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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.10 n.1 Porto Alegre  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721997000100007 

Categorias de conflitos no cotidiano de adolescentes mineiros1

 

Conceição Aparecida Araújo Oliveira2
Anna Edith Bellico da Costa
Universidade Federal de Minas Gerais3

 

 


Resumo
Este estudo analisou os temas predominantes em 428 dilemas - pessoais e vicários - vivenciados por 221 adolescentes, dos dois sexos, com idade média de 16,4 anos. Identificaram-se 8 categorias temáticas, através de uma análise de conteúdo. Entre os dilemas vividos pessoalmente, os mais frequentes foram aqueles relacionados ao estudo e ao trabalho (30%), à busca de independência e questionamento da autoridade paterna e materna (25%), ao envolvimento em conflitos familiares, entre eles, desentendimentos conjugais e separação dos pais (11%), e à preocupação com escolha amorosa (10%). Na experiência vicária, destacaram-se temas morais (19%), especialmente dilemas sobre gravidez não-desejada e aborto; busca de autonomia associada ao questionamento da autoridade dos pais (17%); conflitos familiares e desentendimento entre os pais (17%) e decisões sobre escolhas amorosas (14%) Conclui-se que os dilemas cotidianos desses adolescentes não se revestem de grande dramaticidade, não corroborando a tese da adolescência como período de inevitável turbulência.
Palavras-chave: Dilemas adolescentes, conflitos da adolescência.

Conflict categories in the daily life of adolescents from Minas Gerais

Abstract
This study analyzed the predominant themes in 428 personal and vicarious dilemmas, experienced by 221 adolescents of both sexes (mean age: 16.4 years). Content analyzes identified eight thematic categories. Among the personally experienced dilemmas, the more frequent categories were those related with study and work (30%), search for independence and questioning of paternal and maternal authority (25%), involvements in family conflicts - including parent’s marital problems (11%), and choice of boyfriends/girlfriends (10%). Moral issues - especially undesirable pregnancy and abortion - caused more empathy in the vicarious experience (19%), followed by search for self-government along with questioning of parental authority (17%); family conflicts and misunderstandings between parents (17%); and choice of boyfriends/girlfriends (14%). It was concluded that the daily dilemmas of these adolescents did not support the idea of adolescence as an age of great disturbance.
Keys-words: adolescents dilemmas; adolescence conflicts.


 

 

A adolescência evoca, no imaginário popular, através de um processo de associação, termos como "rebelião", "conflito", "dificuldade". A origem de tal crença pode ser encontrada nos estudos psicológicos dos primeiros teóricos que fizeram dessa fase seu objeto de estudo. Stanley Hall, Anna Freud e Harry Sullivan (Gallatin, 1978), embora discordem em vários pontos, sustentam que a adolescência é um período de conflito sexual, em particular, e de turbulência emocional, em geral. Freud (1973) vê as perturbações do adolescente como indicações externas da ocorrência de adaptações internas imprescindíveis ao alcance de uma sexualidade adulta. Outros autores, ainda que com ênfase e abordagem diferentes das de Anna Freud, compartilham essa visão do conflito como um propulsor do desenvolvimento.

Assim, para Erikson (1976) a evolução individual se dá através da ocorrência de etapas, cada uma delas caracterizada por crises, cujas soluções eficazes provocam movimentos ascendentes na escala de maturidade. Na adolescência, o dilema com que o jovem se defronta é a definição de um sentido de identidade: uma perspectiva sobre sua própria experiência de vida, onde busca integração das experiências passadas, desenvolvimento de um sentido de individualidade e consciência cada vez maior do próprio destino.

Piaget (1973) considera que os desequilíbrios que ocorrem em todas as épocas de passagem de um estágio para outro são momentâneos e, na adolescência, promovem conquistas que dão ao pensamento e à afetividade um equilíbrio superior ao que existia na infância. Mas esse equilíbrio não se torna um estado estável. É, antes, um processo, que se desenvolve como "compensação proveniente das atividades do sujeito em resposta às perturbações exteriores"(p. 94).

Gallatin (1978) afirma que as evidências não sustentam a proposição de que a adolescência seja inevitavelmente um período de tormenta emocional. Analisando estudos na área da sexualidade, da rebelião juvenil, do conflito de gerações e da subcultura adolescente, conclui que a imagem de tempestade e tensão tende a sofrer modificações, porque não se pode generalizar o que ocorre em uma parcela reduzida de jovens para a população como um todo. Muitos ajustamentos devem ser feitos durante a adolescência, tais como o estabelecimento de certa independência em relação aos pais e a descoberta de recursos adequados para a expressão da sexualidade, mas os adolescentes podem encarar esses desafios sem perturbações excessivas. Porém, afirma também que essa questão não está resolvida, pois continua gerando controvérsia e assumindo uma outra forma na sua colocação: se a adolescência deve ser ou não um período de conflito e rebeldia. Os que respondem afirmativamente a essa pergunta consideram que a ausência de tensões e dificuldades na adolescência é desastrosa para o jovem e para a sociedade: sem conflitos, o adolescente não busca saber quem ele é, não se motivando a travar um diálogo crítico com aquela. Ao contrário, acomoda-se, dificultando o desenvolvimento pessoal e a evolução da própria sociedade. Friedenberg (1959, em Gallatin, 1978) afirma que observou, entre os jovens americanos, uma ausência de tensão e tormenta durante a adolescência. No entanto, acha que isso deveria ocorrer, para que o jovem pudesse descobrir quem ele é.

Douvan e Adelson (1966, em Gallatin, 1978) estão entre os que lamentam a apatia que supostamente envolveu a adolescência representada nos seus estudos. Segundo eles, no início do século, a juventude, embora sujeita ao autoritarismo dos adultos, aproveitava seu cativeiro para se fortalecer e enfrentar os pais em uma prova, onde a decisão se baseava na força de vontade, até se conseguir autonomia verdadeira. Ao contrário, os jovens descritos em seu estudo (década de sessenta), sabedores de que a adolescência deve ser uma época de conflitos, usaram e abusaram desse conhecimento, para desenvolver técnicas de rebeldia, aparentemente sem outros objetivos que não aborrecer os adultos. Sufocaram, dessa forma suas inquietações e paixões naturais, que levariam a uma rebelião verdadeira e proveitosa.

É interessante observar que a mesma queixa faz parte das lamentações dos especialistas atuais sobre a acomodação dos jovens dos anos 80 e 90, quando comparados com os "revolucionários" da década de 60! A esse respeito, Mussen, Conger e Kagan (1988) alertam para o perigo de supergeneralização, baseada em estereótipos populares. Segundo eles, embora os valores do adolescente médio das décadas de 60 e 70 tivessem mudado muito em relação às gerações anteriores, foram minorias significativas que aderiram ao ativismo político ou à alienação social, criando uma "contracultura", por achar que a sociedade da época primava pela ausência de valores sócio-morais, sendo hipócrita, injusta e competitiva. Esses autores acreditam que na década de oitenta ocorreu uma mudança de ênfase nos valores dos adolescentes e jovens adultos, de interesses sociais para pessoais, mas novamente não se pode generalizar, no sentido de considerar a geração atual mais conformista, mais conservadora e menos revolucionária.

Offer (1969, em Gallatin, 1978) mostra que a adolescência não é nem um período de passividade e conformismo, nem de turbulência indevida. Os ajustamentos que devem ser feitos durante a adolescência - desenvolvimento da autonomia em relação aos pais, descoberta de meios satisfatórios de expressão sexual, relacionamento com os pares - podem ser enfrentados pelos jovens sem perturbação excessiva, sendo que isto não leva a uma vida adulta limitada e mal realizada.

Bandura (1964) não acredita que o conflito seja inevitável e necessário ao desenvolvimento. Ele não compartilha a concepção generalizada na psicologia do desenvolvimento de que existam conflitos característicos de cada idade, criando estágios com crises específicas. Bandura e Walters (1959, em Bandura, 1964) realizaram um trabalho com adolescentes agressivos e com outros considerados bem ajustados. Esses últimos contavam que discordavam dos pais e mesmo discutiam com eles, mas também expressavam admiração pelas mães e pais, descrevendo suas relações familiares como felizes e gratificantes. Com base nesse estudo, Bandura (1964) rejeita a explicação de que o adolescente perturbado deva ser visto como normal, com base em fatores evolutivos que explicariam ser a adolescência uma fase emocionalmente turbulenta. Ao contrário, considera que o mais provável é que a norma seja a estabilidade. Para ele, o jovem com problemas está mostrando "padrões de aprendizagem inadequados", devido a treinamento pouco eficaz na infância.

A rejeição de Bandura à abordagem desenvolvimental da adolescência, segundo Gallatin (1978) não é convincente e não esclarece a controvérsia. Para ela, a teoria de Erikson é a que sustenta melhor essa discussão.

Erikson (1976) afirma que há um potencial para sérios conflitos na adolescência, mas enfatiza a singularidade e a individualidade e reconhece diferenças culturais, considerando que as complicações emocionais não são inevitáveis. Embora se utilize da experiência clínica para ilustrar sua teoria com problemas de jovens perturbados, ele não afirma que esses jovens obrigatoriamente representem casos típicos de adolescentes. Ele diz, sim, que, na transição da infância para a idade adulta, ocorre uma crise de formação de identidade, que é "normativa"na adolescência. Isto significa que todo adolescente enfrenta mais ou menos os mesmos problemas, dentro da sua cultura, mas esses devem ser vistos como parte de um processo que começa na infância e provavelmente só vai terminar na velhice. Assim, o conceito de tempestade e tormenta é substituído, na sua teoria, pelo de "crise normativa", que se ajusta ao fato de que grande parte dos jovens passa pela adolescência sem sofrer perturbações sérias, e pelo de "moratória", segundo o qual o adolescente precisa de tempo para integrar-se na vida adulta e a sociedade o concede, através de um adiamento das tarefas do adulto, baseado num compromisso entre ele e a sociedade.

Mais recentemente, a explicação sistêmica das relações pais-filhos, de acordo com Lopes (1994) enfatiza a reciprocidade, onde, tanto a autonomia quanto o apego são positivamente correlacionados, abrindo espaço para a coexistência da individualidade e do vínculo nas interações familiares, como indicativos de amadurecimento no desenvolvimento psicológico. A concepção de Youniss e outros (1980; 82, 83, 85, em Lopes, 1994) focaliza, além das mudanças, uma continuidade nas interações pais-filhos, opondo-se à idéia de ruptura. Obviamente as relações dos pais com os filhos se manterão ao longo da vida; assim, na adolescência começa a se instalar um padrão de autoridade recíproca, em substitução ao anterior domínio unilateral dos pais. A visão de que a independência é alcançada à custa de rupturas, associadas a conflitos deriva, em parte, de abordagens clínicas, onde uma amostra de adolescentes problemáticos apresenta relação mais conflitiva com os pais. Também na área de amizades, outro contexto significativo de relações, há o favorecimento do desenvolvimento da cooperação, ainda que a adolescência seja marcada pela tendência à individualidade. Lopes (1994) mostra que esses diferentes relacionamentos, com pais e companheiros, vão desempenhar funções diversas. Sebald (1989) também não confirma a antiga idéia de que grupos de pais e amigos se confrontam com animosidade e diferenças intransponíveis na adolescência. Ele observa que, de fato, os interesses e preocupações dos jovens se dividem entre grupos de referências diferentes - pais e companheiros - onde o elemento decisivo é a natureza da questão: em assuntos de educação, carreira e finanças, há mais solicitação de orientação dos pais. Em atividades intrínsecas à vida da subcultura grupal - vestimentas, compromissos amorosos, eventos sociais, tipo de leitura - os jovens recebem mais orientação dos amigos

Estudos clínicos e "surveys", comumente realizados pelos meios de comunicação, enfatizam relacionamento conflitivo com pais, experiências com sexo, uso de drogas, como as áreas onde se manifestam os maiores problemas dos jovens. Diferentemente, este estudo buscou identificar as preocupações do dia a dia dos adolescentes e em que circunstâncias se manifestam seus dilemas cotidianos. Adotou-se o modelo descritivo de levantamento de dados, para realização de um estudo exploratório, considerando-se a ausência de informação prévia sobre a existência de dados empíricos, na população alvo, relacionados à questão que se pretendia estudar.

Definiu-se dilema como uma situação conflitiva, com duas saídas alternativas, sendo que a escolha por uma ou outra é difícil de ser feita. Considerou-se que o cotidiano é constituído, tanto de situações vividas diretamente pelos sujeitos, como daquelas vivenciadas de forma vicária, isto é observadas no dia a dia de alguém, pressupondo a existência de um primeiro nível de empatia, que seria o da percepção de situações difíceis vividas por outras pessoas.

Deste modo, trouxe contribuições ao debate, ainda em aberto, sobre a ocorrência de conflitos, como característica da adolescência. Não se pretendeu, entretanto, aprofundar a discussão a respeito do papel desempenhado pelo conflito no alcance da maturidade pelos adolescentes, porque isto exigiria um acompanhamento a médio prazo dessa amostra, o que não estava previsto na metodologia, por não fazer parte dos objetivos do estudo.

 

Método

A amostra de informantes constituiu-se de 221 adolescentes, dos dois sexos, oriundos da capital e do interior de Minas Gerais, frequentando a segunda série do segundo grau, de escolas públicas e particulares, com idade média de 16,5 para os homens e de 16,3 para as mulheres. Os sujeitos responderam a um questionário, onde, após ser dada a definição de dilema, solicitava-se a descrição de duas situações: a primeira deveria ser uma situação difícil, vivida diretamene por ele e que lhe trouxera um dilema, colocando-o entre duas alternativas de decisão. A segunda (experiência vicária) deveria tratar de um dilema, considerado por ele de difícil solução e que tenha sido observado na vivência de outra pessoa.

Foram relatados 428 dilemas (212 vividos e 216 vicários), que submetidos a uma análise de conteúdo 4, classificaram-se inicialmente em vinte categorias temáticas, que , por sua vez foram reduzidas a oito, através de um agrupamento, onde as categorias se reuniam formando novos grupos, com base nos principais núcleos de preocupação. Cada um desses grupos se tornou uma nova categoria:

Categoria 1: O estudo e o trabalho formam os núcleos de preocupação em torno dos quais se aglutinam os dilemas desta categoria: a) a obrigação e a necessidade de estudar exigem esforço e superação pessoal, opondo-se ao desejo de acomodação, que, se for dominante, traz sentimento de fracasso e diminuição da auto-estima; b) as exigências externas, como dar assistência a pessoas e trabalhar (seja para sobreviver, para se auto-realizar, ou mesmo como forma de fugir do estudo) podem impedir ou dificultar o sucesso escolar; c) as escolhas entre: cursos profissionalizante e científico; escolas que possibilitem sucesso no vestibular e outras mais convenientes para suas condições de vida; alternativas profissionais direcionadas pelo interesse pessoal ou sugeridas pelas circunstâncias do mercado de trabalho, constituem pólos de conflitos que perturbam a vida estudantil; d) a insegurança quanto a decisões a serem tomadas em negócios e a instabilidade do mercado de trabalho, afetando familiares e conhecidos são preocupações do dia-a-dia, relatadas em dilemas vicários.

Categoria 2: os núcleos de preocupação são ocupação e lazer . As situações envolvem escolha entre: a) dois prazeres, por exemplo, dois tipos de festas, festas ou viagens, dar uma festa ou ficar com o dinheiro; b) um prazer e um compromisso (com o grupo de iguais, com os familiares), c) duas atividades ocupacionais temporárias, que se contrapõem ou se superpõem; d) experiências religiosas de credos diferentes, como forma de ocupação do tempo livre, em busca de algo novo.

Categoria 3: os núcleos de preocupação giram em torno de: a) busca de autonomia, ligada à realização pessoal e profissional, e b) conflito com os pais, quando interferem em desejos, necessidades e decisões dos filhos. No primeiro caso, os dilemas surgem quando a busca de independência se opõe ao desejo de continuar dependente (apoio material da família, medo de enfrentar experiências novas e necessidade de afiliação) e à tendência a acomodar-se (desânimo frente a esforço e sacrifício). No segundo caso, os dilemas envolvem questionamento da autoridade paterna e materna, sendo difícil para o sujeito decidir se realiza seus desejos, se afirma sua vontade, defendendo seus direitos e voltando-se contra as regras dos pais, ou se opta pela obediência.

Categoria 4: os núcleos de precupação referem-se ao posicionamento do adolescente em relacionamentos problemáticos, dentro do sistema familiar: a) tomada de posição em conflito conjugal dos pais e consequente decisão sobre com quem ficar em caso de separação configuram uma temática de dilema, que é às vezes acrescida de julgamento da conduta dos pais como certa ou errada, como merecedora ou não, de perdão; b) conflitos de relacionamento que envolvem outros familiares, referindo-se a incompatibilidades entre parentes, que dificultam a vida em família: a má convivência pode ocorrer entre o sujeito e outro familiar, ou entre terceiros dentro da própria família, com situações que se alternam entre brigas e reconciliações, criando dilemas que se repetem no dia-a-dia.

Categoria 5: As relações afetivas que envolvem compromissos com amigos, namorados e familiares e que exigem lealdade entre as partes formam três núcleos de preocupação dentro desta categoria: a) as preocupações de compromisso se manifestam no dever ou no desejo de atender às necessidades de pessoas às quais se está afetivamente ligado, o que implica deixar de atender a si mesmo ou a outras pessoas merecedoras de atenção. Por exemplo, os conflitos de compromissos com os companheiros vão desde a simples escolha entre um ou outro colega para realizar tarefas e atividades, até, em casos mais extremos, a decisão de envolver-se ou não em situações prejudiciais a si mesmo, como o consumo de drogas, para ser fiel a um grupo; b) a autenticidade e a sinceridade nos relacionamentos afetivos são colocadas pelo sujeito como exigências para si mesmo, opondo-se ao desejo e necessidade de enganar e dissimular. Por exemplo, o conflito entre ser fiel ao namorado (a) ou trair, quando surge a oportunidade; entre disputar ou não com um amigo a chance de namorar a mesma pessoa, devendo decidir o que tem mais valor: a amizade ou o namoro. Enfim, o sujeito vive o dilema de ser ou não autêntico; c) em outras situações, o dilema é aceitar ou não o relacionamento com pessoas que não são sinceras, por exemplo, a convivência com amigos desleais e com namorados infiéis.

Categoria 6: os núcleos de preocupação nesta categoria são: a) a escolha e manutenção de relacionamentos amorosos e b) a experiência sexual em situação de namoro e de relacionamento sem compromisso. No primeiro caso, os conflitos ocorrem quando surge atração por duas pessoas, associada à dificuldade de perceber a quem se dirige o sentimento de afeto real; ou quando há possibilidade de viver novas experiências amorosas e se deve decidir pelo término do antigo relacionamento. No segundo caso, o dilema aparece quando há insistência do parceiro no sentido de manter relacionamento sexual: de um lado, há o temor de que, em caso de concordância, a situação possa ser descoberta, e também das conseqüências; por outro lado, existe a possibilidade da existência do sexo, baseado no amor e vivido como expe- riência construtiva.

Categoria 7: O núcleo de preocupação foi a tomada de decisões em situações de risco. Os dilemas foram diversificados, no sentido de que as situações envolviam: a) doença, b) perigo imediato e risco de vida, c) tragédia familiar, d) pressão e constrangimento social. O elo entre essas diferentes situações foi que em todas estava presente a necessidade da decisão rápida, para se evitar o perigo maior.

Categoria 8: O núcleo de preocupações envolveu basicamente a tomada de decisão entre o certo e o errado, o justo e o injusto, considerando-se, por isto, esta categoria como formada de conflitos tipicamente morais 5 : a) infringir normas, tais como dirigir sem carteira e colar em prova; b)confessar a culpa em situações de transgressão; c) apresentar-se como responsável por transgressões, com risco de pre-juízo pessoal; d) causar prejuízo aos outros; e) delatar (atos ilegais, infidelidades e traições); f) assumir responsabilidade por gravidez indesejada ou não planejada; g) decidir sobre aborto, maternidade independente e adoção ( as letras f e g surgiram só em dilemas vicários).

 

Resultados

A análise dos resultados considerou os dados globais da amostra, a procedência regional (interior e capital) e escolar (pública e particular) e as características de sexo (masculino e feminino).

Identificadas as categorias, com base na análise dos temas conflitivos e na identificação dos núcleos de preocupação, levantou-se a freqüência de respostas dentro de cada uma delas. Os resultados quantitativos dessa análise, com relação aos dilemas vividos diretamente pelos sujeitos são apresentados nas Tabelas 1 e 2.

 

Tabela 1: Freqüência e porcentagem dos dilemas vividos pelos sujeitos do interior e da capital, de acordo com os temas conflitivos

Cat.
Tema
Capital Interior Geral
mascul. femin. total mascul. femin. Total masculin. femin. Total
n % n % n % n % n % n % n % n % n %
Cat.  1 16 38 15 26 31 31 09 26 23  29 32 28,5 25 33 38 28 63 30

Cat. 2

07 17 0 - 07 7 05 15 07  9 12 11 12 16 07 5 19  9
Cat. 3 03 7 18 31 21 21 08 23 24 31 32 28,5 11 14 42 31 53 25
Cat. 4 04 10 13 22 17 17 01 3 06 8 07 6 05 7 19 14 24 11
Cat. 5 01 2 04 7 05 5 06 18 09 11 15 13 07 9 13 9,5 20 9
Cat. 6 05 12 06 10 11 11 03 9 07 9 10 9 08 11 13 9,5 21 10
Cat. 7 01 2 01 2 02 2 0 - 0 - 0 - 01 1 01 1 02 1
Cat. 8 05 12 01 2 06 6 02 6 02 3 04 4 07 9 03 2 10 5
Total 42 100 58 100 100 100 34  100 78 100 112 100 76 100 136 100 212 100

 

 

Tabela 2: Frequência e porcentagem dos dilemas vividos pelos sujeitos das escolas públicas e particulares de acordo com os temas conflitivos

Categoria Temática Esc. Pub. Esc. Part.

masculino

feminino

total

masculino

feminino

total

 

n

%

n

%

n

%

n

%

n

%

n

%
Cat. 1 14 45 18 32 32 36 11 25 20 25 31 25
Cat. 2 02 6,5 03 5 05 6 10 22 04 5 14 11
Cat. 3 06 19 16 28 22 25 05 11 26 33 31 25
Cat. 4 03 10 13 23 16 18 02 5 06 8 08 6,5
Cat. 5 02 6,5 02 3 04 5 05 11 11 14 16 13
Cat. 6 02 6,5 05 9 07 8 06 13 08 10 14 11
Cat. 7 0 - 0 - 0 - 01 2 01 1 02 2
Cat. 8 02  6,5 0 - 02 2 05 11 03 4 08 6,5
TOTAL 31 100 57 100 88 100 45 100 79 100 124 100

 

Observa-se que:

a) As questões de estudo e trabalho, contidas na categoria 1, foram, no geral, os temas conflitivos de maior destaque (30%) vividos por essa amostra de adolescentes, sendo mais numerosos entre os rapazes da capital (38%). Quando essas questões apareceram entre os rapazes do interior, estavam sobretudo relacionadas a dificuldades financeiras e à conseqüente necessidade de trabalhar, que interferiam em seus estudos, prejudicando-os. Ressalta-se que esse núcleo de preocupação (necessidade de trabalhar) foi quase exclusivo dos alunos das escolas públicas.

b) A busca de autonomia e de realização, associada ao questionamento da autoridade dos pais (categoria 3) constituiu o segundo maior tema conflitivo dos adolescentes (25%), sendo mais acentuado no interior (28,5%) do que na capital (21%). Para o subgrupo das mulheres, essa foi a temática conflitiva que concentrou maior percentual de dilemas (31% contra 14% dos homens).

Os rapazes da capital (7%) e das escolas particulares (11%) preocuparam-se menos com essas questões (deve-se informar que 64% dos rapazes das escolas particulares são da capital).

c) Observa-se que 16% dos dilemas do sexo masculino estão na categoria 2, onde os núcleos de preocupação giraram em torno da escolha de atividades, sobretudo de lazer, sendo o segundo maior percentual de conflitos no subgrupo dos homens. As garotas pouco se ocuparam desse tema como fonte de conflito.

d) Os conflitos de relacionamentos familiares, descritos na categoria 4, foram o terceiro tema de maior preocupação na amostra como um todo (11%), destacando-se entre o sexo feminino da capital (22%), onde também os homens demonstraram estar, em alguma medida (10%), preocupados com essas questões. No entanto, no interior, sobretudo entre os rapazes (3%), esses conflitos foram pouco citados. Essa discrepância é observada também entre os alunos das escolas públicas (18% ) e particulares (6,5%).

e) A categoria 5 - relações afetivas que envolvem compromisso, lealdade e fidelidade - se destaca no interior, sendo aí a segunda maior fonte de conflitos (13%); ao contrário, na capital seu aparecimento ocorreu em pequena proporção (5%), sendo sobrepujada por todas as outras, exceto a sétima.

f) A categoria 6 - relativa à escolha de relacionamento amoroso - apresentou-se como dilema constante, porém de frequência moderada (de 9 a 11%), entre todos os subgrupos, exceto para os rapazes da escola pública, onde sua proporção foi mais baixa (6,5%). Pode-se observar que o percentual mais alto ocorreu nos subgrupos masculinos, das escolas particulares (13%) e da capital (12%). O dilema de natureza especificamente sexual só foi relatado como conflito por sujeito do sexo feminino, correspondendo a 1% dos dilemas das mulheres.

As Tabelas 3 e 4 apresentam a distribuição quantitativa dos dilemas vicários em categorias, por localidade, tipo de escolas e sexo.

 

Tabela 3: Frequência e porcentagem dos dilemas vicários de acordo com a temática conflitiva Capital e Interior

Categoria Temática

Capital Interior Geral
M F Total M F Total M F Total
  n % n % n % n % n % n % n % n % n %
Cat. 1 08 22 05 8 13 13,5 12 31 08 10 20 17 20 27 13 9 33 15
Cat. 2 03 8 0 - 03 3 0 - 01 1 01 1 03 4 01 1 04 2
Cat. 3 06 16 14 23 20 20,5 03 8 14  18 17 14,5 09 12 28 20 37 17
Cat. 4 01 3 18 29 19 19,5 05 13 12 15 17 14,5 06 8 30 21 36 17
Cat. 5 0 - 06 10 06 6 04 11 13 16 17 14,5 04 5 19 13,5 23 11
Cat. 6 07 19 05 8 12 12 04 11 14 18 18 15 11 15 19 13,5 30 14
Cat. 7 02 5 04 7 06 6 03 8 02 2 05 4 05 6 06 4 11 5
Cat. 8 10 27 09 15 19 19,5 07 18 16 20 23  19,5 17 23 25 18 42 19
Total 37 100 61 100 98 100 38 100 80 100 118 100 75 100 141 100 216 100

 

 

Tabela 4: Frequência e Porcentagem dos dilemas vicários das escolas públicas e particulares, de acordo com os temas conflitivos

Cat.
Tem.

Esc.    Publ.

Esc.   Partic.

Masc. Femin. Total mascul. femin. Total
  n % n % n % n % n % n %
Cat. 1 08 26 04 7 12 14 12 26 09 11 21 16
Cat. 2 0 - 0 - 0 - 03 7 01 1 04 3
Cat. 3 05 17 13 22 18 20 04  9 15 18 19 15
Cat. 4 02 7 11 19 13  15 04 9 19 23 23 18
Cat. 5 03 10 12 21 15 17 01 2 07 8 08 6
Cat. 6 02 7 04 7 06 7 09 20 15 18 24 19
Cat. 7 02 7 03 5 05 6 03 7 03 4 06 5
Cat. 8 08 26 11 19 19 21 09 20 14 17 23 18
Total 30 100 58 100 88 100 45 100 83 100 128 100

 

Observa-se que:

a) A categoria 8 - conflitos especificamente morais - concentrou a maior quantidade de dilemas vicários relatados pelos sujeitos (19%). Todos os subgrupos apareceram com percentual relativamente significativo de dilemas nessa categoria, que, na amostra do interior(19,5%), superou todas as outras. Na capital (19,5%) ela foi ligeiramente suplantada pela categoria 3 (20,5%), aparecendo na mesma proporção da 4 (19,5%).

b) A amostra masculina relatou mais dilemas dentro da categoria 1 (22%), enquanto a feminina esteve mais preocupada com os conflitos de busca de independência, associados à interferência dos pais nos seus desejos (categoria 3: 23%) e de desentendimentos dentro da família, sobretudo problemas de separação dos pais (categoria 4: 19,5%).

c) A categoria 5, que também concentrou alto percentual de dilemas morais conforme definição deste estudo, ocorreu com maior freqüência no interior (14,5%) e nas escolas públicas (17%), sendo pouco significativa na capital (6%) e nas escolas particulares (6%).

d) A escolha de relacionamento amoroso - categoria 6 - foi a maior preocupação vicária dos alunos das escolas particulares (19%), merecendo também destaque entre a população masculina da capital(19%) e a feminina do interior (18%).

 

Discussão

A análise qualitativa, a partir dos temas dilemáticos, mostra, diferentemente da análise quantitativa, com base nos tipos de dilemas (Oliveira & Costa, 1995), certas diferenças entre os sexos: os dilemas relacionados à busca de independência e à interferência dos pais na vida dos filhos ocorreram com maior freqüência nas mulheres, sendo essa categoria a predominante na vivência pessoal delas. Os homens também vivenciaram, de forma significativa, a busca de independência, sobretudo os do interior, preocupados com investimento no futuro, que não lhes parece promissor no lugar onde moram. Porém, esses rapazes não demonstraram necessidade de questionar a autoridade paterna ou materna, o que certamente teria acontecido se os genitores estivessem impondo limitações às suas ações, da mesma forma como fazem com as filhas. Isto parece sugerir que a mulher adolescente, no contexto estudado, não dispõe ainda dos mesmos privilégios concedidos aos homens. Embora desfrutem de igual ou maior possibilidade de vida intelectual (há mais mulheres frequentando a escola), elas ainda precisam brigar com os pais para afirmar sua autonomia.

Os homens, em geral, estão preocupados com responsabilidade de estudo (o que também é uma preocupação para as mulheres) e com escolhas de atividades, questões bem pragmáticas e que envolvem decisões mais imediatas.

A população masculina do interior, oriunda da escola pública, vive no seu cotidiano dilemas, onde se sobressai a preocupação com problemas financeiros, capazes de interferir no seu objetivo de vida. Embora sejam conflitos derivados da situação social, a maioria dos sujeitos não os discute nessa perspectiva; em geral não questionam a problemática social , que impede um jovem de seguir sua vocação e não permite que outros possam dedicar-se com tranqüilidade aos estudos. Colocam as alternativas de solução em suas próprias mãos ou nas da família, no sentido de tentar dar conta do estudo, com todos os sacrifícios implicados nessa conduta. Apenas dois sujeitos (0,94%) questionaram as condições de ensino no país como limitadoras das possibilidades de progresso do estudante pobre. Atribuem a responsabilidade, pelo precário estado da educação pública, à falta de apoio do governo. Nesses relatos está clara a consciência da injustiça social. Outros dilemas de cunho social foram relacionados com doações, envolvendo preocupações humanitárias.

Uma outra questão significativa para os adolescentes do interior, sobretudo para os rapazes, relacionou-se com o tema da lealdade e fidelidade com amigos e namorados. Esses dilemas se caracterizaram como conflitos morais - afetivos e os resultados desse subgrupo se assemelham aos de outros estudos, citados por Mussen, Conger, Kagan e Huston (1995), onde a causa primária de conflito sério entre amigos íntimos é o comportamento não-confiável. Os adolescentes desejam e esperam que o amigo seja leal e digno de confiança, oferecendo apoio seguro em crises emocionais.

Quanto aos dilemas que despertam maior empatia (vicários), destacam-se, se somarmos os resultados das categorias 4 e 6, aqueles classificados em estudo anterior (Oliveira & Costa, 1995) como emocionais. Foram assim definidos a partir da natureza das opções envolvidas nos conflitos e relacionadas basicamente com estados emocionais e seus componentes: medo e ansiedade, raiva e agressão, prazer e amor, tristeza, alegria ciúme... excluindo-se dessa classificação aqueles dilemas onde se configura problemática moral. A preocupação voltada para o sofrimento dos amigos , quando os pais destes se separam mostra que a possibilidade de quebra do vínculo entre os pais causa angústia considerável, sobretudo nas mulheres, que, em alguns casos, falam de dificuldades em imaginar o que fariam, se tivessem de escolher entre o pai e a mãe, mostrando como tal vínculo continua forte na adolescência. Este foi um dilema mais sentido (vicário) que vivido, embora tenha aparecido também na vivência pessoal. Pardeck e Pardeck (1990) relatam que um problema social importante, identificado como origem potencial de conflito familiar para adolescentes norte-americanos, é o divórcio. Esses autores procuraram estabelecer a relação entre divórcio e independência dos adolescentes, sugerindo que é a percepção do conflito dentro da família, e não a estrutura familiar em si (separação ou não), que pode ser o fator dominante influenciando a autonomia do adolescente. Não se observou aqui uma relação do mesmo tipo. A questão foi tratada pelos sujeitos com uma forte carga afetiva, com sentimento de perda, culpa e mágoa. Na percepção do jovem, em nenhum momento ele demonstrou que pudesse sair com algum ganho - como a autonomia - dessa situação.

Entre os dilemas de natureza moral, salientam-se questões com alto grau de afetividade, tratando de gravidez não desejada e do aborto. Nesta categoria interesses individuais aparecem na expressão do desejo de se livrar dos riscos de assumir um compromisso, para o qual não se está preparado, e no medo da punição dos pais e da sociedade. São esses argumentos que inclinam a alternativa de resolução do dilema no sentido de uma decisão pelo aborto. De outro lado, pesa a noção de responsabilidade e cuidado: o rapaz deve cuidar da namorada que engravida e ambos são responsáveis pela criança. Em menor proporção, usa-se o argumento do direito à vida.

Assim, os dilemas desses adolescentes foram basicamente afetivos, desenvolvendo-se no interjogo das relações interpessoais. Outros conflitos foram de natureza mais individual, tais como as questões de estudo e trabalho, que refletiram as dificuldades no alcance de uma identidade como pessoa de "saber" e de "fazer", ocorrendo mais nos dilemas vividos. Quando apareceram nos dilemas vicários, isto foi devido à preocupação dos jovens com pessoas da família (adultos) que passaram por dificuldades profissionais, de emprego e de indecisões no mundo comercial. Foram esses os raros momentos em que o jovem saiu da perspectiva de problemas próprios da adolescência, para entrar nos dilemas do mundo adulto. Como foi apontado anteriormente (Oliveira & Costa, 1995), os adolescentes sentiram mais empatia com os conflitos dos seus iguais.

 

Conclusão

Os dados deste estudo parecem indicar que, no dia a dia, o adolescente mineiro dessa amostra não vivencia conflitos capazes de justificar a existência de um estado permanente de angústia e tensão. Não foram identificados temas de grande dramaticidade, ao contrário do que poderia supor o estereótipo popular da adolescência. Mencionamos pesquisas que não apoiam a idéia de que a ausência de sérios conflitos durante a adolescência indica dificuldades de adaptação emocional à vida adulta. Mesmo entre os dilemas vicários, não ocorreram menções a suicídios, situações de depressão e criminalidade, sendo poucas as referências ao uso de drogas. Estes são temas de impacto, que despertam atenção e preocupação dos adultos. Pode-se acreditar que tenha havido censura com relação à menção desses dilemas, mesmo estando os sujeitos preservados da identificação nominal. Ou, então, aceitar que temas como aborto só apareceram nos dilemas vicários, porque, de fato, não faziam parte da experiência pessoal. O estereótipo popular de uma crise aguda e prolongada de identidade durante a adolescência parece exagerado. Houve um momento em que o próprio Erikson (1976) se perguntou se muitos jovens não agiriam de forma perturbada durante a adolescência exatamente porque se esperava deles esse comportamento. A idéia de "crise normativa" , que não supõe o caos, mas se aproxima mais da idéia de um momento decisivo, crucial, para que se enfrentem determinados problemas e se realizem mudanças, pode ser mais adequada na explicação dos dilemas cotidianos dessa amostra.

O adolescente que, aos 16 anos, consegue estar no segundo ano do segundo grau, seja em escolas públicas, ou particulares, parece ter obtido, ao lado do bom rendimento escolar, uma conquista emocional: pertenceria a uma população privilegiada, que está passando ao largo do drama de outros adolescentes, desorientados no seu percurso. Isto deve ser visto como uma hipótese, a partir das observações deste estudo. Outras pesquisas, com diferentes amostras, permitiriam esclarecer a hipótese apresentada, investigando-se aspectos desenvolvimentais que poderiam explicar essa real ou aparente calmaria.

 

Referências

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Erikson, E. (1976). Identidade: juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar.        [ Links ]

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Recebido em 28.06.96
Revisado em 05.08.96
Aceito em 01.12.96

 

 

1 Este estudo dá continuidade à pesquisa "Os dilemas morais e não-morais no cotidiano de conflitos de adolescentes de Minas Gerais", publicada em Psicologia: Reflexão e Crítica, v.8, 1995.
2 Endereço para correspondência: Rua Padre Francisco Arantes , 62 - Vila Paris, Belo Horizonte, Minas Gerais - 30380-730 Tel.:031-344-6508 Fax: 031-2918707 E-Mail: fervin@bhnet.com.br 
3 Ambas as autoras estavam afiliadas à UFMG durante a realização desta pesquisa.
4 Na primeira análise, os dilemas foram examinados por uma equipe de cinco juízes treinados, adotando-se o critério de consenso para definição final das categorias. Posteriormente, a redução das categorias foi feita pelas autoras.
5 Deve-se observar que, em outras categorias também apareceram dilemas morais, definidos como: situação difícil vivida ou percebida pela pessoa, onde deve-se decidir entre: o certo e o errado, o bem e o mal, o justo e o injusto, baseando-se em regras de conduta ou na consciência; situações onde haja conflitos de obrigações e deveres e os que consideram direitos, necessidades e valores, próprios e de outras pessoas.