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Revista Brasileira de Meteorologia

Print version ISSN 0102-7786On-line version ISSN 1982-4351

Rev. bras. meteorol. vol.31 no.4 supl.1 São Paulo Dec. 2016

https://doi.org/10.1590/0102-7786312314b20150147 

Artigo

Transmissividade Atmosférica da Radiação Global na Região Amazônica de Mato Grosso

Atmospheric Transmissivity of the Global Radiation in the Amazonic Region of Mato Grosso

Adilson Pacheco de Souza1 

Tamara Zamadei2 

Emanoeli Borges Monteiro1 

Bruno Henrique Casavecchia3 

1Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais, Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop, Mato Grosso, Brasil.

2Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.

3Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop, Mato Grosso, Brasil.


Resumo

Objetivou-se avaliar as variações das médias mensais da radiação global e as frequências do coeficiente de transmissividade atmosférica global (Kt) para 16 municípios da região amazônica do Estado de Mato Grosso. Os dados utilizados foram obtidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia, nos períodos de 2008 a 2014. O Kt foi obtido pela razão entre a radiação global e a radiação incidente no topo da atmosfera. Adotou-se a classificação de cobertura de céu em função de Kt para a partição diária em quatro classes: I - céu nublado (Kt ≤ 0,35), II - céu parcialmente nublado (0,35 ≤ Kt ≥ 0,55), III - céu parcialmente aberto (0,55 < Kt ≥ 0,65) e IV - céu aberto (Kt > 0,65). Entre abril e setembro (estação seca) ocorrem maiores índices de transmissividade atmosférica em função da baixa atenuação da radiação solar pela interação com os constituintes atmosféricos, com maiores frequências de condição de céu IV e II. As condições de cobertura de céu são dependentes do comportamento pluviométrico regional e apresentam percentuais médios diferenciados entre municípios do bioma amazônico.

Palavras-chave: absorção atmosférica; condições climáticas; índice de claridade; nebulosidade

Abstract

It was aimed evaluate the variations of monthly average of global radiation and frequencies of global atmospheric transmissivity coefficient (Kt) in 16 municipalities of amazonic region of Mato Grosso State. The data used were obtained by the National Institute of Meteorology, in period between 2008 and 2014. The Kt was obtained by the ratio between global radiation and radiation incident on the top of the atmosphere. It was adopted the sky coverage classification in Kt function for daily partition into four classes: I - cloudy sky (Kt ≤ 0.35), II - partially cloudy sky (0.35 ≤ Kt ≥ 0.55), III - partially open sky (0.55 ≤ Kt ≥ 0.65) and IV - open sky (Kt > 0.65). Between April to September (dry season) occurs higher indexes of atmospheric transmissivity due to the low attenuation of solar radiation by interaction with atmospheric constituents, with higher frequencies of sky condition IV and II. The sky coverage conditions are dependent on regional rainfall behavior and show differentiated average percentage between the municipalities in the amazonic biome.

Keywords: atmospheric absorption; climatic conditions; clearness index; nebulosity

1. Introdução

A radiação solar constitui-se como uma fonte energética essencial para a existência e manutenção da vida na Terra, estando envolvida em diversos processos físicos, biofísicos e bioquímicos (Neto et al., 2009). Nesse contexto, está relacionada com as áreas de produção agrícola, planejamento urbano, projetos arquitetônicos, análises de poluição atmosférica, estudos micrometeorológicos, energias renováveis, dentre outras (Préndez et al., 1995; Arboit et al., 2008; Stanhill e Cohen, 2001; Oliveira et al., 2002).

Em geral, a radiação solar pode ser considerada como uma das mais importantes fontes de energia renovável (Tiba et al., 2002; Ortega et al., 2010; Varella et al., 2009), pois gera menor impacto ambiental e constitui-se como uma fonte gratuita e abundante de energia, com baixos requisitos de manutenção (Furlan, et al., 2012; Ehnberg e Bollen, 2005).

Por conseguinte, estudos a respeito da sazonalidade e disponibilidade da radiação solar são indispensáveis para o estabelecimento e planejamento estratégico nas áreas supracitadas (Mellit e Kalogirou, 2008; Jebaraj e Iniyanb, 2006; Souza et al., 2010).

Embora tenha-se ciência da importância dos conhecimentos a respeito das variações espaciais e da evolução sazonal da radiação solar incidente na superfície, existem vários fatores que dificultam a obtenção direta das suas componentes espectrais e/ou de atenuação atmosférica (Oliveira et al., 2002). Normalmente, o alto custo relacionado à aquisição e manutenção de equipamentos de medição limita e restringe as medidas de rotina em centros de pesquisa e universidades (Coppolino, 1994; Ampratwum e Dorvolo, 1999), afetando, consequentemente, a obtenção destas informações em extensão continental (Souza et al., 2011).

De acordo com Oliveira et al. (2002), o Brasil possui uma rede solarimétrica muito esparsa, e neste caso, a cobertura limitada das redes de medição de radiação perfazem na necessidade do desenvolvimento e calibração de modelos de estimativa, ao invés dos estudos serem baseados em dados medidos in sito e em longo prazo (Wong e Chow, 2001).

A radiação solar incidente sobre a superfície terrestre varia temporalmente devido a fatores climáticos, geográficos e astronômicos (Codato et al., 2008; Escobedo et al., 2009; Furlan et al., 2012; Teramoto et al., 2012). Contudo, a transmissividade da radiação solar na atmosfera é dependente de fatores da dinâmica atmosférica, envolvendo fatores como pressão do ar, umidade e tipo de nuvem (Nielsen et al., 1981; Albizzati et al., 1997). As nuvens constituem-se como as principais atenuadoras da radiação solar, tendo em vista que absorvem comprimentos de onda específicos (infravermelho) e refletem e difundem (anisotropicamente) grande parte da radiação solar (Iqbal, 1983).

Neste contexto, o coeficiente de transmissividade atmosférica (Kt) refere-se à razão entre as irradiâncias global e atmosférica e permite estabelecer a classificação da cobertura do céu quanto a sua nebulosidade (Iqbal, 1983; Wenxian et al., 1995; Scolar et al., 2003; Codato et al., 2008; Souza et al., 2010).

De acordo com Souza et al. (2012), o Estado de Mato Grosso possui em 33 municípios uma rede de estações meteorológicas automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) com os objetivos de monitorar e avaliar as variações meteorológicas regionais. As regiões Norte e Noroeste do Estado geralmente apresentam um clima quente e úmido, com a estação de chuva definida entre os meses de outubro a abril, e a seca de maio a setembro e com temperaturas médias anuais se em torno de 24,0 °C. A precipitação anual varia de 1850 a 2400 mm, e a umidade relativa, de 35 a 80% para os períodos secos e chuvosos, respectivamente. Os padrões de vegetação das mencionadas regiões apresentam características concernentes à Floresta Amazônica, Cerrado e uma faixa de transição Cerrado-Amazônia.

Tendo em vista a extrema importância dos estudos relacionados à radiação solar e a carência de informações deste cunho, o presente trabalho objetivou avaliar as variações das médias mensais da radiação solar e as frequências da transmissividade atmosférica global para 16 estações meteorológicas automáticas inseridas no bioma amazônico do estado de Mato Grosso.

2. Material e Métodos

Os dados de radiação solar utilizados foram disponibilizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o qual possui uma rede de estações meteorológicas automáticas cujos valores dos elementos meteorológicos são observados a cada minuto e armazenados em valores horários.

Analisou-se a base de dados de dezesseis estações automáticas localizadas na região amazônica do Estado de Mato Grosso (Fig. 1). Os valores discrepantes foram removidos das séries, assim como os valores de coeficiente de transmissividade atmosférica (Kt) acima de 0,81, pelo fato de não ocorrer uma sequência lógica de evolução das três radiações em função da transmissividade (Escobedo et al., 2009). Na Tabela 1 encontram-se descritos os períodos de dados analisados e as porcentagens de perdas referentes aos valores de radiação solar para cada município.

Figura 1 Mapa de localização das estações meteorológicas automáticas da rede do INMET instaladas na região amazônica do estado de Mato Grosso. 

Tabela 1 Informações das estações meteorológicas automáticas instaladas na região amazônica do Estado de Mato Grosso. 

Cód. Nome da Estação (Município) Latitude Longitude Altitude (m) Período de dados Número de dados Perdas (%)
A-924 1. Alta Floresta -10,0672 -56,7522 294 09/2011 – 12/2014 1217 10,93
A-910 2. Apiacás -9,5639 -57,3936 220 01/2008 – 12/2014 2556 21,48
A-926 3. Carlinda -9,9703 -55,8272 300 04/2008 – 12/2014 2465 10,43
A-918 4. Confresa -10,6539 -51,5668 237 06/2008 – 12/2014 2404 15,60
A-919 5. Cotriguaçu -9,9061 -58,5719 261 01/2008 – 12/2014 2556 12,75
A-906 6. Guarantã do Norte -9,9500 -54,8833 320 01/2008 – 12/2014 2556 18,15
A-914 7. Juara -11,2803 -57,5267 260 01/2008 – 12/2014 2556 16,78
A-920 8. Juína -11,375 -58,775 374 01/2009 – 12/2012 2190 43,06
A-928 9. Nova Maringá -13,0386 -57,0922 353 04/2008 – 12/2014 2465 18,66
A-929 10. Nova Ubiratã -13,4111 -54,7522 518 04/2008 – 12/2014 2465 42,31
A-917 11. Pontes e Lacerda -15,2511 -59,3467 256 01/2008 – 12/2014 2556 17,53
A-935 12. Porto Estrela -15,3247 -57,2264 145 02/2008 – 12/2014 2525 41,50
A-936 13. Salto do Céu -15,1247 -58,1275 303 01/2008 – 12/2014 2556 10,84
A-917 14. Sinop -11,9822 -55,5658 371 01/2008 – 02/2014 2253 42,74
A-904 15. Sorriso -12,5452 -55,7113 380 01/2008 – 02/2014 2253 26,90
A-922 16. Vila Bela da Santíssima Trindade -15,0628 -59,8729 222 01/2008 – 02/2014 2253 18,69

A porcentagem de perdas decorreu da análise de consistência da base de dados e da eliminação dos dias com erros de medição. Foram obtidas as médias mensais diárias da radiação global e do coeficiente de transmissividade para cada município, assim como a média mensal diária de Kt para a região. A transmissividade atmosférica foi obtida através da razão entre a radiação global e a radiação incidente no topo da atmosfera, dada pela integração entre o nascer e o pôr do sol dos valores da radiação incidente no topo da atmosfera na partição horária, que por sua vez, foi estimada pela equação de Iqbal (1983).

Conforme os dados médios mensais diários de Kt estabeleceu-se a classificação da cobertura de céu para cada estação automática, em função do coeficiente de transmissividade proposto por Escobedo et al. (2009). Esta metodologia dispensa o uso de dados de radiação direta e/ou difusa, e considera os seguintes tipos de condição de céu para a partição diária: I, quando Kt ≤ 0,35, a radiação direta é praticamente nula, sendo a radiação global igual à radiação difusa (céu nublado); II, se 0,35 ≤ Kt ≥ 0,55, a radiação global é composta principalmente pela fração difusa e em menor escala pela radiação direta (céu parcialmente nublado); III, se 0,55 ≤ Kt ≥ 0,65, é o inverso do segundo intervalo, visto que a radiação difusa diminui gradativamente (céu parcialmente aberto); e IV, quando Kt > 0,65, a radiação global possui a maior parcela composta pela radiação direta e mínima difusa, portanto, a cobertura do céu é considerada aberta. Em seguida, realizou-se a distribuição de frequência da base de dados de cada município por condição de cobertura de céu.

3. Resultados e Discussão

Nas Figs. 2 e 3 pode-se observar a evolução da radiação global ao longo do período estudado para cada município, respectivamente. Nas Tabelas 2 e 3 encontram-se descritos os valores médios mensais diários e desvios por município para a radiação global e Kt, respectivamente. Na Fig. 3 são apresentados os valores médios mensais diários e desvios de Kt para a região. Os desvios médios mensais de Kt para cada município em relação à média mensal da região são apresentados na Fig. 4.

Figura 2 Evolução diária da radiação global (MJ m−2 dia−1) entre 01/2008 e 12/2014, para dezesseis estações meteorológicas automáticas instaladas na região amazônica do Estado de Mato Grosso. 

Figura 3 Valores médios mensais da radiação global diária (MJ m−2 dia−1) e do coeficiente de transmissividade atmosférica (KT) para a região amazônica do Mato Grosso. 

Tabela 2 Médias mensais e desvio padrão (entre parenteses) da radiação global diária (MJ m−2 dia−1) para dezesseis estações meteorológicas automáticas instaladas na região amazônica do Estado de Mato Grosso. 

Estações meteorológicas automáticas (municípios)
Mês Alta Floresta Apiacás Carlinda Confresa Cotriguaçu Guaranta do Norte Juara Juína
Jan 15,58 (1,85) 15,44 (1,69) 17,27 (1,65) 17,54 (0,79) 14,81 (0,80) 14,61 (1,68) 17,83 (2,09) 16,93 (1,33)
Fev 15,07 (0,03) 16,01 (2,55) 17,24 (0,17) 17,21 (0,95) 14,58 (1,73) 15,55 (3,33) 17,00 (1,46) 16,50 (1,51)
Mar 16,61 (0,60) 17,03 (1,37) 19,60 (1,74) 17,47 (0,60) 15,61 (1,24) 17,88 (1,73) 17,30 (0,93) 17,41 (1,06)
Abr 15,81 (1,38) 16,69 (1,83) 17,62 (1,60) 15,80 (1,28) 16,12 (1,35) 18,17 (1,14) 16,47 (0,88) 16,92 (0,87)
Mai 16,19 (0,47) 17,07 (1,74) 18,00 (0,98) 16,35 (0,94) 16,33 (1,75) 16,45 (1,84) 16,79 (1,24) 15,44 (1,43)
Jun 16,65 (0,90) 17,74 (1,08) 18,84 (0,72) 17,87 (0,72) 17,14 (0,78) 15,54 (1,20) 17,21 (0,87) 13,56 (4,00)
Jul 17,89 (0,66) 17,30 (1,48) 19,83 (0,69) 18,43 (1,12) 17,89 (0,53) 15,21 (1,24) 18,10 (0,48) 16,60 (1,68)
Ago 19,04 (0,51) 16,82 (1,83) 20,65 (0,97) 19,64 (1,78) 18,68 (0,90) 15,92 (2,91) 18,82 (1,07) 17,61 (1,30)
Set 19,20 (1,20) 17,95 (1,75) 19,86 (0,81) 18,29 (2,08) 18,21 (0,61) 17,36 (1,96) 18,13 (1,91) 18,42 (1,25)
Out 18,84 (1,25) 18,35 (1,65) 19,94 (0,82) 18,66 (0,60) 18,59 (0,87) 16,59 (1,37) 19,72 (1,16) 20,34 (0,85)
Nov 17,59 (1,50) 17,22 (2,29) 18,57 (1,33) 18,45 (0,85) 16,91 (0,62) 15,48 (1,39) 18,63 (1,06) 18,47 (1,37)
Dez 17,54 (0,86) 16,54 (1,23) 17,79 (1,57) 18,46 (2,17) 16,40 (1,49) 15,18 (1,94) 17,94 (1,38) 18,80 (3,14)
Mês Nova Maringá Nova Ubiratã Pontes e Lacerda Porto Estrela Salto do Céu Sinop Sorriso Vila Bela S. Trindade
Jan 17,83 (1,76) 17,58 (1,17) 19,25 (1,44) 19,29 (2,59) 17,59 (1,92) 18,34 (1,66) 17,73 (2,04) 19,81 (1,65)
Fev 16,03 (2,81) 18,97 (1,29) 16,96 (2,40) 15,51 (2,27) 16,33 (2,88) 16,56 (2,82) 16,41 (1,66) 18,23 (1,07)
Mar 17,38 (0,84) 18,61 (0,88) 17,88 (1,36) 17,04 (2,87) 17,28 (0,69) 18,30 (0,81) 18,69 (0,32) 18,32 (0,61)
Abr 17,23 (0,70) 17,95 (1,71) 17,22 (0,90) 15,08 (3,69) 16,65 (0,88) 17,27 (0,75) 16,98 (1,25) 17,07 (1,18)
Mai 16,02 (0,71) 17,31 (2,04) 15,79 (1,96) 14,59 (1,51) 15,10 (0,96) 18,56 (1,04) 16,91 (0,71) 15,17 (0,95)
Jun 15,13 (1,05) 16,92 (2,40) 15,41 (2,17) 14,72 (0,55) 14,97 (1,25) 17,39 (2,34) 16,62 (0,57) 15,73 (1,65)
Jul 15,46 (1,61) 18,88 (0,77) 16,38 (1,78) 15,21 (2,04) 15,86 (1,32) 16,36 (6,79) 17,70 (0,62) 16,79 (1,31)
Ago 15,88 (3,31) 20,63 (1,11) 18,10 (1,61) 16,43 (1,20) 18,06 (0,86) 21,26 (1,73) 18,55 (1,11) 18,22 (0,80)
Set 19,40 (1,39) 19,85 (0,52) 18,39 (0,77) 17,68 (1,11) 17,83 (0,93) 19,72 (1,20) 19,08 (2,00) 18,88 (0,82)
Out 19,36 (0,89) 19,57 (0,91) 19,62 (0,62) 19,04 (0,43) 18,50 (0,99) 21,17 (0,83) 18,97 (1,42) 20,40 (0,54)
Nov 18,14 (1,28) 17,81 (2,58) 19,91 (1,17) 20,13 (1,26) 18,67 (1,59) 18,13 (0,99) 17,88 (1,10) 20,17 (1,97)
Dez 18,23 (1,54) 18,10 (3,11) 20,27 (1,42) 19,16 (0,93) 17,96 (0,99) 18,18 (0,99) 17,11 (1,34) 19,77 (1,50)

Tabela 3 Médias mensais e desvio padrão (entre parenteses) dos valores diários do coeficiente de transmissividade atmosférica (KT) para dezesseis estações meteorológicas automáticas instaladas na região amazônica do Estado de Mato Grosso. 

Estações meteorológicas automáticas (municípios)
Mês Alta Floresta Apiacás Carlinda Confresa Cotriguaçu Guarantã do Norte Juara Juína
Jan 0,41 (0,05) 0,41 (0,04) 0,45 (0,04) 0,46 (0,02) 0,39 (0,02) 0,38 (0,04) 0,47 (0,05) 0,44 (0,04)
Fev 0,39 (0,01) 0,42 (0,07) 0,45 (0,01) 0,45 (0,02) 0,38 (0,05) 0,41 (0,09) 0,44 (0,04) 0,43 (0,04)
Mar 0,44 (0,02) 0,45 (0,04) 0,52 (0,04) 0,47 (0,02) 0,42 (0,03) 0,48 (0,05) 0,46 (0,02) 0,47 (0,03)
Abr 0,45 (0,04) 0,48 (0,05) 0,51 (0,04) 0,45 (0,04) 0,46 (0,04) 0,52 (0,03) 0,48 (0,03) 0,49 (0,03)
Mai 0,51 (0,02) 0,53 (0,06) 0,56 (0,03) 0,52 (0,03) 0,51 (0,06) 0,51 (0,06) 0,53 (0,05) 0,47 (0,07)
Jun 0,55 (0,03) 0,58 (0,04) 0,62 (0,02) 0,59 (0,02) 0,56 (0,03) 0,51 (0,04) 0,58 (0,03) 0,45 (0,13)
Jul 0,57 (0,02) 0,55 (0,05) 0,64 (0,02) 0,60 (0,04) 0,57 (0,02) 0,49 (0,04) 0,59 (0,02) 0,54 (0,05)
Ago 0,56 (0,01) 0,50 (0,05) 0,61 (0,03) 0,58 (0,05) 0,55 (0,03) 0,47 (0,09) 0,57 (0,03) 0,53 (0,04)
Set 0,53 (0,03) 0,49 (0,05) 0,54 (0,02) 0,50 (0,06) 0,50 (0,02) 0,48 (0,05) 0,50 (0,06) 0,51 (0,03)
Out 0,50 (0,03) 0,49 (0,04) 0,53 (0,02) 0,49 (0,02) 0,49 (0,02) 0,44 (0,04) 0,52 (0,03) 0,54 (0,02)
Nov 0,46 (0,04) 0,46 (0,06) 0,49 (0,04) 0,49 (0,02) 0,45 (0,02) 0,41 (0,04) 0,49 (0,03) 0,49 (0,04)
Dez 0,47 (0,02) 0,44 (0,03) 0,47 (0,04) 0,49 (0,06) 0,44 (0,04) 0,40 (0,05) 0,47 (0,04) 0,50 (0,08)
Mês Nova Maringá Nova Ubiratã Pontes e Lacerda Porto Estrela Salto do Céu Sinop Sorriso Vila Bela S.Trindade
Jan 0,47 (0,05) 0,46 (0,03) 0,50 (0,04) 0,50 (0,07) 0,46 (0,05) 0,48 (0,04) 0,46 (0,05) 0,50 (0,06)
Fev 0,42 (0,07) 0,50 (0,03) 0,44 (0,06) 0,41 (0,06) 0,43 (0,07) 0,43 (0,07) 0,43 (0,04) 0,48 (0,03)
Mar 0,47 (0,02) 0,50 (0,02) 0,49 (0,04) 0,46 (0,08) 0,47 (0,02) 0,49 (0,02) 0,50 (0,01) 0,51 (0,01)
Abr 0,51 (0,02) 0,53 (0,06) 0,51 (0,03) 0,45 (0,11) 0,49 (0,03) 0,50 (0,02) 0,50 (0,03) 0,51 (0,03)
Mai 0,52 (0,02) 0,57 (0,07) 0,53 (0,07) 0,49 (0,05) 0,50 (0,03) 0,59 (0,03) 0,54 (0,02) 0,51 (0,04)
Jun 0,52 (0,04) 0,58 (0,08) 0,54 (0,08) 0,52 (0,02) 0,53 (0,04) 0,59 (0,08) 0,56 (0,02) 0,55 (0,06)
Jul 0,51 (0,05) 0,63 (0,02) 0,56 (0,06) 0,50 (0,03) 0,54 (0,05) 0,54 (0,22) 0,58 (0,02) 0,57 (0,04)
Ago 0,49 (0,10) 0,62 (0,03) 0,57 (0,06) 0,51 (0,04) 0,56 (0,02) 0,64 (0,05) 0,56 (0,04) 0,57 (0,02)
Set 0,53 (0,04) 0,55 (0,01) 0,52 (0,02) 0,50 (0,03) 0,50 (0,03) 0,54 (0,03) 0,53 (0,05) 0,53 (0,02)
Out 0,51 (0,02) 0,52 (0,02) 0,52 (0,02) 0,51 (0,01) 0,49 (0,03) 0,56 (0,02) 0,50 (0,04) 0,54 (0,02)
Nov 0,48 (0,03) 0,47 (0,07) 0,52 (0,03) 0,53 (0,03) 0,49 (0,04) 0,48 (0,05) 0,47 (0,03) 0,53 (0,05)
Dez 0,48 (0,04) 0,48 (0,08) 0,53 (0,04) 0,50 (0,02) 0,47 (0,03) 0,48 (0,03) 0,45 (0,04) 0,51 (0,04)

Figura 4 Desvios médios mensais de KT em relação à média mensal da região. 

Através da variação existente entre os valores médios mensais diários de Kt ao longo do ano é possível observar como a composição atmosférica (nuvens, vapor de água e aerossóis) interfere na transmissão da radiação global.

Os meses de abril a setembro, correspondentes à estação seca na região estudada, apresentam os maiores índices de transmissividade atmosférica para a região. Isso se deve à baixa atenuação da radiação solar pela interação com os constituintes atmosféricos. Já durante a estação chuvosa, em geral, os valores de Kt são menores, tendo em vista que nesta época a concentração de nuvens e vapor d’água na atmosfera é a maior do ano.

Porém, durante o período de seca alguns municípios apresentam valores baixos de transmissividade atmosférica em relação à média da região estudada, dados que podem ser explicados pela influência dos aerossóis presentes na atmosfera, devido principalmente às queimadas comuns nesta época do ano.

Os municípios de Confresa, Cotriguaçu, Juara, Juína, Nova Maringá e Nova Ubiratã fazem parte da Lista de Municípios Prioritários da Amazônia, nos quais são destacadas as medidas de integração e aperfeiçoamento das ações de monitoramento e controle de órgãos federais, o ordenamento fundiário e territorial e o incentivo a atividades econômicas ambientalmente sustentáveis. Tais municípios integram a lista devido à grande área de floresta desmatada anualmente (MMA, 2013).

Nos meses de julho e agosto, os municípios de Guarantã do Norte e Nova Maringá apresentam médias mensais de Kt abaixo dos valores médios da região para a mesma época do ano. Através da análise do banco de dados de Nova Maringá, observam-se valores discrepantes de Kt para tais meses no ano de 2008, no qual o município apresentou 479 focos de calor, ocupando a terceira posição dentre os municípios do Estado com maior quantidade de registros, sendo que somente entre os meses de julho e outubro foram totalizados mais de 30.000 ha de área queimada (SEMA, 2010; Machado e Alves, 2011).

A estação de Guarantã do Norte apresenta os menores valores de Kt ,para os meses mencionados anteriormente, nos anos de 2013 e 2014, nos quais foram registrados 105 e 43 focos de calor dentre julho e agosto, respectivamente. Por fazer divisa com os municípios de Altamira e Novo Progresso - PA, que apresentam elevadas taxas de desmatamento (MMA, 2013), Guarantã também fica sujeita à recepção de aerossóis de queimadas provenientes desta região, visto que tais partículas podem ser transportadas por até milhares de quilômetros dos locais de emissões.

Os maiores valores médios mensais de Kt durante a estação seca são encontrados para o município de Sinop, enquanto que os menores valores médios mensais referentes à estação chuvosa são encontrados para Cotriguaçu. Esses dados podem ser relacionados ao índice pluviométrico dos municípios durante as estações do ano.

Na Fig. 5 são apresentadas as frequências de coberturas de céu ao longo do ano, sendo que no período seco ocorrem maiores frequência de condição de céu aberto, enquanto que no restante do ano predomina a condição de céu parcialmente nublado.

Figura 5 Evolução anual da frequência diária mensal das coberturas de céu (em função do KT) para cada município (Numeração do eixo “X”: 1. Alta Floresta; 2. Apiacás; 3. Carlinda; 4. Confresa; 5. Cotriguaçu; 6. Guarantã do Norte; 7. Juara; 8. Juína; 9. Nova Maringá; 10. Nova Ubiratã; 11. Pontes e Lacerda; 12. Porto Estrela; 13. Salto do Céu; 14. Sinop; 15. Sorriso; 16. Vila Bela da Santiíssima Trindade). 

A frequência de dias com condição de céu I (céu nublado) para a região amazônica de Mato Grosso é maior durante o período chuvoso do ano, corroborando com Teramoto e Escobedo (2012) em análises de frequência de coberturas de céu para Botucatu-SP.

O mês de janeiro apresentou a maior frequência de dias com cobertura de céu I (24,84%) e julho a menor (0,44%). O oposto é observado para a cobertura de céu aberto (IV), para a qual a frequência é maior durante o período seco do ano, devido à predominância de condições atmosféricas de baixa nebulosidade e concentração de vapor d’água (Teramoto e Escobedo, 2012). A maior frequência de dias com cobertura de céu IV (aberto) foi observada em julho (38,16%) e a menor em janeiro (4,94%).

Em relação à cobertura de céu II (parcialmente nublado), os maiores valores de frequência são observados durante os meses chuvosos, similar à variação da cobertura de céu I. Para a cobertura de céu III, os valores de frequência variaram de 42,49% em junho a 15,84% em janeiro.

De acordo com Querino et al. (2010), o fenômeno de precipitação também deve ser levado em consideração durante a análise das condições de céu, pois além de influenciar vários processos na superfície da Terra é responsável também pela limpeza da atmosfera, visto que no ato da precipitação grande parte das partículas em suspensão retornam para a superfície deixando a atmosfera mais limpa.

4. Conclusões

O comportamento das condições de cobertura de céu ao longo do ano e entre os municípios da região amazônica do estado de Mato Grosso é dependente do comportamento pluviométrico regional e das modificações na composição da atmosfera.

A radiação global média diária da região amazônica do estado de Mato Grosso varia de 16,34 ± 1,39 (junho) a 19,22 ± 1,05 MJ m−2 dia−1 (outubro) e os coeficientes de transmissividade atmosférica (Kt) variam de 0,56 ± 0,04 (julho) a 0,43 ± 0,03 (fevereiro).

Agradecimentos

Ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) pela disponibilização das bases de dados meteorológicos históricos inseridos no Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP), e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Mato Grosso (FAPEMAT) pela concessão de bolsas de mestrado.

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Recebido: 30 de Novembro de 2015; Aceito: 21 de Março de 2016

Autor de correspondência: Adilson Pacheco de Souza, adilsonpacheco@ufmt.br, pachecoufmt@gmail.com.

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