consider themselves to be discriminatory people, and in general, immigrants feel integrated in Portugal. To sum up, Portugal seems to be a welcoming country, open to cultural diversity; a place where immigrants feel well and don't intend to leave.

Keywords: immigration; host society; acculturation; discrimination

Introdução

Afinal, porque imigram as pessoas? Os motivos são variados (e.g., procura de melhores condições de vida, de trabalho e melhor salário, objetivos associados à carreira e satisfação profissional, união da família, necessidades de sobrevivência [fuga a guerras e/ou conflitos]). Os fluxos migratórios são uma das dimensões mais visíveis do processo de globalização mundial (Rourke & Sinnott, 2003) sendo a imigração a terceira maior força na alteração da população, precedida pela fertilidade e pela mortalidade (Bongaarts & Bulatao, 2000). Uma vez que a imigração é um fenómeno que afeta não só os imigrantes, mas também as sociedades de acolhimento (Akay, Constant, & Giulietti, 2014), este estudo qualitativo tem como objetivo analisar as perceções quer de imigrantes que residem em Portugal, quer da população Portuguesa, como sociedade de acolhimento.

Durante a segunda metade do séc. XX muitos países europeus transformaram-se em países de imigração e a adaptação intercultural, tornou-se um conceito chave para as sociedades de imigração. Vários modelos teóricos têm sido desenvolvidos ao longo dos anos relativamente ao processo de adaptação intercultural, incluindo mudanças nas atitudes, valores, comportamentos, língua e identidade cultural (Van Oudenhoven, Ward, & Masgoret, 2006). Um dos modelos mais citados na literatura da psicologia social e da psicologia cultural é o modelo de aculturação de Berry (1997). Berry (1997) considera que os imigrantes podem optar pela manutenção ou pelo abandono da sua cultura de origem (dimensão manutenção da cultura), assim como manter muito ou pouco contacto com os membros da sociedade de acolhimento (dimensão contacto intercultural). A combinação destas duas dimensões resulta em quatro estratégias de aculturação: (a) assimilação, (b) integração, (c) separação e (d) marginalização. A integração, em comparação com as restantes estratégias de aculturação, tem sido apontada como a estratégia mais benéfica para os imigrantes se incorporarem na nova sociedade (Berry, 1997), pois permite-lhes manter as normas e valores de sua cultura de origem e manter contacto com os membros da nova comunidade. Embora o modelo de Berry seja apenas focado nos grupos minoritários, tanto Berry como outros investigadores têm realçado a importância das preferências de aculturação dos membros da sociedade de acolhimento (e.g., Berry, 1997, 1999; Berry, Poortinga, Segall, & Dasen, 1992; Bourhis, Moïse, Perreault, & Senécal, 1997). Assim, quando existe uma discordância nas estratégias de aculturação, podem surgir algumas situações de discriminação, preconceitos ou conflitos. Este tipo de atitudes negativas de um grupo face a outro, são, de acordo com a hipótese de contacto (Allport, 1954), causadas pela falta de conhecimento sobre os grupos. Nesse sentido, a discriminação é uma consequência da falta de contacto com outros indivíduos ou grupos. O contacto entre grupos, ao proporcionar experiências positivas, acentua a perceção de semelhança entre os membros de grupos diferentes. Deste modo, a comunicação apresenta-se como um fator de extrema importância em todo o processo de aculturação e integração numa nova cultura. Além disso, as competências linguísticas têm sido consideradas como um fator determinante para a integração social e económica dos imigrantes na sociedade de acolhimento (Isphording & Otten, 2014).

Toda esta realidade subjacente à imigração, como a aculturação, a discriminação, a comunicação ou as estratégias de integração, tornam pertinente o nosso estudo, nomeadamente em contexto português. Portugal, é um país tradicionalmente marcado pela emigração e imigração, o que o transforma num estado multiétnico e multicultural (Fonseca, 2008). De acordo com o relatório anual do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF, 2013), o número de imigrantes em Portugal no ano de 2013, rondava os 401320 cidadãos com título de residência válido. A nacionalidade brasileira é a principal comunidade estrangeira residente contando com cerca de 92120 cidadãos (23%). De registar também nos últimos anos, um aumento dos vistos de estudantes, nomeadamente de nacionalidade angolana e brasileira. Face à diversidade cultural que caracteriza Portugal, e com o objetivo analisar as perceções de imigrantes e sociedade de acolhimento, face a questões como a aculturação, a discriminação, a ameaça, a integração ou as barreiras linguísticas em Portugal, desenvolvemos um estudo qualitativo, baseado em entrevistas semiestruturadas realizadas a uma amostra de imigrantes de várias nacionalidades e a uma amostra de portugueses.

Método

A amostra da população imigrante foi recolhida por acessibilidade e foram considerados como critérios de inclusão indivíduos maiores de 18 anos, de nacionalidade estrangeira e residentes em Portugal no mínimo há um ano. Em relação à população Portuguesa, a amostra foi recolhida por acessibilidade e foram considerados como critérios de inclusão indivíduos maiores de 18 anos, de nacionalidade portuguesa e residentes em Portugal. A aplicação das entrevistas foi autorizada pela Comissão Científica (entidade responsável que regula os procedimentos e garantias éticas das investigações). As entrevistas foram realizadas com o consentimento informado dos indivíduos, que leram e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), assegurando-lhes assim o carácter confidencial e anónimo das suas respostas. As entrevistas decorreram em ambiente individual e em tom informal, e nas quais foi mantida uma postura neutra. A sua aplicação demorou entre 30 a 60 minutos e todas foram realizadas pelo mesmo entrevistador. A recolha das entrevistas decorreu durante o mês de outubro de 2014.

Instrumento e análise de dados

As entrevistas semiestruturadas foram conduzidas de acordo com um guião construído em função das questões que pretendíamos explorar. Para a sua construção, foram consultados especialistas na área da imigração e sua problemática, e foi realizada uma revisão de literatura sobre os tópicos aqui apresentados, de modo a construir um instrumento que permitisse aprofundar as nossas questões de partida. Em relação ao guião da entrevista realizada à população imigrante, e na eventualidade de nem todos os imigrantes falarem português, o guião foi traduzido do português para o inglês por dois tradutores bilingues, de modo independente. O guião aborda temas como o motivo da imigração, as dificuldades de adaptação, a discriminação e a comunicação. Foi ainda contemplada uma questão referente ao grau de satisfação com a estadia em Portugal, operacionalizada numa escala crescente tipo Likert de 1 (Nada satisfeito) a 7 (Completamente satisfeito). O guião da entrevista para aplicação à população Portuguesa aborda temáticas como a integração dos imigrantes, a discriminação, os comportamentos e avaliação face à imigração e a comunicação intercultural. Foram consideradas algumas questões para avaliar a perceção da sociedade de acolhimento face ao enriquecimento da cultura, o desemprego e a necessidade de mão de obra imigrante, operacionalizadas numa escala crescente tipo Likert de 1 (Concordo totalmente) a 5 (Discordo totalmente); uma questão fechada relacionada com o sentimento face à presença de imigrantes, contemplando 6 respostas possíveis (1 - zangado(a), 2 - nervoso(a), 3 - ameaçado(a), 4 - gosto da sua presença, 5 - indiferente e 6-outra); e por último foi colocada uma questão relacionada com o grau de satisfação face à presença de imigrantes em Portugal, avaliada pelos inquiridos através de uma escala de Likert de 7 pontos (1 - Nada satisfeito a 7 - Completamente satisfeito).

Para uma melhor caracterização de ambas as amostras foram também acrescentados itens relativos a características biográficas (idade, estado civil, número de filhos, nível educacional e situação profissional).

A análise qualitativa das entrevistas foi realizada com recurso à metodologia de análise de conteúdo (e.g., Bardin, 1997; Hsieh & Shannon, 2005; Moraes, 1999; Stemler, 2001) que consiste na definição de categorias de análise e contempla três etapas: pré-análise, formação de categorias e discussão dos dados (Bardin, 1997). Na etapa da pré-análise procedeu-se à leitura exaustiva das entrevistas; na segunda etapa procedeu-se à definição de categorias, orientada previamente pelo referencial teórico, e que permitiu determinar as unidades de análise principais: (a) motivo da imigração e da escolha do país, (b) preparação pré-partida e chegada ao país, (c) estratégias de aculturação, (d) discriminação, (e) comunicação intercultural, (f) satisfação com a decisão e (g) sentimento de pertença face a Portugal. Já no caso das entrevistas realizadas à população Portuguesa, estas basearam-se nas seguintes unidades de análise: (a) integração dos imigrantes, (b) atitudes/comportamentos face à imigração e ao imigrante e (c) comunicação intercultural. Na última e terceira etapa procedeu-se à interpretação do conteúdo das entrevistas e à discussão dos dados.

Resultados e discussão

População imigrante

A amostra final é composta por 20 indivíduos de várias nacionalidades, sendo 60% do género feminino (N = 12) e 40% do género masculino (N = 8). As idades encontram-se compreendidas entre os 20 e os 50 anos (M = 34.85; DP = 9.247). Em relação ao estado civil, cinco indivíduos são solteiros e os restantes são casados. Em relação ao nível educacional, 20% possui o Ensino Básico, 40% o Ensino Secundário, 25% possui uma licenciatura, 10% possui um Mestrado e 5% um doutoramento. Em relação à situação profissional apenas dois indivíduos se encontram desempregados, quatro são estudantes e os restantes estão empregados. Na tabela 1 é possível observar a caracterização sociodemográfica da amostra e respetivas nacionalidades dos inquiridos.

Tabela 1: Caracterização sociodemográfica da amostra de imigrantes 

Legenda : Género - F = Feminino, M = Masculino; Estado Civil - Solt. = Solteira(o); Cas. = Casada(o); Nível de Escolaridade - Lic. = Licenciatura, Mest. = Mestrado; Situação Profissional - Emp. = Empregada(o), Desemp. = Desempregada(o), Est. = Estudante.

Motivo da imigração e da escolha do país

Quando questionados acerca da razão da imigração, cinco dos entrevistados afirmam ter vindo para estudar, quatro dos quais através do programa Erasmus Mundus (Programa de cooperação e mobilidade de estudantes internacionais no âmbito do Ensino Superior). Doze vieram para trabalhar e ganhar dinheiro e três entrevistados vieram com a família. Em relação ao motivo da escolha do país, neste caso Portugal, os entrevistados que vieram para estudar escolheram o país devido aos seus cursos: "Não escolhi Portugal, foi Portugal que me escolheu porque a minha especialidade só existe em Portugal". Dez entrevistados escolheram Portugal porque já tinham cá família, dois vieram com os pais, uma entrevistada veio porque o cônjuge arranjou um trabalho em Portugal, um dos entrevistados brasileiros veio por causa da língua e porque tinha amigos cá e o outro compatriota porque arranjou trabalho.

Preparação pré-partida e chegada ao país

Acerca da questão "Antes de partir, preparou-se de alguma maneira para a sua integração em Portugal?" a maioria dos respondentes disse que não (N = 13), sendo que apenas sete dizem ter-se preparado através da leitura sobre alguns aspetos culturais de Portugal. No que diz respeito à criação de expectativas pré-partida, cinco inquiridos dizem não ter criado qualquer tipo de expectativa, quinze dizem que criaram, nomeadamente em relação ao emprego e à qualidade de vida: "Esperava arranjar um bom trabalho e uma boa casa", "A minha expectativa era arranjar trabalho rapidamente", "Pensava que o nível de trabalho e de vida seriam melhores que no Brasil" e em relação à aprendizagem da língua: "Aprender suficientemente a língua para praticar medicina em Portugal", "Esperava saber falar português dentro de um ano". Quando questionados sobre se as expectativas foram correspondidas, onze entrevistados afirmam que sim, um entrevistado afirma que não, um respondeu mais ou menos, e os entrevistados que pretendiam aprender a língua portuguesa afirmam que "A expectativa é difícil de alcançar" e que "A língua Portuguesa é muito difícil".

Em relação às principais dificuldades sentidas aquando da sua chegada ao país, dez entrevistados dizem que foi não saber falar português: "Não conhecia ninguém e não sabia falar português, mas em dois meses já sabia algumas coisas", "A língua portuguesa, e poucos falam inglês", um entrevistado diz terem sido as burocracias, nomeadamente a obtenção de residência, dois afirmam que a maior dificuldade sentida foi a interação com o povo português: "A minha principal dificuldade foi lidar com a maneira de ser dos portugueses. São muito fechados e reservados". Dois dos inquiridos afirmam que a maior dificuldade sentida foi arranjar trabalho e cinco dizem não ter sentido nenhuma dificuldade.

No respeitante ao sítio onde ficaram hospedados quando chegaram a Portugal, a maioria afirma ter ficado em casas alugadas (N = 9), em residências de estudantes (N = 4) e em casa de familiares ou amigos (N = 7). No momento da entrevista, sete inquiridos encontravam-se a residir no mesmo sítio onde ficaram aquando da sua chegada a Portugal. Os restantes encontram-se a residir em locais diferentes (N = 13), daqueles onde ficaram instalados num primeiro momento.

Estratégias de aculturação

Para tentar perceber qual o tipo de estratégia de aculturação, foi perguntado aos inquiridos o que fizeram para se integrar na nova cultura. Todos eles procuraram uma maneira de integração na sociedade, quer seja através de amizades e convívio ("Fazer amigos, conviver, sair e jantar com os amigos, ler o jornal desportivo", "Ia jogar à bola para conhecer amigos"), quer através da aprendizagem da língua Portuguesa ("Comprei um dicionário de português, ia ao café ouvir as pessoas a conversar, via televisão").

Em relação aos fatores que os imigrantes consideram mais importantes para se sentirem integrados todos referem "saber falar a língua" e "ter trabalho". No que diz respeito ao stress causado pela adaptação a uma nova cultura, a maioria afirmou lidar bem com o stress (N = 19) sendo que apenas um dos entrevistados afirma "Sofri algum stress, penso que é normal principalmente para os estudantes, mas desenvolvi técnicas para lidar com isso...aprendi a ser calmo e fiz amigos que me ajudaram". Em termos de adoção de hábitos e costumes portugueses, os mais adotados são a comida e a maneira de vestir (N = 12), os dias festivos (N = 2), quatro entrevistados afirmam não ter adquirido nenhum hábito e dois afirmam ter adquirido "todos" os hábitos.

A maioria dos imigrantes entrevistados considera que foi bem acolhida em Portugal (N = 17) e sente-se plenamente integrada em Portugal (N = 17) (Tabela 2). A entrevistada que não se sentiu bem acolhida afirma: "Fui muito discriminada. Tive dificuldades na escola" e o entrevistado que afirma não se sentir plenamente integrado diz: "Não completamente. Por causa da língua. E depois de casar deixei de sair tanto com os amigos, e a minha vida anda à volta de casa- trabalho e trabalho-casa".

Tabela 2: Acolhimento e integração em Portugal 

Sim Não Mais ou menos
Acha que a sociedade portuguesa o/a acolheu bem? N = 17 N = 1 N = 2
Neste momento sente-se plenamente integrado/a na sociedade portuguesa? N = 17 N = 1 N =2

Discriminação

A maioria dos imigrantes entrevistados afirma não ter experienciado qualquer tipo de discriminação (N = 18). Apenas dois dos inquiridos afirmam ter sido alvo de atitudes discriminatórias: "Bastante. Na escola. Nem conclui o 12º ano porque não aguentava mais", "Sim muitas vezes. Acham que os brasileiros são pobres e que as mulheres são todas iguais". Em relação ao motivo da discriminação, afirmam: "Só por ser brasileira e por ser mulher"; "Só por ser brasileira. Consideram que as mulheres brasileiras são todas iguais, 'piriguetes'". Para evitarem a discriminação, as entrevistadas afirmam não ter utilizado nenhuma estratégia: "Como nunca mudou, não. Não há estratégia para evitá-la". A maioria dos entrevistados afirma não se ter preocupado com a questão da discriminação antes de partir para cá (N = 19). Apenas um entrevistado afirmou que: "Sim, porque sou árabe e muçulmano".

Comunicação intercultural

Com vista ao conhecimento das questões relacionadas com a comunicação intercultural, foi perguntado aos entrevistados o que pensam da interação entre a sua comunidade e a comunidade portuguesa. A maioria afirma existir uma boa relação (N = 19) e um entrevistado considera existir uma relação neutra. No que toca à língua em que comunicam em casa, oito inquiridos afirmam comunicar na sua língua materna, quatro falam ambas as línguas, cerca de seis falam português e os dois estudantes polacos falam inglês. A maioria diz não frequentar nenhum curso de aprendizagem de língua Portuguesa (N = 10), sendo que apenas três respondentes se encontram a frequentar um curso e sete já frequentaram. Cerca de metade dos entrevistados frequentam associações das suas comunidades de origem e participam nas atividades desenvolvidas nas mesmas.

Satisfação com a decisão

Todos os entrevistados (N = 20) dizem sentir-se bem em Portugal. Quanto ao grau de satisfação com a decisão de ter vindo para Portugal, apenas um entrevistado está descontente "Estou pouco satisfeito porque estou desempregado", os restantes estão satisfeitos (N = 6), muito satisfeitos (N = 11) e completamente satisfeitos (N = 2). Quando questionados acerca da sua intenção de voltar ao país de origem, apenas três entrevistados pretendem regressar, outro diz que "Não... não gosto do Brasil. Nem de férias quero ir..", os restantes afirmam ir apenas de visita (N = 12) ou de férias (N = 4). Se voltassem atrás a maioria dos entrevistados voltaria a tomar a decisão de vir para Portugal (N = 17), sendo que os restantes (N = 3) afirmam que não voltariam: "Teria escolhido outro país. Em Portugal há poucas oportunidades. A crise financeira é muito difícil. Provavelmente teria ido para a Alemanha." Se os entrevistados tivessem de aconselhar os amigos em relação a virem para Portugal, nove entrevistados dir-lhes-iam para não virem porque "Há pouco trabalho", "Está mal de trabalho". Dois responderam que dependia (se viessem de férias sim, mas para trabalhar não) e os restantes (N = 9), partilham de uma opinião diferente: "Diria que em Portugal a vida é muito boa. Os portugueses são calmos e bons. O meu marido diz que Portugal é o melhor sítio do mundo", "Diria para virem. Portugal é um bom país, acolhedor", "Para tentarem aprender um pouco de português para uma comunicação mais fácil".

Sentimento de pertença a Portugal

As opiniões dividem-se, onze entrevistados sentem-se mais portugueses em comparação com a sua nacionalidade, quatro sentem-se de ambas as nacionalidades, cinco sentem-se mais da sua nacionalidade de origem, em parte porque estão em Portugal há relativamente pouco tempo.

População Portuguesa

A amostra final é composta por 20 indivíduos, sendo 50% do género masculino (N = 10) e 50% do género feminino (N = 10). As idades encontram-se compreendidas entre os 25 e os 76 anos (M = 42.15; DP = 14.897). Em relação ao estado civil, dez inquiridos são solteiros e nove são casados ou vivem em união de facto e um é divorciado. Em relação ao nível educacional, um indivíduo possui o Ensino Primário (5%), dois possuem o Ensino Básico (10%), 25% possui o Ensino Secundário (N = 5), 35% possui Licenciatura, 15% possui um mestrado (N = 3), e dois possuem um doutoramento (10%). Em relação à situação profissional 50% dos entrevistados está empregado, 30% está desempregado, e 20% encontra-se reformado.

Integração dos imigrantes na sociedade Portuguesa

Os entrevistados consideram que os imigrantes se tentam adaptar, embora alguns não se esforcem para se integrar na sociedade Portuguesa, e consideram que os portugueses partilham da mesma opinião (Tabela 3).

Tabela 3: Preferências e percepção das estratégias de aculturação da população Portuguesa 

Integram-se Não se integram Uns sim, outros não
Considera que os imigrantes se tentam adaptar à cultura portuguesa e integrar-se na sociedade, ou, por outro lado, considera que eles se fecham na sua própria cultura? N = 12 N = 3 N = 5
E em relação à sociedade Portuguesa, qual acha ser a opinião dos portugueses face à integração dos imigrantes? N = 12 N = 3 N = 5

No que concerne à adoção de costumes e regras da sociedade Portuguesa, a maioria dos entrevistados (N = 16) considera que os imigrantes devem adotar os costumes portugueses, mas apenas alguns: "Adotar todos não, podem respeitar algumas crenças deles mas desde que não entrem em conflito com as regras da sociedade de acolhimento", "Penso que não devem adotar todos os nossos hábitos, devem manter a religião deles", "Devem adotar os costumes e hábitos necessários para se integrarem na sociedade". Alguns consideram que "Devem manter os seu costumes" e outro diz "Deve haver liberdade de escolha".

Perceção face à imigração e ao imigrante

Todos os entrevistados consideram que os imigrantes enriquecem a cultura portuguesa, e a maioria considera que todos devem ter oportunidades iguais. Em relação à necessidade de mão de obra imigrante a maioria considera que não é necessária (Tabela 4).

Tabela 4: Atitudes face ao valor, igualdade e necessidade do imigrante 

Discordo Concordo
Os imigrantes enriquecem a cultura portuguesa N = 2 N = 18
Portugal necessita de mão de obra imigrante para trabalhar nalguns setores da economia. N = 17 N = 3 Setores indiferenciados e setor da saúde, indústria e tecnologia
Todos os imigrantes devem ter oportunidades iguais aos portugueses N = 5 N = 15

Em relação à perceção de ameaça, a maioria dos entrevistados (N = 13) refere que os imigrantes são uma mais valia, três consideram uma ameaça e quatro dos entrevistados afirmam que há uns que são uma mais valia, outros são uma ameaça: "Acho que são uma mais valia se vierem com boas intenções, ou seja, para trabalhar. Mas são uma ameaça se vêm para roubar, em esquemas, máfias, etc." Apesar de tudo, apenas dois entrevistados dizem sentir-se ameaçados, em termos de segurança física, pela presença de imigrantes. Em relação aos sentimentos, a maioria (N = 11) afirma que a presença de imigrantes em Portugal lhes é indiferente, seis dos inquiridos afirmam gostar da sua presença e três afirmam sentir-se ansiosos e receosos. Quando questionados se a presença de imigrantes em Portugal faz aumentar o desemprego, nove concordam e onze discordam. Contudo, a maioria (N = 18) afirma que perante a atual situação do país (nível de desemprego elevado), a entrada de mais imigrantes não é bem-vinda "Não há emprego para os de cá, quanto mais para os de fora", com exceção de dois indivíduos que consideram que "São sempre bem-vindos" e que "Há lugar para todos". Em relação às preferências pela nacionalidade dos imigrantes alguns consideram ser indiferente (N = 14) "É-me indiferente porque há bons e maus em todas as nacionalidades", "Acho que a nacionalidade é importante, mas a mim é-me indiferente", outros denotam alguma preferência (N = 6) "Há um estereótipo em relação aos romenos. Aqueles que já estão identificados com atividades criminais já não são bem-vindos", "Simpatizo mais com ucranianos e menos com romenos, búlgaros e de países africanos", "Pessoalmente simpatizo mais com brasileiros, mas não me faz diferença."

No que respeita à ajuda que deve ser dada aos imigrantes, treze indivíduos consideram que os imigrantes devem ser ajudados e sete consideram que apenas aqueles que se encontram integrados é que devem receber ajuda, ainda que de acordo com alguns critérios: "Devem ser ajudados durante um ano como na França, mas depois deveriam ser independentes. Já temos muitos fardos para carregar", "Até certo ponto sim, mas não para andarem a receber subsídios sem fazer nada", "Em caso de necessidade sim". A maioria dos entrevistados (N = 18) concorda que aqueles que não têm trabalho deveriam ser obrigados a sair do país, e no respeitante à satisfação com a sua presença, as opiniões dividem-se entre pouco satisfeitos (N = 4), satisfeitos (N = 4) e indiferentes (N = 12).

Relativamente ao tema discriminação, todos os entrevistados concordam que Portugal é um país multicultural e aberto à diversidade de culturas, que não é um país discriminatório e todos se consideram pessoas abertas à diversidade cultural.

Comunicação intercultural

Relativamente à comunicação todos os entrevistados afirmam gostar de comunicar com pessoas de outras nacionalidades, mostrando-se compreensivos (N = 10), tolerantes (N = 6) e simpáticos (N = 4), quando comunicam com estrangeiros que não dominam a língua portuguesa. Por outro lado, todos consideram que os imigrantes devem comunicar em português entre si, quando se encontram em contexto escolar, profissional ou em frente de portugueses. Em relação ao grau de contacto que os entrevistados mantêm com indivíduos de outras nacionalidades, este varia entre algumas vezes e bastantes vezes em contexto profissional (excetuando os indivíduos que se encontram reformados ou desempregados). Em contexto familiar o contacto situa-se entre quase nunca e regularmente, à exceção de dois entrevistados que afirmam contactar com familiares estrangeiros regularmente e bastantes vezes.

Considerações finais

Para responder ao desafio da imigração e da multiculturalidade, torna-se pertinente aprofundar conhecimentos sobre determinadas orientações de aculturação, dificuldades e perceções, quer do indivíduo imigrante quer do indivíduo que acolhe. Assim, este estudo teve como objetivo analisar as perceções quer dos imigrantes quer da sociedade de acolhimento, face a questões como a aculturação, a discriminação, a ameaça, a integração ou as barreiras linguísticas em Portugal. Historicamente, Portugal foi e é um país de imigração e emigração. Tal realidade é corroborada pela perceção que todos os portugueses entrevistados têm em relação ao país, e a si próprios, i.e., abertura à multiculturalidade e à diversidade de culturas e não discriminatórios. Esta atitude de abertura é favorável à integração, aliás, a maioria afirma preferir que os imigrantes se integrem na sociedade Portuguesa mantendo alguns dos seus hábitos, nomeadamente a sua religião. Esta foi também a estratégia escolhida pelos imigrantes entrevistados. Esta evidência, vai ao encontro de investigações realizadas que têm demonstrado que manter certos aspetos da cultura de origem são saudáveis para a saúde psicossocial do grupo minoritário (e.g., Berry, 1997). Aliás, como referido por Berry (1997), a integração é a estratégia mais benéfica para os imigrantes já que lhes permite manter os seus hábitos e ao mesmo tempo adquirir costumes da sociedade de acolhimento. Esta estratégia permite-lhes ainda usufruir de um sentimento de pertença às duas culturas sem comprometer a sua identidade cultural, o que é visível nos resultados. Alguns sentem-se de ambas as nacionalidades, todos se sentem bem em Portugal e a maioria está satisfeita com a decisão de ter vindo para Portugal, tanto que não pretendem voltar ao seu país de origem. Tal situação, não será de estranhar, já que de acordo com o Índex de Políticas de Integração de Migrantes (MIPEX III), Portugal encontra-se no 2º lugar como um dos países que melhor acolhe e integra os imigrantes (Huddleston, Niessen, Chaoimh, & White, 2011), denotando uma atitude favorável ao diálogo e à interação intercultural. Uma das razões para esta abertura poderá estar relacionada com os níveis de inteligência cultural e de personalidade multicultural da população Portuguesa, que permitem aos indivíduos lidar de forma mais eficaz com as diferenças culturais (Sousa, Gonçalves, Reis, & Santos, 2015; Sousa, Gonçalves, Orgambídez-Ramos, & Santos, no prelo).

Relativamente a situações de discriminação, estereótipos negativos ou preconceitos, apenas duas entrevistadas afirmaram ter experienciado atitudes discriminatórias, pelo simples facto de serem de nacionalidade brasileira e por serem mulheres (categorias sociais nacionalidade e género). Ou seja, sofreram uma desindividualização na medida em que a sua identidade social é sobrevalorizada em termos de julgabilidade e em detrimento da sua identidade individual. De salientar também, que alguns membros da sociedade de acolhimento, referiram simpatizar menos com algumas nacionalidades (e.g., romenos, búlgaros e africanos) e mais com outras (e.g., ucranianos). Isto evidencia uma ameaça simbólica, já que se refere à nacionalidade dos indivíduos. Para uma análise mais profunda, seria interessante investigar a causa destes estereótipos, com vista à construção de um modelo de intervenção, para redução de atitudes negativas face a indivíduos destas nacionalidades. A perceção de semelhança intergrupo ou contacto, poderiam funcionar como variáveis mediadoras desta intervenção, já que de acordo com estudos realizados a perceção de semelhança intergrupo pode funcionar como um principio organizador das atitudes multiculturais (e.g., Osch & Breugelmans, 2012), e o contacto intercultural poderá melhorar as atitudes face aos imigrantes, reduzindo o preconceito e a ansiedade, e aumentando a empatia (e.g., Van Oudenhoven, Groenewoud, & Hewstone, 1996). Além disso, saber falar a língua é o fator primordial apontado pela população imigrante para a sua integração mais plena na sociedade de acolhimento. Nesta perspetiva, todos os entrevistados consideraram importante aprender a língua Portuguesa (ou pelos menos tentar) assim como comunicarem com os membros da sociedade de acolhimento. Por seu turno, também a sociedade de acolhimento considera fundamental a comunicação intercultural, para uma melhor integração dos imigrantes na nova cultura. De notar contudo, que alguns indivíduos evidenciaram dificuldades significativas na aprendizagem da língua (como os dois entrevistados muçulmanos, o que pode estar relacionado com a distância entre as línguas). Investigações futuras poderiam debruçar-se sobre as consequências da distância linguística entre as línguas (Isphording & Otten, 2014) o que permitiria por exemplo, uma melhor adequação das aulas de língua Portuguesa. A importância da comunicação é bem visível, nomeadamente para os imigrantes, já que o conhecimento da língua facilita-lhes resolver a sua situação profissional, quer em termos de estudo, quer em termos de trabalho. Além disso, arranjar trabalho foi apontado como a principal razão da imigração. Relativamente a este assunto e tendo em conta a atual situação de desemprego vivida no país, a população Portuguesa é unânime no que diz respeito à entrada de mais imigrantes no país, considerando que estes não devem vir para Portugal e que, aqueles que estão desempregados devem abandonar o país. Além disso, a maioria afirma que Portugal não necessita de mão de obra estrangeira. O sentimento face à questão do emprego por parte da sociedade de acolhimento, pode ser traduzido como uma ameaça realista, apesar de a maioria da população ter afirmado não se sentir ameaçada em nenhuma esfera da sua vida (excetuando dois indivíduos que temem pela sua segurança física), considerando até que os imigrantes são uma mais valia (caso venham com boas intenções) e que de certo modo, enriquecem a cultura Portuguesa. De notar, que os imigrantes entrevistados fazem parte de um grupo que imigrou com vista à obtenção de um trabalho, razão pelo qual necessitaram de se esforçar pela sua integração e pela aprendizagem da língua. Contudo, há uma "classe" de imigrantes estrangeiros que não exerce uma atividade laboral e que, como tal, não demonstra muito interesse em aprender a língua Portuguesa. São imigrantes que, por exemplo, vêm viver as sua reformas para Portugal e que tendem a fechar-se nas suas comunidades não mostrando grande abertura ao convívio com a sociedade de acolhimento. Seria interessante analisar esta categoria de indivíduos e tentar compreender as suas percepções face a Portugal como país de acolhimento, a sua estratégia de aculturação, estabelecendo uma comparação com os imigrantes que vêm a trabalho. Todos os imigrantes entrevistados vivem no Algarve, com exceção de um que reside no Porto. Assim, seria pertinente alargar a amostra a várias regiões do país, com vista a compreender as variações regionais em termos de acolhimento. Outra investigação pertinente seria a realização de um estudo longitudinal ou um focus group (Kitzinger, 1994, 1995) recolhendo dados junto dos imigrantes aquando da sua chegada ao país, e posteriormente, passado um ano ou mais, de modo a compreender a sua evolução e integração na sociedade de acolhimento.

Em síntese, parece existir uma boa relação entre a sociedade Portuguesa e a comunidade imigrante aqui residente. Apesar de se tratar de uma amostra reduzida, esta contempla cerca de dez nacionalidades, permitindo conhecer vários pontos de vista sobre um mesmo país. De um modo global a sociedade Portuguesa é aberta à diversidade de culturas e os imigrantes sentem-se integrados e satisfeitos em Portugal.

Agradecimento

Este trabalho foi financiado por Fundos Nacionais através da FCT - Fundação para Ciência e Tecnologia, projeto UID / SOC / 04020/2013.

Referências

Akay, A., Constant, A., & Giulietti, C. (2014). The impact of immigration on the well-being of natives. Journal of Economic Behavior & Organization103, 72-92. doi:10.1016/j.jebo.2014.03.024 [ Links ]

Allport, G. (1954). The nature of prejudice. Cambridge: Perseus Books. [ Links ]

Bardin, L. (1997). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70. [ Links ]

Berry, J. (1997). Immigration, acculturation and adaptation. Applied Psychology: An International Review46, 5-68. doi:10.1111/j.1464-0597.1997.tb01087.x [ Links ]

Berry, J. (1999). Intercultural relations in plural societies. Canadian Psychology40, 12-21. http://dx.doi.org/10.1037/h0086823Links ]

Berry, J., Poortinga, Y., Segall, M., & Dasen, P. (1992). Cross-cultural psychology: Research and applications New York: Cambridge University Press. [ Links ]

Bongaarts, J. & Bulatao, R. A. (Eds.). (2000). Beyond six billion: Forecasting the world's population. Washington, DC: National Academy Press. [ Links ]

Bourhis, R., Moïse, L., Perreault, S., & Senécal, S. (1997). Towards an interactive acculturation model: A social psychological approach. International Journal of Psychology32, 369-386. doi:10.1080/002075997400629 [ Links ]

Fonseca, M. (2008). Imigração, diversidade e novas paisagens étnicas e culturais. In M. Lages & A. Matos (Coords.), Portugal: percursos de interculturalidade, contextos e dinâmicas (Vol. 2, pp. 49-96). Lisboa: ACIDI, I.P. [ Links ]

Hsieh, H. & Shannon, S. (2005). Three approaches to qualitative content analysis. Qualitative Health Research15(9), 1277-1288. doi:10.1177/1049732305276687 [ Links ]

Huddleston, T., Niessen, J., Chaoimh, E., & White, M. (2011). Migrant Integration Policy Index (MIPEX III). Acesso em 23 de janeiro, 2015, em Acesso em 23 de janeiro, 2015, em http://www.mipex.eu/portugalLinks ]

Isphording, I. & Otten, S. (2014). Linguistic barriers in the destination language acquisition of immigrants. Journal of Economic Behavior & Organization 105, 30-50. Acesso em 12 de dezembro, 2014, em Acesso em 12 de dezembro, 2014, em http://ftp.iza.org/dp8090.pdfLinks ]

Kitzinger, J. (1994). The methodology of focus groups: the importance of interactions between research participants. Sociology of Health and Illness16, 103-121. doi:10.1111/1467-9566.ep11347023 [ Links ]

Kitzinger, J. (1995). Introducing focus groups. BMJ311, 299-302. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.311.7000.299Links ]

Moraes, R. (1999). Análise de conteúdo. Revista Educação22(37), 7-32. Acesso em 20 de dezembro, 2014, em Acesso em 20 de dezembro, 2014, em http://cliente.argo.com.br/~mgos/analise_de_conteudo_moraes.htmlLinks ]

Osch, Y. & Breugelmans, S. (2012). Perceived intergroup difference as an organizing principle of intercultural attitudes and acculturation attitudes. Journal of Cross-Cultural Psychology43, 801-821. doi:10.1177/0022022111407688 [ Links ]

Rourke, K. & Sinnott, R. (2003). Migration flows: Political economy of migration and the empirical challenges. Trinity College Dublin Economic Papers, 20036, 1-37. http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.495628Links ]

SEF. (2013). Relatório de imigração, fronteiras e asilo 2013 Acesso em 23 de janeiro, 2015, em Acesso em 23 de janeiro, 2015, em http://sefstat.sef.pt/Docs/Rifa_2013.pdfLinks ]

Sousa, C., Gonçalves, G., Orgambídez-Ramos, A., & Santos, J. (no prelo). Escala de Personalidade Multicultural: características métricas da adaptação para a população Portuguesa e correlatos com a Inteligência Cultural. Revista Portuguesa de Psicologia. [ Links ]

Sousa, C., Gonçalves, G., Reis, M., & Santos, J. (2015). Evidências métricas da Escala de Inteligência Cultural numa amostra PortuguesaPsicologia: Reflexão e Crítica28(2)213-222. doi:10.1590/1678-7153.201528203 [ Links ]

Stemler, S. (2001). An overview of content analysis. Practical Assessment, Research & Evaluation, 7(17). Acesso em 20 de dezembro, 2014, em Acesso em 20 de dezembro, 2014, em http://pareonline.net/getvn.asp?v=7&n=17Links ]

Van Oudenhoven, J., Groenewoud, J., & Hewstone, M. (1996). Cooperation, ethnic salience and generalization of interethnic attitudes. European Journal of Social Psychology26, 649-661. doi:10.1002/(SICI)1099-0992(199607)26:4<649::AID-EJSP780>3.0.CO;2-T [ Links ]

Van Oudenhoven, J., Ward, C., & Masgoret, A. (2006). Patterns of relations between immigrants and host societies. International Journal of Intercultural Relations30(6), 637-651. doi:10.1016/j.ijintrel.2006.09.001 [ Links ]

Recebido: 23 de Março de 2015; Revisado: 06 de Agosto de 2015; Aceito: 13 de Agosto de 2015

E-mail: katyandreiasousa@hotmail.com

Endereço para correspondência: Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de Psicologia e Ciências da Educação, Campus de Gambelas. 8005-139. Faro, Portugal. E-mail: ggoncalves@ualg.pt

Porto, mestre em Ciências do Trabalho e Relações Laborais (ISCTE-IUL), doutorada em Psicologia pela Universidade do Algarve. Membro do Centro de Investigação sobre o Espaço e Organizações - CIEO, Universidade do Algarve.

Gabriela Gonçalves é licenciada em Psicologia Social e das Organizações e doutorada em Ciências Psicológicas, especialidade em Psicologia Social pela UCL, Louvain-la-Neuve, Bélgica. Professora Auxiliar na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Membro do Centro de Investigação sobre o Espaço e Organizações - CIEO, Universidade do Algarve.

Creative Commons License This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License