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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.10 n.1 Porto Alegre  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721997000100002 

Psicologia Reflexão e Crítica: volume 10

 

 

O lançamento de uma revista científica requer o levantamento cuidadoso da infra-estrutura necessária para viabilizar a captação e revisão de artigos, a comunicação efetiva entre editor, conselheiros, revisores, autores e leitores e, também, os recursos técnicos e financeiros para os trabalhos de edição. Deve-se, ainda, ter muito claro se a infra-estrutura e a disponibilidade financeira serão suficientes para que, em tempo hábil, a revista possa honrar sua periodicidade e seu compromisso com leitores e autores. O leitor tem na revista um convite para a atualização continuada. Em contraste, o autor expõe sua pesquisa e reflexão para debate e crítica. Mediando este intercâmbio, entre leitores e autores, está o crivo editorial da revista através dos seus conselheiros e revisores. Essa breve descrição focaliza as preocupações que orientaram os estudos para o lançamento de Psicologia: Reflexão e Crítica, que com este número abre com muita satisfação o seu Volume 10.

A Revista originou-se do desdobramento da Revista do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS. O Instituto estava insatisfeito com a publicação de um periódico genérico com textos de filosofia, sociologia, ciências políticas, antropologia e psicologia. A avaliação sugeria a organização de periódicos independentes dirigidos a interesses específicos. A criação da Revista respondeu, também, aos anseios de um grupo de pesquisa em psicologia do desenvolvimento que estava surgindo no Departamento de Psicologia da mesma Universidade. O grupo estava interessado não somente em fomentar a produção da pesquisa qualificada mas de incrementar a formação de novos pesquisadores.

Em geral, revistas científicas brasileiras são organizadas e mantidas por instituições universitárias. Algumas revistas, se não a maioria, têm como objetivo principal a divulgação dos trabalhos dos pesquisadores da própria instituição. Ainda é comum ouvir-se a expressão "e temos uma revista para dar vazão a nossa produção". No entanto, o projeto indicava que Psicologia: Reflexão e Crítica não deveria ter nenhum compromisso com a produção local. Estava atrelada a uma instituição universitária porque esta era a única forma viável para sua concretização. Seu compromisso era atender a comunidade nacional.

Curiosamente, a titulação dos periódicos em psicologia no Brasil é o indicador mais eficiente do nosso estágio de organização em política científica. São títulos ambíguos e generalizados que dizem pouco sobre os propósitos da revista mas muito sobre a falta de uma cultura consolidada de produção, publicação e leitura. O título Psicologia: Reflexão e Crítica é um exemplo. Sua concepção foi paroquial e não antecipou a notoriedade que a Revista viria alcançar. O título foi uma reação à cultura psicológica local em que reflexão e crítica eram exaltadas mesmo que não fundamentada em pesquisa. O título era assim um aforismo que, enaltecendo a reflexão e a crítica, os colocavam no contexto do inquérito e da lógica científica, seja quantitativo ou qualitativo. Na verdade, melhor seria que a Revista mostrasse desde cedo um perfil temático e com isso revolucionasse o campo editorial dos periódicos psicológicos.

Nos nove Volumes anteriores, excluindo algumas poucas entrevistas e comunicações, foram publicados 106 artigos. A tabela 1 apresenta um quadro retrospectivo dos artigos publicados quanto ao conteúdo (teórico ou empírico) e quanto à autoria (local ou nacional). Para efeito de análise, agrupei os volumes em triênios.

 

Tabela 1: Classificação dos artigos por conteúdo e autoria

Triênio

Número de Artigos

Artigos Teóricos

Artigos Empíricos

Autores Locais1

Autores Não locais

Parceriais de Locais e Não locais

1986-88

20

14 (70%)

06 (30%)

18 (90%)

02 (10%)

-

1989-93

38

13 (35%)

25 (65%)

27 (71%)

11 (29%)

-

1994-96

48

17 (36%)

31 (64%)

17 (35,5%)

28 (58,5%)

3 (06%)

1 Foram considerados "locais" os artigos de autores da Grande Porto Alegre.
2 A Revista não circulou no biênio 1990-91.

 

Os números demonstram a clara consolidação da Revista. Obteve-se nos dois últimos triênios um bom equilíbrio entre textos de pesquisa e de revisão e, também, um expressivo crescimento da participação de autores nacionais e internacionais.

Nota-se na seqüência dos Volumes um sensível melhoramento da apresentação e padronização gráfica, principalmente a partir do Volume 5 (2). Neste sentido, reconheça-se o apoio do nosso CPG que colocou à disposição da Revista equipamentos de editoração eletrônica e um técnico especialista em edição de periódicos científicos.

Estudiosos de editoração de revistas científicas no Brasil apontam para duas patologias responsáveis pelo fracasso dos periódicos. No primeiro caso, problemas de mal planejamento transformam o projeto no que se convencionou chamar de "revista de um único número". No segundo caso, o planejamento foi adequado, a infra-estrutura suficiente, mas a revista era um "projeto individual" - aposenta-se o editor, encerra-se o periódico. Felizmente, Psicologia: Reflexão e Crítica superou os dois problemas. Está em seu Décimo Volume e sob a direção de seu Segundo Editor. Nos últimos anos a Revista vem mantendo rigorosamente sua regularidade tendo, por conseguinte, aumentado significativamente seu número de assinantes graças, também, à efetiva política de divulgação e distribuição da Comissão Editorial coordenada pela Profa. Dra. Silvia Koller. As condições presentes permitem a visualização de um grande futuro. Já sonhamos em saltar de dois para três números anuais. No entanto, o mais importante neste momento é garantir que a Revista continue respeitando nossa comunidade científica enquanto veículo confiável e ágil na divulgação "regular" de nossas reflexões (experimentais e experienciais) e crítica (teórica e metodológica).

 

 

William B. Gomes