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Psicologia: Reflexão e Crítica

Print version ISSN 0102-7972

Psicol. Reflex. Crit. vol.15 no.1 Porto Alegre  2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722002000100017 

Perigo, Probabilidade e Oportunidade: A Linguagem dos Riscos na Mídia

 

Mary Jane P. Spink 1 2
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Benedito Medrado

Universidade Federal de Pernambuco
Programa PAPAI

Ricardo Pimentel Mello

Universidade Federal do Pará

 

 


Resumo
Partindo do pressuposto que risco é um conceito central na sociedade contemporânea, este estudo teve por objetivo entender o papel da mídia na circulação e consolidação da linguagem dos riscos. Tendo por base estudos anteriores, optou-se por trabalhar com um único jornal, a Folha de S. Paulo, sendo adotados três procedimentos de pesquisa: 1) mapeamento da diversidade de termos utilizados para falar sobre a possibilidade de ocorrência de eventos concebidos como ocasião para ganho ou perda; 2) análise diacrônica de uma amostra representativa de matérias com a palavra risco no título (1921 e 1998); 3) análise do uso da linguagem de risco por área temática (CD-Rom Folha, 1994-1997). Os resultados sugerem que o uso da linguagem dos riscos na mídia é recente e diversificado, apoiando-se ora na linguagem formal do cálculo de risco, ora no uso metafórico do termo, para falar de desordem na sociedade contemporânea.
Palavras-chave:
Linguagem dos riscos; produção de sentidos; mídia; modernidade reflexiva

Danger, Probability and Opportunity: The Language of Risks in the Media

Abstract
Based on the assumption that risk is a central concept in contemporary society, the study aims to understand the role of the media in the circulation and consolidation of the language of risks. The Folha de S. Paulo, a major Brazilian newspaper, was used as a source of data. Research procedures involved: 1) mapping the diversity of terms used for talking about the possibility of occurrence of events seen as occasions for loss or gain; 2) diachronic analysis of a representative sample of news-items with the word risk on the title (1921-1998); 3) analysis of the use of the language of risks by subject area (CD-Rom Folha, 1994-1997). The results suggest that the use of the language of risks in the media is recent and diversified with emphasis on both, the formal language of risk calculations and its metaphoric use for talking about disorder in contemporary society.
Keywords:
Risk language; making sense; media; reflexive modernity.


 

 

Partindo do pressuposto que risco é um conceito central na sociedade contemporânea, este estudo teve por objetivo entender o papel da mídia na circulação e consolidação da linguagem dos riscos.

O risco é, talvez, inerente à vida: viver, diz o ditado, é um risco. Entretanto, o sentido que lhe é dado está implicitamente vinculado ao contexto histórico em que os vários riscos se concretizam. É de especial interesse a progressiva expansão das fronteiras espaciais e temporais que fazem com que os riscos possam ser percebidos para além das subjetividades individuais, para além das fronteiras territoriais e até mesmo para além das fronteiras planetárias. São essas transformações, intrinsecamente associadas aos avanços das tecnologias de comunicação, que possibilitam afirmar que estamos vivendo uma transição que nos leva do risco como fenômeno focal da sociedade moderna (Douglas, 1992) à sociedade de risco (Beck, 1992).

A noção de risco que é própria da modernidade está intimamente relacionada à incorporação cultural da noção de probabilidade. Mary Douglas (1992) considera que risco é a maneira moderna de avaliar o perigo em termos de probabilidade, num contexto de incerteza. A noção moderna de risco emerge, segundo ela, no século dezessete no contexto dos jogos de azar. É incorporada, no século dezoito, no seguro marítimo e, no século dezenove, na economia.

Tendo sido a noção construída num momento histórico em que a sociedade hierárquica se transformava lentamente em sociedade baseada no individualismo (Dumont, 1985) – com a contrapartida da necessária separação entre esfera pública e privada, e entre direitos individuais e bem coletivo (Habermas, 1983) –, parece ter trazido em seu bojo a necessidade de um olhar disciplinador sobre os excessos de risco na esfera individual. O risco individual de ganho e perda precisou, então, ser cerceado pelas instituições públicas – jurídicas, econômicas, sanitárias – apoiadas por corpos de saberes específicos.

Foi como instância legitimadora desses saberes que a ciência tornou-se, na modernidade clássica (ou sociedade industrial, segundo Beck, 1992), o mais importante apoio para a gestão pública dos riscos. Gerir implica em criar regras e mecanismos de vigilância; implica, ainda, em fomentar a consciência individual que possibilita o autocontrole e que encontra na culpa e na educação tão poderosos aliados (Foucault, 1977). Essa contraposição entre a responsabilidade individual e o bem coletivo viria constituir-se como um dos fundamentos da subjetividade nesse período histórico.

A literatura sobre risco sugere que a modernidade reflexiva (ou sociedade de risco, segundo Beck, 1992) inaugura novas possibilidades de significação do risco. O princípio central da sociedade industrial, segundo Beck, era a distribuição dos bens. Já a sociedade de risco teria como questão central a distribuição dos males ou dos perigos.

Vários autores (entre eles, Beck, 1992, 1998 e Giddens 1998) ponderam que esses riscos não estão mais limitados temporalmente (na medida em que futuras gerações podem ser afetadas) e nem espacialmente, pois muitas vezes extrapolam as fronteiras nacionais. A reflexão necessária deixa, portanto, de estar circunscrita a grupos e localidades, tendendo à globalização na medida em que os riscos modernos (ou a consciência desses riscos) revelam ameaças irreversíveis à vida das plantas, dos animais e dos seres humanos desta e de futuras gerações.

É nossa posição que a mídia tem um papel fundamental nesse processo de ressignificação da noção de risco, seja porque é onipresente no mundo contemporâneo (e, portanto, instrumental na conformação da consciência moderna) ou porque confere uma visibilidade sem precedente aos acontecimentos (incluindo aí as novas informações e descobertas) que leva a uma re-configuração das fronteiras entre o espaço público e privado, produzindo novas formas de comunicação e interação.

Apoiando-nos nas reflexões de John Thompson, definimos mídia como a "produção institucionalizada e a difusão generalizada de bens simbólicos através da fixação e transmissão de informação e conteúdos simbólicos" (1995, p. 26). Trata-se, segundo este autor, de um sistema cultural complexo que abarca tanto a dimensão simbólica, "relacionada com a produção, armazenagem e circulação de materiais que têm significado para os indivíduos que os produzem e recebem"(1995, p. 11), como a dimensão contextual – temporal e espacial – que leva à considerar seus produtos como fenômenos sociais situados em contextos que têm aspectos técnicos e comunicativos, com propriedades estruturadas e estruturantes.

Os recentes avanços tecnológicos têm trazido mudanças importantes na comunicação midiática, introduzindo transformações substantivas nas formas de experienciar a subjetividade que podem ser apreendidas a partir das novas possibilidades de interação. Para além das modalidades clássicas da comunicação face-a-face e mediada pela tecnologia, a interação midiática passa a incluir também, seguindo as reflexões de Thompson (1995), a "quase-interação-mediada".

A quase-interação-mediada refere-se às relações sociais produzidas com o advento da comunicação de massa. Como na interação mediada, a comunicação se processa rompendo barreiras espaciais e/ou temporais, mas difere em dois aspectos: primeiro, porque a comunicação não é dirigida especificamente a uma pessoa (mas a um outro generalizado); segundo, porque o diálogo entre os falantes não é imediatamente recíproco, como em uma comunicação pelo telefone. Na quase-interação-mediada, os participantes não dispõem da troca direta, podendo haver uma expressiva lacuna temporal entre a emissão e a recepção, por exemplo: livros, jornais, revistas, televisão e sites da Internet (com exceção das salas de bate papo).

Partindo do pressuposto de que as interações são sempre mediadas, seja por dispositivos eletrônicos ou pela diversidade de vozes (instituições, amigos, leituras, etc)e pelo jogo de posicionamentos que se fazem presentes no momento da dialogia, os adjetivos mediada e quase-mediada são aqui empregados para demarcar níveis distintos de interação humana gerados pela inovação tecnológica (Medrado, 1999).

É possível propor, assim, que além de ser um veículo poderoso que cria e faz circular conteúdos simbólicos, a mídia tem um poder transformador, ainda pouco estudado, de reestruturação dos espaços de interação propiciando novas configurações aos esforços de produção de sentido.

 

Mídia e Produção de Sentidos Sobre os Riscos Contemporâneos

A produção de sentido sobre risco, as práticas sociais do cotidiano, as transformações históricas dos repertórios de risco (associadas, evidentemente, aos contextos históricos de sua produção) e a centralidade da mídia na criação de espaços de significação integram-se, neste estudo, através da perspectiva teórica que busca desvendar a produção de sentido no cotidiano de nossas vidas (Spink, 1999).

A produção de sentidos é tomada como fenômeno lingüístico (na medida em que a linguagem é uma prática social geradora de sentido) que se expressa nas práticas discursivas que atravessam o cotidiano colocando em movimento os repertórios interpretativos culturalmente disponíveis. Trata-se de referencial ancorado no construcionismo (Gergen, 1985; Ibáñez, 1993;) e alinhado aos psicólogos sociais que trabalham de formas variadas com práticas discursivas (Billig, 1996; Parker, 1989; Potter, 1996; Shotter, 1993; entre outros).

Nesta proposta teórica o sentido no cotidiano decorre do uso que fazemos, em nossas práticas discursivas, dos repertórios interpretativos que dispomos. Repertórios interpretativos (Potter & Reicher, 1987) são conjuntos de termos, descrições, lugares comuns e figuras de linguagem que estão freqüentemente agrupadas em torno de metáforas ou imagens, utilizando construções e estilos gramaticais próprios. São as unidades de construção dos discursos e demarcam o rol de possibilidades das construções discursivas.

A produção de sentido ocorre na ação social. Aliam-se, nesta proposição, a tradição hermenêutica de processo criativo – mediado pelas expectativas e pressupostos que o indivíduo traz para a situação –, a tradição interacionista de valorização da presença do outro (real ou imaginada) e a onipresença da linguagem na perspectiva das práticas discursivas, aqui concebidas como linguagem em ação, ou seja, as maneiras a partir das quais as pessoas produzem sentidos e se posicionam em relações sociais cotidianas (Davies & Harré, 1990; Spink & Medrado, 1999).

Ao tomarmos a mídia como objeto deste estudo, focalizamos, sobretudo, seu potencial de fazer circular repertórios interpretativos associados ao conceito de risco, tornando presente (até mesmo recriando) as vozes de especialistas de diferentes domínios de saber para falar de experiências do cotidiano. O processo de produção de sentidos propriamente dito, seja na produção ou recepção da mensagem, obviamente extrapola os objetivos do estudo.

Importante frisar, ainda, que ao optarmos por trabalhar com a circulação de repertórios interpretativos na mídia estamos tomando seus registros como documentos de domínio público: produtos sociais tornados públicos que, como ensina Peter Spink (1999),

"Eticamente estão abertos para análise por pertencerem ao espaço público, por terem sido tornados públicos de uma forma que permite a responsabilização. Podem refletir as transformações lentas em posições e posturas institucionais assumidas pelos aparelhos simbólicos que permeiam o dia-a-dia ou, no âmbito das redes sociais, pelos agrupamentos e coletivos que dão forma ao informal, refletindo o ir e vir de versões circulantes assumidas ou advogadas" (p. 136).

Buscando entender o papel da mídia na circulação e consolidação da linguagem dos riscos na sociedade contemporânea era importante poder dispor de uma série histórica de dados que possibilitasse localizar momentos e formas distintas de uso do que denominaremos, a partir de agora, a linguagem dos riscos. Com base nos levantamentos anteriores (Spink, 1997, 2001) que possibilitaram situar historicamente o debate sobre riscos e formas de gerenciá-los, sabemos que o conceito consolida-se inicialmente nas áreas da Economia e da Medicina (sobretudo nas teorizações da epidemiologia). Sabemos, ainda, que o uso pleno do conceito, especialmente na vertente de gerenciamento conhecida como "Análise dos Riscos", data dos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial. A busca deste tempo longo da circulação dos repertórios sobre risco para o público geral exigiu, portanto, a escolha de um veículo que possibilitasse a realização de um levantamento diacrônico de matérias publicadas.

Estudo anterior sobre "A construção da AIDS-notícia" (Spink e cols. 2001), utilizando as quatro agências de notícia mais importantes do Brasil em termos de reconhecimento público e de circulação2, havia nos sensibilizado para o fato de que a Folha de São Paulo (FSP) dispunha de um acervo completo de seus exemplares, desde 1921, de fácil acesso ao público, além de um banco de dados informatizado e disponível aos interessados (a partir de 1994). Argumentando que qualquer jornal fornece uma "janela para o mundo", refletindo, pela própria natureza do jornalismo, as questões que são definidas num dado período histórico como "notícia ou informação", decidimos focalizar um único jornal, tomando-o como "vitrine para as idas e vindas dos sentidos" (P. Spink, 1999, p. 139)3.

 

Procedimentos de Pesquisa

A metodologia empregada para coleta de dados envolveu três procedimentos distintos. Como primeira aproximação da linguagem dos riscos foi feito um levantamento dos termos usados para falar sobre risco. Utilizamos para este fim o CD-Rom Folha relativo aos anos de 1994 a 1997. Este arquivo reúne 98,2% dos textos jornalísticos publicados pelo jornal em cada ano. Não inclui os cadernos regionais, anúncios, fascículos, imagens e material gráfico (como tabelas e mapas).

O segundo procedimento visou a análise diacrônica do emprego da palavra risco, utilizando uma amostra representativa (a=0,05) de matérias com a palavra risco no título publicadas na FSP de 1921 (ano da fundação do jornal) a 1998. Para o cálculo da amostra foram escolhidos aleatoriamente cinco dias por ano, de 1921 a 1998, perfazendo um total de 400 dias. 4 Como critério de reposição estabeleceu-se que: 1) quando o dia escolhido era 31 e o mês não tinha 31 dias, seria substituído pelo último dia daquele mês; 2) caso o jornal do dia amostrado não existisse no acervo, seria substituído pelo exemplar do dia seguinte.

Para realizar esse levantamento, consultamos o acervo da Biblioteca Mário de Andrade que dispunha de sistema de microfilmagem dos exemplares até o ano de 1997 e versão original do ano de 1998. Os jornais dos dias sorteados foram lidos na íntegra, buscando localizar matérias que tivessem a palavra risco no título. Optou-se por esse procedimento considerando que essas matérias teriam o risco como foco específico, permitindo entender melhor o contexto de uso da linguagem dos riscos.

Os artigos assim localizados foram submetidos inicialmente à análise quantitativa buscando entender o uso dos repertórios nas diversas áreas temáticas (economia, saúde, política etc.) numa perspectiva diacrônica. A seguir, foi feita uma análise qualitativa buscando entender o contexto de uso. Nessa segunda etapa foram utilizadas três estratégias analíticas: a) o uso do termo, pautando a análise no emprego de risco como linguagem cotidiana (como perigo, portanto) ou como conceito formal (como probabilidade de ocorrência); b) o posicionamento do locutor, utilizando-se para isso as seguintes categorias: especialista, jornalista, articulista ou pessoas que viveram experiências com risco; c) o fluxo de associação de idéias, contextualizando o uso feito de risco como repertório interpretativo.

O terceiro procedimento focalizou o período mais recente buscando compreender o uso da linguagem dos riscos nas diferentes áreas temáticas. Para isso, fizemos o levantamento do total de matérias com risco no título que constavam do CD-Rom Folha, 1994-1997.

A primeira etapa analítica relativa a essa terceira fase de coleta de dados consistiu na análise quantitativa das matérias localizadas, buscando entender o emprego de risco como repertório interpretativo nas diferentes áreas temáticas. Foi feita, a seguir, uma análise qualitativa de artigos selecionados dentre o conjunto localizado no CD-Rom, obedecendo aos seguintes critérios: a) localização da notícia: todas as matérias com risco no título que apareceram como chamadas de primeira página; b) uso recente: todas as matérias referentes à áreas onde a linguagem dos riscos é de uso recente, por exemplo, meio ambiente; c) usos ambíguos: todas as matérias das temáticas "esporte", "política" e "lazer", por introduzirem novos e ambíguos usos da linguagem dos riscos; d) foco na experiência subjetiva: artigos que priorizavam o relato de pessoas que haviam vivenciado riscos; e) risco como aventura: matérias que focalizavam a positividade dos riscos.

 

Risco: Um Repertório cada vez mais Disponível

Como primeira aproximação para a compreensão dos usos da linguagem dos riscos buscamos entender a freqüência da palavra risco no CD-Rom Folha (1994-1997) considerando o conjunto de palavras passíveis de serem utilizadas para falar sobre a possibilidade de ocorrência de algum evento, concebido como ocasião para ganhos ou perdas. Criamos, assim, um glossário que incluía sinônimos e termos associados à origem etimológica da palavra risco (Spink, 2001).

Considerando primeiramente a freqüência das várias palavras, observa-se na Tabela 1, que risco é a mais freqüente. Seguem, em ordem de freqüência, as palavras ameaça, chance e perda; depois sorte e perigo. As demais têm presença pouco marcante.

 

 

Entre 1994 e 1997, houve um crescimento da ordem de 27,7% no uso do total de palavras associadas a risco. É possível que o crescimento vegetativo das matérias da FSP tenham acompanhado, ou mesmo sobrepujado, essa taxa de crescimento. Entretanto, a palavra risco teve uma taxa de crescimento de 50,8% , enquanto que as demais palavras de uso freqüente (ameaça, chance, perda, sorte e perigo) não chegam a atingir a marca dos 30%. É interessante observar, entretanto, que aventura, embora de uso pouco freqüente, é a palavra que apresenta a maior taxa de crescimento (85%). É possível que esse crescimento seja decorrência da recente visibilidade dos esportes radicais, como veremos na discussão sobre a linguagem dos riscos nas áreas emergentes.

Considerando, a seguir, a análise das matérias obtidas através de processo de amostragem utilizando o acervo da Biblioteca Mário de Andrade, verifica-se na Tabela 2 que foram poucas as matérias com a palavra risco no título, localizadas nos jornais dos 400 dias sorteados.5 Essas matérias começam a aparecer na década de oitenta, tornando-se mais presentes na década de noventa.

 

 

O terceiro procedimento visava a entender o contexto de uso da linguagem dos riscos nas matérias com risco no título publicadas no período de 1994 a 1997 e indexadas no CD Folha. Foram localizadas 454 matérias com risco no título: 24 em 1994, 14 em 1995, 39 em 1996 e 377 em 1997. Dito de outra forma, 83% das matérias localizadas haviam sido publicadas em 1997. Essas matérias foram analisadas pela equipe de pesquisa e classificadas em seis áreas temáticas: saúde, economia, política, esporte, lazer e meio ambiente. Um pequeno número de matérias (n=11) foi classificado como "indefinido" por não se encaixar nas áreas já consolidadas. A Figura 1 e a Tabela 3 possibilitam visualizar o crescimento de matérias com risco no título, por área, no período analisado.

 

 

 

 

Tanto a análise da amostra como da totalidade de matérias do CD-Rom Folha apontam que o uso intensivo da linguagem dos riscos é um fenômeno dos anos noventa, sendo que o uso inicia-se pelas áreas onde o conceito já estava mais consolidado: a economia e a saúde. Para as demais áreas, a linguagem dos riscos é fenômeno ainda mais recente e seu uso, como veremos adiante, é ainda bastante variado: ora fala-se a linguagem dos fatores e probabilidades de risco, ora risco é metáfora para perigos diversos.

A linguagem em uso: risco nas matérias localizadas na amostra de matérias localizadas na Biblioteca Mário de Andrade.

A leitura das 20 matérias localizadas através de processo de amostragem forneceu as primeiras pistas sobre o uso da linguagem dos riscos na mídia jornalística. Em 15 matérias, a palavra risco foi utilizada como sinônimo de perigo para falar sobre o risco de algum evento indesejado, na perspectiva das pessoas que correm riscos ou do risco propriamente dito. Nas demais, risco foi utilizado para denotar a probabilidade de ganho ou perda, no sentido mais corriqueiro associado à linguagem dos jogos (apostas, investimentos) ou no sentido mais formal de cálculo de probabilidade. Essas dimensões podem ser visualizadas na Figura 2.

 

 

O Risco como Perigo

Exemplo típico do uso cotidiano de risco como perigo, na perspectiva das pessoas que se sentem ameaçadas, é a fala de Heloísa, estudante de 20 anos, sobre a violência em São Paulo: "se a gente sai com cartão é assaltada. Se a gente sai sem ele corre o risco de apanhar" (FSP, 19/12/97, Editoria: Opinião). Já quando são os especialistas que falam das pessoas que correm risco, a linguagem recobre-se de termos técnicos que tendem a transformar "experiências com risco" em "coletivos de risco": os pedestres (matéria de 20/1/89), os incautos compradores de dólar no paralelo (matéria de 12/11/89) ou os grupos propensos a serem infectados pelo vírus da AIDS. São, portanto, pessoas que apresentam "comportamentos de riscos" (matéria de 27/9/89).

A matéria intitulada "O risco de ser pedestre", publicada em 20/1/89, é um exemplo interessante do uso da linguagem dos riscos. De autoria de arquiteto, pós-graduando em Engenharia de Transportes na Escola Politécnica da USP, a matéria trata de projeto de lei municipal que permitiria a cobrança de multas a pedestres, medida justificada pelo caráter educativo, visando "disciplinar pedestres rebeldes" que não usam a faixa para atravessar a rua. O autor inicia com uma análise técnica sobre usuários do espaço viário e o papel das multas no gerenciamento do uso e diminuição de acidentes que serve de contexto para a problematização da intenção de multar pedestres. Sem colocar em dúvida a necessidade de educar pedestres, o autor pleiteia que se priorize a conscientização dos motoristas por serem eles "a parcela com maior nível de informação e com melhores condições sócio-econômicas, mas também por serem eles os que mantêm o pé no acelerador". O risco do título é, portanto, metafórico: presta-se para falar da incidência de acidentes viários, mas também para sublinhar a falta de condições de segurança ou de exercício pleno da cidadania de uma parcela da população: os pedestres.

Nas matérias em que o foco é nos riscos em si, o objeto de risco é que tem precedência: o risco da anarquia (12/02/95), o risco de conflito (15/09/98) ou as eleições em risco no Peru (12/11/89) nas matérias que tratam de política; o risco de corte de energia (15/09/98) na área de tecnologia e ambiente; o risco de cair de classificação (futebol, 28/09/98), de rebelião na penitenciária (27/9/89), ou de desaparecer (a Associação Desportiva Araraquarense, 29/8/57; o patrimônio cultural das Universidades Públicas, 21/3/80).

Em suma, nas matérias em que risco é usado como sinônimo de perigo a palavra dá força ao argumento, ajudando a sinalizar a ameaça; mas não é parte intrínseca da explicação do fenômeno sob análise. Por exemplo, na matéria publicada em 12/2/95, intitulada "Capitalismo volta a enfrentar risco da anarquia", Luiz Gonzaga Belluzzo defende a tese que a globalização da economia vem debilitando a capacidade de decisão dos Estados. A anarquia paira, assim, como ameaça em um mercado de capitais volátil e pulverizado onde não há mais interlocutores identificáveis.

 

O Risco como Probabilidade

A aproximação ao conceito probabilístico de risco ocorre de várias formas e é sinalizada pelo uso do risco como adjetivação (aposta de risco, 16/03/98; operação de alto risco, 15/09/98). Foram localizadas duas matérias que exemplificam o risco-adjetivo. Ambas fazem referência à aposta, sugerindo a associação com a linguagem dos jogos – cenário em que se desenvolve o conceito de risco como probabilidade (Bernstein, 1997). A primeira, intitulada "Aposta de risco" (16/3/98) refere-se à avaliação feita pelos "tucanos" (PSDB) do desempenho de Mário Covas nas pesquisas eleitorais. A segunda ("Flamengo desiste de risco e sobe preço de ingresso") relata a "operação de alto risco" adotada pelo clube, de devolução de ingressos em caso de derrota. Face ao prejuízo, o Flamengo decidira não "apostar" novamente em seu time.

O uso pleno de risco-probabilidade, por sua vez, é sinalizado com o emprego do termo no contexto dos fatores associados ao cálculo do risco. Os três exemplos nas matérias localizadas através da amostra inserem-se na área da economia (16/10/96; 28/09/98) e da saúde (8/3/88; 16/3/98). Na economia são os fatores de riscos aos investimentos que estão em pauta. Por exemplo, a matéria intitulada "Diversificação é fundamental para diluir risco no simulado" (28/9/98) avisa: "concentrar os investimentos em poucos papéis é arriscado". São listados os fatores que deveriam ser levados em consideração na escolha de carteiras de investimentos, associando-as às empresas e setores às quais elas pertencem.

Na saúde, a matéria intitulada "Um beijo na boca pode provocar AIDS" traz os comentários dos médicos infectologistas Ricardo Veronese e Jacyr Pasternack sobre as declarações feitas pelo casal Johnson e Masters, dos EUA a respeito da possibilidade de infectar-se através de beijos na boca. Afirma Veronese que os beijos prolongados não estariam livres de risco; complementa Paternak que "risco teórico existe". Ambos justificam o risco a partir de argumentos baseados em possibilidades: maior possibilidade de contato entre mucosa da boca e saliva; possibilidade de ocorrer sangramentos na boca durante beijos. Não se trata da quantificação do risco, mas do jogo das possibilidades em cenário probabilístico onde a retórica do risco serve também para qualificar ou desqualificar interlocutores. Assim, risco, no campo da transmissão do HIV, é da alçada de infectologistas e os especialistas cujas vozes se fazem ouvir nessa matéria afirmam que "o casal Master e Johnson não são autoridade em infectologia para fazer as declarações que fizeram e que podem levar ao pânico".

 

De Conceitos e Metáforas: A Linguagem dos Riscos na Perspectiva das Áreas Temáticas nas Matérias Localizadas no CD-Rom Folha

O levantamento de matérias do período de 1921 a 1998, feito através de amostragem, havia sinalizado para o fato que a linguagem dos riscos só começa a ter visibilidade na Folha de S. Paulo na década de noventa. O levantamento de todas as matérias com risco no título indexadas em CD-Rom no período de 1994 a 1997 refina esta conclusão possibilitando apreender que é apenas no final da década que a linguagem dos riscos torna-se de uso corrente. Lembramos aqui que 83% das 454 matérias localizadas (Figura 1) concentravam-se no ano de 1997 (último ano registrado no CD-Rom). O objetivo desta etapa da análise foi explorar o uso feito da linguagem dos riscos.

 

O Risco como Chamada de Primeira Página

Encontramos 25 exemplos em que a linguagem dos riscos apareceu na primeira página do jornal, 21 das quais referentes à edição nacional (sendo que, na edição específica para São Paulo, duas eram matérias originais e as outras eram versões regionais da edição nacional). Considerando as áreas temáticas, é o risco na economia que chega mais freqüentemente à primeira página: 13 das 25 chamadas referiam-se à economia (n=7) ou economia/política (n=6). Recessão, riscos bancários e o real são os temas centrais. As análises financeiras nas matérias correspondentes a essas chamadas estão associadas, sobretudo, às medidas voltadas à "governamentalidade" (Foucault, 1984) dos riscos no setor financeiro, havendo ai um interessante jogo de posicionamentos: quando o interlocutor é externo, é o país que está em risco (por exemplo, "FED vê o Brasil em situação de risco", 8/4/97); quando a interlocução se dá no âmbito do país, o risco é depositado no outro (por exemplo: "É preciso dar noção de risco aos bancos", 01/04/97).

Também os riscos na perspectiva da saúde chegam com freqüência à primeira página: As seis chamadas localizadas falam dos riscos para o bebê, de câncer da mama, da próstata, de epidemias trazidas por novos vírus, da queda de riscos cardíacos e da redução de riscos de morte pelo trabalho qualificado. Não há, no período analisado, menção à AIDS: quiçá um indicador que a AIDS deixou de ser notícia (Spink e cols., 2001).

Dos seis artigos restantes, três referiam-se a aspectos variados da segurança: risco de ser atingido por pedras na estrada; de desabamento de ponte, de armas que trazem mais riscos que segurança (31/08/97); um a riscos de corte de energia; um a questões ambientais (porque os nossos "Cerrados correm risco", 3/6/97) e um aos riscos de derrota política.

É obvio, assim, que o mote de primeira página é a ameaça; o risco-perigo que ronda o país, sobretudo no que diz respeito à falência generalizada na área da economia.

 

Dos Riscos Manufaturados: Ameaças ao Meio Ambiente

Riscos manufaturados, segundo Giddens (1998, p. 28) são aqueles criados "pela própria progressão do desenvolvimento humano, especialmente pela progressão da ciência e tecnologia". São estes os riscos que marcam a emergência de uma nova fase no mundo contemporâneo, chamada por Beck (1992) de "sociedade de risco".Embora, nos escritos acadêmicos, as implicações dos riscos manufaturados para o meio ambiente vêm sendo explorados desde os anos sessenta, suas ressonâncias na mídia – a julgar pelas matérias da Folha de S. Paulo – são recentes.

Encontramos apenas dez matérias referentes aos riscos ao meio ambiente, nacionais e internacionais: a Mata Atlântica, os cerrados, o Parque Nacional de Iguaçu, a Floresta Amazônica (grande vedete, responsável por cinco das dez matérias localizadas), a água do subsolo, os animais em perigo de extinção. Sendo área emergente para o uso da linguagem dos riscos na mídia jornalística, as nomeações de risco são variadas: em risco (por exemplo, "Verde em risco"), sob risco, risco de e risco para.

Os riscos são meramente descritos, uma forma de uso que remete à primeira fase de desenvolvimento do conceito de risco na epidemiologia - denominado por Ayres (1997) de epidemiologia da constituição – onde risco desempenha papel periférico "de caráter (...) basicamente descritivo e quase sempre indiretamente quantificado" (p.292).

Apenas a matéria publicada em 19 março de 1997, intitulada "Greenpeace alerta para risco de "poluição genética", anuncia as novas questões ecológicas decorrentes da engenharia genética. A ausência de matérias sobre riscos associados à engenharia genética surpreende especialmente tendo em vista que esse foi o ano em que Dolly, a ovelha clonada, foi apresentada ao mundo e o ano, também, da polêmica sobre o tomate transgênico. Seria necessário reverter a busca, focalizando especificamente a questão da engenharia genética, para entender porque a linguagem dos riscos não migra para esta área.

 

A Hora e a Vez dos Esportes de Ação

Das 31 matérias que vinculavam risco e esporte, 24 tinham por foco o futebol. Nessas matérias, o termo risco foi utilizado para falar de possíveis perdas: rebaixamento do time, risco de afastamento ou de perda de jogadores, risco de perder o cargo de técnico. Encontramos, porém, um uso interessante da expressão contrato de risco, modalidade de relacionamento contratual baseado numa aposta.

Esse uso muito específico da linguagem de riscos, emprestado da economia, pode ser ilustrado com o caso Rodman. A matéria intitulada "Rodman se oferece em contrato de risco" (8/6/97) relata que esse jogador, cotado para ser dispensado do time de basquete Chicago Bulls por indisciplina, propôs participar dos jogos sem salário garantido. Dizia ele: "eu ofereci a eles um negócio de risco. Acerto verbalmente um contrato, sei lá, de uns US$ 10 milhões. Eu disputo o torneio inteiro, e eles só me pagam no final se estiverem satisfeitos comigo. Que tal?"

A liga profissional norte-americana não aceitou o contrato,6 mas obviamente a proposta chegou a ser considerada. No período analisado encontramos duas outras matérias sobre contratos de risco: em 19/02/97, Renato gaúcho propunha também um contrato de risco, sugerindo ao Flamengo que cortasse seu salário se não pudesse jogar devido à contusão no joelho; em 25/10 do mesmo ano foi a vez de Candinho, técnico do Corinthians, assinar "contrato de risco": se o time fosse rebaixado, a diretoria deveria procurar novo treinador; caso conseguisse livrar o time do rebaixamento, continuaria no cargo em 98.

Embora esses contratos de risco parecem ter sido propostas feitas pelos profissionais em questão, havendo indicações de resistência a essa modalidade de aposta por parte dos empregadores, é uma possível ilustração da apropriação da linguagem dos riscos, na modalidade dos investimentos financeiros, no futebol. Há evidência, também, nas matérias analisadas, de que a abordagem da "Análise dos Riscos", começa a se fazer sentir neste cenário. Por exemplo, a matéria intitulada "Risco corintiano de cair passa de 56%" (5/11/97) traz cálculos da Datafolha sobre as chances de rebaixamento dos vários times, sendo explicitadas as duas premissas em que se basearam tais cálculos: "as chances de um time vencer, empatar ou perder um jogo são as mesmas, independente do adversário e do fator campo; e todas as partidas que não terminam empatadas têm como resultado o 1 a 0".

Mas são os esportes de ação que aparecem impregnados pela linguagem dos riscos; os riscos são aí intrínsecos à própria atividade. Por exemplo, em matéria de 20/02/97 Niki Lauda, às vésperas do julgamento do acidente em que morreu Ayrton Senna, diz esperar que o tribunal "valorize os riscos voluntários que correm os pilotos". Afirmou achar "estúpido" um tribunal da alçada civil julgar um caso relacionado com esporte de velocidade extrema, pois: "Entre os altamente pagos riscos que se assumem na Fórmula 1, desgraçadamente, também está o de morte. É algo que qualquer piloto sabe perfeitamente".

Risco é também parte do pacote dos esportes de aventura que vem tornando-se cada vez mais populares: canoagem, rafting, rapel e os variados "rali humanos", como descrito na matéria publicada na seção Fitness, da Editoria "Revista da Folha" (14/09/97), intitulada: "Alto Risco". Apesar do título, os riscos dessa modalidade de esporte ficam subentendidos: "as equipes enfrentarão rios, florestas e montanhas em provas que incluem trilhas, 140 km de corridas de longa distância, 150 km de mountain bike, 80 km de travessias com caiaque e vários pontos de rapel (descida de montanhas, com cordas) com até 50 metros".

A convivência delicada entre o risco-aventura e a "Análise de Riscos" como estratégia de governamentalidade, é admiravelmente ilustrada pela matéria intitulada "Risco à vista", publicada na seção Ação da Editoria Esporte (15/05/97). O problema em pauta é o patrocínio dos esportes de ação: as aventuras solitárias de ciclistas, os escaladores de montanhas dispostos a enfrentar as vias de acesso mais difíceis, o pára-quedista que pensa em enfrentar os 50 graus negativos do Pólo Norte são os exemplos mencionados na matéria analisada. Os patrocinadores fogem diante das dificuldades e riscos dos esportes de ação: "Não os riscos físicos, administráveis e garantidos com técnicas e equipamentos de segurança, mas os riscos de retorno: o que não é absolutamente mensurável para a maioria dos marketeiros não merece o investimento".

 

Na Política, o Jogo da Ambigüidade

Nos esportes há uma tensão sempre presente entre a perspectiva dos riscos como perigo, como jogo, como aventura e como governamentalidade. Já na política, risco é cenário metafórico, descompromissado com quaisquer das vertentes da linguagem dos riscos. A liberdade de uso já é anunciada pelo contexto de uso: quase um terço dos títulos referentes à política foram encontrados na seção Painel, da editoria Brasil, onde o título expressa a notícia. Os títulos são saborosos: "Riscos do rumo incerto" (Medeiros, por engano, quase entra em reunião do PT); "Riscos de atraso", "Cronograma em risco", "Tática de risco", "Aposta de risco", "Risco calculado", "Jogada de risco", "Jogo de risco", "Estratégia de risco", "Negócio de risco", "Aparição de risco" (falando da visita de Quércia à capital paulista para testar sua popularidade).

Há medidas que correm risco de não serem implementadas (como a decisão de ratificar a convenção da OIT sobre emprego de menores) ou mesmo votadas (como a revisão da previdência). Há eventos que correm risco de não vingarem, como o leilão da Companhia Vale do Rio Doce. Há riscos para a Democracia (em Hong Kong face à devolução da província à China) e para os turistas (referindo-se à situação política na África do Sul).

Muitas das matérias são notas curtas sobre o andamento de processos variados: eleição para presidência da câmara, votação da emenda sobre reeleição ou privatização de estatais, onde há risco de adiamento ou perda de posições. Nas matérias mais longas, os riscos que rondam as entrelinhas do discurso são os da desordem, vista sobre qualquer um dos dois ângulos: segurança na esfera nacional ou o jogo das desigualdades na sociedade globalizada.

Não se trata, portanto, de cálculo de risco: risco não é, nessas matérias, probabilidade e sim um mecanismo de culpabilização eminentemente adaptado à sociedade globalizada que, provendo-nos com grau inusitado de mobilidade, nos tornam livres, porém vulneráveis. Novos mecanismos de proteção se fazem necessários, a nível nacional – pautados nas instituições que zelam pela segurança – e internacional, quando novas estratégias de justiça tendem a ser desenvolvidas. A noção de risco se encaixa admiravelmente bem nessa nova ordem: "A idéia de risco poderia ter sido criada sob medida. Sua terminologia universalizante, seu grau de abstração, seu poder de condensação, sua cientificidade, sua conexão com a análise objetiva, tornam-na perfeita" (Douglas, 1992, p. 15).

A matéria publicada em 9/2/95 (Editoria Turismo) ilustra o uso da linguagem dos riscos para falar da dinâmica da desordem-segurança. Nela, o cônsul da África do Sul em São Paulo pleiteia que o país tornou-se "um novo mundo a ser descoberto pelos turistas; até grupos de turistas negros estão se tornando comuns no país". Com o fim da política segregacionista houve melhoria na segurança para os turistas tendo em vista "que os recursos da polícia puderam ser deslocados para a sua principal prioridade: manter a lei e a ordem". Cria-se assim uma trama que envolve o sistema político, a polícia como aparato de segurança e os riscos para turistas.

Também a matéria de 19/6/97, intitulada "Azeredo conhecia risco de rebelião" (Cotidiano, edição nacional), aborda risco como desordem. Mais uma vez, a segurança é uma questão de polícia, sobretudo porque a rebelião em pauta é de praças da Polícia Militar de Belo Horizonte. É um belo exemplo do que se denomina "gerenciamento dos riscos": tratava-se de risco conhecido; sabia-se que havia alto grau de insatisfação e "havia riscos de a tropa se rebelar". Em linguagem gerencial, os oficiais do Comando de Policiamento consideraram que o "grande erro" do governo e do alto-comando foi "não terem sido mais habilidosos politicamente".

 

Lazer: Cunhando Novas Expressões

Risco, no período analisado, foi temática de produções culturais variadas. Das 22 matérias sobre lazer com a palavra risco no título localizadas no CD-Rom Folha (1994-1997), 16 relatavam ou anunciavam filmes, vídeos, programas de TV, espetáculos teatrais ou livros que tinham risco como tema. Este é o período em que o filme "Risco Máximo", protagonizado por Jean Claude Van Damme, chega às telas de cinema (1996), vídeo-locadoras (1997) e à televisão a cabo (final de 1997), sendo amplamente anunciado no caderno Ilustrada (contabilizando 6 dos 22 títulos localizados). É também o período em que "Alto Risco", série da televisão dedicada a esportes radicais, chega ao país e em que foi lançada a tradução do livro de Peter Bernstein, "Desafio aos Deuses, a Fascinante História dos Riscos". É interessante observar que, apesar do autor ser descrito como um "erudito dedicado ao estudo da história dos riscos e das Bolsas de Valores", o livro é anunciado, na editoria Brasil, em edição nacional, como "Um passeio pelo divertido mundo dos riscos" (2/11/1997).

Também o teatro se abre às experiências com risco. Na peça de Rodrigo Matheus e Deborah Pope ("Deadly", resenhada em matéria de 17/03/1997), circo, dança, filme, teatro e rock se unem para criar um espetáculo onde o risco está presente nos embates acrobáticos dos atores assim como nos excessos dos seres humanos. Palavras, sons e imagens também dialogam em espetáculo intitulado "Poesia é risco" (14/10/97) onde o risco fica depositado na inusitada combinação de poesias, música e vídeo. Mas o risco não é apenas palco para experiências inovadoras no teatro; o teatro, segundo matéria de 28/12/97, pode ser importante estratégia educativa e, em Bem Nadi, no Laos, as crianças aprendem a lidar com o perigo das minas através de músicas e teatro de bonecos.

Na área do lazer, risco é também utilizado para falar dos perigos que se corre: arriscar realizando montagens novas e pouco comerciais; proteger-se dos riscos das intempéries, fazendo espetáculos em recintos fechados; patrimônios culturais que correm risco e artistas que temem pelos riscos à liberdade de expressão. Risco, nesses contextos, é muitas vezes um artifício de marketing, pouco tendo a ver com o conteúdo da matéria. O relato do debate sobre liberdade de expressão (20/11/97), realizado após os episódios que envolveram os músicos do "Planet Hemp", traz depoimentos (que "compõem um quadro de ameaça à liberdade de expressão") e propostas de ação. Não é uma análise dos riscos ou fatores a eles associados. A ameaça se torna risco no título da matéria pela força que o termo empresta ao tema, mais do que pela afiliação ao enquadre analítico dos riscos.

 

O Risco na Vida Cotidiana: O Dever de Prevenção

Para pesquisar esse aspecto analisamos as 47 matérias que tinham por foco os riscos da vida cotidiana, aí incluindo o relato de experiências pessoais com uma diversidade de riscos ou análises voltadas à responsabilidade individual de prevenção e autocontrole desses riscos. A grande maioria dos relatos era sobre questões relacionadas à saúde (66%) ou à interface entre saúde e segurança (15%), sobressaindo-se o caso de M – uma menina de dez anos que engravidou em conseqüência de estupro.

Nas cinco matérias7 que discutiam aspectos do caso de M, não houve consenso entre os especialistas sobre os riscos dessa gravidez, sendo variadas também as formas de referir riscos:

"Sobre os riscos do parto: "(...) gestantes adolescentes têm maior probabilidade de desenvolver doenças como pré-eclâmpsia e eclampsia"; (...) O parto fica prejudicado por causa da pouca elasticidade da vagina em uma garota de 10 anos; o maior agravante é que a menina não tem maturidade para ser mãe (13/12/97)."

"Sobre os riscos do aborto: "Há maior fragilidade dos tecidos dos órgãos da paciente (...) Mas se a interrupção for feita por um profissional gabaritado, não há maiores riscos; (...) Mas todo procedimento intervencionista, em qualquer idade, tem risco. Se realizado por equipe gabaritada, o risco diminui (13/12/97, Edição São Paulo). Ainda sobre o aborto, em matéria de 16/12/97, o Dr. Lister, descrito como especialista em gravidez de alto risco, pondera que "Não dá para afirmar o que é mais perigoso sem examinar a paciente. O que podemos dizer é que a gravidez neste caso é de alto risco" e complementa arrolando os fatores que dão respaldo à sua argumentação. Posiciona-se a favor da indução da expulsão do feto pois, se for necessário fazer cirurgia, "os riscos aumentam".

Os riscos mencionados não se referem apenas ao corpo-biológico, pois a matéria seguinte (18/12/97) intitula-se "M corre o risco de rejeitar o bebê: pode ter problemas de relacionamento com o filho". Se a opção for pelo parto, recomenda-se que M e seu filho, submetam-se a acompanhamentos psicológicos: "Do contrário, poderão ter suas vidas arrebentadas", afirma o chefe do serviço de psiquiatria infantil do Hospital de Clínicas.

Essa sutil diferença no uso da linguagem dos riscos quando se transita do biológico para o psicológico fica mais clara na matéria intitulada: "Risco diminui com pré-natal" (18/12/97). De um lado, fala-se sobre os riscos da gravidez na adolescência, quando há maior probabilidade de sofrer hemorragia, aumento de pressão arterial e toxemia; de outro, afirma-se que a gravidez na adolescência não traz sérios problemas que não sejam de ordem psicológica. Em suma, ao falar do corpo biológico, aplica-se a linguagem da probabilidade; ao falar de saúde mental, a questão passa a ser da ordem dos problemas.

Os relatos de experiências e os estudos de caso constituem ocasiões propícias para os esforços de educação que visam desenvolver o senso de responsabilidade pessoal perante a saúde. Várias das matérias localizadas que versavam sobre quem corre riscos traziam esta missão estampada em seus títulos: "Como praticar esportes sem riscos" (02/02/97); "Bons métodos para evitar gravidez e o risco da AIDS" (05/05/97); "Saiba se você corre risco de contrair hepatite B" (01/06/97); "Quem não faz (circuncisão) corre riscos" (28/06/97); "Saiba como levar uma gravidez de risco" (28/12/97).

A forma específica de transmitir a mensagem educativa variou conforme o público-alvo, sinalizado, sobretudo, pela localização da notícia no jornal. Por exemplo, a matéria intitulada "Saiba como levar uma gravidez de risco", publicada na seção Saúde do caderno Cotidiano, relata as recomendações do Terceiro Encontro Internacional de Especialistas em Medicina Fetal. Pautando-se na linguagem formal dos riscos, parte da definição do que seria uma gravidez de alto risco e especifica as chances de ocorrência de diferentes problemas (prematuridade, retardo de crescimento e morte) para então delinear os procedimentos considerados imprescindíveis para o controle dos riscos: repouso, acompanhamento rigoroso no pré-natal, definição do hospital onde o parto seria realizado.

Já a matéria intitulada "Bons métodos para evitar gravidez e o risco da AIDS", publicada na Seção Sexo da Editoria Folhateen (05/05/97), oferece um contraste interessante. Embora sendo também de autoria de especialista,8 busca quebrar as barreiras de comunicação, adotando linguagem menos formal, permeada de termos próprio da linguagem social de jovens: "(...) mesmo usando a santa borrachuda existe o risco de gravidez; mesmo transando com a tal existe o risco de contágio de doenças se um parceiro estiver contaminado. Risco zero, só uma coisa garante: a abstinência sexual. E como não é esse o caminho escolhido por vocês (referindo-as a carta enviada por um rapaz de 20 anos), vamos tratar de procurar a segurança máxima possível."

 

O Risco Positivado: Sem Arriscar Jamais Cresceremos!

De maneira geral, nas diversas áreas em que foram classificadas as matérias localizadas os riscos têm teor negativo: remetem à perda, desordem, doença ou - como no caso das matérias sobre lazer - aos perigos e excessos da vida na sociedade contemporânea. No conjunto das 454 matérias apenas uma focalizou o risco como aspecto positivo do comportamento humano. Tratava-se de texto de autoria de Paulo Coelho, publicado na seção Maktub,da Ilustrada (4/11/95), intitulado "Risco é necessário para acertar" onde o autor argumentava que: "Se exigirmos uma situação segura antes de dar um passo arriscado, jamais acertaremos".

A palavra risco em seu uso inicial, na aurora da modernidade clássica, era uma forma neutra de referir-se às possibilidades de eventos futuros que podiam significar ganhos ou perdas. Hoje, como afirma Mary Douglas (1992, p.24), "A palavra foi esvaziada para significar riscos maus. (...) A linguagem dos riscos ficou reservada como um registro léxico especializado para a conversa política sobre resultados não desejados".. Essa perspectiva atual do risco como perda é claramente exemplificada através do sentido apontado pelo dicionário etimológico: "perigo ou possibilidade de perigo; possibilidade de perda..." (Cunha, 1982, p. 686). Vê-se que a palavra risco é atrelada a um significado menos amplo, limitando-se ao perigo e perda e excluindo algum risco de ganho.

Há, entretanto, uma contra-corrente, associada ao pensamento holista sobre desenvolvimento humano, para a qual o risco é oportunidade de expressão, e de ampliação de perspectivas. Encontramos a positividade das experiências com risco na literatura sobre desenvolvimento de recursos humanos nas empresas, assim como na literatura sobre aventuras radicais, consideradas como cenários propícios para a ampliação dos horizontes da experiência. Esse aspecto está presente na descrição dos participantes do "rali humano", em matéria intitulada "Alto Risco" (14/9/97): "Um grupo formado por empresários e profissionais liberais decidiu aproveitar a experiência de tomar decisões rápidas e ousadas no trabalho em uma aventura mais que radical: o 'rali humano'".

Até recentemente, (a julgar pelo levantamento feito, que abarca os anos até 1997) o risco desejado e socialmente tolerado não era tema da mídia jornalística. Lembramos, entretanto, que em 1998 e 1999 foram publicadas várias matérias (por exemplo, na Revista da Folha) sobre esportes radicais, em que a positividade do risco era abordada. Por exemplo: "Crianças radicais: os meninos e meninas que praticam pára-quedismo, rafting, kart, mergulho e outras modalidades de risco" (11/3/98); "Aventuras em família: país e filhos estão se divertindo no fim de semana com descidas de cachoeiras e corredeiras, trilhas de bicicleta, exploração de cavernas, escaladas" (2/6/99); "Os quase radicais: super-homens de final de semana desafiam seus limites em esportes arriscados e entram para a turma do comigo ninguém pode" (17/10/99).

 

Conclusões

Tomando a Folha de São Paulo como exemplo, o estudo realizado permite concluir que a mídia possibilita mapear os repertórios disponíveis para dar sentido aos riscos no mundo contemporâneo. A produção de sentidos resulta da confluência de contextos variados: os significados mutantes dos repertórios disponíveis no tempo longo da história, os contextos disciplinares que os localizam no âmbito da linguagem social própria dos diferentes domínios de saber-fazer ou ainda o contexto da notícia na perspectiva da cultura jornalística. Resulta dessa confluência de contextos uma verdadeira cacofonia: risco ora é usado como sinônimo de perigo que se corre, ora é elemento formal do cálculo de possibilidades.

Considerando primeiramente a linguagem dos riscos no tempo longo da história, verificamos dois movimentos contrastantes. De um lado, risco é usado na perspectiva da responsabilização e culpabilização, num esforço de colocar ordem diante da complexidade crescente da sociedade globalizada. Essa é a perspectiva de gerenciamento dos riscos, uma estratégia de governamentalidade (Foucault, 1984) que se faz presente nos discursos da saúde, da segurança, da economia e da política. De outro lado, risco é adrenalina e busca dos desafios intrínsecos às novas modalidades desportivas (e algumas mais antigas, como alpinismo e esportes de velocidade) que emerge em contraposição aos esforços de ordenação dos espaços sociais a que se presta o risco passível de cálculo e gerenciamento. As duas óticas estão numa relação de tensão, mais do que em confronto. Por exemplo, os esportes radicais são também ocasiões propícias para o desenvolvimento de funcionários mais flexíveis e aptos para operar adequadamente no âmbito do mercado globalizado.

Considerando a seguir o uso da linguagem dos riscos na perspectiva dos diferentes domínios de saber-fazer, observamos diferenças consideráveis na forma em que risco é abordado nas diversas áreas cobertas pelas matérias analisadas. Nos domínios onde a análise dos riscos já conta com longa tradição – a saúde, a economia, a tecnologia – risco é em geral abordado em sua dimensão quantitativa. Fala-se em probabilidade ou chance de ocorrência e analisam-se os fatores de risco. Mas mesmo aí há diferenças no âmbito dos vários domínios. Na saúde, por exemplo, fala-se em probabilidades e chances no que diz respeito à gravidez ou câncer; mas em problemas quando se trata de saúde mental. Na economia, impera a linguagem quantitativa quando o assunto é investimentos, mas ao abordar as medidas de proteção por parte do governo, volta-se a usar a linguagem do perigo.

Nas demais áreas, risco é cenário para falar de perigos, de experiências radicais ou para referir-se aos eventos problemáticos do cotidiano. Risco, nessa esfera, é espetáculo: tem funções midiáticas e marqueteiras.

Ambas as formas dominantes – risco como probabilidade e risco-perigo – estão também presas ao contexto da notícia. Obviamente, as matérias publicadas nas seções Painel, Opinião, na editoria Brasil, ou Cinema,na Ilustrada são chamadas curtas onde o título é chamariz. Interessa, nesses casos, a variabilidade de expressões e áreas temáticas a que se empresta a linguagem dos riscos. Já as matérias mais substantivas, algumas de autoria de comentaristas especializados, fornecem mais elementos para a análise do uso que é feito da linguagem dos riscos.

É oportuno lembrar que a estratégia de pesquisa foi focalizar matérias que tinham risco no título. Risco como palavra solta aparece com maior freqüência. Justificamos tal estratégia por considerarmos que a palavra no título sinalizava a centralidade que o conceito haveria de ter para a notícia, muito embora soubéssemos que a produção jornalística é fruto de complexas negociações entre autor da matéria, redator e editor do jornal.

 

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Recebido: 15/05/2001
Revisado: 28/07/2001
Aceito: 24/08/2001

 

 

Sobre os autores

Mary Jane P. Spink é Profesora Titular do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Doutora em Psicologia Social pela Universidade de Londres-UK. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Psicologia Social e Saúde - PUC/SP. Pesquisadora do CNPq. Vice-presidente para América Latina da Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP).

Benedito Medrado é Professor/pesquisador do Programa PAPAI/UFPE. Doutor em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).Membro do grupo de pesquisa Praticas discursivas e produção de sentidos, cadastrado junto ao CNPq. Coordenador do Núcleo de Pesquisa em Saúde e Comunicação do Programa PAPAI/UFPE.

Ricardo Pimentel Méllo é Professor do Departamento de Psicologia Social e Escolar da Universidade Federal do Pará (UFPA). Doutor em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Membro do grupo de pesquisa Praticas discursivas e produção de sentidos, cadastrado junto ao CNPq.

 

 

1Endereço para correspondência: Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Rua Monte Alegre, 984, São Paulo, 05014-901. Fone: (11) 3670-8520. E-mail: mjspink@pucsp.br
2
Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.
3
O Jornal Folha de S. Paulo é de propriedade da empresa Folha da Manhã que faz parte do Grupo Folha, cujo material produzido é distribuído e comercializado pela Agência Folha. O jornal foi fundado em 1921, com sede na cidade de São Paulo. Tem distribuição nacional e ocupa a posição de maior jornal da América Latina. O público que lê esse jornal é composto por cerca de 50% com nível de instrução superior e 70% são de classe A e B e têm menos de 40 anos (Fonte: site Folha on line).
4
O cálculo estatístico da amostra foi realizado por Yara Castro, da Faculdade de Ciências Sociais e da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
5
Não foi possível localizar os jornais de 21 dos dias sorteados entre 1921 e 1925.
6
Matéria publicada em 18/09/97: "NBA nega contrato de risco do pivô Rodman".
7
"Saiba quais os riscos do parto" (13/12/97); "Conheça os riscos do aborto" (13/12/97, Edição São Paulo); "Médicos divergem sobre riscos" (16/12/97); "M. corre o risco de rejeitar o bebê" (18/12/97); "Risco diminui com o pré-natal" (18/12/97).