SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.11 issue1A semiotic-phenomenological analysis of the self-reflexive messages of adult children of alcoholicsSocial psychology, community and contemporaneity author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.11 n.1 Porto Alegre  1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721998000100007 

Técnicas da carta-perdida como instrumento de pesquisa social um estudo sobre preconceito e ajuda1

Abelardo Vinagre da Silva
Hartmut Günther 2
Andréa de Almeida Lara,
Ludmila Fernandes da Cunha
Vânia Jussara da Silva Almeida
Laboratório de Psicologia Ambiental, Instituto de Psicologia, UnB

 

 


Resumo
A técnica da carta perdida foi adaptada para o contexto cultural brasileiro. Trezentas cartas endereçadas e seladas, foram colocadas "por engano", simulando perda, nos pára-brisas de veículos em dois estacionamentos. Um bilhete anexo explicava que o autor se desencontrara do amigo, "dono do carro". O bilhete variou, dando a entender que seu autor era masculino ou feminino (fator 1); tinha características pessoais distintas: homossexual, negro ou grupo controle (fator 2); permitindo a possibilidade de contatos telefônicos, ou não (fator 3), num delineamento 2 x 3 x 2. Quem encontrava a carta, podia enviá-la (comportamento pró-social) ou descartá-la. Sessenta e um por cento das cartas foram enviadas. Nenhuma diferença significativa foi encontrada em função das características dos três grupos (controle, negro ou homossexual), de gênero, da interação destes fatores. A possibilidade de telefonar para o remetente, aumentou significativamente o envio de cartas. A técnica mostrou-se promissora por possibilitar, enquanto instrumento não-reativo, o estudo de preconceito e ajuda.
Palavras-chave: técnica da carta perdida; preconceito; comportamento pro-social; ajuda.

The lost letter technique as a social research instrument: a study of prejudice and helping

Abstract
The lost-letter technique was adapted to the cultural context of Brazil. Three hundred stamped and addressed letters were placed "by accident", i.e., simulating loss, on the wind shields of private cars in two large parking areas. A attached note explained that the author had missed the owner of the car. The note varied such that the author appeared to be either male or female (Factor 1), have certain personal characteristics, such as being black, homosexual, or control group (Factor 2), and allowed for telephone contact or not with the author (Factor 3) in a 2 x 3 x 2 experimental design. The finder of the letter could either (a) post the letter (pro-social behavior) or (b) ignore it. 60.7% of the letters were posted. No significant difference was found in terms of sex or personal characteristics, nor interaction between these two factors. Being able to telephone the author made a significant difference, more letter in this condition were posted. Methodologically, the lost letter technique showed promise, especially as a non-reactive research instrument in the study of prejudice and helping behavior.
Key words: lost-letter technique; prejudice; helping behavior; pro-social behavior; helping behavior.


 

 

A relação entre atitude e comportamento constitui um dos temas mais importantes da psicologia social. Entretanto, já num dos primeiros estudos sistemáticos sobre esta relação LaPiere (1934) indicou um descompasso entre atitudes (no caso, disposição para hospedar pessoas de origem chinesa) e comportamento (aceitação para hospedar tal pessoa em estabelecimentos hoteleiros). Tanto a medição de atitudes quanto a predição de comportamentos a partir de atitudes continua, até hoje, a desafiar a área (Olson & Zanna, 1993). Nos estudos sobre temas socialmente tabu, como preconceitos, uma das questões é de natureza metodológica, uma vez que a reactância ao estímulo (i.e., ao próprio item de um questionário) pode influenciar mais a resposta do que a atitude do respondente (Wentland & Smith, 1993). Para atender a este problema, a literatura aponta para o uso de métodos não-reativos.

Técnica da Carta-Perdida

Entre as medidas não-reativas apresentadas por Webb, Campbell, Schwartz, Sechrest e Grove (1981) consta a técnica da carta-perdida (lost-letter technique), descrita como "tentadora para experimentadores por ter se mostrado como preditor acurado de uma ampla variedade de atitudes" (p. 281). Webb e col. informam que o primeiro uso desta técnica ocorreu em 1948, num estudo sobre honestidade, realizado por Merritt e Fowler. A técnica da carta-perdida consiste na colocação de cartas endereçadas e seladas em locais públicos, simulando o extravio das mesmas. A pessoa que encontra uma destas cartas pode ignorá-la, enviá-la pelo correio ou destruí-la. Na medida em que o comportamento requerido envolve baixo custo pessoal — dependendo da distância até a caixa ou correio, enviar uma carta não exige muito esforço — é especialmente sensível para registrar comportamentos tabu, como preconceito, uma vez que qualquer variabilidade no comportamento requerido pode ser atribuída, não ao esforço necessário, mas às mensagens subjacentes ao objeto perdido, como, por exemplo, o endereço de uma organização. A suposição implícita é a de que a probabilidade de uma carta ser enviada aumenta na medida em que a pessoa que a encontra tem uma atitude favorável ao destinatário (ou à sua causa). A técnica também foi utilizada numa série de estudos envolvendo atitudes políticas, raciais e sociais. Para fins experimentais a perda acidental da carta pode ser realizada em diferentes contextos, tais como cabines telefônicas, ruas, ou lojas. Webb e col. ressaltam que o mesmo cenário pode ser ensaiado com outros pequenos objetos além de "perder" uma carta.

Algumas das vantagens desta técnica foram salientadas em estudos sobre previsão de eleições (Bouchard & Stuster, 1969; Milgram, 1969; Shotland, Berger & Forsythe, 1970), comportamentos pró-sociais (Forbes & Gromoll, 1971; Hanson & Slade, 1977; Hedge & Yousif, 1992; Kammann, Thomson & Irwin, 1979; Krupat & Coury, 1975, citado por Hedge & Yousif, 1992; Merritt & Fowler, 1948), bem como sobre preconceito racial e sexual (Benson, Karabenick & Lerner, 1976; Waters, citado por Milgram, 1970).

Preconceito

Allport (1954/1958) define preconceito como "uma atitude negativa ou hostil para com uma pessoa pertencente a um grupo, simplesmente porque pertence àquele grupo, e por isto é considerada tendo as qualidades indesejáveis atribuídas àquele grupo" (p.8). A conseqüência comportamental do preconceito seria a discriminação social, i.e., ação separatista frente a pessoas ou grupos (étnicos, sexuais, religiosos, etc.), devido às qualidades a elas atribuídas. Racismo e intolerância religiosa são exemplos tanto de atitude preconceituosa quanto de comportamento discriminatório.

Na medida em que estas atitudes e comportamentos são considerados socialmente inaceitáveis, sua verificação através de pesquisa social sistemática constitui um desafio metodológico especial. No meio brasileiro, os estudos de Rodrigues e colaboradores (1984a, 1984b) demonstram tanto as dificuldades em se verificar a existência de preconceito (no caso racial), quanto sugerem algumas medidas indiretas para investigá-las.

Crosby, Bromley e Saxe (1980) afirmam que racismo pode ser examinado em dois níveis: (a) através de medidas de comportamento discriminatório e (b) através de medidas de atitudes. Estes autores observam que grande parte dos experimentos sobre racismo realizados nos Estados Unidos pode ser organizada dentro de três categorias: (1) estudos sobre comportamentos de ajuda, (2) estudos sobre agressão (direta ou indireta) e (3) estudos sobre aspectos não-verbais do comportamento.

Por ser o preconceito racial um sério problema na cultura norte-americana, existe, naquela cultura, um grande número de estudos sobre o tema. Verifica-se que poucos psicólogos têm investigado este tema no Brasil. Segundo Rodrigues e col. (1984a), "é comum encontrar-se entre nós a posição que defende a inexistência de preconceito racial no Brasil. Não menos comum é a corrente que assevera o oposto, isto é, que é falsa a alegação da inexistência de preconceito racial entre brasileiros (p. 1)" Estes mesmos autores afirmam ainda a existência de uma impressão generalizada de que as pessoas no Brasil, embora possuam preconceito racial, se eximem de manifestá-lo quando assim solicitadas.

Num primeiro estudo exploratório, utilizando uma medida indireta onde os sujeitos basicamente deveriam observar o currículo de um grupo de sujeitos e indicar qual fator causal (capacidade, esforço, facilidade da tarefa ou sorte) foi o responsável pelo êxito profissional da pessoa-estímulo (homens e mulheres, negros e brancos) e se esta logrou ou não uma promoção pleiteada, Rodrigues e col. (1984a) não observaram sinais de preconceito contra negros ou estereótipo sexual contra mulheres. Porém os sujeitos deste estudo tenderam a indicar que percebem a existência de preconceito racial em nossa sociedade. Alguns resultados semelhantes foram encontrados num segundo estudo, também realizado por Rodrigues e col. (1984b), onde os sujeitos deveriam utilizar as escalas AB de Fishbein e Raven (1962) para indicar sua atitude e sua crença em relação a uma série de conceitos, dentre os quais, seis relacionados a preconceito racial e seis a estereótipo sexual.

Preconceito, Comportamento Pró-Social e Vida Urbana

A relação entre contexto situacional e preconceito de um lado e comportamento pró-social por outro tem sido analisada por vários autores. Aspectos tais como local de residência (urbano versus rural), vizinhança, status ou situação dos atores envolvidos mostraram-se como determinantes de comportamento de ajuda (Amato, 1983; Clark & Word, 1974; Goodman & Gareis, 1992; Hedge & Yousif, 1992; House & Wolf, 1978; Rotton, 1977; West, Whitney & Schnedler, 1975).

Em uma série de estudos, Gaertner e Bickman (1971) apontaram a importância de características étnicas como determinantes da probabilidade de se receber ajuda. Waters (citado por Milgram, 1970, p. 1464) hipotetizou que homossexuais confessos seriam mais aceitos numa grande cidade do que numa pequena cidade, devido ao maior anonimato nos grandes centros. Waters despachou cartas como se fossem de homossexuais, ou não, a agências imobiliárias de grandes e pequenas cidades. Embora os dados deste estudo não tenham sido conclusivos, Milgram (1970) sugeriu que devem ser continuados estudos que investiguem os possíveis benefícios protetores de grandes cidades para grupos marginalizados.

Ao mesmo tempo em que o anonimato dos grandes aglomerados urbanos beneficia grupos marginalizados, pode trazer conseqüências negativas às pessoas de maneira geral. Segundo Milgram (1970), condições de anonimato liberam o indivíduo de laços sociais, o que pode favorecer um sentimento potencial de invulnerabilidade sócio-contextual. Num espírito de aqui ninguém me conhece mesmo, praticam-se comportamentos anti-sociais ou deixa-se de realizar práticas pró-sociais, que seriam menos concebíveis num contexto social menor e, portanto, mais vigiado. Vítimas especiais desta mudança de práticas sociais seriam grupos marginalizados, devido às suas características socioeconômicas, étnicas ou de preferência sexual. Certas atitudes preconceituosas frente a grupos marginalizados seriam mais prováveis sob a proteção do anonimato ou quando a situação social não induz a certos laços ou comportamentos pró-sociais.

Dois estudos sobre comportamentos de ajuda, realizados entre moradores de Brasília (Silva & Günther, 1996; Silva, Günther, Lara, Cunha & Almeida, 1996) sugerem que o sexo de quem pede ajuda por telefone (Silva et al., 1996) ou caraterísticas da população numa linha de ônibus (Silva & Günther 1996) podem exercer influência significativa sobre a probabilidade de se receber ajuda. Nestes dois estudos, porém, bem como na maioria dos realizados em outras culturas, existiu algum contato pessoal entre quem necessitava de ajuda e quem poderia oferecê-la. Já que estudos anteriores (e.g. Simon, 1971) apontam contato pessoal como variável importante, há que se perguntar até que ponto a ajuda decorreu do fato de que as pessoas envolvidas estabeleceram neste contato pessoal alguns laços sociais.

Resumindo, o presente estudo teve como objetivo global apreciar a viabilidade da técnica da carta perdida no contexto cultural brasileiro. Para tanto, procurou-se (1) verificar a existência de comportamento de ajuda, medido através da taxa de devolução de cartas perdidas; (2) analisar a relação entre a taxa de devolução e características pessoais tais como gênero, preferências sexuais ou grupo étnico; (3) determinar se a possibilidade de poder entrar em contato, via telefone, com a pessoa solicitando ajuda, influencia na taxa de devolução das cartas; (4) investigar a existência de preconceitos sociais, medida através da taxa de devolução diferenciada das cartas perdidas para autores pertencentes a diferentes grupos.

 

Metodologia

O Objeto Perdido

No presente estudo o objeto perdido foi uma carta colocada nos pára-brisas de carros numa grande área de estacionamento. O material consistiu de um envelope selado e ainda aberto, dentro do qual se encontrava uma carta. Anexado ao envelope havia um bilhete, escrito à mão, relatando o desencontro do autor com o amigo, i.e. dono do carro, solicitando ajuda (veja Anexo 1). A situação da carta-perdida foi simulada na medida em que a carta foi colocada num carro "errado", fazendo com que a solicitação de ajuda fôsse dirigida a um estranho. A ajuda solicitada ao amigo/estranho consistiu em uma última leitura da carta que se encontrava dentro do envelope, e, caso a considerasse apropriada, seu envio, no envelope já selado, ao destinatário.

A carta a ser enviada tratava de informação adicional num processo de busca de emprego (veja Anexo 2). Dentre um total de 300 cartas assim distribuídas, constava no bilhete de 180 cartas o telefone de um casal de amigos do autor que deveria ser contatado pelo amigo / estranho (i.e., dono do carro) a partir de um determinado horário, caso existisse alguma dúvida sobre a carta. A existência do telefone permitia um contato pessoal por parte da pessoa cuja ajuda foi solicitada. Nas outras 120 cartas, não constava este número de telefone (vide Anexo 1).

Caracterização do Autor da Carta

O conteúdo, tanto do bilhete quanto da carta colocada nos pára-brisas, sugeriu determinadas características pessoais de quem estava pedindo ajuda ao amigo, dono do carro. Desta maneira, foram definidos três grupos de autores. Para o primeiro, grupo de controle, nenhuma identificação de características étnicas ou de preferência sexual foi apresentada. No segundo grupo o conteúdo identificou o autor como negro. No terceiro grupo o conteúdo identificou o autor como homossexual. Para cada grupo, variou-se, ainda, o nome do autor de maneira a identificar o mesmo como sendo de sexo masculino ou feminino, perfazendo um total de seis grupos de autores. Conforme mostra o texto no Anexo 1, as características, quando presentes, foram apresentadas nos bilhetes em forma de histórias relatadas pelo autor ao amigo que este esperava ter encontrado no estacionamento, ou por meio do apelido do autor. Além disso, o conteúdo da carta (Anexo 2) deixou clara a característica étnica ou de preferência sexual no caso dos respectivos grupos experimentais.

Procedimento

Realizou-se, inicialmente, um estudo piloto com 30 cartas. Não foram detectados problemas metodológicos, obtendo-se uma taxa de devolução em volta de 50%. Para o estudo propriamente dito, foram distribuídas 300 cartas nos pára-brisas de carros em grandes áreas de estacionamento. Numa primeira fase foram colocadas 180 cartas com número de telefone no bilhete, todas num mesmo dia, durante o expediente da manhã. Numa segunda fase, após dois meses, numa sub-região da área de estacionamento estudado anteriormente, foram distribuídas 120 cartas sem os números de telefones nos bilhetes. Os envelopes foram misturados de tal forma que a pessoa designada a colocá-los nos carros não sabia a qual grupo pertencia a carta a ser colocada. Para cada característica foram distribuídas 100 cartas (60 na primeira fase, 40 na segunda), sendo metade de autores masculinos e metade femininos.

Evitou-se a colocação de envelopes nos carros estacionados próximos às vias e saídas dos prédios ou naqueles que estivessem estacionados com o pára-brisas voltado para calçadas. Evitou-se também que os veículos escolhidos estivessem próximos uns aos outros, ou que os carros com as cartas ficassem de frente um para o outro, de forma que o motorista de um dos carros pudesse ver um mesmo envelope num outro carro.

Nos casos em que pessoas telefonaram, falou-se que o remetente não morava neste endereço, mas viera somente para resolver o problema do emprego, e já teria voltado para casa, aguardando o resultado.

A distribuição das cartas ocorreu numa segunda feira. Foi considerado como comportamento pró-social enviar a carta até a data limite descrita nos bilhetes, isto é, a quinta-feira seguinte. Foi registrado, ainda, na primeira fase, o contato telefônico.

 

Resultados

Dentro da data limite estabelecida no bilhete foram recebidas 182 (60,7%) cartas. Na Tabela 1 apresenta-se o número de cartas enviadas e recebidas em função de sexo e características pessoais dos autores. Análises de chi-quadrado não indicaram diferença na taxa de devolução em função das caraterísticas dos três grupos ( 2 < 1), do sexo do autor ( 2 < 1), nem interação entre estas duas dimensões ( 2 < 1). Das dez cartas, com carimbo postal posterior ao limite, seis pertenciam ao grupo homossexual, três ao grupo negro e um ao grupo de controle.

 

Tabela 1. Número de cartas enviadas e recebidas em função de sexo e características pessoais dos autores.

Nº enviadas
Nº recebidas
% recebidas

Grupo de Controle

Grupo Negro

Grupo Homossexual

Total

Homens

50

30

60 %

50

31

62 %

50

29

58 %

150

90

60 %

Mulheres

50

31

62 %

50

32

64 %

50

29

58 %

150

92

61.3 %

Total

100

61

61 %

100

63

63 %

100

58

58 %

300

182

60.7 %

 

Na Tabela 2, apresenta-se o número de cartas enviadas e recebidas em função do bilhete ter ou não número de telefone para contato e características pessoais dos autores. A análise de chi-quadrado indica uma diferença estatisticamente significativa na taxa de retorno das cartas com e sem número de telefone no bilhete ( 2df=1 = 9.536, p = .002). Das 180 cartas com número de telefone no bilhete, 122 (67,8%) foram enviadas. Além do mais, 95 (52,8%) das pessoas que encontraram uma carta (com número de telefone) no pára-brisas do seu carro telefonaram. Embora não se saiba qual o percentual dentre os que telefonaram que também enviaram as cartas, depreende-se que pelo menos 37 pessoas (20,6%) que encontraram a carta no seu pára-brisa telefonaram e enviaram a carta.

 

Tabela 2. Número de cartas enviadas e recebidas em função da presença de número de telefone para contato e características pessoais dos autores.

Nº enviadas
Nº recebidas
% recebidas

Grupo de Controle

Grupo Negro

Grupo Homossexual

Total

Com Número de Telefone

60

40

66.7 %

60

41

68.3 %

60

41

68.3 %

180

122

67.8 %

Sem Número de Telefone

40

21

52.5 %

40

22

55 %

40

17

42.5 %

120

60

50 %

Total

100

61

61%

100

63

63%

100

58

58%

300

182

60.7%

 

Das 120 cartas sem número de telefone no bilhete, 60 (50%) foram enviadas. É notável, neste contexto que apesar de não constar um número de telefone nos bilhetes na segunda fase do experimento, ainda assim, três pessoas procuraram o telefone (com base no endereço do autor) e telefonaram. Outras quatro pessoas entregaram a carta pessoalmente na casa do autor, ao invés de enviá-la, conforme solicitado no bilhete. Na condição de bilhete com número de telefone isto não aconteceu.

Quanto à presteza com que as cartas foram enviadas dentro do prazo estipulado — baseado no carimbo de postagem do correio — a análise de chi-quadrado não indicou nenhuma diferença significativa entre os três grupos ( 2df=8 = 8.70, p = .19), conforme pode ser observado na Figura 1. Comparando o grupo feminino com o masculino (Figura 2), a análise de chi-quadrado também não apontou diferença estatisticamente significativa ( 2df=4 = 5.52, p = .14).

 

n1a06f1.gif (11806 bytes)

Figura 1: Número de cartas recebidas por dia e grupo

 

 

n1a06f2.gif (10420 bytes)

Figura 2: Número de cartas recebidas por dia e sexo

 

Discussão

Ajuda

No caso do comportamento de ajuda, 61% das cartas ‘perdidas’ foram enviadas dentro do prazo estipulado, outras 3%, com ligeiro atraso. Desta maneira, observou-se disposição para ajudar por parte da população estudada. Este percentual pode ser considerado bom, especialmente quando comparado aos percentuais de ajuda nos outros estudos realizados em Brasília (Silva & Günther, 1996; Silva et al., 1996). Nestes estudos obteve-se ajuda de 39% em contatos via telefone (Silva et al., 1996) e 67% dentro de ônibus (Silva & Günther, 1996). Por outro lado, percentuais elevados de retorno de cartas são geralmente esperados neste tipo de metodologia. Como sugere Milgram (1969), cartas colocadas em carros têm uma menor probabilidade de não serem encontradas, o que, por si, pode favorecer o retorno das mesmas. Observa-se, por exemplo, que em alguns estudos sobre previsão de eleições os percentuais de retorno para cartas colocadas em carros foram sempre superiores aos de cartas colocadas em outros locais públicos (e.g., Wicker, 1969).

Embora o indicador para ajuda neste estudo tenha sido o simples envio da carta encontrada, chama especial atenção o fato de que, na condição ‘sem telefone’, quatro pessoas fizeram esforço para entregar a carta pessoalmente. Outras três se preocuparam a ponto de procurar o telefone no catálogo e telefonaram para o autor da carta. Considerando que a taxa de envio das cartas foi maior na condição ‘com telefone’, pode-se até especular que a disposição de ajudar é menos uma questão de esforço em si, e mais uma questão de asseverar a veracidade do pedido, quer para se convencer da necessidade de ajudar, quer para encontrar justificativas para não emitir tal comportamento.

Preconceito

Um segundo objetivo do estudo foi o de verificar diferenças na taxa de envio da carta perdida em função de características pessoais do autor. Os dados sugerem que as características dos autores não exercem influência significativa sobre a probabilidade de se receber ajuda. Não foram encontradas diferenças entre a taxa de ajuda prestada a autores femininos ou masculinos, nem tampouco entre os grupos de controle, negro e homossexual.

A ausência da importância da característica dos autores foi reforçada, ainda, na medida em que não foram encontradas diferenças na presteza em enviar as cartas (tempo entre o dia em que as cartas foram colocadas nos carros e o envio das mesmas). Verificaram-se pequenas diferenças, não significativas estatisticamente entre os grupos. Por outro lado, considerando-se a presteza em atender à solicitação para ajudar na condição telefone, nota-se que as cartas foram enviadas mais rapidamente para os autores femininos (Mann-Whitney U = 1476.5, p = .0308).

Possivelmente características específicas à população, em termos do local do estudo, podem ter afetado os resultados. Nas regiões estudadas ocorreram freqüentes manifestações populares. Supondo-se uma maior sensibilidade da população à questões salariais e aspectos correlatos, é concebível que esta sensibilidade tenha contribuído para a taxa de devolução das cartas, já que o conteúdo das mesmas se referiu à possibilidade do autor conseguir um emprego. Tal sensibilidade pode também ter superado qualquer outro tipo de preconceitos.

Por outro lado, é possível argumentar que a falta de diferença na taxa de envio das cartas entre diferentes grupos simplesmente reflita a inabilidade de registrar as diferentes características dos autores das cartas (sexo, etnia, orientação sexual). Embora concebível, não há como verificar esta possibilidade. Durante a fase preparatória do estudo, este ponto foi discutido. Concordou-se que as características seriam colocadas de maneira contundente, sem sugerir parodias que pudessem provocar desconfiança. Esta é justamente a vantagem desta técnica, ser quase subliminar, não-reativa, permitindo que surjam comportamentos ‘politicamente incorretos’, freqüentemente auto-censurados em situações experimentais reativas.

Contato

A possibilidade de contato foi a única variável que influenciou significativamente na probabilidade de se receber ajuda, considerando as duas formas da carta perdida, i.e., com ou sem número de telefone para contato (permitindo, assim, um contato pessoal entre o autor e o eventual provedor de ajuda). A diferença foi significativa de maneira global: enquanto que 67.7% das cartas com telefone (n = 180) foram enviadas, apenas 50 % das cartas sem telefone (n = 120) o foram.

Os dados sugerem que a probabilidade de ocorrência de comportamentos pró-sociais é menor quando há ausência de contato entre as pessoas envolvidas na relação de ajuda,. Hipotetiza-se que a presença de contato favorece o estabelecimento de laços sociais, que, por sua vez, contribuem para uma "pressão social do momento", na qual a responsabilidade social de quem pode ajudar está à prova.

Já na condição ‘com telefone’ verifica-se uma certa tendência no sentido de que os autores na condição homossexual recebem mais telefonemas do que cada um dos outros dois grupos, e, de maneira global, autores mulheres recebem mais telefonemas do que homens.

O fato das variáveis relacionadas às características dos autores não influenciarem quanto à probabilidade de ajuda sugere que neste tipo de situação o preconceito não influencia no comportamento. Esperava-se que, sem contato entre as pessoas e, conseqüentemente, com uma menor influência sócio-contextual do momento, uma pessoa preconceituosa pudesse mais facilmente deixar de ajudar a um membro de um grupo estigmatizado. Tal diferenciação nas taxas de envio das cartas não foi observada neste estudo.

Eficácia da Metodologia

Quanto à verificação da disposição para ajudar, a técnica mostrou-se eficiente, especialmente no que se refere à variável de contato momentâneo entre as pessoas envolvidas na situação de ajuda. Vale ressaltar, mais uma vez, que estudos anteriores não controlaram esta variável, permitindo que aspectos relacionados à influência de possíveis laços sociais estabelecidos no momento da ajuda estivessem presentes.

Um segundo ponto a ser ressaltado na metodologia da carta perdida é o elemento de curiosidade. Webb e col. (1981) apontam que um certo percentual das cartas não é enviado, porque a curiosidade faz com que a pessoa que encontra a carta abre-a, não podendo mais enviá-la, já que violou o envelope. No presente estudo este aspecto foi resolvido, uma vez que o próprio cenário implicava num envelope aberto com conteúdo a ser inspecionado. Assim, mesmo que as pessoas achassem as cartas e as abrissem poderiam enviá-las, pois não ocorreu violação, causando dano ao envelope e impedindo o comportamento de ajuda.

Outro aspecto desta técnica de coleta de dados refere-se ao nível sócio-econômico e educacional da população atingida. Uma vez que as cartas foram colocadas em carros particulares, supõe-se que os donos (familiares) dos mesmos pertençam à classes mais favorecidas da população, o que limita uma generalização deste estudo para pessoas de níveis socio-econômicos diferentes. Porém, num estudo realizado via telefone por Goodman e Gareis (1992), o status de quem ajudou pesou menos na probabilidade de ajuda do que o de quem necessitava da ajuda. Goodman e Gareis apontam que pessoas de status mais elevados, ou cujos status não podiam ser identificados obtiveram mais ajuda do que pessoas de menor status socio-econômico. Possivelmente alguma relação entre status e probabilidade de se receber ou fornecer ajuda existe, mas, o tipo de situação de ajuda e alguns aspectos do momento (proximidade física, anonimato, densidade local, etc) podem ser mais importantes, especialmente quando algum contato ocorre entre as pessoas envolvidas (ou potencialmente envolvidas) na situação de ajuda. Daí a importância de se estudar situações de ajuda onde não existe contato entre as pessoas envolvidas. Da mesma forma, mais estudos sobre a possível relação entre status e nível de ajuda devem ser realizados, especialmente no contexto brasileiro, onde pouco se sabe sobre comportamentos de ajuda. Menção deve ser feita sobre estudos realizados com crianças pré-escolares (Abreu Branco, 1983, 1984) que também poderiam indicar novos caminhos de pesquisa.

 

Conclusão

O presente estudo demonstrou alguns pontos vantajosos na utilização desta técnica de coleta de dados no que se refere à possibilidade de estudar comportamento tabu, tal como preconceitos, uma vez que reduz a reatância à situação experimental. Por outro lado, revela uma aparente limitação quanto ao tipo de população a ser assim investigada. Neste estudo a caracterização dos autores foi feita através dos textos das cartas e das assinaturas nos bilhetes. Isto, de um lado, pode limitar a técnica à população alfabetizada, problema que pode ser resolvido com uma caracterização através de fotos, por exemplo.

Outra limitação desta técnica é que não permite uma vinculação do comportamento de interesse com características dos atores como idade, gênero e atitudes, constituindo uma técnica complementar no estudo de uma dada comunidade. O procedimento parece adequado no controle de variáveis como o contato entre as pessoas e características pessoais do autores (i.e., dos grupos de interesse). Observa-se, porém, as limitações do método quanto ao nível socio-econômico e educacional da população abrangida quando as cartas são colocadas em pára-brisas de carros.

Utilizando-se a adaptação da técnica da carta perdida, verificou-se disposição para ajudar em Brasília. Além do mais, na medida em que foi observada uma maior taxa de ajuda quando existe a possibilidade de contato via telefone, os dados sugerem que a possibilidade da ocorrência de laços sociais, no momento da ajuda, é importante. Não se verificou expressão de preconceito na população pesquisada, uma vez que o nível de ajuda não foi afetado pelas características étnicas e de preferência sexual dos autores.

Sugerem-se mais estudos utilizando procedimentos semelhantes, em contextos situacionais diferentes, para verificar se os mesmos padrões de comportamento (taxas de ajuda e ausência de preconceito) são observados. Tais estudos poderiam ser realizados, tanto em outras situações, com a colocação das cartas em locais como orelhões, bancos de praças públicas ou banheiros públicos, quanto com a utilização, por exemplo, de fotografias como estímulo característico dos atores.

 

Referências

Abreu Branco, A. U. (1983). Comportamento pro-social: Análise conceitual e variáveis correlatas. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 35, 153-169.         [ Links ]

Abreu Branco, A. U. (1984). Comportamento pro-social: Considerações críticas sobre aspectos teóricos e metodológicos. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 36, 21-35.         [ Links ]

Allport, G. W. (1958). The nature of prejudice (abridged). Garden City, NY: Doubleday Anchor. (Original publicado em 1954).         [ Links ]

Amato, P. R. (1983). Helping behavior in urban and rural environments: Field studies based on a taxonomic organization of helping episodes. Journal of Personality and Social Psychology, 45, 571-586.         [ Links ]

Benson, P.L., Karabenick, S.A., & Lerner, R.M. (1976). Pretty pleases: The effecys of physical attractiveness, race, end sex on receiving help. Journal of Experimental Social Psychology, 12, 409-415.         [ Links ]

Bouchard, T. J., Jr., & Stuster, J. (1969). The lost-letter technique: Predicting elections. Psychological Reports, 25, 231-234.         [ Links ]

Clark III, R. D & Word, L. E. (1974). Where is the apathetic bystander? Situational characteristics of the emergency. Journal of Personality and Social Psychology, 29, 279-287.         [ Links ]

Crosby, F., Bromley, S. & Saxe, L. (1980). Recent unobtrusive studies of black and white discrimination and prejudice: A literature review. Psychological Bulletin, 87, 546-563.         [ Links ]

Fishbein, M. & Raven, B. H. (1962). The AB scales: An operational definition of belief and attitudes. Human Relations, 15, 35-44.         [ Links ]

Forbes, B. G., & Gromoll, F. H. (1971). The lost letter technique as a measure of social variables: Some exploratory findings. Social Forces, 50, 113-115.         [ Links ]

Gaertner, S. L., & Bickman, L. (1971). Effects of race on the elicitation of helping behavior: The wrong number technique. Journal of Personality and Social Psychology, 20, 218-222.         [ Links ]

Goodman, M. D., & Gareis, C. K. (1992). The influence of status on decision to help. The Journal of Social Psychology, 133, 23-31.         [ Links ]

Hanson, R. O., & Slade, K. M. (1977). Altruism toward a deviant in city and small town. Journal of Applied Social Psychology, 7, 272-279.         [ Links ]

Hedge, A., & Yousif, Y. H. (1992). Effects of urban size, urgency, and cost on helpfulness: A cross-cultural comparison between the United Kingdom and the Sudan. Journal of Cross-Cultural Psychology, 23, 107-115.         [ Links ]

House, J. S., & Wolf, S. (1978). Effects of urban residence on interpersonal trust and helping behavior. Journal of Personality and Social Psychology, 36, 1029-1043.         [ Links ]

Kammann, R., Thomsom, R., & Irwin, B. (1979). Unhelpful behavior in the street: City size or immediate pedestrian density? Environment and Behavior, 11, 245-250.         [ Links ]

Krupat, E., & Coury, M. (1975). The lost letter technique and helping: An urban-non-urban comparison, apud Hedge & Yousif, 1992.

LaPiere, R. T. (1934). Attitudes versus actions. Social Forces, 13, 230-237.         [ Links ]

Merritt, C. B., & Fowler, R. G. (1948). The pecuniary honesty of the public at large. Journal of Abnormal and Social Psychology, 43, 90-93.         [ Links ]

Milgram, S. (1969). Comment on "A failure to validate the lost letter technique". Public Opinion Quaterly, 33, 263-264.         [ Links ]

Milgram, S. (1970). The experience of living in cities: Adaptations to urban overload create characteristic qualities of city life that can be measured. Science, 167, 1461-1468.         [ Links ]

Olson, J. M., & Zanna, M. P. (1993). Attitudes and attitude change. Annual Review of Psychology, 44, 117-154.         [ Links ]

Rodrigues, A. & equipe do CBPP (1984a). Detecção de preconceito racial e de estereótipo sexual através de atribuição de diferencial de causalidade, Relatório Técnico Nº 1. Rio de Janeiro: FGV/ISOP/CBPP.         [ Links ]

Rodrigues, A. & equipe do CBPP (1984b). Atitude e crença em relação a preconceito racial e a estereótipo sexual no Brasil, Relatório Técnico Nº 2. Rio de Janeiro: FGV/ISOP/CBPP.         [ Links ]

Rotton, J. (1977). Sex, residential location, and altruism. Psychological Reports, 40, 102.         [ Links ]

Shotland, R. L., Berger, W. G., & Forsythe, R. A. (1970). A validation of the lost-letter technique. Public Opinion Quarterly, 34, 278-281.         [ Links ]

Silva, A. V. da, & Günther, H. (1996). Comportamentos de ajuda entre passageiros de ônibus. Local: Relatório técnico.         [ Links ]

Silva, A. V. da, Günther, H., Lara, A. de A., Cunha, L. F. da, & Almeida, V. J. da S. (1996). Comportamentos de ajuda no contexto urbano: Realizando experimentos por meio do telefone. Local: Relatório técnico.         [ Links ]

Simon, W. E. (1971). Helping behavior in the absence of visual contact as a function of sex of asking for help and sex of person being asked for help. Psychological Reports, 28, 609-610.         [ Links ]

Webb, E. J., Campbell, D. T., Schwartz, R. D., Sechrest, L., & Grove, J. B. (1981). Nonreactive measures in the social sciences. Boston: Houghton Mifflin.         [ Links ]

Wentland, E. J., & Smith, K. W. (1993). Survey responses: An evaluation of their validity. San Diego, CA: Academic Press.         [ Links ]

West, S. G., Whitney, G., & Schnedler, R. (1975). Helping a motorist in distress: The effects of sex, race, and neighborhood. Journal of Personality and Social Psychology, 31, 691-698.         [ Links ]

Wicker, A. W. (1969). A failure to validate the lost-letter technique. Public Opinion Quarterly, 32, 260-262.         [ Links ]

 

 

Recebido em 09.09.97
Revisado em 15.10.97
Aceito em 01.04.98

 

 

Anexo 1

Texto dos Bilhetes Colocados junto aos Envelopes das Cartas

Texto do Grupo de Controle

Jô,
Não te encontrei no local combinado, mas estou deixando a carta corrigida para você dar uma olhadinha. Acho que está tudo direitinho. Olha, ela já está selada é só fechar e colocar no correio. Por favor, não esqueça. Tem que ser até quinta-feira, senão eu perco o prazo que eles me deram. Não posso perder esse emprego, você sabe. Meu pai já não está muito bem...
Bom, Jô, muito obrigada. Qualquer problema liga para o __ ou pra __ à tarde no __.
Um abraço.
Paulo (ou Paula)
Observação: O texto em itálico foi omitido na condição ‘sem número de telefone’.

Texto da Condição Negro / Negra 
Mudou apenas a assinatura:
André (" O Negão") ou Andréia ("A Neguinha")

Texto do Grupo Homossexual
1. Mudou o endereçamento:
Jô, fofo, [fofa - versão feminina]
2. Acrescentou-se mais uma frase:
Meu pai já não está muito bem...e você sabe, me separei do Juca. Ele agora está com outro. [versão masculina]
... e você sabe, me separei da Jú. Ela agora está com outra. [versão feminina]
3. Mudou apenas a assinatura (nome: Carlos ou Carla)

 

Anexo 2

Texto das Cartas dentro dos Envelopes.

Carta do Grupo Controle

Em resposta à solicitação de Documentação Complementar enviada para fins de exame e seleção dos candidatos e, de acordo com as Sugestões de Preenchimento, apresento a seguir a Exposição dos Motivos pelos quais tenho interesse em trabalhar na Empresa e desempenhar bem as funções exigidas pelo cargo pretendido.

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

Conforme expresso em documento curricular anteriormente enviado à AVS & Cia., possuo boa experiência na execução das funções exigidas pelo cargo, superando, inclusive, o mínimo de três anos exigidos pela Empresa.

As possibilidades de crescimento pessoal e profissional, aliadas ao saudável clima social percebido entre os trabalhadores atuam como um elemento muito forte na pretensão ao cargo, uma vez que tais características nem sempre são observadas em empresas do ramo. Além disso, o Know How de que dispõe a Empresa em grande parte parece ocorrer devido à valorização do trabalho de seus empregados, haja visto o salário inicial oferecido, o que, sem dúvida, também incentiva a determinação em alcançar os melhores resultados nas tarefas.

Atualmente resido com meus pais em minha cidade natal, estando no [local identificador] provisoriamente na casa de uma família de amigos. Pretendo residir nesta cidade especialmente pelas possibilidades profissionais aqui existentes. Espero aumentar meus ganhos e realizar-me profissionalmente na cidade. Além disso, minha família vem sofrendo dificuldades financeiras agravadas pelo alto custo do tratamento oncológico a que meu pai vem se submetendo, o que poderia ser amenizado a partir de uma melhoria econômica na minha vida, uma vez que contribuo mensalmente, enviando dinheiro para minha mãe, que emprega o mesmo no tratamento referido.

Variação no Texto da Condição Negro

[segundo parágrafo da exposição de motivos — modificação destacada a seguir]

As possibilidades de crescimento pessoal e profissional, aliadas ao saudável clima social percebido entre os trabalhadores atuam como um elemento muito forte na pretensão ao cargo, uma vez que tais características nem sempre são observadas em empresas do ramo, onde, geralmente, características étnicas são erroneamente confundidas com competência profissional. Além disso, o Know How de que dispõe a Empresa em grande parte parece ocorrer devido à valorização do trabalho de seus empregados, haja visto o salário inicial oferecido, o que, sem dúvida, também incentiva a determinação em alcançar os melhores resultados nas tarefas.

Variação do Texto da Condição Homossexual

[segundo parágrafo da exposição de motivos — modificação destacada a seguir]

As possibilidades de crescimento pessoal e profissional, aliadas ao saudável clima social percebido entre os trabalhadores atuam como um elemento muito forte na pretensão ao cargo, uma vez que tais características nem sempre são observadas em empresas do ramo, onde, geralmente, preferência sexual é erroneamente confundida com competência profissional. Além disso, o Know How de que dispõe a Empresa em grande parte parece ocorrer devido à valorização do trabalho de seus empregados, haja visto o salário inicial oferecido, o que, sem dúvida, também incentiva a determinação em alcançar os melhores resultados nas tarefas.

 

 

1 Este estudo contou com o apoio do CNPq. Dados parciais deste estudo foram apresentados na XXVI Reunião Anual de Psicologia, Ribeirão Preto, 1996.
2 Endereço para correspondência: Hartmut Günther; Caixa Postal 4480; 70919-970 Brasília, DF; e-mail: hartmut@guarany.cpd.unb.br.