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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.15 no.1 Porto Alegre  2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722002000100002 

Estilos Parentais Autoritário e Democrático-Recíproco Intergeracionais, Conflito Conjugal e Comportamentos de Externalização e Internalização

 

Ebenézer A. de Oliveira 1
Malone College, USA
Angela H. Marin
Fábio B. Pires
Giana B. Frizzo
Tiago Ravanello
Caroline Rossato
Universidade Federal de Santa Maria

 

 


Resumo
Modelos mediativos de risco e proteção foram testados, para prever longitudinalmente comportamentos de externalização e internalização infantis, a partir de uma atitude conjugal conflituosa e de estilos parentais intergeracionais autoritário vs. democrático-recíproco. Proveniente de duas escolas particulares e uma pública, a amostra contou com 25 meninas e 25 meninos de 4 e 5 anos, e suas respectivas mães. Correlações bivariadas de Pearson e regressões múltiplas indicaram a presença de transmissão intergeracional do estilo autoritário, mas não do democrático-recíproco, mediada por uma atitude conjugal conflituosa. O estilo autoritário materno previu tanto externalização como internalização, enquanto a atitude conjugal conflituosa previu apenas externalização. Embora significativo, o modelo aditivo não gerou efeitos longitudinais significativos de cada fator sobre externalização. Mas, ao se levar em conta a relação entre o estilo autoritário e a atitude conjugal conflituosa, efeitos principais foram encontrados para ambos os fatores. A obtenção de resultados significativos apenas no modelo de risco é considerada sob os pontos de vista teórico e metodológico.
Palavras-chave: Mediação; risco; proteção; estilos parentais; transmissão intergeracional.

Intergenerational Authoritarian and Authoritative Parenting Styles, Marital Conflict, and Externalizing and Internalizing Behaviors

Abstract
Mediational models of risk and protection were tested to predict longitudinally both externalizing and internalizing behaviors in young children, with conflicted marital attitude and transgenerational, authoritarian vs. authoritative parenting as predictors. Drawn from two private and one public schools, the sample consisted of 25 boys and 25 girls with 4 and 5 years of age, and their respective mothers. Bivariate Pearson correlations and multiple regressions showed intergenerational transmission for the authoritarian style, but not for the authoritative style, mediated by a conflicted attitude toward marriage. The maternal authoritarian style predicted both externalizing and internalizing behaviors, whereas the conflicted marital attitude predicted only externalizing behavior. Although significant, the additive model did not yield significant effects for each factor on externalizing behavior. But when the relation between authoritarian parenting and conflicted marital attitude were taken into account, significant main effects were found for both factors on externalizing behavior. The finding of significant results only in the risk model is discussed from both theoretical and methodological standpoints.
Keywords: Mediation; risk; protection; parenting styles; intergenerational transmission.


 

 

Na literatura vigente, estilo parental é o conjunto de atitudes dos pais para com a criança, o qual define o clima emocional em que se expressam as várias práticas parentais (Darling & Steinberg, 1993). Enquanto as práticas parentais (comportamentos socializadores, como disciplina, apoio, e comportamentos interativos pais-criança) variam entre situações, acredita-se que os estilos parentais sejam relativamente "independentes de um contexto específico de socialização e se evidenciem numa ampla variedade de interações entre pais e filhos" (Keith & Christensen, 1997, p. 559). Assim, as relações entre os estilos e as atitudes e práticas parentais aproximam-se daquelas existentes entre o construto mais global da personalidade e as atitudes e comportamentos específicos do indivíduo, na teoria de Allport (Hall & Lindzey, 1957).

O estudo sistemático dos estilos parentais autoritário vs. democrático-recíproco2 como fatores de risco e proteção, respectivamente, remonta à pesquisa pioneira de Baldwin (1949), no Fels Institute, em Ohio, Estados Unidos. Baseado no trabalho de Lewin, Lippitt e White (1939), sobre estilos de liderança de grupo, Baldwin caracterizou o estilo parental democrático-recíproco pela tentativa amistosa de envolver ativamente a criança no processo decisório familiar, conforme o nível de desenvolvimento da criança. Já o estilo parental autoritário foi por este autor definido como invariavelmente impositivo e hostil ou insensível aos interesses e vontades da criança.

Baumrind (1971) retomou essa linha de pesquisa e, através da análise de conglomerados (cluster analysis) de dados observacionais e de atitudes auto-relatadas dos pais, acrescentou mais um estilo parental: o permissivo. Este estilo parental compreende a falta tanto de controle como de expectativas de uma conduta madura da criança. Contudo, conforme Baumrind admitiu, "as realidades empíricas requereram várias modificações nas definições operacionais dos padrões correspondendo mais de perto à definição prototípica dos pais permissivos" (p. 23), pois nenhum dos pais se enquadrava perfeitamente nessa classificação. Posteriormente, Maccoby e Martin (1983) desdobraram o estilo parental permissivo em negligente e indulgente, diferenciando-os pelo maior nível de envolvimento parental do segundo em relação ao primeiro.

As referidas pesquisas apontam para o estilo democrático-recíproco como catalisador do desenvolvimento da criança pré-escolar, em contraste com os demais estilos parentais, que acarretam risco desenvolvimental, especialmente quanto à conduta independente e empreendedora de meninas e a responsabilidade social (colaboração, receptividade, sensibilidade aos outros) de meninos (Mussen, Conger, Kagan & Huston, 1995). Contudo, algumas pesquisas apontam para efeitos diferenciados entre contextos culturais distintos. Por exemplo, o estilo autoritário, que é considerado disfuncional em amostras anglo-saxônicas, parece promover o auto-controle e a assertividade em meninas afro-americanas (Baumrind, 1972) e a inibição em crianças chinesas (Chen e cols., 1998), refletindo alvos pró-sociais dessas culturas.

Uma outra questão que vem sendo recentemente explorada na literatura é a transmissão intergeracional da parentagem. Recentemente, um rico cabedal de conhecimentos empiricamente embasados tem-se acumulado sobre a transmissão entre gerações de práticas parentais abusivas (Kaufman & Zigler, 1989; Simons, Whitbeck, Conger, Chyi-In, 1991) ou punitivas (Muller, Hunter & Stollak, 1995) e de atitudes parentais de rejeição (Lundberg, Perris, Schlette & Adolfsson, 2000; Whitbeck e cols., 1992). Conquanto o estilo autoritário englobe algumas dessas práticas e atitudes já investigadas, ainda não há evidência da intergeracionalidade do autoritarismo, enquanto estilo parental. Tampouco se tem pesquisado sobre a possível continuidade intergeracional do estilo parental democrático-recíproco, já que a literatura mantém seu enfoque na transmissão de risco, com pouca atenção para a proteção, embora se reconheça que o ciclo intergeracional é probabilístico, não determinista (Oliveira, 1998; Rutter, 1998).

Entre as poucas exceções, destaca-se o estudo de Belsky, Youngblade e Pensky (1990), em que a qualidade da relação conjugal se apresentou como um importante fator de proteção para mães cuja infância houvera sido marcada pela rejeição e falta de apoio parentais. Nesse estudo, lembranças de rejeição e falta de apoio vivenciados na infância refletiram negativamente na emocionalidade materna para com a criança, quando a qualidade conjugal era também percebida como pouco positiva. Mas, quando a qualidade conjugal era percebida como muito positiva, as lembranças de rejeição ou falta de apoio não refletiram na emocionalidade materna atual. Tais observações sobre efeitos moderadores deixam em aberto o possível papel mediador que as atitudes de uma mãe sobre sua relação conjugal podem também exercer no ciclo intergeracional. Pois, é preciso que se saiba não apenas quando, mas, principalmente, como um determinado estilo parental prenuncia reincidente risco ou proteção na segunda geração, que por sua vez reflete no desenvolvimento social da criança, na terceira geração (Oliveira, 1998, 2000b; Patterson, 1998). É possível que a experiência de criação autoritária aumente a chance de uma mãe repetir esse estilo parental na medida que suas próprias atitudes conjugais se tornam mais hostis e conflituosas.

No presente estudo, comparamos os efeitos longitudinais dos estilos parentais autoritário vs. democrático-recíproco de mães e avós maternas sobre duas classes de comportamentos infantis: externalização e internalização. Além de terem sido mais nitidamente operacionalizados por Baumrind (1971), os dois estilos parentais aqui enfocados parecem especialmente relevantes na fase pré-escolar, em que a criança toma gradualmente para si a regulação externa do adulto (Baldwin, 1949; Bear, Telzrow & Oliveira, 1997; Crockenberg & Litman, 1990; Kopp, 1987), ao contrário do estilo parental permissivo, cuja freqüência e relevância desenvolvimental se acentuam a partir da pré-adolescência (Maccoby, 1994; Pacheco, Teixeira e Gomes, 1999).

Os critérios desenvolvimentais aqui adotados representam classes empiricamente derivadas de comportamentos infantis descontrolados (exemplos de externalização: agressão verbal ou física, destruição de objetos, mentira, etc.) e excessivamente controlados (exemplos de internalização: retração social, ansiedade, depressão; Achenbach, 1991). Na literatura, medidas de externalização e/ou internalização vêm sendo cada vez mais usadas para determinar o grau de dificuldade no desenvolvimento social (Alvarenga, 2000; Maggi & Piccinini, 1998; Oliveira, 2000a). Esperávamos que o estilo autoritário se relacionasse positivamente com os comportamentos de externalização e de internalização, e que o estilo democrático-recíproco se relacionasse negativamente com essas mesmas variáveis-critério, ao longo de 10 meses. O período de quase um ano a partir da data da primeira coleta inicial dos dados (9 de Junho de 1998) correspondeu à transição para a escola, fase que Barth e Parke (1993) apresentam como sendo especialmente crítica para o ajuste social da criança, que precisa se enquadrar num regime mais estruturado do que aquele da pré-escola.

Testamos, ainda, neste estudo, a hipótese da transmissão intergeracional dos estilos parentais autoritário e democrático-recíproco através de modelos longitudinais de risco e proteção, respectivamente. Apesar do caráter um tanto exploratório dessa parte da pesquisa, partimos dos seguintes modelos hipotéticos de mediação:

Nota-se, em ambos os modelos, o papel mediador que a variável atitude conjugal conflituosa exerce no ciclo intergeracional dos estilos parentais. Presumivelmente, quanto mais a mãe percebe sua história de criação como tendo sido autoritária, maior a sua chance de desenvolver uma atitude conjugal conflituosa, o que por sua vez reflete num maior autoritarismo materno para com a criança pequena (Figura 1). E quanto mais acentuada a percepção de um estilo parental democrático-recíproco na família de origem, menor a chance de uma atitude conjugal conflituosa, o que, por sua vez, promove um estilo parental democrático-recíproco reincidente na família de procriação (Figura 2). Ambos os estilos parentais da mãe também assumem um papel mediador, quanto às predições longitudinais dos comportamentos de externalização e internalização a partir de atitudes conjugais conflituosas.

 

 

 

 

Método

Participantes

Participaram deste estudo 25 meninos e 25 meninas de 4 e 5 anos de idade e suas respectivas mães. Na coleta inicial dos dados, a média das idades das crianças era 5 anos e 3 meses (DP=6,83), e a média das idades das mães era 35 anos (DP=6,69). A amostra proveio de uma amostra maior que vem participando de um projeto de pesquisa integrado mais amplo, e foi recrutada através dos centros de educação infantil de dois colégios particulares (n=33) e um colégio estadual (n=17), em Santa Maria, RS. Como a maioria dos participantes era de colégios particulares, o nível sócio-econômico era médio (renda familiar média entre 10 e 14 salários mínimos; tamanho médio das famílias=4). Somente uma mãe informou que seu filho recebia acompanhamento psicopedagógico, mas sem especificação dos motivos.

 

Medidas

Estilos parentais da avó materna. Para medir os estilos autoritário e democrático-recíproco das avós maternas, foram usadas, respectivamente, as subescalas Autoritarismo (Authoritarianism) e Democracia (Authoritativeness) do Parental Authority Questionnaire (PAQ; Buri, 1991), traduzidas para o português pelo primeiro autor. Um instrumento quantitativo desenvolvido com base nos protótipos de Baumrind (1971), o PAQ inclui, além das subescalas aqui utilizadas, uma terceira subescala, relativa ao permissivismo. Cada subescala contém 10 itens descritivos da mãe do respondente, ancorados em 5 pontos (1=discordo absolutamente; 5=concordo absolutamente). Exemplos dos itens de Autoritarismo são: "Quando eu estava crescendo, minha mãe não permitia que eu questionasse qualquer decisão que ela tomasse"; e "Minha mãe sempre achava que os pais deveriam usar mais força para levar os filhos a se comportarem como devem." Exemplos de itens da subescala Democracia são: "Minha mãe sempre encorajava o diálogo e a negociação quando eu sentia que certas normas ou restrições na nossa família não faziam sentido, ou eram injustas"; e "Quando eu era pequena, se minha mãe fizesse uma decisão injusta que me magoasse, ela estava disposta a conversar comigo sobre aquela decisão e até a admitir o seu erro."

Buri (1991) apresenta dados indicativos de boa validade de conteúdo e boa confiabilidade teste-reteste no intervalo de duas semanas (0,86 para o estilo autoritário e 0,78 para o estilo democrático-recíproco). E Smetana (1995) utilizou-se do PAQ para prever diferentes julgamentos sobre o legítimo uso de autoridade parental e justificativas do uso de controle sobre diferentes tipos de questões entre pais e filhos adolescentes, assim reforçando a validade desse instrumento em amostras norte-americanas.

Estilos parentais maternos. Consistente com a medição quantitativa dos estilos autoritário e democrático-recíproco da avó materna, a medição dessas mesmas variáveis na mãe foi feita através de subescalas de uma versão em português do Parent Attitude Research Instrument-PARI (Schaefer & Bell, 1958), envolvendo atitudes quanto ao uso de autoridade e à afetividade para com a criança. As propriedades psicométricas do instrumento original norte-americano têm sido amplamente aceitas (Holden & Edwards, 1989), e Nogueira (1988) apresenta bons índices de consistência interna e confiabilidade teste-reteste para as subescalas de uma versão canadense, traduzida para o português e usada com mães do Rio de Janeiro. Ancorada em cinco pontos (1=discordo absolutamente; 5=concordo absolutamente), a versão utilizada no presente estudo é uma tradução do PARI original, já utilizada num outro estudo com amostra brasileira (Oliveira, Frizzo e Marin, 2000).

As subescalas Quebra de Vontade (Breaking the Will) (ex.: "A mãe sábia ensina seus filhos logo cedo quem é que manda") e Irritabilidade (Irritability) (ex.: "Criar filhos é uma tarefa que arruína os nervos de uma mulher") foram usadas para medir o estilo autoritário. O estilo parental democrático-recíproco foi medido através das subescalas Igualitarismo (Equalitarianism) (ex.: "Não é razoável que os interesses e as opiniões dos pais sempre prevaleçam, assim como não é razoável que os interesses e as opiniões dos filhos sempre prevaleçam") e Camaradagem (Comradeship and Sharing) (ex.: "As crianças seriam mais felizes e melhor comportadas se os seus pais mostrassem interesse pelas atividades delas").

Atitude conjugal conflituosa. Para medir a atitude conjugal conflituosa das mães participantes, foi usada a subescala Conflito Conjugal (Marital Conflict) do PARI (Schaefer & Bell, 1958). Um exemplo de ítem dessa subescala é: "Muitas vezes a esposa precisa dar bronca no marido para garantir os seus próprios direitos."

Comportamentos de externalização e internalização. Os comportamentos de externalização e internalização das crianças foram medidos através do Inventário de Comportamentos da Infância e Adolescência (Bordin, Mari & Caeiro, 1995), que é uma versão em português, validada para amostras brasileiras, do Child Behavior Checklist (CBCL; Achenbach, 1991). A parte do CBCL destinada a medir problemas comportamentais lista uma série de comportamentos, que são classificados pelo adulto respondente (neste estudo, a mãe) quanto à freqüência em que são observados na criança, segundo uma escala de três pontos (0 = ítem falso ou comportamento ausente; 2 = ítem bastante verdadeiro ou comportamento freqüentemente presente).

Conforme orienta o manual, foi usada a soma dos escores brutos das subescalas Comportamento Delinqüente (ex.: "Mente ou engana os outros") e Comportamento Agressivo (ex.: "Entra em muitas brigas") para medir os comportamentos de externalização. A soma de escores nas subescalas Retraimento (ex.: "É tímido"), Queixas Somáticas (ex.: "Apresenta queixas físicas por 'nervoso,' sem causa médica") e Ansiedade/Depressão (ex.: "Chora muito") foi usada para medir os comportamentos de internalização.

Procedimento, Delineamento e Análise

As mães e crianças foram recrutadas para participar de um estudo científico sobre a "facilitação do desenvolvimento social infantil," por meio de cartas, telefonemas e contatos pessoais de membros da equipe de pesquisa, intermediados pelas diretoras ou coordenadoras das escolas. Foram explicados os objetivos principais da pesquisa e a natureza voluntária da participação, e assegurados o sigilo da identidade e dos dados individuais. Alguns meses após a coleta dos dados, o coordenador do projeto conduziu uma entrevista individual de devolução com cada mãe interessada. A equipe também realizou encontros com pais e professores nas escolas, em que se apresentaram sumários dos resultados preliminares da pesquisa e se ofereceu orientação sobre questões relacionadas à facilitação do desenvolvimento social, através do Núcleo de Informação sobre o Desenvolvimento Infantil-NIDI, que é um projeto de extensão ligado a esta pesquisa.

Os dados foram coletados individualmente, em salas reservadas das escolas, em duas etapas, com um intervalo médio de 10 meses entre elas. Várias auxiliares de pesquisa, devidamente treinadas pelo coordenador do projeto e cegas para os objetivos da pesquisa, se revezaram na coleta dos dados. Na coleta inicial, a mãe forneceu dados demográficos, por meio de uma entrevista semi-estruturada, e preencheu o PARI e o PAQ, intercalados com outros dados não utilizados neste estudo. Na segunda coleta, a mãe preencheu o CBCL, além de fornecer outras informações de interesse para o projeto. A auxiliar de pesquisa proveu esclarecimentos sobre os itens e auxiliou no preenchimento das escalas, conforme necessário. Cada visita durou, em média, cerca de 60 minutos.

Uma vez manualmente pontuados e conferidos, os escores brutos foram lançados na base de dados do sistema de mainframe SAS, versão 6.03, e, a seguir, foram efetuadas as análises estatísticas. Análises preliminares verificaram a adequação das medidas, testaram possíveis efeitos de variáveis estranhas e determinaram as estatísticas descritivas.

O delineamento foi essencialmente não-experimental longitudinal (Newcombe, 1999), combinando dados retrospectivos (transmissão intergeracional dos estilos parentais) e prospectivos (efeitos da atitude conjugal conflituosa e dos estilos parentais sobre o desenvolvimento social da criança pré-escolar). Adotaram-se correlações bivariáveis e análises de regressão múltipla para a testagem das hipóteses. Nas análises de regressão múltipla, três equações foram usadas para estabelecer efeitos diretos e indiretos, primeiramente, na parte intergeracional do modelo; em seguida, na predição do critério desenvolvimental (Baron & Kenny, 1986; Oliveira, 2000b; Patterson, 1998). Para todos os testes estatísticos, foi adotado um alfa de 0,05.

 

Resultados

Análises Preliminares

Para testar possíveis efeitos das variáveis sexo e tipo de escola (particular vs. pública) sobre as variáveis-critério, foram usados testes t. Na ausência de resultados estatisticamente significativos, os dados de ambos os sexos e tipos de escola foram lançados juntos nas análises subseqüentes.

Foram examinadas as consistências internas das subescalas do PAQ e do PARI. As subescalas do PAQ referentes aos estilos parentais autoritário e democrático-recíproco apresentaram Alfas de Cronbach bem semelhantes aos da amostra de padronização norte-americana (Buri, 1991), ou seja 0,89 e 0,85, respectivamente. Igualmente, as subescalas do PARI referentes ao estilo autoritário, Quebra de Vontade e Irritabilidade, apresentaram Alfas de Cronbach bem próximos aos relatados por Schaeffer e Bell (1958) para o instrumento original, ou seja, 0,78 e 0,52, respectivamente. O Alfa de Cronbach para a subescala Conflito Conjugal foi um pouco mais baixo (0,41), mas, como indicam Schaeffer e Bell, magnitudes como essa são ainda satisfatórias, considerando-se que cada subescala contém apenas 5 itens. Bem menos satisfatórios, porém, foram os Alfas de Cronbach das duas subescalas do PARI usadas para medir o estilo democrático-recíproco (0,28 para Igualitarismo e 0,25 para Camaradagem).

Foram também extraídas as correlações de Pearson entre cada par de subescalas do PARI referentes aos estilos parentais das mães. Como se esperava, a correlação entre as subescalas Quebra de Vontade e Irritabilidade foi significativa, r =0,36; p=0,01. Por conseguinte, os escores brutos dessas duas subescalas foram somados e usados como uma única medida do estilo autoritário materno, nas análises subseqüentes. Já as subescalas referentes ao estilo democrático-recíproco não apresentaram entre si uma correlação significativa, contrariando expectativas baseadas em análises de fatores do instrumento original (Zuckerman, Ribback, Monashkin & Norton, Jr., 1958) e da versão canadense traduzida para o português por Nogueira (1988). Uma comparação dos itens da nossa versão com aqueles da versão de Nogueira deu a impressão de muita semelhança entre as duas traduções, com exceção apenas de dois itens da subescala Igualitarismo. Nas análises subseqüentes, as subescalas Igualitarismo e Camaradagem foram mantidas separadas.

A Tabela 1 mostra as estatísticas descritivas das variáveis. Houve uma distribuição relativamente normal em todas elas, com exceção de camaradagem, que apresentou um acentuado efeito de teto. Para minimizar a assimetria, aplicou-se uma transformação exponencial cúbica aos escores brutos dessa variável (Glass & Hopkins, 1984); mas, como tal transformação não acarretou mudanças significativas nos resultados das análises principais, foram mantidos os escores originais.

 

 

Análises Principais

Os testes das hipóteses foram feitos em duas etapas. Primeiro, foi extraída uma matriz das correlações de ordem zero de todas as variáveis (ver Tabela 2). Em seguida, para determinar mais precisamente o papel das variáveis explicativas no contexto de cada modelo hipotético, foram usadas regressões múltiplas com entradas planejadas (ver Tabelas 3 e 4).

 

 

 

 

 

 

Correlações. Conforme esperado, o estilo parental autoritário da mãe se correlacionou positivamente com os comportamentos de externalização (r=0,35; p<0,05) e de internalização (r=0,27; p=0,05) da criança, medidos 10 meses mais tarde. As correlações entre externalização e internalização foram apenas marginais, r=0,26; p<0,10. A atitude conjugal conflituosa da mãe previu longitudinalmente os comportamentos de externalização (r=0,46; p<0,01), mas não de internalização da criança. Atitude conjugal conflituosa também se correlacionou positivamente com as medidas de estilo autoritário da avó materna (r=0,44; p<0,01) e da mãe (r=0,71; p<0,001). Já as atitudes maternas subjacentes ao estilo democrático-recíproco (igualitarismo e camaradagem) não apresentaram correlação significativa com nenhum dos critérios desenvolvimentais, nem com a atitude conjugal conflituosa, ao contrário do que se esperava.

Nota-se, ainda, a correlação positiva entre as medidas de autoritarismo da avó materna e da mãe (r=0,43; p<0,01), assim amparando a hipótese da transmissão intergeracional. Ou seja, quanto mais a mãe, retrospectivamente, percebeu a sua experiência de criação como tendo sido autoritária, mais ela própria tendeu a adotar esse mesmo estilo parental para com a criança. Por outro lado, semelhantes relações intergeracionais não foram encontradas para o estilo parental democrático-recíproco. Surpreendentemente, uma correlação positiva marginal se apresentou entre os estilos democrático-recíproco da avó e autoritário da mãe.

Regressões múltiplas. As análises de regressão múltipla apoiaram a hipótese de um papel mediador para a atitude conjugal conflituosa na transmissão intergeracional do estilo parental autoritário (ver Tabela 3). A primeira equação de regressão foi significativa, F (1, 42) = 10,50; p < 0,01, e explicou 20% da variância da atitude conjugal conflituosa em função do estilo autoritário da avó materna. Na segunda equação, 19% da variância do estilo autoritário da mãe foi explicada a partir do mesmo estilo na avó materna, F (1, 42) = 10,20; p < 0,01. Finalmente, a terceira equação deu conta de 53% da variância do estilo autoritário da mãe, tendo o estilo autoritário da avó materna e a atitude conjugal conflituosa materna como variáveis explicativas, F (2, 41) = 23,46; p < 0,001. O incremento da variância explicada na terceira equação relativo à da segunda foi significativo, F (1, 42) = 30,91; p < 0,001. Portanto, a inclusão da variável mediadora fez considerável diferença.

As três condições estatísticas para o papel mediador da atitude conjugal conflituosa foram mantidas. Como se vê na Tabela 3, primeiramente, o efeito do estilo autoritário da avó materna sobre a atitude conjugal conflituosa foi significativo. Em segundo lugar, o efeito do estilo autoritário da avó materna sobre o estilo autoritário da mãe foi igualmente significativo. E, finalmente, quando incluída na terceira equação, a atitude conjugal conflituosa não apenas teve um efeito significativo sobre o estilo autoritário da mãe, mas diminuiu o efeito do estilo autoritário da avó materna a um nível desprezível, próximo de zero (compare os valores de b para o estilo autoritário da avó nas equações 2 e 3, na Tabela 3).

A Tabela 4 mostra o resumo dos resultados das regressões adotadas para testar o papel mediador do estilo parental autoritário materno na predição longitudinal dos comportamentos de externalização da criança a partir da atitude conjugal conflituosa da mãe. Por não se correlacionar significativamente com externalização (Tabela 2), a medida de autoritarismo da avó materna foi mantida fora dessas análises.

Novamente, todas as equações tiveram resultados significativos. A primeira equação explicou 51% da variância do estilo parental autoritário materno em função da atitude conjugal conflituosa, F (1, 42) = 44,61; p < 0,001. A segunda equação deu conta de 21% da variância de externalização a partir da atitude conjugal conflituosa, F (1, 42) = 11,70; p < 0,01. Finalmente, a terceira equação explicou 22% da variância de externalização, tendo como variáveis preditivas a atitude conjugal conflituosa e o estilo autoritário da mãe, F (2, 41) = 6,03; p < 0,01. O incremento da variância explicada na terceira equação relativo à da segunda foi desprezível.

Embora todas as equações tenham apresentado resultados significativos, as condições estatísticas pertinentes aos efeitos de cada variável no terceiro modelo não foram preenchidas, deixando de se confirmar o papel mediador do estilo autoritário materno na predição de externalização, a partir da atitude conjugal conflituosa. Como se vê na Tabela 4, a atitude conjugal conflituosa teve efeitos significativos tanto sobre o estilo autoritário materno quanto sobre o comportamento de externalização da criança. Porém, na terceira equação, o efeito do estilo autoritário caiu para um nível não significativo, enquanto o efeito da atitude conjugal conflituosa foi quase significativo (ß=0,36; p<0,07).

Para determinar se havia algum efeito interativo, repetiu-se a terceira equação com o acréscimo do efeito cruzado atitude conjugal conflituosa X estilo autoritário, através do General Linear Model (GLM). Não houve efeito interativo estatisticamente significativo, mas tanto a atitude conjugal conflituosa como o estilo autoritário tiveram efeitos principais significativos; respectivamente, F (1, 49) = 5,34; p < 0,05 e F (1, 49) = 4,40; p < 0,05. Fica claro, portanto, que os efeitos das variáveis preditivas se sobrepõem, como seria de se esperar a partir da correlação existente entre elas (ver Tabela 2); mas, tal sobreposição não é indicativa nem de mediação nem de moderação.

Como a matriz de correlações não revelou nenhum efeito significativo para a atitude conjugal conflituosa sobre internalização, não foi preciso testar o modelo mediativo para este critério, embora uma correlação positiva significativa tenha sido encontrada entre estilo autoritário materno e internalização infantil (ver Tabela 2). De igual modo, não havendo correlações bivariáveis significativas entre o estilo democrático-recíproco da avó materna e as atitudes de igualitarismo ou camaradagem da mãe, ou ainda entre essas variáveis e os critérios de externalização e internalização da criança, foram dispensadas as análises de regressão múltipla envolvendo esse conjunto de variáveis.

 

Discussão

O presente estudo representa uma tentativa de avanço na literatura brasileira rumo a modelos explicativos que especifiquem processos mediativos, considerando não apenas fatores de risco, mas também de proteção. Pelo uso de amostra não-clínica, escalas quantitativas sem pontos de corte arbitrários e predição prospectiva dos critérios desenvolvimentais, buscou-se superar limitações detectadas em outras pesquisas do gênero (Kaufman & Zigler, 1989; Patterson, 1998; Rutter, 1998).

Em conjunto, os dados apontam para relações complexas entre os estilos autoritários da avó materna e da mãe, e a atitude conjugal conflituosa da mãe, como fatores de risco para comportamentos de externalização, mas não de internalização, em crianças pré-escolares. Contrário às expectativas, porém, os dados não sugerem um papel de proteção para o estilo democrático-recíproco da avó ou da mãe, com relação à atitude conjugal conflituosa da mãe ou aos comportamentos de externalização e internalização da criança.

Os resultados diferenciados para os critérios desenvolvimentais sugerem que os comportamentos de externalização e internalização seguem modelos de risco distintos, conforme também indicam outras pesquisas (ex., Caspi, Henry, McGee, Moffit & Silva, 1995; Weiss, Dodge, Bates & Pettit, 1992). Se, por um lado, maiores índices de estilo autoritário materno são preditivos tanto de mais externalização como de mais internalização na criança, por outro lado, maiores índices de atitude conjugal conflituosa prevêem maior externalização, mas não internalização. E visto que a atitude conjugal conflituosa cresce linearmente com o estilo autoritário, torna-se difícil isolar os efeitos principais de cada um desses fatores maternos sobre a externalização infantil, num único modelo aditivo.

A implicação óbvia desse padrão de resultados é que a externalização e a internalização devem ser tratadas separadamente, em vez de serem combinadas sob uma rubrica comum (ex.: "problemas comportamentais"), com base em correlações moderadas ou apenas marginais entre essas duas classes de desajuste psicossocial (Alvarenga, 2000). Profissionais e cientistas devem estar atentos para distinguir entre os fatores parentais implicados no desenvolvimento de ambos os tipos de comportamentos infantis e aqueles implicados no desenvolvimento de um tipo, mas não do outro.

Os resultados indicam ainda que, na medida que a mãe percebe sua experiência de criação pregressa como autoritária, mais ela relata um estilo parental igualmente autoritário para com a criança, sendo que essa transmissão intergeracional é mediada por uma atitude conjugal conflituosa da mãe. Ou seja, a experiência relacional com uma mãe autoritária, na infância, se repete no estilo parental da geração seguinte através de um aumento da atitude conjugal conflituosa.

Como sugerem Caspi e Elder, Jr. (1988), por ser socializada para assumir um papel centralizado na família, a mulher ocidental transfere suas experiências de criação para dentro da relação conjugal. E, ao cultivar uma atitude conjugal acrimoniosa, ela tende a fechar o ciclo intergeracional, com maior irritabilidade e mais tentativas de controle arbitrário dos seus filhos. Ressalta-se, todavia, que os resultados referentes à transmissão intergeracional de autoritarismo materno, via atitude conjugal conflituosa, foram apenas moderados.

Mas, por que apenas o modelo de risco, envolvendo o estilo autoritário intergeracional, encontrou suporte nos dados, enquanto o modelo de proteção, envolvendo o estilo democrático-recíproco, não obteve sequer amparo das análises bivariáveis? Limitações metodológicas podem ter ocasionado essa diferença, embora algumas considerações teóricas também mereçam atenção.

Uma provável explicação para a falta de resultados significativos para o modelo de proteção seria a maior presença de erro na medição do estilo parental democrático-recíproco, especialmente da mãe. A questão do erro de medição é particularmente complicada quando se trabalha com instrumentos traduzidos, como se faz no presente estudo. Pois, nem mesmo as medidas de externalização e internalização, através de instrumento supostamente validado para uso no Brasil (Bordin, Mari & Caeiro, 1995), satisfazem aos critérios mais rigorosos de validade (e.g., amostra normativa suficientemente grande e representativa da população nacional). Contudo, ao contrário das medidas envolvendo o estilo parental autoritário, os resultados apresentam claros indícios de erro na baixa consistência interna e na intercorrelação não-significativa das atitudes de igualitarismo e camaradagem, bem como no efeito de teto na distribuição dos escores de camaradagem, sugerindo desejabilidade social das respondentes.

É importante notar que esse tipo de problema não é exclusivo apenas de questionários, como os aqui utilizados. Fagot (1997) faz o seguinte comentário sobre medidas observacionais em um estudo que relacionou reciprocidade parental negativa (mas não positiva) com reciprocidade negativa da criança para com os seus pares: "Certamente, em termos de anos de experiência treinando observadores, o conjunto de comportamentos mais fácil de se obter confiabilidade entre observadores é o de comportamentos negativos¼ Construtos negativos têm alfas e kappas mais elevados¼ Os comportamentos positivos podem conter mais informação e ser mais complexos do que os negativos" (pp. 496-497).

É também possível que nossos modelos explicativos, por se basearem numa única fonte de informação, estejam apresentando um quadro de intergeracionalidade e previsão ontogenética tendencioso. Mas, como bem indica Rutter (1998), ainda não se sabe até que ponto a continuidade e a descontinuidade intergeracionais são fenômenos objetivos ou restritos à experiência subjetiva. Isso pode depender do construto em questão. E, como argumentam Achenbach, McConaughy e Howell (1987), os relatos maternos sobre comportamentos da criança podem ser tão válidos quanto os relatos da professora ou de outro observador, apesar das intercorrelações baixas entre eles, pois cada informante se relaciona com a criança de modo diferente e num contexto diferente. Só através da análise de equação estrutural, empregando modelos latentes com múltiplos informantes e tipos de medição, poderíamos obter um quadro mais próximo da "realidade objetiva." Por enquanto, contentamo-nos em apresentar dados que refletem a experiência subjetiva da mãe, a qual é tão relevante para a ciência quanto para a prevenção psicológica.

Limitações metodológicas à parte, a obtenção de dados significativos apenas para o modelo de risco também pode estar refletindo uma certa assimetria na ordem natural do universo em que vivemos. Pois, há evidências mais fortes de descontinuidade do que de continuidade entre gerações, na literatura (Rutter, 1998). E os dados indicativos de continuidade, quando encontrados, tendem a ser bem mais brandos em amostras comunitárias do que em amostras clínicas ou de alto risco (Belsky e cols., 1990; Kaufman & Zigler, 1989).

Este estudo revela que, intergeracional e ontogeneticamente, "problemas geram problemas" (Caspi & Elder, Jr., 1988; p. 218). Mas, seria surpreendente descobrir que o mesmo não se aplica às experiências mais positivas ou normalizadoras do desenvolvimento, especialmente num contexto social em que as circunstâncias familiares adversas cruelmente sobrepujam as benignas? Talvez o mundo social em que vivemos promova mais a continuidade de risco do que de proteção, e melhores previsões de critérios socialmente indesejáveis do que desejáveis. Não obstante incisivos apelos em prol de modelos psicológicos mais positivos e potencializadores do desenvolvimento humano (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000), é possível que a atual lacuna na literatura acerca de tais modelos não represente mera negligência dos pesquisadores.

 

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Recebido: 08/11/2000
Revisado: 13/07/2001
Aceito: 18/10/2001

 

 

Sobre os autores

Ebenézer A. de Oliveira é Associate Professor do Departamento de Psicologia do Malone College, em Ohio, E.U.A. Obteve o Ph.D. em Desenvolvimento Humano Aplicado na University of Delaware, após completar o mestrado em Psicologia Escolar na mesma instituição. É mestre em Religião/Aconselhamento pelo Westminster Theological Seminary, estudou psicologia na Temple University, Pennsylvania, e é Bacharel em ciência pelo Philadelphia College of Bible e em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife.

Angela H. Marin é Acadêmica do Curso de Psicologia da UFSM com bolsa de iniciação científica da FAPERGS.

Fabio B. Pires é Acadêmico do Curso de Psicologia da UFSM.

Giana B. Frizzo é Acadêmica do Curso de Psicologia da UFSM com bolsa de iniciação científica do CNPq.

Tiago Ravanello é Acadêmico do Curso de Psicologia da UFSM.

Carolina Rossato é Acadêmica do Curso de Psicologia e monitora de Psicologia Experimental da UFSM.

 

 

1Endereço para correspondência: Department of Psychology, Malone College, 515, 25th Street NW, Canton, OH, 44709-3897, USA. Nossa gratidão às mães e crianças que participaram da pesquisa, bem como às professoras e diretoras do Centro de Educação Infantil Ipê Amarelo e dos Colégios Centenário e Coronel Pilar, pela ajuda no recrutamento dos participantes.
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Baldwin contrastou as parentagens autocratic vs. democratic; Baumrind usou os termos authoritarian e authoritative, este último de difícil tradução. Seguindo a tradutora de Mussen, Conger, Kagan e Huston (1995), preferimos autoritário vs. democrático-recíproco.