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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.29  Belo Horizonte  2017  Epub Dec 18, 2017

https://doi.org/10.1590/1807-0310/2017v29171330 

Dossiê

“SEM PEDRAS O ARCO NÃO EXISTE”: O LUGAR DA NARRATIVA NO ESTUDO CRÍTICO DA IDENTIDADE

“SIN PIEDRAS NO HAY ARCO”: EL LUGAR DE LA NARRATIVA EN EL ESTUDIO CRÍTICO DE LA IDENTIDAD

“WITHOUT STONES THERE IS NO ARCH”: THE PLACE OF NARRATIVE IN THE CRITICAL STUDY OF IDENTITY

Aluísio Ferreira de Lima1 

Antonio da Costa Ciampa2 

1 Universidade Federal do Ceará, Fortaleza/CE, Brasil

2 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil


Resumo

O objetivo deste ensaio é discutir as vicissitudes da narrativa para a compreensão das metamorfoses da identidade. Para tanto, parte-se de uma breve exposição do contexto ao qual a narrativa pertence, assinalando seu potencial na construção, reconstrução e reinvenção do passado e do futuro. A seguir, são exploradas as críticas direcionadas à figura do narrador que estaria em vias de extinção, conforme diagnosticado por Walter Benjamin, e apresentadas contribuições que permitem justificar o interesse contemporâneo das Ciências Humanas, sobretudo da Psicologia Social, pela “virada narrativa”. Apresenta-se a influência do método de história de vida e da narração na Psicologia Social, assim como a importância destes no desenvolvimento da concepção de identidade enquanto metamorfose por Antonio Ciampa, em meados de 1980. Por fim, são abordados alguns desafios e cuidados no uso de narrativas na pesquisa em Psicologia Social, oferecendo uma proposta crítica de pesquisa da identidade enquanto metamorfose.

Palavras-chave: identidade; metamorfose; psicologia social

Resumen

El propósito es discutir los acontecimientos de la narrativa para la comprensión de la metamorfosis de identidad. Para ello, se partirá de una presentación del contexto a que la narrativa pertenece, señalando su potencial de construcción, reconstrucción y reinvención del pasado y del futuro. Serán explotadas las críticas dirigidas a la figura del narrador que estaría en peligro, como diagnosticado por Walter Benjamin, y presentadas contribuciones que puedan justificar el interés contemporáneo de las Ciencias Humanas, especialmente la Psicología Social, por el "giro narrativo". Esto pone de manifiesto la influencia del método Historia de Vida y de la narración en la Psicología Social, así como su importancia en el desarrollo del concepto de identidad como metamorfosis de Antonio Ciampa. Por último, se discutirán algunos retos y cuidados en el uso de narrativas en la investigación en Psicología Social, proporcionando una propuesta de investigación de la identidad como metamorfosis.

Palabras clave: identidad; metamorfosis; la psicología social

Abstract

The purpose of this essay is to discuss the events of the narrative in order to understand the identity metamorphoses. For this, we begin with a brief summary of the context to which the narrative belongs, indicating its potential in the construction, reconstruction and reinvention of the past and the future. Then the criticism directed at the narrator’s figure, which would be endangered, are explored, as diagnosed by Walter Benjamin. Then are presented contributions that can justify the contemporary interest of Humanities, especially social psychology, on the “narrative turn”. These developments show the influence of the life history method and storytelling in social psychology, as well as their importance in the development of the concept of identity as metamorphosis by Antonio da Costa Ciampa. Finally, we discuss some challenges and cautions for the use of narratives in research in social psychology, providing a critical research proposal of identity as metamorphosis.

Keywords: identity; metamorphosis; social psychology

Introdução

A narrativa é movimento em direção a um ponto, não apenas desconhecido, ignorado, estranho, mas tal que parece não haver, de antemão e fora desse movimento, nenhuma espécie de realidade, e tão imperioso que é só dele que a narrativa extrai sua atração, de modo que ela não pode nem mesmo ‘começar’ antes de ter alcançado; e, no entanto, é somente a narrativa e seu movimento imprevisível que fornecem os espaços onde o ponto se torna real e aparente. (Blanchot, 2013, p. 9)

A narrativa pode ser pensada como uma espécie de sutura realizada a partir de vários instantes rememorados dos fragmentos de nossas vidas; ela expressa nossa metamorfose e garante nosso senso de identidade (Ciampa, 1987; Lima, 2010, 2014; Lima & Ciampa, 2012). Por meio do uso de narrativas, somos capazes de construir, reconstruir e reinventarmos o passado e o futuro. Não por acaso, Aristóteles (2012), em sua Parva Naturalia, escreveu que no ato de narrar abre-se espaço para a reminiscência (anamimneskesthai), que não se refere simplesmente àquilo que se pode recordar, enquanto trabalho da memória (mnemes) e da imaginação (mnemoneyein), mas à experiência adquirida por conta do acesso e da articulação com as coisas a que se está submetido continuamente no tempo. Em outras palavras, a narrativa é a expressão da vontade de expressar a permanência de si mesmo no tempo e as mudanças sofridas nesse intervalo. Ela não é uma sequência lógica (uniforme) de eventos, mas uma constelação, em que os acontecimentos mais significativos tomam cena e podem confirmar as trajetórias ou contribuir para defini-las.

Em seu livro sobre As cidades invisíveis, Italo Calvino (1990) oferece uma narração em que a personagem Marco Polo é convocada para descrever uma ponte para Kublai Kahn:

Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra:

- Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? - Pergunta Kublai Khan.

- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra - responde Marco, mas pela curva do arco que estas formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:

- Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.

Polo responde:

- Sem pedras o arco não existe.

(Calvino, 1990, p. 79)

É possível ler esta passagem como uma alegoria da narração. A narrativa (apangelía), desde Aristóteles (2015) em sua Poética, consiste na produção de uma imagem poética (mimēma) que não se confunde com a experiência objetiva que temos das coisas e das ações no mundo, uma vez que não encontramos sua medida apenas em um objeto da representação, mas, principalmente, no efeito mimético produzido. A descrição cuidadosa das pedras que sustentam a ponte, realizada por Marco Polo, procura ultrapassar o simples relato sobre algo no mundo.

“- Sem as pedras o arco não existe”. A sentença não é, todavia, algo fácil de se apreender e amarra consigo a condição de que a própria narração depende da força do narrador e da capacidade de entendimento daquele que escuta a história. Ao dizer “sem as pedras”, Polo adverte o Kahn sobre o mistério da narrativa. Mistério que Walter Benjamin (1994) nos revela em seus escritos de 1933, ao discutir os interesses da narrativa, que não estaria focada na pureza da transmissão da coisa narrada por meio de relatórios ou informações, mas, sim, no mergulho da coisa narrada “na vida do narrador para em seguida retirá-la dele. [produzindo uma marca do narrador na própria narrativa] ... como a mão do oleiro na argila do vaso” (Benjamin, 1933/1994, p. 205).

Ao Kahn é ensinado que, para a compreensão sensível de algo no mundo, torna-se necessária a disposição para uma escuta que deve estar preparada para acompanhar as peripécias do narrador na descrição das metamorfoses em sua narração que é, quase simultaneamente, meio, início e fim do tempo. Não é por acaso que associemos a narração, quase que imediatamente, à Odisseia, escrita por Homero. É possível dizer, enquanto sociedade ocidental, que a narrativa está ligada à metamorfose desde a Odisseia (Homero, 2014), e que esta foi eternizada nas aventuras de Ulisses, sendo o “mito de todas as viagens”, como bem assinalou Calvino (2011, p. 807).

Na Odisseia, entre os episódios mais conhecidos, está o das Sereias (Sirenas), cujo canto, uma vez que não satisfazia os homens, condenava os mesmos a seguirem em direção às fontes verdadeiras do canto, a ponto de perderem-se de si mesmos. É possível pensar que todos os que ficaram apaixonados pelo canto e foram ao seu encontro morreram por terem chegado perto e, por impaciência, terem lançado âncora, imaginando que haviam chegado ao seu destino. Também é possível imaginar que, pelo contrário, muitos tenham morrido por perceberem que era tarde demais, por terem ultrapassado seu objetivo. Entretanto, o que sabemos do canto das sereias é aquilo que Homero narra da experiência de Ulisses, ao seguir os conselhos de Circe:

Aquele que se achegar na ignorância e escutar o som das Sirenas, para ele mulher e crianças pequenas não mais aparecerão nem rejubilarão com seu retorno à casa, pois as Sirenas com o canto agudo o enfeitiçam .... Passa ao largo e tampa os ouvidos dos companheiros com amolecida cera melosa, para que nenhum outro as ouça; mas tu mesmo, se quiseres, ouve após te prenderem as mãos e os pés na nau veloz, reto no mastro, e nele se amarrarem os cabos, para que te deleites com a voz das suas Sirenas. Se suplicares aos companheiros que te soltem, que eles com ainda mais laços te prendam. (Homero, 2014, pp. 350-351)

Ulisses segue os conselhos de Circe e, a partir de sua prudência e teimosia, vence as sereias com o poder da técnica. Mas a que custo? Ora, como sabemos, a custo de sua imobilidade frente ao canto e da condenação dos demais marinheiros ao trabalho, como bem analisaram Theodor W. Adorno e Max Horkheimer (1985). A atitude de Ulisses, a espantosa surdez de quem é surdo porque escuta de modo instrumental, ensinou aquilo que Kafka (2002) havia assinalado como a arma mais poderosa das sereias: o seu silêncio. Aliás, Kafka traz uma hipótese interessante sobre esse episódio:

Apesar de não ter acontecido isso, é imaginável que talvez alguém tenha escapado ao seu canto; mas do seu silêncio certamente não. Contra o sentimento de tê-las vencido com as próprias forças e contra a altivez daí resultante - que tudo arrasta consigo - não há na terra o que resista. E de fato, quando Ulisses chegou, as poderosas cantoras não cantaram, seja porque julgavam que só o silêncio poderia ainda conseguir alguma coisa desse adversário, seja porque o ar de felicidade no rosto de Ulisses - que não pensava em outra coisa a não ser em cera e correntes - as fez esquecer de todo e qualquer canto. (Kafka, 2002, pp.104-105)

As sereias, aparentemente vencidas pelo poder da técnica, assim, venceram no final. Elas foram incluídas pela eternidade na Odisseia, e, conforme assinalou Aristóteles (2015), Ulisses, sem perceber, embora tenha pensado que havia escapado, foi atraído para onde não queria ir e condenado à navegação infeliz da narrativa, convocado ao canto não mais imediato e submetido à exclusão de toda a alusão a um objetivo ou destino, tal como ocorreria em todas as epopeias. Na Odisseia, sobretudo a partir do episódio em que ocorre o encontro de Ulisses com as sereias, a narração torna presente a ação que é a metamorfose em todos os planos que se possa atingir.

Nesse caso, a narração é entendida como uma ação que não se trata de uma alegoria, que, como bem assinalou Benjamin (2011, p. 175), uma vez que a narração trata apenas de “um conceito geral, ou uma ideia, diferentes dela mesma”, é o próprio símbolo, é o conceito que desce e integra-se ao mundo corpóreo, transcendendo o mito. Ela representa o encontro da narrativa com as sereias, ou ainda, a obscura luta travada entre a capacidade de intercambiar experiências do narrador em seu encontro com o outro. É certo que Benjamin (2012) foi certeiro ao localizar a decadência da figura do narrador na contemporaneidade, principalmente após o retorno da guerra, em que se tornava, cada vez mais, impossível falar sobre a experiência. A vida articulada em si mesma de forma contínua e heroica, que somente a postura do narrador conseguia expressar, parecia nesse período estar fadada ao esquecimento. As pessoas ansiavam pela libertação das experiências e pela submissão ao progresso técnico, por estarem “cansadas das infinitas complicações da vida quotidiana, e para as quais a finalidade da vida se descortina apenas como ponto de fuga longínquo numa infindável perspectiva de meios” (Benjamin, 2012, p. 90).

O ceticismo de Benjamin é compreensível diante da forma do romance, que sofria com a perda de muitas de suas funções para a reportagem e para a indústria cultural, principalmente para o cinema, tal como a pintura perdeu muitas de suas funções para a fotografia. Se contar algo, narrar sobre alguma coisa, significava ter algo especial a dizer, em um mundo administrado e preso à mesmice, essa possibilidade parecia de fato esgotada. Entretanto, ao que nos parece, a figura do narrador resiste, sobretudo na forma do romance, mesmo sofrendo com a mercantilização. Georg Lukács (2000, p. 55), em seu estudo sobre a teoria do romance, defende a ideia de que esse gênero é “a epopeia de uma era para a qual a totalidade extensiva da vida não é mais dada de modo evidente, para a qual a imanência do sentido à vida tornou-se problemática, mas que ainda assim tem por intenção a totalidade”.

Embora sofrendo as fortes investidas da colonização do mundo da vida (Lebenswelt) pela lógica sistêmica (Habermas, 1990), em uma realidade administrada, o romance ainda busca descobrir e construir, pela sua forma, a totalidade de uma vida. Não por acaso, Lukács (2000) escreve que a forma exterior do romance é eminentemente biográfica. Isso porque, na forma biográfica, “a aspiração sentimental e inalcançável tanto pela unidade imediata da vida quanto pela arquitetônica que tudo integra do sistema é equilibrada e posta em repouso - é transformada em ser” (Lukács, 2000, p.78). Em outras palavras, o relato biográfico apresentado pelo narrador dá forma para as coisas no mundo e, em geral, oferece as credenciais para nosso acesso à realidade.

Esse narrador, conforme identificou Adorno (2003, p. 59), parece fundar, nessa condição, “um passo em falso no mundo estranho”, que é a manifestação de uma estranheza frente àquilo que é familiar. Não por acaso, o procedimento de Kafka, por exemplo, é tomado como emblemático por Adorno, uma vez que em Kafka a distância, como método de narração, é acolhida completamente e pode ser incluída entre os casos extremos,

nos quais é possível aprender mais sobre o romance contemporâneo do que em qualquer das assim chamadas situações médias “típicas”. Por meio de choques ele destrói no leitor a tranquilidade contemplativa diante da coisa lida. Seus romances, se é que de fato eles ainda cabem nesse conceito, são a resposta antecipada a uma constituição do mundo na qual a atitude contemplativa tornou-se um sarcasmo sangrento, porque a permanente ameaça da catástrofe não permite mais a observação imparcial, e nem mesmo a imitação estética da situação. (Adorno, 2003, p. 61)

A narração, assim, é tomada como uma forma de se impor contra a mentira da representação, da ficção e, na verdade, construída sobre o próprio narrador, que busca, no próprio relato, oferecer outras perspectivas para a compreensão de sua identidade. É possível dizer, ainda, que as biografias apresentadas pelo romance, justamente por estarem atravessadas pelo mundo administrado e impedidas de se aproximar diretamente das fatalidades, têm permitido a expressão daquilo que se vive e não pode ser vivido, oferecendo acesso à compreensão das formas de dominação. Como escreveu Eugène Enriquez (2009, p. 10), reafirmando a potência da narrativa:

o social é continuamente presente na medida em que cada história individual se inscreve num contexto sócio-histórico preciso e que este tem uma importância decisiva para a constituição e o devir do sujeito. Do mesmo modo, este último, ao perceber e ao apreender o contexto de determinada maneira, tenderá colorá-lo com sua própria cor, transformando-o. O indivíduo é inseparável do coletivo, o particular remete sempre ao universal. (Enriquez, 2009, p. 10)

Não é de se estranhar, portanto, que diferentes formas de narrativas (histórias e relatos de vida, diários, autobiografias, etc.) venham ganhando cada vez mais destaque e sejam cada vez mais utilizadas nos últimos anos pelas Ciências Humanas, sobretudo pela História, pela Sociologia e pela Psicologia Social. A busca por metodologias qualitativas tem fortalecido o interesse pelo chamado “modo narrativo de pensamento de expressão” (Bruner, 1986). Se fizermos uma rápida revisão de literatura, encontraremos pelo menos as seguintes propostas analíticas para narrativas de história de vida e identidade: análise de si mesmo (Piña, 1988); análise clínica de narrativas (Sharim, 2005); identidade narrativa (Ricoeur, 2011), análise da identidade (Demazière & Dubar, 1997); análise da identidade narrativa (Mcadams & Mclean, 2013); análise da identidade como metamorfose (Ciampa, 1987); narrativa de história de vida (Lima, 2014), entre outros.

É certo que existe um desencontro entre a origem do uso na história oral e seu uso enquanto método interdisciplinar de pesquisa (Santhiago, 2016, p. 85). Todavia, pode-se dizer que o pioneirismo na apropriação de narrativas na pesquisa no Brasil, no caso da Psicologia Social, pode ser atribuído a Ecléa Bosi (1979), em seu trabalho sobre a memória social. A esse respeito, Pereira de Queiroz (1988) assinalou que somente após a apresentação dos potenciais de uso da história de vida no aprofundamento das análises da memória de velhos, realizada por Bosi, é que a história de vida foi estendida às pesquisas acerca de questões sociais, as quais não existia documentação significativa, sobretudo de determinados grupos e categorias profissionais que não eram considerados preocupações e problemas acadêmicos.

Pereira de Queiroz (1988) defendeu ainda que, ao mostrar-se como uma técnica capaz de captar aquilo que acontece na encruzilhada da vida individual e social, a história de vida passou a ser utilizada tanto por sociólogos como por psicólogos brasileiros, ocorrendo uma determinada orientação de coleta de dados de acordo com o tipo de pesquisa que cada um desses campos desenvolvia. No caso da Sociologia, buscava-se nos entrevistados as marcas de seu grupo étnico, camada social e pertencimento; no caso da Psicologia, buscava-se as particularidades que singularizavam os indivíduos. Uma dicotomia e redução da história de vida a uma técnica de coleta de dados que era comum à Psicologia Social da época (em certa medida essa disputa acerca das orientações psicológica e sociológica persiste até os dias de hoje) e que somente foi questionada, em meados dos anos de 1980, no estudo sobre a metamorfose da identidade, intitulado A estória do Severino e a história da Severina, publicado por Antonio da Costa Ciampa em 1987.

A ênfase dada na análise da narrativa de história de vida apresentada por Severina, participante da tese de doutorado defendida por Ciampa, em 1986, considerando sua subjetividade e interpretação singular sobre os mais diversos episódios experienciados ao longo de sua vida, apresentou para pesquisadores posteriores uma alternativa às críticas feitas aos perigos do uso das histórias de vida como dados que permitiriam a compreensão da “unidade do eu”, de uma identidade coerente e específica, tal como uma estrada, caminho, trajeto, como se fosse a expressão de uma série de acontecimentos sucessivos de ordem cronológica. Problemas que foram fortemente criticados por Pierre Bourdieu (2006), quando discorreu sobre a “ilusão biográfica” e os desafios de sua análise.

Não podemos compreender uma trajetória (isto é, o envelhecimento social que, embora o acompanhe de forma inevitável, é independente do envelhecimento biológico) sem que tenhamos previamente construído os estados sucessivos do campo no qual ela [história de vida] se desenrolou e, logo, o conjunto das relações objetivas que uniram o agente considerado - pelo menos em certo número de estados pertinentes - ao conjunto dos outros agentes envolvidos no mesmo campo e confrontados com o mesmo espaço dos possíveis. (Bourdieu, 2006, p. 190)

É possível dizer que a apropriação e a análise da narração presente em “Morte e vida Severina”, poema de João Cabral de Melo Neto (1956/2016), e a narração da história de vida de Severina permitiram a ampliação da compreensão da identidade, entendida, a partir de então, enquanto metamorfose (Ciampa, 1987). Essa forma de apropriação e utilização do método de história de vida tornou mais adequado chamar o material coletado e sua análise de “narrativa de história de vida”, uma vez que foi justamente a narração, sobre os diferentes acontecimentos e os sentidos dados por Severina, o objeto central de análise da pesquisa. Essa perspectiva de pesquisa inaugurada se alinha à “virada narrativa” nos estudos de identidade na Psicologia Social, que pode ser observada nos trabalhos de Sools, Murray, e Westerhof (2015), McAdams e McLean (2013), Adler (2012), Adler, Skalina, e McAdams (2008), McAdams (1996, 2006), McAdams, Josselson, e Lieblich (2001), Riessman (2008), Ezzy (1998), Sarbin (1986), Gergen & Gergen (1988), entre outros.

Nela, o ato de narrar se apresenta performaticamente como uma identidade, a partir da reconstrução do passado, da revelação de conflitos, rupturas e pactos que fez com outros e consigo mesmo. Nessa perspectiva de narrativa de identidade, em que a identidade é compreendida como metamorfose, o narrador não é concebido apenas como um receptáculo inofensivo que incorpora as predicações e as dramatiza no cotidiano, mas alguém capaz de apresentar uma história, propor novas personagens e oferecer elementos para a análise política das condições sociais subjetivas e objetivas que está inserido (Lima, 2014). Como consequência, é imprescindível que as coordenadas de pesquisa sejam reorientadas e passem a considerar que o estudo das identidades devem seguir uma lógica negativa, ou seja: (a) estudar identidade deve ser mais do que uma descrição de características identificatórias, não sendo suficiente compreender só a história de um indivíduo ou de um grupo, sendo necessário apreender a não identidade; (b) estudar identidade é analisar os processos de individuação-socialização e/ou alienação-emancipação, buscando compreender a sociedade e a política em que o indivíduo está inserido; (c) estudar identidade é identificar como ocorrem os modos de reconhecimentos dos indivíduos submetidos às (bio)políticas de identidades; (d) estudar identidade é procurar nas narrativas a expressão de fragmentos de resistência, de emancipação.

Portanto, os estudos de identidade, realizados na perspectiva do que chamamos de Psicologia Social Crítica e que se propõem entender as narrativas contemporâneas a partir da concepção de que a identidade é metamorfose, não podem desconsiderar a potência da narração, em que o narrador pode até não ser capaz de contar as suas experiências para alguém como antes se contava uma aventura, mas pode, certamente, apresentar os esboços das prisões e dominações que está submetido, permitindo a percepção de uma guerra que nunca terminou. As histórias de vida narradas não devem ser concebidas apenas como efeitos discursivos, “mas também como registros de processos, nos quais o self, como o/a autor/a ou narrador/a de sua história, transgride os limites de poder e limitações ao seguir ‘linhas de fuga’ em sua constituição como sujeito político” (Tamboukou, 2016, p. 75).

Em “A estória do Severino e a história da Severina” (Ciampa, 1987), aprendemos que a narrativa começa onde as meras descrições terminam; mais ainda, aprendemos que é possível dizer que a narrativa de uma história de vida evidencia uma sucessão de contextos e de personagens, em que o que é relatado não só afeta os próprios contextos, como também transforma os próprios narradores. As narrativas como possibilidades em que os indivíduos podem apresentar suas identidades acabam por facilitar a compreensão dos processos de metamorfose, cuja busca de reconhecimento pelo sujeito é somente alcançada quando ele consegue se expressar por meio de personagens (Ciampa, 1987; Lima, 2010). Ao convidar uma pessoa para narrar sua história de vida é disparada uma relação intersubjetiva em que as identidades pressupostas do entrevistador (que quer escutar a história) e do narrador (que imagina que o entrevistador quer saber algo específico sobre sua história) operam em torno do tema da pesquisa.

Nesse sentido, a narrativa deve ser tratada pelo pesquisador como algo sempre ao mesmo tempo inteligível e frágil, que precisa levar em consideração aquilo que Butler (2010) chamou de “precariedade do viver socialmente”, que significa descobrir que nossa vida está, desde sempre, nas mãos de um outro. Sendo que aquilo que o relato apresenta deve ser tratado menos pela verdade que carrega e mais pelos efeitos que a colonização do mundo da vida provoca na vida do narrador. Em outras palavras, essa forma de análise das narrativas das metamorfoses foge da pretensão de busca de algum universal que poderia oferecer a possibilidade de dizer: eis aqui a identidade. Não se trata também de partir a priori de uma posição humanista para dizer: eis o que é a essência humana, eis o que é a natureza humana, eis o que é a emancipação humana, eis o que é a liberdade humana etc.

Uma vez que não existe um referencial específico para a análise para as narrativas, conforme assinalaram Alex Lainé (1998) e Michel Legrand (1993), trata-se de assumir a impossibilidade de acessar de antemão o que o narrador nos apresentará e se apoiar nesse “vazio”, na prática de uma ação a qual se admite não saber nada sobre a narração que está por vir, a não ser, claro, que ela será apresentada por um sujeito que está localizado em um contexto histórico e social específico e que foi convidado para narrar sobre si mesmo para alguém que pesquisa um determinado tema. O pesquisador, desse modo, deve estar disposto a desconstruir os próprios preconceitos sobre o campo em que está inserido, a aprender com aquele que narra sua história.

Pode-se perguntar: quantas entrevistas seriam então necessárias para a realização de uma pesquisa dessa natureza? Qual critério utilizar? Como fazer a análise dos dados? São perguntas de difícil resposta, uma vez que não se pode saber de antemão o que se irá estudar de fato a partir da narrativa. Alguns autores contemporâneos ainda defendem critérios numéricos em pesquisas qualitativas, buscando responder a crítica da impossibilidade de generalização dos dados realizada pela ciência positivista. Daniel Bertaux (2009), por exemplo, desde meados da década de 1980, tem procurado, a partir do uso da saturação de sentido, resolver esse “problema” que estaria na dificuldade que existiria em uma metodologia qualitativa para a compreensão da “repetição” de conteúdo. Para esse pesquisador, quando “estamos certos de ter tocado num fenômeno que não é só fruto da imaginação (no sentido da propensão à fantasia) dos pesquisadores, nem da de um interlocutor mitômano” (Bertaux, 2009, p. 27), estaríamos diante do primeiro nível de saturação de sentido, daquilo que pode ser identificado como um objeto sociológico.

Na direção contrária à de Bertaux, desde as proposições apresentadas em “A Estória do Severino e a história da Severina” (Ciampa, 1987), tem-se esboçado um quadro metodológico dentro do qual se pode defender que “a questão central da Psicologia, ou pelo menos para a Psicologia Social, que se propõe estudar os indivíduos como pessoas, é a ‘metamorfose humana’” (Ciampa, 19971, p. 1). As consequências dessa proposição obrigam o pesquisador a rejeitar a ideia de que a identidade pode ser estudada como algo dado, uma vez que esta é a articulação entre a igualdade e a diferença. Dito de outro modo, é proposto que a metamorfose da identidade, acessada por meio de uma ou várias narrativas, nunca pode ser representada em sua totalidade.

A utilização da narrativa de história de vida, assim, não se interessa em construir um fato social, em expressar aquilo que seria “comum” para “todos” os indivíduos. O interesse está em compreender os elementos da singularidade que materializam o universal. Na tese de doutorado defendida em 2009, por Aluísio Ferreira de Lima, ao invés da análise de apenas uma história de vida, como realizado por Ciampa, em 1986, foram analisadas três narrativas distintas que possibilitaram perceber que a apropriação do discurso psiquiátrico pelos sujeitos não ocorre de uma forma padronizada como, muitas vezes, faz acreditar a literatura convencional da Reforma Psiquiátrica Brasileira (Lima, 2010). Todavia, diversos elementos comuns entre essas duas pesquisas foram observados como persistentes, sobretudo a análise de como diferentes personagens foram sendo criadas e impedidas de se realizarem devido à implementação de novas formas de controle e administração por meio de identidades pressupostas, estigmas, violências e medicalização da vida, evidenciando a manutenção de condições e práticas sociais desiguais e segregadoras.

Como nos ensinou Lane (1987, p. 10), a “preocupação com a objetividade do empírico abre espaço para a subjetividade como processo histórico”, ou seja, a preocupação com a generalização dos dados, deve ceder lugar para a preocupação com o aprofundamento dos dados. Desse modo, se é possível falar de um ponto de saturação de sentido nas narrativas de história de vida, este deve ser considerado pelo aprofundamento da análise que se pode obter a partir da narração a qual se tomou contato. A preocupação com a quantidade adequada para se conseguir uma generalização dos dados deve ceder lugar para a consideração da qualidade da análise das narrativas, que dependerá da capacidade do pesquisador em trabalhar com as histórias que conseguir.

Se narrar sempre foi a arte de contar novamente uma história e essa arte “se perde quando as histórias não são mais conservadas... porque ninguém mais fia ou tece enquanto ouve a história” (Benjamin, 1994, p. 205), o lugar do pesquisador que pretender acessar as metamorfoses da identidade é o de tecelão que assume a tarefa de tecer a “rede em que está guardado o dom narrativo”. É a partir desse material, desconhecido e inesperado, que se pode tomar os problemas ligados à pesquisa de identidade, na perspectiva da metamorfose. Material que embora expresse o “vazio” do pesquisador frente ao acesso aos problemas que estão relacionados à vida dos sujeitos, está repleto de pressupostos que impedem a percepção do narrador e do pesquisador de, muitas vezes, compreenderem os efeitos da colonização do mundo da vida, da racionalidade sistêmica, da dominação, das experiências, dificultando a compreensão dos fragmentos de emancipação, transformando práticas de submissão em exemplos de superação e emancipação. “Sem pedras o arco não existe”! A lição de Marco Polo deixada a Kublai Kahn, conforme assinalamos no início desse ensaio, deve servir como inspiração e como alerta num momento em que o pensamento de época insiste em tomar como mais importante os fins. A preocupação com os meios aparece como uma das possibilidades de vislumbre dos fragmentos de emancipação, da apreensão, pela narrativa e pelo narrador, de alternativas às alternativas existentes.

Agências de fomento

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [CNPq] - Bolsa de Produtividade em Pesquisa - Processo n. 305212/2015-0.

Referências

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Recebido: 31 de Outubro de 2016; Revisado: 03 de Maio de 2017; Aceito: 10 de Maio de 2017

Endereço: Av. da Universidade, 2762 - Área II - Centro de Humanidades - Departamento de Psicologia. Fortaleza/Ceará, Brasil. CEP 60020-180. E-mail: aluisiolima@hotmail.com

E-mail: acciampa@pucsp.br

Aluísio Ferreira de Lima é psicólogo com estágio pós-doutoral, doutorado e mestrado em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Especialista em Saúde Mental pela Universidade de São Paulo (USP) e Especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP/11). É Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará/UFC e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Mestrado Profissional em Saúde da Família UFC/FIOCRUZ/RENASF. É bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ-2) do CNPq, líder do PARALAXE: Grupo Interdisciplinar de Estudos, Pesquisas e Intervenções em Psicologia Social Crítica UFC e colíder do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa sobre Identidade Humana - NEPIM/PUCSP.

Antonio da Costa Ciampa é psicólogo, mestre doutor em Psicologia Social pela PUCSP. Professor de Psicologia Social na PUC-SP, é autor de "A estória do Severino e a história da Severina" que, entre reedições e reimpressões, já foi publicado onze vezes. Como pesquisador lidera o Grupo interdisciplinar de pesquisa sobre identidade humana da PUC-SP e participa como pesquisador colaborador do PARALAXE: Grupo interdisciplinar de estudos, pesquisas e intervenções em Psicologia Social Crítica da UFC.

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