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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.12 n.2 Porto Alegre  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721999000200019 

A produção científica na psicologia: uma análise dos periódicos brasileiros no período 1990-1997

Oswaldo H. Yamamoto1
Carina Cavalcanti de Souza2
Maria Emília Yamamoto3
Universidade Federal do Rio Grande do Norte

 

 


Resumo
O objetivo deste trabalho foi avaliar seis periódicos brasileiros especializados em Psicologia (Psicologia: Teoria e Pesquisa; Psicologia: Reflexão e Crítica; Psico; Arquivos Brasileiros de Psicologia; Psicologia USP e Boletim de Psicologia), de circulação nacional, editados entre 1990 e 1997. Três aspectos principais foram examinados: a política de publicação desses periódicos, os perfis dos autores e das instituições as quais eles pertencem. Foram examinados 749 artigos distribuídos pelas 80 edições dos periódicos. Os principais resultados apontaram que: há poucos autores publicando sistematicamente no Brasil, que essa produção está fortemente concentrada em poucas instituições nas regiões Sul e Sudeste e que as universidades públicas são mais produtivas do que as privadas. Foi também verificada uma relação entre a quantidade de artigos publicados e a existência de programas de pós-graduação nessas universidades e entre a afiliação institucional dos autores e o periódico no qual publicam.
Palavras-chave: Produção científica; periódicos, cientometria; Psicologia no Brasil.

Scientific production in psychology: an analysis of brazilian journals between 1990-1997

Abstract
The purpose of this paper was to evaluate six Brazilian psychology journals (Psicologia: Teoria e Pesquisa; Psicologia: Reflexão e Crítica; Psico; Arquivos Brasileiros de Psicologia; Psicologia USP e Boletim de Psicologia), edited between 1990 and 1997. We examined 749 papers in 80 issues of these journals. Three main questions were examined: the journals’ editorial practices, the authors’ profile, and the type of institutions with which they were affiliated. The results showed that: there are few researchers publishing systematically in Brazil; that the authors were concentrated in few institutions in the Southeast-South regions; and that researchers in public universities are more productive than those in private ones. The data also showed a relationship between the number of published papers and the existence of graduate programs in these universities and between the researchers’ institutional affiliation and the journal in which they published.
Keywords: Scientific production; journals; scientometrics; Brazilian Psychology.


 

 

Há uma crescente preocupação com a monitoração da produção científica no plano internacional - e o Brasil não é exceção. Nessa direção, estudos têm procurado situar o Brasil na cartografia da produção científica mundial, abrangendo questões como a dispersão-concentração da produção e discrepância das diversas áreas de conhecimento entre outras (Braun, Glänzel & Schubert, 1985; Castro, 1985; De Meis & Leta, 1996).

Conquanto não haja uma identidade entre produção científica e publicação, é fato internacionalmente acatado que dois dos principais parâmetros para a mensuração do vigor científico de uma determinada área são o volume de artigos publicados em periódicos indexados em bases de dados de prestígio e o número de citações que recebem, registrados nesses mesmos veículos.

A adoção desses parâmetros coloca, contudo, algumas questões de difícil equacionamento, tais como os critérios utilizados pelas bases de dados, a língua na qual os trabalhos são produzidos, a concentração de conhecimento em nações economicamente mais desenvolvidas, entre diversas outras. Esses problemas se potencializam se considerarmos o caso de nações periféricas – como é o caso do Brasil, e de áreas do conhecimento situadas dentre as chamadas soft sciences – como é o caso da Psicologia.

De fato, a literatura registra que cerca de 70% dos periódicos latino-americanos não estão incluídos em nenhum indexador, redundando em uma baixa visibilidade (Gibbs, 1995). Ademais, as tentativas de avaliação dos periódicos nacionais têm evidenciado um conjunto de aspectos problemáticos, como a irregularidade na publicação e distribuição das revistas, a falta de normalização dos artigos e das revistas e a ausência de corpos editoriais e de consultores qualificados (Krzyzanowski & Ferreira, 1998).

No que tange à Psicologia, os poucos estudos específicos que têm sido realizados sobre a produção de conhecimento no Brasil e registrados na literatura (Aguiar Netto, 1988; Matos, 1988) apontam a debilidade dessa modalidade de atividade. A produção da Psicologia, mensurada em publicações indexadas em um conjunto de bases internacionais de dados reconhecido foi comparada com a das outras áreas no que se refere ao período 1976-80 (Braun e cols., 1985), e revelou-se a menor dentre nove áreas (Medicina clínica, pesquisa biomédica, Biologia, Química, Física, Ciências da terra e do espaço, Engenharia e Matemática), com uma participação relativa de 0,47% do total brasileiro. Mais recentemente, Oliveira (1998) apresenta dados referentes ao período 1992-1996: a média anual de publicações de artigos no Brasil é de aproximadamente 1,3 e no exterior de 0,3 entre os pesquisadores da área da Psicologia apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na modalidade Produtividade em Pesquisa. Dentre as áreas avaliadas no estudo (Agronomia, Medicina, Física, Química, Educação e Psicologia), é a Psicologia que apresenta as médias mais baixas.

Contudo, da mesma forma que os números da participação brasileira apresentam uma evolução no quadro da produção internacional, considerando-se o total de trabalhos publicados em revistas especializadas indexadas pelo Institute for Scientific Information (ISI) (De Meis & Leta, 1996)4, a situação da Psicologia no Brasil apresenta sinais de recuperação. Assim, em um levantamento empreendido pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES) para fins de avaliação das publicações em Psicologia, foram registradas aproximadamente duas centenas de veículos (nacionais e internacionais, não exclusivamente de Psicologia) nos quais os docentes de cursos de pós-graduação strictu senso do Brasil da área publicam.5

Se, por um lado, esse dado demonstra um certo vigor, coloca em questão, por outro lado, a qualidade de tais publicações, sobretudo se for levado em conta a questão do baixo percentual de indexação dos mesmos. Em verdade, a preocupação com a qualidade dos suportes tem se constituído em uma das prioridades das agências, que têm promovido esforços para uma ampla avaliação dos mesmos (veja-se, por exemplo, Krzyzanowski & Ferreira, 1998). No caso da Psicologia, tomando como indicador a base PsychLit (versão 3.3, de dezembro de 1996), vinculada à American Psychological Association, os periódicos especificamente dedicados a veicular a produção em Psicologia no Brasil eram quatro: Psicologia: Teoria e Pesquisa, Psicologia: Reflexão e Crítica, Psico e Arquivos Brasileiros de Psicologia.

É importante assinalar que não se pretendeu, em sentido estrito, aquilatar a produtividade dos autores (uma vez que ela poderia ter outros desaguadouros e deveria considerar outros indicadores), nem tampouco avaliar a qualidade das publicações e das instituições (uma vez que outros parâmetros deveriam ser levados em conta em cada caso).

Tomando como base alguns dos veículos especializados no campo da Psicologia no Brasil, de prestígio na comunidade acadêmica e de circulação nacional, no período compreendido entre os anos de 1990 e 1997, foram investigados três pontos, a saber, 1) as conformações dos periódicos no que se refere à distribuição geográfica, número e características das instituições aos quais os autores que lá publicam são afiliados; 2) os perfis de publicação das instituições brasileiras quanto ao número e amplitude dos veículos nos quais seus autores publicam; e, 3) os padrões de publicação dos autores brasileiros do campo da Psicologia expressos através de quantidade de artigos e veículos nos quais publicam.

 

Método

Do conjunto de periódicos especializados em Psicologia e publicados no Brasil foram selecionados seis: Psicologia: Teoria e Pesquisa (Universidade de Brasília); Arquivos Brasileiros de Psicologia (Universidade Federal do Rio de Janeiro); Boletim de Psicologia (Sociedade de Psicologia de São Paulo); Psico (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul); Psicologia: Reflexão e Crítica (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Psicologia USP (Universidade de São Paulo). Para fins de concisão esses periódicos serão abreviados, quando conveniente, respectivamente como PTP, ABP, BP, Psico, PRC e USP.

Os critérios adotados para a escolha desses veículos foram os seguintes: o fato de terem sido editados durante o período de 1990 a 1997 (sem a exigência de respeito a uma periodicidade e regularidade estrita no período), ter circulação nacional e serem editados por instituições de ensino e/ou pesquisa, ou sociedades científicas. Adicionalmente, a escolha recaiu sobre aqueles periódicos que, na ocasião do estudo, estivessem indexados a algum banco de dados, nacional ou internacional (PTP, ABP, PRC e Psico estavam indexados no PsychLit, vinculada à American Psychological Association e USP, na base LILACS, mantida pela Bireme/Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), como indicativo de reconhecimento acadêmico. A inclusão da última revista foi definida pela sua importância histórica (juntamente com os Arquivos Brasileiros de Psicologia, foi criada no ano de 1949, constituindo-se nas duas publicações periódicas mais antigas ainda em circulação), remanescente do período que antecedeu a regulamentação da profissão e conseqüente explosão da Psicologia no Brasil.

Uma vez que as seis revistas examinadas apresentavam variações com relação aos seus critérios editoriais, definiu-se que somente seriam considerados para o presente trabalho os artigos, definidos como ensaios teóricos, estudos de revisão crítica de literatura e relatos de pesquisa. Foram excluídos, portanto, eventuais inserções de relatos de experiências profissionais, resenhas, notas técnicas, entrevistas e notícias que as revistas pudessem trazer em suas edições.

Dois elementos básicos acerca dos artigos foram levantados: autoria e afiliação institucional (do autor/autores). Esses dois parâmetros foram considerados em relação ao primeiro autor quando a autoria era múltipla. Com relação à autoria, foram computados dados adicionais acerca da sua natureza: autor único, responsável ou colaborador em artigo conjunto. Acerca dos dados institucionais, foram registrados a região geográfica na qual elas se inseriam e a sua natureza jurídica. Um dado complementar registrado foi o sexo dos autores. Uma análise separada foi feita para os autores considerados produtivos dentro do escopo deste trabalho, isto é, aqueles que tiveram uma média anual de artigos publicados nos periódicos analisados maior do que um.

 

Resultados

Do conjunto de 80 edições das revistas examinadas (PTP, 22; ABP, 15; BP, 7; Psico, 16; PRC, 11 e USP, 9), foram considerados 749 artigos (PTP, 204; ABP, 145; BP, 47; Psico, 165; PRC, 98 e USP, 90).

A análise da região geográfica de afiliação do primeiro autor revela uma distribuição desigual para as cinco regiões do país (Figura 1). A maior parte dos artigos nos periódicos pesquisados originou-se da região sudeste, com uma participação expressiva também da região sul. A primeira apresenta percentual significativamente superior de artigos a todas as outras regiões do país e a segunda é significativamente maior do que a região norte (Kruskall-Wallis: H4=202,32; p<0,001; Mann-Whitney: U6,6=0; p<0,001 para as comparações norte/sudeste e nordeste/sudeste, U6,6=4; p<0,01 para a comparação centro-oeste/sudeste, U6,6=6; p<0,03 para a comparação sul/sudeste e U6,6=3; p<0,008 para a comparação sul/norte). As outras três regiões apresentaram uma pequena porcentagem de artigos, a menor delas na região norte.

 

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Figura 1. Distribuição dos Artigos por Região Geográfica (Su – sul; Se – sudeste; Ne – nordeste; No – norte; Co – centro-oeste) no Gráfico Superior e por Tipo de Instituição (Fed - IES federal; Est – IES estadual; Priv – IES privada; Out – outro tipo de instituição) no Gráfico Inferior

 

O tipo de instituição, se Instituição de Ensino Superior (IES) e, nesse caso, federal, estadual ou privada, ou outro tipo de instituição, também se diferenciou no que tange à quantidade de artigos (Figura 1). Há uma predominância quase que total das IES como fonte dos artigos (Kruskal-Wallis: H3=13,57; p<0,01; Mann-Whitney: para federais, estaduais e privadas em relação às outras, U5,5=0; p<0,001) e, entre essas, as universidades públicas (federais e estaduais) apresentaram percentual expressivamente maior de artigos do que as IES privadas e outros tipos de instituição (Mann-Whitney: U6,6=5; p<0,02).

Periódicos

A análise dos periódicos, individualmente, em relação à distribuição regional dos artigos evidencia que três deles, Arquivos Brasileiros de Psicologia, Boletim de Psicologia e Psicologia-USP, têm distribuição similar à geral (Figura 1), porém com concentração ainda mais acentuada na região sudeste. Psico, por outro lado, mostra o mesmo perfil de concentração regional de produção dos três periódicos anteriores, porém com uma maior porcentagem de artigos na região sul, que substitui a região sudeste como aquela que apresenta maior porcentagem de artigos. Finalmente Psicologia: Teoria e Pesquisa e Psicologia: Reflexão e Crítica são os dois periódicos a mostrar distribuição mais equilibrada entre as cinco regiões. Embora ambos apresentem maior concentração de artigos em duas das cinco regiões, essas não são tão discrepantes quanto as dos outros quatro periódicos. Há também uma participação mais expressiva das outras regiões (Figura 2).

 

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(PTP – Psicologia: Teoria e Pesquisa; ABP – Boletim Brasileiro de Psicologia B P– Boletim de Psicologia; Psico; PRC – Psicologia: Reflexão e Crítica; USP: Psicologia USP)

 

A diversidade de instituições que têm artigos no periódico e a concentração quanto ao número de artigos são fatores que ajudam a diferenciar ainda mais os periódicos entre si. Psicologia: Teoria e Pesquisa é o periódico que tem artigos originados de um maior número de instituições (Tabela 1). A amplitude quanto ao número de instituições foi pequena entre os outros periódicos, variando de 21 a 29. Apesar da diversificação das instituições, em dois dos periódicos mais de 50% das instituições representadas tiveram apenas uma única publicação no período (BP e USP). Nos outros quatro periódicos, essa marca ficou próxima dos 40% das instituições (Tabela 1). A concentração dos artigos em apenas uma instituição, por outro lado, foi mais marcante em três dos periódicos (BP, Psico e USP), com o menor índice sendo registrado novamente para Psicologia: Teoria e Pesquisa (23,1%, Tabela 1). Registre-se, ademais, que em todos os casos em que o periódico é editado por uma universidade, a instituição com maior número de artigos no período foi sempre essa universidade. Finalmente, as IES que mantêm programas de pós-graduação em Psicologia estiveram melhor representadas quanto ao número de artigos em cinco dos seis periódicos investigados (Tabela 1). Psicologia: Teoria e Pesquisa foi o único a apresentar menos da metade de seus artigos (47,99%) publicados por autores ligados a instituições com pós-graduação em Psicologia.

 

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Instituições e Autores

No total, 69 instituições de todo o país estiveram representadas nos seis periódicos investigados. Porém, essa representação foi extremamente desigual. Mais de 40% (Tabela 2) das instituições tiveram apenas uma publicação ao longo do período estudado. Por outro lado, apenas 34,78% tiveram um ou mais artigos por ano. As seis instituições mais produtivas, pela ordem, USP, PUCRS, UNB, UFRGS, UFRJ e USP-RP apresentaram uma grande concentração dos artigos (60,6% de todos os artigos dos seis periódicos). Todas, com exceção da USP-RP, editam pelo menos um dos periódicos aqui analisados (Tabela 2).

 

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Ainda em relação às seis instituições mais produtivas, com exceção da USP-RP, todas as outras mostram concentração de seus artigos na revista da própria instituição (Tabela 3). Isto é mais fortemente notado na PUC-RS, UFRJ e UNB. A UFRGS e a USP mostram distribuição mais equilibrada de seus artigos.

 

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*Essa percentagem deve-se ao fato de que os dois periódicos da USP-RP (Paidéia e Brazilian Journal of Medical and Biological Research) não foram incluídos na amostra deste estudo.

 

Os 754 autores que publicaram no período são, em sua maior parte (77,98%, Tabela 2) autores de um trabalho só, isto é, publicaram apenas um artigo nos periódicos analisados durante todo o período investigado. Uma minoria estreita (1,33%) publicou um ou mais trabalhos por ano. Esses são responsáveis por 9,73% de todos os artigos.

Uma análise mais detalhada foi dirigida às características dos artigos dessa minoria (oito autores). Para tanto, examinamos o percentual de artigos nos quais esses autores figuravam como único e o percentual em que figuravam como primeiro autor.

Também analisamos que porcentagem de seus artigos apareceram no periódico da instituição à qual eram afiliados (Tabela 4). O perfil do autor produtivo, segundo os parâmetros definidos, é de alguém que publica principalmente só ou como primeiro autor (60% e 34,67% respectivamente). Majoritariamente, esse autor publica no periódico da instituição à qual é afiliado (72%).

 

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Finalmente, fizemos uma análise quanto ao sexo dos autores (Tabela 5). As mulheres constituem a ampla maioria dos autores (75,33%), porém apenas metade dos autores produtivos e com uma média de artigos bem menor do que a dos homens.

 

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Discussão

Tomando por pressuposto os limites impostos pela abrangência da investigação empreendida quanto às possibilidades de generalização desses resultados, parece-nos possível deles extrair algumas tendências gerais da produção científica da Psicologia no Brasil e, por conseguinte, propor algumas questões para discussão.

Como primeiro aspecto, destaque-se que, à semelhança das demais áreas de conhecimento no Brasil (Castro, 1985; De Meis & Leta, 1996), a concentração da produção é, em primeira instância geográfica, com forte predomínio do eixo Sul-Sudeste (mais de 80% da produção nacional). Contudo, é inescapável a observação de que, subjacente a tal centralização geográfica, reside o fator econômico, reproduzindo o quadro internacional: em 1989, 71% da produção mundial estava concentrada em apenas sete nações (EUA, Inglaterra, União Soviética, Alemanha, França, Japão e Canadá), não por acaso as mais ricas do planeta. Na Psicologia, os mesmos fatores - desigualdade na distribuição de recursos, na oferta de oportunidades educacionais e de formação científica – parecem operar para produzir a concentração da produção.

A concentração não é, contudo, apenas regional. Se um número relativamente grande de instituições têm autores publicando nas revistas brasileiras estudadas (69 instituições no total), aproximadamente 40% delas têm apenas uma publicação no período! Mais ainda, 35% das instituições têm ao menos um autor publicando em cada ano do período levantado, mas as seis mais produtivas são responsáveis por cerca de 60% do total dos artigos. Esse quadro, que não é exclusivo da Psicologia, mantém-se virtualmente inalterado no tempo: conforme De Meis e Leta (1996) analisando a produção científica brasileira em todas as áreas do conhecimento em periódicos indexados, a participação das dez instituições que mais publicaram no período 1981-93 na produção nacional caiu aproximadamente três pontos percentuais, passando de 55% para 52%.

Também, à semelhança do que acontece com a produção de conhecimento nas demais áreas, na Psicologia essa se concentra nas universidades e, dentre elas, muito especialmente nas instituições públicas. Embora largamente referido, é importante que esse dado seja enfatizado, uma vez que, sob o primado da agenda neoliberal, a desqualificação das instituições de direito público (em detrimento da lógica do mercado) é largamente reiterada pelas agências governamentais relacionadas ao campo da educação, cultura, ciência e tecnologia. Assim, no presente levantamento, cinco das seis instituições mais produtivas são públicas; no estudo de Castro (1985), nove das dez instituições que mais produziram livros, artigos e comunicações em eventos científicos são públicas e, finalmente, no trabalho de De Meis e Leta (1996), as dez instituições mais produtivas, no cômputo das diversas áreas do conhecimento, são públicas.

Porém, existe um dado complementar relevante: para além da presença marcante das instituições do sistema público, os dados apontam para a predominância daquelas que mantêm programas de pós-graduação (em Psicologia ou áreas correlatas). Embora não seja o foco desse estudo – e nem estejamos aferindo a produção da pós-graduação, não deixa de ser sugestiva essa correlação entre a existência dos programas e produção, o que pode indicar a importância e o vigor do sistema como catalisador da produção científica. Essa constatação, na realidade, não se aplica exclusivamente à Psicologia: para exemplificar, Cunha (1979), propondo uma periodização da produção de conhecimento no campo educacional no Brasil, sugere que a emergência do sistema de pós-graduação no Brasil teria inaugurado uma nova etapa, com a transferência do epicentro das instituições de pesquisa para as de ensino e promovendo um incremento na produção científica.

Enfocando a partir da perspectiva dos autores (e exclusivamente pelo volume de artigos nos periódicos examinados), os resultados desse estudo confirmam a anunciada precariedade da produção científica no campo da Psicologia no Brasil. Além disso, a análise dos dados dos autores que mais produziram e publicaram nos periódicos examinados sugere que esses são docentes, de instituições públicas de ensino e, provavelmente, vinculados a programas de pós-graduação em Psicologia ou áreas afins. Além disso, esses autores preferem publicar individualmente e no periódico de sua própria instituição.

Dois aspectos dos resultados, no que tange aos autores, requerem atenção: a questão da desigual distribuição da produção entre homens e mulheres e o expressivo contingente de autores de um só trabalho (tomados apenas os periódicos examinados no período).

Com relação ao primeiro, os dados do presente estudo apontam, de início, um predomínio feminino no que diz respeito ao percentual geral dos autores. Considerando-se a atividade científica em termos globais, a literatura concernente à relação ciência-gênero registra uma hegemonia masculina expressa, no Brasil, na proporção de bolsistas da modalidade Produtividade em Pesquisa do CNPq, na obtenção de recursos em ciência e tecnologia concedidas pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), na apresentação de trabalhos em congressos científicos, na publicação de livros e defesas de teses e dissertações, na autoria dos artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais (Azevêdo e cols., 1989), e na presença na Academia Brasileira de Ciências (Tabak, 1996); internacionalmente, pelo número ínfimo de mulheres laureadas com o Prêmio Nobel em Ciências (Goulart, 1991), apenas para tomar alguns exemplos. Todavia, os dados aqui encontrados (75,33% de mulheres contra 22,55% de homens) não se constituem propriamente em exceção: uma vez que a distribuição é desigual entre as diversas áreas, em algumas delas registra-se uma forte presença feminina. Para tomar um exemplo, o percentual de mulheres com Bolsa de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nível 1A, no campo da Lingüística, Letras e Artes era, em 1988, de 40,3 - contra apenas 5,4 nas Ciências Exatas e da Terra (Goulart, 1991). Fedigan (1994) também destaca a desigualdade interna entre as áreas, tomando como referência a pertinência a sociedades científicas norte-americanas: na Antropologia (52%, em 1992), na Primatologia (48% em 1991), na Psicologia (41% em 1991) estão alguns exemplos mais evidentes de destacada presença feminina.

Se os resultados apontam um predomínio feminino no conjunto da produção, observa-se uma tendência inversa se forem considerados apenas os autores mais produtivos: a média de artigos dos homens é maior que a das mulheres no período estudado (4,06 contra 2,77) – confirmando, pois, os dados da literatura.

O segundo aspecto, o volume expressivo de autores com um só trabalho, é um indicador de debilidade na relação produção de conhecimento/publicação. Sem elementos para uma análise mais detida, a título de hipótese para futuras investigações, sugerimos algumas possibilidades de enquadramento desses autores, que podem ser: a) bolsistas de iniciação científica e/ou alunos de graduação em co-autoria com docentes-orientadores; b) estudantes de pós-graduação produzindo artigos derivados de produção acadêmica isolada (dissertação ou tese); e, c) pesquisador publicando fora de sua especialidade principal, de forma isolada ou em equipe eventual.

Focalizando os resultados sob o prisma dos periódicos, algumas observações se impõem e deixam margem para indagações: os periódicos examinados (excetuando-se Psicologia: Teoria e Pesquisa), no período compreendido pelo estudo, publicam prioritariamente o material produzido pela própria instituição.

Esse dado sugere uma indagação acerca dos reais objetivos da publicação/manutenção de um periódico por uma instituição. Ao lado dos proclamados objetivos de difusão do conhecimento – atingidos, sem dúvida – parece figurar a perversa lógica da produtividade (quantitativamente definida) exigida pelas agências de fomento, servindo os periódicos como desaguadouro da produção local/institucional.

Ao lado dessa consideração acerca dos objetivos dos periódicos, dois pontos passíveis de questionamento dizem respeito aos critérios de arbitragem e à política editorial das revistas. Com relação ao primeiro ponto, a avaliação pelos pares, a adoção do sistema de exame cego dos manuscritos, a seleção criteriosa dos consultores são, enfim, elementos essenciais para conferir qualidade à publicação. No que tange ao segundo, um controle sobre a proporção de artigos de autores da própria instituição com relação aos oriundos de outras, sobretudo de diferentes unidades da federação, seria uma condição indispensável para a consideração da envergadura da revista. A articulação dessas duas preocupações contribuiria para eliminar tal viés doméstico às publicações.

De fato, a julgar pelo conjunto dos periódicos analisados, as preocupações expressas nos estudos sobre os periódicos no Brasil e na América Latina (Gibbs, 1995; Krzyzanowski & Ferreira, 1998) parecem ter procedência. No cômputo geral, o melhor desempenho, tomados os padrões aqui utilizados, constituindo-se em uma evidente exceção, é da revista mantida pela Universidade de Brasília, Psicologia: Teoria e Pesquisa. É aquela que apresenta a maior amplitude de instituições representadas, os menores índices de concentração das instituições mais produtivas e daquelas que mantêm programas de pós-graduação strictu senso, configurando um caráter que poderíamos dizer "ecumênico". Além disso, é o periódico que apresenta a menor concentração de autores da própria instituição (e com desempenho próximo, mas com quantitativos que claramente os distinguem da revista da Universidade de Brasília, estão Psicologia: Reflexão e Crítica e, um pouco mais longe, Arquivos Brasileiros de Psicologia).

Contudo, mais do que a alta taxa de trabalhos de autores da própria instituição nas respectivas revistas, um dado alarmente é que, excetuando-se aqui a USP/SP e a UFRGS (e, evidentemente, a USP/Ribeirão Preto, que não teve publicação avaliada aqui), virtualmente não se publica fora das revistas da própria instituição.

Essa constatação impõe cautela na interpretação dos dados presentes concernentes às instituições mais "produtivas" (adicionalmente às restrições antes aludidas): considerando-se a grande concentração institucional nos periódicos examinados e, se eventualmente essa for uma tendência geral das publicações brasileiras, a seleção de alguns periódicos pode ter introduzido um sério viés no rol de instituições que mais publicaram. Nos dados apresentados anteriormente, não deixa de ser surpreendente, por exemplo, que mais de 95% dos artigos da PUCRS ou mais de 90% da UFRJ encontrem-se, respectivamente, nas revistas Psico e Arquivos Brasileiros de Psicologia. Caso essas não tivessem sido selecionadas para exame, as instituições em questão saltariam da relação das que mais publicaram para o extremo oposto.

Concordando ou não com os critérios adotados pelas agências de fomento, se a produtividade aquilatada pelas publicações passa a ser um parâmetro vital para aquilatar o vigor de instituições e autores, é fundamental que prestemos mais atenção para a conformação dos periódicos científicos da área. Nessa direção, aos esforços de longa data da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC), aliam-se a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP) e a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES) no sentido de avaliar os periódicos brasileiros da área. Mas, mais do que a simples avaliação, parece-nos indispensável um duplo esforço – dos editores e instituições que mantêm periódicos para incrementar formal e qualitativamente os mesmos, e das agências na direção educativa (de estabelecer e divulgar parâmetros e avaliações) e de suporte àquelas publicações que atingirem os patamares estabelecidos.

Finalmente, cremos ser oportuno retomar a questão já aludida da distinção entre produção científica e publicação. Prieto e Avila (1994) fazem alusão ao célebre personagem de Miguel de Cervantes, Don Quixote, para descrever a realidade da Psicologia espanhola: a "crença" de que as idéias tornam-se realidade apenas por terem sido colocadas no papel ou, em outras palavras, que somente as idéias publicadas expressariam o real. Tal alusão tem como referência uma crítica ao que os autores consideram o excessivo volume de publicações na Espanha, algo em torno de 400 a 500 livros anuais e a manutenção de mais de quatro dezenas de periódicos.

Subjacente à crítica do volume repousa, evidentemente, outra que diz respeito ao mérito: haveria uma produção qualitativamente expressiva a justificar um empreendimento desse porte? Ou, por outra, deveríamos acatar acriticamente as exigências postas pelo produtivismo científico, seduzidos pelos índices cientométricos?

Talvez esse seja o nó górdio da questão. À medida em que as publicações aprimorem seus critérios de qualidade – e a utilização de avaliação pelos pares ainda continua sendo a melhor garantia –, poderemos, eventualmente, ter um processo de depuração mais criterioso da produção, inibir a publicação de trabalhos realizados apenas com o fito de engrossar currículos e afastar, ou ao menos atenuar críticas como a de Prieto e Avila (1994). Porém, enquanto um empreendimento humano, trata-se de um processo que dificilmente será imparcial, eivado que está de elementos subjetivos, restando sempre a possibilidade de questionamento. Ademais, seria ingenuidade (e cinismo) negar que, no mundo acadêmico, parâmetros outros que o mérito colocam-se entre a produção do conhecimento e a sua aparição em periódicos de destaque.

No caso da produção de conhecimento da Psicologia no Brasil, o exame de anais de eventos como as reuniões anuais da Sociedade Brasileira de Psicologia e da seção de Psicologia da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (Mattos, 1988; Rosas, 1998), testemunham um insuspeitado vigor (na produção de conhecimento) que o reduzido volume de artigos não permite vislumbrar.

Acresça-se, no que tange a tal produção, que os desequilíbrios regionais constituem-se na marca mais pungente da ciência no Brasil. Combatendo propostas espúrias de rebaixar os padrões de qualidade (da produção e das publicações) como forma para equacionar tais desequilíbrios, parece-nos imprescindível (para a comunidade científica, para as agências e para o Estado) atentar para as desiguais condições de acesso e condução do empreendimento científico – na direção de uma real democratização da política para o campo da ciência. A leitura desse processo pode não significar, simplesmente, a reiteração do preceito liberal de (uma suposta) igualdade de acesso, mas a consideração das condições de disputa.

Quanto à preocupação expressa por Prieto e Avila (1994) no que tange à Psicologia espanhola, parece-nos que, muito embora semelhante em muitos aspectos, a situação brasileira guarda profundas diferenças. A partir dos resultados deste estudo, o cenário mais favorável a ser vislumbrado não será o da inibição da publicação; antes, um incremento com qualidade da produção e um incentivo para a proliferação de periódicos que preencham os critérios definidos pela comunidade científica quanto à qualidade. E isto significa apontar para uma produção e uma difusão de conhecimento menos desigual na Psicologia do Brasil.

 

Referências

Aguiar Netto, M.C. (1988). A produção do conhecimento psicológico fora do espaço acadêmico. Em Conselho Federal de Psicologia (Org.), Quem é o psicólogo brasileiro (pp.123-137). São Paulo: Edicon.        [ Links ]

Azevêdo, E.S., Fortuna, C.M.M., Pontes, M.C.D., Freire, N.B.V.M., Abdalla, P.C.D., & Dórea, E.S. (1989). A mulher cientista no Brasil: dados atuais sobre sua presença e contribuição. Ciência e Cultura, 41, 275-283.        [ Links ]

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Sobre os autores:
Oswaldo H. Yamamoto é Psicólogo, Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Departa-mento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É bolsista de produtividade do CNPq.

Carina Cavalcanti de Souza é Psicóloga pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e bolsista de aperfeiçoamento do CNPq.

Maria Emília Yamamoto é Psicóloga, Doutora em Psicobiologia pela Universidade Federal de São Paulo, Pós-Doutora pela University of Read-ing, (United Kingdom) e Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia e do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É bolsista de produtividade do CNPq.

 

 

Recebido em 23.04.99
Revisado em 05.06.99
Aceito em 09.08.99

 

 

1 Endereço para correspondência: Departamento de Psicologia, DEPSI/UFRN, Caixa Postal 1622, Cep 59078-970, Natal, RN.E-mail: ohy@uol.com.br.
2 Os autores agradecem o apoio institucional do CNPq, através dos processos n. 350602/97-2 (OHY) 520218/96-5 (OHY e CCS) e 350319/95-2 (MEY) e da PPPG/UFRN. Agradecimentos especiais à bolsista Keila S. Silva Diniz (PIBIC/CNPq/UFRN) pelo auxílio na fase de coleta de dados.
3 Endereço para correspondência: Departamento de Fisiologia; Base de Pesquisa Ecologia e Comportamento Animal. Endereço para correspondência: Setor de Psicobiologia, UFRN, Caixa Postal 1511, CEP 59078-970, Natal, RN. E-mail: eyamamot@uol.com.br.
4 De acordo com De Meis e Leta (1996), a participação brasileira, considerado o conjunto de trabalhos de todas as áreas do conhecimento publicadas em revistas indexadas pelo ISI apresentou uma evolução de 0,29% em 1981 para 0,34% em 1984 e 0,47% em 1989. A participação dos Estados Unidos, apenas para efeito comparativo, foi de 36,9% em 1981 e 1984 e de 35,1% em 1989.
5 Trata-se de um levantamento preliminar, que compilou 228 artigos referidos pelos docentes vinculados aos programas de pós-graduação strictu senso da área. No caso da Psicologia, o trabalho está sendo realizado conjuntamente pela CAPES e pela ANPEPP, e o resultado final deverá fazer parte do Sistema de Avaliação e Qualificação de Publicações.