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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.29  Belo Horizonte  2017  Epub Apr 10, 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1807-0310/2017v29149927 

Artigos

O RISCO NA CONCEPÇÃO DE INSTRUTORES DE ESPORTE DE AVENTURA

EL RIESGO EN LA CONCEPCIÓN DE INSTRUCTORES DE DEPORTE DE AVENTURA

THE RISK IN THE CONCEPT OF ADVENTURE SPORTS INSTRUCTORS

Jairo Antônio Paixão1 

Marcus Pires Silva3 

1Universidade Federal de Viçosa, Viçosa/MG, Brasil e Universidad Internacional Iberoamericana, Campeche, Mexico

3 Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto/MG, Brasil


Resumo

O presente estudo buscou analisar a concepção de instrutores de esporte de aventura sobre o risco na prática do rapel vinculada a diferentes modalidades terrestres praticadas no estado de Minas Gerais. A partir de um estudo descritivo-exploratório com um grupo amostral composto por 35 instrutores (32 homens e 03 mulheres) verificou-se que os instrutores reconhecem o risco como elemento inerente à prática do rapel. Os sujeitos apontam o domínio da técnica, o estado dos equipamentos específicos, a adoção de tecnologias e a capacidade para decifrar informações referentes ao ambiente natural como forma de controlar e minimizar o risco. Chama atenção a postura dos instrutores participantes dessa investigação que, apesar de buscarem vivenciar fortes emoções, sensação de adrenalina e liberdade, colocam como princípio fundamental a manutenção da vida.

Palavras-chave: risco; esporte de aventura; instrutor; rapel

Resumen

Este estudio investiga el concepto de instructores de deporte de aventura sobre el riesgo en la práctica de rapel vinculado a diferentes modalidades terrestres que se practican en el estado de Minas Gerais. A partir de un estudio descriptivo y exploratorio con una muestra de 35 profesores (32 hombres y 03 mujeres) se encontró que los profesores son conscientes del riesgo como un elemento inherente al rapel. Los sujetos indican el dominio técnico, el estado de los equipos especiales, la adopción de las tecnologías y la capacidad de decodificar la información relacionada con el medio natural con el fin de controlar y minimizar los riesgos. Cabe destacar la actitud de los participantes instructores de esta investigación, aunque tratando de experimentar emociones fuertes, sensación de la adrenalina y la libertad, lo que plantea como principio fundamental el mantenimiento de la vida.

Palabras clave: riesgo; deportes de aventura; instructor; rapel

Abstract

The presente study analyzed the concept of adventure sports instructors about the risk in the rappel linked to different modalities practiced in the state of Minas Gerais. From the method of descriptive and exploratory study with a sample group composed of 35 instructors (32 men and 03 women) was concluded that the instructors recognize the risk as inherent element in the rappel. In order to control and minimize the risk these subjects indicate the technical field, the status of specific equipment, the adoption of technologies and the ability to decode information relating to the natural environment. Noteworthy is the attitude of the participants instructors of this investigation that, although seeking to experience strong emotions, feeling of adrenaline and freedom, posing as a fundamental principle the maintenance of life.

Keywords: risk; adventure sport; instructor; rappel

Introdução

Viver, diz o ditado, é um risco. Do ponto de vista etimológico, a palavra risco deriva do italiano antigo risicare, que significa ousar. Por conseguinte, o grau de ousadia presente nas ações tomadas pelo sujeito expressa, de forma exequível, a liberdade experimentada (Bernstein, 1997). Assim, para muitas pessoas, o risco se coloca como opção, e não destino (Le Breton, 2012).

O termo risco surge ainda na pré-modernidade, especificamente na transição entre a sociedade feudal e as novas formas de organização social (Beck, 1993; Spink, Galino, Canãs, & Souza, 2004). Inicialmente, encontrava-se associado aos perigos da humanidade, tanto por desastres e fatalidades naturais, quanto pelas guerras (Ascroft, 2001). Entretanto, na modernidade, esta medida de incerteza se radicaliza e ganha novos contornos, tornando-se a referência essencial da sociedade nos domínios da epidemiologia, saúde pública, tecnologia, meio ambiente, trabalho e atividades relacionadas ao lazer (Bernstein, 1997; Le Breton, 2012; Spink et al., 2004).

Para as novas gerações, as condutas de risco são percebidas como formas de resistências a uma ameaça identitária, de oposição ao ritmo de uma rotina estressante imposta pela sociedade de consumo (Beck, 1993).

Por sua vez, os indivíduos, em meio às ações que visam ao controle e autocontrole na sociedade, buscam maneiras, seja mediante desejos e/ou mesmo necessidade, de romper com as amarras sociais. Portanto, essa ação de rebelar-se é, sobretudo, uma maneira extrema de o sujeito manter relação de sentido entre o mundo e si mesmo (Le Breton, 2009; Maffesoli, 2001).

A partir dos discursos sobre o risco, Spink (2000), Spink e Menegon (2004) apontam três tradições discursivas que buscam conceituá-lo de formas específicas. Tais tradições se configuram: primeira - o perigo na fala do senso comum refere-se às experiências de infortúnios e imprevisibilidades que, na maioria das vezes, fogem das possibilidades de cálculo. Tradição raramente considerada nas análises de risco, mas que certamente se faz presente nas referências discursivas dos modos de falar acerca de risco no cotidiano. Segunda tradição - a perspectiva do controle e disciplina remete a momentos históricos dos discursos sobre risco relacionado à crescente necessidade de governar populações, a partir da modernidade clássica (sociedade disciplinar). Para Foucault (2014), o que estava em pauta na modernidade clássica era a gestão da vida que acabou englobando duas estratégias. Uma, desenvolvida a partir do século XVII, que se centrou no corpo-máquina constituindo os dispositivos disciplinares. A outra, desenvolvendo-se por volta de meados do século XVIII, centrou-se no corpo-espécie e englobou as técnicas de governo das populações. É no âmbito dessas técnicas que se constituirão os biopoderes essenciais para a moderna gestão dos riscos. Nessa direção, a gestão do risco é um fenômeno da modernidade tardia e, sendo uma forma de governar populações, deve ser entendida na perspectiva das mudanças que vêm ocorrendo na esfera da governamentalidade e que levam a crer que se está vivenciando o fim da sociedade disciplinar (ou modernidade clássica) e o início da sociedade do risco (ou modernidade tardia). Essas considerações implicam no entendimento da transição do foco na gestão da vida para o foco na gestão do risco. Somam-se a essa perspectiva os processos de disciplinarização da vida privada das pessoas. Nesses processos, o indivíduo, mediante acesso à informação, passa a ser responsável pelo gerenciamento do autocuidado. O estilo de vida como forma de autocontrole é a face mais famosa dessa reorganização. E finalmente a terceira tradição - a perspectiva da aventura balizada pelos campos do esporte e da economia veicula a mensagem de que correr riscos é uma prática necessária para que o indivíduo alcance determinados ganhos na sociedade. O risco, nessa perspectiva, configura-se como algo desejado pelos indivíduos.

Como forma de enfrentamento de contingências da vida em sociedade, tem-se, a partir da transição paradigmática da modernidade para a pós-modernidade, o surgimento de novas práticas corporais que elegeram a aventura, o risco e as fortes emoções como eixos norteadores nas perspectivas do lazer e da competição (Paixão, Costa, Gabriel, Kowalski, & Tucher, 2011).

O envolvimento do praticante com o meio natural se configura como condição fundamental na efetivação de vivências e sensações que ele busca na prática de esporte de aventura. Trata-se de uma vertente esportiva que abrange diferentes ambientes naturais como o terrestre, o aquático e o aéreo (Coiceiro, 2007; Paixão & Tucher, 2010).

As práticas esportivas desempenham importantes papéis sociais comumente categorizadas em funções manifestas, latentes ou agonísticas (Callois, 1988). Essas funções dizem respeito à supressão das necessidades de atividade física, a compensação do estresse provocado pela rotina de trabalho e a satisfação dos instintos mais profundos do ser humano, como o combativo, que está relacionado à luta pela sobrevivência e ao impulso sexual, respectivamente. Em outras palavras, são espaços destinados aos excessos e às euforias coletivas conclamadas a inverter e alterar os tabus do mundo cotidiano e colocá-los literalmente do avesso por meio de um descontrole controlado (Paixão & Kowalski, 2013).

Comparado às modalidades esportivas convencionais como voleibol, futebol, atletismo e outras, o esporte de aventura coloca o praticante em situação de maior suscetibilidade ao risco, que pode se manifestar desde arranhões, até chegar ao óbito. Esta especificidade lhe confere o status de esporte de aventura e risco na natureza.

Não obstante a isso, partindo-se da concepção do risco como algo desejado, configura-se como importante elemento a ser previsto, calculado e controlado pelo praticante (Le Breton, 2012).

A concepção do risco pelo praticante pode estar associada à proximidade que ele possui ou pensa possuir sobre uma modalidade de esporte de aventura (Slovic, 1990). De outra forma, tem-se situação inversamente proporcional em que, quanto maior a proximidade e experiência na prática de determinada modalidade, menor a concepção do risco pelo sujeito ao praticar tal modalidade. Essa situação pode ser compreendida a partir do conceito de redoma sensorial desenvolvido por Almeida (2008). Partindo-se do entendimento do conhecimento do senso comum como processo sensorial, a aquisição deste conhecimento pelo homem se processa de forma multissensorial, o qual mobiliza um verdadeiro arcabouço sensorial cotidiano por meio dos canais sensoriais (Almeida, 2008). Esses canais sensoriais nos permitem perceber diferentes elementos como sons, odores, tato, cinestesia, noção de distância, temperatura, sabores, dentre outros. A redoma sensorial constitui-se basicamente pelos elementos sensórios ordinários e extraordinários.

A redoma sensorial ordinária forma-se a partir de elementos que, pelo fato da constante presença em nosso cotidiano, tornam-se automáticos, velhos conhecidos e, por conseguinte, não mais lhes damos a devida atenção. Ou seja, esses eventos simplesmente acontecem. Disso decorre o fato de que, na grande maioria das vezes, esquecemos de que nos encontramos envoltos por tal redoma. Já a redoma sensorial extraordinária forma-se a partir de elementos inéditos. Para visualizar esta afirmação, basta pensar nas dificuldades enfrentadas por um índio em movimentar-se numa grande cidade e, nas dificuldades correspondentes, de um homem urbano orientar-se por entre a natureza selvagem. Assim, diante do ineditismo de eventos, aguçar-se-iam os sentidos no indivíduo, o qual indubitavelmente se colocaria em estado de alerta (Almeida, 2008).

Neste aspecto, os elementos sensoriais potencialmente extraordinários contidos nas modalidades de esporte de aventura como o risco, a vertigem e as fortes emoções que, por sua vez, poderiam vir a aguçar os sentidos do praticante, pondo-o em estado de alerta numa situação extrema, deixariam de existir. Isso porque a ação diária favoreceria o praticante do domínio desses elementos sensoriais, os quais sucederiam da condição de elementos extraordinários para ordinários ou cotidianos. Com isso, os elementos presentes na situação de risco já não colocariam o praticante em estado de prontidão, de alerta, uma vez estabelecida situação rotineira da atenção necessária aos elementos extraordinários no momento da prática de determinada modalidade de esporte de aventura (Almeida, 2008).

Nesta linha de raciocínio, é importante ressaltar que, apesar de se lançarem no universo da incerteza, esses aventureiros, em sua maioria, não possuem características suicidas, haja vista que têm noção de limite na relação com o risco, o qual buscam minimizar, utilizando, para isso, equipamentos e técnicas que os possibilitem maior controle da situação vivida (Le Breton, 2012).

Tais considerações fornecem relevantes indícios para se refletir acerca do risco das emoções e da sensação de liberdade ligados às modalidades de esporte de aventura, vivenciadas em diferentes espaços naturais que, muitas vezes, se efetivam em condições arriscadas. O risco se configura como elemento inerente e propulsor da referida vertente esportiva, e aqui se faz importante conhecer como os instrutores percebem e lidam com o risco no sentido de prever, controlar e minimizá-lo nas diferentes etapas que integralizam à sua prática.

A ideia de concepção sobre o risco como característica inerente às modalidades de esporte de aventura, na perspectiva do instrutor, fundamenta-se neste estudo por princípios teóricos de autores como Beck (1993) que, sem desconsiderar o risco como elemento inerente ao ser humano ao longo dos tempos, afirma que a noção de risco na percepção do sujeito geralmente resulta das transformações sociais e tecnológicas presentes nas diferentes esferas da sociedade atual, incluindo nesse rol aquelas associadas ao trabalho e ao lazer. Não obstante a isso, Le Breton (2012) complementa a discussão ao considerar a possibilidade de variações de percepções do risco pelo sujeito nos diferentes âmbitos de intervenção social. Nesse sentido, as diferentes maneiras de perceber o risco relacionam-se diretamente ao contexto social, econômico e cultural no qual o sujeito se encontra inserido na sociedade. Cumpre destacar que o termo concepção do risco empregado na presente investigação pauta-se, especialmente, na interpretação do instrutor de esporte de aventura acerca do enfrentamento do perigo por praticantes de rapel na persecução de objetivos como a aventura e as fortes emoções que essa vertente esportiva pode proporcionar.

Assim, este estudo analisou a concepção de instrutores de esporte de aventura sobre o risco presente no rapel empregado como parte integrante das diferentes modalidades terrestres praticadas no estado de Minas Gerais.

O rapel

O surgimento do rapel confunde-se com o esforço do homem, ao longo dos tempos, em se deslocar no plano vertical paralelamente a obstáculos naturais como montanhas, cachoeiras, paredões e interiores de cavernas (espeleologia). De acordo com registros históricos, os alpinistas já tinham a percepção de que a utilização apenas das mãos como fonte de apoio da corda era demasiadamente cansativo e perigoso, fator que contribuiu para a adoção de outras técnicas, como, por exemplo, a colocação da corda ao redor do corpo, a qual, mediante o contato direto com a roupa, diminuía a força que eles deveriam fazer com as mãos (Nuñez, 2005). Os equipamentos necessários para a prática do rapel como descensores, freios, cordas, cadeirinhas e outros, que permitem ao praticante vencer obstáculos naturais e artificiais, começam a surgir pela própria demanda criada com a difusão da atividade entre os adeptos das práticas corporais de aventura no meio terrestre.

Dentre as técnicas verticais que utilizam cordas, indubitavelmente o rapel ocupa posição de destaque como a mais conhecida e empregada (Gaines, 2013). Isso porque se vincula a outras modalidades terrestres de esporte de aventura como montanhismo, escalada, canyoning e espeleologia, constituindo importante fase dessas modalidades. Enfatiza-se que, para além das modalidades terrestres de esporte de aventura, a prática do rapel tem sido utilizada como facilitadora na execução de trabalhos urbanos, no salvamento, nas manobras militares, entre outros (Aguiar, 2013; Gaines, 2013; Luebben, 2007).

Nesse sentido, tendo em vista o emprego do rapel como técnica de descida em diferentes espaços arquitetônicos e naturais, ainda que seja considerada por praticantes mais experientes como um instrumento simples, não se pode negar a presença do risco como elemento inerente à sua prática, a qual tem sido apontada como causa de acidentes de diferentes magnitudes entre seus praticantes (Aguiar, 2013).

Metodologia

O presente trabalho caracteriza-se como um estudo descritivo-exploratório (Thomas, Nelson, & Silverman, 2012), com as características de observar, registrar, analisar, descrever, correlacionar fatos ou fenômenos sem manipulá-los, procurando, dessa maneira, descobrir com precisão a frequência com que o fenômeno ocorre e sua relação com outros fatores.

Como instrumento de coleta de dados, foi empregado o questionário Percepção do Risco nas Práticas de Esporte de Aventura, validado por Paixão (2011), contendo 18 itens estruturados com base nos pressupostos teóricos da literatura especializada sobre o risco e esporte de aventura. Na operacionalização das variáveis contidas nos itens, o questionário estrutura-se a partir da escala de Likert de 5 pontos em que era permitido ao informante marcar uma alternativa (1=discordo plenamente; 2=discordo; 3=indiferente; 4=concordo; 5=concordo plenamente) em ordem de importância, de acordo com a concepção dos sujeitos participantes do estudo sobre o risco relacionado às práticas de esporte de aventura (Fehring, 1987). Tal escalonamento se justifica, uma vez que, não raro, as pessoas são motivadas a realizar uma ação ou a adotar algum tipo de procedimento segundo um conjunto de saberes oriundos da experiência prática numa determinada atividade (Tardif, 2011) com maior peso do que outros, embora todos possam ser importantes.

O grupo amostral foi constituído de 35 instrutores de esporte de aventura (32 homens e 3 mulheres), com idade média de 31 anos (que vai de 20 a 48 anos), atuantes no estado de Minas Gerais. A escolha foi intencional, pois se trata de uma área que, em decorrência de sua diferenciação e extensão geográfica, permite a prática de diferentes modalidades de esporte de aventura com ênfase nas modalidades terrestres. Aliado a esse fato, encontrava-se a necessidade de se delimitar a amostra.

Para a coleta de dados, o referido instrumento foi inserido em formulário no Google Drive (https://drive.google.com/), estruturado a partir de uma mensagem inicial com informações básicas sobre a pesquisa, links de acesso ao instrumento de coleta de dados e ao TCLE na íntegra, bem como o endereço eletrônico do pesquisador reponsável, caso se fizesse necessário o estabelecimento de contato por parte dos participantes. Os contatos iniciais com os sujeitos da pesquisa foram realizados através das redes sociais. A coleta de dados se deu no período de março a maio de 2015.

Os critérios de inclusão foram sujeitos que atuavam como instrutores de esporte de aventura de modalidades terrestres (montanhismo e espeleologia) no estado de Minas Gerais, leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) na mensagem convite (Google Drive), a concordância com os termos da pesquisa e o interesse em participar da pesquisa. Visando assegurar uma amostra representativa para o presente estudo, optou-se pela amostragem acidental por saturação que, conforme Becker (1994), trata-se de uma técnica recomendada para definir a representatividade do grupo. Nesse sentido, o ponto de saturação deu-se no momento em que as respostas começaram a se tornar repetitivas, não adicionando informações e revelando dados suficientes para atender o objetivo da investigação.

O material resultante da coleta de dados foi organizado a partir dos itens que constituiam os questionários tendo em vista a escala de Likert de 5 pontos e a recorrência em que as respostas foram emitidas. Foi empregada análise estatística descritiva simples. Nesses termos, os dados foram organizados em três tabelas apresentadas na sessão resultados e discussão.

No decorrer do processo de condução da presente pesquisa, foram respeitadas as diretrizes regulamentadas pela Resolução nº 466/12 da CONEP, sendo o projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto, ofício CEP Nº. 1.017.847, de 09 de abril de 2015.

Resultados e discussão

A análise instaurou-se pela triangulação entre os dados coletados com os instrutores de esporte de aventura, o referencial teórico especializado e, também, as posições assumidas pelos autores da investigação. Desta forma, foi possível a compreensão e discussão das categorias que tiveram o risco como eixo norteador. Tais categorias se encontram organizadas em duas partes: a primeira aborda as técnicas, os equipamentos empregados na prática do rapel e os aspectos relacionados à segurança do praticante, e a segunda analisa o risco presente na prática das atividades terrestres de esporte de aventura na concepção do instrutor.

Técnicas e equipamentos empregados na prática do rapel e aspectos relacionados à segurança do praticante

No que tange ao tempo de experiência dos instrutores de esporte de aventura de modalidades terrestres que empregam o rapel como parte integrante, os participantes desta investigação apresentaram a média de 18 anos (que vai de 12 meses a 30 anos) de atuação. Ainda que esses sujeitos atuem como instrutores de esporte de aventura, suas ocupações profissionais são diversificadas, evidenciando profissionais liberais, comerciantes, funcionários públicos, professores atuantes em segmentos da educação básica e superior. Tal situação se justifica pelo fato de as modalidades de esporte de aventura ocorrerem de forma não sistemática, como, por exemplo, nos finais de semana, feriados prolongados e períodos de férias no Brasil (Paixão, Costa, Gabriel, & Tucher, 2010).

Os resultados referentes a essa categoria de análise são exibidos nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1 : Técnicas e equipamentos para a prática do Rapel 

Variáveis consideradas / Escala de likert (%) 1 2 3 4 5
O domínio das técnicas pelo praticante é o principal pré-requisito para evitar acidentes 3 11 11 35 40
Geralmente o instrutor apresenta completo domínio das técnicas necessárias a uma prática segura do rapel 17 17 17 20 29
O bom estado dos equipamentos é condição para evitar a ocorrência de acidentes -- -- 3 11 86
As inovações tecnológicas na fabricação dos equipamentos contribuem para controlar e/ou minimizar os riscos de acidentes -- -- 23 51 26
A checagem das condições dos equipamentos antes de seu uso diminui os riscos de acidentes -- -- -- 14 86

Escala: 1=Discordo plenamente; 2=Discordo; 3=Indiferente; 4=Concordo; 5=Concordo plenamente

Tabela 2 : Segurança na prática do Rapel 

Variáveis consideradas / Escala de likert (%) 1 2 3 4 5
O conhecimento prévio do local da prática do rapel pelo instrutor se faz necessário -- -- 9 20 71
O conhecimento prévio das condições meteorológicas é um procedimento necessário -- -- 9 31 60
O instrutor deverá atentar à certificação do nível de segurança dos equipamentos pelas empresas fabricantes -- -- 3 31 66
Geralmente o instrutor tem total domínio de procedimentos de primeiros socorros 6 -- 9 37 48
O condicionamento físico e motor contribui para diminuir as possibilidades de acidentes na prática do rapel 6 9 26 48 11

Escala: 1=Discordo plenamente; 2=Discordo; 3=Indiferente; 4=Concordo; 5=Concordo plenamente

Os dados mostram que uma parcela significativa dos participantes (75%) reconhece a importância do domínio da técnica do rapel pelo praticante, considerando-a como pré-requisito para evitar acidentes. Desses mesmos sujeitos, (49%) afirmaram ainda que, em geral, o instrutor detém o domínio de técnica na condução de modalidades terrestres de esportes de aventura que empregam o rapel como parte integrante. Nesta pesquisa, no que concerne aos aspectos ligados ao risco de acidentes envolvendo praticantes de esporte de aventuras, chamam atenção se comparados a outros estudos, como, por exemplo, o de Le Breton (2009). Pesquisas do autor assinalam que o domínio da técnica específica a uma modalidade configura-se como condição imprescindível para se evitarem acidentes. O referido autor, ao discutir a pedagogia do risco, complementa que as experiências adquiridas e a integração gradual das técnicas minimizam as ameaças ou as circunscrevem a pontos em que se exerce vigilância.

É preciso se atentar sobre a afirmação de que geralmente o instrutor de modalidades de esporte de aventura terrestre detém o domínio da técnica do rapel. Ainda que se trate da concepção dos instrutores investigados neste estudo, há que se levar em consideração a existência de níveis diferenciados de domínio da técnica pelo instrutor de esporte de aventura. Trata-se de uma situação que demanda a ocorrência ou não de uma série de dados como o tempo de dedicação ao aprendizado das técnicas de uma modalidade e o contato com equipamentos certificados para a prática do rapel. Soma-se a isso o fato de, comparada às modalidades de esporte tradicional, entre os principais motivos que contribuem para a adesão do indivíduo como instrutor de esporte de aventura, a sua permanência nesse segmento profissional, encontra-se primeiramente a sua experiência prática em diferentes modalidades na condição de praticante.

Na mesma perspectiva em que o domínio da técnica é apontado pelos instrutores como condição essencial para se evitar acidentes, o estado dos equipamentos específicos para a prática do rapel é percebido por 97% desses mesmos sujeitos como importantes para uma prática segura.

A discussão sobre segurança do praticante no momento em que realiza a prática do rapel remete ao entendimento de que os avanços científicos e tecnológicos são empregados numa proporção cada vez maior no que se denomina indústria do esporte de aventura. Em decorrência de tais avanços, tem-se o acesso a equipamentos que não somente proporcionam maior segurança ao praticante, como também as chances de prever e minimizar os riscos de acidentes. Essa situação é compartilhada por 77% dos instrutores. Vale destacar que o conhecimento prévio do ambiente da prática, bem como das condições meteorológicas é indicado pela quase totalidade dos entrevistados (91%) como procedimentos indispensáveis a serem adotados pelo instrutor. Não obstante, visando à segurança, na prática do rapel, o praticante deverá aliar uma série de competências, que incluem o domínio da técnica, habilidades adequadas à modalidade praticada, conhecimento e emprego da tecnologia e de equipamentos, capacidade de decifrar informações referentes ao ambiente natural e, em face do imprevisto, capacidade de decidir e agir antecipadamente por meio de estratégias a serem utilizadas para superar os obstáculos (risco-objetivo). No entanto, vale ressaltar que esses procedimentos nem sempre são suficientes para garantir a integridade física e emocional do praticante, mas somente a superação do desconhecido, das intempéries e dos imprevistos poderá lhe dar prazer e contemplar a aventura.

O condicionamento físico e motor é entendido por 59% dos instrutores como forma de minimizar os riscos de acidentes na prática do rapel. Essa situação merece atenção ao considerar a sobrecarga imposta ao corpo do praticante em virtude dos equipamentos específicos para a prática de uma dada modalidade. Todavia, como observa Betrán (2003), a contribuição no campo da biomecânica ainda se apresenta de forma incipiente, haja vista a existência de diversos fatores, como os diferentes ambientes naturais em que ocorrem as modalidades dificultando o controle das variáveis como temperatura, relevo, tempestades, altitude, chuvas e pressão atmosférica. Segundo Gonçalves (2006), a reprodução dessas variáveis, assim como sua análise em laboratório, na maioria das vezes, é complexa e exige a adoção de procedimentos metodológicos sofisticados.

O risco presente na prática do rapel

A análise do risco depende, sobretudo, do sentido que lhe é atribuído por determinado grupamento social. Abre-se, a partir daí, um elo fértil de investigação sobre a concepção do risco que incorpora diferentes campos do saber, como na Psicologia, Sociologia e Antropologia, constituindo-se a interdisciplinaridade de estudo (Beck, 1993). No caso específico desta investigação, o objeto de estudo leva em conta o risco presente na prática do rapel empregada em modalidades de esporte de aventura terrestres na concepção de instrutores. Os resultados desta categoria de análise encontram-se na Tabela 3.

Tabela 3: O risco na prática do Rapel 

Variáveis consideradas / Escala de likert (%) 1 2 3 4 5
A sensação de liberdade e fortes emoções superam qualquer tipo de risco na prática do rapel. 62 17 9 3 9
A prática do rapel não coloca o instrutor experiente em situação de risco. 60 17 9 14 --
O risco presente na prática do rapel não se apresenta como preocupação para o instrutor experiente. 46 40 -- 11 3
O risco de um acidente fatal é uma situação considerada na prática do rapel. 46 20 14 11 9
As orientações sobre os riscos são trabalhadas com os aprendizes no processo de instrução sobre a prática do rapel. -- 9 3 51 37
O risco é um fator permanente na prática do rapel. 11 6 -- 29 54
O instrutor coloca a vida de outras pessoas em risco quando não segue as recomendações de segurança na prática do rapel. -- -- 6 26 68
O instrutor coloca a sua vida em situação de risco quando não segue as recomendações de segurança na prática do rapel. -- -- 3 29 68

Nota: 1=Discordo plenamente; 2=Discordo; 3=Indiferente; 4=Concordo; 5=Concordo plenamente

Comumente, o praticante de uma ou mais modalidades de esporte de aventura contrapõe-se às implicações da racionalidade clássica em seu cotidiano, ao buscar vivenciar atitudes ousadas em que, certamente, o risco esteja presente. Observa-se “uma opção pelo risco, motivada por elementos tão ancestrais como o próprio homem. Este se apresenta, por vezes, desejoso de se colocar à prova diante de situações-limite” (Almeida, 2008, p. 135).

Subvertendo essa lógica, os resultados obtidos mostram que 79% dos instrutores reconhecem que as sensações de liberdade e fortes emoções não sobrepõem colocar a própria vida em situação de risco eminente na prática do rapel como parte integrante de determinada modalidade de esporte de aventura terrestre. O posicionamento expresso por tais sujeitos se deve às possibilidades não somente de controlar, mas de minimizar o risco.

Retomando à Le Breton (2012), os adeptos ao esporte de aventura, em sua maioria, não possuem características suicidas, haja vista a existência da clara noção de limite na relação com o risco que se colocam ao praticar determinada modalidade de esporte de aventura. Trata-se da forma mais genuína do risco-aventura na perspectiva lúdica proporcionado por uma determinada modalidade. Nessa direção, é importante assinalar que a experiência adquirida pelo instrutor, ao longo dos tempos, não o imuniza do risco inerente a essa vertente esportiva, como afirmam 77% dos entrevistados. Tal achado revela, de forma inequívoca, que o risco não é desconsiderado pelo instrutor de esporte de aventura, ainda que ele detenha o conhecimento experiencial (Tardif, 2011).

Esse raciocínio leva ao entendimento da inexistência de indícios que possam conduzir à domesticação das experiências, efetivada pela passagem dos elementos sensoriais extraordinários para os ordinários, a qual poderá representar o diferencial entre êxito ou comprometimentos de diferentes ordens no decorrer da prática de uma modalidade de esporte de aventura (Almeida, 2008).

Quanto à concepção do risco presente nas modalidades de esporte de aventura, a maioria dos instrutores (83%) considera-o como elemento inerente à prática do rapel, não obstante a isso, o fato de o instrutor colocar em risco a vida dos outros (94%) e a sua própria (97%), quando não segue as recomendações de segurança da referida técnica. A maioria dos participantes deste estudo (87%) informou que o trabalho de orientação a respeito do risco é parte integrante no processo de ensino do rapel aos praticantes iniciantes.

Nesta direção, torna-se possível subsidiar os futuros praticantes de informações técnicas, o que favorecerá a antecipação de ações posteriores, como a previsão e o cálculo dos riscos a que eles irão se submeter ao se lançarem às práticas aventureiras no meio natural. Ao discutir a pedagogia do risco, Le Breton (2000) diz que as experiências adquiridas e a integração gradual das técnicas minimizam as ameaças ou as circunscrevem em pontos onde se exerce vigilância.

Ainda que a presente investigação volte-se a analisar o risco considerado elemento inerente à prática de esporte de aventura, vê-se uma situação na qual inexiste uma estimativa precisa de acidentes envolvendo praticantes, seja em nível local, regional e mesmo mundial. Entre as prováveis causas, estudiosos atribuem ao fato de os experts em relações públicas, envolvidos direta ou indiretamente nesse setor, temerem que tal divulgação possa, de alguma forma, comprometer os negócios em regiões que dependem economicamente dessas práticas físicas (Bentley & Page, 2008). Trata-se de uma questão que demanda esforços e discussões no âmbito do turismo e do esporte de aventura, tendo em conta que o risco, como já mencionado, caracteriza as diferentes práticas corporais no meio natural.

Considerações finais

Diante das constatações da investigação, é possível afirmar que a análise do risco, na concepção de instrutores de modalidades de esporte de aventura vinculadas ao rapel como parte integrante de modalidades terrestres como montanhismo, escalada, canyoning e espeleologia, mostrou que a concepção do risco é elemento inerente a tais modalidades. Para controlar e minimizar o risco, esses sujeitos apontam alguns procedimentos como o cuidado com o estado dos equipamentos e o domínio da técnica do rapel. Esse último é considerado pelos praticantes como essencial para se evitar acidentes no momento da prática de alguma modalidade que utiliza o rapel. O crescente emprego de tecnologias na fabricação de equipamentos específicos para a prática do rapel e de outras modalidades de esporte de aventura aumenta as chances de prever e minimizar os riscos de acidentes.

Tendo em vista pesquisas que buscam analisar a relação que as pessoas estabelecem com o risco numa sociedade denominada de sociedade do risco, Beck (1993), a postura dos instrutores, participantes dessa investigação, chama a atenção, pois reconhecem o risco presente no esporte de aventura e buscam vivenciar as emoções, a sensação de adrenalina e liberdade. No entanto, colocam a manutenção da vida como princípio fundamental. Trata-se de aventureiros com nítida noção de limite na relação estabelecida com o risco ao se encontrarem suspensos nas altitudes de relevos acidentados, resistindo às intempéries que o ambiente natural impõe àqueles que ousam desafiá-los.

É importante assinalar que o praticante deverá aliar procedimentos de diferentes magnitudes, entre as quais se destacam o domínio da técnica e as habilidades adequadas à prática do rapel e da modalidade de esporte de aventura em questão, a adoção de tecnologia e de equipamentos específicos, conhecimento suficiente para decifrar informações referentes ao ambiente natural e, em face do imprevisto, capacidade de decidir e agir antecipadamente por meio de estratégias a serem utilizadas, considerando-se o risco como parte integrante do esporte de aventura. A atenção a esses procedimentos certamente irá proporcionar ao praticante prudente vivenciar de maneira plena a aventura e as emoções somado ao prazer contemplativo do ambiente natural.

Para vivenciar de forma plena as sensações proporcionadas pelas modalidades de esporte de aventura enfatizadas neste estudo, é importante que o praticante, principalmente os iniciantes, tenha em mente que o risco é permanente e poderá se manifestar desde uma simples escoriação até acidentes fatais. E ainda que, em determinado momento, a técnica, a qualidade dos equipamentos, o emprego de tecnologia e, sobretudo, a ousadia não têm suficiência para impedir situações imprevisíveis. É preciso atenção, prudência e respeito aos indícios da natureza.

Portanto, é desejável e aconselhável que as entidades, confederações e federações sistematizem e padronizem as normas de formação e atuação do instrutor de esporte de aventura no país. Somado as informações técnicas, relacionadas à segurança e sobrevivência, é necessário também que, na fase de cursos técnicos e condução de praticantes iniciantes, sejam intensificados temas relacionados à preservação do meio natural. Certamente, tais esforços podem complementar a conduta dos praticantes, intensificando as sensações advindas pela aventura e a ousadia de se colocar suspenso em grandes altitudes, ao mesmo tempo que prevendo, controlando e/ou minimizando o risco para si e para outras pessoas.

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Recebido: 20 de Maio de 2015; Revisado: 27 de Janeiro de 2016; Aceito: 20 de Fevereiro de 2016

Endereço: Universidade Federal de Viçosa. Avenida Peter Henry Rolfs, s/n. Campus Universitário, Viçosa/MG, Brasil. CEP 36 570 000. E-mail: jairopaixao2004@yahoo.com.br

E-mail: markus_pires@hotmail.com

Jairo Antônio Paixão possui estágio pós-doutoral pela Universidade Federal de Viçosa (2012); doutorado em Ciência do Desporto pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2010); Especialização em Pedagogia do Esporte pelas Faculdades Integradas AVM de Brasília (2014); Especialização em Educação pela Universidade Federal de Viçosa (2005) e Especialização em Orientação Educacional pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá (2002). Professor da Universidade Federal de Viçosa, do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Ouro Preto e Coordena o Laboratório de Estudos Pedagógicos em Educação Física (LEPEF) no Centro Desportivo da Universidade Federal de Ouro Preto. Desenvolve estágio pós-doutoral em Educação na Universidad Internacional Iberoamericana.

Marcus Pires Silva é bacharel em Educação Física. Bolsista do Laboratório Laboratório de Estudos Pedagógicos em Educação Física (LEPEF) no Centro Desportivo da Universidade Federal de Ouro Preto.

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