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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.30  Belo Horizonte  2018  Epub Nov 14, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1807-0310/2018v30174086 

Artigos

CARTOGRAFIAS NO CIBERESPAÇO: EXPERIMENTAÇÕES METODOLÓGICAS EM ESPAÇOS HÍBRIDOS

CARTOGRAFÍAS EN EL CIBERESPACIO: EXPERIMENTACIONES METODOLÓGICAS EN ESPACIOS HÍBRIDOS

CARTOGRAPHIES IN CYBERSPACE: METHODOLOGICAL EXPERIMENTATIONS IN HYBRID SPACES

Alana Soares Albuquerque1 
http://orcid.org/0000-0002-8455-9180

Inês Hennigen1 
http://orcid.org/0000-0002-0973-5973

Tania Mara Galli Fonseca1 
http://orcid.org/0000-0002-5912-4951

1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS, Brasil

Resumo

O presente artigo tem como objetivo explorar as potencialidades do método da cartografia de Deleuze e Guattari no âmbito das redes digitais, levando em conta o advento das mídias locativas e das tecnologias de geolocalização que fazem surgir os espaços híbridos, nos quais a experiência de se movimentar no espaço geográfico coincide com o movimento pelo ciberespaço. O artigo discute as possibilidades de associação da cartografia com outras estratégias metodológicas, como a flânerie e os diários de bordo, com o intuito de fazer frente à complexidade dos processos de subjetivação que são atravessados hoje pelo acoplamento cada vez mais íntimo com as tecnologias digitais. Exploramos, enfim, estratégias que podem ser pensadas para fugir às estrias de um espaço digital cada vez mais dominado pelo controle e pela vigilância, evidenciando como a atitude cartográfica pode nos auxiliar a desfazer os mapas, em direção a processos de criação e singularização.

Palavras-chave: cartografia; ciberespaço; mídias locativas; redes digitais; subjetividade

Resumen

Este artículo tiene como objetivo explorar el potencial del método de la cartografía de Deleuze y Guattari en las redes digitales, teniendo en cuenta la expansión de los medios de comunicación locativos y de las tecnologias de geolocalización que dan lugar a espacios híbridos, en los cuales la experiencia de moverse en espacios geográficos coincide con el movimiento en el ciberespacio. El artículo discute las posibilidades de asociación de la cartografía con otras estrategias metodológicas, como la flânerie y los cuadernos de bitácora, con el fin de hacer frente a la complejidad de los procesos de subjetivación que hoy se acoplan cada vez más estrechamente con las tecnologías digitales. En fin, exploramos estrategias que pueden ser pensadas para huir a las estrías de um espacio digital cada vez más dominado por el control y la vigilancia, evidenciando cómo la actitud cartográfica puede ayudarnos a deshacer los mapas, hacia procesos de creación y singularización.

Palabras clave: cartografía; ciberespacio; medios de comunicación locativos; redes digitales; subjetividad

Abstract

The aim of this article is to explore the potential of Deleuze and Guattari’s cartography method in the context of digital networks, taking in account the advent of locative media and geolocation technologies that create hybrid spaces in which the experience of moving in the geographical space coincides with the movement through cyberspace. The article discusses the possibilities of associating the cartography method with other methodological strategies, such as the flânerie and the logbooks, to face the complexity of the processes of subjectivation that are currently intersected to intimate assemblages with digital technologies. Finally, we explore strategies that can be devised to escape the striations of a digital space increasingly dominated by control and surveillance, foregrounding how the cartographic attitude can help us to undo the maps, towards processes of creation and singularization.

Keywords: cartography; cyberespace; locative media; digital network; subjectivity

O cenário da hiperconectividade

E então a noite chega. Em uma viagem de cinco horas - corriqueira para mim, na condição de estrangeira com saudade de casa - às vezes se pode passar por dois turnos do dia na estrada. Dentro do ônibus escuro, as impressões mudam: pelo vidro ao meu lado, durante alguns momentos me deparo com uma falta total de cor; na janela preta, apenas alguns pontos de luz passam como riscos. Do lado de dentro, observo pelo canto do olho luzes azuladas que iluminam perfis. Com um olhar mais atento, consigo ver alguns passageiros interagindo - solitários? - com seus celulares, tablets e notebooks. Alguns deles usam fones de ouvidos, aumentando o acoplamento com suas pequenas máquinas e a distância que os sinto de mim. O tímido sorriso no rosto de um deles me faz imaginar que alguém, do outro lado da rede, causou-lhe alguma emoção. As cinco horas de viagem me obrigam a inventar algo para passar o tempo. Pego também o meu celular conectado à rede wi-fi do ônibus, para checar as redes sociais e, quem sabe, interagir com alguém que também esteja online, ao alcance de um clique, ironicamente próximo. (Diário de bordo)

Com os mais atuais dispositivos tecnológicos, como os smartphones e tablets, o pequeno corpo humano, aumentado agora por seus acoplamentos cibernéticos, carrega consigo as possibilidades do mundo-cidade, percorre trajetos de olhos fixos no cursor de uma tela, anda guiado pelas indicações do GPS, atende a uma multiplicidade de tarefas simultaneamente, dentre elas, escrever e ler postagens em suas redes sociais, atentando para as últimas notícias de seus contatos, que, também conectados, marcam posição instantânea, como em um presente vivo e sensório-motor.

Diante do cenário tecnológico atual, podemos observar que nosso cotidiano é tomado cada vez mais por essas pequenas máquinas que se acoplam intimamente ao nosso corpo e à nossa subjetividade. A emergência de hibridizações cada vez maiores entre humanos e não-humanos - entendendo aqui as máquinas tecnológicas como entidades que atuam diretamente na realidade social - atualizada para a contemporaneidade nos remete à condição de conexão contínua, generalizada e em rede, como pela internet, através dos chamados dispositivos móveis de comunicação. Nesse cenário de hiperconectividade, corpos e máquinas se confundem, materialidade e imaterialidade se alternam pelas conexões sem fio e no labirinto infinito do ciberespaço.

Esses novos agenciamentos entre os humanos e suas pequenas máquinas tornam-se possíveis a partir da difusão de tecnologias de acesso à internet móvel e sem fio, que já não precisam mais se limitar a um ponto de acesso fixo, como os antigos computadores de mesa ou desktop. A condição atual de ubiquidade da rede, envolvendo-nos em um estado de conexão generalizada, destaca a coincidência entre o deslocamento pelo espaço geográfico e a navegação pelo ciberespaço, já que o usuário pode conectar-se à rede enquanto se desloca no mundo físico. Dessa maneira, quando está conectado à rede e em movimento - o que hoje em dia ocorre com frequência, dada à cobertura que os sinais de internet wi-fi e 4G oferecem nos grandes centros urbanos -, o usuário não se encontra mais em um espaço estritamente territorial, geográfico, mas sim em um híbrido território/rede comunicacional (Santaella, 2010).

Lemos (2009) também se refere à natureza híbrida da constituição do espaço na contemporaneidade, dando ênfase a essa coincidência entre a mobilidade física (deslocamento no espaço) e a mobilidade informacional (deslocamento no ciberespaço), experiência que, para o autor, faz com que criemos novos sentidos territoriais e novas formas de nos relacionarmos com os lugares. Para Santaella (2008), nesses novos espaços, rompe-se a distinção tradicional entre espaço físico, de um lado, e digital, de outro. Assim, um espaço “intersticial”, como a autora o denomina, ocorre quando não mais se precisa “sair” do espaço físico para entrar em contato com ambientes digitais. Esses espaços ganham força justamente a partir do advento das mídias locativas, que são tecnologias baseadas em lugares, ou seja, tecnologias sem fio, de rastreamento, de posicionamento, que permitem que a informação seja ligada aos espaços geográficos.

Nesse contexto de mobilidades híbridas, a conexão em rede pela internet é cada vez mais onipresente. Devido a esse tipo de tecnologias, experimentamos uma imersão cada vez maior no ciberespaço, considerado a rede das redes. Termo criado pelo escritor William Gibson (2008) em seu romance de ficção científica Neuromancer, de 1984, a expressão é resgatada posteriormente por teóricos para definir a própria internet, a exemplo de Pierre Lévy (1999, p. 92), que o define como “o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores”.

Em tal cenário de hiperconectividade que estamos tentando descrever, o ciberespaço, considerado anteriormente como “espaço” digital gerado pela conexão em rede, uma dimensão como que dissociada da realidade concreta, em formato de “nuvem” - para usar um termo corriqueiro no âmbito da informática - assume novos contornos e novos modos de existir, imbricado agora intimamente à realidade geográfica e material, espalhado pelas coisas e pelos lugares, como podemos observar nas tecnologias de realidade aumentada, que acoplam informações digitais a territórios geográficos. Navegar no ciberespaço, nesse contexto, é também explorar os ambientes geográficos, experimentando novos processos de territorialização e desterritorialização.

A complexidade desse duplo movimento ao qual estamos nos referindo (o do corpo “físico” no espaço geográfico e do corpo “virtual” no ciberespaço) certamente merece ser explorada com mais profundidade, já que essas maneiras de nos relacionarmos com o espaço através dos dispositivos móveis de comunicação acabam imprimindo transformações significativas em nossos modos de subjetivação. Tendo em vista esse problema, o presente artigo, fruto de uma pesquisa de mestrado agora revisitada, tem como objetivo explorar as potencialidades do método da cartografia de Deleuze e Guattari (1995) em pesquisas de orientação ético-estética no âmbito das redes digitais, levando em conta tal entrelaçamento que se vê hoje entre os espaços urbanos e o ciberespaço. Dada a condição atual de hibridez desses espaços que mesclam a experiência de movimentação com a de estar conectado em rede, investimos em experimentações cartográficas a partir da imersão da pesquisadora em tais territórios híbridos.

Em uma tentativa de cartografar os processos de subjetivação envolvidos no gesto de compartilhar escritas fragmentadas e instantâneas em tempo real nas redes, que chamaremos aqui de ciberescritas, traçou-se um processo de pesquisa que se fez em movimento tanto pelas tramas da rede quanto pelos espaços da cidade. Este artigo, portanto, ao mesmo tempo em que se constitui como uma espécie de relato de tal experimentação metodológica, procura lançar algumas pistas para repensar as possibilidades do método da cartografia diante da complexidade dos espaços híbridos nos quais estamos atualmente imersos.

Mapas, linhas, forças: começando pelo meio

“-Um pequeno, preto (guarda-chuvas), por favor. -Dez reais.” Era daqueles que se dobram com o primeiro vento que bate. Talvez eu não tenha medido corretamente a proporção da chuva, ou apenas tenha priorizado a provisoriedade da situação. Seis da tarde. Trânsito parado, buzinas. Pessoas correndo. Pessoas correndo molhadas. Guarda-chuvas que colidem. A melancolia da hora azul ganha um novo significado em meio à agitação do centro da cidade. Protesto, música indígena, comédia. Movimento de corpos, caos, água, poças. Com meu guarda-chuva frágil esbarrando na multidão apressada e com as botas já encharcadas, tudo que consegui foi cantarolar em meus pensamentos: singing in the rain, just singing in the rain... Escritas móveis compartilhadas. É preciso escrever, mesmo que a água da chuva molhe um pouco o visor do celular. A urgência do pensamento que não pode esperar para se materializar, pião enlouquecido que precisa ganhar materialidade imediata. Ocupo o tempo da espera ociosa na parada do ônibus e do percurso que se alonga por causa do congestionamento da hora do rush com uma ciberescrita de impressões sobre o fim de tarde em Porto Alegre. (Diário de bordo)

Àquele que se lança na aventura do pesquisar, eleger seu objeto de pesquisa é estar já em território e em movimento. Para falar do método da cartografia, precisamos atentar primeiramente a uma determinada postura diante da produção de conhecimento que leva em conta uma íntima relação do pesquisador com seu campo e seu objeto de pesquisa. Para realizarmos uma cartografia devemos começar pelo meio, reconhecermo-nos como estando imbricados em uma complexa rede rizomática de onde nenhum elemento pode escapar de conexões múltiplas e variadas. Entendendo que a própria produção de subjetividade está entrelaçada intimamente a esse rizoma espaço-temporal, em que lugar poderíamos nos situar enquanto pesquisadoras para investigar esses processos? Em nosso caso, interessadas pelas subjetividades que habitam o ciberespaço, como deveríamos tomar essa problemática, tendo como foco os agenciamentos entre humanos e suas máquinas tecnológicas no cenário da hiperconectividade?

É importante lembrar que a cartografia não deve ser entendida aqui como algo que corresponda à seção metodológica de um trabalho, mas sim como um modo de fazer e de pensar que atravessa toda a constituição de uma pesquisa. O procedimento cartográfico, para além de uma metodologia a ser empregada, envolve um certo modo de pensar e de estar no mundo, um determinado ethos diante da realidade, e fazer uso de tal bagagem conceitual supõe necessariamente uma problematização da implicação do sujeito-pesquisador com a rede na qual se encontra inevitavelmente imbricado. Entendemos a cartografia, dessa forma, não só como um método, mas também como um modo pelo qual nos subjetivamos, como sendo constituinte de nossos modos de estar em agenciamento com o mundo.

Deleuze e Guattari (1995) nos apresentam a cartografia não exatamente como um método, mas como um dos princípios do rizoma, uma forma para entendê-lo e penetrá-lo. Partindo de uma crítica ao modelo de “decalque” ou aos métodos representacionistas, os autores defendem que o mapa realizado na cartografia não reproduz um fenômeno fechado sobre ele mesmo, mas sim o constrói. O mapa, ao contrário de um decalque que apenas reproduz, é aberto, conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível e suscetível de receber modificações constantemente. Já Rolnik (2007), que também problematiza o que seria tal método, remonta o conceito à geografia e explica:

Para os geógrafos, a cartografia é um desenho que acompanha e se faz ao mesmo tempo que os movimentos de transformação da paisagem. Paisagens psicossociais também são cartografáveis. A cartografia, nesse caso, acompanha e se faz ao mesmo tempo que o desmanchamento de certos mundos - sua perda de sentido - e a formação de outros: mundos que se criam para expressar afetos contemporâneos, em relação aos quais os universos vigentes tornaram-se obsoletos. (Rolnik, 2007, p. 23)

Entendendo que os processos de produção de subjetividade possuem como características o movimento, a transformação e a processualidade, Kastrup e Barros (2012) também afirmam que não podemos utilizar um método de investigação que vise representar um objeto, e sim devemos escolher um método capaz de acompanhar um processo em curso. A cartografia atenta, enfim, não para um objeto já constituído ou para um caminho metodológico já prescrito, mas para as linhas que constituem o objeto e sua relação com o mundo. Entendemos, dessa forma, que a produção de conhecimento e a criação do novo não são incompatíveis com uma forma de descrição da realidade, que aqui não se faz por decalque (que impõe representações prévias), mas sim pelo acompanhamento de processos, pelo tracejar das linhas que dão forma à realidade que estamos tentando adentrar. Mostrar o que acontece nem sempre se resume apenas a representar uma realidade, pois a experimentação se torna produtiva justamente ao mostrar de outra forma o que se passa, ao identificar linhas que antes não haviam se mostrado.

Para Deleuze (1992), as linhas são os elementos constitutivos das coisas e dos acontecimentos, e por isso cada coisa tem a sua geografia, sua cartografia. Barros e Kastrup (2012), entendendo tal processo de constituição das coisas, salientam que o objetivo da cartografia é desenhar a rede de forças à qual o objeto ou fenômeno em questão se encontra conectado, dando conta de suas modulações e de seu movimento permanente. Nesse sentido, cartografar é ver surgir a forma de um desenho que até a sua finalização era indiscernível. A cartografia tenta apreender, dessa forma tateante, o movimento da realidade, em um processo no qual não existem pontos que ordenem este caminho e tracem um único percurso possível, pois o que está em jogo aqui é um certo tipo de sensibilidade do pesquisador que, à mão livre, delineia os contornos a partir dos quais emerge uma imagem singular: a sua cartografia. Como os viajantes com seus diários de bordo, o cartógrafo traça o seu percurso no movimento em que ele acontece, produzindo um registro que servirá não como roteiro pronto a ser seguido, como o das metodologias do tipo decalque, mas como inspiração para novas viagens singulares.

De forma micropolítica, cartografar envolve estar entre as coisas do mundo, conectar-se a tal rizoma espaço-temporal e acompanhar o movimento das linhas de força que o formam e desmancham, reconhecendo nossa inevitável implicação em tal movimento. Como escreve Nietzsche (2012, p. 12), não somos simples aparelhos de objetivar e registrar, pois estar vivo já “significa, para nós, transformar continuamente em luz e flama tudo o que somos, e também tudo o que nos atinge”. Assim como nessa irremediável condição do homem, é com a matéria do mundo que uma cartografia se molda, resultado daquilo que fazemos com os acontecimentos que nos interpelam. E o que o cartógrafo faz, nessa transfiguração das coisas vividas, é embrenhar-se pelo meio do rizoma, ramificar-se como erva daninha, abrir-se à passagem de novos afetos e, finalmente, fazer fugir o mundo por múltiplas e inéditas saídas.

Mergulhando em espaços híbridos: a cartografia e suas bricolagens

“No que você está pensando”? Pergunta-me a caixa em branco no topo da tela, pequena janela através da qual me comunico com a rede. No que eu estou pensando? É isso mesmo que devo compartilhar? Indiscreta pergunta que me incita a tornar público o que se passa em meus secretos pensamentos. O que sai de mim através da linguagem - voz e olhar traduzidos em bits - e se perde em meio ao rumor de um feed de notícias... é isso que responde à pergunta? Fico imaginando como seria o facebook se cada usuário respondesse com suas próprias palavras à exata pergunta na caixa em branco. O que vocês estão pensando aí do outro lado de seus computadores, celulares, tablets? Intermináveis monólogos beckettianos invadiriam minha tela. (Diário de Bordo)

Tentando pôr em prática as pistas deixadas pelo método da cartografia, lançamo-nos em nossa pesquisa à invenção de algumas bricolagens teóricas - entendidas aqui como uma espécie de reciclagem, colagem de pedaços ou colcha de retalhos -, que, agenciadas à bagagem conceitual cartográfica, puderam inspirar de certa forma nossas experimentações metodológicas. Na tentativa de mergulhar na experiência da hiperconectividade e acompanhar o movimento dos sujeitos hiperconectados e suas experiências compartilhadas em tempo real, essa investigação foi realizada por uma pesquisadora imersa em territórios híbridos ou, como caracteriza Santaella (2008), em espaços intersticiais. Sendo assim, o deslocamento no ciberespaço coincidiu com experiências que se deram em diferentes espaços da cidade, sendo problematizado dessa maneira também o movimento por esses espaços, posto que o acesso à rede se deu em diferentes territórios urbanos - o apartamento, o ônibus, a sala de espera, as ruas da cidade. Tal procedimento buscou alçar um certo modo de estar no mundo, na cidade, em casa, em qualquer lugar, a um plano reflexivo e problematizador.

Leão (2004, p. 9) pensa o ciberespaço, que aqui estamos entendendo como estando imbricado intimamente à realidade geográfica e urbana, como um “gigantesco e quase infinito labirinto de interações da era contemporânea”, o que a remete à ideia da psicogeografia, projeto do final dos anos 50 proposto pelos pensadores situacionistas como Guy Debord. A psicogeografia buscava resgatar, através da criação de mapas subjetivos, as ligações entre os conteúdos afetivos e os espaços públicos. A teoria da deriva, tal como foi proposta pelos situacionistas, é uma técnica que se baseia no preceito de “andar sem rumo” e tem por objetivo gerar um estranhamento. O que caracteriza a deriva é a observação de certos processos do acaso que se dão nas ruas (Debord, 2007).

Quando pensamos na inserção do sujeito no ciberespaço, a própria expressão “navegar” na internet já contém em si este aspecto “derivante” do ato de vagar pelas cidades, como proposto por Debord. A técnica da deriva aplicada ao ciberespaço assemelha-se a um tipo de navegação descrita por Lévy (1999) como pilhagem. Para o autor, essa é a melhor forma de explorar a web: diferente da caçada, em que procuramos uma informação precisa que desejamos obter o mais rápido possível, na pilhagem deixamo-nos levar pelas solicitações dos links, pelos desvios, para então encontrar páginas que chamem a nossa atenção. Aqui, é o encontro inesperado que nos força a pensar, que violenta, pilha, rouba nossa forma habitual e passiva de ser e estar no mundo.

Lemos (2001), também pensando no ato de derivar na web, retoma a figura do flâneur - termo que o escritor Charles Baudelaire usa para se referir aos poetas-vagabundos cuja atividade se caracteriza pelo andar ocioso, gratuito e errante - para pensar em um certo tipo de navegação descompromissada no ciberespaço. Nesta analogia, a navegação pelos hipertextos da internet aparece como o exercício de um ciber-flâneur e seu passeio por um mar de dados. A flânerie no ciberespaço é uma atividade que se caracteriza pelo andar - ou clicar - ocioso, gratuito e errante daquele que se abandona às impressões do espaço e extrai deste material a inspiração para a sua escrita.

Na deriva de Debord, na pilhagem de Lévy ou na ciber-flânerie de Lemos, podemos encontrar um aspecto que se assemelha à atividade do cartógrafo no que se refere à sua modalidade de atenção flutuante: o cartógrafo deixa de buscar informações específicas para acolher o que lhe acomete. A atenção na cartografia não busca algo definido, mas torna-se aberta ao encontro. Trata-se de um gosto de deixar vir, um letting go, como na expressão “vamos ver o que está acontecendo” (Kastrup, 2007). Munida dessa rede conceitual, a pesquisadora navegou enquanto ciber-cartógrafa-flâneur pelas redes na internet e suas bifurcações em diferentes formatos, plataformas e lugares, produzindo um texto que tentou dar conta da imprevisibilidade da deriva no ciberespaço.

A forma de apreender a rede, versão digital e empírica do rizoma, só pode ser a de um pensamento que acompanhe os fluxos de um espaço em constante movimento. Navegar na web, intercalar entre as abas do navegador, responder em diferentes janelas de chat... a experiência da hiperconectividade envolve múltiplas conexões e bifurcações. E que tipo de pensamento e forma de registrar esse pensamento poderiam entrar em consonância com a experiência da deriva espacial e digital? Para tentar abranger a experiência de explorar esses espaços híbridos, a pesquisadora investiu em um tipo de escrita que se fez por múltiplas entradas e de diferentes formatos, plataformas, lugares, em uma tentativa de incorporar ao seu texto elementos próprios às escritas fragmentadas que circulam pela rede (ciberescritas instantâneas, móveis, e que captam uma experiência que é compartilhada ao mesmo tempo em que acontece).

Ao modo como se estivesse respondendo à pergunta de uma rede social: “No que você está pensando?”, foi produzido um texto que se costurou com pensamentos de diferentes autores. Movimentos que emergiram nas redes online, acontecimentos do cotidiano e matérias de expressão diversas como imagens da web, filmes, personagens literários e programas de TV foram tomados como intercessores, no sentido que Deleuze (1992) dá a essa palavra ao se referir a algo a partir do qual se fazem interferências. Para o autor, através dos intercessores há criação, o sujeito precisa deles para se exprimir e é através deles que pode dizer o que quer dizer.

As impressões que surgiram da imersão nesses territórios físicos e digitais foram registradas em formato de diários de bordo, tecendo uma escrita em movimento. Adotamos o termo “diário de bordo” como alusão ao diário que os viajantes carregavam consigo em suas jornadas, escrevendo neles histórias que podiam ser contadas no formato de romances literários ou até de poesia, deixando a imaginação voar em suas escritas (El Hammouti, 2002). O aspecto itinerário do diário de bordo tornou-o um instrumento essencial nesta pesquisa, já que o objetivo das escritas foi justamente o de tentar registrar a experiência de movimentar-se pelos espaços híbridos (deslocar-se pela cidade, navegar pelo ciberespaço).

Para tentar dar conta da experiência do pesquisador, a escrita do diário envolve uma sensibilidade, assim como o próprio ato de pesquisar do cartógrafo. Fonseca, Costa, Moehlecke e Neves (2010) nos lembram que no método cartográfico construímos formas de compreensão que ultrapassam as divisões entre o entendimento (razão), o sentimento (afetos) e a sensação (empírico). Nessa forma de pesquisar que toca o plano do sentiendum, que é o que há para sentir, voltamos nosso olhar para os interstícios, um meio híbrido que promove um olhar sensível sobre a vida, olhar esse que se envolve intimamente com o conhecer, pois sempre pesquisamos aquilo que nos convoca e nos atormenta.

Quando aguçamos nossa sensibilidade, quando permitimos passar afetos outros que até então não havíamos percebido, vemo-nos aptos a constatar que a suposta banalidade do cotidiano na verdade proporciona uma experiência rica a ser captada pelo olhar sensível do pesquisador, e foi nessa experimentação da superfície do cotidiano que esta pesquisa foi se fazendo. Nos diários produzidos, escritos na deriva pelas redes e por diferentes espaços, mesclaram-se os registros da experiência e suas análises, já que no método cartográfico a análise não se define como uma seção à parte da pesquisa, da mesma forma em que não há uma seção para a “coleta” de dados. Nesta escrita, a análise é indissociável das experiências registradas nos diários de bordo.

No método cartográfico, a análise volta-se para as condições de emergência do objeto a ser estudado, e não sobre algo já dado previamente. O que move esse tipo de análise são os problemas, posto que ela se faz através da problematização. Dessa maneira, analisar é sempre um procedimento de multiplicação de sentidos e necessariamente inaugurador de novos problemas (Barros & Barros, 2014). Investimos, assim, em uma metodologia e em um tipo de análise que, em vez de procurarem por respostas, tenderam a multiplicar as questões. O que segue é um breve recorte das problematizações levantadas por essa experimentação metodológica, centrando-se aqui em possíveis aberturas para pensar os novos modos que a cartografia pode assumir nos universos digitais e nos espaços híbridos.

Escritas móveis e cartográficas: desfazendo mapas

A sala de espera é um lugar curioso onde pessoas estranhas são obrigadas a se confinarem e esperarem juntas e enfileiradas por números impressos em fichas. Na fila da espera eu tenho um código: 102. Ele marca minha posição na linha do tempo da espera na sala. Faltam 14 números para minha ficha ser chamada. O que fazer para ocupar o tempo que aparentemente vai ser longo? Resolvo checar as atualizações nas redes sociais mas noto que meu celular está sem serviço... estou desconectada! Resolvo distrair-me então com outra coisa e passo a assistir à tv que fica à frente de todos no centro da sala de espera. Ironicamente a tv exibe neste momento um episódio da série de tv britânica Mr. Bean que satiriza a angústia do atrapalhado personagem em uma sala de espera médica diante do número de sua ficha que nunca é chamado por motivo de uma série de infortúnios. Por que é tão tortuoso esperar? O episódio acaba sem que o personagem consiga ser chamado. A espera o venceu e o liquidou. De fora da tela da tv, faltam 5 números para minha ficha ser chamada. Para ocupar mais um pouco o tempo da espera, pego meu celular sem conexão com a rede e começo a escrever algumas notas de pesquisa. (Diário de bordo)

O gesto de escrever assume uma forma completamente diferente no cenário da hiperconectividade. Podemos pensar, para além do caráter híbrido dessas novas linguagens que misturam texto, som, imagem etc., no surgimento de ciberescritas móveis, ou escritas velozes que se fazem nos pequenos dispositivos conectados à internet, como nos smartphones e tablets, e que atendem a necessidades contemporâneas permeadas pelo imediatismo e pela urgência, características que perpassam várias esferas da vida, fazendo com que não saibamos mais esperar para compartilhar uma novidade, para enviar uma resposta, para estabelecer uma conversação, etc., posto que tudo precisa receber atenção no momento presente. A intolerância à espera é uma das características marcantes desse modo de vida em que “perder tempo” é algo fortemente indesejado. Nessa nova temporalidade permeada pelo imediatismo, vemo-nos diante de “escritas de si”1 que não correspondem mais às antigas narrativas tradicionais, em que um tempo de elaboração era necessário para que uma experiência se consolidasse e pudesse ser registrada e transmitida pela linguagem. Na era da hiperconectividade, deparamo-nos, ao contrário, com micronarrativas de si que narram um presente vivo e imediato.

E que outros processos de subjetivação estariam implicados em tal compartilhamento de microescritas de si? Que sujeito está se constituindo aí? Ou estaríamos vivenciando, por outro lado, um aniquilamento da subjetividade diante de práticas que, por seu caráter instantâneo e imediatista, estariam soterrando o sujeito em meio a vivências que apenas se sucedem uma após a outra, sem possibilidade de elaboração? Guattari (2012), sem presenciar o cenário da hiperconectividade mas já atento aos avanços tecnológicos de sua época, questiona-se sobre de que forma as novas tecnologias estão produzindo subjetividade. Na visão do autor, se, por um lado, as transformações tecnológicas podem gerar uma tendência à homogeneização universalizante e reducionista da subjetividade, por outro, há uma tendência heterogenética, ou seja, um esforço da heterogeneidade e da singularização dos seus componentes. Para Guattari, as evoluções tecnológicas, conjugadas a experimentações sociais em novos domínios, são talvez capazes de nos fazer sair do período opressivo atual e entrar em uma era pós-mídia, caracterizada por uma reapropriação e uma ressingularização da utilização da mídia. O autor acredita em uma nova e confiante aliança entre homens e máquinas, que estabelecerá que as atuais máquinas informacionais e comunicacionais concorram para a confecção de novos agenciamentos de enunciação.

Relacionando a possibilidade de reapropriação das mídias proposta por Guattari ao problema aqui apresentado, acreditamos que essa reapropriação possa se mostrar de forma molecular nas redes do ciberespaço, como nas novas maneiras de se expressar através de escritas nas redes, de multiplicar os modos de existir online, de habitar o espaço de outras maneiras a partir das tecnologias, de se afetar de outros modos, traçando outros caminhos para territorializar-se e desterritorializar-se em meio ao ciberespaço. O cenário da hiperconectividade é marcadamente atravessado por paradoxos: estar parado e em movimento, estar perto e distante, estar solitário mas ao mesmo tempo acompanhado. Essas são contradições que não se resolvem por síntese, mas que apenas empurram o sujeito de territorialização em territorialização, no fluxo caótico e em constante movimento dos espaços híbridos.

Nesses novos espaços abertos pela hiperconectividade as relações entre desterritorialização e reterritorialização complexificam-se. Lemos (2001, 2007) discute sobre esses movimentos e afirma que as tecnologias móveis criam territorializações e controles informacionais (devido principalmente aos recursos de geolocalização e demais formas de identificação do usuário), podendo ou não criar procedimentos nômades. Por exemplo, uma pessoa pode estar conectada à internet e em movimento, como em uma viagem de ônibus, mas ao mesmo tempo estar controlada e territorializada pelo seu celular e notebook conectados à rede, e outra pessoa que acessa a internet em frente ao seu computador, dentro da sua casa, pode navegar durante horas por informações mundiais sem percurso pré-definido, vivenciando processos nômades sem sair do lugar. Dessa maneira, o sujeito pode estar parado mas a velocidade das informações não estão passando ao lado dele ou por ele, porque ele habita essa velocidade de forma incorporal no ciberespaço. Ao mesmo tempo, outro sujeito pode estar em movimento, mas simultaneamente capturado e fixado em algum ponto das tramas da rede.

As tecnologias de geolocalização têm afetado diretamente nossa experiência de movimento e relação com os espaços: no contexto dos espaços híbridos, os lugares ganham uma dimensão imaterializada e ubíqua, com potencial ímpar para ações de rastreamento e vigilância próprios à atual sociedade de controle. Em algum ponto, e em mobilidade incessante, tudo parece tornar-se passível de ser localizado, tornando as confissões ou mesmo os testemunhos de alguém desnecessários, ou secundários, uma vez que os rastros de suas conexões digitais e espaciais no ambiente virtual manifestam-se como provas concretas que dispensam a legitimação de seu agente. Neste espaço de controle e vigilância constantes, que possibilidade restaria para escritas de si que não apenas narram o cotidiano, mas também o inventam? Ou então para os movimentos de deriva e errância na web, que se deparam cada vez mais com algoritmos que calculam e guiam nossos próximos clicks?

Para usar um termo de Deleuze e Guattari (2012), encontramo-nos aqui no âmbito de um espaço estriado. Para os autores, a cidade seria esse espaço por excelência, mas aqui podemos fazer uma analogia com o ciberespaço, dada a forma em que as grandes corporações vão hoje colonizando toda a superfície de tal espaço, apropriando-se de nossas informações pessoais para tornar nossa experiência cada vez mais manipulada e direcionada. Para Deleuze e Guattari, ao mesmo tempo em que a cidade é força de estriagem, ela também libera espaços lisos. Nela, o espaço estriado pode ser constantemente revertido, devolvido a um espaço liso, pois esses espaços nunca existem por si só, e sim estão sempre se entrelaçando, só existem graças às misturas entre si. E como habitar a cidade e o ciberespaço de um modo liso, um modo que faça fugir as estrias do rastreamento, do esgotamento, da alienação que nos capturam em nossa experiência por esses espaços geográficos e digitais? O liso ao qual estamos nos referindo não remete ao espaço em si, mas sim aos modos de habitá-lo, aos modos de andar, de navegar, de pensar, que se dão na ação. O espaço liso é ocupado por acontecimentos e intensidades, mais do que por coisas formadas e percebidas, ele é mais intensivo do que extensivo, mais de distâncias do que de medidas. É no espaço liso que se produz todo o devir (Deleuze & Guattari, 2012).

Traduzir esse espaço consiste em proporcionar-lhe um meio de propagação, de extensão, de renovação e de impulso. Diante disso, como poderia a cartografia e a deriva nômade fazer secretar tais espaços lisos? Retomando o seu caráter de invenção e de improviso, o método da cartografia encontra nos labirintos da trama digital, imbricados agora intimamente à realidade geográfica, um território fértil para tomar forma. Uma vez que acompanha seus objetos constituírem-se e desmancharem-se no espaço e no tempo, o método de Deleuze e Guattari para adentrarmos no rizoma vê-se agora diante do desafio de lidar com essa nova constituição dos espaços. Como fazer frente a esses novos processos de territorialização e desterritorialização que se dão em um meio em que nada se fixa, em que tudo passa em extrema velocidade, em que viajamos pelo ciberespaço sem sair do lugar, ou, pelo contrário, somos territorializados digitalmente mesmo em movimento? O que propomos aqui é um desafiante paradoxo: usar o mapa para desfazê-lo, para estar e não estar, para conectar-se e desconectar-se, criando outras linhas e outros movimentos que tornam liso um espaço estriado.

Acreditamos que a combinação da atitude cartográfica com as infinitas possibilidades do ciberespaço e das escritas digitais pode resultar em um potente método de investigação com o intuito de fazer frente à complexidade dos modos de subjetivação na contemporaneidade, hoje atravessados intimamente pelo acoplamento cada vez mais íntimo com as tecnologias digitais. E se a natureza do método cartográfico já se mostrava por si só afeita às possibilidades da rede e do universo digital, agora pode ganhar ainda mais força dado o caráter de indissociabilidade dos espaços híbridos e do duplo movimento que é possível nesses espaços. Quanto a esta escrita, que foi imbuída de tal caráter cibercartográfico, chega o momento de abandoná-la com um ponto final, para que ela própria possa então multiplicar-se: em bits digitais, em outras máquinas, em outras vozes. Uma cartografia que, acima de tudo, não se propõe como manual de instruções, mas certamente atingirá o seu objetivo se puder servir como inspiração para novas e singulares viagens.

Referências

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1 Foucault (2006) utiliza o termo “escrita de si” para se referir à antiga prática grega de produzir registros escritos sobre as vivências do cotidiano. A escrita de si para os gregos era uma forma de manter os pensamentos sempre à disposição, e sua leitura permitia que eles fossem objeto de conversações consigo mesmo ou com os outros. Essa prática é considerada pelo autor como uma técnica de si, algo que faz parte de um treino de si por si mesmo. Quando usamos o termo neste texto, é para nos questionarmos que formas essa antiga prática de escrever sobre si assume no cenário da hiperconectividade.

Agência de fomento: o presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

Recebido: 03 de Janeiro de 2017; Revisado: 09 de Dezembro de 2017; Aceito: 31 de Janeiro de 2018

Endereço: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Departamento de Psicologia. Rua Ramiro Barcelos, 2600. Bairro Santa Cecília. CEP: 90035-003. Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: alana_albuquerque@hotmail.com

E-mail: ineshennigen@gmail.com

E-mail: tgallifonseca@gmail.com

Alana Soares Albuquerque é graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), mestre e doutoranda em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Inês Hennigen é doutora em Psicologia pela PUCRS, professora convidada do PPG em Psicologia Social e Institucional da UFRGS e coordenadora do grupo de pesquisa LECOPSU: Leituras do Contemporâneo & Processos de Subjetivação.

Tania Mara Galli Fonseca é doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professora titular do Instituto de Psicologia da UFRGS e docente-pesquisadora do PPG em Psicologia Social e Institucional. É coordenadora do grupo de pesquisa Corpo, Arte e Clínica.

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