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Psicologia & Sociedade

Print version ISSN 0102-7182On-line version ISSN 1807-0310

Psicol. Soc. vol.30  Belo Horizonte  2018  Epub Dec 03, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1807-0310/2018v30173315 

Artigos

AFETIVIDADE E PRÁXIS TRANSFORMADORA NA PESQUISA QUALITATIVA

AFETIVIDAD Y PRÁXIS TRANSFORMADORA EN LA INVESTIGACIÓN CUALITATIVA

AFFECTIVITY AND TRANSFORMING PRAXIS IN QUALITATIVE RESEARCH

Danilo de Miranda Anhas1 
http://orcid.org/0000-0001-6842-7156

Karina Rodrigues Matavelli Rosa1 
http://orcid.org/0000-0001-7609-1402

Carlos Roberto de Castro e Silva1 
http://orcid.org/0000-0002-8880-1042

1Universidade Federal de São Paulo, Santos/SP, Brasil

Resumo

A partir da premissa de que a realização de pesquisas acadêmicas pode estar engajada com a transformação social, principalmente em territórios marcados pela desigualdade, pretendemos com este artigo dar visibilidade à intersubjetividade e ao compromisso ético-político como elementos balizadores da atividade de pesquisa. As pesquisas descritas, de caráter qualitativo, referenciadas pela etnografia e pesquisa participante foram realizadas em uma comunidade da Baixada Santista, no estado de São Paulo, Brasil. Os resultados indicaram que a riqueza da pesquisa está em seu processo de construção de vínculos afetivos e sociais, na medida em que cria espaços de troca de experiências e diálogo, os quais, por sua vez, geram novos aprendizados conjuntos, entre os atores sociais envolvidos. Além disso, estas pesquisas, engajadas com o fortalecimento comunitário, desencadearam outras atividades, destacando a extensão universitária no território.

Palavras-chave: ético-política; afetividade; trabalho de campo; pesquisa participante

Resumen

A partir de la premisa de que la realización de la investigación académica se puede acoplar con la transformación social, especialmente en las zonas marcadas por la desigualdad, tenemos la intención de dar visibilidad a intersubjetividad y al compromiso ético-político como guías para los miembros de la actividad de investigación. La investigación descrita, cualitativa, la que hace referencia a la etnografía y la encuesta participante, se llevó a cabo en una comunidad de la Bajada Santista en el estado de São Paulo, Brasil. Los resultados indicaron que la riqueza de la investigación se encuentra en el proceso de construcción de lazos sociales y emocionales, ya que crea espacios de intercambio de experiencias y el diálogo, que, a su vez, son capaces de generar nuevos conjuntos de aprendizaje entre los actores sociales involucrados. Por otra parte, estas investigaciones, comprometidas con el fortalecimiento de la comunidad, originaron otras actividades, destacándose la extensión universitaria en el territorio.

Palabras clave: ético-política; afectividad; trabajo de campo; investigación participativa

Abstract

Taking as a starting point the premise that conducting academic research can be engaged in social change, particularly in areas marked by social inequality, we intend with this article to give visibility to intersubjetivity and ethical-political commitment as a guide for members of the research activity. The research described, which has qualitative character, is referenced by ethnography and participant survey and was carried out in Baixada Santista’s community in the state of São Paulo, Brazil. The results indicated that much of the good aspects of research are due to the process of building social and emotional bonds, to the extent that such bonds allow for experiences to be shared and stimulates dialogue, which, in turn, generate new learning sets among the social actors involved. Furthermore, this research engaged with the goal of community strengthening, which triggered other activities, the main one being university outreach programs in the territory.

Keywords: ethical-political; affectivity; fieldwork; participant research

Introdução

A pesquisa qualitativa tem contribuído com a área da saúde, especificamente a saúde coletiva (SC), porque traz novos parâmetros de análise referente ao fortalecimento dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando a interdisciplinaridade, a valorização da intersubjetividade e da cidadania. Esses parâmetros adquirem força a partir de uma reflexão atrelada à emergência das Ciências Sociais e Humanas na investigação em Saúde (Bosi, 2012). Ainda, as questões de pesquisa estão relacionadas a problemas da existência humana, os quais não encontram respostas nos métodos tradicionais de pesquisa, especificamente se referindo à ciência positiva.

Nesse sentido, a pesquisa social é pensada por Minayo (2010) como as investigações do homem inserido na sociedade, as instituições, as relações, as histórias de vida e simbolismos. Nessa construção conceitual, a autora define pesquisa social em saúde como sendo: todas as investigações que tratam do fenômeno saúde/doença, de sua representação pelos vários atores que atuam no campo: as instituições políticas e de serviços e os profissionais e usuários” (Minayo, 2010, p. 47).

Demo (2012), por sua vez, atenta para a seguinte questão: o fenômeno que estudamos requer qual metodologia? Por exemplo, ao analisarmos a quantidade de pessoas envolvidas em um manifesto às melhorias do SUS, temos uma pesquisa de caráter quantitativo. Mas para aprofundarmos as motivações, os desejos e as expectativas que algumas dessas pessoas têm em relação a esse manifesto, requeremos uma informação qualitativa. Nessa linha, Bosi (2012, p. 578) afirma que “a natureza do objeto condena ao método”.

Em um breve resgate histórico, notamos que a pesquisa qualitativa já estava presente na história do sanitarismo, especificamente com a proposta de propiciar técnicas de abordagem das populações. Nesse primeiro momento, mais como técnica do que como apropriação de um método mais elaborado, implicou uma forma de compreender e apreender os fenômenos sociais e humanos. Ou seja, a relação entre sanitarismo e ciências sociais se deu na experiência do trabalho de campo (Adorno & Castro, 1994).

Nas pesquisas qualitativas buscamos compreender os interlocutores de estudo como fenômenos imersos e constituintes de dada realidade social. Nesse sentido, os participantes do estudo fazem parte de redes de relações históricas, simbólicas, culturais e subjetivas (Geertz, 2012; Minayo, 2010).

Ressaltamos a pesquisa qualitativa como uma prática social, na qual pesquisador e sujeitos pesquisados em seus movimentos de compreensão da realidade implicam-se na construção do conhecimento científico (Sawaia, 2007). Assim, salientamos o papel ético do pesquisador, que passa a integrar o repertório de símbolos, história e cultura de determinado grupo social no qual se insere. Ambos engajam-se ética e afetivamente em torno de um projeto coletivo no qual subjaz a questão do compromisso social, apostando no potencial transformador da realidade (Fonseca, 1999; Sawaia, 2007).

Em seu exercício de compreensão da realidade e construção do conhecimento científico, González-Rey (2012) ressalta o processo permanente de envolvimento do pesquisador durante o desenvolvimento do estudo. Isso sugere que, para atingirmos os fins da pesquisa qualitativa, a compreensão e a comunicação dialógica são necessárias, dessa forma qualificando melhor o posicionamento do pesquisador em relação a: tomada de decisões, articulação entre teorias com sua prática, delineamento de novos rumos do estudo e valorização dos sujeitos que participam da pesquisa.

Nessa comunicação dialógica, fatores objetivos e subjetivos devem ser considerados para que haja uma compreensão da realidade (Freitas, 2002). Ao considerarmos esses processos dialéticos, passamos a enxergar, como mencionado anteriormente, os sujeitos pesquisados como ativos na construção do conhecimento, não sendo reduzidos a meros objetos de pesquisa. Dessa forma se desvela o potencial de um aprendizado coletivo, o qual pode ser qualificado como ato de produção de conhecimento (Brandão, 2006; Fals Borda, 2006).

Na busca de maneiras de inserção mais viva e ativa no campo, a pesquisa etnográfica tem se mostrado uma estratégia significativa, pois esta trata de compreender um povo, uma sociedade, uma comunidade, um grupo de sujeitos a partir de seu modo de vida e sua visão de mundo (Nakamura, 2009). Cabe lembrar que o termo pesquisa etnográfica é cunhado em fins do século XIX e início do século XX por antropólogos que visavam entender a vida das pessoas a partir de estudos realizados in loco, como uma maneira de se afastar das especulações acadêmicas dos filósofos sociais. Além disso, vale destacar que a pesquisa etnográfica em seu longo percurso histórico rompe com uma forma tradicional de se fazer pesquisa antropológica, em que o outro era estudado com objetivos etnocêntricos, com vistas à sua colonização (Angrosino, 2009; Geertz, 2012).

Temos sido guiados e inspirados também pela pesquisa participante, pois esta enseja um modo de realizar estudos que rompe com as maneiras tradicionais de se fazer pesquisa, principalmente quando se pressupunha a neutralidade do pesquisador. É um tipo de pesquisa que provoca uma ruptura na assimetria das relações sociais, principalmente aquela entre pesquisador e sujeitos pesquisados, incorporando pessoas como indivíduos ativos e pensantes nos esforços de pesquisa. Nesse sentido, partimos do pressuposto de que o conhecimento dos interlocutores do estudo possui sua própria racionalidade e deve ser levado em consideração e escutado na construção do conhecimento (Fals Borda, 2006).

Fals Borda (2006) aponta ainda a importância da comunicação para a construção desse conhecimento. A comunicação necessita se aproximar da realidade e história de vida das pessoas do estudo. Trata-se ainda de tornar acessíveis aos interlocutores as técnicas utilizadas para a compreensão da realidade.

Esse processo de interação entre pesquisador e sujeitos nos traz, nas entrelinhas, aspectos afetivos que irão nortear ao mesmo tempo tanto as bases do vínculo estabelecido quanto a validação dos resultados da pesquisa. Cabe destacar o papel de destaque da afetividade na medida em que desencadeia o exercício da razão em prol de realizações. Esta visão integral do sujeito, considerando-o produtor e produto de sua realidade na interação com o meio social, baseada na visão de Vigotski (2004), nos aproxima da vida concreta dos indivíduos. Nessa linha, o pensamento de Espinosa nos ajuda a compreender o papel dos desejos no impulso de vida dos sujeitos e de seu papel junto à constituição da razão. A ideia não é de estabelecer uma relação mecanicista entre razão e afeto, mas de entender que o desejo, como coloca Ferreira (1997), “reflete tudo o que acontece ao indivíduo. É ele que permite o relacionamento com as coisas, pois no seu expansionismo apela para elas. É o desejo que fundamenta a sociabilidade” (p. 453). Dessa forma, podemos compreender a dinâmica da razão e a qualidade dos afetos quanto ao grau de potência de agir, ou seja, o que mobiliza os afetos tristes e alegres.

As referências da etnografia e da Psicologia Social Comunitária balizadas pela pesquisa participante têm contribuído para o desenvolvimento de uma proposta de estudo comprometido com a transformação social (Lane, 2010; Sawaia, 2010). Essas referências instigam novos parâmetros e formas de interação entre Universidade e Sociedade, principalmente em tempos de avanço da globalização da economia, tendo como uma das consequências o aumento da desigualdade social.

Nessa perspectiva, trazemos alguns resultados de pesquisas desenvolvidas em uma mesma comunidade, marcada pela exclusão social. Assim, o objetivo deste artigo é compartilhar experiências dos pesquisadores no território e dar visibilidade para a complexidade dos vínculos afetivos entre pesquisador e pesquisados. Acreditamos que assim podemos problematizar os limites dessas relações os quais refletem diretamente na atitude e postura ético-política do pesquisador.

A Vila dos Pescadores: um território em vulnerabilidade social

A Vila dos Pescadores (VP) é um bairro de Cubatão/SP, uma das nove cidades que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS). É o único município não litorâneo da RMBS. Possui um perfil econômico predominantemente voltado para a indústria, diferentemente dos planos estadual e nacional que apresentam os serviços como principal atividade econômica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade possui uma população estimada1 em 120.766 habitantes.

Segundo dados de 2012 do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social - IPVS2, Cubatão possui 21,2% de sua população no grupo Vulnerabilidade Alta e 21,0% no grupo Vulnerabilidade Altíssima. Isso significa que 42,2% de sua população exibe baixa condição socioeconômica, sendo que os chefes de família apresentam, em média, baixa renda e baixa escolaridade.

Segundo o Novo Milênio3, a Vila dos Pescadores originou-se na década de 1960, quando um grupo de pescadores artesanais se instalou no local para a exploração do Rio Casqueiro, fonte geradora de seu sustento. A partir de 1972, verificou-se um aumento da população local que pode ser explicado, por um lado, pela proximidade da Vila com o bairro residencial do Jardim Casqueiro e da Rodovia Anchieta, que também receberam grandes fluxos migratórios nessa mesma época, e por outro, pela construção de um aterro sanitário em território santista situado na margem oposta do Rio Casqueiro, o que obrigou a população que ocupava essa área a se deslocar e se instalar na então Vila Siri. Portanto, a origem da Vila dos Pescadores é recente na história de ocupação das áreas dos manguezais na Baixada Santista, e está inserida no âmbito das transformações do espaço urbano, em especial das áreas periféricas das cidades, onde se revela um quadro típico de exclusão imposta social e politicamente ao longo das últimas décadas.

Segundo o site do Novo Milênio, em 2006 residiam no bairro 10.502 pessoas reunidas em 2.797 famílias. Dessas, mais de 38% têm renda inferior a R$ 350,00 por família, sendo que 20,8% dos chefes de família estão desempregados. Apenas 19% das casas têm rede de esgoto e, no bairro, 44,5% das moradias são em palafitas. No local, 58% dos adultos não concluíram o ensino fundamental, 5,3% são analfabetos, e apenas 17,8% completaram o ensino médio. Conforme a pesquisa, 33,6% dos chefes de família nasceram no próprio estado de São Paulo, 21,2% em Pernambuco, 12,8% na Bahia, 7,6% em Sergipe e 7% em Alagoas (Novo Milênio, 2012).

As pesquisas e inserções distintas no campo

Levando-se em conta a singularidade que caracteriza o desenvolvimento de pesquisas de caráter qualitativo, resolvemos trazer pesquisas distintas, realizadas no mesmo território, as quais poderiam enriquecer a discussão proposta por este texto. Dessa forma, trazemos uma breve descrição de três pesquisas realizadas na comunidade da Vila dos Pescadores.

Na perspectiva cronológica, na primeira pesquisa, realizada entre 2011 e 2013, intitulada: A Potência de Ação de Agentes Comunitários de Saúde na Estratégia Saúde da Família da Vila dos Pescadores no Município de Cubatão/SP, buscamos compreender, do ponto de vista psicossocial, a potência de ação dos agentes comunitários de saúde que atuam na Estratégia Saúde da Família da Vila dos Pescadores no município de Cubatão. Este estudo foi financiado pelo CNPq e aprovado no Edital MCT/CNPq 14/2011.

A segunda pesquisa, realizada por Rosa (2014), concomitantemente com o estudo mencionado anteriormente, tinha como objetivo compreender, no âmbito das tecnologias leves, a qualidade dos vínculos afetivos que permeavam e balizavam os encontros entre os diversos sujeitos envolvidos na composição do campo micropolítico do cuidado à saúde mental em território de alta vulnerabilidade social.

Por último, o terceiro estudo, realizado por Anhas (2015), objetivou analisar a influência dos fatores psicossociais na construção e fortalecimento de processos de participação social entre jovens moradores da Vila dos Pescadores em Cubatão/SP.

Método

O exercício de elaboração deste artigo requereu a retomada e releitura dos textos produzidos a partir dos estudos e principais resultados das referidas pesquisas, com ênfase no papel ético-político, balizado pela qualidade do vínculo afetivo estabelecido entre os pesquisadores e os sujeito da pesquisa no processo de construção das informações qualitativas em um território em vulnerabilidade social.

González-Rey (2012) nos auxilia a pensar a construção da informação qualitativa, sobretudo no que tange ao seu caráter processual e sempre aberto a novas possibilidades de interpretação e compreensão de determinada realidade.

Recorremos ao seu conceito de indicador qualitativo, que nos permite visualizar a lógica construtiva-interpretativa de um estudo. Um indicador funciona como uma categoria e tenta produzir sentidos sobre alguma realidade. São sentidos que não se esgotam em si e abrem ao pesquisador e pesquisados outras possibilidades de se pensar a informação qualitativa apresentada.

Os indicadores qualitativos na perspectiva de González-Rey (2011) permitem construir as chamadas Zonas de Sentidos que são, por sua vez, a formação de campos de inteligibilidade capazes de dar sentido e direcionamento à produção do conhecimento sobre a realidade a ser estudada. O conceito de indicador, para esse autor, tem como função maior a de explicar o processo complexo de construção/produção do conhecimento, e não apenas a de descrever como faz o conceito de dado utilizado em várias pesquisas na Psicologia e nas pesquisas quantitativas.

Indicadores são, portanto, as informações empíricas concretas da pesquisa, construídas no âmbito do trabalho de campo. Tais informações mostram-se capazes de seguir o movimento complexo dos processos que estruturam qualquer pesquisa acerca da subjetividade humana e que busque compreender e apreender significados e sentidos dados pelos sujeitos às experiências vividas.

Neste processo de construção da pesquisa, outro elemento importante é a criatividade, como destaca também González-Rey (2012). Um dos momentos criativos, na perspectiva desse autor, pode se dar no momento de retomada do material produzido pelo trabalho de campo, como é o caso das pesquisas supracitadas, pelas quais se produziu um novo indicador capaz de contribuir para a reflexão sobre o processo do conhecimento calcado na intersubjetividade e nos aspectos ético-políticos envolvidos.

O método de análise das três pesquisas teve em comum a Hermenêutica de Profundidade (HP) proposta por Thompson (2011), visto que possibilita uma compreensão dos fenômenos culturais e simbólicos contextualizados social e historicamente. As etapas de análise contemplam, em um primeiro momento, a análise sócio-histórica, depois a análise formal ou discursiva dos sujeitos envolvidos na pesquisa e, por fim, uma articulação dos dois momentos anteriores por meio do que Thompson denomina de interpretação/reinterpretação. O principal instrumento de construção da informação qualitativa foram os diários de campo, baseados em intensa observação participante. Foram realizadas também entrevistas semiestruturadas, quando houve necessidade de aprofundamento em questões suscitadas a partir da vivência no campo.

Afetividade e a Práxis Transformadora na pesquisa qualitativa

O desenvolvimento da pesquisa qualitativa de orientação sócio-histórica e cultural contribui para refletir sobre a importância da associação entre princípios ético-políticos e a pesquisa científica. Especificamente o sentido ético das pesquisas qualitativas se dá por seu caráter humanístico, inter-relacional e também pelo compromisso com a cidadania e, acima de tudo, com cada pessoa participante desses estudos (Minayo & Guerriero, 2014).

Essa perspectiva reforça que o posicionamento do pesquisador acontece a partir de escolhas, as quais, por sua vez, revelam sua visão de mundo e o lugar que ocupa ou deseja estar no desenrolar da pesquisa (Freitas, 2002). Por um lado, tais escolhas contribuem com a refutação de uma suposta neutralidade e, por outro lado, engendram a necessidade de um fio condutor que mantenha o pesquisador fiel a seus princípios.

Levando-se em conta a singularidade e dinâmica dos contextos e das inter-relações estabelecidas, alguns balizamentos teórico-metodológicos são necessários. Destacamos a crítica e a reflexividade que, aliadas à historicidade dos acontecimentos, contribuem com a coerência de tomada de posicionamentos (Freitas, 2002; Guerriero, 2015). Esses balizadores indicam que o pesquisador, ao afetar e ser afetado nas e pelas relações estabelecidas no trabalho de campo: 1- revê a si e suas ações o tempo todo; 2- aposta na construção de relações democráticas entre os atores sociais envolvidos na pesquisa.

Nesta perspectiva de Schmidt (2008) enumeram-se as atitudes para que ocorra a formação ética por meio da pesquisa. São elas: diálogo e compreensão dos sentidos e significados do outro; distribuição democrática entre os participantes para a escuta, as falas e as decisões; respeito ao modo de viver dos colaboradores; disposição para refazer os acordos entre pesquisadores e interlocutores do estudo; reflexão e cuidado com o texto produzido para publicação pós-pesquisa; compartilhar transcrições e textos com os participantes da pesquisa; dar crédito a todos que contribuíram na construção do conhecimento nas publicações; discussão sobre outros interesses de publicação com os colaboradores.

Adentrando ao campo, a chegada ao bairro VP ocorreu por meio de diálogo e negociações, inicialmente por meio de conversas com a gestão da Secretaria de Saúde do município de Cubatão. A opção pela pesquisa neste bairro foi uma escolha implicada com uma proposta de fortalecimento de práticas da Atenção Primária em Saúde, as quais são calcadas na defesa dos princípios do SUS. A gestão da saúde do município recomendou a realização dos estudos nessa comunidade, pois se tratava de um bairro que apresentava potencialidades tanto em relação a aspectos de organização comunitária quanto de disponibilidade da gestão e profissionais da Unidade de Saúde da Família local, conforme trecho abaixo:

é uma região vulnerável, mas que existem muitos recursos íntegros para os usuários do serviço de saúde. A própria população acaba se unindo para resolver problemas e esse fator acaba sendo um elo entre as famílias, como forma de se protegerem. Eles organizam a própria comunidade. (Trecho de Reunião com o Grupo Gestor - GG em 11/05/2012)

A produção de conhecimento que leve em consideração o papel ativo dos sujeitos pesquisados guarda algumas contradições no que tange à busca de horizontalidade nas relações estabelecidas, tendo em vista, por exemplo, que no Brasil, segundo Guerriero (2015), apenas 0,12% da população possui doutorado e 0,32% possuem mestrado. Essa situação reitera o desafio do pesquisador de estabelecer relações não hierarquizadas com os participantes do estudo, principalmente em contextos em que possa haver disparidades entre os graus de escolaridade desses, inclusive com referenciais culturais diferentes.

A criação de um Grupo Gestor da Pesquisa (GG), inspirado nos aportes da pesquisa participante, possibilitou a construção de um espaço de interlocução entre profissionais de saúde, gestores e pesquisadores, tornando-se um termômetro de tomada de decisões. Nos encontros do GG, discutíamos sobre: as políticas públicas de saúde, processos de trabalho dos ACS, o papel da Universidade e da pesquisa junto aos serviços e a rede de assistência pública, a dinâmica territorial e a determinação social nos processos de adoecimento dos moradores e muitas vezes dos próprios ACS, dentre outras questões, corroborando com as proposições de Fals Borda (2006) no que se refere à importância do diálogo e da comunicação.

O cotidiano das atividades do GG revelou a complexidade da intersubjetividade envolvida, inclusive exigiu dos participantes uma disponibilidade maior quanto ao cuidado na criação de vínculos afetivos e sociais. Baseados na noção de amizade, segundo Ortega (2000) vista como um exercício político, ou seja, de experimentação de novas formas de sociabilidade e comunidade, percebemos que foi possível, através do GG, a construção de vínculos afetivos, os quais ensejaram um exercício ético-político de horizontalizar as relações e democratizar a construção do conhecimento.

Nutrimos uma preocupação maior com o processo da pesquisa, ao invés de enfatizarmos os resultados finais e divulgação destes (Freitas, 2002). Nesse sentido, valorizamos as relações com os sujeitos e suas reflexões (Campos, 2011) sobre as realidades vivenciadas pelos participantes do estudo, resultando em um posicionamento ético-político no qual as vozes de nossos interlocutores não se transformassem em meros objetos de observação.

Nessa perspectiva, os encontros em grupo se mostraram potencialmente ricos para a discussão dos processos de trabalho dos profissionais de saúde, principalmente dos ACS, que enxergavam o GG como um espaço de trocas, supervisão institucional, de reconhecimento e legitimação de suas experiências. Além disso, mostraram-se como espaço de formação e reflexão sobre a realidade na qual aqueles sujeitos trabalhavam e onde muitos residiam e viviam. No trecho abaixo, uma profissional de saúde em uma das reuniões do GG conta sobre sua experiência na pesquisa, na época em andamento, e os efeitos desta:

dá pra pensar assim no passado e outro ponto também que eu percebi é que a gente, tipo assim, tipo, pensa mais no nosso mundo assim, tipo, trabalho, entendeu? Tipo, pow, “como é que é meu trabalho?” Às vezes a gente acha que a gente é um simples agente de saúde, tipo, entre aspas não é nada, mas quando você vai ver, na entrevista, você se acha importante por isso, entendeu? (Trecho de fala de uma ACS, Diário de Campo de 15/02/2013)

Em outro relato, uma ACS se emociona com um trecho transcrito do diário de campo sobre a difícil realidade vivida no cotidiano de seu trabalho.

No momento de leitura de um discurso no slide a ACS se comoveu com a própria fala transcrita. Ela olhou o trecho, leu em silêncio e, quando foi ler em voz alta começou a chorar. Ficou em silêncio durante alguns segundos na sala... O professor da equipe da UNIFESP tentou confortá-la reforçando a aridez da situação vivenciada por ela. Quando a ACS ficou melhor, disse que era difícil porque “a gente não pode ajudar todo mundo, uma cesta básica só não ajuda”. (Diário de Campo - GG, 17/08/12)

A situação citada acima é emblemática no que diz respeito à alteridade e à reflexividade, esta última caracterizada como um movimento de ida e volta entre universos simbólicos distintos (Fonseca, 1999). A situação elucidada exigiu do pesquisador este movimento reflexivo e um posicionamento frente à realidade sócio-histórica apresentada no discurso da interlocutora, que a levou, posteriormente, à reflexão sobre os limites da própria atuação como profissional da saúde.

Ademais, a leitura de um trecho do diário de campo, ou seja, de uma informação construída durante a pesquisa e discutida com os interlocutores do estudo, tornou-se uma maneira interessante de produção dos resultados e de feedback com os sujeitos. Tal prática foi constantemente exercida nos encontros do GG como uma metodologia de estudo inspirada na pesquisa participante.

Consideramos ainda que um dos grandes desafios de se pesquisar em uma comunidade vulnerável implica estarmos atentos não só às fragilidades, mas também às potencialidades, especificamente às estratégias produzidas pelos indivíduos e grupos para o enfrentamento dos efeitos perversos da exclusão social.

Por esse viés, resgatamos a entrevista realizada por Anhas (2015) com um dos sujeitos participantes de seu estudo sobre participação social e jovem em situação de vulnerabilidade. Esse foi um momento ímpar de diálogo entre duas pessoas de classes sociais distintas, em que o jovem se sentiu à vontade para expor a vergonha e os dilemas de residir em uma comunidade marcada pela exclusão social.

O sofrimento ético-político (Sawaia, 2011) foi pensado pela autora no sentido de refletir acerca da interface entre subjetividade e sociedade. Em seu livro As artimanhas da exclusão, ela o apresenta como aquele sofrimento oriundo das injustiças sociais, desencadeador de afetos tristes como medo, passividade, ou seja, de sentir-se como apêndice inútil do meio social. O indivíduo é quem sofre, mas esse sofrimento não tem origem nele, mase sim em intersubjetividades delineadas na vida em sociedade.

O sofrimento ético-político e o sentimento de humilhação (Gonçalves-Filho, 1998) deram contornos para a compreensão do tipo de angústia sentida e sua relação com as consequências psicossociais da desigualdade social. Atentemo-nos à fala de um jovem entrevistado na pesquisa de Anhas (2015): “Pô, vou falar que moro em Cubatão? Vou falar que moro na Vila dos Pescadores? Vai pensar que sou bandido, que eu sou um marginal, viciado, entendeu?”

Além disso, esse episódio ilustra e corrobora o que dizem Minayo e Guerriero (2014) e Campos (2011) quanto à intensidade do vínculo estabelecido na pesquisa qualitativa, ou seja, nada do que acontece no campo é neutro, repercute no pesquisador e no sujeito pesquisado. Conforme salienta Sawaia (2011), a afetividade mostra-se como uma categoria desestabilizadora necessária às ciências humanas e sociais. A partir desse referencial, nega-se o caráter incontrolável e depreciado da afetividade, enaltecendo-a como um instrumento científico de reflexão acerca dos fenômenos sociais, dentre eles a desigualdade e a exclusão, sem ignorar e perder o rigor metodológico e ainda assim ser possível a capacidade de indignação diante das mazelas produzidas na sociedade.

No relato da pesquisa de Rosa (2014) sobre saúde mental na atenção básica, os afetos balizaram um dos principais espaços de encontros da pesquisa; o grupo de apoio matricial de saúde mental, que acontecia semanalmente na Unidade de Saúde da Família desse mesmo território. Nesse espaço foi possível pensar a produção dos encontros sob três importantes perspectivas referentes ao processo de interpretação do material registrado em diários de campo: o lugar da pesquisadora no processo grupal, o lugar da apoiadora matricial no processo grupal e o grupo enquanto lugar potencialmente transformador da realidade dessas pessoas.

Senti-me acolhida por ela (apoiadora matricial), mas também a acolhi, todas as vezes que, com o olhar, parecia me pedir ajuda no sentido de caminhar junto nos momentos difíceis do grupo. Também me disponibilizei a levar textos que aproximassem da realidade vivida por ela no apoio matricial para auxiliá-la na reflexão e planejamento dos encontros. (Trecho do 2º Diário de Campo) - (Rosa, 2014, p. 132)

A partir dessa vivência intensa no grupo, foi possível dar contornos para a construção de alguns sentidos e significados sobre a dinâmica do sofrimento vivido por esses participantes do grupo de saúde mental. Do ponto de vista metodológico, delineamos algumas zonas de sentido (González-Rey, 2012). Essa noção se refere à compilação/construção da informação qualitativa experimentada no campo a partir das vivências (Rosa, 2014), resultando na produção de conhecimento, na qual se valorizaram as circunstâncias concretas de vida dos participantes, a historicidade e os vínculos afetivos. Vale, ainda, destacar que o pesquisador é integrante do processo investigativo e responsável pela relação dialógica com seus interlocutores (Freitas, 2002).

Nesse sentido, a legitimidade da produção do conhecimento nestes estudos passa necessariamente pelo reconhecimento do lugar do pesquisador no processo, sua subjetividade, sua capacidade de afetar e ser afetado produzindo bons encontros (Espinosa, 1973).

Em vista do que foi discutido, consideramos que a práxis transformadora, como desdobramento da pesquisa qualitativa, requer um exercício constante de dialogicidade entre pesquisadores e interlocutores do estudo. Ressaltamos que essa dialogicidade, balizada pela afetividade, alteridade e reflexividade, possa contribuir para o engajamento dos sujeitos na produção de novos conhecimentos e com a reflexão crítica acerca do lugar social ocupado por cada um deles e sobre os diversos saberes em jogo.

Considerações finais

A inserção de aproximadamente sete anos neste território, além de gerar novas pesquisas, teve um desdobramento importante com a criação de um projeto de extensão universitária intitulado Participação Social e Subjetividade: o aprendizado dos Direitos Humanos na construção de itinerários de cuidado em ações da Saúde da Família em território vulnerável. Esse projeto ilustra uma ação efetiva de comprometimento com a comunidade e uma devolutiva efetiva, com base nos estudos lá empreendidos.

A ação extensionista, em andamento, pretende promover, do ponto de vista psicossocial, espaço de reflexão, acolhimento e aprendizado sobre a importância do referencial dos Direitos Humanos no enfrentamento de situações de saúde agravadas pela desigualdade social em território de alta vulnerabilidade. Em sua metodologia, incluímos reuniões com os profissionais de saúde atuantes no território e lideranças comunitárias, buscando criar espaços de discussão de temáticas voltadas à questão dos Direitos Humanos e sua relação com processos de saúde-doença e cuidado em território vulnerável.

Dessa forma, vislumbramos que o desenvolvimento da pesquisa qualitativa, ao valorizar os aspectos ético-políticos, pode render muitos desdobramentos importantes para a transformação social. Além disso, acreditamos que a articulação entre pesquisa, ensino e extensão tem possibilitado novos parâmetros de discussão sobre o papel social da Universidade, principalmente em territórios marcados pela exclusão social.

Referências

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1 No Brasil os censos são realizados a cada dez anos. Sendo assim, os dados referem-se à sua última realização e divulgação e encontram-se disponíveis no site do IBGE em http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=351350#”, tendo os dados sido recuperados à época da pesquisa, em agosto de 2012.

2Dados recuperados em agosto de 2012 em: http://www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/mapa.

3Todos os dados referentes à Vila dos Pescadores, devido à ausência de dados oficiais do município, foram recuperados no site chamado Novo Milênio em agosto de 2012, em: http://www.novomilenio.inf.br/cubatao/bvpescad.htm. O site baseia suas informações em dados divulgados na mídia impressa, principalmente. É um serviço de acervo online parecido com a Wikipédia, que contém informações e histórias das cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista.

Agências de fomento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001 (pesquisas de mestrado realizadas por Anhas, 2015 e Rosa, 2014). A pesquisa “A Potência de Ação de Agentes Comunitários de Saúde na Estratégia Saúde da Família da Vila dos Pescadores no Município de Cubatão/SP” foi financiada pelo CNPq, aprovada no Edital MCT/CNPq 14/2011.

Recebido: 11 de Dezembro de 2016; Revisado: 11 de Julho de 2018; Aceito: 13 de Julho de 2018

Endereço: Unifesp Unidade I, Avenida Ana Costa, nº 95 (Sala de Pesquisa Social - 2º andar) - Vila Mathias - Santos/SP, CEP: 11060-001. Email: danilo-anhas@hotmail.com

E-mail: karina_to@hotmail.com

E-mail: carobert3@hotmail.com

Danilo de Miranda Anhas é bacharel em Psicologia e doutorando em Ciências da Saúde e Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo. Pesquisa/Departamento: Saúde Mental, Educação e História na Saúde.

Karina Rodrigues Matavelli Rosa é doutoranda pelo Programa Interdisciplinar em Ciências da Saúde da UNIFESP/Baixada Santista. Mestre em Ciências da Saúde. Bacharel em Terapia Ocupacional. Pesquisa/Departamento: Saúde Mental, Educação e História na Saúde.

Carlos Roberto de Castro e Silva é pós-doutorando em Ciências Sociais pela University of Western Ontario. Doutorado em Psicologia Social pela USP. Atualmente professor adjunto da UNIFESP. Pesquisa/Departamento: Saúde Mental, Educação e História na Saúde.

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