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Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular

Print version ISSN 0102-7638

Rev Bras Cir Cardiovasc vol.23 no.3 São José do Rio Preto July/Sept. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-76382008000300003 

EDITORIAL

 

História resumida da Acta Cirúrgica Brasileira

 

 

Saul Goldenberg

Editor-chefe da Acta Cirúrgica Brasileira

 

 

O que é na verdade ser Editor de periódico científico no Brasil?

Vou expor os 22 anos de vivência como Editor. Aprendi muito e desejo transmitir a experiência adquirida nesta função.

Quando resolvi que seria Editor de um periódico?

O meu objetivo era claro e tinha um alvo específico - a Cirurgia Experimental. Foi fundamental a escolha de uma área específica - a Cirurgia Experimental. Fui Coordenador do Programa de Pós-Graduação da UNIFESP, mestrado e doutorado, em Técnica Operatória e Cirurgia Experimental de 1982 a 1997. As teses foram sendo concluídas e publicadas em periódicos da área clínica. Acontecia uma mistura entre artigos experimentais e clínicos. Decidi criar um periódico que unificasse artigos de investigação em cirurgia, primordialmente em cirurgia experimental. Não existia periódico com esta característica. Era uma experiência nova. Pensava em denominá-la Acta Cirúrgica Paulista (pela Escola Paulista de Medicina e por São Paulo). Logo, me dei conta que a revista não deveria ser regional, mas sim nacional.

Assim nasceu a Acta Cirúrgica Brasileira. Tornou-se o órgão oficial da Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento da Pesquisa em Cirurgia - SOBRADPEC, que possui 23 regionais no país. Esforcei-me para apreender o ofício de Editor. Peguei gosto. O início foi difícil. Tive vários escorregões até adquirir estabilidade. Freqüentei vários Cursos da ABEC, cumpri fielmente as recomendações do Comitê Internacional dos Editores de Revistas Médicas (www.icmje.org). Cumpri as determinações da SciELO, do CNPq e da FAPESP e por estas agências a revista foi avaliada e aprovada.

Da mesma maneira, a revista foi avaliada pelo Medline/PubMed, EMBASE, SCOPUS e ISI (Thomson Reuters) e obteve pontuação elevada na CAPES. Foi importante a seleção dos nomes para o Corpo Editorial e dos pareceristas. O empenho constante para manter a qualidade gráfica de impressão e de ilustrações. Desde o início procurei adotar e manter normas convencionadas para a editoração científica. O tempo entre a remessa do original do artigo e sua publicação foi o menor possível. O ingresso na SciELO aumentou a visibilidade e a acessibilidade da revista, assim como a indexação no Medline. A revista está consolidada e reconhecida pelos pares em nível internacional. Julgo que a dedicação e a atuação constantes foram importantes para atingir os objetivos propostos. Sou grato pelas manifestações de apoio desde o início da jornada. Sou grato aos autores pela remessa de artigos e ao CNPq pelo contínuo apoio financeiro. Grato aos integrantes do Corpo Editorial e aos pareceristas.

De 1986 até 2001 era de periodicidade trimestral. De 2002 até agora é bimensal. A regularidade e a periodicidade foram mantidas em todos estes anos. A revista teve a média de 14 artigos originais (85%) por fascículo. O maior aprendizado foi na realidade a experiência vivida. Esta experiência leva-me a alertar os autores nacionais, sobretudo os negligentes e indisciplinados. As instruções aos autores sempre foram claras e precisas facilmente acessíveis pela Internet e publicadas na revista. Mas dificilmente são fielmente obedecidas.

O autor nacional insiste em NÃO seguir as normas da revista, mesmo nos artigos de conteúdo científico significativo. É rotineira a devolução de artigos que nãocumprem a forma e o estilo da revista. É freqüente a falta de cumprimento às normas das referências bibliográficas. O mesmo no referente a consulta ao DeCS. Temos alertado para o fato de que descritores/keywords que não constam no DeCS/Mesh impedem o acesso aos artigos. Após a indexação no Medline decidi publicar os artigos no idioma inglês. Sem dúvida, o inglês é o idioma atual da comunicação científica. Tivemos de instituir assessoria para o idioma, por falta de esmero dos autores. Não raro ilustrações são enviadas sem qualidade para impressão. Há negligência noreferente à nomenclatura/terminologia. É freqüente a não citação de autores nacionais, inclusive artigos da própria revista. Há negligência na consulta à SciELO e no Medline/PubMed. Em suma, os autores enviam os artigos sem a devida e cuidadosa revisão. Este final foi um desabafo. Por fim, quero deixar uma mensagem aos mais jovens Editores: Fazer revista científica no Brasil com qualidade tem que ter PAIXÃO, COMPROMENTIMENTO e, sobretudo, RESPONSABILIDADE para com o público alvo!

Muito obrigado à ABEC pela oportunidade.

 

 

Publicado no site da ABEC - Associação Brasileira de Editores Científicos (http://www.abecbrasil.org.br/index.asp) no dia 1º de julho de 2008.