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Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular

versão impressa ISSN 0102-7638

Rev Bras Cir Cardiovasc v. 13 n. 1 São Paulo Jan./Mar. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-76381998000100010 

Revascularização do miocárdio. Anastomose término-terminal. Ponte intercoronariana: relato de 2 casos

 

Hércules Lisboa BONGIOVANI*, Elza Helena F. BONGIOVANI*, Lineu João S. BIAZOTTI*, William T. Haddad*, João Otávio FREITAS JÚNIOR*, Pércio P. PANDOLPHI*, Sílvio F. C. ROSATTI*

 

 

RBCCV 44205-391


Bongiovani H L, Bongiovani E H F, Biazotti L J S, Haddad W T, Freitas Júnior J O, Pandolphi P P, Rosatti S F C - Revascularização do miocárdio. Anastomose término-terminal. Ponte intercoronariana: relato de 2 casos.  Rev Bras Cir Cardiovasc 1998; 13 (1): 57-9.

RESUMO: Desde o início do tratamento cirúrgico da doença coronária obstrutiva com Vineberg (1) até os dias atuais com o emprego de vários tipos de enxertos, os cirurgiões procuram aumentar a sobrevida bem como melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Paciente de 60 anos de idade, com angina e síncope, cujo estudo hemodinâmico mostrou lesão de 90% no ramo interventricular anterior (RIA) e 99% na coronária direita (CD) (Figura 1). Foi revascularizado com artéria torácica interna esquerda (ATIE) para o RIA e ressecção da lesão da CD, seguida de anastomose dos cotos (Figura 2). Paciente de 40 anos, com lesão de 80% da CD e de 99% do RIA foi igualmente revascularizado com enxerto livre de ATIE para o RIA e um segmento de 4 cm de ATIE em ponte coronária-coronária sobre o segmento lesado (Figura 3). Ambos os pacientes evoluíram bem na fase hospitalar. Após um ano, permanecem assintomáticos, com teste ergométrico negativo.

DESCRITORES: Vasos coronários, cirurgia. Revascularização miocárdica. Artérias torácicas, cirurgia. Anastomose cirúrgica


 

 

INTRODUÇÃO

O tratamento cirúrgico da isquemia miocárdica tem evoluído muito nas últimas décadas. Vários tipos de enxertos têm sido utilizados para a revascularização do miocárdio, sendo a artéria torácica interna o conduto de escolha para o ramo interventricular anterior. Serão relatados os casos de paciente no qual, após a ressecção do segmento arterial lesado, foi reconstruída a artéria coronária direita por anastomose direta dos cotos e, a seguir, outro paciente no qual foi utilizado um segmento de artéria torácica interna esquerda em ponte coronária-coronária na zona da obstrução.

 

RELATO DOS CASOS

W. T. 60 anos, sexo masculino, branco, sentiu dor precordial quando caminhava, acompanhada de síncope. Socorrido prontamente. O ECC revelou isquemia diafragmática e bradicardia acentuada; o estudo hemodinâmico revelou lesão de 90% no RIA e de 99% no início da CD (Figura 1). Foi submetido a revascularização do miocárdio através de enxerto de ATIE para o RIA e reconstrução da CD por ressecção do segmento lesado e anastomose dos cotos, como mostra a Figura 2.

N. E. S. 40 anos, branco, sexo masculino, diabético e dislipidêmico. Apresentou angina instável e a cineangiocoronariografia revelou lesão de 99% no RIA e lesão de aproximadamente 80% no terço proximal da CD (Figura 4). Foi submetido a revascularização do miocárdio após enxerto de ATIE no RIA, e um segmento de ATIE em ponte intercoronariana, como mostra a Figura 3, ou seja, uma ponte coronária-coronária.

 

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Fig. 1

 

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Fig. 2

 

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Fig. 3

 

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Fig. 4

 

RESULTADOS

Com um seguimento de 8 meses, ambos os pacientes estão clinicamente bem. Foram submetidos a eletrocardiograma, teste de esforço e ecocardiograma; não apresentam sinais de isquemia ou infarto na região diafragmática. Não foi realizado estudo cineangiocoronariográfico.

 

COMENTÁRIOS

Nas últimas décadas, vários tipos de enxertos têm sido utilizados para a revascularização do miocárdio, sendo a ATIE o conduto de escolha para o RIA pela sua duração, mesmo após os dez anos.

No primeiro caso, o segmento lesado era relativamente curto e a parede da coronária normal, antes e após a lesão. Depois de ampla liberação, optou-se pela exérese da lesão e anastomose término-terminal.

No segundo caso, foi utilizado um segmento de aproximadamente 4 cm da ATIE em ponte coronária-coronária. As anastomoses foram de fácil feitura, mantendo-se pérvias.

Assim, pudemos utilizar uma só ATI para a revascularização de duas artérias coronárias.

 

 

RBCCV 44205-391


Bongiovani H L, Bongiovani E H F, Biazotti L J S, Haddad W T, Freitas Júnior J O, Pandolphi P P, Rosatti S F C - Myocardial revascularization. Termino-terminal anastomosis. Intercoronarian anastomosis: report of 2 cases.  Rev Bras Cir Cardiovasc 1998; 13 (1): 57-9.

ABSTRACT: From the early days of surgical treatment of coronary artery disease by Vineberg until the present time using several types of grafts, we are hoping to improve outcome. Case 1 - A 60 year old man with angina and syncope. An angiographic study has shown a 90% obstruction in A. D., 99% in the right coronary (Fig. 1). An anastomosis between the left Internal thoracic artery and the right coronary artery. A resection of the narrow segment with an end to end anastomosis (Fig. 2). Case 2 - A 40 year old man, with 80% obstruction in the right coronary artery (Fig. 4) and 99% in the descending aorta. A 4 cm segment of ATIE was replaced with a bypass from the right coronary artery (Fig. 3). And a free graft of ATIE from descending anterior artery. The one year follow up of both patients has been good with normal stress test and symptoms.

DESCRIPTORS: Coronary vessels, surgery. Myocardial revascularization. Thoracic arteries, surgery. Anastomosis, surgical.


 

 

Trabalho realizado no Serviço de Cirurgia Cardíaca da Santa Casa de Misericórdia de Araraquara, SP, Brasil.

Recebido para publicação em Janeiro de 1998.

* Do Serviço de Cirurgia Cardíaca da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Araraquara.

Endereço para correspondência: Hércules L. Bongiovani. Av. José Bonifácio, 777. Araraquara, SP, Brasil. CEP: 14801-150. Tel. (016) 236-6531.