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Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery

Print version ISSN 0102-7638

Rev Bras Cir Cardiovasc vol.1 no.1 São José do Rio Preto Aug. 1986

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-76381986000100008 

Fluxômetro hidrodinámico em cirurgia de revascularização do miocárdio

 

Hidro-dynamic flowmeter in myocardial revascularization surgery

 

 

Fábio Biscegli Jatene; Pedro C. P. Lemos; Adib D. Jatene

Do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP

Endereço para separatas

 

 


RESUMO

A avaliação do fluxo pelas pontes de veia safena na cirurgia de revascularização do miocárdio fornece uma informação segura do aporte sangüíneo ao miocárdio, bem como da perspectiva de perviabilidade destas anastomoses a longo prazo. Contudo, em nosso meio, a disponibilidade de fluxômetros eletrônicos, habitualmente utilizados, é, por vezes, difícil, sobretudo em função de seu custo e manutenção. O sistema desenvolvido consta de um conector para a linha arterial, com saída lateral, ligado a um tubo de Y. Uma das extremidades é conectada a um manómetro e a outra, à veia safena, ao término da anastomose distal. Como a saída lateral tem diâmetro conhecido, a queda da pressão, quando se liga o sistema para aveia safena, é proporcional ao fluxo. Uma tabela obtida por calibração prévia, permite conhecer, instantaneamente, o fluxo para a artéria tratada. Outra vantagem do sistema é a irrigação seletiva para a área tratada antes da realização da anastomose proximal, situação favorável quando existem áreas severamente isquémicas. Este sistema, em uso corrente em nosso Serviço, vem provando a sua eficiência, aliada à sua praticidade e ao custo irrelevante.

Descritores: fluxômetro hidrodinámico; miocárdio, revascularização.


ABSTRACT

Evaluation of blood flow in saphenous vein grafts during coronary surgery gives valuable information about myocardial perfusion and long-term by- pass patency as well. However, electronic flowmeter availability is a limiting factor because of costs and maintenance. A system was developed consisting of a connection to the arterial line, with a Y tube; one branch of the Y tube is connected to a manometer and the other one to the vein graft. Since the connection to the arterial line has a know diameter, pressure drop in the system is proportional to the flow in the graft. With previous calibration, a chart was constructed that allows instantaneous evaluation of the flow. Another advantage of the system is the selective perfusion of the area to be treated before the conclusion of the proximal anastomosis. This system is being used in our Service; it is efficient and practical.

Descriptors: flowmeter, hidro-dynamic; myocardial revascularization.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Endereço para separatas:
Fábio Jetene
Instituto do Coração
Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 44
São Paulo, SP, Brasil

 

 

Trabalho realizado no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.
Apresentado ao 13º Congresso Nacional de Cirurgia Cardíaca, São Paulo, SP, 4 e 5 de abril, 1986.

 

 

Discussão

DR. HÉLIO PEREIRA DE MAGALHÃES
São Paulo, SP

A técnica de fluxometria por pressão diferencial acha-se descrita no livro Heart-lung bypass (Galetti, 1962), sendo primeiramente citada por Tosatti, em 1951. Revi os trabalhos: Cleland (1958) e Nixon (1959), onde referiram o uso da técnica para avaliar o fluxo extracorpóreo total; os 4 tipos de fluxometria por prersão diferencial são: 1) de resistência (usada pelos autores); 2) sistema Venturi; 3) de orifício e 4) tubo de Pitot. Faria algumas sugestões e observações, quanto ao trabalho em questão: 1) substituir o termo "hidrodinámico", pois não se trata de fluxo de água, para fluxômetro "hemodinâmico", ou mudar o título do trabalho para "Fluxometria transperfusional de ponte de safena por pressão diferencial"; 2) substituir o termo "perviabilidade" (forma irregular) por "permeabilidade", "permeação", ou "permeabilização"; 3) a quantificação do fluxo por pressão diferencial não exige conhecer o diâmetro de saída: este necessita ser menor; é determinado experimentalmente: não pode ser muito restritivo (determinando fluxos menores que o ensejado pela coronária) e não pode ser muito grande, acarretando excesso de fluxo e pressão a nível da anastomose, podendo ocorrer rotura na sutura, particularmente em vasos doentes; 4) a tabela por calibração prévia deve conter os valores de fluxos obtidos com toda a gama de pressão diferencial e a calibração deve ser feita com o sangue nas mesmas condições físicas de temperatura e hematócrito usadas durante a circulação extracorpórea; 5) o uso do sistema para irrigação seletiva, ou a própria irrigação, durante o período de medição, é vantajoso quando se usa parada anóxica hipotérmica intermitente, porém, quando se usa parada cardioplégica hipotérmica, a irrigação por essa técnica com sangue circulante de 28º a 32º vai criar gradientes de temperatura no miocárdio, o que poderá ser deletério para a proteção miocárdica; 6) considerar que, entre fluxometria trans e pós-perfusional, os fatores influentes são diversos: tipo de pulso (não pulsátil, ou pulsátil); temperatura (hipotermia, ou normotermia); viscosidade (maior, ou menor) e condições hemodinâmicas (dependência da bomba arterial, ou do ventrículo esquerdo). Na fluxometria transperfusional, considerar, também, a fuga de sangue pela lesão proximal da coronária, quando a aorta estiver aberta: lesões obstrutivas menores deverão alterar os dados fluxométricos com valores acima do real. Como se trata de técnica prospectiva para a ponte de safena, seria interessante que os autores, para enriquecimento dessa pesquisa científica, cotejassem os valores fluxométricos obtidos por pressão diferencial transperfusional com valores obtidos por fluxometria eletromagnética pós-perfusional, para melhor avaliar a eficiência dos sistemas.

DR. F. JATENE (Encerrando)

Gostaria, inicialmente, de agradecer o comentário do Dr. Hélio. Desejo salientar que alguns dos pontos e das questões abordadas também trouxeram dúvidas a nós, ou são detalhes que ainda estão em fase de ajuste. Um outro aspecto a ressaltar, e que nos parece muito claro, é que, quando do desenvolvimento e utilização do sistema, em nenhum momento tivemos a pretensão de desenvolver um sistema infalível, e nem poderia ser desta forma. Temos plena consciência de que, mesmo os melhores fluxômetros eletrônicos apresentam problemas. Desta forma, o que não dizer de um fluxômetro simples, constituído por um conector metálico adaptado a alguns centímetros de tubos plásticos. O que eu gostaria que ficasse bem esclarecido é que nossa idéia, com este sistema, é a de ter sempre à mão e poder usar, em qualquer situação, um sistema simples, de custo irrelevante, fácil manuseio e, sobretudo, confiável, e que, esperamos, possa trazer benefícios aos Serviços que o utilizarem. Para finalizar, mais uma vez eu gostaria de agradecer a oportunidade da apresentação, bem como os comentários e as contribuições de todos. Muito obrigado.

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