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Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular
Print version ISSN 0102-7638
Rev Bras Cir Cardiovasc vol.21 no.2 São José do Rio Preto Apr./June 2006
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-76382006000200019
CORRELAÇÃO CLÍNICO-CIRÚRGICA
Caso 3/2006 - Lactente com endocardite fúngica na via de saída do ventrículo direito
Ulisses Alexandre Croti; Domingo Marcolino Braile; Carlos Henrique De Marchi; Lilian Beani
Serviço de Cirurgia Cardiovascular Pediátrica de São José do Rio Preto Hospital de Base Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, SP
DADOS CLÍNICOS
Criança com 1 mês e 17 dias, sexo feminino, branca, natural de São João da Boa Vista São Paulo. Prematuro de 36 semanas, parto vaginal, bolsa rota há mais de 24h, mecônio espesso ao nascimento, apresentando gemência e cianose, seguida de crise convulsiva e hipoglicemia. Evoluiu com alteração no radiograma de tórax, sendo iniciada administração de penicilina cristalina e amicacina no Serviço de origem para tratamento de infecção pulmonar, a qual se tornou sistêmica, havendo necessidade de antibioticoterapia de amplo espectro por tempo prolongado. Observada dispnéia às mamadas, a criança foi avaliada pelo cardiologista e realizado ecocardiograma, o qual demonstrou "massa" grande na via de saída do ventrículo direito (VSVD) até o tronco pulmonar (TP), com características fúngicas. Iniciado tratamento com anfotericina, houve melhora clínica, porém sem alteração da imagem ecocardiográfica. REG, acianótica, dispneica, corada, hidratada, afebril. Ritmo cardíaco regular em dois tempos, com bulhas normofonéticas sem sopros. Pulmões com ausculta simétrica, sem ruídos adventícios. Abdome globoso, com fígado a 4 cm do rebordo costal direito. Pulsos simétricos e saturação periférica de 96%.
ELETROCARDIOGRAMA
Ritmo sinusal, freqüência de 125 bpm. ÂQRS + 60º e intervalo PR 0.16s. QRS 0.08s sem sinais diretos de sobrecarga ventricular direita.
RADIOGRAMA
Situs solitus visceral. Área cardíaca e campos pulmonares normais.
ECOCARDIOGRAMA
Situs solitus em levocardia. Conexões venoatrial, atrioventricular e ventrículo-arterial concordantes. Imagem irregular longilínea, que se projetava da VSVD, através da valva pulmonar até o TP com aspecto irregular, sugestivo de vegetação fúngica. Boa função ventricular, sem derrame pericárdico (Figura 1).

DIAGNÓSTICO
A história clínica de longa permanência com cateter venoso central para administração de antibiótico endovenoso devido a sepse neonatal, a imagem ecocardiográfica e a melhora clínica com antifúngico tornaram claro o diagnóstico de endocardite fúngica, com vegetação de alto potencial trombogênico.
OPERAÇÃO
Toracotomia transesternal mediana, instalação de circulação extracorpórea, hipotermia a 34ºC, cardioplegia sangüínea, anterógrada intermitente, hipotérmica a 4°C. Após abertura do TP, foi possível visibilizar grande vegetação que se originava na VSVD. Não havia aderências no TP ou na valva pulmonar, sendo pediculada na VSVD, fato que facilitou a ressecção, sem prejuízo da valva pulmonar (Figura 2). Os tempos de perfusão e de isquemia miocárdica foram de 38 e 28 minutos, respectivamente. No material coletado, desenvolveram-se cocos Gram positivos, cocos Gram negativos, além de numerosas hifas hialinas. No pós-operatório, a paciente continuou sendo medicada com antibioticoterapia específica e antifúngico, recebendo alta em excelentes condições clínicas após 28 dias. O ecocardiograma tardio evidenciou ausência de vegetações e estruturas cardíacas normais.

Endereço para correspondência:
Ulisses Alexandre Croti
Hospital de Base FAMERP
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 5544
São José do Rio Preto, SP. CEP 15090-000
Fone (Fax): (17) 3201-5025 / 9772-6560
E-mail: uacroti@uol.com.br
Artigo recebido em abril de 2006
Artigo aprovado em maio de 2006










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