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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.12 n.3 Porto Alegre  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721999000300009 

A instituição acadêmica e a legitimação da vocação científica da psicanálise

Jeferson Machado Pinto 1
Universidade Federal de Minas Gerais

 

 


Resumo
O artigo argumenta que a universidade deve assumir a função de legitimar a vocação científica da psicanálise. O objeto da psicanálise faz com que ela opere com um saber suposto e cabe à universidade demonstrar o saber envolvido na experiência. O trabalho alerta ainda para os riscos ideológicos do discurso universitário e sugere sua confrontação contínua pelo discurso analítico.

Palavras-chave: Ciência e Psicanálise, universidade e Psicanálise, discurso analítico, discurso acadêmico..

The Academic Institution and the Legitimation of the Scientific Vocation of Psychoanalysis

Abstract
The present paper argues that the University has the function to legitimize the scientific vocation of psychoanalysis. The subject of psychoanalysis requires that it operates based on a presumed knowledge. It is up to the University to demonstrate its validity. This paper also warns about the ideological risks of the academic discourse and suggests that such discourse should be confronted continually with the analytical discourse.

Keywords: Science and Psychoanalysis, university and Psychoanalysis, academic discourse, analytical discourse.

"O discurso da universidade é esclarecido por seu ‘progresso’ no discurso do analista" (Lacan, 1970).


 

 

O Problema

É curiosa a afirmação de Lacan de que podemos esclarecer o discurso universitário por seu progresso, entre aspas, no discurso do analista. As aspas, neste caso, podem revelar a ironia lacaniana, pois sabemos do seu horror ao discurso universitário. É, aliás, famoso o prefácio que ele escreveu para o livro de Anika Lemaire (Lacan, 1979), no qual discute as relações de seu trabalho com a universidade, através de um desdém característico:

"não podemos senão nos prender cada vez mais (ao discurso universitário), mesmo que seja acima de tudo para amaldiçoá-lo". (p.21)

No mesmo tom, Miller (1989) afirma:

"Simular saber, fazer a simulação do saber, é esta a impostura em que se apoia o discurso da universidade. E se compreende porque, por isso, o analista, mais que qualquer outro, está sujeito a aspirar a ele, me atrevo a dizê-lo, desesperadamente." (pp. 63-64)

O progresso a que se refere Lacan (1979) é aquele do giro, em sentido horário, na estrutura dos discursos, a partir do qual os elementos mudam de posição em ¼ de volta. De acordo com a sua teoria, existem quatro possibilidades discursivas formadas a partir de quatro elementos: S1 e S2, que caracterizam a linguagem, o sujeito ($) e o objeto a. Esses quatro elementos podem ocupar quatro lugares fixos: o lugar do agente do discurso; o lugar ocupado para o outro a quem o discurso é dirigido; o lugar da verdade e um produto final do discurso. A cada ¼ de volta realizado por esses elementos teremos uma configuração discursiva diferente formando as quatro organizações dos laços sociais possíveis: discurso do mestre, discurso da histérica, discurso do analista e discurso da universidade.

No caso da citação acima, a estrutura do discurso universitário, em sua teoria, está em progressão à configuração do discurso do analista. E em um giro imediatamente anterior ao discurso do analista está o discurso da ciência 2 . O fato de o discurso do analista estar colocado entre os outros dois pode refletir a posição de Lacan em relação a um programa para a psicanálise: mostrar que esta não se reduz a uma ciência (apesar de produzir saber) e descompletar o saber que se pretende agente da produção do sujeito. A psicanálise seria vista, então, como uma histérica. Pelo lado das ciências, por lhes mostrar como são impotentes; pelo lado do saber da universidade, como uma castradora….

Conseqüentemente, da maneira como Lacan o coloca, o "progresso" do discurso universitário significa atraso, pois o saber deslocado para a posição de agente do discurso, como prevê a fórmula lacaniana, serve de barreira ao objeto causa do desejo. E a colocação desse objeto como agente seria o fim precípuo de uma análise, enquanto o próprio saber seria o muro que impediria o surgimento do discurso do analista. Entende-se, assim, a aversão de Lacan às incidências do discurso universitário, principalmente na clínica psicanalítica. (Hoje, por exemplo, sabemos que a interpretação analítica não pode ser uma sabedoria ou mesmo uma decifração esclarecedora ).

É claro que Lacan estendia sua aversão à toda universalização, incluindo, é lógico, a universidade como instituição que tem a função de produzir e/ou recolher e transmitir os saberes produzidos pela cultura. Tal aversão se justifica, pois, ao "progredir" do discurso do analista para o universitário, o significante que ele chama de S1 - significante mestre que rege as identidades e aliena o sujeito - passa, no discurso universitário, a ocupar o lugar da verdade. De acordo a sua teoria, então, apenas o discurso do analista pode deslocar de lugar esse significante, de modo a torná-lo produto de uma análise.

Conclui-se, assim, que, para o discurso do analista, há uma perda (ou um excesso) tanto no discurso que lhe antecede - o da ciência - quanto no que lhe sucede - o da universidade. No primeiro caso, o sujeito produz um saber que não possui efeitos de verdade, pois não se trata de um saber construído a partir da causa de seu desejo. Já a perda no segundo caso é diferente. No discurso da universidade há sujeitos como produtos desse laço social, mas sujeitos uniformizados pelo saber universal que impede o acesso a uma forma particular de se posicionar como sujeito movido pela causa do desejo. A posição do discurso do analista entre os outros dois confere à psicanálise o lugar do discurso que opera com a perda inerente às outras situações.

O problema das relações entre a psicanálise e a universidade pode ser formulado de diversas maneiras. Em primeiro lugar, vejamos o seguinte: discurso da universidade e transmissão, por exemplo (da psicanálise ou outra disciplina qualquer), em uma instituição universitária, são a mesma coisa para Lacan? Antes de mais nada, já adianto que ele parece deixar a ambigüidade fluir intencionalmente para atingir tanto o uso do saber na clínica e no ensino de psicanálise, quanto para atingir a universidade enquanto "aparelho ideológico" do estado.

Em segundo lugar, haveria espaço para a psicanálise dentro da instituição universitária se há essa antinomia entre a psicanálise que busca o que é particular de cada sujeito, o saber que cada um constrói, e a universidade que pretende transmitir o saber universal já constituído? Ou seja, é correto falar em transmissão da psicanálise via universidade? Se a psicanálise se refere, como uma prática, ao particular, como formar psicanalistas? Se é impossível formar psicanalistas, qual o papel de cada uma das instituições em relação à psicanálise?

A própria palavra instituição já remete a algo sedimentado, instituído e não instituinte, como gostam de afirmar alguns. E como instituição já implica uma afiliação a um significante, a crítica não valeria também para todas as instituições psicanalíticas que procuram ensinar o saber produzido pelos mestres? Todas não teriam como função impedir o discurso do analista, já que não há possibilidade de evitar um saber que só é consistente porque se apóia em um significante organizador? Não é esse, em outros termos, o problema de Freud (1937/1969) em Análise Terminável e Interminável?

Em resumo, essas são as questões que fazem uma instituição trabalhar e não deixam de ser o tema constantemente recolocado pelo viés da formação (impossível) do analista. O presente trabalho procura defender a idéia de que a função da universidade, mais do que dar aulas de Freud ou Lacan, é não apenas manter como também legitimar a "vocação científica" da psicanálise 3 .

A Função da Universidade: Legitimar a Vocação Científica da Psicanálise

Apenas para dar uma idéia de como é difícil defender a inserção da psicanálise na pesquisa universitária, citarei um exemplo que, não faz muito tempo, tomou ares de escândalo nacional.

Em 16/03/97, o jornalista Marcelo Coelho publicou um artigo na Folha de São Paulo, no qual, de maneira elegante e demolidora, escrutinou uma tese de doutorado na área de Sociologia. Sua análise é impressionante, pois aponta as falhas óbvias do discurso universitário, falhas que esse mesmo discurso tem a pretensão de evitar: a pouca relação com o real, com a ênfase no rigor lingüístico em detrimento da consideração pelo objeto de estudo.

Quem leu o artigo deve se lembrar de um momento particularmente hilariante, se não fosse trágico, quando, ao comentar a generalidade do título, o jornalista diz que se o estudo se referisse ao dia-a-dia de uma borracharia de São Paulo, a tese acabaria por se denominar "O cotidiano de trabalhadores da periferia de uma metrópole". Isto é, um título vazio, sem referência a coisa nenhuma e com ares de trabalho inteligente.

Pois bem: como então desenvolver pesquisa em psicanálise em um ambiente tão fascinado pelo pedantismo do saber?

De fato, a pecha "academicismo" acaba por justificar os trabalhos realizados em uma torre de marfim, distantes da vida das pessoas. Na mesma Folha, dia 06/04/97, Mirian de Carvalho, poeta e ensaísta, comentava na coluna Opinião do Leitor: "Tal modelo (o oficial de redação) revela, na universidade, a presença dos piores aspectos da globalização no campo da pesquisa: tecnoburocracia, exigência de resultados a curto prazo, visão distorcida das ciências, que, nas teses se expressa pela minimização das ambigüidades lingüísticas do texto e pela ênfase na quantificação dos resultados, distribuição de bolsas de pesquisas privilegiando áreas condizentes com os objetivos da política educacional do governo. Objetividade. Pautando-se numa metodologia dita científica, todos são obrigados a escrever do mesmo modo; não se nota a presença do autor". A autora chama a atenção para algo que ela ainda considera mais grave. "Certos pós-graduandos e certos pesquisadores da área de ciências humanas inclinam-se a crer no mito da neutralidade científica. Assumem as máximas: Não me comprometa, não te comprometes. Meu texto não é poético, é científico". E conclui dizendo que "a universidade está expulsando seus poetas" ao pregar o ‘rigor lingüístico’ e ao não perceber o ‘discurso da razão monológica’, imposto pelas agências financiadoras".

Podemos então observar que, se as críticas são válidas para áreas cientificamente reconhecidas, as exigências se tornam mais complicadas para a psicanálise, dada a especificidade de sua interlocução com as ciências.

Considerando-se que as duas críticas estão cobertas de razão - uma enfatiza a técnica de redação enquanto a outra menciona o expurgo do autor em favor da objetividade - estamos, como psicanalistas, diante do paradoxo (já denunciado por Lacan em relação à própria transmissão da psicanálise) que emerge quando nos afastamos da situação de uma análise e passamos a teorizar sobre o que fazemos. Dito de outro modo, quanto mais objetivo, quanto maior o ‘rigor’ lingüístico, no sentido de se evitar mal-entendido e se aproximar de uma língua ideal, mais distantes do real. Principalmente do real que nos interessa como psicanalistas, o real do gozo de cada um, que se manifesta de modo inteiramente particular, mas que possui uma teoria incluída por Freud no campo das Ciências.

A universidade está, assim, tão distante da transmissão da psicanálise quanto as demais instituições profissionais. Isso se dá em qualquer situação na qual há um saber referencial colocado (estruturalmente) como agente da produção de profissionais (sujeitos). O saber teórico pode ser ensinado como os demais, isto é, contando com o discurso universitário que visa a produzir sujeitos mestres naquele saber sobre o objeto. Com a transmissão se dando, aí, ao nível do coletivo.

Para isto, no entanto, o professor se coloca como a encarnação do próprio sujeito suposto ao saber. O campo fica propício para a persuasão, a idealização, o amor civilizador emanado pelo líder etc., o que, obviamente, vai completamente de encontro aos fins éticos da psicanálise. A transmissão coletiva constitui, pois, um laço social que descaracteriza a particularidade da psicanálise. De onde se deduz que essa peculiaridade da psicanálise traz um grande problema não só para ela como também para a universidade e todas as outras instituições.

 

A Especificidade da Psicanálise

Talvez o maior problema para a Academia é que, em psicanálise, estamos tentando conhecer um objeto que é inconsciente, que não se deixa conhecer. É o ponto extremo da impossibilidade da harmonia do sujeito com o objeto, do saber absoluto. Trata-se de teorizar sobre o que não se deixa apreender.

No campo da prática, a invenção do psicanalista como um profissional que dirige uma situação em que o sujeito pode se confrontar com essa impossibilidade (caracterizando-se, assim, a própria castração) criou uma situação absolutamente sui generis: não se pode afirmar se tal profissional é um analista antes da própria situação de análise, pois cada caso deve ser conduzido de uma maneira que seja particularmente coerente com os fins daquela situação (de análise).

Ou seja: a formação teórica universal não garante em nada a direção de uma psicanálise. Só a posteriori de uma situação específica poderemos dizer se ela (a situação) é (foi) analítica. Quer isto dizer que os conceitos da teoria são fundamentais, mas não para dominar a realidade, pois isso é impossível. São, sim, necessários para proporcionar uma articulação discursiva que sustentaria o exercício daquela prática sobre o real. Eles não têm referentes empíricos observáveis, mas, dependendo de sua articulação, irão sustentar uma prática que pode ser completamente equivocada. A bandeira lacaniana do retorno a Freud, aliás, justificou-se exatamente por isso 4 .

Em outras palavras, não podemos falar do inconsciente a priori e, a rigor, não deveríamos nem ter a arrogância de falar de inconsciente fora da situação analítica. Para que se verifique seu efeito, é necessário que alguém se coloque em escuta de modo a criar sua realidade. Vou até além e penso que isso vale também para o desejo, a libido, a pulsão, a histeria etc.. Eles podem ser chamados de fundamentais na medida em que foram forjados para sustentar um discurso completamente diferente. Isto é, o discurso do analista se apóia no discurso da ciência mas visa exatamente o sujeito causado pelo seu desejo e não pelo saber da ciência referencial do analista.

Nesse sentido, a associação livre se assemelha a uma postura científica onde um sujeito se propõe a produzir um saber sobre si mesmo. Contudo, sabemos de antemão, como analistas, que o que quer que for produzido não dará conta de descrever quem é o sujeito. Não existe uma representação possível para o sujeito que está em posição de produzir o saber. Se a prática conseguir essa façanha, teremos de retificá-la. Tratar-se-ia de um reducionismo imaginário alcançar uma identidade que permitisse a esse sujeito uma coincidência consigo mesmo. A análise terá, então, que ultrapassar o resultado de uma associação livre, ou melhor, o sujeito deve, na associação livre, ser ultrapassado por essa verdade que o seu saber não consegue apreender.

Podemos afirmar que se trata de uma experiência que singulariza o sujeito, já que o faz se confrontar com a verdade que fala pelas suas palavras. Essa é a transmissão da psicanálise por excelência, pois a castração se realiza na língua natural de cada um que tenta dar sentido ao seu sofrimento. Dizemos, por isso mesmo, que o produto de uma análise é um psicanalista.

Vale insistir nesse aspecto: não se trata dos sujeitos iguais como exigem as regras da instituição universitária, pois esta não pode e nem deve se intrometer na causa do desejo de cada um. Ao contrário, na universidade, os sujeitos deverão ser iguais, uma vez que devem ter o mesmo saber para obter o diploma naquele assunto. O objeto de que trata a psicanálise é, então, o inconsciente revelado no real da língua.

Mas quando a questão é o objeto teórico, isto é, quando se trata de transmitir os conceitos que revelam como se dão os efeitos da verdade na experiência analítica, estamos, é claro, em uma outra situação, a qual, para se realizar, precisa exatamente que a verdade do inconsciente não se manifeste. É um saber sobre a verdade que se manifesta em outro lugar. Há, como diz Miller (1989), uma anti-patia entre as duas situações. A universidade privilegia o saber "que está ligado por uma coerência e por relações entre os significantes que comportam uma certa estabilidade", enquanto a situação analítica se interessa pelo ato falho, pelo equívoco, pela impossibilidade de dizer alguma coisa, pela perda inerente ao próprio procedimento.

E já que mencionamos o objeto teórico, como se dá a perda no discurso da ciência? Lacan (1966a) nos explica em seu texto A ciência e verdade que Freud, ao criar o inconsciente como objeto de uma disciplina científica, realizou uma redução do mundo empírico de modo a não ficar preso a cada ocorrência do fenômeno. Ele formulou o inconsciente como um objeto teórico que transcende as manifestações visíveis e permite um certo ângulo para entendê-las. Que implicações isso traz?

Vejamos: a redução imposta para a criação do objeto de uma disciplina cria uma outra imposição (inerente à própria constituição da ciência): a de estarmos afastados do real. Há uma perda imposta pelo recorte da definição do objeto. Lidamos com uma realidade mediada, interpretada, constituída e somente compreendida porque a fazemos existir como linguagem codificada através da própria linguagem. A literalização, as fórmulas científicas, criam um mundo ideal, teórico, distante do mundo empírico. Ou alguém já testemunhou um corpo em movimento ad infinitum como postula a lei da inércia? (Freire, 1996, p.27). Ou mesmo um plano inclinado sem atrito que caiba direitinho na fórmula?

Assim, ao se fazer essa redução do mundo empírico - criar um objeto de estudo e tratar a realidade daí derivada segundo nossa possibilidade de representá-la através de uma teoria -, criamos um procedimento de eliminação da causa do desejo do sujeito. O objeto e a linguagem utilizados devem colocar a causa do desejo do sujeito sob reserva. Com esse procedimento, passamos a ter certeza no saber produzido, principalmente depois que outros replicaram os estudos e confirmaram ou não nossa certeza. Há um saber que fala por nós e passa a decidir sobre os nossos próximos passos. O sujeito é eliminado e o saber passa a ser certo. A certeza buscada é tão absoluta que, dependendo da constituição psíquica, digamos assim, do cientista, ele sofrerá crises imensas, de acordo com o grau de crise que sua ciência estará atravessando.

Em síntese, na atividade científica, quanto mais longe o real do sujeito, melhor. Quanto mais precisas as regras, mais objetiva será a pesquisa. (Isso quer dizer apenas que obtive como resposta uma realidade coerente com a minha pergunta). O saber fica objetivado, pois a mística, a magia e as interpretações ficam eliminadas. E o sujeito, como já dissemos, só aparecerá na cadeia de significantes do discurso da ciência como falta. Essa é, portanto, a perda maior de qualquer empreendimento científico. E o preço pago serão os atos falhos reveladores da exclusão do sujeito que freqüentemente acabam por estremecer a consistência dos achados científicos.

Porém, a psicanálise só se sustentou até hoje, em um mundo tão objetivante, porque Freud era um cientista. Ele formulou o inconsciente como um objeto de estudo, o que, até então, era inimaginável. Não aceitou o pressuposto da autonomia da consciência, que impunha a conseqüência errônea de que tudo que não era consciente era fisiológico. Questionou a mestria dos significantes da época - lesão, consciência - e fundou um novo discurso sobre a histeria. Freud pôde demonstrar assim que, dependendo de uma formulação teórica coerente, muitos fenômenos adquiririam inteligibilidade, mantendo-se o que ele chamou de nível psicológico. Foi, então, que ele pôde criar aquela rede de conceitos para permitir caracterizar o modo de incidência do inconsciente.

De qualquer modo, deve-se dizer que a psicanálise tem uma relação de dependência com o discurso da ciência. Ela se apóia, em sua vertente científica, em um objeto e em uma estrutura teórica, mas suas finalidades extrapolam os limites da ciência. A verdade para a psicanálise não é, então, a do aparato simbólico construído, mas exatamente a impossibilidade de o sujeito se representar nesse saber, seja na pesquisa clássica ou na associação livre.

Não é sem motivo que a especificidade da psicanálise faz com que nossos pares - físicos, químicos, filósofos - tragam questões difíceis de ser respondidas. Por exemplo: o saber que interessa à psicanálise - sobre a posição do sujeito em relação à causa de seu desejo - não seria contraditório com o pretendido em uma universidade? Seria possível, na Academia, manter a vocação científica da psicanálise e preencher as lacunas de sua produção com a presença do sujeito? Mais: a marca dessa presença não torna os relatos psicanalíticos muito pessoais? Todos os analistas vivem citando Freud, como se ele fosse o fundador de uma religião, porque a psicanálise não é uma ciência cumulativa?

As perguntas continuariam: se a psicanálise não acumula dados, não estaria tendo uma postura parasitária de ficar apenas denunciando onde a ciência oficial - e ela mesma - fracassam? Que ciência é essa cujo "progresso" se resume a recolocar seus problemas de um modo sempre diferente? Se seu objeto depende de interpretação, significa que não é uma ciência objetiva?

Pois bem: toda atividade científica impõe um método que revela a natureza do objeto. No caso da psicanálise, a comunhão entre método e objeto é tão grande a ponto de Freud afirmar que os limites da compreensão do funcionamento psíquico dependeriam do grau de compreensão do método, ou seja, da interpretação. E é isso que o analista faz o tempo todo: esmiuçar continuamente o que significa interpretar. Os efeitos da interpretação elucidam a natureza do objeto - o inconsciente - e explicitam o impacto do retorno do real nesse objeto constituído.

E é importante que o analista mostre o valor dos dados obtidos em suas pesquisas e reivindique a legitimidade desse trabalho, porque não existe um manual universal, chamado A Ciência, válido para todos os campos do saber. Geralmente, a tendência é a de eliminar a angústia jogando-se fora a psicanálise. Nós, ao contrário, achamos que a pesquisa em psicanálise deve não apenas ser inserida como um campo de investigação na universidade como deve ser legitimada. Ela deve ser ali encaixada como um saber, exatamente por suas peculiaridades. Como uma teoria, a psicanálise pode ser ensinada como as outras, embora particularmente considere que a perda é enorme se pensarmos na verdadeira transmissão como a que ocorre uma situação particular de análise. O problema, de fato, continua sendo o da verdade do inconsciente, que só se manifesta quando alguém fala e um outro o escuta.

 

A Pesquisa em Psicanálise

A pesquisa em psicanálise envolve, de modo grosseiro, dois momentos. O primeiro, praticamente vedado aos estudantes universitários, é o da pesquisa na situação clínica, já que ali não se trata de aplicação. O segundo é o da pesquisa teórica que visa a refazer a montagem do aparato conceitual construído, para que haja alguma inteligibilidade do objeto.

A primeira, a clínica, como define Garcia-Roza (1994), "não (se) trata de uma prática reveladora de uma verdade já contida no inconsciente do analisando ou no saber do analista: ambos, analista e analisando são pesquisadores-produtores dessa verdade" (p.10), cada um com seu papel bem específico 5 . O saber teórico sustenta essa prática, mas não determina o ato analítico porque não é possível saber de antemão sobre o inconsciente daquele sujeito singular. A mediação simbólica entre os dois - analista e analisando - é então assumida para que surja a dimensão da transferência.

O analisando é assim colocado em trabalho de transferência, o que permite ao analista interpretar (não entramos aqui no mérito de como ele interpreta, já que este é um outro problema). O analista faz com que o analisando não seja tão cientista e funda, com cada paciente, uma prática onde a verdade pode falar. Isso, é claro, continuo insistindo, se o analista não resistir ao horror da castração e se colocar como um técnico que aplica o saber de sua referência teórica.

Uma variante desse primeiro momento é a da pesquisa empírica, utilizando-se o referencial da psicanálise. Aqui o trabalho parte do método comum de fazer pesquisa científica, utilizando-se a escuta para detectar a presença do inconsciente na fala. Essa verdade, assim recolhida, permite fazer uma teoria universal e, ao mesmo tempo, demonstrar como cada um pode fazê-la fracassar. É o método clínico de pesquisa sem a intervenção analítica que visa retificar a posição do sujeito em relação ao seu inconsciente.

No segundo momento, o de teorizar, seja sobre os dados escutados seja sobre a construção da própria teoria, é o analista que será colocado em transferência. É um trabalho no qual o pesquisador será movido pelas lacunas e o texto funciona como um analista para que o pesquisador se defronte com suas resistências em ouvir os relatos. Ao ser incitado, pelas lacunas do texto, a fazer as perguntas, ele constata que nelas, nas perguntas, é que está a verdade. A verdade está na questão e não na resposta.

Todo pesquisador em psicanálise acaba por fazer o percurso de Freud, porque tem de se perguntar por que teoriza daquela forma e não de outra. Pode, assim, identificar como a teoria recalca algumas questões e favorece outras, como se fosse a solução de compromisso possível naquele instante. Ao mesmo tempo, procura "fazer trabalhar" a rede de conceitos para que ela melhor caracterize como um texto escamoteia as maneiras de indicar o aparecimento da verdade.

Embora não exista o propósito de psicanalizar o pesquisador, a transferência ao texto acaba por revelar um pouco dele, seja Freud ou qualquer um de nós. É sempre no retorno a um grande Outro, Freud, Lacan ou Winnicott, que identificamos nossa transferência e o que isso implica no sentido de nossa resistência à verdade da castração. É o trabalho com o simbólico levado às últimas conseqüências: desvelar como até mesmo uma teoria pode funcionar como um mecanismo de defesa para o pesquisador, embora este não deva ser o relato final de um trabalho. O objetivo é a construção teórica que melhor signifique a realidade do objeto.

Esse segundo momento pode ou não ser independente do primeiro. Temos alunos que se encaixam melhor em uma ou outra etapa da pesquisa analítica e passam a ser críticos em relação aos trabalhos realizados. Além disso, a pesquisa em diversos temas é um meio de ampliar o questionamento da psicanálise e contribuir para que ela se renove diante de cada problema.

Concluindo, acredito que são essas as grandes frentes que podemos usar como recursos na universidade de modo a confrontar os estudantes com o poder do significante em cristalizar realidades e estabelecer identidades aparentemente inabaláveis. Esse significante é chamado de mestre exatamente por sustentar um saber que se apresenta como inequívoco. É essa determinação do significante que a pesquisa deve desdobrar para que o trabalho de análise continue.

 

Conclusão

A partir desse ponto de vista, o trabalho universitário é, então, aquele que se dedica a reconstruir e a examinar o valor das proposições teóricas colocadas acerca da prática analítica. Os grandes mestres, Freud, Lacan, Althusser, Melanie Klein etc., trazem essas proposições, produzindo objetos de trabalho, sem necessariamente explicitar os passos envolvidos em seus desenvolvimentos teóricos.

Quando Lacan(1969-1970/1991), por exemplo, introduz em psicanálise a noção de sujeito, coloca um ponto de atrito entre aquela e a filosofia, o qual ainda não foi suficientemente explorado. Como explicar que o sujeito exigido pela psicanálise não poderia ser aquele consciencialista, substantivado, único, representado? Lacan deixou-o apenas como efeito da articulação significante, sugerindo sua multiplicidade e convocando-o a sair da indeterminação por um ato que anteciparia sua certeza para sempre eludida. Ao proceder assim, esse sujeito estaria vinculado à causa de seu desejo e demonstraria, com aquele ato, a sua verdade. Essa, porém, como já dissemos, é uma tarefa do discurso do analista, não cabendo a nenhuma instituição fazer essa produção. Todavia, como demonstrá-lo de acordo com as exigências universitárias?

As implicações das afirmações psicanalíticas são tão amplas que a maioria dos filósofos consideram-nas verdadeiros absurdos. E nossos mestres fizeram suas deduções a partir de uma análise rigorosa do texto de Freud e chegam a nos convencer, em um número razoável de casos, que tudo já estava realmente posto nos escritos freudianos. Contudo, enquanto as instituições psicanalíticas tendem a estudar essa formalização que os mestres nos proporcionam e a defender dogmaticamente suas teorias, cabe à universidade demonstrar os passos mediadores envolvidos em cada afirmação. Como um centro que visa a legitimar o saber, a universidade não pode se dar por satisfeita com a repetição da doutrina.

O trabalho acadêmico deve levar, portanto, a interrogação teórica até um ponto de obstáculo ou até um certo ponto onde um obstáculo seja vislumbrado. Esse ideal científico há de estar no horizonte. Para tanto, é necessário sustentar a interrogação com suficiente número de casos e exemplos para que a generalização científica não seja apressada, isto é, ideológica.

Tal questão pode ser observada hoje em grande escala na propagação das neurociências, por exemplo. A indústria cria um objeto-droga (Prozac ou outro qualquer) que, ao ser colocado como um Outro a quem o saber médico pode se dirigir, termina por dar valor de verdade à idéia de que a oscilação de humor seja devida a um gen. A partir daí, o gen passa a ser um significante poderoso, sustentando essa aplicação do saber que produz, como resultado mais marcante na cultura, a recuperação do prestígio do médico diante das doenças mentais. E o resultado da articulação desses elementos é a produção de um sujeito totalmente identificado a esse saber. Ou seja, os médicos voltam a se sentir mais médicos, menos oprimidos pela militância psicanalítica no campo da saúde mental.

Essa moldura é característica do discurso universitário que não interroga a mestria dos significantes e se limita a aceitar a sua determinação. A atitude científica a que nos estamos propondo é a indicada pela existência do discurso do analista: a de abrir o poder do significante até um ponto em que essa mestria possa ser ao menos vislumbrada.

No campo do exemplo citado, não se admite, é claro, a idéia da ciência como ideologia da exclusão do sujeito. O reducionismo das argumentações tem sido tão flagrante que muitos expoentes desse ramo científico têm saído em defesa de outras determinações - sociais, psicológicas - para as doenças mentais, justamente para preservar seu campo científico e torná-lo respeitável. E se há uma recusa em levar a interrogação até aquele ponto de obstáculo, as afirmações se tornam slogans ideológicos.

No caso em questão, o discurso universitário sustenta o que Allouch ( 1994) chamou, magnificamente, de "solidariedade" entre o texto científico e "a ação mágica do objeto que a ciência pretende introduzir". Isto é, há aí uma "cegueira ideológica camuflada no aparato conceitual" (p.56), conclui ele, vindo a favor das considerações do jornalista Marcelo Coelho (1997) anteriormente mencionadas.

Quanto à psicanálise, a incidência do discurso universitário na clínica torna-se perversa, pois além de não levar a análise até ao seu obstáculo, ela passa a persuadir o analisando a partir do saber do analista. O sujeito saberá tudo sobre seu fantasma, terá o gozo nomeado, mas viverá fantasmaticamente.

Desse modo, a complicação do discurso universitário é ser ele voltado para o universal, um saber replicado e, por isso mesmo, sabido. Já o discurso analítico é particularizado, construído por um sujeito. Como tal, não é sabido porque é exatamente de um. Esse um sabe explicar, por exemplo, no caso da depressão, suas variações de humor e até os efeitos variáveis de um mesmo medicamento. Ele sabe que ali há sujeito. No discurso universitário o saber já está constituído e, se levado para a clínica, servirá de barreira para a emergência da verdade daquele sujeito particular. Por outro lado, é aí também que reside seu grande fascínio: o de garantir uma identidade arduamente almejada principalmente pelos analistas...

Paradoxalmente, no entanto, a universidade pode estar em uma posição mais privilegiada que as demais instituições na luta contra os efeitos "tóxicos" do saber. Não é à toa que Lacan fundou, em 1976, o Departamento de Psicanálise de Paris VIII, com o intuito de "estimular a Escola, servir-lhe de aguilhão". A meu ver, nossa universidade está muito longe disso, mas uma de suas possíveis aguilhadas pode ser contra essa "intoxicação" pelo saber.

Enfim, dizendo de outro modo, em um trabalho acadêmico, a "mania" deve ser esvaziada em função do rigor que explicita as mediações do pensamento.

Para alcançar tal objetivo, isto é, para "manter a vocação científica da psicanálise", a estratégia que temos tentado adotar é a de aprimorar a delimitação de um problema de pesquisa ou uma indagação que questiona afirmações tomadas como verdades. Com isso, pretendemos evitar a todo custo o apego a uma citação desenfreada ou a demonstração de sabedoria. Tentamos esvaziar o narcisismo (nosso e de nossos alunos) a favor da castração, privilegiando uma construção sustentada pela questão norteadora do estudo. Acreditamos que será essa questão que irá desencadear uma transferência em relação aos textos e ao tema de investigação, pois a formalização muito acabada e freqüentemente enigmática do Outro acaba cedendo lugar ao exercício do próprio autor. A partir da clareza da questão, o campo da abrangência do significante poderá ser mais bem delimitado.

A universidade tem, em resumo, um papel específico em relação à inserção da psicanálise na cultura. Certamente, a maneira como os professores irão provocar uma transmissão dependerá da maneira como saíram das próprias análises. Acredito que seja essa a condição para que a consistência do discurso universitário, que é sempre imaginária, possa ser esvaziada pelo confronto com o discurso do analista.

 

1 Endereço para correspondência: Rua Levindo Lopes 333, sala 410, CEP 30140-170, Belo Horizonte, MG - Fone: (31) 297.3427, Fax: (31) 297.4832 - E-mail: jeferson@gold.com.br

2 A quase homologia entre o discurso da histérica e a ciência foi apontada por Lacan, em Radiophonie, texto publicado em 1970, em dois momentos de modo muito claro: "Mais à inscrire la science au registre du discours hysterique, je laisse entendre plus que je n’en ai dit" (p. 83) e também "Si paradoxale qu’en soit l’assertion, la science prend ses élans du discours de l’hysterique." (p.85)

3 "Uma universidade é um lugar onde o saber é ensinado acima de todas as diferenças de religiões e nações, onde a investigação (pesquisa) é conduzida, e que se destina a mostrar à humanidade a que amplitude ela pode compreender o mundo a seu redor, e até onde pode controlá-lo." (Freud, 1925/1967, p.365)

4 Como afirma Lacan (1996b), em "Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise", "a técnica não pode ser compreendida, nem portanto corretamente aplicada, se se desconhece os conceitos que a fundam (...) Esses conceitos não tomam seu sentido pleno senão ao se orientarem no campo da linguagem, senão ao se ordenarem à função da fala". (p.226)

5 Por isso, a verdade que a psicanálise busca não é a da regularidade dos dados nem a das leis que os saberes enunciam, mas a do sujeito barrado pela linguagem, seja ela a científica ou a ordinária (a da língua pátria), mas revelada na transferência. Se vocês me permitem, e também o Professor Luis Alfredo Garcia-Roza, vou extrapolar uma afirmação sua e fazer uma generalização que temo ser grosseira. Ele afirma que "toda a verdadeira pesquisa é psicanalítica" e eu concluo daí que, por mais objetivos que sejam os dados produzidos em um certo momento, na mais pretensa assepsia científica, eles revelam também um sinthoma do sujeito. Não aquele sintoma que demanda uma análise, um trabalho de transferência e, sim, uma transferência de trabalho. Nossos grandes teóricos nos transferem trabalho para que façamos as perguntas necessárias para o avanço da teoria. Nesse sentido, qualquer produção revela o estilo com que o sujeito lida com suas questões inconscientes (ver Pinto, 1990).

 

 

Referências

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Miller, J. A. (1989). Teoria de la lengua. Matemas I. Buenos Aires, Ediciones Manantial.        [ Links ]

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Recebido em 18.01.99
Revisado em 10.04.99
Aceito em 09.05.99

 

 

Sobre o autor:

Jeferson Machado Pinto é professor adjunto do Departamento de Psicologia da UFMG onde leciona disciplinas de graduação e pós-graduação na área de Psicanálise. Obteve o título de Doutor pelo Instituto de Psicologia da USP e fez estágio de pós-doutorado no Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade. É psicanalista em Belo Horizonte.