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Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular

Print version ISSN 0102-7638

Rev Bras Cir Cardiovasc vol.26 no.4 São José do Rio Preto Oct./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.5935/1678-9741.20110064 

HOMENAGEM

 

Cid Nogueira

 

 

Paulo R. Prates

Cirurgião cardiovascular do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul/ Fundação Universitária de Cardiologia (IC/FUC); Membro Titular da SBCCV, Porto Alegre, RS, Brasil

 

 

A história da Medicina, que teve início quando um ser humano pela primeira vez sentiu a necessidade de aliviar o sofrimento de um semelhante, é riquíssima. Dentro desta história, a do desenvolvimento da cirurgia cardíaca é certamente a mais bela. O pioneirismo sempre foi a sua mais marcante característica, desde a primeira sutura de um ferimento cardíaco por Ludwig Rehn, em 1896, sendo que o coração até então era considerado um órgão intocável. Menos de cem anos depois, o homem, após cortar e suturar o coração, substituir suas válvulas e mesmo restaurar seus batimentos, retirou o órgão de uma pessoa e recolocou-o no peito de outra, onde continuou funcionando.

O Dr. Cid Nogueira foi, sem dúvida, um destes pioneiros. Em 1961, aportou na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde ainda pouco se conhecia de ventilação mecânica, onde muito poucas salas de Recuperação Pós-Operatória eram encontradas e onde, em muitas cidades de seu interior, a cirurgia ainda era praticada por um especialista em clínica geral e cirurgia, com a anestesia, muitas vezes, sendo realizada por algum técnico em enfermagem. O seu objetivo era desenvolver um programa de cirurgia cardíaca com o uso circulação extracorpórea.

 

 

A primeira cirurgia com circulação extracorpórea foi realizada por John Gibbon, nos Estados Unidos, em 1953. Em 1961, nossa cidade e nosso estado tinham em seu seio uma equipe realizando aquilo que foi considerado um salto importantíssimo na história da Medicina: o uso de uma máquina para substituir o coração, enquanto suas cavidades eram abordadas cirurgicamente. Em setembro de 1960, pela primeira vez, uma válvula cardíaca foi substituída por Albert Starr, em Oregon, nos Estados Unidos. Em 1962, o Dr. Cid realizava o mesmo procedimento em Porto Alegre.

Os métodos de diagnóstico na cardiologia tiveram o seu grande desenvolvimento. A cirurgia, como um todo, alcançou um progresso nunca pensado, já que a cirurgia cardíaca exigia muito mais do que a cirurgia geral exigia para sua realização. Excelente técnico, com formação em Cleveland, um dos berços da cirurgia cardíaca moderna, alavancou com seu pioneirismo o progresso de muitas áreas da Medicina no nosso estado.

Aos 82 anos, o Dr. Cid faleceu em 1 de outubro passado, mas deixou entre nós uma escola que seguiu seus passos. Tenho muito orgulho ter sido reconhecido por ele como um de seus discípulos.

Muito obrigado, Dr. Cid Nogueira!