SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.11 issue2Agradecimentos author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.11 n.2 Porto Alegre  1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721998000200001 

Apresentação

 

 

Revisando editoriais e apresentações de revistas brasileiras, podemos identificar a satisfação de cada editor ao finalizar mais um número e poder divulgá-lo para comunidade científica. Isto se deve, em parte, à concretização de um processo gestacional, que envolve o trabalho e o tempo de muitas pessoas. Uma revista que sai do prelo já percorreu um longo caminho e consiste em produção intelectual e investimento pessoal dos pesquisadores e organizadores dos manuscritos, na leitura e revisão dos consultores e conselheiros, na atenção dada pela Comissão Editorial, no encaminhamento e coordenação do processo editorial de um editor. No momento da publicação, a revista sai como um fruto de todos que de alguma forma investiram nela.

Por outro lado, todo este processo é acompanhado da dúvida relativa à obtenção de recursos para editar mais um número. Atualmente, as revistas são fruto de projetos pessoais ou institucionais, que sobrevivem com a venda de assinaturas e algumas contribuições comerciais paralelas, como patrocínios e doações. Nenhum país que busca uma política de produção científica séria, que exige a publicação de seus pesquisadores, que avalia seus cursos de pós-graduação pelos índices de divulgação de trabalhos e pesquisas dos professores universitários, pode depender destes parcos recursos. Urge que se faça uma reavaliação destas condições e que se possa ampliar os recursos e melhorar a qualidade da produção e da divulgação do conhecimento em Psicologia no Brasil.

A crescente necessidade de dar vazão aos resultados de pesquisa, dando forma à produtividade científica dos pesquisadores, têm acelerado os escritórios das revistas brasileiras, aumentando consideravelmente o número de manuscritos submetidos e, certamente, a qualidade destas submissões. Pautas de reuniões científicas, de diretorias de sociedades de Psicologia e mesmo conversas informais entre editores e pesquisadores têm tido como tema comum – o futuro das publicações no Brasil. Certos de que esta não é uma preocupação apenas de editores de periódicos científicos da Psicologia, mas de todos os pesquisadores que prezam a divulgação de seus estudos como uma etapa "natural" e ética de seu trabalho, urge inquietar a comunidade da Psicologia para repensar seriamente as políticas de publicação e de sustento das revistas brasileiras.

Para não fugir a regra, apresentamos mais um número com grande satisfação.

 

 

Sinceramente,

 

 

Sílvia Helena Koller
Editora