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Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular

Print version ISSN 0102-7638

Rev Bras Cir Cardiovasc vol.21 no.1 São José do Rio Preto Jan./Mar. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-76382006000100015 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Tratamento com cardioversor-desfibrilador implantável e ressincronização cardíaca: isolados ou associados?

 

 

Carlos KalilI; Pablo Balbuena NeryII; Eduardo BartholomayIII; Luciano Cabral AlbuquerqueIV

IMestre em Cardiologia pela Fundação Universitária de Cardiologia do Rio Grande do Sul. Responsável pelo Serviço de Eletrofisiologia do Hospital São Lucas da PUCRS
IICardiologista do Hospital São Lucas da PUCRS. Fellow em Eletrofisiologia do Hospital São Lucas da PUCRS
IIIMestre em Cardiologia pela Fundação Universitária de Cardiologia do Rio Grande do Sul. Cardiologista do Hospital São Lucas da PUCRS
IVMestre em cardiologia pela UFRGS. Cirurgião Cardiovascular do Hospital São Lucas da PUCRS. Membro Titular da SBCCV

Endereço para correspondência

 

 


Descritores: Estimulação cardíaca artificial. Desfibriladores implantáveis. Insuficiência cardíaca congestiva. Terapia combinada.


 

 

INTRODUÇÃO

O tratamento da insuficiência cardíaca (IC) dispõe, atualmente, de uma terapêutica medicamentosa efetiva, com importante impacto na sobrevida [1-3]. Entretanto, a mortalidade persiste alta, especialmente nos pacientes com disfunção ventricular grave [4,5]. A morte súbita (MS) e a progressão da IC propriamente dita são as causas mais freqüentes de óbito nesta população [5]. Neste contexto, a utilização do cardioversor desfibrilador implantável (CDI) e a terapia de ressincronização cardíaca (TRC) constituem grandes avanços. Ambas intervenções demonstraram efetividade, de forma independente, na redução da mortalidade dos pacientes com IC e disfunção ventricular grave [6,7]. A evolução tecnológica destes dispositivos é surpreendente e, atualmente, temos a possibilidade de implantar um aparelho com as funções de CDI e TRC associadas. Sendo assim, surge a dúvida de como devemos abordar esta população, indicando a estes pacientes o CDI, a TRC, ou ambos?

Nesta revisão, serão abordadas as evidências disponíveis para indicação do CDI e TRC isolados, ou em associação, independente do impacto econômico atribuído ao implante desses dispositivos.

 

CARDIOVERSOR-DESFIBRILADOR IMPLANTÁVEL

A fisiopatologia da MS envolve a interação entre um evento gerador de instabilidade elétrica com indução de taquicardia ventricular, que degenera em fibrilação ventricular em 80 a 85% dos casos [8]. A maior causa de MS é a doença arterial coronariana, associada ou não ao infarto do miocárdio, sendo responsável por aproximadamente 75% dos episódios [8].

Desde o primeiro relato de implante de CDI, em 1980, o tratamento das taquiarritmias ventriculares sofreu grandes transformações [9]. Inicialmente utilizado em pacientes sobreviventes de MS, o CDI passou a ser utilizado como terapia preventiva em pacientes de alto risco para eventos arrítmicos.

Os estudos CIDS (Canadian Implantable Defibrillator Study) [10], AVID (The Antiarrhythmics Versus Implantable Defibrillators ) [11] e CASH (The Cardiac Arrest Study Hamburg) [12] foram conduzidos simultaneamente e avaliaram populações semelhantes com história de parada cardiorrespiratória revertida ou episódios de taquicardia ventricular hemodinamicamente instável. Os estudos comprovaram a redução de 30% de mortalidade e o CDI passou a ser terapia de escolha neste grupo [13]. A análise mais detalhada destes estudos permitiu identificar a fração de ejeção (FE) reduzida (<35%) e não a presença de arritmias, como o grande marcador de risco para MS [14].

Os primeiros ensaios de prevenção primária foram realizados em pacientes com FE reduzida e inducibilidade de arritmias ventriculares no estudo eletrofisiológico [15,16]. O estudo MADIT (Multicenter Automated Defibrillator Implantation Trial) foi o primeiro grande trial em profilaxia primária e demonstrou uma redução da mortalidade de 54% nos pacientes isquêmicos que receberam CDI em relação ao tratamento clínico [15]. À semelhança de relatos anteriores, a FE reduzida foi o grande marcador de risco, enquanto o estudo eletrofisiológico não se demonstrou um efetivo marcador independente de prognóstico, para arritmias ventriculares [15,16].

Baseado nos resultados do estudo MADIT, foi desenhado estudo MADIT II, utilizando exclusivamente a FE reduzida (<30%) como critério de inclusão para tratamento por CDI ou tratamento farmacológico, em pacientes como infarto agudo do miocárdio há mais de 30 dias [17]. Observou-se redução de 31% no risco de morte no grupo tratado com CDI, ampliando a indicação desse dispositivo.

Todas as informações até 2004 baseavam-se em pacientes com doença isquêmica e disfunção ventricular. O estudo DEFINITIVE (Defibrillators in Non-Ischemic Cardiomyopathy Treatment Evaluation) randomizou 448 pacientes com miocardiopatia dilatada não isquêmica, FE < 36%, e presença de extra-sístoles ventriculares freqüentes, ou taquicardia ventricular não-sustentada para tratamento com terapia médica otimizada (TMO) - diurético, inibidores da enzima de conversão, b-bloqueadores e espirolactona - e TMO + CDI [18]. Após seguimento médio de 29 meses, houve uma tendência estatisticamente não significativa de diminuição de mortalidade por todas as causas (p=0,08) e uma redução dos episódios de MS (p=0,006) no grupo CDI. Posteriormente, foi publicado o estudo SCD-HeFT (Sudden Cardiac Death in Heart Failure Trial) que apresentou um maior poder estatístico para avaliar diferenças na mortalidade com CDI em pacientes não-isquêmicos, devido à inclusão de um número superior de pacientes [6].

Este estudo randomizou 2521 pacientes com IC e classe funcional II ou III e FE < 35%, para TMO + placebo (847 pacientes), TMO + amiodarona (845 pacientes), ou TMO + CDI (829 pacientes). Foram incluídos 52% de pacientes portadores de miocardiopatia de origem isquêmica, 48% de origem não-isquêmica, e o objetivo primário avaliado foi mortalidade por todas as causas. Em seguimento médio de 45 meses, a terapia com CDI resultou em redução de 23% (NNT=14) da mortalidade por todas as causas, com razão de chance (RC) 0,77 (intervalo de confiança 97,5%, 0,62-0,96) em comparação com a TCO. A amiodarona apresentou efeito nulo na mortalidade em relação ao placebo com RC 1,06 (intervalo de confiança 97,5%: 0,86-1,30). A análise de subgrupos demonstrou um efeito semelhante na redução de mortalidade com CDI nas populações isquêmicas e não-isquêmicas. Os estudos de profilaxia primária de MS utilizando CDI estão sumarizados na Tabela 1.

 

 

Com a publicação dos estudos MADIT II e SCD-HeFT, o CDI passa a ocupar um papel importante na profilaxia primária da MS em pacientes com IC e FE < 35%, independente da etiologia.

 

TERAPIA DE RESSINCRONIZAÇÃO CARDÍACA

O tratamento com CDI apresentou um grande impacto na redução da mortalidade por MS nos pacientes com IC, embora o CDI possa apresentar menor benefício em populações distintas. No estudo MERIT- HF, enquanto 64% dos pacientes com IC classe II sofreram MS, a progressão IC foi responsável por 68% dos óbitos nos pacientes com IC classe IV [5].

A TRC foi desenvolvida visando reverter os efeitos adversos da dissincronia cardíaca na função ventricular esquerda e na capacidade funcional dos pacientes com IC avançada e intervalo QRS alargado (>120 ms) [19]. O retardo eletromecânico, nesse cenário clínico, resulta em dissincronia interventricular, entre os ventrículos direito e esquerdo e na contração ventricular esquerda (dissincronia intraventricular). A última resulta mais freqüentemente do bloqueio de ramo esquerdo, modificando o padrão de sinergismo contrátil. Assim, ocorre prejuízo na função sistólica, redução do débito cardíaco, aumento do volume diastólico final, piora da regurgitação mitral e movimento anormal da parede septal [20].

Grande parte das informações disponíveis a respeito dos benefícios clínicos da TRC é fornecida por estudos clínicos recentes. Os ensaios MIRACLE [21], MUSTIC [22], CONTAK CD [23] demonstraram que a TRC determina melhora da classe funcional da IC, da tolerância ao exercício (teste da caminhada de 6 minutos e pico de VO2), redução da taxa de hospitalização por IC e melhora da qualidade de vida através do questionário de Minessota. No entanto, nenhum destes estudos demonstrou diminuição da mortalidade com a TRC, embora não apresentassem poder estatístico para avaliar este desfecho.

Existem alguns limitantes a serem discutidos em relação à TRC. O primeiro diz respeito à técnica do procedimento, que apresenta taxa de insucesso no implante endocárdico do eletrodo ventricular esquerdo de 8% a 13%, decorrente de variações anatômicas [24]. Além disso, devemos reconhecer que, mesmo após um procedimento tecnicamente efetivo, cerca de 30% dos pacientes podem não apresentar melhora clínica [21-23], o que pode ser explicado pela limitação dos critérios atuais de seleção. Embora o achado eletrocardiográfico do complexo QRS alargado seja sugestivo de dissincronia, provavelmente ele não seja preditor isolado de resposta à TRC [25].

O estudo CARE-HF (Cardiac Resynchronization - Heart Failure ) foi o primeiro desenhado para testar a hipótese de que a TRC isolada melhora a sobrevida na IC [7]. Foram alocados 813 pacientes com IC classe III e IV, FE < 35%, intervalo QRS > 120ms, associados a critérios de dissincronia ventricular (exigidos para intervalos QRS entre 120 e 149 ms). Os pacientes foram randomizados para terapia médica ou TRC isolada, com desfecho primário de morte por qualquer causa. Os critérios de dissincronia utilizados foram retardo pré-ejeção aórtico > 140 ms, retardo na contração mecânica interventricular > 40ms, ou atraso na ativação da parede póstero-lateral do ventrículo esquerdo. Durante o seguimento médio de 29 meses, demonstrou-se redução da mortalidade total no grupo da TRC isolada com RC de 0,63 (intervalo de confiança de 95%, 0,51-0,77). Todos os pacientes estavam em ritmo sinusal para a inclusão no estudo e mais de 90% da amostra apresentava IC classe III.

Uma diferença significativa do estudo CARE-HF, em relação aos estudos anteriores, diz respeito ao critério de seleção. A exigência de critérios de dissincronia cardíaca confirmados pelo ecocardiograma em pacientes com intervalo do complexo QRS entre 120 e 149ms, possivelmente, diminuiu o número de pacientes que não responderam à TRC.

 

CDI, TRC OU AMBOS?

Após a publicação dos estudos SCD-HeFT e CARE-HF, ocorreu importante incremento do número de pacientes candidatos à terapia elétrica, utilizando estes dispositivos [6,7]. Estes estudos incluíram em sua amostra pacientes com características semelhantes, exceto, obviamente, a necessidade de dissincronia ventricular para TRC. No entanto, respectivamente, 50% e 41% dos pacientes incluídos nos estudos MADIT II e SCD-HeFT possuíam intervalos QRS > 120ms e ambos demonstraram um maior benefício do CDI nesses subgrupos. Assim, responder à pergunta de quando devemos indicar um CDI isolado a pacientes com IC é simples: na presença de IC classe II-III, FE <35% e ausência de complexo QRS alargado. Essa indicação pode ser estendida aos pacientes em classe funcional I, FE <30% e infarto do miocárdio prévio [17]. Entretanto, existem cenários clínicos onde podem surgir dúvidas, como:

"Devemos sempre associar um CDI aos pacientes com indicação para TRC ?"

"Devemos sempre associar a TRC aos pacientes com indicação de CDI quando houver dissincronia ventricular ?"

Até o momento, não existem estudos desenhados especificamente para responder estas questões. O estudo COMPANION (Comparison of medical therapy, pacing and defibrillation in heart failure trial) randomizou 1520 pacientes com IC classe III e IV, FE <35% e intervalo QRS > 120ms para TMO isolada, ou em associação com TRC, ou associada a TRC+CDI [24]. O objetivo primário foi avaliar a diferença em relação ao desfecho combinado de morte por todas as causas e número de internações hospitalares, e o desfecho secundário foi morte por todas as causas. Comparados à TMO, os grupos de TRC isolada e TRC+CDI demonstraram diminuição no desfecho primário com RC respectivamente de 0,81 (intervalo de confiança 95%, 0,69-0,96) e 0,80 (intervalo de confiança 95%, 0,68-0,95). Houve redução de 36% na mortalidade no grupo TRC+CDI em relação à TMO (p=0,003), enquanto o grupo de TRC isolada mostrou uma tendência não significativa para o mesmo desfecho, com redução de 24% (p=0,059), em relação à TMO. Não houve diferença em relação ao desfecho primário ou secundário, quando comparados os grupos de TRC isolada e TRC+CDI, sendo que a taxa de desfecho primário foi a mesma (56%) em ambos.

No entanto, cabe ressaltar que o estudo COMPANION não foi desenhado para identificar diferenças entre os grupos de TRC isolada e TRC+CDI, mas sim de ambos os grupos em relação à TMO. Outro aspecto importante refere-se à diferença do critério de dissincronia utilizado no estudo COMPANION, em relação ao CARE-HF [7,24]. Desta forma, apesar do COMPANION ser o único estudo que comparou TRC isolada com TRC+CDI, o mesmo não serve para responder de forma definitiva se existe vantagem nesta associação, pois não possui poder estatístico para detectar esta diferença.

A avaliação da classe funcional da IC pode, eventualmente, tornar-se um aspecto importante. Enquanto o estudo SCD-HeFT randomizou pacientes com IC classe II e III, o estudo CARE-HF incluiu pacientes com IC classes III e IV. No SCD-HeFT, a maioria dos pacientes (70%) apresentava a classe funcional II. Na análise de subgrupos, os pacientes da classe funcional II apresentaram melhores resultados com o implante do CDI. Desta forma, para os pacientes com FE < 35% e IC classe II não existe evidência de redução de mortalidade com a TRC até o momento, e acreditamos não existir conflito na indicação do CDI isolado, independente do intervalo QRS observado no eletrocardiograma. Por outro lado, em pacientes com IC classe IV, FE < 35% e critérios de dissincronia, parece prudente indicar a TRC isolada devido à falta de evidência de benefício do CDI nesta população. Ainda, sabemos que a progressão da disfunção ventricular é a causa mais freqüente de morte nesta população, tornando esta decisão menos controversa [5]. No entanto, a grande variabilidade da classe funcional da IC pode tornar inconsistente a escolha deste critério na indicação do dispositivo específico. Além disso, mais de 90% da amostra dos pacientes arrolados no estudo CARE-HF apresentavam-se em classe funcional III [7]. As características basais da população dos estudos CARE-HF, SCD-HeFT e COMPANION estão resumidas na Tabela 2.

 

 

Outro fator que merece destaque são as conseqüências da estimulação cardíaca artificial. Sabe-se que a TRC aumenta de forma sustentada o valor absoluto da FE em 2% a 10%, em pacientes com dissincronia ventricular [20-22]. Sabendo-se que apenas os pacientes com FE <35% apresentam benefício comprovado com implante profilático de um CDI, como ficaria um paciente com IC classe II, FE 30% - paciente com critérios de inclusão do SCD-HeFT, por exemplo - e dissincronia ventricular, que foi submetido à TRC com melhora da FE para 40%? Este paciente já não estaria mais no grupo com indicação para profilaxia primária com CDI e ainda não sabemos qual o benefício do CDI nesta população específica. Por outro lado, parece evidente que ao implantarmos um CDI em um paciente com IC e FE reduzida, devamos evitar o uso da função marca-passo do CDI, por meio da programação adequada e cuidado no uso de drogas cronotrópicas negativas. A estimulação artificial do eletrodo, a partir do ápice do ventrículo direito, pode gerar o mesmo dissinergismo eletromecânico causado pelo bloqueio de ramo esquerdo [26]. O uso excessivo da função de marca-passo no grupo CDI foi uma das justificativas apresentadas pelos autores do estudo MADIT II para a não melhora da sobrevida nos primeiros 9 meses de seguimento, e maior número de internações por IC no grupo CDI em relação à TMO [17].

 

CONCLUSÃO

O tratamento da insuficiência cardíaca obteve avanço importante nos últimos 5 anos em relação ao uso do CDI e da TRC isolados. No entanto, a informação disponível em relação à associação destas duas formas de terapia ainda é escassa. Desta forma, devemos individualizar a indicação de CDI associado à TRC, reportando-nos às evidências disponíveis, enquanto aguardamos os resultados dos próximos estudos em relação a este tema.

 

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Endereço para correspondência:
Carlos Kalil
Serviço de Eletrofisiologia do Hospital São Lucas PUCRS
Av. Ipiranga, nº 6690, 3º andar
Hemodinâmica. Bairro Jardim Botânico
CEP 90610-000. Porto Alegre, RS, Brasil
Telefone/Fax: (51) 3320-5094
E-mail: carlos.kalil@pucrs.br

Artigo recebido em novembro de 2005
Artigo aprovado em fevereiro de 2006

 

 

Trabalho realizado no Hospital São Lucas da Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.