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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.10 n.1 Porto Alegre  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721997000100009 

Consciência fonológica e linguagem escrita em pré-escolares

 

Maria Regina Maluf 1
Sylvia Domingos Barrera
Universidade de São Paulo

 

 


Resumo
Esta pesquisa tem por objetivo estudar a relação entre consciência fonológica e aquisição da linguagem escrita, a partir de uma perspectiva psicogenética. Um grupo de 55 pré-escolares de 4 a 6 anos foi analisado através da aplicação individual de um instrumento elaborado pelas pesquisadoras. Os resultados mostraram uma correlação positiva bastante significativa entre os níveis de consciência fonológica e de aquisição da linguagem escrita, sobretudo no que se refere às crianças de 5 e 6 anos. Esses níveis mostraram-se correlacionados positivamente à idade e independentes do sexo dos sujeitos. Alguns níveis de consciência fonológica parecem preceder a aquisição da linguagem escrita, o que sugere a importância da realização de atividades pedagógicas voltadas para o desenvolvimento dessa capacidade em pré-escolares.
Palavras-chave: Consciência fonológica, linguagem escrita, alfabetização, pré-escolares.

Phonological awareness and written language among preschool children

Abstract
This research aimed to study the relationship between phonological awareness and written language acquisition through a psychogenetic perspective. Participants were 55 preschool children of both sexes, between 4 and 6 years old. They were assessed with an instrument developed by the researcher. The results showed a positive and significant correlation between phonological awareness and literacy levels, especially for 5 and 6 years-old children. These levels were correlated positively with age and independent of the sex of the subjects. The results also pointed to the existence of different levels of phonological awareness, involving different degrees of complexity, which suggests the importance of pedagogic activities that aim to develop phonological awareness in preschool children.
Key-words: Phonological awareness, written language, preschool children, literacy.


 

 

As pesquisas já realizadas sobre o tema das relações entre consciência fonológica e aquisição da linguagem escrita evidenciaram a importância dessa questão e suas implicações educacionais. Com efeito, é durante os anos pré-escolares e início da escolarização que as crianças aprendem a ler e escrever e desenvolvem a capacidade de prestar atencão à fala analisando-a em seus diversos segmentos, a saber, fonemas, sílabas e palavras.

Algumas pesquisas sugerem que a introdução formal no sistema alfabético seria o fator ou causa primordial para o desenvolvimento da consciência fonológica (Morais et al. 1979; Read et al., 1986). Por outro lado, há resultados que sugerem ser a consciência fonológica um pré-requisito para a aprendizagem da leitura e escrita alfabéticas (Bradley & Bryant, 1983; Carraher & Rego, 1981; 1984; Rego, 1983a; 1983b).

Em artigo posterior, Morais (Morais, Alegria & Content, 1987) insiste sobre as relações entre aquisição da escrita e análise segmental, considerando esta última como uma das manifestações da consciência fonológica.

A controvérsia entre os resultados das pesquisas parece dever-se, sobretudo, à complexidade do conceito de consciência fonológica, o qual abrange habilidades que vão desde a simples percepção global do tamanho das palavras e/ou de semelhanças fonológicas entre elas, até a efetiva segmentação e manipulação de sílabas e fonemas. A partir disso, alguns autores têm sugerido a existência de diferentes níveis de consciência fonológica, alguns dos quais provavelmente precedem a aprendizagem da leitura e escrita, enquanto outros parecem ser mais um resultado dessa aprendizagem (Bryant & Bradley, 1985), havendo também provável diferença em termos das habilidades envolvidas na segmentação silábica e fonêmica (Morais et al., 1986; 1989; Bertelson et al., 1989).

Na verdade, o desenvolvimento da consciência fonológica parece estar relacionado ao próprio desenvolvimento simbólico da criança, no sentido dela vir a atentar para o aspecto sonoro das palavras (significante) em detrimento do seu aspecto semântico (significado). Com efeito, alguns estudos têm demonstrado que há um longo caminho a percorrer até que a criança perceba que a escrita não representa diretamente os significados, mas sim os significantes verbais a eles associados. E mesmo quando ela descobre essa relação entre escrita e fala, ainda há todo um processo de elaboração cognitiva no sentido de compreender como se dá essa relação, a saber, através da correspondência entre grafemas e fonemas (Ferreiro & Teberosky, 1986).

Estudos realizados por Carraher e Rego (1981; 1984) têm sugerido que a base cognitiva necessária para que a criança possa perceber as palavras enquanto seqüências de sons a serem representados graficamente, estaria na superação do realismo nominal. Esse conceito, desenvolvido por Piaget (1926), refere-se à confusão estabelecida pela criança pequena entre significantes e significados, com tendência a atribuir às palavras características daquilo que elas representam, pela dificuldade em perceber o caráter convencional e arbitrário dos nomes. A superação do pensamento realista nominal possibilitaria, assim, a completa distinção entre significantes e significados e a conseqüente compreensão das palavras enquanto signos verbais arbitrários, capazes de serem representados graficamente, facilitando a aquisição da escrita.

A pesquisa descrita a seguir teve como objetivo estudar a relação entre consciência fonológica e aquisição da linguagem escrita a partir de uma perspectiva psicogenética, buscando investigar alguns aspectos evolutivos relativos a esses conceitos, em especial a influência do realismo nominal no desenvolvimento da consciência fonológica. A possível influência do fator sexo, bem como dos diferentes níveis de análise fonológica da palavra (segmentação silábica e fonêmica; percepção de rimas e aliterações) foram outros aspectos pesquisados.

 

Método

Participantes

Participaram da pesquisa 55 crianças de ambos os sexos, com idade variando entre 4 e 6 anos, alunas de uma pré-escola pública da cidade de São Paulo, que atende uma população de nível sócio-econômico médio-baixo. Destas, 19 crianças eram alunas do 1º estágio (Pré-I), 30 crianças eram alunas do 2º estágio (Pré-II) e 06 crianças eram alunas do 3º estágio (Pré-III). A Tabela que segue mostra a distribuição dos sujeitos por idade e sexo.

 

Tabela 1: Distribuição dos sujeitos por idade e sexo

idade
sexo

4;0a
4;11

5;0a
5;11

6;0a
6;11

Total

Masculino

08

06

09

23 (42%)

Feminino

08

16

08

32 (58%)

Total

16 (29%)

22 (40%)

17 (31%)

55 (100%)

 

Procedimento

Foi elaborado um instrumento composto por 9 questões propostas às crianças com o objetivo de avaliar os níveis de consciência fonológica (CF) e de aquisição da linguagem escrita (LE) apresentados por elas.

As questões de número 1 a 5 estavam voltadas para a avaliação da consciência fonológica e foram elaboradas com base nas pesquisas de Carraher e Rego (1984) e Martins (1991). Como se verá adiante, todos os itens propostos permitiam respostas baseadas tanto em critérios fonológicos quanto semânticos. Este último tipo de resposta, tido como indicador de pensamento realista nominal, foi analisado mais detalhadamente do ponto de vista qualitativo.

As questões 6 a 9 visavam avaliar o nível de aquisição da linguagem escrita e foram elaboradas com base nas pesquisas de Ferreiro e Teberosky (1986). Nos itens referentes à escrita a criança era também solicitada a fazer a leitura do que havia escrito.

Questão 1: A criança devia associar cartões contendo nomes de animais escritos em letras de forma, às respectivas figuras.

n1a07q1.gif (3387 bytes)

 

Questão 2: Pares de palavras eram lidos pela pesquisadora e apresentados escritos em cartões. A criança devia identificar onde estava escrita cada palavra.

n1a07q2.gif (1418 bytes)

 

Questão 3: A criança devia comparar pares de palavras verbalizadas pela pesquisadora e dizer se as mesmas eram parecidas ou não. (Eram dados exemplos de palavras que começavam e terminavam com a mesma sílaba, a fim de esclarecer que a semelhança a ser observada era fonológica e não conceitual)

a) BOLA X BOTA
b) LIVRO X REVISTA
c) QUEIJO X BEIJO
d) ANEL X DEDO

Questão 4: A criança era solicitada a dizer uma palavra parecida com a palavra-estímulo verbalizada pela pesquisadora.

a) MATO
b) PÉ
c) SABÃO
d) CADEIRA

Questão 5 : A criança era solicitada a escolher entre 3 palavras, aquela que começava ou terminava igual a uma palavra-estímulo verbalizada pela pesquisadora. (Também eram dados exemplos de palavras que começavam e outras que terminavam com a mesma sílaba)

a) Identificar a palavra que começava igual à palavra PAPAI (GARFO/PATO/MAMÃE)
b) Identificar a palavra que começava igual à palavra FOLHA (FOGO/LÁPIS/BOCA)
c) Identificar a palavra que terminava igual à palavra PASTEL (BOLO/LEQUE/HOTEL)
d) Identificar a palavra que terminava igual à palavra CARRO (MALA/BARRO/RODA)

Questão 6: A criança era solicitada a escrever o próprio nome.

Questão 7: A criança era solicitada a escrever outra palavra qualquer.

Questão 8: A criança era solicitada a escrever as seguintes palavras:  GALO - PINTINHO - ONÇA - MOSQUITO.

Questão 9: A criança era solicitada a ler (ou dizer o que achava que estava escrito) em cartões contendo gravuras e texto em letras de forma.

n1a07q9.gif (2705 bytes)

 

Aplicação

O instrumento foi aplicado individualmente pela própria pesquisadora, seguindo a orientação do método clínico elaborado por Piaget (Dolle, 1981). Dessa forma, as crianças eram sempre solicitadas a justificar as respostas dadas no sentido de esclarecer o raciocínio subjacente às mesmas. Outro recurso utilizado para obter tal esclarecimento foi a realização de contra-sugestões por parte da pesquisadora. As respostas foram audio-gravadas e anotadas em protocolos.

Análise dos dados

Para fins de análise, as respostas dadas pelos sujeitos foram pontuadas de acordo com os seguintes critérios:

a) Avaliação da Consciência Fonológica (Questões 1 a 5)

2 pontos - resposta correta com justificativa correta (baseada em critérios fonológicos)
1 ponto - resposta correta sem justificativa, com justificativa inconsistente ou incorreta (baseada em critérios semânticos, por exemplo) ou troca de respostas (de correta para incorreta e vice-versa)
0 (Zero) - resposta incorreta do ponto de vista fonológico

b) Avaliação da Linguagem Escrita (Questões 6 a 9)

  • Escrita do nome (Questão 6)

4 pontos - nome completo correto, com leitura correta (alfabética)
3 pontos - primeiro nome correto, com leitura correta (alfabética)
2 pontos - primeiro nome correto, com leitura incorreta (silábica)
1 ponto - nome incorreto (escrita pré-silábica, silábica ou silábico-alfabética)
0 (Zero) - desenhos/rabiscos/pseudoletras

  • Escrita de outras palavras (Questões 7 e 8)

4 pontos - escrita alfabética
3 pontos - escrita silábico-alfabética
2 pontos - escrita silábica
1 ponto - escrita pré-silábica
0 (Zero) - desenhos/rabiscos/pseudoletras

  • Leitura (Questão 9)

4 pontos - leitura fluente
3 pontos - decodificação bem sucedida
2 pontos - início de decodificação
1 ponto - enunciado coerente com o desenho
0 (Zero) - não lê/enunciado incoerente com o desenho

Foram utilizadas várias técnicas de análise estatística, especificadas na apresentação dos resultados.

Foi feita também a análise das justificativas dadas pelos sujeitos, o que permitiu estudar a relação entre realismo nominal e consciência fonológica, o tipo de análise fonológica mais freqüentemente realizada (silábica ou fonêmica) e a habilidade dos sujeitos para perceber rimas e aliterações. As produções gráficas e estratégias de leitura utilizadas pelos sujeitos também foram analisadas.

 

Apresentação e Discussão dos Resultados

Associação entre Consciência Fonológica, Linguagem Escrita e Idade

As Tabelas 2 e 3 apresentam os resultados médios obtidos pelos sujeitos na avaliação dos níveis de consciência fonológica e de linguagem escrita, agrupados de acordo com a idade.

 

Tabela 2: Média (X) e desvio-padrão (S) da pontuação obtida pelos sujeitos em "consciência fonológica", por faixa etária.

Idade

Sujeitos

Consc. Fon.(X)

Consc. Fon.(S)

4,0 a 4,11

16

8.00

3.92

5,0 a 5,11

22

17.95

10.06

6,0 a 6,11

17

21.18

9.52

Total

55

16.05

9.97

 

 

Tabela 3: Média (X) e desvio-padrão (S) da pontuação obtida pelos sujeitos em "linguagem escrita", por faixa etária.

Idade

Sujeitos

Ling. Escr.(X)

Ling. Escr. (S)

4,0 a 4,11

16

7.31

3.24

5,0 a 5,11

22

12.64

3.37

6,0 a 6,11

17

18.71

10.00

Total

55

12.96

7.54

 

O estudo da associação entre consciência fonológica (CF), linguagem escrita (LE) e idade foi realizado através do cálculo do Coeficiente de Correlação de Spearman (S) (Siegel, 1975). Os resultados obtidos, apresentados na Tabela 4, mostraram-se altamente significativos (p<0.01), sugerindo a existência de correlação entre as variáveis.

 

Tabela 4: Coeficientes de Correlação de Spearman para as variáveis CF, LE e Idade.

Variáveis

S

CF x Idade

0.64 **

LE x Idade

0.71 **

CF x LE

0.77 **

 

A fim de se verificar se a alta correlação obtida entre os níveis de consciência fonológica e de linguagem escrita não era devida ao fato dessas duas variáveis estarem também associadas à idade, foi calculado o Coeficiente de Correlação Parcial de Pearson (rp) (Elian, 1988) entre consciência fonológica e linguagem escrita, eliminando-se o efeito da idade. O resultado obtido (rp = 0.60; p<0.05) sugere que realmente existe uma relação entre consciência fonológica e linguagem escrita que nada tem a ver com o fato da amostra ser formada por crianças com idades diferentes.

A correlação existente entre os níveis de consciência fonológica e de linguagem escrita foi avaliada também separadamente para cada faixa etária. Os resultados obtidos encontram-se na Tabela 5 e mostram que as correlações obtidas foram significativas (p<0.01) apenas para as crianças de 5 e 6 anos. Tais resultados devem-se, provavelmente, à maior dificuldade em se avaliar o nível de consciência fonológica das crianças mais novas, as quais apresentaram maiores problemas com relação à compreensão das instruções, bem como maior grau de dispersão e de egocentrismo (pensamento subjetivo, centrado no ponto de vista e experiência próprios), além de maior dificuldade de expressão verbal.

 

Tabela 5: Coeficientes de Correlação de Spearman entre CF e LE, por faixa etária.

Faixa Etária

S

4 anos

0.36

5 anos

0.64 **

6 anos

0.74 **

 

Para comparar os níveis de consciência fonológica e de linguagem escrita obtidos nas três faixas etárias foram utilizados o teste de Kruskal-Wallis (Siegel, 1975) e comparações múltiplas não paramétricas (Campos, 1979). Os resultados obtidos indicaram que, tanto com relação à consciência fonológica quanto com relação à linguagem escrita, há diferenças entre as faixas etárias e, a um nível de significância de 5% pode-se concluir que a faixa de 4 anos é a que apresenta os menores valores, não havendo evidência suficiente de que exista diferença entre as faixas de 5 e 6 anos. Tal resultado pode ser explicado, até certo ponto, pelo fato da grande maioria dos sujeitos destas duas últimas faixas etárias pertencerem à mesma classe (Pré-II), uma vez que o nível de aquisição da linguagem escrita mostrou alguma dependência com relação ao fator classe (ver mais adiante a discussão dos resultados da ANCOVA para a váriavel sexo). Além disso, pesquisas têm demonstrado que a instrução formal no sistema alfabético é muito importante para o desenvolvimento de alguns níveis de consciência fonológica considerados mais complexos, como é o caso da análise fonêmica, por exemplo (Morais et al., 1986; 1989; Bertelson et al., 1989). Assim, o fato da grande maioria das crianças de 5 e 6 anos não estarem ainda alfabetizadas (a alfabetização formal ocorre no Pré III), pode ter impedido que níveis mais elevados de consciência fonológica fossem atingidos, impossibilitando maior diferenciação entre os escores dessas duas faixas etárias.

Comportamento das variáveis Consciência Fonológica e Linguagem Escrita, segundo o sexo

As Tabelas 6 e 7 apresentam os resultados médios obtidos pelos sujeitos na avaliação dos níveis de CF e de LE, agrupados de acordo com o sexo.

 

Tabela 6: Média (X) e desvio-padrão (S) da pontuação obtida pelos sujeitos em "consciência fonológica", por sexo.

Sexo

Sujeitos (N)

Consc. Fon. (X)

Consc. Fon. (S)

Masculino

23

13.30

7.36

Feminino

32

18.03

11.19

Total

55

16.05

9.97

 

 

Tabela 7: Média (X) e desvio-padrão (S) da pontuação obtida pelos sujeitos em "linguagem escrita", por sexo.

Sexo

Sujeitos (N)

Ling. Escr. (X)

Ling. Escr. (S)

Masculino

23

10.96

4.47

Feminino

32

14.41

8.93

Total

55

12.96

7.54

 

Os resultados obtidos na análise estatística, utilizando-se os testes de Mann-Whitney e de Kolmogorov-Smirnov (Siegel, 1975), não indicaram existirem diferenças significativas entre as crianças de sexo masculino e as de sexo feminino no que se refere aos níveis de consciência fonológica e de linguagem escrita apresentados pelos sujeitos. A Tabela 8 mostra os resultados obtidos.

 

Tabela 8: Resultados obtidos na análise estatística da comparação entre os sexos, para as variáveis estudadas.

Variáveis

Teste de Mann-Whitney

Teste de Kolmogorov-Smirnov

Consc. Fonológica

p = 0.194

p = 0.240

Linguagem Escrita

p = 0.373

p = 0.735

 

A fim de eliminar o efeito que a idade e a classe de cada criança pudesse ter sobre as variáveis em questão (consciência fonológica e linguagem escrita) na comparação entre os sexos, foi realizada uma análise de covariância (ANCOVA), tendo a idade por covariável e classe e sexo como fatores (Winer, 1971). Tal análise foi realizada utilizando-se o logaritmo neperiano (Ln) dos valores obtidos para consciência fonológica e linguagem escrita. Essa transformação matemática visa satisfazer a suposição de normalidade dos dados, necessária à utilização de um teste paramétrico, como é o caso da ANCOVA (Siqueira, 1983).

Os resultados obtidos indicam que, com relação à consciência fonológica não foram encontradas diferenças significativas, em termos médios, entre meninos e meninas (p=0,214). Também não foram constatadas diferenças entre as classes (p=0,268), podendo-se supor que as diferenças observadas na amostra, entre as classes, são devidas às diferenças de idade (p<0,001).

Com relação à linguagem escrita, considerando-se um nível de significância de 5%, conclui-se pela inexistência de diferenças entre as médias dos grupos masculino e feminino (p=0,124). Entretanto, ao contrário do que aconteceu para consciência fonológica, foram constatadas diferenças entre as classes (p=0,020), indicando que a idade não é a única variável responsável pela diferença observada entre as classes com relação ao nível de linguagem escrita apresentado pelos sujeitos.

Embora o número de crianças pertencentes à classe do Pré-III seja muito reduzido para se fazer uma análise mais conclusiva da influência do fator classe sobre os níveis de consciência fonológica e de linguagem escrita apresentados pelos sujeitos, os resultados sugerem a hipótese de que a aquisição da linguagem escrita seja mais dependente da instrução formal do que a consciência fonológica. Com efeito, alguns autores admitem que alguns níveis de consciência fonológica, em especial aqueles relacionados à análise silábica da palavra, poderiam ser desenvolvidos também, até certo ponto, informalmente, através de experiências com a linguagem oral que ocorrem espontaneamente no próprio ambiente sócio-familiar das crianças (Morais et al., 1986; 1989).

Realismo Nominal x Consciência Fonológica

Para analisar a relação entre consciência fonológica e realismo nominal foram utilizadas apenas as respostas baseadas em critérios fonológicos ou semânticos explícitos, isto é, confirmados pelas justificativas dadas pelos sujeitos das diferentes faixas etárias.

Exemplo 1: 

L. (4;0) - Quando solicitado a dizer uma palavra parecida com a palavra PÉ, responde "sapato",   dando a seguinte justificativa: "Porque todos têm chulé, o sapato, o pé." (realismo nominal)

Exemplo 2:

G. (6;0) - Acha que as palavras LIVRO e REVISTA não são parecidas, justificando assim sua   resposta: "Porque livro tem O... revista tem A e livro tem O."(consciência fonológica)

Os resultados obtidos a partir do cômputo das respostas de realismo nominal e de consciência fonológica encontram-se na Tabela 9.

 

Tabela 9: Freqüência das respostas de realismo nominal (RN) e de consciência fonológica (CF) observadas, por faixa etária.

Resp

Idade

RN

CF

Total

4 anos (n=16)

76 - 90%

08 - 10%

84 - 100%

5 anos (n=22)

80 - 41%

113 - 59%

193 - 100%

6 anos (n=17)

26 - 17%

124 - 83%

150 - 100%

 

Como pode ser visto na Tabela 9, a análise dos protocolos indica uma clara tendência à diminuição das respostas que denotam realismo nominal com o aumento da idade. Já as respostas que denotam consciência fonológica tendem a aumentar com a idade. Tal relação inversa entre realismo nominal e consciência fonológica não impede, entretanto, que ambos os tipos de resposta sejam dados por uma mesma criança, o que indica que esses dois aspectos não são necessariamente excludentes no sistema de raciocínio dos pré-escolares. Esses resultados indicam, portanto, que o simples fato da criança dar respostas de realismo nominal não implica necessariamente ausência de consciência fonológica, isto é, ausência da capacidade para perceber semelhanças e/ou diferenças sonoras, ou mesmo da capacidade para analisar a fala em seus segmentos. Os dados sugerem apenas uma tendência das crianças mais novas a centrarem sua atenção no significado das palavras, em detrimento do seu aspecto sonoro.

Análise Silábica x Análise Fonêmica

Para analisar os tipos de segmentação fonológica realizados pelas crianças das diferentes faixas etárias foram consideradas as segmentações orais corretamente efetuadas pelos sujeitos.

 

Exemplo 1: 

A. (5;11) - Acha que as palavras LIVRO e REVISTA não são parecidas, dando a seguinte   justificativa: "Por causa que livro e revista... é LI e RE." (análise silábica)

Exemplo 2:

D. (5;8) - Ao ser solicitada a dizer qual das palavras (GARFO/PATO/MAMÃE) começava igual    à palavra PAPAI, responde "pato", dando a seguinte justificativa: "Porque tem a letra P."    (análise fonêmica)

Na Tabela 10 encontra-se a classificação das respostas em termos do tipo de análise fonológica realizada.

 

Tabela 10: Freqüência de respostas de análise silábica (S) e fonêmica (F) realizadas, por faixa etária.

Resp

Idade

S

F

Total

4 anos (n=16)

06 - 67%

03 - 33%

09 - 100%

5 anos (n=22)

40 - 47%

46 - 53%

86 - 100%

6 anos (n=17)

29 - 30%

67 - 70%

96 - 100%

 

Os resultados obtidos sugerem um aumento na habilidade para segmentar a palavra em suas unidades silábicas e/ou fonêmicas, com o aumento da idade. É importante notar, entretanto, que a mera habilidade para segmentar a palavra em suas unidades sonoras não implica, necessariamente, em respostas corretas do ponto de vista das questões de consciência fonológica colocadas pela presente pesquisa, podendo mesmo coexistir com respostas de realismo nominal. Como exemplo, podemos citar o caso de A. (6;11) que, ao ser solicitado a dizer uma palavra parecida com a palavra CADEIRA, respondeu: "Banquinho." (Por que?) "Porque começa com CA. Porque o banquinho é que nem isso aqui." (mostra a cadeira onde está sentado).

A Tabela 10 mostra maior freqüência de segmentações silábicas na faixa etária dos 4 anos, havendo ao contrário, um predomínio de segmentações fonêmicas entre as crianças de 6 anos. Tais resultados parecem confirmar a hipótese de Manrique e Signorini (1988) e Carraher e Rego (1984), da maior facilidade da análise silábica nas etapas iniciais de aquisição da linguagem escrita, uma vez que as sílabas constituem unidades lingüísticas naturalmente isoláveis na pronúncia, o mesmo não acontecendo com os fonemas. Com relação ao predomínio das segmentações fonêmicas no grupo de sujeitos de 6 anos, pode-se levantar a hipótese de que o nível de linguagem escrita mais desenvolvido apresentado por essas crianças, sobretudo no caso dos alunos do Pré-III, seja responsável pela sua maior habilidade na análise das palavras ao nível fonêmico (Cf. sugerem os resultados de Morais et al., 1986; 1989 e Bertelson et al., 1989).

Rimas x Aliterações

Na avaliação da habilidade dos sujeitos para lidar com as semelhanças fonológicas entre as palavras, todas as respostas corretas do ponto de vista das rimas e aliterações foram computadas, mesmo quando não foram confirmadas pelas justificativas. Isso porque foi considerada uma distinção entre a simples detecção de rimas e aliterações e a consciência destas, ou seja, a capacidade para isolar o segmento fonológico compartilhado pelas palavras.

Exemplo 1:

C.(5;10) - Ao ser solicitada a dizer uma palavra parecida com a palavra CADEIRA, responde: "Cátia", dando a seguinte justificativa: "É porque cadeira começa com CA e Cátia também começa com CA." (consciência da aliteração)

Exemplo 2:

F. (6;5) - Ao ser solicitada a dizer qual das palavras (BOLO/LEQUE/HOTEL) terminava igual à palavra PASTEL, responde: "hotel", justificando assim sua resposta: "Porque eu acho que no fim tem o TÉ e TÉ." (consciência da rima)

Exemplo 3:

C. (5;10) - Ao ser solicitada a dizer qual das palavras (FOGO/LÁPIS/BOCA) começava igual à palavra FOLHA, responde: "fogo", dando a seguinte justificativa: "Porque folha começa com folha e fogo começa com fogo." (simples detecção da aliteração)

Exemplo 4:

V (4;11) - Ao ser solicitada a dizer uma palavra parecida com a palavra MATO, responde "tato", justificando assim sua resposta: "Porque mato e tato são iguais." (simples detecção da rima)

A Tabela 11 mostra a classificação das respostas de percepção de semelhanças fonológicas obtidas.

 

Tabela 11: Freqüência das respostas de detecção(D) e consciência (C) de rimas e aliterações, por faixa etária

Respostas

Rimas

Aliterações

Total

idade

D

C

D

C

Rimas

Aliter.

4 anos (n=16)

21-95%

01-05%

19-90%

02-10%

22-51%

21-49%

5 anos (n=22)

38-84%

07-16%

25-44%

32-56%

45-44%

57-56%

6 anos (n=17)

30-71%

12-29%

19-42%

26-58%

42-48%

45-52%

 

A análise dos dados acima indica que a habilidade para perce-ber semelhanças sonoras entre as palavras está presente em crianças de todas as faixas etárias. A maioria dos sujeitos mostrou-se sensível tanto às rimas quanto às aliterações, embora os resultados indiquem maior facilidade das crianças mais velhas em isolar os segmentos sonoros compartilhados quando estes se encontram no início das palavras (respostas de consciência das aliterações). Já entre as crianças mais novas, a grande maioria mostrou-se apenas capaz de detectar algumas semelhanças fonológicas entre as palavras, sem contudo ser capaz de isolar os sons comuns entre as mesmas.

Os resultados obtidos confirmam as conclusões da pesquisa de Martins (1993) de que a simples habilidade para detectar rimas não pressupõe, necessariamente, a consciência das seqüências fonológicas compartilhadas. Segundo essa autora, tal consciência parece emergir mais como um resultado da aprendizagem da leitura e escrita, sendo observada com maior freqüência entre crianças mais adiantadas em termos de escolaridade.

Escrita

As produções gráficas dos sujeitos foram analisadas em função do tipo de escrita predominante em cada protocolo, de acordo com as etapas da psicogênese da língua escrita propostas por Ferreiro e Teberosky (1986). Os resultados obtidos encontram-se na Tabela 12.

 

Tabela 12: Classificação dos sujeitos de acordo com o tipo de escrita predominante, por faixa etária.

Resp

Idade

Pré-Sil (-)

Pré-Sil (+)

Silábica

Alfabética

Total

4 anos

09 - 56%

06 - 38%

01 - 06%

00

16 - 100%

5 anos

01 - 04%

16 - 73%

05 - 23%

00

22 - 100%

6 anos

00

10 - 59%

03 - 18%

04 - 23%

17 - 100%

Obs.: Não foram encontrados protocolos onde predominasse a escrita silábico-alfabética.

 

Os dados da Tabela 12 sugerem uma evolução em termos de escrita, no que se refere às diferentes faixas etárias. Aos 4 anos há predomínio da concepção pré-silábica de escrita, com ausência de relação entre aspectos gráficos e sonoros. Nessa faixa etária há utilização freqüente de desenhos, rabiscos e pseudo-letras (PS-). No grupo de crianças de 5 anos ainda predomina a escrita pré-silábica, porém num nível mais avançado (PS+), com tentativas de realização de correspondência entre segmentos orais e escritos, havendo também nessa faixa etária um número considerável de crianças que apresentam concepção silábica de escrita. Já entre as crianças de 6 anos, embora ainda haja um grande número de sujeitos apresentando escrita pré-silábica, quase metade do grupo já sistematizou o conceito de fonetização da escrita, apresentando respostas silábicas e alfabéticas (sobretudo no que se refere aos alunos do Pré-III).

Leitura

Os resultados observados na análise das estratégias de leitura (atribuição de significado ao material gráfico) utilizadas em cada faixa etária encontram-se na Tabela 13.

 

Tabela 13: Freqüência dos diferentes tipos de respostas de leitura, por faixa etária

Resp

Idade

Criter.
Semant.

Criter.
Fonol.

Tentat.
Decod.

Decod.

Leitura Fluente

[?]

Total

4 anos

34-53%

18-28%

01-02%

00

00

11-17%

64-100%

5 anos

30-34%

30-34%

17-19%

00

00

11-13%

88-100%

6 anos

22-33%

21-31%

07-10%

05-07%

08-12%

05-07%

68-100%

Obs.: [?] inclui ausência de respostas e respostas com critério não identificado (sem relação com as figuras, por exemplo)

 

Os dados da Tabela 13 indicam que entre os sujeitos de 4 anos predominaram as respostas de leitura baseadas unicamente nas figuras, sugerindo a utilização de critérios exclusivamente semânticos na atribuição do significado, sem levar em conta a segmentação léxica do enunciado (quantidade de palavras escritas). Esse tipo de resposta tende a diminuir entre as crianças mais velhas, mantendo-se praticamente no mesmo nível entre os sujeitos de 5 e 6 anos. Nessas duas faixas etárias as respostas baseadas em critérios fonológicos, isto é, de correspondência entre segmentos sonoros (palavras ou sílabas verbalizadas) e unidades lexicais (palavras escritas) aumentaram de freqüência, porém sem ultrapassar a quantidade de respostas baseadas exclusivamente em critérios semânticos. É preciso lembrar, contudo, que as respostas de leitura classificadas em categorias mais evoluídas (tentativa de decodificação, decodificação e leitura fluente), observadas com maior freqüência nos sujeitos mais velhos, encobriram, muitas vezes, respostas também corretas do ponto de vista da segmentação léxica, o que mascarou um pouco a quantidade de respostas baseadas em critérios fonológicos, apresentadas pelas crianças de 5 e 6 anos.

 

Conclusões

Os resultados obtidos indicaram, como vimos, uma alta correlação entre os níveis de consciência fonológica e de aquisição da linguagem escrita entre sujeitos pré-escolares de 5 e 6 anos de idade. Tal fato, por si só, não nos permite porém supor uma relação de precedência de um desses fatores sobre o outro. Apesar disso, a associação entre ambos, conforme obtida na presente pesquisa, aliada às conclusões de outros estudos sobre o tema (Morais et al., 1987; Morais, 1994; Martins, 1991; 1993; Bradley & Bryant, 1983; Carraher & Rego, 1981; 1984; Manrique & Signorini, 1988), fornece subsídios que dão suporte à hipótese da existência de uma influência mútua entre desenvolvimento da consciência fonológica e aquisição da linguagem escrita.

A análise dos dados, realizada a partir da comparação dos tipos de respostas predominantes nas diferentes faixas etárias, sugere uma evolução psicogenética em termos de desenvolvimento da consciência fonológica, o que vai ao encontro da hipótese da existência de diversos níveis de capacidade metalingüística, envolvendo diferentes graus de complexidade. Tal fato, aliado a resultados controversos de pesquisas sobre a relação causal entre consciência fonológica e aprendizagem da leitura e escrita, permite-nos supor que alguns desses níveis antecedem a aquisição da linguagem escrita, enquanto outros são possivelmente mais um resultado dessa aquisição, conforme já havia sido sugerido por Bryant e Bradley (1985).

Como afirmam Roazzi e Dowker (1989, p. 31), para melhor se entender a relação entre consciência fonológica e aquisição da linguagem escrita "é necessário considerar a consciência fonológica não como um constructo unitário e organizado, mas como uma habilidade cognitiva geral, composta por uma combinação complexa de diferentes habilidades, cada uma com suas próprias peculiaridades".

A partir do exposto acima, parece-nos adequado supor que uma intervenção pedagógica que vise favorecer a aquisição da linguagem escrita em pré-escolares deve promover também o desenvolvimento da consciência fonológica, isto é, a habilidade da criança para perceber as palavras enquanto seqüências sonoras, através de atividades que possibilitem a análise e síntese dos sons que compõem a fala.

Com efeito, o estudo dos dados obtidos confirma a existência de uma forte presença do realismo nominal no pensamento das crianças pesquisadas, sobretudo no que diz respeito às mais jovens. Tal influência caracteriza-se, no presente estudo, pela tendência a lidar com as palavras de modo concreto, relacionando-as diretamente às coisas representadas. Os resultados também indicam que o declínio do pensamento realista nominal está relacionado não apenas com o aumento da idade, mas também com o desenvolvimento da consciência fonológica, ou seja, com a aquisição da capacidade para perceber a palavra enquanto seqüência de sons. Daí a importância da realização de atividades pedagógicas que visem favorecer a tomada de consciência da palavra enquanto significante (sonoro/escrito), arbitrariamente relacionado a um significado.

Entretanto, é importante salientar que, do ponto de vista pedagógico, a consciência fonológica em seus diversos níveis, léxico, silábico e fonêmico não é uma simples habilidade a ser mecanicamente treinada, mas sim uma capacidade cognitiva a ser desenvolvida, a qual está estreitamente relacionada à própria compreensão da linguagem oral enquanto sistema de significantes.

Na verdade, a consciência que a criança progressivamente adquire a respeito da sua linguagem oral, envolve um complexo processo de desenvolvimento simbólico que inclui a percepção das diferentes funções da linguagem, a diferenciação consciente entre significantes e significados e continua por um longo tempo depois que ela se tornou capaz de utilizar a linguagem de forma eficaz em seu ambiente social.

Embora a ênfase na análise fonológica da linguagem oral constitua uma das contribuições pedagógicas derivadas de um enfoque associacionista da Psicologia, que de forma global já se encontra superado (Condemarín, 1991), consideramos que esse aspecto do desenvolvimento lingüístico pode ser de grande utilidade em termos do ensino/aprendizagem da linguagem escrita quando retomado, resignificado e integrado em uma proposta pedagógica mais abrangente, que leve em conta as contribuições mais recentes da Psicologia Genética e da Lingüística em seus diversos ramos, as quais objetivam abordar a questão da aquisição da linguagem escrita em toda a sua complexidade.

É nesse sentido de inserção das habilidades de análise fonológica em um contexto mais amplo de desenvolvimento psicolingüístico da criança, que defendemos a proposta da realização de atividades pedagógicas que visem a promoção da consciência fonológica (diferenciação entre significados e significantes e atenção aos aspectos sonoros destes últimos) facilitando assim a compreensão da relação entre as linguagens oral e escrita e a conseqüente aquisição desta última.

 

Referências

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Recebido em 13.10.96
Revisado em 03.12.96
Aceito em 29.01.97

 

 

1 Endereço para correspondência: Instituto de Psicologia - USP - Av. Prof. Mello Morais, 1721 - Butantã - São Paulo - SP 05508.900 - E-mail: marmaluf@usp.br