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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.14 no.3 Porto Alegre  2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722001000300001 

Editorial

 

 

Os processos de avaliação de pesquisadores, bolsistas e programas de Pós-Graduação no Brasil baseiam-se na produção e disseminação dos conhecimentos obtidos em pesquisas científicas. Os indicadores de produção considerados por agências de fomento são levantados pelo número e qualidade dos artigos em periódicos; trabalhos em congressos; livros e capítulos; e, dissertações e teses. Artigos em periódicos recebem distinção por serem o indicador mais arbitrado por pares.

A tradição na Psicologia brasileira demonstra que as revistas estão ligadas aos programas de Pós-Graduação, que garantem infraestrutura, recursos humanos e orçamentários mínimos para a viabilização do periódico. No entanto, em alguns casos, exigem que seja privilegiado o escoamento da produção local. O processo editorial pode sofrer, também, influência da afinidade dos envolvidos na revista. Agências de fomento, no entanto, têm sugerido que as revistas associem-se às sociedades científicas, possibilitando a profissionalização e a ampliação de conteúdos e de circulação (autoria, consultoria, distribuição e disseminação).

Os procedimentos editoriais, no entanto, variam de um periódico para outro, desde as normas para submissão, até os procedimentos de revisão das provas gráficas, passando pela revisão dos pares (peer review). Tal revisão é considerada como o principal aspecto para garantia da qualidade da produção, auxiliando os autores, pela revisão crítica construtiva de revisores.

Ao lidar com a comunidade científica, a experiência do editor envolve desafios e dilemas. No Brasil, a comunidade científica em Psicologia é consideravelmente pequena, permitindo que mesmo manuscritos anônimos sejam facilmente reconhecidos. O editor é o responsável pelo planejamento, execução e acompanhamento do processo editorial e deve: estabelecer parâmetros de qualidade operacional, gráfica, de revisão e de distribuição para a realização e divulgação da produção científica da área publicada em sua revista; criar mecanismos para viabilizar a manutenção e execução de seu periódico; incrementar a qualidade do periódico pelo qual é responsável, consolidando assim as áreas de pesquisa no país; capacitar a comunidade de autores e consultores para a análise e produção de ciência de melhor qualidade na área.

Procedimentos editoriais devem respeitar preceitos éticos e, também, levar em conta a organização da comunidade científica na área. O processo de encaminhamento e acompanhamento do manuscrito para análise deve garantir a manutenção da regularidade e da atualidade do periódico. A comunicação entre autores, revisores e conselho editorial fica ao encargo do editor, ao receber pareceres e versões reformuladas dos textos. A produção final da publicação também precisa ser acompanhada pelo editor. A produção de um periódico científico não é um trabalho isolado, e não deve ser solitário. A importância da atuação da comunidade científica da área é fundamental. Autores, consultores, conselheiros, comissões editoriais, revisores, editores associados e editores-chefes formam um time para garantir a melhor realização de um periódico científico.

Novas habilidades têm sido exigidas ao editor no terceiro milênio, especialmente devido às demandas de melhoria dos periódicos, apontadas pelas avaliações da área. O editor deve acompanhar as freqüentes mudanças, preservando a qualidade, atualização e a adequação da informação científica a ser disponibilizada.

Baseada nesta política de atuação, nossa Psicologia: Reflexão e Crítica lança mais um número, acreditando em sua participação e contribuição para a melhoria da qualidade científica da Psicologia no Brasil. Cada um dos números editado marca pela relevância histórica, científica e social imbricada na ciência.

 

Sílvia Helena Koller
Editora