SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.28 issue3DIGITAL NETWORKS: A PLACE OF TRUTH PRODUCTION IN THE CONTEMPORARY?RESEARCH WITH FOCAL GROUP: CONTRIBUTIONS TO THE STUDY ON SOCIAL REPRESENTATION author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.28 no.3 Belo Horizonte Sept./Dec. 2016

https://doi.org/10.1590/1807-03102016v28n3p423 

Artigos

REDES EM CONEXÃO COM A TEORIA ATOR-REDE NA PSICOLOGIA NO BRASIL

REDES EN CONEXIÓN CON LA TEORÍA ACTOR-RED EN PSICOLOGÍA EN BRASIL

NETWORKS IN CONNECTION WITH THE ACTOR-NETWORK THEORY IN PSYCHOLOGY IN BRAZIL

Ricardo Pimentel Méllo1 

Mary Jane Spink2 

Vera Mincoff Menegon3 

1Universidade Federal do Ceará, Fortaleza/CE, Brasil

2Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil

3Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil


RESUMO

O objetivo deste artigo é apresentar alguns usos da Teoria Ator-Rede (TAR) por psicólogos no Brasil. Para tanto, elegemos como foco analítico artigos indexados no Qualis Capes da Psicologia, observando os seguintes aspectos: temas afins; materialidades envolvidas; metodologias; estratégias de análises. Concluímos que a TAR é utilizada desde 1997 em publicações na área da Psicologia e em especial na subárea Psicologia Social, com questionamentos às bases epistemológicas advindas da tradição científica experimentalista moderna e, principalmente, problematizando a centralidade do ser humano como foco e origem do conhecimento. Bruno Latour, John Law e Annemarie Mol foram os principais autores utilizados nos artigos analisados. A introdução da teoria se deu por meio de duas redes de pesquisa: Rio de Janeiro associada à parceria UFF, UERJ e UFRJ e, em São Paulo, parceria PUC/SP e UAB/Barcelona.

Palavras-chave: Teoria-Ator-Rede; Bruno Latour; Psicologia; metodologias de pesquisas

RESUMEN

Este artículo tiene el objeto de presentar algunos usos de la Teoría Actor-Red (TAR) por psicólogos en Brasil. Para ello, elegimos como foco analítico artículos indexados en Qualis Capes de Psicología, observando los siguientes aspectos: temas afines; materialidades involucradas; metodologías; estrategias de análisis. Concluimos que la TAR se utiliza desde 1997 en publicaciones del área de Psicología y en especial en la sub-área Psicología Social, con cuestionamientos a las bases epistemológicas advenidas de la tradición científica experimentalista moderna y, principalmente, problematizando la centralidad del ser humano como foco y origen del conocimiento. Bruno Latour, John Law y Annemarie Mol fueron los principales autores utilizados en los artículos analizados. La introducción de la teoría se dio por medio de dos redes de investigación: Rio de Janeiro por la asociación UFF, UERJ y UFRJ y en São Paulo, asociación PUC/SP y UAB/Barcelona.

Palabras clave: Teoría-Actor-Red; Bruno Latour; Psicología; metodologías de investigación

ABSTRACT

The aim of this article is to discuss some of the ways in which Actor-Network Theory (ANT) has been used by psychologists in Brazil. For this purpose, the focus of analysis was articles published in journals indexed in the CAPES Qualis for the area of Psychology observing the following aspects: similar themes; materialities involved in the discussion; methodologies; strategies for analysis. We concluded that since 1997 ANT has been used in publications in the area of Psychology, chiefly in Social Psychology, to question the epistemological foundations arising from modern experimentalist traditions and, especially, the centrality of human as the focus and origin of knowledge. Bruno Latour, John Law and Annemarie Mol were the main authors used in the articles analyzed. The theory was introduced by two research networks: in the Rio de Janeiro (partnership between UFF, UERJ, and UFRJ) and in São Paulo (PUC/SP in association with UAB/Barcelona).

Keywords: Actor-Network Theory; Bruno Latour; Psychology; research methodologies

Introdução

Nossa pesquisa iniciou-se em meados de 2012 estendendo-se por um ano1 com o objetivo de realizar um estudo teórico-bibliográfico, examinando a entrada e utilização da Teoria Ator-Rede (TAR)2 em trabalhos acadêmicos na área da Psicologia no Brasil. Para este artigo, nosso objetivo é apresentar alguns usos da Teoria Ator-Rede (TAR) por psicólogos no Brasil. Para tanto, elegemos como foco analítico somente artigos indexados no Qualis Capes da Psicologia, observando os seguintes aspectos: temas afins; materialidades envolvidas; metodologias; estratégias de análises.

Inicialmente centrada no eixo França-Inglaterra, a TAR desenvolveu-se em torno de estudos de ciência, tecnologia e sociedade (CTS), a partir da década de oitenta do século passado. Dentre os primeiros pesquisadores que contribuíram para essa teoria, destacamos Bruno Latour, Michel Callon e John Law.

Latour (2000) afirma que devemos abandonar a suficiência seja da Natureza, seja da Sociedade para obter explicações que encerram controvérsias. Dessa forma, a TAR problematiza a dicotomia cartesiana sujeito-objeto elegendo como foco a imbricação de redes, (conexões de pessoas, organizações, leis, maneiras de viver, materialidades diversas), ou seja, estudos e pesquisas se direcionam ao entrelaçamento de "humanos quase objetos" e "objetos quase humanos", ou "humanos quase humanos" e "objetos quase objetos" (Latour, 1994; 2001)3.

Cotidianamente mobilizamos atores humanos e não humanos, em variadas associações e conexões, que se enlaçam tornando-se híbridos. Segundo Latour (2001), esses personagens podem se hibridizar formando o que chamou de actante (atuante): tudo que se faz em rede, sejam pessoas, artefatos tecnológicos, instituições, (humanos e não humanos), são considerados como híbridos na medida em que se agenciam, carregando imbricações de materialidades, socialidades e estratégias de governamentalidade.

As materialidades instituem cânones estéticos ou maneiras de agir feitas em composições. Por isso, escolhemos usar o conceito de materialidades (potencializam algo) em vez de objetos (cristalizam algo). A noção de infra-mince (algo como infrafino) desenvolvida por Marcel Duchamp (1999) ajuda a argumentar essa escolha. O autor usou o termo para se referir a um estado de transição, que não se atrelaria de modo essencial nem ao tempo e nem ao espaço. Seria um entre algo que estamos familiarizados e algo que nos surpreende. Assim, as materialidades potencializam movimentos contínuos em zonas do por se fazer (um entre): "Poderíamos dizer que no limiar desse contato muito sutil, quase invisível entre as matérias - no entre-dois corpos - produz-se o ... infra-mince ... referindo-se ao momento ... infinitesimal no qual alguma coisa acontece" (Blauth, 2005, pp. 139-140)4.

Portanto, de modo central, no uso da TAR, seja em função de conceitos por ela difundidos, seja pela crítica que faz às ciências modernas, busca-se superar algumas dicotomias como: realismo e construcionismo; sociedade e indivíduo; sujeito e objeto; linguagem e prática; quantitativo e qualitativo; ciência e vida cotidiana. Em síntese, para a Teoria Ator-Rede, tanto pessoas como objetos criam acontecimentos estabelecendo redes de conexões, constituindo-se como actantes mediadores das associações sociais, abandonando a categórica divisão entre ação humana e causalidade material.

Com essa perspectiva do uso da TAR, ao compormos as materialidades deste estudo, (no caso documentos), buscamos pesquisar relações e fluxos, visando a mapear quais são os atuantes (actantes) que, agregados, constroem determinados modos de pesquisar no campo da Psicologia brasileira. A tarefa inicial foi indagar como a(u)tores da Psicologia no Brasil têm se apropriado da TAR, e, para isso, seguimos alguns de seus caminhos: identificamos os primeiros estudos, quais autores publicavam e quais eram suas filiações institucionais, que autores criadores da TAR eram referenciados, quais usos da TAR eram feitos e que periódicos publicaram os textos. Importante destacar que entre as primeiras publicações TAR, no Brasil, identificamos pesquisadores de outras áreas, como medicina (Porto, 1994) e história (Pereira, 1997).

Tradicionalmente, em seus matizes, a Psicologia é antropologicamente centrada e advogou uma constituição do humano (ou seja, uma estética ou produção de si) sem explicitar que, para isso, concorrem redes heterogêneas agregando materialidades e socialidades diversas. Nossos modos de viver ou modos de subjetivação se fazem em processo produzindo efeito de sujeito transitório, não por ser incompleto, mas por ser criativo. Há estéticas de modos de viver, que hegemonicamente se impõem em efeitos de verdade e nos governam, criando uma espécie de "governo de si" (Foucault, 1985, 2004). Acontece que só maquinamos modos de viver nos entrelaçando a diversas e múltiplas materialidades (por exemplo: o feminino tem visibilidade em roupas, cores, ações específicas, etc.).

Nossa pesquisa, como veremos adiante, indicou que temos estudiosos atuantes (actantes) na área da Psicologia que descentralizam o humano e, portanto, não compartilham do humanismo que emerge da condição da assunção do ser humano a uma categoria transcendental de observador privilegiado do universo que, por sua vez, também se transforma em material empírico a ser desvelado em sua essência (Candiotto, 2009, p.15). Ou seja, nós nos inventamos em um "processo de 'hominização' que tornou 'humanos' os animais que classificamos sobre a rubrica de homo sapiens" (Agamben, 2014, p. 42).

Caminhos que se fazem

Entendida como estratégia, a metodologia empregada nesta pesquisa (coordenação de movimentos) produz efeitos de visualizações em função da articulação e mobilização realizada por e entre atuantes (actantes) diversos, tais como: pesquisadores, documentos, computadores, bibliotecas, internet, autores, móveis, temperatura, entre outros.

Ponderamos ser pertinente que, ao pesquisarmos a TAR, devamos utilizar seus conceitos fundamentais (como rede, ator e actante), e, ao mesmo tempo, o fazemos afeitos a um trabalho arqueológico (condições de emergência de algo), sustentado em uma ontologia do presente (que nos permite falar sobre aspetos do estado da arte da TAR na Psicologia no Brasil). Portanto, nos dirigimos à emergência da TAR na Psicologia no Brasil buscando contribuir para compreender quais atores, em que redes e com quais usos isso foi acontecendo.

Apresentamos a seguir uma síntese sobre como os documentos foram obtidos e os critérios que os agregaram fazendo-os adquirirem status de referências. Nessa busca, observamos os seguintes critérios: (a) todos os documentos selecionados foram lidos; (b) tais documentos constituíram-se de publicações como artigos científicos, pesquisas, ensaios, teses, dissertações e livros. Todavia, como foco de análise para este texto, privilegiamos os artigos científicos; (c) demos ênfase aos modos de apropriação da TAR, evitando tratar a TAR como uma "metanarrativa" (Lyotard, 1988).

Busca e escolha dos documentos

Em nossa busca, os documentos que interessavam deveriam ser escritos por autores que, de algum modo, circulassem no campo da Psicologia no Brasil. Ou seja, começamos ampliando o campo, não nos detendo no subcampo Psicologia Social, mesmo sabendo por atuação profissional que este último é onde a TAR está crescendo. Estabelecemos como critério que autores deveriam ser psicólogos ou não, mas que publicassem em periódicos indexados no Qualis Capes da Psicologia.

Inicialmente não estabelecemos critérios definitivos de seleção de documentos por períodos, tendo em vista acreditarmos que seria possível analisar todo o material que encontrássemos, com a hipótese de que, por ser uma perspectiva recente e nascida em outro campo de saber, ainda estaria sendo inserida e apropriada gradualmente no campo da Psicologia. De todo modo, constituímos como linha de tempo para ir à cata de documentos produções de janeiro de 1990 até dezembro de 2012. Escolhemos esse período porque a publicação mais antiga da TAR traduzida no Brasil é de 1990, na qual Latour já trata, explicitamente, de temas que compõem essa abordagem. Para Latour (2012), a TAR teve como ponto de referência inicial a publicação de três documentos: (a) The Pasteurization of France (Latour, 1988); (b) On the Methods of Long-Distance Control: vessels, navigation and the Portuguese route to India (Law, 1986); (c) Some elements of a sociology of translation domestication (Callon 1986). Nesses textos já emergem como foco de discussão actantes não humanos (como micróbios e navios).

Em síntese, as nossas buscas foram diversificadas: acervos de bibliotecas virtuais ou não, plataformas de periódicos (Qualis Capes-Psicologia), Currículo Lattes, conhecimento de autores e textos anteriores à pesquisa e, por fim, indicação de textos por pesquisadores afeitos à TAR. Por ocasião do primeiro levantamento na BVS, CAPES e SciELO, registramos os periódicos que publicavam artigos citando autores da TAR.

A busca em periódicos foi mais meticulosa que a primeira feita na Internet, utilizando já algumas palavras-chave e termos de um glossário que começamos a fazer, paralelamente à pesquisa de documentos, para nos ajudar tanto na compreensão da TAR como na identificação de descritores que remetiam diretamente à TAR, tais como: "actante", "antropologia simétrica", "sociologia simétrica", "ator-rede", "teoria ator-rede", "recalcitrância", "mediação sociotécnica", "translação", Actor-Theory-Network, ANT. Pesquisamos em todos os índices/campos oferecidos pelo periódico (autor, título, assunto, resumo) e nessa busca observamos que os termos "Latour" e "ator-rede" eram nossos principais indexadores. Porém, em função de experiência de estudos pessoais da TAR e participação em eventos científicos, sabíamos que nem todos os pesquisadores da TAR na psicologia brasileira utilizam como referência o autor Bruno Latour, e, assim, ampliamos para outros autores incluindo os termos "Callon", "Mol" e "Law". O Autor John Law, em função de seu sobrenome ser usado como descritor para as nossas buscas, suscitou enorme ambiguidade, pois, geralmente, tal descritor gerava vários documentos na base pesquisada, sem que houvesse qualquer ligação com a TAR. A palavra "law" também se refere ao termo em inglês que significa "direito", "lei". Nestes casos de nomes "ambíguos" líamos o resumo e as palavras-chave para verificar se havia conexão com a TAR e, em caso de dúvidas, consultávamos o texto completo. Usamos o mesmo procedimento para a autora Annemarie Mol, que, também em função de seu sobrenome, nas buscas gerava documentos relacionados à palavra Molecular ou à medida molécula-grama (mol).

Do total de 58 documentos relacionados à TAR inicialmente obtidos, excluímos teses, dissertações, livros, resumos ou textos expandidos em anais de eventos, selecionando somente 39 artigos publicados em periódicos. A opção por artigos se justifica, pois no campo científico, tradicionalmente, é veículo privilegiado na divulgação de estudos e pesquisas, que, com a Internet, passaram a ter acesso facilitado. Dos 39 artigos identificados, 35 estavam indexados no Qualis Capes da Psicologia e, coerentes com nosso objetivo, foram selecionados como foco da análise. Dos quatro artigos excluídos da análise, dois estavam indexados no Qualis Capes de Ciências Sociais (Mattedi & Pereira, 2007; Moraes & Arendt, 2011) e os outros dois não estavam indexados (Moraes, 1998; Porto, 1994). A exclusão desses quatro artigos ocorreu por não se enquadrarem no recorte fixado para a análise aqui apresentada.

Além dos critérios acima detalhados, como parte do processo de seleção dos artigos analisados, atentamos que não bastava o uso pontual de autor de referência da TAR ou mera citação, mas o texto deveria utilizar a TAR em alguma reflexão teórico-metodológica ou como ferramenta de pesquisa. Por exemplo, descartamos textos que citavam autores da TAR em uma frase, sem desenvolverem ou tomarem a TAR como referência no artigo, fosse para questionamento ou afirmação de certo modo de praticar a Psicologia.

Estratégias para análises

Como estratégia de análise dos documentos pesquisados, construímos quadros, tabelas e listagens. Tais elementos foram compostos a partir de agenciamentos5 com os documentos, realizados em dois momentos distintos, mas absolutamente relacionados: (a) agenciamentos que permitiram o acesso aos documentos ou que foram construídos concomitantes ao acesso: autores (Lattes); periódicos (Qualis CAPES e sites específicos); filiações institucionais dos autores (Lattes); bibliografia utilizada; palavras-chave; (b) agenciamentos que foram construídos em função da leitura sistematizada dos documentos: temas abordados; metodologias usadas; materialidades envolvidas; estratégias de análise; conceitos principais (tendo como ajuda o glossário anteriormente citado); textos de referência em relação a autores-criadores da TAR.

Para fins deste artigo, apresentamos no próximo item a Tabela 1: Periódicos indexados no Qualis Capes Psicologia (2012) com artigos TAR e o Anexo A: Autores com artigos TAR indexados no Qualis Capes Psicologia.

Principais redes de actantes: resultados

Em nosso processo de busca, os autores e os periódicos foram se constituindo como os principais actantes da pesquisa. Ao mesmo tempo em que pesquisamos as bases em busca de documentos, fizemos uma pesquisa reticulada dos autores, identificando quem eram eles (autores e coautores), que temas publicaram e em que periódicos, com que textos de autores da TAR dialogaram e os usos que fizeram, teórico e/ou metodológico. Também acessamos os seus respectivos currículos na Plataforma Lattes (http://lattes.cnpq.br/) e, assim, fomos compondo a rede de pesquisadores e periódicos. Resumindo: registramos pesquisadores brasileiros e estrangeiros que publicam TAR em periódicos indexados no Qualis Capes Psicologia e identificamos autores de referência na área da Psicologia em função da recorrência de suas publicações.

Seguindo artigos em periódicos

Para construir o histórico da chegada e uso da TAR no campo da Psicologia no Brasil, como já comentamos, utilizamos periódicos avaliados pelo Qualis-Capes-Psicologia, nos restringindo aos periódicos classificados como A e B, na hipótese que publicam com regularidade, têm ampla circulação e por atenderem aos requisitos de avaliação da área. O Qualis-Capes-Psicologia (versão 2012) lista 2.058 publicações. Mapeamos: 20 periódicos indexados, com 35 publicações de artigos usando a TAR, com destaque para os periódicos: (a) Psicologia & Sociedade (A2); (b) Estudos e Pesquisas em Psicologia, UFRJ (B2); (c) Revista do Dep. de Psicologia da UFF/Fractal (B1); (d) Psico, PUC/RS (A2).

A Tabela 1 indica que, em relação aos periódicos, apenas 2,26% dos que estavam no Qualis Psicologia na versão 2012 publicaram artigos referentes a TAR:

Tabela 1: Periódicos indexados no Qualis Capes Psicologia (2012) com artigos TAR 

Periódicos Indexados no Qualis Psicologia Qualis Capes No. de Docs.
Psicologia e Sociedade (ABRAPSO) A2 07
Estudos e Pesquisas em Psicologia B2 04
Psico - Por Alegre, PUC/RS A2 03
Revista do Departamento de Psicologia, UFF B1 03
História, Ciências, Saúde- Manguinhos B1 02
Athenea Digital B1 02
Cadernos de Saúde Pública A2 01
Estudos de Psicologia (Natal) A2 01
Psicologia em Estudo A2 01
Universitas Psychologica (Bogotá) A2 01
Ciência & Saúde Coletiva B1 01
Fractal: Revista de Psicologia B1 01
Pesquisas e Práticas Psicossociais B3 01
Informática na Educação B4 01
Liinc em Revista B4 01
Revista de História Regional B4 01
Comum B5 01
Cadernos UniFOA B5 01
Rev. Bras. de Pesq. em Educação em Ciências B5 01
CTS. Ciencia, Tecnología y Sociedad B5 01
Total de artigos indexados no Qualis Capes Psicologia 35

A Tabela 1 explicita algumas redes envolvidas na entrada da TAR no campo da Psicologia. Nesse particular, a Revista Psicologia & Sociedade, que apresenta o maior número de publicações no período pesquisado, é o periódico da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), e a maioria dos autores dos artigos identificados são membros dessa associação. A Revista Athenea Digital, publicada pelo Departamento de Psicologia Social da Universidade Autônoma de Barcelona, com duas publicações em 2003 de pesquisadoras brasileiras, também corrobora o que já afirmamos sobre a entrada da TAR na Psicologia no Brasil por meio dessa subárea. Além disso, os autores dos artigos identificados são profissionais que atuam no campo da Psicologia Social. Isso significa que artigos da TAR estão sendo publicados em periódicos que estão abertos às produções em Psicologia Social.

Em síntese, os artigos identificados nesses periódicos nos permitiram seguir vários autores constituindo suas redes, identificando temas de pesquisa, instituições, coautores, etc. Com base nessa tabela, fomos mais adiante e preparamos uma extensa tabela, identificando os textos publicados em cada um dos periódicos, autor e ano, e com a lista completa das referências utilizadas por seus autores. Todavia, em função do limite de espaço, não a reproduzimos aqui, mas o Anexo A apresenta uma versão simplificada dessas redes em conexão com a TAR.

Introdução da TAR na Psicologia: a(u)tores, instituições e suas redes

Ainda que o foco de nossa pesquisa estivesse restrito à entrada da TAR na Psicologia brasileira, observamos que algumas publicações analisadas vieram de autores de outras áreas e apresentavam vinculações institucionais importantes para a rede de atuantes, que se conectam ao uso da TAR, no campo da Psicologia no Brasil. Podemos observar essas conexões no Anexo A, que lista os autores das 35 publicações indicadas na Tabela 1. Nesse particular, uma das primeiras publicações é do historiador André Faria Pereira Neto (1997), que adota Latour como seu principal interlocutor. André cursou doutorado em Saúde Coletiva, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), uma instituição de ensino que funciona como polo agregador de pesquisas e reflexões sobre a TAR; temos ainda publicações da historiadora Cavalcanti (2002), da médica Luiz (2007) e dos engenheiros Lima e Cukierman (2011).

Como publicação específica da Psicologia utilizando a TAR, o primeiro artigo é de autoria de Márcia Moraes (1997), professora na Universidade Federal Fluminense (UFF) - Márcia tem outro artigo publicado em 1998, na Revista Informare, que por não ser indexada ficou fora do grupo de artigos analisados. A partir daí, outros pesquisadores da Psicologia, vinculados às três universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro, buscaram compreender as propostas teórico-metodológicas da TAR tendo como principal autor de referência Bruno Latour. Com isso, novas publicações entraram em circulação, com autores da UFF, da UERJ e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Esses pesquisadores, em geral, têm trajetória de atuação no campo da Psicologia Social. Em suma, no período de 1997 a 2003, a TAR é introduzida na Psicologia, no Rio de Janeiro, por meio de conexões entre as três universidades acima citadas, com atuações notadamente comprometidas com o campo da Psicologia Social.

Em São Paulo, o contato com a TAR ocorreu por meio de outras conexões. Em 2002, Vera Mincoff Menegon, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social (PUC-SP), e orientanda de Mary Jane Spink, participou do grupo de discussão Technologies in Health and Medicine, coordenado por John Law (Lancaster University), utilizando textos de autores da TAR: John Law, Annemarie Mol, Latour, entre outros (Menegon, 2003a).

No ano seguinte, Spink (2003) e Menegon (2003b) publicam dois artigos na Athenea Digital, tendo como base de discussão a TAR, cujo editor, Lupicinio Iñiguez Rueda (Prof. de Psicologia Social, UAB/Barcelona), mantém vínculos com a Pós-graduação de Psicologia Social da PUC-SP, incluindo o intercâmbio de bolsistas, como é o caso de Mariana P. Cordeiro (2012), que fez o sanduíche do doutorado na UAB.

No caso da interlocução entre alguns pesquisadores, do eixo Rio-São Paulo, foram relevantes os encontros do Grupo de Trabalho da ANPPEP, Cotidiano e Práticas Sociais, fundado em 2000 e coordenado por Mary Jane Spink. Ronald Arendt (UERJ) começou a participar em 2004 e Márcia Moraes em 2006. Posteriormente, outros pesquisadores do Rio que trabalhavam com a TAR entraram para o grupo. Com o crescimento do grupo, outro GT foi constituído, mas as interlocuções continuaram ao mesmo tempo em que os estudos TAR.

Em termos de redes de conexões, ainda é importante destacar que o intercâmbio direto entre pesquisadores brasileiros e proponentes da TAR, na Europa, foi fundamental tanto para a entrada como para a expansão da TAR na Psicologia brasileira. Por exemplo, em 2002, Ronald Arendt (UERJ) fez seu pós-doutorado em Paris, e, em 2009/10, Márcia Moraes (UFF) realizou parte de seu pós-doutorado na Lancaster University, Inglaterra.

Em suma, é importante destacar que a entrada da TAR na Psicologia no Brasil se faz por duas redes que acabam por se entrelaçar: uma no Rio de Janeiro, associada à parceria Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e outra em São Paulo, associada à parceria Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e Universidade Autônoma de Barcelona (UAB).

O Anexo A explicita essas duas redes e nos mostra autores precursores da TAR na Psicologia no Brasil, com suas conexões institucionais e compartilhamento de redes. Nesse anexo, mostramos que pesquisadores da UFF, UERJ e UFRJ apresentaram maior número de pesquisas e publicações, a partir de suas interlocuções com a TAR. Destacam-se, nessas publicações, Márcia Moraes (N = 5), Maria de Fátima Melo (N=4) e Arthur Ferreira (N=3). Alguns pesquisadores desenvolveram pós-graduações nesses polos de pesquisa e levaram a TAR para outras universidades, expandindo-a, principalmente como estratégia metodológica. Nesse sentido, temos dois exemplos significativos: Irme Bonamigo (UNOCHAPECÓ - SC) e Maria de Fátima Melo (UFSJ - MG).

Usos da TAR (usos que autores fazem da teoria)

Nos artigos analisados identificamos dois grupos de usos da teoria ator-rede. O primeiro deles, em menor número (N=7), descreve pesquisas cuja metodologia foi desenvolvida seguindo proposições feitas por autores de referência da TAR. O segundo grupo (N=28), também com base em autores da TAR, apresenta discussões com ênfase em aspectos teóricos e epistemológicos. Neste texto, apresentamos apenas alguns exemplos de cada grupo.

Para o primeiro grupo apresentamos dois artigos. O artigo de Bonamigo (2008) "Tecendo relatos, versões e cenas: etnografia de um evento violento" aborda o tema violências na contemporaneidade, focando em um furto de roupas cometido por uma criança (sete anos) e dois adolescentes (13 e 17 anos). Em sua análise, a autora identifica os atuantes (actantes) que compõem a rede tecida nesse acontecimento. Seguindo as informações de uma reportagem jornalística, buscou os registros de ocorrência na Polícia Militar e Polícia Civil que possibilitaram conhecer a trajetória de um adolescente de 17 anos, assim como a rede de programas e instituições voltados para adolescentes em conflito com a lei. Construiu a sequência do que aconteceu e, em seguida, listou alguns atuantes que formaram essa rede roubo/evento violento: criança de 7 anos (CA), adolescente de 13 anos (ME), adolescente de 17 anos (Adilson), edifício em construção, loja de roupas infanto-juvenil, dispositivo de alarme, vigilante do Código Penal, Boletim de Ocorrência etc.

O segundo exemplo vem do artigo de Moraes, Cardoso-Manso e Lima-Monteiro (2009, p. 785), "Afetar e ser afetado: corpo e cognição entre deficientes visuais". O texto baseia-se em uma pesquisa intervenção realizada com jovens deficientes visuais, em que as pesquisadoras buscaram promover diferentes articulações entre corpo e cognição. Segundo as autoras, delinearam uma metodologia que se afastasse de propostas tradicionais existentes na psicologia, como as que separam sujeito e objeto. Para tanto, apoiaram-se em autores da TAR, tais como Bruno Latour, Annemarie Mol e John Law, compreendendo "que ter um corpo é aprender a ser afetado por atores díspares e heterogêneos, tanto humanos quanto não humanos". Dessa forma, as atividades de expressão corporal realizadas com o grupo de jovens tinham "por finalidade promover conexões, articulações entre o corpo e materiais tão heterogêneos quanto um elástico, uma lixa, uma música, um colega".

As análises das diferentes conexões resultantes das ações ocorridas ao longo da pesquisa, segundo as autoras, mostraram que a cegueira não se resume em algo natural e essencial, mas, ao contrário, produz modos variados de conhecimento e de subjetivação do mundo vivido. Na conclusão, posicionam essa forma de pesquisa intervenção em psicologia "como meios possíveis de desestabilizar formas que pareciam estáveis, de fazer proliferar a diferença" (Moraes et. al., 2009, p. 792).

No que se refere ao segundo grupo de artigos (aspectos teóricos e epistemológicos), listamos alguns exemplos, apresentados em dois subgrupos.

1. No primeiro, os artigos se caracterizam pela discussão e compreensão de conceitos chave propostos pela TAR, tais como materialidades, socialidades, actantes humanos e não-humanos, noção de rede, de tradução, mediação, antropologia simétrica, descrições sociotécnicas e outros conceitos. Em geral, o objetivo desses textos é ressaltar tanto a pertinência como a importância teórica, epistemológica e metodológica para o campo da Psicologia, e em especial para a prática de pesquisa em Psicologia Social.

  • Arendt (2008), com o artigo "Maneiras de pesquisar no cotidiano: contribuições para a formação em pesquisa em Psicologia" apresenta uma discussão teórica, epistemológica e metodológica, argumentando a favor do uso da teoria ator-rede em pesquisas no cotidiano. Ressalta a importância de descrições sociotécnicas para as pesquisas realizadas na Psicologia Social, assim como na formação de pesquisadores.

  • Moraes (2003), no texto "A Psicologia como reflexão sobre as práticas humanas: da adaptação à errância", focando questões epistemológicas, questiona a Psicologia e suas práticas, discutindo os limites do conceito de adaptação à luz da noção de rede, tal como apresentada nos trabalhos de Bruno Latour.

2. No segundo subgrupo de discussão teórica e epistemológica, identificamos publicações que privilegiaram a promoção de diálogos entre autores da TAR e outros autores, em busca tanto de conexões como de dispersões nas abordagens de temas considerados relevantes para a Psicologia contemporânea, conforme exemplificamos a seguir.

  • Spink (2003), no artigo "Subvertendo algumas dicotomias instituídas pelo hábito", discute a possibilidade de superação entre realismo e construcionismo, indagando-se por que os psicólogos sociais deveriam se posicionar nesse debate. Em sua reflexão, traz para o diálogo Thomas Ibáñez, Ian Hacking, Donna Haraway e autores da TAR, representados no diálogo por Bruno Latour, John Law e Annemarie Mol.

  • Escóssia e Kastrup (2005), no texto "O coletivo como superação da dicotomia indivíduo-sociedade", também desenvolvem estudo teórico, trazendo conceitos de diferentes autores, tais como: prática de Paul Veyne, molar e molecular de Gilles Deleuze e Félix Guattari e rede, tendo como base Bruno Latour, Michel Callon e John Law. Como resultado desse diálogo, as autoras propõem um novo conceito de coletivo, definido como plano de coengendramento do indivíduo e da sociedade.

Ainda algumas considerações

Entendemos que os exemplos trazidos nos fornecem um breve painel do atual uso da Teoria Ator-Rede no campo da Psicologia Social no Brasil. Os objetivos foram principalmente: (a) dar visibilidade às condições de possibilidades efetivadas pela articulação de certas redes de pesquisadores que inseriram a TAR na Psicologia no Brasil; (b) identificar atores nas redes (pesquisadores, instituições, periódicos); (c) contribuir com estudos e pesquisas sobre historiografia da Psicologia em nosso país.

Identificamos dois conjuntos de pesquisadores importantes que utilizam a TAR, localizados em São Paulo e no Rio de Janeiro, que, porém, que fomentaram a divulgação desse modo de apropriação da TAR por outros espaços acadêmicos fora desse eixo, especialmente porque alguns pesquisadores compunham o mesmo grupo de trabalho (Cotidiano e Práticas Sociais) junto à Associação de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). Além disso, ao receber mestrandos e doutorandos de diferentes estados brasileiros, o uso da TAR também se expandiu para diferentes estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Pará, Ceará, Alagoas e Pernambuco, por exemplo.

Aliados à TAR, traçamos alguns aspectos que consideramos importantes, entendendo que esta pesquisa, sobretudo, traz indicativos de que está ocorrendo uma mudança nas discussões sobre a natureza do conhecimento no campo da Psicologia no Brasil (em especial na Psicologia Social), que ultrapassa o plano estritamente epistemológico (sem negligenciá-lo), questionando se é possível analisar algo pressupondo um sujeito transcendental que visualizaria os acontecimentos de forma objetiva, e, mais ainda, questionando a centralidade do humano tendo-o como foco de estudos, excluindo atuantes não humanos. Isso implica uma mudança metodológica: priorizar saberes locais em busca de vínculos, conexões, que favorecem a emergência de algo, em função da rede que se constitui.

Quem introduziu e divulgou a TAR na Psicologia no Brasil já participava de redes que permitiram essa acolhida teórico-metodológica. O uso da TAR na Psicologia (Social) se inseriu no Brasil pelas mãos de pesquisadores/as com visão crítica sobre a produção de conhecimento e que compartilhavam posturas do chamado movimento construcionista social, que se aproximam da TAR: abandonar dicotomias como sujeito-objeto, indivíduo-sociedade, teoria-prática, subjetivo-objetivo, qualitativo-quantitativo, além de abandonar o representacionismo, concluindo que não representamos ou acessamos a realidade como se ela fosse previamente constituída. O construcionismo questiona a noção de conhecimento como representação mental e/ou seu suposto caráter natural (Méllo, Silva, Lima, & Di Paolo, 2007, p. 27).

Com a adoção da TAR se amplia o descentramento do ser humano, que passa a ser um atuante (actante) como tantos outros envolvidos em redes que tecem acontecimentos. Portanto, o foco dos estudos e pesquisas se dirigem às constituições das redes e seus efeitos, retomando a discussão dos conceitos de atores e sujeitos, que assim eram considerados por agirem intencionalmente e poderem conhecer a si e ao mundo.

O campo conhecido como CTS (Ciência-Tecnologia-Sociedade), no qual a TAR está inserida, tem questionado os centros universitários como sendo os únicos formadores de pesquisadores e a validade universal dos conhecimentos que produzem, entendendo que o saber que produzimos deve ser datado e localizado, não por sermos incompletos, mas por sermos criativos em nossos modos de viver.

Sendo atuantes pesquisadores, aprender com a TAR a tratar humanos e não humanos de modo mais simétrico, tendo certeza que ao tentarmos agarrar o mundo com nossas teorias ele nos escapa tal como a água na poesia de Francis Ponge (que não diferencia humanos e não humanos):

A água me escapa... me escorre entre os dedos. E, ainda mais! Não é sequer tão definida (como um lagarto ou um sapo): ainda me restam traços dela nas mãos, manchas relativamente lentas para secar ou que é preciso enxugar. Ela me escapa e, contudo, me marca, independentemente de minha vontade. (Ponge, citado por Borges, 2011 - Tradução nossa)

REFERÊNCIAS

Agamben, G. (2014). O amigo & O que é um dispositivo? Chapecó, SC: Argos. [ Links ]

Arendt, R. J. J. (2008). Maneiras de pesquisar no cotidiano: contribuição da Teoria do Ator-rede. Psicologia & Sociedade, 20(n. spe.), 7-11. [ Links ]

Blauth, L. (2005). Marca Passagens e condensações: (des)encaminhamentos de um processo de gravura. Tese de Doutorado, Programa de Pós-graduação em Poéticas Visuais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. [ Links ]

Bonamigo, I. S. (2008). Tecendo relatos, versões e cenas: etnografia de um evento violento. Psicologia & Sociedade, 20(3), 350-359. [ Links ]

Borges J. L. (2011). Miscelánea. Madrid: De Bolsillo. [ Links ]

Callon, M. (1986). Some Elements of a Sociology of Translation: Domestication of the Scallops and the Fishermen of St Brieuc Bay. In J. Law (Ed.), Power, action and belief: A new sociology of knowledge? (pp. 196-223). London: Routledge. [ Links ]

Candiotto, C. (2009, janeiro/junho). Notas sobre a arqueologia de Foucault em As palavras e as coisas. Revista de Filososfia Aurora, Curitiba, 21(28), 13-28. [ Links ]

Cavalcanti, V. (2002). Guerra das ciências - Análise das Contribuições de Bruno Latour. Revista de História Regional, 7(2),197-205. [ Links ]

Duchamp, M. (1999). Notes. Paris: Flamarion. [ Links ]

Cordeiro, M. P. (2012). Psicologia Social no Brasil: multiplicidade, performatividade e controvérsias. Tese de Doutorado, Programa de Pós-graduação em Psicologia Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo. [ Links ]

Escóssia, L. & Kastrup, V. (2005, maio/agosto). O conceito de coletivo como superação da dicotomia indivíduo-sociedade. Psicologia em Estudo, Maringá, 10(2), 295-304. [ Links ]

Foucault, M. (1985). História da sexualidade: o cuidado de si. V. III. Rio de Janeiro: Graal. [ Links ]

Foucault, M. (2004). A ética do cuidado de si como prática da liberdade. In Ditos & Escritos V: Ética, Sexualidade, Política (pp. 99-116). Rio de Janeiro: Forense Universitária. [ Links ]

Latour, B. (1988). The Pasteurization of France. (A. Sheridan& J. Law, Trads.). Cambridge: Harvard University Press. [ Links ]

Latour, B. (1994). Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Rio de Janeiro: Ed. 34. [ Links ]

Latour, B. (2000). Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora (I. C. Benedetti, Trad.). São Paulo. Editora Unesp. [ Links ]

Latour, B. (2001). A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru, SP: EDUSC. [ Links ]

Latour, B. (2012). Reagregando o social: uma introdução a Teoria Ator-Rede. Salvador: EDUFBA; São Paulo: EDUSCA. [ Links ]

Law, J. (1986). On the Methods of Long Distance Control: Vessels, Navigation, and the Portuguese Route to India. In J. Law (Ed.), Power, action and belief: a new sociology of knowledge? (pp. 234-263). London: Routledge . [ Links ]

Lima, A. J. S. & Cukierman, H. L. (2011, agosto). Da integração das Américas a um cemitério de pipas: a construção de um projeto de inclusão digital na Favela da Maré. Revista CTS, 18(6), 183-197. [ Links ]

Luiz, O. C. (2007, maio/junho). Jornalismo científico e risco epidemiológico. Ciências & Saúde Coletiva, 12(3), 717-726. [ Links ]

Lyotard, J. F. (1988). O pós-moderno. Rio de Janeiro: J. Olympio. [ Links ]

Mattedi, M. A. & Pereira, A. P. (2007, agosto). Vivendo com a morte: o processamento do morrer na sociedade moderna. Caderno CRH, 20(50), 319-330. [ Links ]

Méllo, R. P., Silva, A. A., Lima, M. L. C., & Di Paolo, A. F. (2007). Construcionismo, práticas discursivas e possibilidades de pesquisa em Psicologia Social. Psicologia & Sociedade, 19(3), 26-32. [ Links ]

Méllo, R. P. & Furtado L. E. (2010). Corpos e espaços híbridos na Delegacia da Mulher em Fortaleza. Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia, 3(1), 42-51. [ Links ]

Menegon, V. S. M. (2003a). Entre a linguagem dos direitos e a linguagem dos riscos: os consentimentos informados na reprodução humana assistida. Tese de Doutorado, Programa de Pós-graduação em Psicologia Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo . [ Links ]

Menegon, V. S. M. (2003b). Consentindo materialidades: o caso da reprodução humana assistida. Athenea Digital, 4. Acesso em 23 de junho 2015, em Acesso em 23 de junho 2015, em http://www.antalya.uab.es/athenea/num4/mincoff.pdfLinks ]

Moraes, M. A. (1997). Estudo das técnicas na perspectiva das redes de atores. Revista do Departamento de Psicologia da UFF, Niterói, 9(2), 60-67. [ Links ]

Moraes, M. (1998). Por uma estética da cognição em Latour e Stengers. Revista Informare, Rio de Janeiro, 4(1), 49-56. [ Links ]

Moraes, M. (2003). Psicologia como reflexão sobre as práticas humanas: da adaptação à errância. Estudos de Psicologia (Natal), 8(3), 535-539. [ Links ]

Moraes, M. & Arendt, R. J. J. (2011, janeiro/abril). Aqui eu sou cego, lá eu sou vidente: modos de ordenar eficiência e deficiência visual. Caderno CRH, Salvador, 24(61), 109-120. [ Links ]

Moraes, M., Cardoso-Manso, C., & Lima-Monteiro, A. C. (2009). Afetar e ser afetado: corpo e cognição entre deficientes visuais. Universitas Psychologica, Bogotá, 8(3), 785-792. [ Links ]

Pereira Neto, A. F. (1997, janeiro/março). Tornar-se cientista: o ponto de vista de Bruno Latour. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 13(1), 109-118. [ Links ]

Porto, M. A. (1994). O método está nu! Lupicinio, Latour e a Medicina Moderna. Revista da SBHC, 12, 99-106. [ Links ]

Spink, M. J. (2003). Subvertendo algumas dicotomias instituídas pelo hábito. Athenea Digital, 4. Acesso em 23 de junho 2015, em Acesso em 23 de junho 2015, em http://antalya.uab.es/athenea/num4/spink.pdfLinks ]

1Esta pesquisa fez parte do estágio de Pós-doutorado do Prof. Ricardo Pimentel Méllo junto ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob a supervisão da Profa. Dra. Mary Jane Spink.

2Mesmo no Brasil, há quem adote a sigla que expressa o termo em inglês: Actor-Network Theory (ANT). Preferimos, para melhor compreensão do termo e da proposta, utilizar a "tradução" Teoria Ator-Rede (TAR).

3Como afirmado em trabalho anterior (Méllo & Furtado, 2010), ao articular a noção de híbrido, Latour (1994, p. 54) emprega o conceito de "quase-objeto" desenvolvido por Michel Serres.

4Ver também o texto de Patrícia Franca: "L'infra-mince, zona de sombra e o tempo do entre-dois". Em http://www.eba.ufmg.br/patriciafranca/textos/linfra-mince.html.

5Entendido aqui como o estabelecimento de certas relações (conexões e disjunções) com vistas a um efeito, no caso relacionar elementos advindos de provocações (mais que categorizações inertes). São acoplamentos intuídos sob um regime. Os agenciamentos não cessam de serem produzidos, variando conforme o regime a que são submetidos.

Anexo A: Autores com artigos TAR (N=35) indexados no Qualis Capes Psicologia, área de formação e filiação

Autores e Data de Publicação Área de formação Filiação*
Pereira, A. F. (1997) História ENSP- Fiocruz
Moraes, M. O. (1997; 2003; 2004; 2008) Psicologia UFF
Ferreira, A. A. L. (2002; 2006; 2007) Psicologia UFRJ
Cavalcanti, V. (2002) História UNIFACS
Spink, M. J. (2003) Psicologia PUC-SP
Menegon, V. S. M. (2003) Psicologia PUC-SP
Escóssia, L., &; Kastrup, V. (2005) Psicologia UFS/UFRJ
Oliveira, R. M. (2005) Psicologia UNB
Freire, L. L. (2006) Psicologia UERJ
Melo, M. F. A. Q. (2007; 2008; 2010) Psicologia UFSJ
Melo, M. F. A. Q., Silva, M. A., Albuquerque, E.T., Ramos, L. M. Gonçalves, D. E. S., Oliveira, M. H., & Miranda, G. C. (2007) Psicologia UFSJ
Luiz, O. C. (2007) Medicina FMABC
Arendt, R. J. J. (2008) Psicologia UERJ
Bonamigo, I. S. (2008) Psicologia UNOCHAPECÓ
Vieiralves-Castro, R., & Araújo, M. C. R. (2008) Psicologia UERJ
Pedro, R. M. L. R. (2008) Psicologia UFRJ
Barbalho, M. C. G. (2008) Psicologia UERJ
Bonamigo, I. S., Bruxel, K., Sebenello, D.C., Favoretto, M. R., Zanchet, A.M., & Bortoli, F. (2009) Psicologia UNOCHAPECÓ
Moraes, M. O., Cardoso-Manso, C., & Lima-Monteiro A.C. (2009) Psicologia UFF
Tsallis, A. (2009) Psicologia UERJ
Kastrup, V., & Tsallis, A. (2009) Psicologia UFRJ
Rodriguez, H. B. C. (2010) Psicologia. UERJ
Nobre, J. C. A., & Pedro, R. M. L. R. (2010) Psicologia UNIFOA/UFRJ
Silva, Carlos. (2010) Psicologia. UAB/Barcelona
Cordeiro, M. P. (2010) Psicologia PUC/SP
Álvarez, F. A. C., Serrano, F. T., & Rueda, L. I. (2010) Psicologia UAB/Barcelona
Neves C. &. Portugal, F. T. (2011) Psicologia UFRJ
Lima, A. J. S. & Cukierman, H. L. (2011) Engenharia CEFET/RJ UFRJ

* Filiação à época da publicação

Recebido: 25 de Agosto de 2015; Revisado: 12 de Fevereiro de 2016; Aceito: 14 de Março de 2016

Endereço: Universidade Federal do Ceará - Programa de Pós-graduação em Psicologia. Av. da Universidade, 2762. Benfica. CEP 60.020-180. Fortaleza/CE, Brasil. E-mail: ricardopmello@gmail.com

E-mail: mjspink@pucsp.br

E-mail: vera.menegon@gmail.com

Ricardo Pimentel Méllo é professor do Departamento de Psicologia e coordenador do Núcleo de Estudos sobre Drogas da Universidade Federal do Ceará (UFC). Mary Jane Spink é professora do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia Social e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1A Vera Mincoff Menegon é pesquisadora Sênior do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons